Destinados...?
4 Não Serei Como Você
Notas iniciais
Sangwoo acordara com o cheiro de comida que se espalhava pela casa. Levantou, vestiu-se, respondeu algumas mensagens e foi ver o que estava acontecendo.
O ômega parecia concentrado, cortava tudo com bastante calma, mas ficou nervoso ao perceber sua presença. Sorriu. As reações daquele garoto eram divertidas.
— Você sabe cozinhar... – disse se aproximando e ficando logo atrás do menor.
Viu que o arrepiava e apoiou as mãos ao seu redor, mas sem tocá-lo. Inalou o perfume que o rapaz exalava, o nervosismo fazia com que o ômega liberasse os feromônios de forma mais concentrada, com certeza era o melhor que já sentira.
— O cheiro está bom... – sabia que o moreno acharia que estava falando da comida.
Afastou-se e sentou à mesa, esperando a refeição ficar pronta.
Talvez Bum não fosse tão inútil, se cozinhasse e limpasse alguma coisa, já ajudaria. Respirou fundo, começando a comer o que o garoto servira.
“Meio salgado.”.
Ficou em silêncio por algum tempo.
“Estou sem opção, tenho que falar com ele.”.
— Devo apresentá-lo a minha manada, não há muita escolha em relação a isso. – continuou comendo. Como o garoto não disse nada: — Tenho a impressão de já tê-lo visto antes de ontem, por acaso já nos conhecíamos?
— Estudamos juntos. Semestre passado... Fundamentos do Direito Alpha.
Sangwoo ergueu a sobrancelha.
“Isso explica a merda daquele professor ter sido escolhido.”.
— Ah sim, é obrigatório a todos os cursos, junto com Fundamentos do Direito Ômega e Beta. Bom, eles são tão diferentes que até faz sentindo estudá-los separadamente, só não sei se adianta muito. Qual curso frequenta? – não estava realmente interessado, mas era melhor saber alguma coisa sobre ele.
— Educação Infantil Especializada. – o ômega desviou os olhos.
“Sério?” pensou Sangwoo, segurando-se para não rir.
— Isso realmente é bem clássico vindo de um ômega. – o alpha voltou-se para a comida.
“É tão clichê... Ômegas, crianças... Sempre a mesma coisa...”.
— Acho que é o suficiente para matar a curiosidade deles, caso me perguntem algo antes de apresentá-lo. – seu celular tocou.
Olhou a tela “Jieun... Que saco. Não consegue me deixar um minuto em paz.” – atendeu.
— Sim?
— Sangwoo, só queria confirmar, você vai levar o ômega para a festa de hoje, né?
— Ah... Já mandei uma mensagem avisando que iria levá-lo, não precisava ligar.
— Eu sei! – a voz da garota soava chateada: — Também queria avisar que é às oito! Não se atrase!
— Sim, está combinado, tchau. – ele desligou: — Irritante e barulhenta. – murmurou.
O alpha observou o garoto a sua frente: — Fique pronto às oito. Até lá, não me interessa o que vai fazer. – terminou de comer, levantou e fitou o ômega por um tempo.
“Provavelmente só vou vê-lo na hora da festa, conforme aqueles papéis irritantes ele sentirá dor se eu não ficar por perto, pelo menos, se meu cheiro não ficar...”.
Foi até seu quarto.
“Tenho que entregar alguma coisa com o meu cheiro, porque se algo acontecer, o babaca daquele professor vai me torrar o saco...” – olhou para uma camisa.
— Isso deve servir. — saiu do quarto e entregou-a ao ômega: — Vista isso enquanto estou longe. Assim não sentirá dor. – pegou o próprio casaco e saiu.
Era o terceiro sábado do mês, e como um ritual pessoal, só tinha um lugar que Sangwoo ia com certeza. Comprou flores no caminho. O morro de sua família era um pouco longe, mas já estava acostumado à viagem. Quando chegou, foi direto ao lugar de sempre.
Havia uma marcação onde sua mãe fora enterrada, era simples, mas, muito bem cuidada. Depositou as flores. Não se era comum visitar diretamente os corpos dos mortos — sem ser em datas específicas para isso, o mais normal seria ele fazer alguma oferenda em um lugar simbólico, contudo, ele ia. Subia o morro e visitava diretamente onde eles estavam.
— Você estaria decepcionada? – perguntou o rapaz em tom baixo.
Normalmente apenas passava ali, deixava as flores, verificava se estava tudo bem e ia embora. Mas esse sábado era diferente. Estava com um ômega em casa, um ômega que mordera sem querer, igual ao que seu pai fizera com ela.
— Eu realmente tentei, mas não consegui... – murmurava.
Não queria ser igual a seu pai. No início, ela lhe contou, seu pai era gentil. Parecia compreendê-la e até mesmo aceitá-la. Ela o amava. Mas com o tempo, ele notou que perdia muitas oportunidades por já possuir alguém, mais do que isso, por possuir uma ômega. Aquele homem começou a culpá-la por tê-lo feito mordê-la. Depois começou a feri-la, humilhá-la, dizia que por culpa dela perdera a oportunidade de se casar ‘com alguém decente’.
Os espancamentos ficaram frequentes, em algumas épocas, diários. Qualquer coisa era motivo para bater neles, a comida, o olhar, a forma de falar, absolutamente qualquer coisa. Começou a odiá-lo, mas ela não parecia desistir. Sempre cuidava da casa, sempre cuidava deles.
