Destinados...?

5 Desejos Não Cumpridos


Bum abriu os olhos lentamente, estava sonolento e estranhamente confortável. Aninhou-se mais ao corpo maior que lhe abraçava.

“Quê?” – abriu os olhos assustado, virando-se e dando de cara com Sangwoo.

Noite passada... O que aconteceu? Teve a festa... Aquele... Aquele alpha – sentiu um arrepio agoniante. Voltaram para casa e foi tomar um banho, se sentiu mal e então... Então... – foi ficando vermelho. Encolheu-se.

“Eu realmente... Pedi... Não é...?”.

Não estava acreditando nisso, colocou ambas as mãos sobre o rosto. Devia estar totalmente fora de si. Sangwoo havia acabado de dormir com outro ômega e...

“Eu implorei!” – ficou mais vermelho.

“Ele estava beijando o meu pescoço, e eu... Eu...”.

Por que ele estava beijando-o? Não conseguia entender.

“Mas... Não acredito que fiz isso.”.

Sentou-se devagar, para não despertar o alpha. Olhou para si mesmo, ficando sem graça.

“Estou só com a camisa dele...”.

Baixou a cabeça, apoiando-a sobre o joelho dobrado, fitando o rosto do rapaz adormecido.

“Eu não deveria estar tão feliz...” – sentia seu coração bater forte.

“Ele foi muito claro sobre o vínculo... Mas... Por que me beijou ontem?” – se perguntava enquanto levantava.

Viu um balde com um pano ao lado da cama.

“Acho... Que ele cuidou de mim?”.

Saiu do quarto. O que ia fazer? Seu coração não voltava ao normal, uma mistura de vergonha, felicidade, um pouco de desespero, era possível um ser humano sentir tudo aquilo ao mesmo tempo? Respirou profundamente subindo as escadas e entrando em seu quarto. Colocou uma cueca e calça, mas ficou com a camisa do alpha.

“O cheiro dele é tão bom...” – rolou na cama, queria se esconder ali.

Não devia estar feliz. Sangwoo provavelmente tinha uma boa razão para ter lhe beijado o pescoço.

“Talvez eu tenha ficado pior do que penso...”.

Lembrou-se do toque dos lábios do alpha, sua língua percorrendo cada ponto da mordida, sentiu vibrações elétricas passarem por todo seu corpo.

“Mas não precisava me beijar daquela forma...”.

Apesar de recordar vagamente que aprendera que a saliva dos alphas tinham feromônios altamente concentrados, um dos motivos pelo qual o vínculo era formado por uma mordida.

Suspirou. Provavelmente aquele fora o motivo para tudo. Seu corpo sofrera uma alta dose de estresse e ele se responsabilizou.

“De certo não quer problemas.”.

Sabia que os alphas eram punidos por qualquer coisa que acontecesse com os ômegas durante o período de transição. No fim, não culpava Sangwoo, culpava a si mesmo pelo ocorrido. Havia saído da festa por vontade própria. Sem nem pensar nas possíveis consequências, na verdade, não lembrara que no período de transição ainda atraía alphas.

“Nunca os atraí... Simplesmente achei que continuava assim... Me esqueci de que ao me afastar do Sangwoo sentiria dor... Se pensar bem, nunca fui tão burro. Estava excitado, em período de transição, e o que vou fazer? Dar uma volta por um bairro alpha.”.

Olhou para o teto com estrelas. Não queria sentir esperança... Quem inventou que ela era a última a morrer?

“A minha deveria estar morta com altos requintes de crueldade há muito tempo, mas não, aqui está ela... Esfaqueando a minha alma e não me deixando só.”.

Cerrou a mão, apertando com força os dedos. Não havia, tecnicamente, feito nada errado – fechou os olhos — só que era tão doloroso, podia ainda sentir seu toque, seus lábios, mas queria mais do que aquilo... Queria tudo e não podia ter. Sem contar que aquela casa inteira possuía o perfume dele.

“Realmente o amo.” – seu coração bateu dolorosamente.

Precisava se ocupar, qualquer coisa servia. Levantou. Pegou o celular e verificou as mensagens.

Lee Myung-Hee

Como foi na festa?

O que responderia...? Pensou várias vezes e começou...

Não muito bem.

Olhou a mensagem e a apagou. Por que iria preocupá-la?

Foi tudo bem.

Pouco tempo depois seu celular fez o bip característico da resposta e foi vê-la.

Lee Myung-Hee

Que estranho você dizer isso, porque fiquei sabendo que você saiu no meio dela.

Então o Kim Dongyu e a Min Jieun foram atrás de você, por fim seu amado Oh Sangwoo saiu correndo e somente o Kim e a Min voltaram.

Nadinha de você ou seu boy magia.

A Min Jieun se enclausurou dentro do quarto e o Kim estava com as “chaves da felicidade”.

E aí? Mandei a mensagem perguntando a verdade... Você não confia em mim? Ç_____Ç

Ok. Ela sabia muito mais do que pensou... Como descobria tanto em tão pouco tempo? Mas não sabia tudo e pelo visto, apelaria ao drama para descobrir. Suspirou. Não tinha a mínima ideia de como contar aquilo...

O importante é que estou bem... Não? E sim, confio em você. Eu meio que – ficou vermelho enquanto digitava – fiquei excitado enquanto o Sangwoo estava com outra pessoa.

Saí da festa e fui perseguido por um alpha, mas fui salvo e estou bem.

O telefone tocou. Sabia que isso aconteceria... Não adiantava nada argumentar que não gostava de falar. O atendeu.

— VOCÊ FOI O QUÊ? – afastou o celular da orelha.

— Perseguido por um alpha. Mas estou bem, sério.

— Você vai denunciar o Sangwoo, né? Ele te deixou sozinho, isso é ilegal! Você está bem? Se estressou? Sua mordida, como tá? Doendo? Teve febre? Quer que eu vá aí? Não, espera. Eu vou aí. Garanto que você não vai querer, sempre é assim...

— ... – ela falava muito rápido, nunca sabia quando interrompê-la: — Hm... Não... Não pretendo denunciar o Sangwoo, ele cuidou de mim. A mordida não está doendo e eu tive febre, mas já estou bem. Você tem que fazer o trabalho. Garanto que esqueceu e é para amanhã.

— ... – a garota parou de falar, parecendo pensativa: — Que trabalho? – perguntou confusa.

“Sabia.” suspirou o ômega.

— O de Ciência Educacional. – ouviu um grito do outro lado da linha, definitivamente ela esquecera: — Eu estou muito bem. Nos vemos segunda, ok?

Ela fez sons de quem estava lutando contra algo: — Droga. Tá... Mas não deixa ele te ferir, Bum. De nenhuma maneira! Até segunda.

— ... Tá. Não vou... Até. – e desligou.

“Não deixar ele me ferir de nenhuma maneira...”.

Ela era perceptiva até demais em alguns momentos.

“Mas, acho que quem está me ferindo, sou eu mesmo.”.

Admitir aquilo era horrível. Não queria se sentir assim, mas como controlar? Não era como se pudesse chegar aos seus sentimentos e dizer ‘Esse não, ok? Ele não quer e você não pode insistir. Procure outra pessoa. ’.

— Se fosse tão fácil... – confirmou na própria mochila que fizera o trabalho. Estava ali...

“Como ela pode ser tão distraída, o professor pediu há mais de uma semana...”.

Suspirou e foi se ocupar. Desceu as escadas e começou a cozinhar. Prepararia algo mais demorado, provavelmente ficaria pronto apenas perto do horário de almoço, mas não tinha problema.

“Ele está dormindo e não tenho pressa...”.

