Notas iniciais
Capítulo simultâneo com o 5.

Sangwoo abriu os olhos, percebendo que o moreno já não se encontrava mais no quarto. Passou a mão no rosto, ainda sonolento e ao pegar o celular, notou que estava muito mais tarde do que costumava acordar, além de ter uma centena de mensagens de sua manada. Yangmi era a mais ativa, perguntando como estava o ômega e outros detalhes. Revirou os olhos. Não tinha paciência para isso, simplesmente ignorou todos. Eles que conversassem entre si e descobrissem o que houve.

Saiu do quarto, percebendo que Bum estava contra o balcão da cozinha, parecia cortar alguma coisa. Havia uma panela no fogão e alguns pratos já aparentavam estarem prontos.

“Ele vai fazer as atividades domésticas mesmo tendo passado mal ontem...? Isso não é saudável, ele quer piorar?”.

Aproximou-se, iria repreender Bum, mas o ômega pareceu agitado ao senti-lo, largando tudo e saindo.

— Bom dia... – foi a única coisa que ouviu antes de vê-lo subir as escadas.

“Mas... Que merda foi essa?” se perguntou, olhando meio sem entender.

O garoto havia ficado tímido? Depois de ter implorado na noite anterior, ele decidiu ficar tímido? Subiu as escadas e andou calmamente até o quarto em que o moreno se encontrava. Encostando-se à porta, observou-o por alguns instantes – Bum olhava seriamente uma sacola enquanto parecia segurar alguma coisa.

“Aquilo parece importante... Para ele estar tão sério...”.

— Ei. – viu o garoto se assustar e derrubar algo que rolou até seus pés: — Hm...? Um ursinho? – juntou. Era pequeno e marrom, parecia antigo.

— Não! Espera. – o moreno soou meio desesperado enquanto corria em sua direção.

Por que o ômega estava tão desesperado? Ele olhou o ursinho: — ... Isso... – aproximou-o do rosto, sentindo seu cheiro.

“Esse cheiro... É como aquele dia.”.

Não eram apenas os feromônios normais, era algo a mais... Cheirava ao garoto no cio, o sorriso cheio de malícia foi inevitável: — Espera... Isso é para seu ninho? – o sorriso aumentou: — O que você faz com um ursinho no seu ninho? – essa o alpha gostaria de saber, ele se masturbava com o ursinho, era isso?

Bum corou violentamente e Sangwoo se perguntou se a sua suposição estava certa.

— É?... Eu... Eu não... – começou o moreno desconcertado, quando repentinamente fechou a cara, fazendo um beicinho que o alpha sinceramente achou uma gracinha: — Devolve! – o ômega estendeu a mão.

Sangwoo riu: — Essa é a sua cara “brava”?

“Ele não pode tá falando sério.” começou a gargalhar.

“Ele realmente acha que vai conseguir convencer alguém dessa maneira?".

— Agora é que não devolvo. – ergueu o braço, chocando o menor.

— Eh? Não vai devolver...? – Sangwoo balançou a cabeça negativamente e Bum fechou mais a cara, fazendo o alpha rir.

“Ele vai pular? – o menor pareceu se preparar para algo – Sim... Com certeza ele vai...” o moreno pulou e o loiro riu mais, aquilo definitivamente era divertido.

— Mas é meu! Devolve! – implorou o pequeno enquanto pulava e tentava pegar de volta.

— Não. – o alpha já estava com lágrimas nos olhos, não ia devolver, era muito engraçado. Olhou para a sacola – ela era grande e parecia bem cheia, despertou seu interesse: — O que mais você tem ali? – foi andando em direção à sacola.

O ômega correu, parando na frente de Sangwoo. Estava estranhamente severo: — Não. – disse enfaticamente.

O alpha baixou o braço, um pouco surpreso.

“Por que ele não quer tanto assim?”.

— Ah é? – disse usando seu tom brincalhão e tentando negar a si mesmo que aquilo o estava deixando um tanto frustrado: — E quem vai me impedir? Você? – se aproximou mais, vendo o pequeno baixar o olhar.

“Você não vai conseguir me impedir... Se eu realmente quiser... Mas...”, seu coração bateu de forma inquietante, não queria forçar aquela situação.

Sua distração foi seu erro. O moreno repentinamente pulou em cima de seu braço, fazendo ambos caírem no chão, e recuperando seu precioso ursinho.

— Consegui! – comemorou o ômega ainda em cima de Sangwoo.

Depois do pequeno susto, o alpha abriu os olhos, ia tentar pegar o ursinho de volta – só para provocá-lo, mas o largo sorriso do ômega o encantou. Bum não sorria com frequência, e parando um instante para pensar, ele nunca o vira sorrir daquela forma. Os poucos sorrisos que o pequeno lançava eram fechados e tímidos, contudo naquele instante, era deslumbrante.

— Hã? – o rapaz o fitou, parecia confuso.

— Você não costuma sorrir. – o alpha disse com sinceridade: — Deveria fazer mais vezes. – o ômega corou e desviou o olhar. Sangwoo observou-o mais atentamente.

”Eu quero...”, mas seu pensamento ficou incompleto, pois se deu conta que tinha algum cheiro estranho no ar: — Isso é... – ele respirou mais profundamente: — Cheiro de queimado? – perguntou confuso.

— O arroz! – o rapaz levantou rapidamente, colocou o urso na sacola e saiu correndo.

Sangwoo fitou a sacola, ela era tão grande, um ômega tão pequeno realmente precisava de um ninho tão grande? E o que tinha ali? Talvez se ele só espiasse... Não é como se o mundo fosse acabar... – ele levantou fechando o punho. Não entendia, mas queria muito ver o que tinha ali. Andou até a sacola e começou a abri-la.

— Ei! – ouviu o ômega, a voz dele era brava.

“Droga...” ergueu as mãos.

— Fui pego. – disse saindo, não compreendia porque estava tão curioso a respeito daquele assunto. Viu o moreno trancar a porta e se sentiu um pouco estranho.

Sangwoo observou Bum sair correndo e fitou a tranca, não estava se entendendo. Sua verdadeira vontade era arrombar a porta e ver como era o bendito ninho. Aquilo era frustrante, irritante... Sentia-se... Rejeitado? Sacudiu a cabeça: — Estou ficando maluco. – murmurou para si mesmo. Por que estaria sendo rejeitado? Eles nem tinham nada para começo de conversa.

“Eu não quero nada.”.

Desceu as escadas e a irritação evaporou. Bum estava muito engraçado fazendo força – algo que com certeza ele não possuía – tentando limpar a panela queimada. O alpha riu baixo. Lembrou-se de algo que sua mãe fez, quando ainda era criança e tentara cozinhar algo – sem sucesso – para ela.

O loiro mudou o tom de voz, esganiçando-o: — Estamos queimando...! Queimando...! Socorro! – viu o ômega segurar o ar nos pulmões e tremer, tentando sufocar o riso.

Sorriu.

“Quase, talvez se eu forçar mais...”

Ele esganiçou ainda mais a voz: — Por favor! Bum! Nos salveee! – os ombros do moreno sacudiram enquanto ele ria, fazendo o alpha sorrir com a cena.

Sangwoo se aproximou, colocando seu queixo no ainda trêmulo ombro de Bum: — Por que não comemos fora? Você deveria descansar. – sentiu o rapaz enrijecer.

Os feromônios do ômega ficaram mais fortes, demonstrando o nervosismo e excitamento. Aquele cheiro era tão bom e interessante. Não era forte e sempre o deixava mais tranquilo, apesar de excitá-lo.

“É como se ele me aquecesse...” — o alpha liberou os próprios feromônios, misturando-os no ar. Estava intencionalmente provocando-o, mas a atmosfera ficava mais do que agradável daquela forma. Conseguiu sentir o menor estremecer e se afastar.

“Ele é realmente bom em se controlar...” pensou vagamente.

— Não... Não precisa. – Bum murmurava, um pouco vermelho: — Só falta um pouco agora... Deve ficar pronto logo e... Estou bem. – ele largou a panela e foi cozinhar algo que havia deixado na geladeira: — Hm... Quer ajudar?

— Hm. – o alpha refletiu, se afastando, indo até uma das cadeiras e sentando.

“Ajudar...? Talvez se for para pôr fogo na casa...”.

— Nem. Não levo jeito para cozinhar. – ele lembrou vagamente de sua mãe tentando ensiná-lo algo, entretanto o resultado nunca mudava: — Eu até compro alguma coisa para fazer, mas no fim, sempre peço tele entrega ou saio para comer. – deu de ombros. Mesmo sendo mais caro, era melhor do que passar fome: — Meus pratos mataram metade das panelas.

Sangwoo sorriu lembrando-se de todas as panelas que já descartara devido ao estrago que fizera.

Comeram juntos e em silêncio. Sangwoo se sentia confortável dessa forma e Bum não parecia se importar em acompanha-lo.

Depois do almoço, lembrou que deveria estudar, e não era pouca coisa. Medicina sempre foi muito complicado e por mais que entendesse rapidamente as matérias, era muita coisa para assimilar.

— Vou estudar no escritório provavelmente a tarde inteira. – disse levantando. Pegou a louça que usara e lavou, indo para o escritório em seguida.