“Nunca soube se era o medo, eu ou o suposto amor que sentia por ele que a mantinha naquele inferno.”.
Contudo, um dia seu pai voltara animado. Haviam aprovado a ‘Resignação de Registro Ômega’, com isso poderia livrar-se dela de uma vez por todas e como se não fosse o suficiente, conseguira uma nova companheira, uma alpha que não só o ajudaria com as dívidas, como também era linda, perfeita – na opinião dele.
“A subjuguei na mesma semana. Alpha inútil. Não me serviu para absolutamente nada.”.
Sua mãe o questionou.
‘- Eu posso me afastar, como manda a revogação, mas e Sangwoo?’.
Ainda conseguia ouvir a sua voz trêmula, entretanto seu pai apenas ria e dizia:
‘- Não é da minha conta! Vou pagar pensão como manda a porra da lei, mas para mais disso, não quero saber! Leve esse moleque ingrato para a periferia e o crie lá’.
Ela pareceu assustada. Pela primeira vez viu sua mãe gritar.
‘- Eu não posso! Você sabe disso! Tem muitos ômegas lá! Seria tortura! Por favor... ’ – entretanto as lágrimas dela só o irritavam mais...
Porém, o moleque ingrato, já não permitia que ele batesse nela.
“Talvez por isso o ódio dele em relação a mim só aumentava. Bom... Era recíproco.” – pensou o alpha, suspirando profundamente.
No dia seguinte foi para a escola, se despediu dela – o abraçou forte, ainda lembrava-se disso – e quando voltou...
“O desgraçado estava rindo diante do corpo dela pendurado na sala.”.
‘- Inútil até o fim. ’ – o filho da puta dizia entre um riso e outro enquanto fumava.
— Me pergunto se você fez aquilo porque achou que assim ele não teria escolha e seria obrigado a me criar ou por ciúmes por deixá-la. – suspirou.
“Garanto que não imaginava que criara um monstro capaz de ficar tão furioso que mataria o próprio pai naquele mesmo dia. Foi quando notei que puxei mais a ele do que a você.”.
Não conseguia se arrepender. Não queria se arrepender. Não sentia a necessidade de se arrepender. Estava pouco se fodendo para a porra do arrependimento que supostamente deveria sentir.
Quando a polícia chegou, alegou legítima defesa. Os vizinhos que conheciam o histórico de abuso do pai, o defenderam. Mas era mentira. Ele atacara primeiro e não parara de bater. Claro, apanhou também, era novo e inexperiente...
“Eu queria matá-lo e consegui. Enquanto nos socávamos, bati a cabeça dele contra o chão. Mesmo assim ele respirava. Desgraçado resistente. Ele então conseguiu correr e pegar uma faca. Covarde. Quando me atacou, eu virei à faca contra ele. Aquele velho não parava de sorrir... Suas últimas palavras foram ‘Você realmente é meu filho. ’”.
No fim, apesar de ser verdade que ele acabou atingido com a faca que tentou me atacar, também é verdade que eu pressionei aquela faca até que ele vomitasse sangue e parasse de respirar de uma vez por todas.
“Lembro que naquele dia fumei meu primeiro cigarro roubado do maço dele. Só porque ele nunca permitiria... No fim fiquei viciado e descobri que tínhamos mais uma coisa em comum. Realmente era seu filho. É engraçado como não me sinto melhor e ao mesmo tempo, continuo odiando-o. Parece que o ódio nunca tem fim...”.
Refletiu.
— Não tenho nenhuma boa lembrança dele.
Por isso não queria nenhuma família além de sua manada. Eles eram mais do que o suficiente. Queria chegar em casa e ficar sozinho. Não queria alguém para compartilhar a vida ou filhos. Não queria ser como seus pais. Sabia que era tão ambicioso quanto seu pai. Sabia que não queria ser pouca coisa e que uma família o atrapalharia.
“Mesmo assim... Mesmo depois de toda a porra de treino... Não consegui resistir àquele infeliz. Pior do que isso. Continuo querendo sentir à droga de seu perfume viciante. Como uma maldição, pareço estar repetindo a história de vocês... Uma versão 2.0” – riu sem achar graça.
Andou um pouco mais, fizera questão dos dois não serem enterrados próximos.
— E aí desgraçado? – falou ao chegar: — Rindo do inferno? – olhou a marcação mal tratada do pai.
Sabia que não deveria falar daquela forma, ele já estava morto, mas não conseguia se controlar, ou melhor, não queria se controlar. Às vezes desejava ressuscitá-lo para poder matá-lo novamente, entretanto, se fosse para trazer alguém de volta a vida, preferiria sua mãe.
Olhou para o céu. Há quanto tempo estava ali? – sentia fome.
Voltou para o carro, dirigiu até um restaurante familiar que ficava nas proximidades e comeu por lá. Depois olhou as mensagens em seu celular. Suspirou. Todos estavam ansiosos pelo ômega. Como ele era, o que ele tinha, porque escolhera mordê-lo. Respirou profundamente.
Teve que mentir à sua manada. Nada tão fácil quanto antes... Mas não era como se tivesse escolha, era conhecido por resistir aos ômegas, no momento que dissesse que perdeu o controle, não o olhariam da mesma forma.
“Depois digo que não funcionou. Que tive uma impressão errada dele, etc. Acontece com frequência.”.
Pagou a conta e saiu.