Beliscou alguma coisa enquanto cozinhava, apenas para matar a fome e poder ficar tranquilo até a refeição. Temperou o que faria mais tarde e limpou um pouco.

Já havia colocado o arroz para cozinhar quando Sangwoo acordou.

Bum ficou agitado, seu coração acelerou e não sabia como encarar o rapaz: — Bom dia... – murmurou saindo do local e subindo as escadas, não chegou a ouvir a resposta.

Arrumaria seu quarto e depois terminaria o almoço. Olhou em volta – já desempacotara praticamente tudo, menos... : — Meu ninho. – sussurrou, indo para a sacola.

O que faria? Desempacotaria ali? — seu rosto ficou escarlate – Não podia fazer isso! Aquela casa não era sua. Contudo, moraria ali por enquanto... Mas e se Sangwoo visse? Bom, ele deveria saber que isso era normal. Todo ômega possuía um ninho. O local que eles consideravam seguro para passar o cio – abriu a sacola, pegando um dos ursinhos que fazia parte.

—..................................... – não, nem pensar. Nunca tiraria seu ninho para fora.

— Ei. – ouviu a voz do alpha e tentou jogar o urso para dentro da sacola, mas ele caiu no chão, rolando direto para os pés de Sangwoo que estava parado encostado na porta: — Hm...? Um ursinho? – o rapaz juntou.

— Não! Espera. – Bum correu, tentando pegar antes do alpha, mas foi tarde demais.

—... Isso... – começou o rapaz encarando o urso, ele o aproximou do rosto e então sorriu malicioso: — Espera... Isso é para seu ninho? – o sorriso aumentou: — O que você faz com um ursinho no seu ninho?

A maior parte das pessoas pensava no ninho de um ômega como um local em que eles passavam três dias se masturbando sem parar. Somente ômegas entendiam que era mais do que isso, era um local onde eles deveriam se sentir seguros, onde seus instintos ditavam a criação de uma família, por isso era tão íntimo. Não havia apenas objetos sexuais nos ninhos. Mas... Como explicar isso a um alpha?

O ômega corou violentamente: — Eh?... Eu... Eu não... – não tinha resposta, acabou fechando a cara, o que lhe deixava particularmente bonitinho, pois acentuava um beicinho que não era normalmente visto: — Devolve. – disse estendendo a mão.

O alpha riu: — Essa é a sua cara “brava”? – o riso se tornou uma gargalhada: — Agora é que não devolvo. – ergueu o braço, deixando o ômega atônito.

— Eh? Não vai devolver...? – Bum fechou mais a cara, fazendo Sangwoo aumentar o riso: — Mas é meu! – pulou tentando pegar de volta: — Devolve!

— Não. – o alpha já estava com lágrimas nos olhos, não ia devolver, era muito engraçado. Olhou para a sacola: — O que mais você tem ali? – disse aproximando-se perigosamente.

Bum queria morrer. Sangwoo desejava ver seu ninho? Não. Nem pensar. – se pôs na frente da sacola: — Não.

— Ah é? E quem vai me impedir? Você? – o alpha disse ainda mais próximo, provocando, mas seu tom não era autoritário, era quase como se fosse uma brincadeira.

Contudo algo dizia a Bum que se ele saísse dali, com certeza o alpha abriria a sacola. Baixou o olhar, dando de cara com o ursinho.

Chance.

Pulou em cima do braço do alpha, fazendo ambos caírem, mas recuperando o objeto satisfatoriamente.

— Consegui! – comemorou com um largo sorriso. O alpha pareceu chocado embaixo do moreno: — Hã? – o encarou.

— Você não costuma sorrir. – o ômega ficou vermelho: — Deveria fazer mais vezes.

Bum não sabia onde se enfiar... Desviou o olhar.

— Isso é... Cheiro de queimado? – o alpha disse, parecia confuso.

Demorou alguns segundos para o ômega perceber. Sim, era cheiro de queimado: — O arroz!

Levantou depressa, pôs o urso na sacola e então saiu correndo. Parou. Voltou para o quarto. Sangwoo estava prestes a abrir a sacola.

— Ei! – disse já bravo.

O alpha notou, erguendo as mãos.

— Fui pego. – falou saindo do quarto do ômega, que trancou a porta em seguida e desceu para ver o arroz.

Bum estava fazendo um esforço para ver se sobrara alguma coisa – o arroz estava perdido, mas talvez conseguisse salvar a panela. Quando ouviu o alpha falando com uma voz um tanto esganiçada.

— Estamos queimando...! Queimando...! Socorro!

O ômega tentou segurar o riso, mas o alpha continuou...

— Por favor! Bum! Nos salveee!

Bum riu.

— Por que não comemos fora? Você deveria descansar. – perguntou o rapaz atrás do ômega.

Sangwoo colocou seu queixo no ombro de Bum, que interrompeu a risada nervosamente. Por que ele tinha que chegar tão perto? Seu cheiro estava tão forte que parecia propositalmente provocativo.

— Não... Não precisa. – murmurou: — Só falta um pouco agora... Deve ficar pronto logo e... Estou bem. – ficou sem-graça largando a panela e indo terminar o almoço: — Hm... Quer ajudar? – perguntou aleatoriamente, meio sem saber como continuar a conversa.

— Hm. – o alpha refletiu, se afastando.

Bum o fitou, acompanhando seus movimentos.

— Nem. Não levo jeito para cozinhar. Eu até compro alguma coisa para fazer, mas no fim, sempre peço tele entrega ou saio para comer. – deu de ombros: — Meus pratos mataram metade das panelas. – ele sorriu e Bum só queria que o tempo parasse naquele instante.

O sorriso de Sangwoo era encantador.

“Tenho a impressão que ele também não sorri dessa forma o tempo todo...” seu coração pulou uma batida.

“Mas finalmente entendi a quantidade de comida enlatada e congelada dessa casa.”

O ômega sorriu. Não esperava um defeito no perfeito Sangwoo, mas, aquilo estranhamente o agradava.

Comeram juntos e em silêncio. O clima ficava confortável daquela forma. Depois, Sangwoo avisou que passaria a tarde estudando, subiu as escadas e foi diretamente a um cômodo ao lado do quarto, que Bum descobriu se tratar de um escritório. Era espaçoso, possuía muitos livros, uma escrivaninha, um sofá e um computador.

Bum terminou a limpeza, preparou suas coisas para o dia seguinte e percebeu que Sangwoo continuava no escritório, ao espiá-lo, notou que estava muito concentrado em um livro, com o computador ligado onde parecia escrever algo, talvez um trabalho?

“Ele não comeu nada desde o almoço...”.

Desceu as escadas, preparou um chá verde e para comer samgak kimbap. Era simples, mas esperava que fosse do agrado do alpha. Voltou ao escritório, entrando sem fazer barulho e deixou ao lado da escrivaninha – visível, mas sem atrapalhá-lo.

Seguindo o exemplo de Sangwoo, foi para a sala, sentou no sofá e pôs o estudo em dia – tinha que copiar as anotações de Myung-Hee de sexta. Pensou em fazer isso no quarto, mas a sacola com seu ninho se encontrava bem em cima da escrivaninha e o local não era tão grande para realocá-la. Sua cama estava com as roupas dobradas, que sentia preguiça de guardar no momento... Então se ia mesmo estudar, melhor na sala.

Tomou um pouco de chá, enquanto se cobria – com o cobertor leve que levara junto — e continuava a escrever, anotando tudo e relendo a matéria. Acabou adormecendo.

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Segunda

— Ei... – Bum sentiu um toque no ombro: — Ei! Acorda!

