Bum ouviu vagamente o alarme do celular tocar. Não queria acordar – pressionou mais a cabeça contra o travesseiro. Sentia que mal dormira, mas não tinha escolha – abriu os olhos e desligou o alarme. Bocejou. Estava cansado, contudo levantou. Pegou uma muda de roupa e desceu, roubou uma camisa do alpha da lavanderia e foi tomar um banho – lembrou-se da noite anterior, ficando vermelho.

"Ele me confunde demais..." – refletiu.

Em um momento o alpha é atencioso, carinhoso e parece desejá-lo. Em outro, é rude, frio e diz querer quebrar o vínculo. Não o entendia.

O moreno fechou os olhos debaixo da água.

"Mas também não fui sincero...".

Em nenhum momento expressara que gostava dele, além de tê-lo, tecnicamente, rejeitado junto com toda a manada – tocou suavemente o pescoço. Na noite anterior, a forma como o alpha tirara a sua coleira... Não foi apenas obsceno, foi possessivo.

"Eu acho que ele não gosta que eu a use...".

Normalmente ômegas se orgulhavam e deixavam a cicatriz da mordida visível, mas, se tudo que o alpha queria era desfazê-la, do que exatamente Bum deveria se orgulhar?

"Orgulhar-me de algo superficial e que não gerará nada?".

Aquela cicatriz lhe enchia de felicidade e tristeza, mas não orgulho.

O rapaz respirou fundo, lavando os cabelos. Além disso, o que acontecera no dia anterior?

"Por que tinha sangue nas roupas dele? Ele não parecia cortado, mas..." – seu coração doía.

Como ele se ferira? Por quê? Deveria perguntar ou ignorar? Se perguntasse, ele seria gentil ou grosseiro? Suspirou, saindo do banho.

Vestiu-se rapidamente e preparou o café. Após comer e deixar uma porção para Sangwoo, percebeu que ele não acordara, deveria bater na porta? A campainha tocou. Estranhou, mas foi até a porta observando pelo olho mágico.

"Yangmi?" – abriu-a.

A garota vestia uma camisa de manga longa, mas com o corte mais largo em cima, deixando um de seus ombros destapados, de estampa uma frase que iniciava no preto e ficava vermelha no fim 'All About Lust'. Dessa vez estava de calça jeans rasgadas e tênis.

— Oi! – disse animada, entrando na casa: — O senhor dorminhoco não vai poder hoje, mas pediu para que eu te levasse até a universidade. Que bom que você ainda está em casa! – ela foi até a frente da porta do alpha, liberando os próprios feromônios: — Isso vai deixá-lo tão puto. Mas é merecido! Se você gosta do Bum, vem buscá-lo — imitou o tom de voz e a maneira de falar do alpha: — Sem nem um horário! Nada! Tenho bola de cristal agora? – pareceu estar em uma discussão com um Sangwoo invisível: — O básico! Só o básico de informação basta! Seu besta! – riu. Voltou-se para Bum: — Está pronto?

O garoto piscou algumas vezes: — Ele pediu? – estava surpreso.

Yangmi sorriu: — Sim! Ele não queria que você fosse de ônibus de novo. – olhou para a sala: — Pelo visto vocês fizeram as pazes. – o sorriso aumentou.

Bum ficou confuso a princípio, mas assim que sentiu o cheiro do local, seu rosto avermelhou-se: — Mais... Ou menos... – murmurou o pequeno.

Onde estava a pá para cavar um buraco? Queria se esconder. Ela sabia o que tinham feito. Estava tão cansado na noite anterior que nem lhe passou pela cabeça limpar, e agora pela manhã, simplesmente passou batido.

— Não precisa ficar tímido! – ela o abraçou: — Está tudo bem, não? – o rapaz desviou o olhar: — Ok. Talvez não tão bem... – afastou-se um pouco, analisando-o: — Aconteceu alguma coisa?

— Eu não sei... Ele chegou com a roupa toda – parou de falar, não deveria sair fofocando, mas estava evidentemente preocupado.

Yangmi fitou a sala, vendo a camisa do alpha ainda atirada no chão: — Entendi. – murmurou: — Ele deve ter lutado. – ela revirou os olhos: — Típico dele, quando fica com muita raiva, acaba se enfurnando nesses locais.

— Lutado... – Bum piscou, mas depois seus olhos se arregalaram: — As ilegais?

— Essas mesmas. – a garota concordou com a cabeça: — Olha, estou te contando porque você é o par dele. Mas, se formos pôr na ponta do lápis, só eu e o Seung sabemos o que ele faz para conseguir dinheiro.

— Mas isso é muito perigoso! – Bum se apavorou. Sangwoo queria ser médico-cirurgião, e se quebrassem a mão dele? Ou... Em caso extremo, se ele morresse? Seu coração disparou, não queria isso.

— Eu sei! Mas ele é a teimosia em pessoa, se um dia você tiver mais sorte que eu, prometo te dar um prêmio! – ela pôs a mão na cintura: — Enfim, não vamos nos atrasar?

Bum fitou o relógio, Yangmi tinha razão, ele observou a porta do alpha: — Ok. – disse pegando a mochila e saindo depois da garota.

Yangmi possuía um Citroën DS3 vermelho. Bum fitou o carro calmamente, parecia refletir algo e a garota riu.

— Surpreso por não ser uma Ferrari como a da Yura ou um Rolls-Royce como o do Jihoon?

O ômega ficou vermelho, estava realmente pensando que era diferente dos outros, contudo, não pensou que deixara isso evidente: — Eu... Não entendo dessas coisas... – baixou o olhar.