Dirigiu até um barzinho que combinara com três deles. Cumprimentou-os quando chegou e sentou. Primeiro pegando as anotações, das aulas que perdeu no dia anterior, de Jung Seung, um garoto sério, que tinha os cabelos negros e usava óculos. Ele apenas as entregou, inventou uma desculpa e foi embora.
Sangwoo riu com o pensamento que o garoto fizera todo o caminho apenas para aquilo.
“É claro, nunca ficaria perdendo tempo batendo papo aleatoriamente.” – olhou as anotações.
Era exatamente para aquele tipo de situação que o aceitara, era o acordo não dito entre eles. O garoto forneceria anotações completas e precisas, caso perdesse alguma aula...
“Ou fazer trabalhos que não quero perder o meu tempo fazendo porque não me acrescenta nada.”.
E o líder o deixava quieto em seu canto ao mesmo tempo em que lhe dava influência o suficiente para subir na vida.
O rapaz era como o próprio Sangwoo, não nascera em uma família rica, mas não possuía o mesmo charme do líder alpha. Era também o mais estudioso e inteligente de sua manada. — o alpha guardou as anotações.
— A Jieun tá uma fera. Não admite, mas dá para notar que ela ficou puta. – começou Park Chung-Ho, um garoto magro que tinha o cabelo tingido de loiro e uma pinta na bochecha.
— Se ela tem algum problema, é só falar. – respondeu calmamente Sangwoo.
Estava cansado da garota e sua mania de ‘gosto e não gosto do Sangwoo’, ‘quero e não quero casar com ele’. Se de algum jeito ele quisesse qualquer coisa do gênero com ela.
— Como se fosse fácil. – um rapaz gordo falou, segurava um pastel: — Você sabe que ela não admite abertamente que gosta de você. — Kim Dongyu concluiu, voltando a morder seu pastel.
— Eh? – Sangwoo fingiu surpresa: — Jieun gosta de mim?
— Para de fingir Sangwoo, até o Papa já notou. – disse rindo Chung-Ho: — Você não deveria ser tão mau. Tinha que dar um fora nela logo. Dizer que não vai se casar.
— Eu já disse. Não diretamente a ela, mas, se ela não admite que gosta de mim, como posso dar um fora direito? – Sangwoo riu se fazendo de desentendido.
Não queria dar um fora em Jieun. Ela era útil. Sua família era muito influente e usava isso a seu favor. No momento que dispensasse a garota, ela sairia de sua manada e isso seria um problema.
Chung-Ho riu: — Tanto faz. Mas ela não acreditou que você mordeu o carinha de propósito. Tá puta e tá espalhando que você mentiu.
Sangwoo bufou. Às vezes se perguntava se realmente valia tanto a pena tê-la na manada.
— Que idiotice. Por que Sangwoo mentiria? – Dongyu já acabara seu pastel, comia agora um bolinho.
O gordo podia ser muito burro às vezes, na verdade o tempo todo, além de sempre arranjar brigas desnecessárias e metê-los em problemas, mas Sangwoo gostava dele. Era fiel e não fazia questionamentos quando ordenava algo. O vencera em uma luta – muito difícil por sinal, quem achava que aquilo era só gordura, estava redondamente enganado, e desde daquele dia podia contar com o garoto. Tinha quase certeza de que era apaixonado por Jieun, contudo achava que se ele não emagrecesse suas chances eram escassas.
— Bom, diga a ela para escolher alguém, se está com tantas dúvidas. – tinha que fazer aquilo, queria esperar um pouco, talvez o período de transição acabar, mas aquela idiota não estava lhe dando escolha. Sentia algumas pequenas dores e desconfortos, devia ter pegado algo do ômega.
“Merda de transição...” – respirou fundo.
Voltou a pensar na festa e no que faria, ia ser fácil, já fizera aquilo diversas vezes.
“Ele foi uma exceção.”.
Chung-Ho sorriu como se dissesse ‘É isso aí.’ e já enviou as mensagens.
Sangwoo sabia que o rapaz gostava quando fazia isso... Era uma forma de lembra-lo de que era possível não perder totalmente o controle. Entrou em sua manada apenas para treinar isso – pois estava cansado de não conseguir manter-se estável diante dos ômegas. Quase engravidara uma ômega por causa disso – perdeu o controle, transou sem camisinha, a garota disse que era dele mas no fim, não era. Admirava Sangwoo e era um dos que provavelmente deixaria de respeitá-lo caso descobrisse que perdera o controle diante daquele garoto.
Já Dongyu pareceu preocupado...
“Será que ele notou que não estou confortável com a situação? Talvez não seja tão burro.”.
O rapaz levantou, foi até uma das máquinas do local, comprou um salgado e comeu. Sangwoo suspirou.
“Ou talvez só esteja com fome.”.
Passou o resto da tarde conversando algumas futilidades. Depois foi para casa.
“Vou me atrasar...“.
Abriu a porta e quando estava no corredor viu o ômega esperando-o na sala. Ficou surpreso, o garoto estava muito bonito, preto lhe caia bem.
— Olha, você consegue se vestir de forma descente. – disse em tom provocativo.
Bum baixou os olhos vermelho e o alpha sorriu. Era realmente divertido brincar com as reações dele.
Foi ao quarto e escolheu o que vestir, tomou um banho, se arrumou e saiu.
— Melhor irmos logo. — falou indo para a porta e esperando o ômega que veio em seguida.