— Hm? Sangwoo...? – murmurou, ainda sonolento. O que estava acontecendo?

— Se você não se arrumar logo, vamos nos atrasar. – o alpha parecia sério.

Bum abriu os olhos, atrasar?

“O quê?” – pegou o celular.

“Droga. Esqueci de pôr para despertar.” – levantou o mais rápido possível do sofá, tomou um banho e se vestiu na velocidade da luz.

Já estava atrasado, com certeza perderia o ônibus. Pegou sua mochila e correu para sair da casa quando viu o alpha comendo tranquilamente

— Sangwoo...?

— Não sabia que conseguia se arrumar tão rápido. – ele soava impressionado: — Já está pronto? Então vamos.

— Vamos...? – Bum não entendeu.

— Eu vou te dar carona até a universidade, ou você achou que ia de ônibus? – Sangwoo disse confuso.

— Hã... – deveria responder que aquilo era exatamente o que esperava? Não achava que o alpha se importaria com isso.

— Ei! Nós podemos não ser um casal, mas estamos indo para o mesmo local no mesmo horário. Que tipo de ser humano você acha que sou? – ele soou realmente ofendido.

— Desculpe! Eu não pensei que... – Sangwoo riu.

— Você é muito fácil de enganar. – Bum parou.

Sangwoo sempre fora tão troll? Na universidade ele agia de maneira correta e educada, nunca vira aquele lado. Duvidava que muitas pessoas conhecessem esse Sangwoo.

“Não sabe cozinhar, faz brincadeiras, é troll...”.

Bum baixou o olhar, seu rosto queimando e seu coração batendo forte.

“Estou cada vez mais...” – apertou a alça da mochila com força.

O alpha tocou em seu queixo e o fez olhá-lo nos olhos. Bum percebeu seu sangue ferver. Sangwoo estava tão próximo que sentia sua respiração em seu rosto. Os dois se fitaram por algum tempo, em absoluto silêncio, quando repentinamente o alpha retirou a mão e desviou o olhar.

— Melhor irmos logo. – murmurou, saindo primeiro da casa.

Bum o acompanhou. Foram em silêncio até a universidade. Esses lapsos do alpha eram o que o deixavam mais confuso. Queria perguntar por que fazia aquelas coisas, mas não tinha coragem. De alguma forma, sentia que se magoaria se o fizesse. Desceu do carro quando chegaram.

— Até. – murmurou, se afastando.

— Espera. – o alpha o alcançou: — Que horas você vai sair? Tenho aula o dia inteiro, não sei como funciona com o seu curso, Educação Infantil Especializada, não é?

— Sim. – Bum ficou surpreso pelo alpha lembrar: — Hã... Tenho aula só pela manhã, à tarde vou para meu trabalho.

— Certo. – Sangwoo o encarou longamente: — Droga. – murmurou: — Esqueci de te dar algo meu. – coçou a cabeça, refletindo: — Que seja. – se aproximou e o abraçou forte.

Aquilo fora repentino, mas pior do que o abraço, o cheiro intenso que o alpha liberou, fez as pernas de Bum ficarem bambas. Tentou sufocar, mas não conseguiu evitar gemer baixo.

— Eh? – o alpha se afastou um pouco: — Você se excitou com isso? Mas eu nem estava te provocando. Que espécie de pervertido você é?

Bum ficou um pouco chocado, mas logo seu rosto enrubesceu e seu olhar baixou. Não queria ter gemido. Não fizera de propósito. – ele empurrou o alpha, se virando e indo embora.

Avistou Myung-Hee o aguardando na frente do prédio em que teriam aula.

— Você está bem? – ela perguntou quando se aproximou.

—... Sim. – respondeu o ômega, tentando esquecer o episódio.

A garota pareceu notar que ele realmente não queria falar sobre o que o estava incomodando, então mudou de assunto.

— Eu reli a sua mensagem. – começou a garota.

O ômega se voltou para ela.

— Você disse que ficou excitado quando o Sangwoo estava com outra pessoa?

Bum corou, Myung-Hee considerou aquela uma afirmativa válida.

— Céus! Sabia que isso não é comum? O vínculo tem que ser muito forte para gerar esse tipo de consequência, e vocês ainda estão no período de transição, imagina quando terminar?

Bum não queria imaginar. Na verdade, queria esquecer. Queria esquecer como o alpha o fazia se sentir, esquecer que fora mordido, esquecer o que aprendera de novo sobre ele, esquecer aquela festa infeliz que nem ao menos queria ter participado e esquecer essa manhã. Queria enterrar tudo dentro de sua alma e esquecer, como se nunca houvesse acontecido.

Foi para as aulas em silêncio. Myung-Hee até tentou fazê-lo falar mais do que monossílabos enquanto conversavam, mas não conseguiu. Ficou incomodado com os olhares que recebia enquanto andava pelos corredores ou nas salas. Não importava para aonde fosse, todos pareciam conhecê-lo. Sempre fora quieto e aquilo tudo o deixava extremamente desconfortável.

Foram almoçar juntos, como sempre. O refeitório estava lotado e Bum não sentia vontade de comer. Estava com fome, sentia seu estômago reclamar pela falta do café da manhã — algo que não costumava incomodá-lo, mas que agora parecia obrigação — entretanto a vontade de pegar qualquer coisa e comer, não estava lá. Seu estômago dizia uma coisa, seu cérebro outra. Usou a desculpa de que teria de ficar de jejum para o exame de sangue, para convencer a baixinha de que não precisava comer.

— Você vai ficar assim o dia inteiro? – Myung-Hee dizia enquanto sentavam para ela almoçar: — Não pode. Vai afetar as crianças. – a garota sorria ao seu lado, ainda tentando animá-lo.

Não queria preocupá-la, mas não conseguia ‘melhorar’ do nada.

— Se tem consulta hoje, deveria comprar um sanduíche para depois dela... – ela o observava.

— Sim. – respondeu. Sentia como se houvesse uma pedra em sua garganta.

Myung-Hee o analisava preocupada. Queria dizer alguma coisa que ajudasse, mas não sabia o quê. No fim, ficou falando banalidades. Quando levantou para sair, Bum pegou sua comanda.

— Hoje eu pago. – disse o ômega: — Como pedido de desculpas por não conseguir responder nada direito...

A garota sorriu: — Não precisava! Mas... Não é como se eu fosse recusar. – ela aumentou o sorriso: — Tenta se animar, está bem? – se levantou: — Tenho que ir, estou atrasada! Até amanhã. – e foi embora.

Bum suspirou, verificou o celular: -... – também chegaria atrasado à consulta se não fosse correndo.

Levantou o mais depressa possível enquanto tentava evitar os olhares. Quando estava prestes a pagar a conta, alguém lhe tirou a comanda da mão. O alpha moreno de olhos claros que lhe atacara na festa, visualizava os gastos.

— Você come muito pouco. – disse com um sorriso.

Bum se afastou imediatamente. O local estava lotado, ele não tentaria nada, tentaria? Começou a suar frio.

— Taeyang! – o alpha foi abraçado por trás por um rapaz ruivo, que estava ao lado de uma loira.

Bum reconheceu os dois como sendo da manada de Sangwoo. Bai Taehyun e Choi Yura, se não se enganava.

— O que está fazendo? Achei que o Sangwoo tivesse sido claro. – as palavras do ruivo, apesar de despreocupadas, contrastavam com seu olhar duro. Sem muitas maneiras, ele pegou a comanda da mão de Taeyang: — Isso não é seu.

Taeyang riu: — Não veio pessoalmente, mas mandou seus cachorrinhos, é isso?

Yura bufou. A loira de cabelos longos parecia não ter muita paciência.