Antes de começar, colocou os óculos e pegou alguns papéis que trouxera da consulta de sexta, indo ver o resultado de seus exames na internet. Analisando-os concluiu que estava saudável, contudo, com óbvias mudanças biológicas. Seu corpo estava modificando-se rapidamente, inclusive um pouco rápido demais. Mas até que ponto ela chegava, sempre fora algo difícil de concluir – o rapaz tirou os óculos, passando a mão nos olhos.

— Será que é isso? Por isso me sinto estranho? – cientificamente falando, havia muitas dúvidas sobre como a mudança gerada pela transição afetava o humor e o comportamento de um ser humano. Existia, obviamente, muita pesquisa, mas mesmo assim...

“É um assunto muito complexo” pensou o rapaz.

Aquele dia fora anormal.

“Para quem está decidido a quebrar o vínculo... Não estou sendo muito convincente, na verdade, não estou convencendo nem a mim mesmo” – ele suspirou.

Não havia pesquisado formas de quebrar o vínculo nenhuma vez e estava começando a se acostumar com aquela situação.

“Isso é ruim.” – olhou as anotações de Seung.

— Penso nisso depois... Tenho que estudar agora... – pegou as anotações e começou os estudos.

Passou à tarde nisso, já estava acostumado a fazer maratonas de estudo e tinha que terminar um trabalho naquele dia ou atrasaria seu cronograma.

Não soube exatamente quando Bum entrou e lhe deixou samgaki kimbap e chá verde, só sentiu o lembrete de seu estômago ao avistar a refeição — o som não foi nada discreto e praticamente gritara que não havia comido nada desde o almoço. Comeu tudo e achou delicioso.

O garoto parecia ‘adivinhar’ o que o satisfazia. Sabia que pares, quando se tratava de ômegas e alphas, aumentavam até cinquenta por cento sua intuição em relação ao parceiro, mas, saber o que o sustentava?

Analisou melhor o recheio do samgaki kimbap, na realidade, o garoto não o estava apenas sustentando, o estava nutrindo com exatamente o que estava um pouco abaixo do normal – mas ainda aceitável — nos seus exames.

— Caramba... Então realmente é verdade. – já havia lido sobre o assunto, contudo pelo o que lera, não era sempre que esse tipo de conexão acontecia.

Fechou os olhos e tentou se concentrar, se ele fosse alimentar Bum, o que lhe daria? Vegetais, leguminosas, frutas e carnes. Abriu os olhos.

“Basicamente tudo. Ele deve comer muito mal...”.

Talvez comprasse alguma coisa nutritiva no dia seguinte, também não queria que o ômega morresse por desnutrição.

Continuou os estudos e acabou adormecendo no sofá do escritório.

Segunda

Sangwoo acordou cedo, fazia um tempo que não dormia naquele sofá, suas costas doíam. Desceu as escadas, foi até o quarto pegando uma muda de roupa, depois foi tomar um banho e escovar os dentes. Saiu vestido e estranhou não ouvir mais nenhum barulho na casa. Subiu as escadas, batendo no quarto de Bum, mas sem resposta. Desceu novamente, vendo o garoto na sala.

Bum dormia tranquilamente, com alguns livros ao seu redor e uma leve coberta sob o corpo. Sangwoo se aproximou, reparando que a mordida ainda estava um pouco inchada,

“Eu deveria tê-lo obrigado a descansar...” – suspirou, tocando no ombro do moreno.

—Ei... – disse mexendo no rapaz: — Ei! Acorda!

— Hm? Sangwoo...? – o ômega murmurou ainda sonolento.

— Se você não se arrumar logo, vamos nos atrasar. – o alpha disse sério.

Não queria se atrasar teria uma aula particularmente importante naquela manhã. Foi em seguida até a cozinha e serviu algo do que restara do almoço do dia anterior. Enquanto comia viu Bum correndo de um lado para o outro. Por que aquele garoto era tão engraçado?

— Sangwoo...? – o jovem perguntou meio ofegante já na porta.

— Não sabia que conseguia se arrumar tão rápido. – disse realmente impressionado: — Já está pronto? – ele levantou: — Então vamos.

— Vamos...? – Bum pareceu confuso.

Sangwoo fitou o rosto confuso do ômega, erguendo uma sobrancelha: — Eu vou te dar carona até a universidade, ou você achou que ia de ônibus?

— Hã...

Definitivamente o ômega pensara que ia de ônibus.

“Bom, não combinamos nada... Acho que é normal pensar isso, mas...”.

Ele fez sua melhor cara de ofendido: — Ei! Nós podemos não ser um casal, mas estamos indo para o mesmo local no mesmo horário. Que tipo de ser humano você acha que sou? – aquilo soara meio forçado, não tinha como ele acreditar.

— Desculpe! Eu não pensei que... – Bum pareceu surpreso e arrependido.

“Não é possível... Ele acreditou...”.

Sangwoo riu: — Você é muito fácil de enganar.

O ômega ficou extremamente vermelho, segurando a alça da mochila mais forte e baixou o olhar.

“Por que você sempre baixa os olhos?”.

Sangwoo tocou no queixo de Bum, erguendo seu rosto.

“Olha pra mim.” – estavam tão próximos que ele conseguia sentir a respiração do moreno.

O olhar de Bum era gentil e amoroso – o alpha sentiu seu coração acelerar e fitou os lábios do rapaz, desejando-os profundamente. Quando pensou em se aproximar, percebeu o que fazia e aquilo o assustou, fazendo-o retirar a mão e desviar o olhar.

— Melhor irmos logo. – murmurou, saindo primeiro da casa.

O que fora aquilo? Entrou no carro rapidamente, esperando o moreno fazer o mesmo. Não negava que tinha desejos sexuais pelo garoto, afinal, o cheiro dele era o melhor que já sentira e ele conseguia fazê-lo perder o controle mesmo fora do cio, mas... Aquilo lhe pareceu diferente, não era de todo só carnal.

Quando o ômega fechou a porta, Sangwoo ligou o carro e rumou a universidade.

Estava definitivamente confuso e não tinha ideia se isso acontecia por causa da transição ou de outra coisa – apertou mais forte o volante. Não queria aquilo. Pensou que poderia ter uma boa convivência com Bum, mas pelo visto se enganara. Se aquilo progredisse...

“Tenho que parar agora.”.

Chegaram à universidade e o menor desceu primeiro.

— Até – Bum murmurou, se afastando.

— Espera. – o alpha o alcançou: — Que horas você vai sair? – precisava saber, não podia deixá-lo sozinho: — Tenho aula o dia inteiro, não sei como funciona o seu curso, Educação Infantil Especializada, não é?

— Sim. – o ômega pareceu surpreso, por alguma razão que Sangwoo não compreendeu: — Hã... Tenho aula só pela manhã, à tarde vou para meu trabalho.

“Ele trabalha?”.

O alpha não tinha a menor ideia daquilo.

— Certo. – disse.

E agora? Ele devia protegê-lo o dia inteiro, pensou que sua manada ia poder cuidar disso... Mas não tinha como eles vigiarem ele no trabalho.

Observou o ômega por mais alguns instantes, só então se dando conta: — Droga – murmurou: — Esqueci de te dar algo meu. – coçou a cabeça, refletindo. Não podia deixá-lo sem seu cheiro.

“Merda, logo agora.”.

— Que seja. – se aproximou e abraçou-o forte, liberando todos seus feromônios de uma vez, mas sem a intenção de excitá-lo.

Contudo, Bum estremeceu em seus braços soltando um gemido sufocado enquanto segurava sua camisa.

“Quê?” o cheiro do menor se intensificou, cobrindo-o por completo.

“Não... Não!” ele tinha que parar com aquilo.

— Eh? – ele se afastou um pouco, o pequeno estava ofegante e corado: — Você se excitou com isso? – Bum o fitou, seus olhos demonstrando confusão e constrangimento.

“É realmente fácil...".

— Mas eu nem estava te provocando. – disse em um tom sério: — Que espécie de pervertido você é? – o ômega se chocou, ficando mais vermelho e seu olhar baixou.

Sangwoo sentiu o pequeno empurrá-lo, se afastar e ir embora sem olhar para trás. O alpha passou a mão no cabelo.

“É realmente fácil enganar você.” Riu sem emoção. Parou. Cerrou o punho que estremeceu levemente devido à força. “Foda-se, fiz o melhor pra mim.”.

Olhou seu celular, mandando uma mensagem para o chat de sua manada.

Quem vai ter aula nos prédios de humanas hoje?

Esperou alguns minutos e viu seu celular começar a vibrar.

Yangmi

Não hoje! Droga, ele vai estar lá? Amanhã ele também vai ir para lá?

Sangwoo digitou rapidamente. Qualquer um consideraria a mensagem ofensiva, mas era a forma como ele e Yangmi sempre se trataram.

Ele estuda Educação Infantil Especializada, só tem aulas no prédio de humanas Yangmi, não seja burra.

Yangmi

Eu não fui burra ¬¬”! Seu grosseiro arrogante!

Você só esqueceu de me contar! Não sabia que ele estudava isso...

Hoje não posso, mas amanhã com certeza vou ir lá o

Young

Temos mesmo que fazer isso? Não quero bancar a babá...

Jieun

Young, ele não pode ficar sozinho, está em transição.

Hoje não vai dar, mas quarta estou nas humanas, e você também Young! Nem tenta fugir.