Chegou à casa de Jieun atrasado, de longe já viu que a garota o esperava no portão.
“Saco...”.
Saiu do carro andando com o ômega, quando sentiu um puxão na roupa.
— Algo errado? – perguntou desinteressado.
“O que ele quer agora?” pensou apaticamente, contudo percebeu que o ômega estava aflito.
— Não. Desculpe. – murmurou Bum soltando-o.
“Então, você é do tipo que não reclama...”.
Olhou para os lados, percebendo os alphas do outro lado da rua.
“Era o que faltava.”
Encarou o moreno alto, Min Taeyang, primo de Jieun e um babaca que nunca aceitara que a prima preferiu sua manada a dele. O moreno sorriu, erguendo a cerveja que segurava e correspondendo o olhar de Sangwoo.
“Imbecil, deveria subjugá-lo e acabar com essa palhaçada. Mas daí teria de aguentá-lo na minha manada. Talvez eu deva só dar uma surra nele. Ou torná-lo fahise...”.
Virou em direção à garota. Ignorando o cumprimento.
— Está atrasado. – começou Jieun.
Sangwoo deu seu melhor sorriso: — Desculpe Jieun. Mas o trânsito estava impossível.
“E eu queria passar o menor tempo possível com você.”
— Este é Yoon Bum.
A garota fez beicinho. Sangwoo já estava acostumado, era a forma dela mostrar ‘revolta’. Como um bichinho, era até bonitinho.
— Mentiroso. – murmurou a alpha, mas sorriu de volta.
“Já me perdoou? Nem teve graça.” pensava o rapaz.
Ela então olhou analiticamente para Bum.
“Mais um pouco e comerá o garoto vivo Jieun.”.
— O seu par? – perguntou a garota.
“Não... Um macaco de circo adestrado.”.
O alpha ficou seriamente com vontade de responder, entretanto, apenas aumentou o sorriso, fazendo seu tom brincalhão: — Que outro ômega eu traria?
“Quem os trás ou contrata é você, não eu. Só dou o dinheiro depois.”.
— Não, é que... Pensei que ele seria diferente. – ela ficou vermelha enquanto passava a mão no cabelo distraidamente.
“Diferente como? Ter quatro braços? Cinco olhos? Qual o seu problema?”.
Sangwoo se virou para o rapaz que fitava o chão: — Bum. Esta é Min Jieun. Ela que organizou sua festa de boas-vindas. E é nossa anfitriã hoje.
— Prazer em conhecê-la. – cumprimentou formalmente o ômega.
Min Jieun devolveu o cumprimento e os levou para dentro da casa.
Com um breve olhar Sangwoo notou que estavam todos presentes. Começou as apresentações, levando Bum a conhecer cada um deles.
Primeiro Kim Dongyu, que cumprimentou formalmente, mas não pareceu dar muita importância. Somente ele e Jung Seung tiveram essa reação. Park Chung-Ho estranhou a escolha de seu líder, pelo visto esperava alguém mais atraente. Opinião compartilhada com Bai Taehyun – talvez esse esperasse alguém mais sexy. Seo Jihoon não gostou da forma que Bum foi vestido, não comentou nada, mas Sangwoo sabia. O rapaz só gostava de roupa de marca, e Bum não cumpria esse requisito.
Contudo, nenhuma das reações era mais engraçada – na opinião do alpha, do que as das garotas.
Ah Young, melhor amiga de Min Jieun, aparentou estar enojada – fazendo uma cara que lembrava um bulldog de mau-humor. Choi Yura analisou tanto Bum que Sangwoo pensou seriamente em perguntar se ela não queria levar para casa, ou um pedaço – talvez o braço... E Kaa Yangmi parecia de alguma forma excitada por confirmar que o par que Sangwoo escolhera era um garoto.
— Creio que o apresentei a todos. – ele fitou o menor que parecia nervoso.
“Ele provavelmente irá odiar essa festa. Não parece ser o tipo de local que frequenta.”
— Pode fazer o que quiser – o alpha sorriu: — Garanto que ninguém irá incomodá-lo.
“Pode ficar quieto se quiser. Tanto faz.”.
Saiu indo pegar uma bebida. Depois foi falar com sua manada.
— O que você viu nele? – Bai Taehyun perguntou. Era um rapaz alto, extremamente bonito, que agora estava com os cabelos ruivos – ele vivia tingindo-os.
— Ele tem seus atributos. – sorriu Sangwoo.
Taehyun entendeu imediatamente. A mente mais pervertida do grupo só podia receber aquela resposta.
“Não que seja mentira...” – refletiu o alpha.
— “Tem seus atributos.” – repetiu outro rapaz, Seo Jihoon tinha os cabelos castanhos e era o mais baixo do grupo – incluindo as garotas: — Com certeza não é se vestir.
— Não. Não, eu estava me referindo ao fato de que ele cozinha muito bem. – respondeu Sangwoo realmente sério, como se todo o tempo, aquele fosse o único atributo mencionado.
Taehyun riu e Jihoon revirou os olhos.
O alpha continuou conversando até ver os novos convidados chegarem. Fitou o ômega de cabelo castanho claro e cheiro doce.
“É bonito.”.
Ninguém podia dizer que Jieun não sabia escolher bem. Olhou ao redor e puxou a garota de canto: — É aquele, não?
Jieun olhou em direção ao que Sangwoo observava: — Sim, ele mesmo. Uma gracinha não? – ela lhe deu duas chaves: — Chamei os que gosta. Já sabe quem vai presentear?