— Se somos cachorros, você e sua manada são ratos. – disse seriamente: — Taehyun, paga logo isso, eu vou levar nosso mascote para onde ele deseja ir. – ela pegou a mão de Bum e saiu do local: — E então, para onde vamos?

—... Enfermaria Central Ômega. Tenho uma consulta. – murmurou o rapaz.

— Hm? O Sangwoo não deveria ir junto? – a garota caminhava muito rápido para quem usava um salto tão alto.

Bum estava desconcertado, mas aliviado. Não queria ter de enfrentar – de nenhuma maneira – aquele alpha.

— Não... É só rotina. Ele não precisa ir...

Ela o fitou. Bum se perguntou se todos os alphas sempre eram tão naturalmente bonitos, ou se isso se aplicava apenas a manada de Sangwoo.

— Chegamos. – Yura apontou para o prédio da enfermaria: — Vou te esperar, ok? – a garota sentou em um dos bancos da frente, cruzando as pernas e tirando um pequeno estojo de maquiagem, onde pegou um espelho e um batom, retocando-se enquanto aguardava.

Bum não soube o que dizer, apenas concordou com a cabeça e entrou na enfermaria. Por que ela ia esperá-lo? Suspirou. Entregou o papel com a consulta marcada para a recepcionista, que o mandou aguardar por alguns instantes.

Diferentes das outras enfermarias ômegas, a central possuía uma médica – não enfermeira, e era maior. Ali não havia apenas um armário com remédios, uma escrivaninha e camas de leito. Havia isso, mas muito mais, incluindo equipamentos de alta qualidade e uma sala para consultas individuais. Outro diferencial era que no andar de cima, funcionava um centro de atendimento que acolhia ômegas no cio. A entrada de alphas não eram apenas proibidas, eram impedidas com seguranças.

— Senhor Yoon Bum. – chamou a médica.

Bum levantou e entrou na sala, colocando sua mochila ao lado. Primeiro ela o fez sentar e tirou sua pressão, depois começou uma bateria de exames que incluía retirada de sangue, medida de pescoço, verificação de mordida e retirada de pele para avaliação de feromônios. Ela fazia tudo isso em absoluto silêncio, o que deixava o ômega ainda mais nervoso.

— Tudo parece bem senhor Yoon. – falou finalmente, indo até a cadeira atrás da escrivaninha, e fitando-o séria: — Mas reparei que sua mordida está um pouco irritada. Algo aconteceu?

— Não. – mentiu. Se contasse, causaria problemas a Sangwoo.

— Hm. – ela continuava o fitando: — Os resultados devem ficar prontos até amanhã, você poderá vê-los na internet. – a médica leu alguns papéis: — A enfermeira Koong ficou responsável em verificar sua saúde, então passarei os resultados para ela, está de acordo?

— Sim.

— Ótimo. Só resta aguardar seu cio. Creio que deverá ocorrer daqui há quatro ou três semanas. Provavelmente quatro, já que sempre foi tão regular. Está tomando seus supressores?

— Sim. – murmurou.

Bum não parara de tomá-los desde que fora mordido, contudo, sentia que não estavam fazendo o mesmo efeito de antes.

— Você deve estar sentido que o efeito deles diminuiu. – ela parecia ter lido seus pensamentos: — Mas não se preocupe, isso é normal. É devido a suas mudanças biológicas causadas pela transição. Assim que ela terminar, seu corpo voltará ao normal e você terá de ser reavaliado, para vermos se mudamos o tipo dele ou se permanecerá com o mesmo. Deve permanecer tomando esses supressores até tudo se acalmar, está bem? Não é bom que fique sem nada.

— Certo. – murmurou.

A médica então levantou, lhe entregando os atestados – para sexta, e para parte daquela tarde, e os papéis necessários para conseguir ver os resultados na internet: — Nos vemos após seu cio, sim?

Bum concordou com a cabeça, ao sair da sala, a recepcionista lhe aguardava com uma caixa de suco, o pegou, agradeceu e se retirou do local. Do lado de fora a loira estava tediosamente esperando-o ao lado do ruivo.

— Finalmente! – falou fitando-o: — Comecei a pensar se não tinha fugido por uma das janelas do outro lado. – disse se aproximando: — E agora, pra onde?

— Yura, você vai assustar ele... – o ruivo se aproximou.

— Eh? Mas ele é nosso mascote agora. Sem contar que desde quando eu sou uma pessoa assustadora? – ela soava entre ofendida e indignada.

— Desde sempre? – o ruivo piscou para Bum sorrindo.

A garota deu um tapa no ombro do rapaz: — Seu...! O que ele vai pensar de mim! – e ficou um pouco vermelha.

Bum se sentia intrigado com aquelas pessoas, desde que fora mordido notara diferenças que antes lhe eram imperceptíveis. Como o fato de todos da manada de Sangwoo possuírem o cheiro de seu líder. Antes não percebia isso, contudo agora parecia muito óbvio.

— Pensei que era impossível detectar que o Sangwoo era o líder pelo cheiro, mas acho que me enganei? – acabou murmurando baixinho, entretanto foi ouvido pelos alphas.

— Nossa! Ele já percebe! Então ele já faz parte, não? – a garota soava impressionada.

— Provavelmente, só quem é da manada nota. – ele deu de ombros: — Acho que a gente pode considerá-lo parte da família. – o ruivo sorriu, começando a bagunçar o cabelo do ômega e deixá-lo sem graça.

Aquilo não era a única coisa que Bum notara, apesar de serem alphas, eles lhe transmitiam tranquilidade, como se não houvesse a hipótese de um deles mordê-lo ou machucá-lo. Parecia impossível cogitar algo assim. Já havia percebido tudo isso na festa, mas agora a sensação era ainda mais forte.

— Por que estão aqui? – perguntou o ômega enquanto tentava desvencilhar da mão do ruivo.

— Porque você está em período de transição. – respondeu sem pestanejar a garota: — Além de que, a partir de agora, você é nosso mascote e pertence à família. – ela sorriu: — Nós vamos te proteger.

— Faz parte. – o ruivo parou com a brincadeira, botando a mão na cintura: — Nunca pensei que realmente teríamos de fazer isso, quer dizer, o Sangwoo nunca quis uma família – ele levou outro tapa no ombro: — Quê? – disse indignado.

— O que ele vai pensar do Sangwoo, se você continuar falando isso! O Sangwoo o escolheu, você falando assim, vai parecer que foi acidente, idiota! Se não der certo, vou falar para ele que a culpa é sua e da sua boca grande!

— Você não costuma reclamar da minha boca grande. – dessa vez foi um soco no estômago.

Ela deu um grande bufo de indignação e se virou para Bum: — Para onde vamos agora?

— Meu trabalho. – murmurou.

Melhor não questionar. Alphas definitivamente tinham uma forma única, e um pouco violenta, de se comunicar. Pensou em dizer que realmente havia sido um acidente, mas lembrava claramente que Sangwoo fez de tudo para evitar que eles soubessem. Não queria perder o respeito que possuía, entretanto vendo-os daquela forma, Bum questionava se realmente isso aconteceria – entrou no carro esporte da garota.

Bum deu o endereço para a loira e ficou chocado. Achava que ninguém conseguia correr mais que Sangwoo. Enganara-se. Ela dirigia tão rápido que acabou lembrando-se de pôr o cinto – um óbvio indício de que temia pela própria vida dentro daquele carro. Agradeceu aos céus quando chegou.

— Obrigado pela carona. – disse saindo o mais depressa possível dali.

— De nada. Não sei se vou ser eu a te buscar, mas a gente se vê. – ela sorriu.