Dongyu

Nem. Vou estudar no prédio das exatas hoje.

Sangwoo já imaginava que Dongyu não poderia. Young... Por que a aceitou mesmo na manada?

“Garota imprestável, se continuar assim, simplesmente não farei o reforço de vínculo.”.

Não queria gente, que além de arrogante, era inútil, em sua manada. Jieun... Teria que conversar com a garota mais tarde e aquilo daria dor de cabeça. Diferente da amiga, ela era útil, contudo na festa dera uma ordem muito específica que ela não cumpriu. Não tinha total certeza se a garota apenas errara ou fizera de propósito.

Yura

Eu vou estar nas humanas hoje. Você não sabia o que ele estuda Yangmi?

Não prestou atenção em nada dito na festa?

Yangmi

Da festa só lembro que a Jieun foi uma inútil.

Se eu não estivesse acompanhada, teria cuidado do garoto.

Quase que o Sangwoo o perde por causa da imprestabilidade alheia.

Jieun

Você é a última pessoa do mundo que pode chamar alguém de inútil Yangmi.

Chung-Ho

Vou estar na área das biológicas.

Para quem fez o garoto correr da festa, você parece preocupada Jieun. /o/

Jieun

Eu não o fiz correr da festa! E claro que estou preocupada, ele é o par do Sangwoo.

Yangmi

*cof**cof*Falsa*cof**cof*

Jieun

Quê?

Yangmi

Quê?

Sangwoo respirou fundo, sacudindo a cabeça negativamente, melhor interferir.

Já chega vocês duas. Chung-Ho, não põem mais lenha na fogueira.

Jieun

Aff

Seung

Eu estudo com você, então, não preciso continuar nessa conversa.

*Seung sai do chat*

Taehyun

Yura!!!! Yuraaa!!! É nóis nas fritas o

Yura

Para com isso Taehyun!

Pode ficar tranquilo Sangwoo, eu vou cuidar dele.

Imagina depender só do Taehyun?

O garoto nunca mais seria o mesmo.

Taehyun

Má ç.ç!

Sangwoo caminhava e fitava o celular. Taehyun e Yura iriam cuidar dele aquela manhã, então deveria ficar tudo bem.

“Não que eu me importe, só não quero problemas.”.

Apesar de Taehyun aparentar não ser mais do que um inconsequente que falava tudo em duplo sentido, ele na verdade era bastante responsável e Yura apesar de vaidosa e em alguns momentos fútil, era muito forte e até mesmo doce.

“Provavelmente vão gostar dele quando o conhecerem melhor.”.

Yura

Má nada! Não estou mentindo, estou? Você é uma péssima influência.

Ele é bem pequeno, né?

Taehyun

Yura, eu não sei, mas como ele é o par do Sangwoo, creio que o importante não é o tamanho e sim o conteúdo.

Yura

Pequeno no sentido de que parece um mascote! Idiota!

Taehyun

Boa Yura! Ele pode ser nosso mascote!

Ei! E se nós o seguíssemos secretamente? Tipo, stalkers?

Yura

Tá falando sério?

Taehyun

Sim!!! Eu tô vendo ele agora, no prédio dois, ele está com uma garota ò.o, cuidado Sangwoo, ela é gostosinha.

E Yura, você não vai me deixar na mão hoje. Pode vir para cá.

Yangmi

O quê??? Ele tá traindo o Sangwoo??? Como assim o_o?! Eles estão se beijando?

Taehyun

Não... Acho que estão só conversando.

Devem ser amigos, são ambos ômegas. Que sexy, ela usa coleira!

Yangmi

Quer me matar? Você quase estraga o meu ship ¬¬’!

Yura

Se eles são um par, já não é cannon Yangmi?

Yangmi

O Sangwoo não disse que vai casar ò.o, então, ainda não o, mas tô na torcida o

Sangwoo às vezes pensava se sua manada não era simplesmente composta por um bando de idiotas.

Jieun

Sério? Você nem conhece o garoto.

Yangmi

Qualquer um, menos você ¬¬

Jieun

Como é? Quem disse que eu quero casar com o Sangwoo?

Yangmi

¬¬’ Não precisam dizer.

Jihoon

De novo isso meninas? Querem parar? Não vou estar nas humanas hoje.

Jieun

Que seja. Só posso quarta.

*Jieun sai do chat*

*Young sai do chat*

Sangwoo chegou a sua classe e suspirou profundamente enquanto sentava.

“Não terminei de falar e elas já saíram. Estou começando a perder a paciência.”.

Digitou rapidamente no celular.

Preciso de alguém que o leve e busque do trabalho hoje.

Taehyun

A entrega foi feita, repito, a entrega foi feita.

Yura

Quê?

Taehyun

Eu quis dizer que o garoto chegou à sala de aula em segurança.

Aliás, eu ainda não entendo o que você viu nele Sangwoo.

Yangmi

Ah, para! Ele é uma gracinha! E ele trabalha??? Droga!

Hoje eu não posso, tenho a tarde livre, mas depois é “minha obrigação” comparecer a uma reunião de família chaaataaa.

Taehyun

Não posso à tarde, tenho um encontro.

Yangmi, nunca vai dar não?

Yangmi

Já disse que só amanhã!

Taehyun

Que horas? Eu quero ver.

Yangmi

... IDIOTA!

Yura

Taehyun você realmente seguiu o garoto como um stalker, né? -__-?

Taehyun

Sim! E foi divertido!

Depois te mostro, é só fazer exatamente o que eu mandar o/

Yura

...Não, obrigado Taehyun. Posso levar ele e talvez buscá-lo Sangwoo...

Onde ele trabalha?

Sangwoo fitou o celular, não sabia responder aquela pergunta. Não sabia onde Bum trabalhava, na verdade, não sabia nem quem era a garota com quem ele andava. Lembrava de que ele estava com uma garota na sexta — tinha a vaga sensação que a conhecia.

“Deve ser a mesma, aquela também usava coleira e isso não é tão comum...”.

Mas se fizesse uma reflexão mais profunda, as únicas coisas que sabia sobre o rapaz era que se chamava Yoon Bum, estudava Educação Infantil Especializada, fazia as tarefas domésticas e o que mais? Que ele ficava bem de preto, era tímido, tinha um ninho misterioso, um cheiro basicamente irresistível – melhor pular a parte sexual ou ficaria excitado na universidade, além do poder misterioso de deixá-lo confuso e ser extremamente desnutrido.

“Acho que é só isso que sei...”.

Lembrou-se do olhar do rapaz chocado em sua direção. Por que aquilo não saía de sua cabeça? Não era como se nunca tivesse magoado alguém na vida. Não ia se envolver mais profundamente, já decidira isso há muito tempo. Respirou fundo, se sentia cansado e um pouco frustrado. Não costumava ter tantos sentimentos ao mesmo tempo e de forma tão confusa. Aquilo era agoniante.

Taehyun

Não deixa a Yura levar o pobre rapaz ou ele vai morrer de medo!

Ela pode aparentar ser um vento calmo, mas por detrás é um furacão afoito.

O garoto não vai dar conta.

Yura

Acho que outra pessoa vai morrer hoje.

Jihoon

Eu posso buscá-lo! Assim entrego algumas coisas... Yangmi!

Temos que fazer compras!

Yangmi

Só se for para ontem!

Sangwoo digitou rapidamente.

Yura o leve para onde ele quiser ir.

Jihoon pega o endereço depois com a Yura, se ela realmente não puder busca-lo você vai.

Tenho aula agora. Só entrem em contato se algo acontecer.

E guardou o celular. Tentou prestar atenção em todas as aulas naquela manhã, fazendo longas anotações, mas não estava realmente concentrado.

Almoçou com Seung e Chung-Ho em um refeitório que ficava próximo aos prédios das ciências biológicas — onde estudaram aquela manhã. Havia um total de três refeitórios na universidade – aquele em que estavam, outro mais próximo dos prédios de humanas que ficava ao norte e o próximo aos prédios de exatas que ficava no centro.

Mesmo com a maior parte da manada de Sangwoo tendo dinheiro o suficiente para almoçar todos os dias nos restaurantes próximos e mais caros, normalmente não o faziam. Preferiam economizar e comprar algo mais útil para si. Apenas Jihoon era exceção. Sangwoo pensava seriamente que o rapaz era tão chato com comida, quanto com roupa.

O alpha respirou fundo. Seu instinto era como um animal que precisava ser constantemente controlado. No momento, ele gritava que deveria ir atrás de Bum, averiguando se o rapaz realmente estava bem. Ou então, fazer sua verificação mental nos que cuidavam dele. Entretanto, nada daquilo era necessário e sabia disso. Yura e Taehyun eram mais do que capacitados para cuidar de qualquer situação e o avisariam através do telefone se algo realmente acontecesse. O difícil era fazer seu pé parar de bater no chão.

Não conseguiu prestar atenção em nada do que os rapazes falavam. Quando saiu, Jieun o esperava.

A garota não parecia bem. Seus cabelos, normalmente impecavelmente arrumados e soltos, se encontravam presos. Apesar da maquiagem, ainda era perceptível às olheiras e seu rosto estava levemente inchado: — Sangwoo... – ela murmurou, correndo em sua direção.