— Ainda não decidi. – pegou as chaves e pôs no bolso da calça: — Você sempre tem bom gosto. — respondeu o alpha com um sorriso.
“Melhor elogiar antes de pedir”.
— Obrigada! — ela respondeu com um sorriso.
— Preciso que você faça uma coisa.
— Sim? – perguntou a garota sem entender.
— Nós ainda estamos na fase de transição, então, quero que cuide dele – apontou Bum com a cabeça: — Até eu voltar, entendeu?
Jieun fez cara de quem comeu e não gostou, mas concordou com a cabeça.
Ele a soltou e a viu encontrar Ah Young.
“Melhor não confiar só nela...” andou até Kim Dongyu que devorava alguns salgados.
“Ele é meio burro, mas deve servir... Os outros parecem um tanto ocupados para isso...” – olhou em volta, reparando que até Seung iria sair com alguém dali.
— Dongyu – chamou e o garoto virou para ele: — Eu pedi para Jieun, portanto é mais função dela, mas, por via das dúvidas, fique de olho no Bum, ok? – o rapaz concordou.
Sangwoo caminhou até o ômega de cabelos castanhos.
“Cheiro de doces e flores... Bom... Mas meio enjoativo, vai ser fácil.”.
Começou a conversar com o garoto que não disfarçava seu óbvio interesse.
“Fácil até demais.”.
Em pouco tempo o convenceu a subir.
Chegando ao quarto o beijou, ele era tão doce quanto o cheiro que emanava. Realmente não seria difícil resistir.
“Não gosto de doces.”.
Pelo menos fora o que pensara. Estava muito fácil resistir, na verdade, não tinha que resistir. O cheiro do rapaz apesar de ser bom, não estava fazendo seu lado alpha despertar. Na realidade era como se seus instintos lhe dissessem que já tinha mais do que o suficiente, e realmente não precisava de alguém tão pouco agradável ao seu refinado paladar.
Nunca sentira aquilo, conseguia se controlar com os ômegas, mas não era como se eles não o excitassem. Mas tinha que fazer aquilo.
“Merda. Merda. Merda.”.
O garoto já estava excitado e começava a retirar as roupas. Fitou o rapaz, ele era bonito, talvez conseguisse fazer aquilo normalmente, como quando dormia com os betas. O ômega o abraçou, beijando-o mais profundamente, seu cheiro ficando mais intenso.
Não. Não estava funcionando. O cheiro dele era forte demais para se passar por um beta.
Correspondeu o beijo e evitou que o rapaz notasse, mas não estava conseguindo. Fechou os olhos e lembrou-se do cheiro de Bum. Era muito mais agradável... – continuou beijando o rapaz, deslizando as mãos pelo seu corpo, ele também era esguio como ele – agora sim, estava excitando-se.
Começou a lembrar do gemido dele, de sua pele suave – abriu a própria calça, deitando o rapaz. Pegou uma camisinha do bolso e rasgou seu papel com a boca, colocando-a em seu membro ereto.
Voltou a beijar o quadril do ômega enquanto apertava seu mamilo. O gemido dele era desagradável. Atrapalhava sua imaginação. Virou-o, fazendo-o morder o travesseiro enquanto penetrava um dedo. Ele estava bastante lubrificado e pensou em Bum tão molhado quanto – seu membro pulsou desejoso.
O rapaz empinava a bunda, implorando. Conseguia imaginar o moreno naquela mesma posição – mordeu o lábio inferior e começou a beijar lentamente suas costas.
O cheiro era tão diferente – fechou os olhos, queria sentir aquele cheiro, beijar aquela pele pálida e macia. Começou a sentir o moreno, quente, lubrificado, esperando-o...
Mas de repente sua imaginação falhava e precisava terminar logo com aquilo.
Posicionou-se na entrada úmida e o penetrou com força. O garoto levou um susto e gemeu mais alto. Sangwoo concentrou-se, se fosse o moreno ali... – começou a lamber a nuca do rapaz, chupando-o e aumentando a velocidade das estocadas.
O garoto praticamente gritava de prazer.
Forçou a cabeça do ômega contra o travesseiro, não queria ouvi-lo. Merda. Não conseguia pensar em mais nada... – começou a gozar, finalmente.
De repente uma dor atingiu o seu peito.
“Que merda.”.
O que era aquilo? – se levantou, jogando a camisinha no lixo, fechando as calças e pegando sua camiseta.
— Porra. – a dor ficou mais forte, o desequilibrando.
Desceu as escadas enquanto se vestia, respirou fundo – o cheiro de Bum, que sempre era muito fraco, estava inexistente.
“Ele não está aqui. MERDA JIEUN.”.
Concentrou-se, onde? Onde? – saiu da casa e começou a correr pela rua, seguindo o rastro do que parecia ser a alpha.
“ONDE PORRA VOCÊ SE METEU?” – respirou fundo de novo, a dor aumentava.
Iria matar a Jieun, lhe pediu uma coisa, UMA SIMPLES TAREFA, e a imbecil não conseguiu cumprir.
Não sentiu o rastro de Bum, mas conseguiu sentir algo muito claro, em direção ao parque. Era o odor de Taeyang e estava forte. Ele parecia...
“Excitado...! FILHO DA PUTA! Se isso é por causa do Bum... Se é por causa dele... EU VOU MATÁ-LO!” começou a correr naquela direção.