Bum observou o carro se afastar. Sentia-se perdido em meio a tudo aquilo. Fazia apenas três dias que fora mordido e sua vida parecia de cabeça pra baixo. Entregou os atestados a sua supervisora e foi se arrumar. Vestia um avental com estampa de sapinhos quando foi ver as crianças.

Aquele local pertencia a uma rede de creches que contratava apenas especialistas de educação infantil que passavam por uma avaliação criteriosa antes de poderem trabalhar. Essa rede era conhecida por proporcionar a melhor educação possível para as crianças, e ser extremamente cara.

Bum recebia um bom salário. Não podia falar mal. À realidade é que se não fossem as despesas com o tratamento de sua avó, provavelmente estaria muito bem financeiramente. Amava o que fazia, e não podia esperar até o fim do ano – quando se formaria e poderia trabalhar o dia inteiro no que lhe dava tanto prazer.

Claro, sempre havia o estresse, como com os irmãos Hyun, que a monitora já entregava para Bum. Hyun Joong, o mais velho, era uma criança alpha. Esperto, corajoso, mas muito, muito briguento, e seu principal alvo era Hyun Jisang, seu irmão mais novo ômega. No momento, ele havia batido – de novo – no caçula.

—... – Bum fitava o menino mal humorado enquanto o outro chorava em suas pernas: — De novo?

— Ele não serve pra nada! – disse o pequeno: — E ainda quer ficar me seguindo! Não o quero perto de mim!

Bum pegou o pequeno ômega nos braços: — Ora, não chora! Você não tem culpa do seu irmão não conseguir te proteger... – ele balançava o menino, enquanto o outro sentia seu orgulho ferido.

— Como é? – perguntou o pequeno alpha indignado: — É claro que eu consigo proteger! Dá ele aqui – abriu os braços esperando o irmão.

— Não, não. Você não disse que ele não servia pra nada? Talvez eu deva deixá-lo com os outros, com certeza eles conseguem...

O garoto fechou a cara: — Não conseguem não! Só eu consigo! Passa! – erguendo os braços.

— Se bater nele de novo, ele será confiscado. Exatamente como eles – Bum apontou para os brinquedos do menino, que estavam em uma caixa fora do alcance devido ao mau comportamento: — Fui claro?

— Sim! Agora me dá, eu cuido dele!

Bum sorriu de leve, e assim que desceu o pequeno ômega, os dois se abraçaram. Claro que aquilo não funcionava com todas as crianças, mas Joong era orgulhoso demais para permitir que seu irmãozinho fosse cuidado por outros.

— Deve ser tão bom ser ômega nessas situações, é só seguir o instinto, não?

— Com certeza. Esse é o único momento em que desejo ter nascido ômega, facilitaria muito o trabalho.

Bum ouviu as outras monitoras falando. Aquilo o irritava. Não era “instinto”, era estudo. Estudou muito o comportamento das crianças para entendê-las, mas como elas preferiam lixar as unhas a prestar atenção, sempre diziam que ele era bom só por causa de seu instinto ômega.

Respirou fundo, o cheiro de flores campestres que cercavam o local, sempre lhe acalmavam, pois lembravam sua mãe.

Bum não se recordava do pai, contudo sua mãe sempre enfatizava que eles ficaram juntos por amor. Apaixonaram-se quando ela ainda estudava, mas a família dele não aceitou e o deserdou. Os dois se casaram e ela engravidou, largando os estudos. Tudo ia muito bem, e eles eram felizes, contudo, logo após o ômega nascer, seu pai sofreu um acidente de carro e morreu.

Ela procurou a ajuda dos pais, entretanto, eles não a aceitaram de volta, chamaram-na de inútil inconsequente por ter largado os estudos e fecharam as portas. Depois de tentar encontrar, mas não conseguir se encaixar em nenhum emprego, começou a trabalhar como prostituta.

Nunca usou a coleira na frente do filho e nunca levou homens para casa. Tudo que Bum lembrava era que quando sua mãe chegava, ela tomava um longo banho, onde chorava o mais baixo possível, e depois saía sorrindo para lhe preparar o jantar. Nesses momentos, seu perfume sempre era de flores campestres. Claro... Até o dia em que ela não voltou.

Bum saiu do pequeno transe em que havia entrado e voltou ao trabalho. Foi uma tarde tranquila, sem maiores incidentes. Despediu-se de suas colegas quando avistou um carro preto que o aguardava, dentro dele um rapaz sorridente, que o ômega reconheceu como Seo Jihoon, outro membro da manada de Sangwoo.

Entrou no carro meio confuso, o rapaz de cabelos castanhos o encarou por alguns instantes: — Você se veste ainda pior no dia-a-dia, hein?

Bum pensou em sair do carro, mas o rapaz continuou como se o que acabara de dizer não fosse algo ofensivo, apenas uma constatação da realidade.

— Então eu decidi comprar roupas para você, estão ali atrás. – ele apontou para o banco traseiro e Bum virou-se, dando de cara com a maior quantidade de sacolas que já vira na vida.

— Quê...? – o ômega não sabia como reagir.

— Hm? Eu disse que comprei roupas para você, espero ter acertado o seu tamanho, apesar de não parecer ser muito maior que o meu próprio. – ele deu partida no carro, começando a dirigir até a casa de Sangwoo em uma velocidade humana: — Tem coisas que o Sangwoo irá gostar mais do que você – ele riu: — Mas acho que vai dar tudo certo. Aliás, que número você calça? Porque eu também comprei alguns sapatos, se não acertei, você pode trocá-los na loja, não tem problema, eu já deixei tudo combinado. Sou um cliente antigo, e elas odiariam me perder, afinal, gasto fortunas naquele local. Aliás, você gosta de fazer compras? Nenhum dos rapazes da manada gosta, tão chato. Sempre tenho que levar as meninas, só que nossas seções são tão separadas, e nem sempre concordo com o que elas escolhem... – e continuou falando.

Bum em cinco minutos concluiu duas coisas. A primeira era que o rapaz conseguia falar tanto ou mais que Myung-Hee em pouco tempo.

“Eles provavelmente se dariam bem...?”.

A segunda é que ele não parecia nem um pouco preocupado sobre aquilo ofendê-lo, pelo contrário, agia como se tivesse feito a coisa mais natural a se fazer naquela situação. Bum não sabia se isso se devia ao fato dele ser um alpha, ou dele ser simplesmente ele.

Ao chegarem, o ômega não teve como recusar então só pegou as sacolas e entrou na casa. Sangwoo o encarou enquanto subia as escadas para largar tudo aquilo no quarto. Quando desceu, o alpha o aguardava na mesa. Havia comida posta – pelos embrulhos no lixo, alguma coisa de tele entrega. Sentou-se e começou a jantar, estava realmente faminto – havia comido apenas alguns biscoitos na creche.

— Agora também vai começar a gastar o dinheiro dos membros da minha manada? – o alpha disse tranquilamente, enquanto Bum engasgou.

O estava chamando de interesseiro? Primeiro pervertido e depois interesseiro?

O ômega levantou. Sua fome cessara. Estava cansado. Pegou o prato, jogou os restos no lixo, o lavou, o botou para secar e então saiu. Antes de subir as escadas, disse claramente.

— Eu não pedi para eles me seguirem e nem pedi para ele comprar essas coisas.

Sangwoo levantou: — Como é? – o alpha foi até o moreno: — Você prefere ser atacado e receber outra mordida?

Bum se virou, começando a subir as escadas enquanto era seguido pelo alpha. Estava chateado, mais do que isso, zangado. Não queria conversar nem discutir, queria apenas ir para o quarto, mas antes de chegar, foi posto contra a parede.