Sangwoo não sabia bem o que pensar. Estava realmente irritado com a garota, mas também não gostava de vê-la naquele estado. Sua manada era composta por pessoas que podia usar. Isso era um fato. Entretanto, por causa do vínculo que compartilhavam, também eram como uma família.

Jieun tinha a vida totalmente planejada antes de entrar. Ela deveria pertencer ao seu primo Taeyang, ser esposa dele e obedecê-lo. Contudo, indo contra todos, ela decidiu entrar na manada de Sangwoo. Muitos podiam dizer que foi porque era uma garota mimada, mas, na realidade, o alpha sabia que o orgulho permeou sua decisão. Ele dava algo que Taeyang nunca proporcionaria – liberdade de escolha.

Durante o final de semana, o alpha pensou se a garota, na realidade, não queria que desfizesse o vínculo deles, contudo vendo-a agora tinha certeza que não era esse o objetivo: — O que você quer. – falou friamente, fazendo Jieun recuar um passo.

— Conversar. – o fitou de forma aflita: — Eu sinto muito! Tirei os olhos dele por alguns segundos, e ele foi embora! Talvez... – ela cruzou os braços: Talvez eu o tenha ofendido de alguma forma... – baixou a cabeça fitando o chão, uma atitude estranha para ela: — Eu não sei... – seus olhos lacrimejaram: — Mas juro que não queria que ele fosse embora daquela forma! Sinto muito... Sangwoo...

O rapaz respirou fundo: — Você não fez a única tarefa que te mandei, hoje mais cedo, saiu do chat sem que eu terminasse de falar, sinceramente Jieun, não sei o que fazer com você. Talvez eu devesse apenas quebrar nosso vínculo, assim, você poderia fazer o que quisesse.

Os olhos da garota arregalaram: — Não! Por favor, eu não quero isso! Só saí do chat porque Yangmi começou a implicar comigo de novo, pensei que você já havia terminado... Sinto muito. – implorar e pedir tantas vezes desculpas, não era algo que ela fazia com frequência. Pertencer ao primo deveria ser mais apavorante do que quebrar um pouco do próprio orgulho.

— Mesmo? – provocou, seu tom era um misto de ameaça e dúvida: — Então é muito simples. Não sou de pedir muitas coisas e você sabe disso, mas o que eu pedir, quero que seja feito corretamente. Fui claro?

A garota afirmou com a cabeça.

— Primeiro você deve conversar com seus pais sobre seu primo. A imagem dele já está bastante manchada por ele mesmo, mas quero ter certeza que seus pais ficarão ao meu lado, caso nós dois realmente acabemos brigando. E Jieun, não me interessa como você vai fazer isso, se quiser, ameace fugir de casa, eles não viveriam sem você. Entendeu? – o rapaz dizia tudo extremamente sério. Não queria mais enrolar e tinha certeza que aquele filho da puta aprontaria mais alguma coisa.

— Sim. Pode deixar. – a garota deu um pequeno sorriso confiante: — Eles te adoram Sangwoo e meu pai já está cansado de limpar a bagunça de Taeyang.

— Segundo...- continuou o alpha: — Você disse que está livre na quarta. Vou te deixar responsável por ele mais uma vez, mas Jieun, se algo der errado por sua culpa. – ele segurou e ergueu o pulso da garota, fitando a pulseira que escondia a cicatriz da mordida que ali se encontrava: — Eu mesmo quebro esse vínculo. – ela tremeu: — E você estará definitivamente fora.

— Você... Você ainda precisa de mim! – a garota soava convicta, contudo seus olhos demonstravam dúvida.

— Claro. Mas você precisa mais. – Sangwoo disse friamente, soltando-a: — Fui claro ou não?

Jieun concordou com a cabeça. Ela detestava aquilo, Sangwoo tinha certeza que se pudesse, a garota formaria sua própria manada, entretanto, apesar de ser extremamente charmosa, não era tão forte quanto Dongyu ou Yura, e nem tão inteligente quanto Seung. Poucas pessoas importantes a seguiriam e acabaria sendo uma líder de betas, o que era pior – para seu orgulho — do que ser subjugada por um líder de alphas.

Sangwoo se despediu, indo para a próxima aula. Olhou para o céu. O vínculo que possuía com sua manada era algo facilmente quebrável, como todo vínculo do gênero. Totalmente diferente do que possuía com Bum. Para começar, a mordida era feita no pulso, não no pescoço, depois, ela tinha que ser ‘reforçada’ pelo menos uma vez ao ano. Caso não fosse, por alguma razão, o vínculo simplesmente quebrava.

Em compensação podia saber se eles estavam bem e eles podiam alertá-lo caso alguma coisa ocorresse. Era diferente do que sentira quando o ômega estava em perigo, naquela situação, os sentimentos de Bum pareciam interferir nos dele, não teve nenhum controle e não precisou concentrar-se para senti-los, foi como um choque elétrico, um alarme ressoando em sua mente. Com sua manada precisava meditar um pouco, através disso sabia dizer o que sentiam, mas isso não modificava em nada seus próprios sentimentos. Também podia escolher se os ajudaria ou não, caso precisassem. – ele fechou os olhos, limpando a mente e se concentrando.

Yangmi estava bem, sentia felicidade vindo dela. Como a mais antiga de sua manada, sempre aparecia primeiro quando fazia isso, nunca precisava focar-se nela. Concentrou-se em Jieun, ela estava triste, mas decidida... Como imaginara, não fora falsa com ele. O próximo seria Chung-Ho, mas seu instinto gritou, não eram eles que realmente queria saber como estavam...

“Que droga... Está bem...”.

Concentrou-se em Yura – sua mão ficou fria, estava nervoso com o resultado? Tratou de acalmar-se ou não iria conseguir. A garota estava...

“Entediada?” – abriu os olhos, sentindo seu celular vibrar. O pegou do bolso e fitou a tela, abrindo o chat.

Taehyun

Tivemos um problema, mas já foi resolvido.

Taeyang falou com Bum e tentou pagar a comanda dele, mas, nós já cuidamos disso...

Sangwoo piscou. Ele fez o quê? Tentou pagar a comanda de Bum? Por quê? Ele realmente estava querendo uma luta? Com certeza sabia que ia perder, seu desejo de morrer era tão grande assim? Por que não se enforcava de uma vez por todas ao invés de torrar o saco dos outros? Suspirou. O alpha sempre teve uma alta tolerância a imbecis, mas aquele estava ultrapassando seus limites.

Yura

Taehyun! Se já resolvemos, não precisava incomodar o Sangwoo com isso!

Olha, o levei para a Enfermaria Central Ômega, ele tem uma consulta.

Taehyun

É claro que precisamos avisar se o arrombado do Taeyang faz algo assim...

E que bom que fui avisado para onde você foi, poderia ter esperado um pouco ¬¬

Yura

O mascote não estava confortável em ficar lá.

Além disso, ele parecia atrasado...

Sangwoo, ele é muito tímido, mal falou, mas achei fofo.

Sangwoo respirou fundo, digitando rapidamente.

Você fez certo em avisar Taehyun.

Yura, sempre me avise, mesmo se você achar desnecessário. Prefiro saber.

Continuem com o bom trabalho. Estou indo para a aula, qualquer coisa, avisem.

O rapaz colocou o celular no bolso, indo para as próximas aulas que foram ainda mais exaustivas do que as da manhã. No caminho para casa, passou em um restaurante familiar que conhecia, comprando comida caseira – que seria nutritiva ao ômega. Era realmente impressionante como sabia exatamente o que comprar. Não deveria fazer isso, mas se a saúde do ômega piorasse em algum momento, seria um inferno. Chegando a casa, pôs a mesa e esperou.

Bum não demorou a chegar, estava vermelho e carregava muitas sacolas. Encarou-o enquanto subia as escadas.

“Mas que porra é essa?” – pensava, fitando incrédulo.

Sentou-se a mesa, olhando o garoto descer, sentar-se e começar a se servir.

“Não vai dizer nada...?” – pensava, fitando-o.

“Você chega a casa, cheio de sacolas aleatórias e não diz nada?”.

Parando para refletir, aquelas sacolas não eram tão aleatórias. Pareciam de roupas, de certo presente de Jihoon, pois pertenciam a todas as marcas que o rapaz gostava.

“Mas agora é assim? Ele já mora aqui de graça e...”.

— Agora também vai começar a gastar o dinheiro dos membros da minha manada? – o pensamento saiu em voz alta, foi involuntário, mas também não se arrependeu de expô-lo. Sabia que Jihoon era insistente, mas custava recusar?

Viu o ômega engasgar e fitá-lo em choque. Parecia ainda mais ferido do que pela manhã. Sangwoo se calou.

Bum levantou, pegou o prato em que comia, jogou os restos no lixo, o lavou rapidamente, o botou para secar e saiu. Tudo em um silêncio mortal.

“Eu tenho que dizer algo...” pensou o alpha, havia exagerado. Não fora de propósito, mas tinha que dizer alguma coisa.

O moreno parou diante da escada, e sem olhar na direção de Sangwoo falou claramente: — Eu não pedi para eles me seguirem e nem pedi para ele comprar essas coisas.

Uma fúria repentina tomou conta do alpha, fazendo-o levantar imediatamente: — Como é? – ele andou até o moreno. Havia escutado errado? Não era possível! Ele tinha ideia do sacrifício que sua manada estava fazendo? Não era como se fossem um bando de desocupados.