Não tinha certeza se seu ômega estava lá, mas seu instinto gritava que sim e que era para ir rápido.
A dor aumentava, não era sua, mas era angustiante.
“Por que você saiu da festa? Não devia tê-lo deixado sozinho... Merda! Merda!!!” – continuava a correr.
Ele não estava perto, mas era como se conseguisse ouvi-lo chamando-o. Tropeçou, caindo com força no chão.
— MERDA. – socou o asfalto, fazendo sua mão sangrar.
Levantou e voltou a correr. Mataria Jieun. Mataria Taeyang. Mataria todos eles.
Viu de longe Dongyu e Taeyang lutando, o outro líder alpha estava com uma navalha.
“Além de tudo é covarde!”.
Correu na direção dos dois e segurou o punho do gordo enquanto chutava o estômago do covarde, fazendo-o deixar a faca cair: — Que porra tá acontecendo?
— Sangwoo!
Ouviu e viu Jieun, ela parecia aliviada ao vê-lo, mas não se importou. Daria um jeito nela outra hora. Seus olhos se focaram em quem estava atrás dela. Bum chorava muito, parecia em choque e tremia, segurava a calça com força como se fosse ser arrancada dele. Sangwoo sentiu seu sangue ferver. Ergueu Taeyang pelo pescoço contra uma das árvores.
— O que você fez? – virou-se para Taeyang.
“Eu vou te matar desgraçado. Se você fez qualquer coisa, a morte é a única coisa que te aguarda!”.
— FALA! – berrou, estava totalmente fora de si.
O alpha riu: — Eu só – tossiu um pouco, tentando respirar: — Tomei conta dele enquanto você não estava.
“Tomou conta dele?”— seu ódio aumentava.
“TOMOU CONTA DELE?”.
A mão de Sangwoo se fechou mais.
“EU VOU MATAR VOCÊ.”.
Jieun se aproximou segurando o braço do alpha: — Ele não o mordeu! Sangwoo! Se você matá-lo terá problemas!
O rapaz encarou Jieun. Ela tinha razão. E isso o irritava. Os pais daquele filho da puta acabariam com ele se o matasse além dele ser primo de Jieun.
Largou o infeliz. Seu ódio o consumindo. Queria realmente matá-lo... Há muito tempo não se sentia assim.
Fechou os olhos, respirando fundo e dando um chute no saco duro de Taeyang com o máximo de força que conseguiu. Aproximou-se de seu rosto em seguida.
— Chega perto de novo dele, e sua prima não vai poder salvar a sua vida miserável. Seu covarde inútil. – disse em um sussurro.
Cada gota se seu sangue exigindo que matasse aquele desgraçado, mas se controlou. Não seria hoje, contudo os pais dele não viveriam para sempre. Cuspiu na cara daquele filho da puta.
Sangwoo passou por Jieun, estava mais do que decepcionado com a garota – querendo ou não, sua manada era sua única família e confiava neles à sua maneira. Esperava muitas coisas, nunca que quebrassem essa confiança.
— Conversamos depois. – disse a garota, sua voz era como uma navalha.
A alpha baixou a cabeça. Ele foi até Bum e se agachou
— Dongyu! – chamou o alpha, tentando acalmar-se.
Por sorte também tinha pedido ao rapaz para tomar conta do ômega.
“Não era sua obrigação e mesmo assim você está aqui. Se duvidar saiu até antes de Jieun.”.
O alpha sentiu as duas chaves no bolso de sua calça, pertenciam aos garotos de programa. Era uma forma de presentear os membros de sua manada. Uma noite de luxúria. Quem tivesse as chaves poderia dormir com eles – não que elas realmente abrissem as coleiras que usavam, era só simbólico. As tirou do bolso e entregou ao garoto.
— Aqui.
— Valeu! – respondeu sorrindo Dongyu.
O alpha pegou Bum nos braços, o garoto tremia e chorava. Quando sentiu seu cheiro, se aninhou ao seu peito, parecia frágil e vulnerável.
Andou com calma, tentando não agitá-lo. Foi uma longa caminhada, mas não se importou. Dongyu vinha logo atrás de si e Jieun depois dele.
Quando se aproximaram do carro, Sangwoo se virou e o gordo já se adiantou, abrindo a porta e ajudando seu líder. O alpha colocou Bum com cuidado no banco, o garoto ainda tremia.
Fechou a porta e foi em direção a casa. Pegaria seu paletó e iria embora.
Olhou para o portão e viu Ah Young ao lado do ômega com o qual dormira, ela lhe entregou seu paletó.
— Obrigado. – falou no melhor tom que conseguiu.
A garota o fitou séria: — Está tudo bem?
— Não. – respondeu friamente, virando-se e voltando para o carro.
Colocou o paletó, abriu a porta e sentou. Percebendo que o ômega a seu lado parara de chorar e tremer. Parecia estar mais consciente e fungava, passando a mão no rosto. Mas, o alpha não conseguiu dizer nada.
“Devo perguntar como ele está...? Não. Claro que não. Ele obviamente não está bem.”.
Ligou o carro e começou a dirigir para casa.
“Isso é estúpido...” – pensava, olhando o ômega às vezes.
“Eu tenho que dizer alguma coisa, qualquer coisa.”.