— Eu perguntei se você prefere que eu os dispense e você seja mordido de novo! – o alpha parecia irritado.

Ele realmente achava que poderia desejar algo assim? O ômega se sentiu mal e as palavras saíram sem controle: — Se eu preferisse... Não seria da sua conta...

O alpha fechou o punho. Bum só queria que ele dissesse que aquilo era da conta dele, mas o que ouviu foi totalmente diferente.

— Que seja. – Sangwoo se afastou, e o ômega o fitou confuso: — A partir de amanhã você está por conta. Só avisa ao professor Seungbae que essa foi uma vontade sua. – e saiu, deixando o ômega sozinho.

Bum entrou no quarto, um pouco em choque. Sozinho? O que teria acontecido hoje se a manada de Sangwoo não tivesse aparecido no refeitório...? Engoliu em seco. Não queria ser mordido, mas se estaria sozinho... Só conhecia uma solução. Pegou o celular e ligou para Myung-Hee.

— Sim? – respondeu a garota animada do outro lado da linha.

— Eu... Preciso de um favor... – murmurou Bum, enquanto sentava na cama e encarava a pilha de sacolas que nem ao menos desejara ter.

~*~*~*~*~*~*~

Bum já estava há algum tempo debaixo do chuveiro. Era muito cedo, na verdade, ainda não dormira – e nem conseguiria. Desligou e saiu, se enrolando na toalha. As lembranças iam e vinham, como pequenos tormentos. Não conseguia acreditar que o alpha realmente pensava aquilo dele. Sentia-se chocado.

Foi para o quarto, olhando as roupas que já estavam fora de todas as sacolas. Nem tinha espaço para tantas coisas, acabou colocando em caixas para melhor acessar – suspirou. Todas de marca e muito bonitas. Sentou na cama. Encarou algumas obviamente sexuais – as jogou em um canto.

Vestiu uma cueca e então olhou novamente as caixas, pegando algumas coisas. Uma blusa de gola alta cinza, uma jaqueta preta que parecia quente e uma calça jeans. Depois se voltou para a regata do alpha, que havia discretamente roubado da lavanderia.

“Preciso do cheiro...” – pensava como justificativa. Botou ela por baixo, depois vestiu todas as roupas por cima, não a deixando visível.

Quando terminou, concluiu que Seo Jihoon definitivamente lembrava a Myung-Hee, pois a calça estava justa. Resolveu não pensar nisso, apenas pegou sua mochila e desceu, começando a preparar o café. No fim fez muito e deixou para Sangwoo, não sabia o porquê de ainda se importar.

Não esperou o alpha acordar, saiu e foi pegar o ônibus. Sentia-se cansado e com sono, mas tinha que chegar antes na universidade, combinara com Myung-Hee. Terça era o único dia que não tinham aulas juntos. Quando chegou, a garota o esperava na parada, parecia mais preocupada que nunca.

— Você está muito bonito. – comentou com um semi-sorriso que não disfarçava o nervosismo

— Obrigado... – respondeu o garoto sem jeito.

— Você tem certeza disso? – começou a garota.

Andavam com calma, mas sempre procurando uma sala vazia, o que era difícil.

— Não tenho escolha... – ele abriu uma das portas, dando sorte, entrou e se virou para a garota: — Você trouxe?

— Bum... – ela balançou a cabeça, nervosa: — O que você vai fazer é colocar um sinal gritante que Sangwoo não o está protegendo! – estava obviamente aflita: — Mas sim... Eu trouxe. – tirou uma coleira negra da bolça.

Bum nunca usara uma, contudo sabia como funcionavam: — Vou tentar esconder debaixo da gola da blusa. – ele pegou, colocando-a.

— Se fosse tão simples... Elas são muito grossas – a garota fechou a coleira com chave: — É só a pessoa prestar um pouco de atenção e dá para notar. – ela balançava a cabeça negativamente: — Olha, vou ficar com a chave, ok? Nos encontramos no almoço e te entrego antes de você ir para o serviço. Bum... Você sabe que a coleira não tem como proteger de tudo, né?

—... Eu sei. – murmurou.

— Não é melhor você falar com o professor Seungbae? Olha, o Sangwoo pode não querer, mas é obrigação dele! Não interessa o que você disse! Ele não pode te deixar sozinho! Você nem precisaria disso se ele não tivesse inimigos! É tudo culpa dele! Não quero que você fique com medo o dia inteiro por causa daquele imbecil! Você tem ideia do quanto o Sangwoo é popular?

— É claro que eu tenho Myung-Hee... – o garoto não sabia mais o que falar para convencê-la de que ficaria bem.

— Pois então saiba que ele tem o mesmo nível de impopularidade! Você não tem ideia do que pode te acontecer se uma manada inimiga dele descobre que você está sem proteção! Sabe que muitos prefeririam morrer a passar por algo assim? – Bum ficou calado: — Fala com o professor Yang Seungbae, por favor!

— Não! – disse decidido.

— Caralho, Bum! Eu sei que ama aquele cretino, mas você não tem que passar por isso! Que teimosia!

— Fui eu quem disse que não queria Myung-Hee!

— Isso não é motivo! Você não entende? – ela segurou os ombros do amigo, tentando parecer compreensiva, mas ainda nervosa: — Você é um ômega, sem proteção, que pode servir como “humilhação” para Sangwoo! Não só te mordendo! Eles não sabem que aquele imbecil tá pouco se fodendo com o que acontece com você! Sem contar os que o admiram! Podem querer descobrir o que raios ele viu em você! Ao menos tem ideia de quantas possibilidades existem? – no fim já soava desesperada.

— Desculpe, Myung-Hee. – o rapaz se desvencilhou, pegando a mochila: — Vai ficar tudo bem, ok? – o ômega a fitou sério e a garota já não sabia mais o que falar, apenas passava a mão nervosamente pelo cabelo. Ela então suspirou e o soltou.

— Ok Bum, mas tem uma coisa... – o olhou séria: — Vou ir para minha prova no primeiro período, entretanto se em algum momento durante essa manhã, eu avistar o professor Seungbae, nem que seja à distância, pode ter certeza que vou contar a ele.

— Myung-Hee!

— Não dou a mínima para o Sangwoo, para mim, ele pode ir para o inferno com toda a manada dele! Só por estar te fazendo passar por isso! – ela pegou a própria mochila: — Sei que posso perder a sua amizade, contudo pra mim, a sua segurança vem em primeiro lugar e vou fazer o que acho certo. – e saiu, sem esperar resposta.

Bum tentou pará-la, mas a baixinha era rápida. Não queria que ela envolvesse o professor nisso, ou denunciasse Sangwoo. Acabou perdendo-a de vista, e quando percebeu todos já o encaravam. Se no dia anterior os olhares lhe incomodavam, hoje o assustavam. Baixou a cabeça e foi para a classe.

A insegurança começou a lhe rondar. Os alphas de tempos em tempos o observavam e aquilo era agoniante. Faltava apenas uma matéria para terminar os estudos daquela manhã, quando foi parado no corredor.

— Você está tremendo.

Bum reconheceu a garota imediatamente, era Kaa Yangmi. Tinha certeza que este era o nome porque a garota possuía a ponta dos cabelos azuis. Sangwoo a apresentara na festa e ela pertencia a sua manada. O moreno detestou, mas a simples presença da garota, o deixou mais calmo.

— Eu estou bem. – murmurou, se afastando um pouco.

Ela já teria falado com Sangwoo? O que ele disse? Será que os membros da manada dele o detestavam agora? Afinal, mal os conhecia e já os rejeitou. Ou talvez eles o achassem prepotente? Não os condenaria se pensassem isso dele.