Provavelmente Yura e Taehyun tiveram que correr de um lado para o outro o procurando durante cada um dos intervalos, para ter certeza de que estava bem. E Taeyang? O que teria acontecido se sua manada não estivesse por perto? Estava puto.

— Você prefere ser atacado e receber outra mordida?

Bum subiu as escadas. Ele o estava ignorando? – andou mais rápido, pegando o garoto pelo braço e colocando-o contra a parede: — Eu perguntei se você prefere que eu os dispense e você seja mordido de novo! – estava completamente irritado. Era isso? Deveria dispensar sua manada?

— Se eu preferisse... Não seria da sua conta...

O alpha fechou o punho.

“Não seria da minha conta. Ou seja, por você, tanto faz o que penso.”.

Aquilo... Não esperava isso... Sentia-se estranho.

“Foda-se, se ele quer ficar sozinho, assim vai ser.”.

— Que seja. – se afastou, não queria mais ficar próximo ao ômega: — A partir de amanhã você está por conta. Só avisa ao professor Yang que essa foi uma vontade sua. – e saiu.

“E não venha chorando ou reclamando depois, não quero mais saber.” pensava o alpha enquanto descia as escadas. Se o ômega não dava a mínima para mais de um alpha mordendo-o, porque ele deveria se importar? Ele rejeitou toda a sua manada. Foda-se o que acontecesse. Pegou o celular, mandando uma mensagem geral.

Amanhã ninguém precisa cuidar do Bum. Ele vai se virar sozinho.

Yangmi

Como é? O que aconteceu? Ele não pode ficar sozinho Sangwoo.

O alpha se irritou. – entrou no quarto, batendo a porta atrás de si. Por que ela sempre era tão teimosa?

Eu disse para deixá-lo sozinho amanhã Yangmi.

Ele quis assim, então faça a vontade dele.

Jihoon

Foi por causa das roupas?

Bum pareceu meio estranho quando disse que eram para ele, mas não pensei que o ofenderia tanto...!

Eu posso me desculpar! Não é muito arriscado deixar ele sozinho Sangwoo?

O alpha não respondeu, apenas colocou o celular ao lado. Deitando na cama. Merda. Estava muito irritado. Percebeu que o celular não parava de vibrar, então o desligou. Não estava com humor ou saco para conversar com eles. Fechou os olhos e forçou o sono a chegar.

Terça

Sangwoo acordou com o despertador tocando uma música irritante que o obrigava a abrir os olhos e desligá-lo. Sentou-se na cama, bocejando. Levantou, tomou um banho e se vestiu. Quando foi até a cozinha, se deparou com o café pronto, aguardando-o. Passou à mão nos cabelos.

“Ele preparou... Mesmo depois de ontem.”.

Fitou a comida durante algum tempo. A princípio não iria comer, mas no fim mudou de ideia. Saiu de casa dirigindo até a universidade.

Foi direto para a classe daquela manhã, estava propositalmente evitando sua manada. Não queria falar com eles, e Seung – o único que tinha todas as aulas com ele, provavelmente não falaria nada. Enganara-se. Apesar de inicialmente quieto, o moreno se sentou ao seu lado e começou.

— Você não deveria deixá-lo sozinho.

Sangwoo ficou em um misto de choque – por ele falar, e raiva – por ele se meter: — Não é da sua conta.

— Na verdade é... – Seung o fitou seriamente: — No momento que ele pode sentir seu cheiro em nós, faz parte da manada não? – o moreno suspirou, retirando os óculos e limpando-os: — Manada é mais do que uma família. Somos ligados por um laço agora. Mesmo que eu não queira, se algo de grave acontecer a ele, como a morte, sentirei um pouco de sua agonia. – ele fitou o líder: — Não tão profundamente e dolorosamente quanto você, mas sentirei. Não quero esse tipo de incômodo.

Sangwoo estava surpreso por muitas razões. A primeira delas era Seung se importar, a segunda era Bum já sentir o cheiro dele em sua manada.

Existiam dois tipos de alphas. Os que faziam questão de mostrar a todos ‘quem mandava’, deixando seu cheiro gritante em todos os membros. Normalmente eram jovens e inconsequentes. Sangwoo os considerava estúpidos. Já o segundo tipo, no qual o alpha se encaixava, não deixava seu cheiro à mostra, somente os membros sentiam. Era muito íntimo e qualquer um deles podia se passar por líder, se assim desejassem e tivessem autorização. Em uma luta isso era útil, ou até mesmo para saber as reais intenções de alguém – todos os membros da manada de Sangwoo podiam passar-se, tranquilamente, por um alpha ‘desgarrado’, ou seja, sem manada. Líderes de outras manadas costumam se vangloriar com desgarrados para conquistá-los e acabavam por falar demais.

Bum sentia seu cheiro, era oficialmente da manada. Ele podia senti-los de uma forma única — pelo menos era o que diziam as pesquisas sobre ômegas pertencentes a líderes de manadas.

“E mesmo assim... Os rejeitou.” – virou o rosto.

“Mas como Seung sabia disso? Como tinha certeza que Bum os sentia?” – voltou-se para o moreno.

— Como você...

Não terminou a frase, o rapaz apenas ergueu o celular e o interrompeu: — Yura contou ontem no chat. Você mandou aquelas mensagens e se calou, contudo todos ficaram criando verdadeiras teorias sobre o que aconteceu. – ele fitou mais seriamente o líder alpha: — Ninguém vai contra as suas ordens. Com exceção da Yangmi – deu de ombros: — Mas, ela sempre é uma exceção, não? Além disso, ele deve ser protegido, ou você realmente deixará outro tocar no que é oficialmente seu?

Sangwoo fechou o punho. Pensar em outro alpha mordendo Bum – quebrou o lápis que segurava, assustando Seung.

“Droga.” – suspirou.

O ômega que fizera aquela escolha. Levantou e jogou os pedaços do lápis no lixo. Voltou, sentou e começou a fazer anotações. Não conversou mais com Seung.

A manhã passou lentamente, seu corpo começou a doer. Hoje não tinha nada do ômega, então aquilo era normal.

“Deveria ter pegado algo.”.

Antes da última aula, porém, seu celular vibrou, pensou em não vê-lo, mas como estava no intervalo, deu uma olhada. Era uma mensagem individual de Yangmi.

Yangmi

IMBECIL! CRETINO!

Não acredito que você o fez chegar nesse ponto!

Que vontade de acabar com você!

Uma foto de Bum, do peito para cima, apareceu. Apesar da tentativa de escondê-la com uma blusa de gola alta cinza, era visível a coleira negra.

"Ele está de coleira? Como é?" — fitou bem a foto.

Sim, uma bela coleira negra. Certo.

De repente, como se a ficha só caísse naquele instante.

"Ele está de coleira! De coleira na universidade!" — respirou fundo, pensando que se atirasse o celular no chão, não sairia barato comprar um novo.

O filho da puta estava de coleira na universidade! Socou a parede. Que merda ele estava pensando? Queria envergonhá-lo, era isso? Humilhá-lo? Literalmente ele – que ninguém vira de coleira antes – estava com uma, depois de ser mordido! Andar de coleira era pôr um alvo na testa. Ele queria esconder sua mordida? Uma pontada dolorosa acertou-o em cheio, aumentando ainda mais sua irritação. Mas o que o rapaz achava que ganhava com isso, além de gritar ao mundo que Sangwoo o tornou em alguma espécie de prostituto?

Seu cérebro respondeu a própria pergunta...

“Segurança.” – suspirou.

“Merda.”.

Ele não queria ser mordido por outro alpha e tampouco parecia orgulhoso de já possuir uma mordida.

“Ômegas normalmente ficam felizes de serem assumidos. Qual o problema dele?”.

Por que disse aquilo no dia anterior? Raiva?

“Ou ele só não quer ser protegido por mim e minha manada? Talvez ele não se importe com o resto, afinal, só a mordida mata.” — entrou na sala, o professor chegara.

Aquele garoto... O que diabos deveria fazer com ele? Ele era tão complicado. Por que não agia como um ômega normal, ficava feliz e deu? Tudo bem que não eram um casal, mas, eram um par, metade dos ômegas daquela merda de universidade dariam um braço para estar no lugar dele.

Seu celular tocou novamente, fitou-o. Yangmi mandara uma mensagem para o chat.

Yangmi

Jihoon! Não foi sua culpa não! Olha que lindo ele ficou!

Se ele tivesse odiado, não estaria usando, né?

Agora era uma foto de corpo inteiro de Bum anexada. O rapaz realmente ficara bem.

“Foi por que eu disse que ele estava usando o dinheiro deles? Isso o ofendeu tanto assim?” – lembrou-se do rosto do rapaz antes dele rejeitá-lo.

“Sim... O ofendeu.”

Mas ele apenas pensara alto, aquilo realmente era motivo para falar todas aquelas coisas?

Jihoon

Acho que tem razão... Então foi o Sangwoo mesmo!

Bom, ele ficou muito lindo assim!

Sabia que só faltava um banho de loja.

Mas, ele ainda é meio magro...

Taehyun

O Sangwoo tem que alimentá-lo melhor, realmente.

Talvez mais leite ajude...