Mas as palavras não saiam. Não sabia o que dizer... No fim era culpa dele, ele o levara para festa, ele o deixara sozinho, ele não matara o infeliz, desgraçado, covarde do inferno, que o feriu – apertou mais forte o volante.
Chegaram a casa e desceram. O alpha foi até a porta, abrindo-a para o ômega, mas o rapaz não a atravessou apenas se aproximou lentamente.
Sangwoo não entendeu a estranha aproximação até respirar fundo e sentir seu cheiro. Aquele perfume peculiar que o enlouquecia. Estava muito forte e o envolvia por completo, mas dessa vez, o ômega não parecia querer excitá-lo.
— Você não disse? – perguntou Bum com a voz fraca: — Que detesta outros cheiros dentro dessa casa? Que só o seu e o meu eram o suficiente?
O alpha sentiu sua garganta fechar. O que responder àquela provocação?
O ômega passou reto, indo para o corredor: — Acho que isso também vale para perfume de flores primaveris e doces. – e seguiu direto para o banheiro.
“Se dormir com outros, tome banho antes de voltar”.
Era isso que queria dizer? Ou...
“Você já tem o meu perfume, não precisa de outros?” – Sangwoo cheirou o próprio paletó, o ômega até podia ter feito aquilo sem a intenção de excitá-lo, mas...
“Com esse perfume é impossível não ficar excitado.”.
Ele andou até a pia da cozinha, lavando o rosto.
“Não gosto do poder que esse ômega tem sobre mim.” – ficou muito quieto.
Refletindo sobre tudo aquilo. Queria culpar todo àquele ódio que sentira, quando o viu no parque tremendo, a tudo que sofreria caso algo lhe acontecesse – seria o inferno na Terra, teria que reportar ao professor Yang, a universidade, a polícia – mas, não foi isso. E sabia disso. Foi egoísmo. Não queria dividir seu cheiro com ninguém. Talvez até mais que isso... Foi seu instinto mais profundo. Queria protegê-lo, pois era seu ômega. Seu e de ninguém mais.
“Merda.” – pensou fechando mais a mão.
O garoto tinha uma essência que não possuía comparativo com nada que já experimentara. E isso era ruim. Muito ruim. Parecia uma droga da qual estava viciado e não conseguia se livrar.
“Não consegui ficar excitado com outro ômega, isso deveria ser biologicamente impossível, e mesmo assim...”.
Respirou fundo. Não era culpa do rapaz, sabia disso... Na verdade desconfiava que ele nem notara o estado em que o deixava.
“Ele não sabe o efeito que causa em mim e isso é bom. Melhor continuar assim. Tenho que dar um jeito de me livrar disso... E logo.”.
Olhou para a mão, o punho estava sujo de sangue – o lavou e percebeu que também tinha profundas marcas roxas e um corte. Havia se machucado e nem lembrava quando. Não estava mais sangrando.
“Provavelmente cura em alguns dias.” pensou distraidamente.
Foi para o quarto e tirou a própria roupa, ficando apenas com sua cueca, quando ouviu um barulho. Saiu e deu de cara com Bum caído no chão.
O pequeno usava uma toalha enrolada, os cabelos estavam molhados e respirava com dificuldade. Sangwoo o pegou nos braços, pensou em subir as escadas, mas acabou levando-o para seu quarto. O ômega tinha febre e a mordida parecia inchada, a pele ao redor da marca dos dentes estava enrugada e vermelha.
“Tem algo errado. Droga. Ele está estressado.”.
O alpha pegou uma de suas camisas e o vestiu, não colocando mais nada.
Tinha lido que isso poderia acontecer, por isso devia evitar que o ômega sofresse um grande choque ou se estressasse.
“Tarde demais...”.
Voltou-se para os papéis, procurando especificamente o que fazer naquela situação.
“Caso o ômega sofra uma grande dose de estresse...” — lia mentalmente, pulando as linhas desnecessárias.
— O deixe mais próximo do alpha quanto possível. De preferência com contato físico.
Olhou o moreno que começara a tremer e deitou ao seu lado.
“Contato físico...” o alpha se aproximou.
Os olhos de Bum também estavam vermelhos e inchados. Devia ter chorado muito. Os beijou de leve e depois foi para seu pescoço lambendo demoradamente, principalmente na região da mordida. Tentava não agitá-lo.
Não estava pensando em nada complexo, realmente só queria auxiliá-lo a melhorar. Mas o gemido que o moreno deu debaixo de si, não ajudou. O alpha tentou pensar em outras coisas, concentrando-se em dar pequenos beijos ao redor da mordida e passando sua língua suavemente no local. O ômega arfou, abraçando o alpha e arranhando de leve suas costas.
— Sangwoo... – gemeu.
O alpha se controlou.
“Merda.” – pensou ao notar que o que evitara antes por causa do perfume do rapaz, não conseguira evitar agora.
Estava totalmente excitado.
“E você nem está fazendo de propósito.”.
Continuou os beijos.
— Ah...Sangwoo... – o gemido dessa vez foi rente ao seu ouvido.
Bum seguia trêmulo, mas agora não parecia ser apenas de dor. Deslizou uma das mãos pela cintura do rapaz, sua pele estava quente.
“Deve ser... – prosseguiu dando pequenos chupões, criando uma trilha no ombro do ômega – A febre...” – pensava vagamente.
— Por favor... – sussurrava Bum quando o alpha chegou com a ponta dos dedos em sua nádega.
Sangwoo o observou. O ômega estava vermelho, com os olhos fechados e parecia febril.