A garota o fitou longamente, e de repente pareceu muito surpresa: — Você está de coleira! Não acredito! Olha o ponto que aquele idiota fez você chegar! – ela imediatamente tirou seu smartphone e fotografou Bum, deixando-o extremamente constrangido.

Em seguida teclou algo no aparelho, enquanto parecia zangada: — Às vezes tenho vontade de bater nele. – murmurou Yangmi.

— Você... O quê? – Bum estava confuso, mas a garota não pareceu se importar, ela apenas voltou a fitá-lo e sorriu.

— Você está vestindo as roupas que Jihoon comprou! – ela se afastou um pouco, parecendo enquadrá-lo no smart: — Eu sei porque estava junto quando ele escolheu! Sabia que não tinha sido isso! – ela tirou fotos: — Ele vai amar ver você usando! Combinou tão bem! – ela começou a digitar no celular enquanto falava: — Quando o Sangwoo disse que você não queria mais ser protegido pela gente, Jihoon achou que podia ser culpa dele, mas, eu sabia que quem fez merda foi o Sangwoo. – Yangmi fitou Bum nos olhos: — Não é?

Bum ficou calado, baixando o olhar.

— Sabia! – continuou a garota: — Espera, deixa eu dar a volta... – ela falava enquanto o circulava, tirando uma foto de Bum por trás: — Ahá! – parecia ter feito uma grande descoberta: — Vou mandar essa para Taehyun! Ele nunca mais vai poder dizer que “não entendeu” a escolha. – disse decidida.

Bum quis morrer, definitivamente, contudo, ao mesmo tempo, sorriu. Aquilo era muito estranho, a garota agia como se fossem íntimos, quando na realidade, era a primeira vez que se falavam. Entretanto, o moreno tinha a sensação gritante que acharia muito mais estranho se ela agisse de modo diferente.

O ômega começou a mirá-la, não era tão bonita quanto à loira do dia anterior, mas era mais despojada. Usava uma flanela xadrez aberta, onde embaixo se podia ver uma camisa estampada – um desenho, com um loiro algemado e os dizeres “Blood Bank”, um short jeans – Bum não tinha ideia de como ela aguentava aquele frio, uma meia calça preta – que parecia grossa, contudo estava rasgada, e um tênis.

— Quer matar aula? – Yangmi perguntou simplesmente.

— Quê?

— Você tem que trabalhar depois, não é? – ela sorriu: — Queria conversar um pouco mais...

Bum refletiu. A última aula era importante, mas, se sentia confortável ao lado daquela garota, e talvez... Talvez pudesse entender um pouco melhor Sangwoo se falasse com ela – seu estômago embrulhou.

“Que droga... Querer conhecer melhor alguém que me considera pervertido e interesseiro, isso me torna masoquista? Acho que Myung-Hee me chamaria assim...”.

Yangmi começou a andar, levando Bum até uma lanchonete. O moreno nunca se aproximou daquele lugar porque era extremamente caro. Contudo, ao ver todas as amostras expostas, não conseguiu deixar de pensar que apesar do preço, tudo parecia tão delicioso, que até valeria a pena. Principalmente os doces. Tinham vários formatos e cores.

Escolheu um pedaço de torta de morango com chantilly e um chá. Sentou e aguardou Yangmi chegar com sua bandeja. Ela trazia vários dos doces e um refrigerante. Começaram a comer em silêncio, mas em certa altura, a garota retirou rapidamente o smartphone do bolso e tirou uma foto, logo em seguida apontando para o rosto do moreno, que descobriu estar um pouco sujo de chantilly.

— Você... Tirou foto disso...? – perguntou Bum, ficando vermelho.

— Ah! Que gracinha! – ela tirou mais uma foto: — Você fica muito lindinho vermelho! – ela sorriu largamente: — Não é pra menos que o Sangwoo não conseguiu resistir! Você é muito fofo.

Bum ficou mais vermelho, baixando o olhar: — Sangwoo... O que ele falou para vocês...?

Yangmi pareceu refletir: — Não muito. Que ele te conheceu, te escolheu e te mordeu. E hoje disse que você não queria ser protegido... Ele parece durão, só que não é tanto assim... – ela bebericou o refrigerante: — Ele não precisa dizer e você também não precisa confirmar, mas eu sei que ele não escolheu te morder. Ele não faria isso, por mais gracinha que você seja. – ela deu de ombros: — Ele tem as razões dele pra mentir, contudo nunca vai me enganar, conheço a figura muito bem. – ela fitou Bum: — O que me leva a crer que você o fez perder o controle. – a garota não parecia mais conseguir conter-se: — Isso é tão legal!!!

— Legal...? Por que ele perder o controle é legal...? – murmurou Bum, engasgando em seguida e se corrigindo: — Quer dizer, se ele tivesse perdido o controle, por que isso seria legal? – era péssimo mentiroso, Myung-Hee vivia lhe falando isso...

Yangmi riu: — Porque ele pensa que erros são sempre terríveis, e eu gostaria que ele entendesse que certos erros podem ser convertidos em acertos. Só depende dele. – ela continuou comendo: — Gosta de morangos?

— Sim... – respondeu Bum ainda tentando entender o que a garota dissera antes.

— Ótimo. – ela tirou o morango que estava no topo de um de seus doces, e aproveitando o pequeno devaneio que o ômega entrara, colocou-o na boca do moreno, tirando uma foto com a outra mão: — Nossa! Você é muito fotogênico! Posso fazer isso o dia inteiro...

Ela digitava no celular, enquanto Bum pensava seriamente em sair correndo.

O celular do moreno tocou, ao vê-lo, percebeu se tratar de Myung-Hee, atendeu.

— Onde você está? – perguntou preocupada a baixinha.

— Na lanchonete próxima ao refeitório... Já está no horário de almoço? Eu sinto muito...

— Se está tudo bem com você, então não tem problema. – ela pareceu aliviada: — Você deu sorte, eu cheguei até a procurar, mas não achei o professor Seungbae...

— Você procurou? – Bum perguntou sério, a garota tossiu, desconversando do outro lado da linha.

— E o que você está fazendo aí?

— Estou com Kaa Yangmi.

— Pode me chamar só de Yangmi! – disse a garota na sua frente, entre uma colherada e outra do bolo.

— Ela é da manada do Sangwoo, não é? – perguntou Myung-Hee: — Bom, você vem almoçar, ou vai almoçar aí? Eu levo a chave.

Bum ficou calado por alguns instantes, o pedaço de torta o enchera, não iria almoçar... Na verdade, o que mais sentia no momento era sono. Yangmi fizera o estresse que sentiu a manhã inteira desaparecer, o deixando relaxado.

Relaxado até demais, todo o cansaço de não ter dormido nada, parecia estar voltando com força total, e precisava trabalhar.

— Sim... Ela é – disse dando um pequeno bocejo: — Eu... Meio que já almocei... Você poderia trazer a chave?

— Claro! – respondeu Myung-Hee, desligando o telefone.

Bum fitou a garota a sua frente, mas ela já não estava sozinha ali. Quem se sentara e o encarava no momento era Seungbae: -... Quando...? – começou o moreno.

— Desde quando um pedaço de torta e um morango é almoço? – perguntou secamente o professor, colocando uma bandeja com verduras, legumes e um pedaço de carne na frente do moreno: — Come.

O ômega estava sem reação. Como ele sabia que só comera aquilo? Desde quando estava na lanchonete?

— Não estou com fome... – murmurou, desviando o olhar do prato.

— Mas parece cansado. Se não comer direito vai acabar desmaiando durante o dia.