Yangmi

Taehyun, sobre o que o Sangwoo viu, acho que uma foto fala mais do que palavras.

Uma foto de Bum de costas foi enviada junto. A calça estava um pouco justa, o que salientava sua bunda, principalmente do ângulo que a garota focara – Sangwoo levantou da cadeira.

“Que merda Yangmi! O que tá pensando?”.

—Deseja falar algo Sangwoo? – o professor o encarou.

—Não. Desculpe. – o alpha voltou a sentar-se.

Taehyun

Uou! Esquece as dúvidas. Ele não estava assim ontem! Injustiça.

Sangwoo tentou concentrar-se na aula. O que Yangmi estava pensando? Que merda. – seu celular vibrou novamente, dessa vez era uma mensagem individual.

Yangmi

Se você não quer, tô aceitando... Olha que delícia =P

Dessa vez a foto de Bum mostrava-o segurando uma colher com um pedaço de torta, indo em direção à boca, contudo no canto de seus lábios, um pouco de chantilly se destacava. Sangwoo se lembrou do pequeno lambendo os dedos sujos de sêmen e fitando-o. Guardou o celular. Ainda estava em aula, não queria ter esse tipo de pensamento. Mas não era como se Yangmi fosse deixá-lo em paz. O celular vibrou novamente, dessa vez no chat geral, uma foto de Bum vermelho e surpreso.

Yangmi

Olhem que gracinha! Quero adotar o/

Yura

Também o achei fofo ontem, mas por que ele não quer mais a gente Yangmi? Já descobriu?

Yangmi

Não se preocupe Yura, a culpa é do Sangwoo o. Não tem nada haver com você o.

Yura

Que bom! Acho que amanhã vou dar um oi então ^-^

Sangwoo balançou negativamente a cabeça. Aquilo era sério? Além de desobedecê-lo, Yangmi ainda incentivava os outros a fazer o mesmo?

“O pior é que não consigo ficar puto com ela...”.

Uma mensagem individual chegou um pouco depois. Bum estava levemente corado e tinha um morango coberto de chantilly invadindo gentilmente sua boca semiaberta e sujando a parte superior de seus lábios.

Yangmi

Essa é só para você, mas se continuar sendo mau com ele, eu irei apresentá-lo para alguns alphas muito mais gentis.

“Merda Yangmi.”.

O alpha pensou, o que a garota queria fazer com aquilo? Provocá-lo? Respirou fundo, guardando o celular.

Sentiu o celular vibrar algumas vezes, mas decidiu ignorar. Provavelmente era ela com alguma gracinha nova. O professor começou a enrolar na explicação, atrasando o final da aula. O alpha começou a sentir-se desconfortável, fechou os olhos se concentrando, algo acontecera. Yangmi veio direto a sua mente, a garota estava em alerta, mais que isso, aflita. Abriu os olhos imediatamente pegando seu celular e lendo as mensagens.

Yangmi

Ele tá falando com uma amiga no cel, será que é a garota da coleira que o Taehyun mencionou àquele dia?

HuUhuHUHuHU a conhecerei antes de você o

Yangmi 01 x Sangwoo -10 (porque tá sendo mau).

Sangwoo! O professor Seungbae está aqui!

Merda! Ele viu o Bum de coleira.

Ainda não disse nada, mas com certeza ele viu.

A gente tá na lanchonete, próxima ao refeitório de humanas.

Sua aula terminou, né? Vem logo!

Sangwoo!

Porra! Sangwoo! Responde caralho!

O garoto levantou imediatamente, pegou suas coisas e saiu. Nunca correra tanto na vida.

“Merda! Merda! Merda!”.

Quando finalmente abriu a porta da lanchonete, deu de cara com Bum. O moreno o fitou, passando reto e não dizendo nada, seus olhos lacrimejantes transbordavam mágoa e raiva.

Sangwoo já participara em muitas lutas durante a vida, mas nenhum golpe pareceu lhe doer tanto, e o moreno nem precisou tocá-lo. Largou a porta, iria atrás dele, mas foi contido pelo braço.

— Espero que tenha uma excelente explicação. – Seungbae o encarava enquanto o segurava.

— ... – queria socar o professor, respirou fundo: — Não sei do que está falando. – disse sério.

— Não se faça de idiota, por que o fez usar uma coleira? – a voz de Seungbae soava perigosamente grave.

— Eu não o fiz usar! – soltou o braço: — E mesmo se tivesse, não há nada ilegal nisso, que eu saiba você só deve interferir caso eu faça algo ilegal. – perdera a paciência e Bum de vista. Se ele continuasse a provocá-lo, acabaria com ele também.

Seungbae sorriu ironicamente: — Bom, se vamos por ilegalidade, não há nada ilegal em morder um ômega com par, caso ele assim o deseje.

— Como é? – Sangwoo ficou confuso por alguns segundos, até o professor completar.

— Também não há nada ilegal em um professor universitário se envolver com um aluno, se ambos forem maiores. – ele colocou as mãos no bolso: — Yoon Bum é inteligente, bonito e adorável. Seria um prazer imensurável mordê-lo. E garanto – o sorriso aumentou mais: — Que ele também adoraria.

Sangwoo avançou, socaria o professor se Yangmi não o tivesse segurado: — Ele está apenas te provocando! – falou a garota que fitava o professor atônita.

— Só vou deixar uma coisa clara. – Seungbae se aproximou: — Se você não cuidar dele, eu mesmo cuido. – o professor se afastou, indo para o caixa da lanchonete.

Sangwoo ficou em choque. Ele... Aquele professor... Gostava do Bum, era isso? – refletiu. Seungbae fora bem grosseiro no dia em que o mordera, mas ele sempre agia daquela forma, então pensou que não havia nada importante por detrás daquilo. Mas e se houvesse?

— Sangwoo! – Yangmi segurou o alpha mais forte: — Vamos! Vamos embora! – ela começou a puxá-lo.

Sangwoo seguiu em silêncio. Yangmi o fez sentar em um banco da universidade: — Você não acreditou nele, não é?

— E se ele gostar dele? – Sangwoo fechou os olhos, jogando a cabeça para trás: — Não seria melhor apenas deixar que eles ficassem juntos?

Yangmi deu um tapa na testa do rapaz: — Você tá maluco? É claro que ele não gosta dele! Ele falou aquilo só para ver sua reação! Se você tivesse dito algo como “Então fica com ele”, com certeza, ele o denunciaria por abandono! Foi um blefe!

Sangwoo abriu os olhos, fitando o céu, se ele realmente quisesse ver sua reação, por que não esperou? Por que saiu em seguida? Ele não o esperou reagir.

Uma parte dele concordava com Yangmi, outra pensava que talvez Seungbae realmente gostasse do garoto, mas o que o assustava mais não era isso, era o fato de que nada daquilo realmente importava. Não queria dividir Bum, ele era seu. – colocou os cotovelos sobre as pernas, apoiando a cabeça sobre as mãos.

“Merda.”.

Despediu-se de Yangmi, a garota lhe deu alguns conselhos, mas não a estava ouvindo. Estava com raiva. O resto do dia foi um inferno. Não conseguia pensar e aquilo o irritava profundamente. Quando as aulas terminaram, sabia exatamente para aonde queria ir, e não era para casa.

Sangwoo abriu o porta-malas do carro, pegou uma mochila e fechou-o com força. Depois de sentar no banco de motorista, fitou-a seriamente, abrindo-a em seguida. Tirou um celular, ligando-o e enviou uma mensagem.

Estou livre hoje, alguém com meu perfil?

Não demorou muito para uma mensagem surgir.

Xristmas

Claro! Hoje é no Clube Lua. Se vier agora, ganha adicional!

Sangwoo fitou a mensagem por alguns segundos, então tirou uma máscara cirúrgica com um x branco desenhado, uma toca de lã, um par de braceletes de couro e uma camisa, todos negros. Tirou a blusa, colocando a camisa, depois pôs a máscara e por último, a toca de lã, fitando-se no espelho. Todo seu cabelo loiro escuro estava coberto, apenas a parte morena era visível junto com seus olhos. O alpha nunca arriscaria seu nome verdadeiro naquilo, afinal, apesar de divertido, era ilegal: — Bem-vindo Kailan. – disse a si mesmo, dando partida no carro.

Dirigiu o mais rápido possível. Aquela era a única coisa que realmente o acalmava naqueles momentos. Estacionou em frente a um prédio velho, na entrada uma placa imunda onde constava o nome ‘Clube Lua’. Desceu do carro e entrou, por dentro, um boteco que cheirava a álcool e sujeira. O bartender loiro e delgado o fitou e sorriu.

— Kailan! Quanto tempo? O de sempre?

Sangwoo apenas acenou positivamente com a cabeça. O loiro então abriu a porta do balcão, permitindo que o alpha entrasse. Depois tirou algumas garrafas da prateleira atrás de si, que começou a mexer-se abrindo uma passagem: — É só descer.

O alpha nada respondeu, apenas entrou e seguiu pelo corredor, ouvindo a porta fechar atrás de si. Caminhou calmamente deparando-se com uma escadaria. Desceu. No final, havia um espaço enorme, com uma grande gaiola de luta octógona, exatamente no centro. Acima da gaiola diversos telões que transmitiam a luta atual. Duas garotas estavam brigando como animais, uma delas parecia extremamente ferida, mas não dava sinais de que desistiria.