— Tsc. – estalou a língua nos dentes.
“Não posso fazer isso...” – subiu novamente a mão, mas o ômega o parou.
Observou-o novamente, ele o fitava com os olhos semiabertos e o rosto vermelho e não era somente devido à febre.
— Por favor... – murmurou em uma súplica o pequeno.
Sangwoo respirou profundamente, recuperando o ar que o ômega lhe tirara e olhou para baixo, Bum também estava excitado.
Deu um leve selinho no rapaz e baixou a própria cueca.
Colocou sua ereção encostada na dele provocando pequenas ondas de prazer e então levou sua mão direita à região, apertando um contra o outro. Começou movimentos lentos, subindo e descendo os dedos.
O moreno estremecia a cada toque e o apertava mais forte, as pequenas mãos arranhavam suas costas e uma delas foi a sua nuca – arrepiando-o.
Continuou, deslizando um dos dedos sobre a ponta do pênis do menor. Sentiu uma leve mordida no lóbulo de sua orelha e gemeu.
Aumentou um pouco o ritmo enquanto a outra mão iniciou novamente o caminho pelo corpo arfante abaixo de si. Botou-a por dentro da camisa e pressionou o mamilo, que já estava rijo e ficou levemente vermelho, depois a desceu, e foi lentamente à bunda, apertando-a. Sentiu o corpo abaixo do seu estremecer. Passou os dedos sobre a entrada já lubrificada... Não a penetrou, apenas circulou-a provocativamente.
Bum tremia. Uma de suas mãos já estava no cabelo de Sangwoo – puxando-o de leve, enquanto a outra tapava o próprio rosto.
O alpha sorriu e começou a chupar o pescoço do menor fazendo-o arquear o corpo.
Suas respirações estavam ofegantes, e tudo que saia de seus lábios eram gemidos. Mordiscou o local já vermelho devido aos chupões, enquanto continuava a subir e descer com a mão, em um ritmo lento, mas constante.
Ouviu o menor sufocadamente implorar: — Mais... Mais forte... – arranhando sua nuca.
Gemeu. Aquele garoto sabia exatamente o que fazer para provocá-lo. Apertou-os com mais força, acelerando o ritmo. Ergueu o rosto, voltando ao local da mordida, passando a língua demoradamente sobre as pequenas marcas de seus dentes, eram profundas e de alguma maneira, aquilo lhe dava um orgulho estranho. Uma sensação de posse que não conseguia evitar.
“Ele é meu...” – pensava involuntariamente.
Foi para a boca do menor, seus lábios se encontrando em um beijo profundo. Explorava cada milímetro daquela boca deixando-o sem fôlego. Sentiu seu prazer aumentar, penetrando então um dedo no rapaz, que se moveu constantemente, como se procurasse algo.
Sangwoo observou e quando notou que encontrou o ponto de prazer de Bum, o pressionou com intensidade, girando o dedo e massageando forte o suficiente para fazê-lo gozar imediatamente. O rosto em êxtase do moreno o excitou ainda mais, fazendo-o atingir o clímax.
Caiu ao lado de Bum. Respirava com dificuldade quando se sentiu observado. Os olhos negros do ômega pareciam tímidos, mas obscenos.
Sangwoo contemplou enquanto Bum, um tanto ofegante, pegava sua mão direita, levando-a a boca e lambendo o sêmen que escorria entre seus dedos.
— Hm... Nosso gosto é bom... – murmurou o moreno, suspirando enquanto sua língua percorria a extensão do dedo e depois os próprios lábios, em uma demonstração clara de prazer.
“Quê...?”.
Sangwoo ficou vermelho, viu o jovem fechar os olhos, cansado, e dormir.
Sentou-se. Não sabia o que fazer. Não era sempre que alguém o deixava sem saber o que fazer... – olhou para a toalha ao lado, pegando-a. Corou um pouco mais ao limpar a mão, depois a passou pelo corpo do moreno, asseando-o. Também lhe trocou a camisa – sob resmungos do pequeno.
Foi até o banheiro e tomou um banho gelado. Aquela cena não sairia tão facilmente de sua mente.
“Isso não é bom.” – pensava enquanto se vestia e voltava ao quarto.
Pegou um pano e uma bacia com água, para caso o rapaz ainda tivesse febre. Encontrou Bum abraçado ao seu travesseiro.
— Ei... – disse se aproximando, colocando a bacia e o pano ao lado da cama e tentando puxar o travesseiro: — Isso é meu.
— Não... – murmurou o ômega, oficializando a reivindicação ao travesseiro enquanto dormia.
— Não, é? – riu o alpha, parando em seguida.
Sentou ao lado do garoto.
“Não seja uma gracinha...” – pensava enquanto pressionava levemente o dedo contra a bochecha do rapaz.
“Não vou ficar com você.”.
Observou o pescoço de Bum, estava bem melhor do que antes... Tocou em sua testa, a febre persistia, mas parecia bem mais baixa – pegou o pano, o molhou e então limpou o rosto do menor, ficaria de olho.
Acabou abraçando-o e aninhando-o ao seu peito.
“Assim sente melhor meu cheiro.”.
Cuidaria dele, e dormiriam juntos... Mas só por aquele dia. Não iria se envolver mais que isso.
“Não posso ficar com você.”.
Não ia acabar como seus pais. Não faria isso... Tinha que se livrar do vínculo. Isso era o que faria.
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