Bum suspirou e começou a comer. Não podia negar que ele tinha razão.

Myung-Hee chegou em seguida, parecendo surpresa ao ver o professor ali.

— Soube que estava atrás de mim – ele fitou a garota: — O que deseja?

Myung-Hee encarou Bum e depois o professor: — Nada... – murmurou meio que parecendo perder as forças e sentando ao lado do ômega, onde discretamente entregou a chave.

— Por que está usando uma coleira? – Seungbae encarou Bum enquanto começava a almoçar.

—... Eu... Eu achei que seria mais seguro...

— Sangwoo, pelo visto, não consegue nem passar pelo período de transição sem causar problemas.

— Isso é injusto professor! – Yangmi pareceu indignada, mas se calou quando o Seungbae a encarou.

— Fui eu. Eu falei que queria usar! – Bum saiu em defesa de Sangwoo, recebendo um olhar nada amistoso de Myung-Hee que, com certeza, não aprovava aquela atitude.

Seungbae suspirou: — Certo, e onde ele está agora? Ou vou ter que esperar até ele ver a mensagem que Yangmi enviou e vir correndo? – o ômega se calou, engolindo em seco.

Baixou o olhar e decidiu ir embora, levantando e saindo. Sem dizer mais nada e nem se despedir. Pagou sua comanda e foi para porta, onde deu de cara com Sangwoo. O alpha parecia ter corrido.

“Ele realmente veio só por causa da mensagem que Yangmi mandou...” o ômega fechou o punho e passou reto, ignorando o loiro.

Tinha mais o que fazer aquele dia. Precisava trabalhar. Pegou o ônibus e foi.

Aquela tarde foi muito tranquila, as crianças aprontaram menos que o comum – talvez notaram o quanto estava cansado. Ele não precisou punir nenhuma delas. Foi para casa exausto.

O nível de cansaço havia superado todas as barreiras possíveis, entretanto quando chegou, o local estava totalmente escuro. O que era estranho, pois as aulas de Sangwoo já deveriam ter terminado.

“Será que ele foi a alguma festa...?”.

Perguntou-se o moreno enquanto ligava as luzes, mas era estranho, uma festa na terça? Ele largou a mochila no sofá. Foi preparar o jantar, comeu e acabou tirando um pequeno cochilo de duas horas, contudo, como estava ansioso acordou. Já fazia mais de quatro horas que chegara em casa, e o alpha ainda não havia retornado.

Bum sentava e levantava do sofá.

“Ele provavelmente está bem...” pensava, entretanto a angustia não passava.

Não iria passar. Queria esquecer certas coisas de sua vida, mas era realmente impossível – fitou novamente a janela, para ver se enxergava o carro se aproximando. Ficar esperando... Isso o lembrava dos dias em que esperou sua mãe, até que ficou com tanta fome que acabou ligando para o único número que ela deixara na geladeira ‘em caso de emergência’. Descobriu se tratar de sua avó.

Seus avós – parou por um instante – quando iria avisá-los sobre o que aconteceu? Sobre a mordida, Sangwoo e não estar mais no dormitório da faculdade? O ômega ouviu um barulho, finalmente avistando o carro.

Assim que Sangwoo entrou na casa, Bum se apavorou. O alpha tinha um cheiro muito forte de sangue. Sem pensar duas vezes, o ômega levantou do sofá e correu em sua direção.

— Você está bem? – perguntou aflito, a centímetros do rapaz.

— Estou ótimo. – respondeu o alpha, se afastando.

Ele também cheirava a álcool. Bum não se conteve, foi até o banheiro e voltou com um kit de primeiro socorros.

— Eu já disse que estou bem. – repetiu o loiro enquanto sentava-se, meio atirado, no sofá.

Bum não parou. Ele se aproximou e aos poucos retirou a camisa suja do alpha, começando então a tratar suas feridas. Sangwoo ficou calado, observando o ômega trabalhar.

O moreno se ajoelhou, cuidando de uma área particularmente roxa, quando sentiu a ponta dos dedos frios do alpha em seus lábios. Aquilo o arrepiou imediatamente, o toque frio sempre contrastava com sua pele quente, fitou o loiro e viu desejo em seus olhos.

Acabou abrindo a boca, permitindo que os dedos entrassem. Por que estava fazendo aquilo? Por que não parava, ou saía? Por que desejava aqueles dedos com tanta intensidade?

Bum sentiu seu coração bater forte e começou a chupar levemente os dedos, sem desviar seu olhar de Sangwoo. O alpha suspirou, gemendo rouco e baixo, forçando um pouco mais dos dedos dentro da boca do ômega.

Sangwoo esquadrinhou o moreno, fazendo a pele do pequeno queimar, então tirou seus dedos e o puxou pela coleira negra: — Você esqueceu de tirar. – sussurrou com a voz grave.

A vermelhidão do rosto de Bum intensificou, ele olhou para o lado, notando que sua mochila ainda estava ali, e com a mão tremula, puxou-a para mais perto, abrindo-a e retirando a chave. Sangwoo então a tirou da mão do menor e abriu a coleira. O ômega sentiu como se ele o despisse completamente.

O alpha foi até seu pescoço, começando a lambê-lo vagarosamente, principalmente na região da mordida: — Não quero que chupe os meus dedos... – ele sussurrou em seu ouvido.

O moreno entendeu, ficando vermelho e se posicionando melhor. Ele mordeu o zíper da calça do alpha, abrindo-o e então lambeu ainda por cima da cueca, saboreando o pré-gozo que surgia. Depois puxou a cueca para baixo, deixando o membro a vista.

— É... Realmente grande... – murmurou vermelho, enquanto começava a lambê-lo.

Ia de baixo para cima, no topo começou a chupar devagar a cabeça. Sentia seu próprio membro pulsar e um líquido descer por entre suas pernas, estava completamente excitado, e ver que causava o mesmo efeito no alpha nublava seus pensamentos.

O cheiro de Sangwoo estava forte e era embriagante, os gemidos roucos dele pareciam tirá-lo da realidade. Bum abriu a própria calça e começou a se tocar com um das mãos livres enquanto a outra começou a massagear o saco do alpha.

O moreno colocou o membro duro ainda mais fundo dentro da boca, sentindo-o tocar levemente sua garganta. O alpha arfava de prazer, e Bum sentia-o estremecer quando usava sua língua para massageá-lo.

Bum desceu a mão que acariciava o saco do alpha e arranhou de leve a parte interna da coxa, sem desviar os olhos. Sangwoo gemeu mais alto, agarrando os cabelos do ômega e o forçando um pouco ao aumentar a velocidade das investidas.

Gemeu, era tão bom... O gosto dele, o cheiro dele, a força dele... Começou a se tocar no mesmo ritmo que o sentia em sua boca, e quando o loiro ameaçou tirá-lo, pois parecia próximo do gozo, se prendeu em suas pernas, fazendo-o gozar fundo em sua garganta. Chegou ao mesmo tempo em que sentiu o sabor do alpha na sua boca. Engoliu tudo e o fitou, lambendo a pequena porção que caíra de seus lábios.

Sangwoo estava ofegante e mordeu os lábios ao vê-lo lamber o gozo. Ele queria mais... E isso deixou Bum com o coração acelerado, contudo, também o fez lembrar que ele o chamara de pervertido, e alguma coisa dentro de si o fez levantar, recolher a caixa de primeiros socorros e sair.

Largou a caixa no banheiro – fazendo também sua higiene e subiu ao quarto, caindo na cama. Percebendo, só nesse exato momento, que mesmo se quisesse continuar, não teria forças. O sono veio tão violentamente, que não precisou de mais de um minuto para dormir.