Olhou ao redor, a iluminação destacava a gaiola, mas havia diversas sacadas onde pessoas com máscaras de Viena fitavam o espetáculo, apesar de algumas terem notado sua entrada e estarem lhe observando. Ergueu as mãos, apontando os dedos médios para eles. Ouviu algumas risadas.

Aquilo tudo era feito para ser vendido para os betas, como entretenimento ilegal na internet. Os que iam assistir pessoalmente, contudo, normalmente eram alphas bem sucedidos. O que era particularmente irritante, já que absolutamente todos que lutavam também eram alphas.

“Como dizem, o gênero mais filho da puta é o alpha. Sem dúvida.”.

Uma garota de coleira, bustiê justo negro com uma estampa de lua de sangue, saia minúscula vermelha, meia arrastão negra e uma bota cano alto e salto fino se aproximou: — Senhor Kailan? – ela sorria animadamente, Sangwoo confirmou com a cabeça: — Creio que deve seguir comigo. – a garota andava sensualmente, levando-o até uma sala: — Você deseja algo antes de lutar? – perguntou com um sorriso malicioso.

Sangwoo suspirou, era sempre a mesma coisa. A puta se oferecia antes da luta, se aceitasse e ganhasse, teria descontado do prêmio, a noite de ‘prazer’ – que não era nem um pouco barata ou boa (só daria para fazer uma rapidinha naquela situação). Se perdesse, ficaria com uma dívida. Quantos trouxas ainda caíam nisso?

— Não é seu dia de sorte. – disse simplesmente, fazendo a garota fechar o sorriso.

— Bom, o senhor é que perde. – respondeu audaciosamente a ômega: — Por ter chegado antes de seu adversário, receberá um bônus, caso vença. – ela voltou a sorrir: — Você ficará na zona de espera, onde será filmado. Pode dizer o que quiser neste momento. Depois deverá usar a mordaça fornecida por nós e será examinado para confirmar que não há nenhum objeto cortante ou arma de fogo sob sua posse. Dentro da gaiola, qualquer tipo de golpe é aceito. A luta é filmada e transmitida online. Se quiser desistir deve tocar o sinal que fica no centro da gaiola. Você só vence por nocaute ou se o adversário desistir, tudo claro?

Sangwoo confirmou novamente com a cabeça. Só queria que começasse logo, detestava esperar. Alguns minutos depois, outra garota, com exatamente a mesma roupa da ômega que lhe acompanhava, entrou no local: — Ele já pode ser levado.

O alpha levantou, seguindo as garotas até outra sala. Ali havia diversos tipos de bebidas, comidas e uma grande câmera.

“Quem come e bebe antes de lutar, é louco.”.

Sabia que era observado, mas se manteve calado durante os cinco minutos que era obrigado a ficar. A garota então o levou a outra sala, onde um homem o mandou sentar e retirar a máscara. Obedeceu. Foi amordaçado firmemente e revistado. Depois recolocou a máscara e seguiu em frente. Finalmente – fitou a entrada da gaiola, seu palco estava pronto.

Subiu sob aplausos e vaias vindos das sacadas. Mirou o outro lado da gaiola, um homem um pouco maior e mais velho que ele o fitava sério. Uma voz masculina repercutia amplamente pelo local.

Sejam todos bem-vindos! Hoje temos dois excelentes competidores a sua disposição!

Façam suas apostas! Quem ganhará? O determinado e forte Sook! — o homem ergueu os braços, pedindo mais aplausos, sua imagem reiterada nos telões levou a plateia ao delírio.

Ou o misterioso e calado Kailan! – o rapaz mirou a câmera, não fez nenhum showzinho, mas o público ainda assim o amava e gritava seu nome.

Podem começar! – um alarme ecoou pelo local.

Imediatamente o homem fez o que Sangwoo mais odiava. Retirou a mordaça. Não era contra as regras – já que elas eram praticamente inexistentes, mas era uma forma de evitar mordidas desnecessárias. Contudo aquele lutador era do tipo estrelinha, e o público amava o risco. Aquilo não era engraçado. Se por acaso fosse mordido no pulso, não apenas se tornaria subordinado daquele imbecil, como ele levaria ‘de brinde’ toda sua manada. Respirou fundo. Por isso usava os braceletes.

“A questão é: Eu não vou tirar babaca. Nunca vou correr o risco de te morder e transformá-lo em membro da minha manada.”

Além disso, a estrelinha saltitante levara um bastão de beisebol – o que também não era contra as regras, já que não era cortante e nem arma de fogo.

“Mas é tão... Sem graça.”.

O homem estalou o pescoço e liberou seus feromônios.

“Ótimo. Pelo menos isso.” – Sangwoo sorriu internamente, ele era forte. Excelente. Não queria ninguém fraco. Não hoje.

O maior avançou em sua direção com o bastão em punho.

“É muito forte...” – pensou o alpha.

“Mas não o suficiente” – desviou da pancada no último instante, chutando o estômago desprotegido de Sook.

Resolveu provocar e liberou seus próprios feromônios, agitando o outro alpha, enquanto o mesmo estava sem ar. Contudo, mesmo naquela situação, o mais velho conseguiu desviar da cotovelada que Sangwoo mirava em seu pescoço.

“Filho da puta.” – pensava enquanto tentava um cruzado sem sucesso. Sook era maior, mas era rápido.

Com parte da cintura desprotegida, Sangwoo levou uma pancada diretamente abaixo do braço esquerdo, caindo no chão. Foi então chutado no estômago. Sook urrou para a plateia, que berrava animadamente. Eles queriam mais.

O homem golpeou as costas do menor, que girou se afastando e levantou. Aquilo estava doloroso, mas era melhor daquela forma. Sua mente finalmente não pensava em mais nada. Chutou o braço do maior e teve a perna segurada.

“Merda!”, o mais velho atirou-o de volta ao chão.

Sook gargalhou: — Pirralho, você não vai me vencer. – ergueu o bastão mirando a cabeça de Sangwoo.

“Eu vou morrer se ficar assim!” – pensou o alpha, sentindo a adrenalina tomar conta de seu corpo. Como um viciado que acabara de pôr a dose em dia, concentrou toda a sua força e chutou entre as pernas de Sook, acertando diretamente o saco.

Sook deixou o bastão cair, Sangwoo o recolheu, levantou meio arfante e sem hesitação, acertou a perna direita do maior com tanta força que a quebrou de tal forma que o osso saltou para fora e o sangue de espalhou pelo local.

“Olha... Não é tão sem graça assim.”.

O grito do homem foi abafado pela plateia, que enlouquecida gritava ‘KAILAN! KAILAN! KAILAN’.

“Sempre querem mais! Nunca estão satisfeitos!” pensou o rapaz, pisando na mão do homem e acertando o braço, quebrando-o.

Os gritos da multidão não cessaram, mas o alpha se afastou, dando oportunidade para o outro se arrastar pelo chão e desistir. E foi exatamente o que Sook fez, sob fortes vaias e gritos de ‘COVARDE! COVARDE!’, Sangwoo fitou aquela cena patética.

Com o sinal de desistência ressoando e o derrotado sendo retirado da gaiola. O locutor voltou.

E o vencedor é Kailan! Parabéns! Aplausos para nosso campeão! – gritos de ‘CAMPEÃO! CAMPEÃO!’ podiam ser ouvidos: Quem quer conhecer a acompanhante do vencedor? — berros com diversas frases aleatórias foram gritadas pela plateia: — Suba à gaiola Danbi! E mostre a todos seus charmes!

A moça que acompanhara Sangwoo anteriormente subiu na gaiola com uma grande champagne, estourando-a em seguida, molhando sem querer o rapaz, mas principalmente a si mesma, ficando totalmente encharcada e com a roupa ainda mais colada ao corpo. Ela dançava com a bebida enquanto uma música sexy tocava ao fundo.

“Vulgar.” pensou o alpha enquanto a plateia aplaudia alegremente.

Depois ela pegou a mão do rapaz, erguendo-a e andou com ele em todos os pontos da gaiola, mostrando aos espectadores seu campeão.

Sangwoo desceu da gaiola com a garota que o levou até uma sala, ali havia muita comida, bebida e não possuía câmera. O rapaz tirou a máscara, depois a mordaça, então pegou uma das cervejas e bebeu. É, foi uma boa noite – jogou a cabeça para trás. Havia, finalmente, esquecido tudo por alguns instantes. Respirou fundo. Comeu algumas coisas e bebeu um pouco mais enquanto esperava.

Sempre era assim. Aguardou assistindo as outras lutas que ocorreram logo após a dele. Em uma delas, um dos competidores saiu inconsciente e Sangwoo pensou que provavelmente estava morto, enquanto o outro ficou gravemente ferido. Em outra, um deles correu direto para o sinal do centro, quando obviamente sentiu os feromônios de seu adversário, provavelmente a diferença de força era muito grande – a plateia riu. Estava começando a cansar quando a porta finalmente abriu, um homem entrou com uma mala e a abriu diante de Sangwoo. Estava cheia de dinheiro.

— Deseja contar?

Sangwoo suspirou. Sabia que o dinheiro estava certo, eles nunca erravam o pagamento – nem para mais, nem para menos: — Não precisa. — colocou novamente sua máscara, levantou, pegou outra cerveja, a mala e saiu. Podia voltar para casa agora.

No momento em que entrou no carro, tirou a toca e a máscara, guardando na mochila. Kailan voltaria para a escuridão, pelo menos, enquanto não tornasse a se irritar ou precisasse de dinheiro novamente. Fechou o zíper da mochila, atirando-a para o banco de trás. Depois olhou a mala.

“E nem fiz por esse motivo dessa vez...” – colocou-a ao seu lado. Dirigiu para casa. Pensou em Bum, provavelmente o ômega já dormia.

O que deveria fazer? Agora que conseguia pensar claramente – apesar do álcool, se sentia em um beco sem saída. Talvez ao invés de romper o vínculo, deveria entregá-lo ao professor? Não. Não podia fazer isso.

Estacionou o carro.

Aceitou o garoto porque não queria ser visto como um covarde. Dá-lo ao professor seria o mesmo, não? Além disso, se o entregasse nesse estado, ele o morderia durante sua transição.

“Teria de dividi-lo e isso me tira do sério.”.

O alpha saiu, pegando a mala. Não tinha certeza se sua fúria vinha por causa da transição e suas mudanças biológicas, ou porque seu alpha interior era extremamente egoísta nesse quesito.

Entrou na casa, estranhando as luzes acesas e largando a mala ao lado da porta.

— Você está bem? – o ômega surgiu da sala, correndo em sua direção, parando somente a poucos centímetros dele. Parecia extremamente aflito.

— Estou ótimo. – respondeu o loiro, se afastando e estranhando a situação.

“O que deu nele?”.

Bum o fitou seriamente e então correu em direção ao banheiro.

“Ele ficou preocupado?”.

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O ômega voltou com um kit de primeiro socorros.

“Acho... Que sim?” – o alpha foi em direção à sala, sentando meio atirado no sofá.

— Eu já disse que estou bem. – disse com sinceridade. Apesar de seu corpo doer, já passou por coisas piores. Além de ter descansado enquanto esperava o dinheiro, mas suas palavras não deterem o menor.

Bum se aproximou aos poucos, tocou levemente a camisa de Sangwoo, retirando-a com cuidado. O alpha ficou calado, o pequeno ômega tremia. Ele realmente estava muito preocupado e fitava agoniado suas feridas.

Sangwoo respirou profundamente, o pequeno parecia tão frágil naquela situação – ele começara a tratar suas feridas.

Lembrou-se do que aconteceu naquele dia. Seungbae o tirou do sério, verdade, mas antes disso, o que tirara sua concentração... – ele fitou o menor de joelhos diante de si, tocando levemente seus lábios, lembrando-se do morango...

“Não deveria deixar qualquer um tirar fotos suas naquela situação...”.

O cheiro do pequeno ficou forte.

“Ah...” – sim, aquele cheiro o enlouquecia.

Bum fitou seus olhos, estava vermelho e abriu a boca levemente...

“Você realmente tira meu controle.”.

Sangwoo penetrou os dedos e sentiu a língua do pequeno lambê-lo começando a chupá-lo devagar. Suspirou, gemendo rouco e baixo, forçando mais os dedos dentro daquela boca úmida. Aquilo o excitava tanto... Não queria dedos ou morangos naquela boca.

Esquadrinhou o moreno, vendo-o estremecer com seu olhar. Percebeu a coleira, aquilo o irritava, mas ao mesmo tempo – tirou seus dedos, tocando-a e puxando-o para mais perto de si: — Você esqueceu de tirar. – sussurrou, deixando o menor ainda mais vermelho. O pequeno olhou para o lado, e com a mão trêmula puxou uma mochila.

“O que vai fazer...?”, pensou o alpha, vendo-o abri-la e retirar uma chave.

Ele não a ofereceu, contudo também não fez menção de tirar a coleira sozinho. Sangwoo tocou com calma seus dedos, dando a oportunidade do ômega afastá-lo se desejasse, mas não foi o que ocorreu. Como uma onda elétrica, o pequeno estremeceu totalmente, abrindo os dedos e permitindo que ele tomasse a chave. O alpha abriu a coleira, retirando-a lentamente, o ômega ofegava vermelho, sem parar de fitá-lo.

Sua mordida estava ali, novamente visível. Foi até o pescoço do pequeno, lambendo-a lentamente, todos seus sentidos dizendo que não queria mais que ele a escondesse. Beijou docemente, ouvindo um contido gemido como resposta: — Não quero que chupe os meus dedos... – sussurrou em seu ouvido.

O pequeno se afastou, se posicionando melhor entre as pernas do alpha. Baixando o rosto, mordeu o zíper da calça do alpha, abrindo-a e lambendo por cima da cueca.

“Depois não quer que eu o chame de pervertido...” – pensou rapidamente Sangwoo.

“Não que eu me importe em ele ser um.”.

Bum puxou a cueca do alpha, fitando seu membro.

— É... Realmente grande... – murmurou timidamente, começando a lambê-lo.

Sentir a boca quente do rapaz era delicioso. A técnica dele podia não ser a melhor, mas... Seu rosto enquanto o chupava, mostrando o quanto aquilo lhe causava prazer era enlouquecedor. Não conteve seus gemidos, vendo o pequeno estremecer ao ouvi-los. O ômega abriu a própria calça, tocando-se. Sangwoo pensou seriamente em virá-lo, queria saborear o líquido que descia por entre suas pernas, entretanto o ômega parecia tão concentrado e perdido em sua tarefa que não teve como interrompê-lo.

O moreno começou a massagear suavemente seu saco ao mesmo tempo em que colocava seu membro ainda mais profundamente dentro da boca. Sangwoo jogou a cabeça para trás, aquilo estava fazendo-o perder-se no prazer. Sentiu o ômega arranhar a parte interna de sua coxa e fitou-o nos olhos, gemendo mais alto.

Você é meu.” – agarrou o cabelo do ômega, forçando-o um pouco e aumentando a velocidade.

Bum gemeu, estremecendo e ficando totalmente a mercê de Sangwoo. O alpha arfou.

“Você realmente está gostando disso.”.

As estocadas ficaram mais rápidas, o moreno parecia cada vez mais excitado com a situação. O loiro sentiu que ia gozar, fazendo menção em afastá-lo, mas o ômega se prendeu as suas pernas, deixando-o ainda mais excitado. Gozou naquela boca, observando o pequeno engolir tudo e gozar.

“Você gostou tanto assim...?”- ele o fitava, ainda ofegando, a resposta involuntária do moreno foi lamber a pequena porção que caíra de seus lábios.

Sangwoo queria devorá-lo, fazê-lo perder o controle e torná-lo totalmente dele. Mordeu os lábios involuntariamente, vendo seu desejo recíproco por um breve instante, contudo algo pareceu se desfazer no ar. Bum levantou e recolheu a caixa de primeiros socorros, saindo. Talvez tenha cedido por alguns instantes, mas, ainda estava magoado.

O alpha apenas o observou, vendo-o ir ao banheiro e depois subir as escadas. Respirou fundo.

“Merda.” – botou ambas as mãos sobre o rosto.

Levantou, pegou a mala que estava na entrada, e foi para o quarto. Largou a mala dentro do armário – junto com outras, e pegou uma muda de roupa, indo tomar banho.

Inspirava e expirava profundamente, sentindo a água gelada em seu corpo. Fechou os olhos. Por que era tão difícil resistir? Por que não se continha? Por que o garoto de coleira o irritou tanto? Por que o pensamento dele não querer mostrar sua mordida, o enfureceu mais do que o pensamento de que aquilo poderia acabar com sua popularidade? Algo que demorara tempo e gastava muito dinheiro para manter. Algo que seu futuro dependia. Tudo era causado pela porra da transição? Encostou a cabeça nos azulejos do banheiro.

A transição o fazia desejá-lo daquela maneira? Era ela a responsável por querer vê-lo chorar? Gritar? Gemer? Querer vê-lo... – sentiu-se ainda mais excitando, começando a tocar-se lembrando do rapaz – Sujo e corrompido? Queria vê-lo daquela forma... Coberto por ele... – aumentou o ritmo, gozando na mão.

Não sabia como parar aquilo. Saiu do banho, vestindo-se e indo para o quarto.

Olhou o celular, mandando apenas três mensagens individuais.

Seung, vou faltar a primeira aula amanhã, faça anotações para mim.

Yangmi, se gosta tanto de Bum, venha buscá-lo amanhã de manhã. Não quero que ele vá de ônibus de novo.

Jieun, Bum é sua responsabilidade amanhã. Não me decepcione.

Caiu sobre a cama, deixando o cansaço assumir o controle e adormecendo.

Quarta

No dia seguinte acordou assustado, seu corpo inteiro doía violentamente, sentia-se aterrorizado – apesar de ao mesmo tempo saber que aquele sentimento não pertencia a ele. Levantou. Confuso, fechou os olhos. Os membros de sua manada lutavam. Algo definitivamente ocorrera. Saiu correndo, vestindo-se no caminho até o carro.

Notas finais
Kailan é uma singela homenagem a outra fanfic de Killing Stalking, chamada Acting Loving. Nela, Kailan é um ator que faz o papel de Sangwoo. Tenho autorização da autora para a homenagem ^-^. Obrigada a todos que leram ♥