— Está tudo bem Bum! Não precisa ficar assim, gracinha! – ela abriu a porta do carro para ele e depois entrou: — Não ligo para carros, comprei o que achei mais confortável, mas a Yura ama velocidade e o Jihoon luxo, então, digamos que eles são extravagantes nesse quesito? – sorriu para o rapaz, deixando-o mais confortável e dando a partida: — Além de não ser tão rica quanto eles. – a garota pareceu refletir: — Yura, Jihoon e Jieun, nessa ordem, são os mais afortunados, digamos assim, da manada. Jieun nem tanto, mas ela está mais no caminho deles, do que no meu. E todos eles entraram meio "por acaso".

— Como assim? – perguntou Bum, genuinamente curioso e feliz por ela dirigir em uma velocidade normal.

— Bom, a Yura entrou por causa do Taehyun, não me pergunta o motivo... Nunca vou entender o relacionamento deles... – ela dobrou em uma esquina: — O Jihoon era apaixonado pelo Sangwoo – fitou o garoto, meio que tentando ler sua reação com a informação. Bum procurou disfarçar a surpresa, e Yangmi continuou: — Mas ele superou rápido. Acabou ficando, pois considera o Sangwoo um bom líder. Já Jieun – ela fez uma cara de nojo: — Entrou porque queria se livrar do primo, e no fim, se apaixonou. – revirou os olhos: — Gostaria que Sangwoo desse um corte nela, eu sei que ele não quer nada... – suspirou. Yangmi deu uma pausa e então disse: — Bum, você pode pegar minha bolsa no banco de trás?

— Hm? Claro. – ele virou-se para trás, pegando-a.

— Ok. Pode abrir? Eu tenho um presente para você. – ela sorriu.

O ômega atendeu ao pedido, dentro da bolsa havia diversas coisas. Nécessaire, escova para cabelo, um mangá chamado Kuroneko Kareshi no Asobikata, um pacote de salgadinho fechado, um pacote de biscoitos fechado, algumas balas aleatórias, carteira e uma caixa de tamanho médio.

— A caixa é para você! — a garota apontou de modo vago para o rapaz, não tirando os olhos da estrada.

Bum abriu a caixa, dando de cara com uma pequena máquina de choque e um spray.

— Eu comprei isso depois da festa, ia te dar ontem... Contudo como aconteceu aquilo na lanchonete, não consegui. Sei que faltam poucos dias para terminar sua transição, mas como é par do Sangwoo e ele consegue fazer tantos amigos quanto inimigos, melhor prevenir, né? – ela sorriu enquanto Bum fitava os acessórios.

— Está tudo bem usar isso? – perguntou.

— Como você é um ômega, sim. Mas somente contra alphas. Funciona assim, o spray você deve lançar no ar, caso algum alpha corra atrás de você. O cheiro nos confunde, dando tempo de você fugir. Já a máquina tem dois botões, está vendo? Um preto e outro vermelho...

Bum procurou os botões: — Sim...

— Bom, se algum alpha se aproximar tentando te machucar, você primeiro aperta o botão vermelho, para ela ligar, e depois pressiona o preto. Encosta a máquina nele, ele vai atordoar e cair, você pode fugir...

— Entendi... Acho... – murmurou o rapaz, sentindo seu celular vibrar. Ele o pegou, lendo a mensagem.

Lee Myung-Hee

Podemos nos encontrar assim que chegar?

Algo aconteceu ontem, depois que você saiu, e queria conversar.

Você vai descer na parada de ônibus?

Ah! Trouxe outra coleira para você, essa é um pouco menor, mas chama a atenção por causa da cor...

Nunca acho pequena e preta...

Ele pôs a mão no pescoço, realmente esquecera-se de pôr a coleira hoje, mas, ao lembrar-se de Sangwoo retirando-a daquela forma, corou. Contudo, devido a possessividade demonstrada pelo alpha a sua marca, pensava seriamente que talvez pudesse ficar sem... O rapaz piscou algumas vezes, respondendo em seguida.

Claro, mas... Acho que vou descer no estacionamento.

A Yangmi está me dando carona

Lee Myung-Hee

Certo! Estarei te esperando lá.

"Algo aconteceu na lanchonete...?" – fitou Yangmi, ela também estava lá... Mas não parecia querer dizer nada a respeito.

"O que será?" – pensou seriamente. Ele colocou o aparelho de choque no bolso da jaqueta e o spray no da calça.

— Chegamos. – anunciou a garota, estacionando o carro.

— Obrigado pela carona. – respondeu o rapaz, descendo.

Avistou Myung-Hee em seguida, percebendo que ao lado dela estavam Min Jieun e Ah Young. A garota parecia um pouco desconcertada ao lado das duas.

— De nada, gracinha. – Yangmi desceu do carro, avistando a mesma cena do rapaz: — Eh? A dupla dinâmica já está aqui? – ela seguiu Bum.

O ômega andou até a amiga: — Oi... – disse fitando de canto as duas outras garotas.

— O que estão fazendo aqui? – Yangmi não parecia muito afim de confraternizações.

— Grossa. – respondeu Ah Young, cruzando os braços: — Bom dia para você também. – disse ironicamente: — Não é como se eu quisesse estar aqui, amor, só tenho que.

— Nós vamos cuidar dele, foi o combinado com Sangwoo. – Jieun respondeu calmamente enquanto ajeitava o casaco.

— Vocês não conseguiriam nem cuidar de si mesmas... – Yangmi parecia querer socar Young.

— Sério que você vai querer discutir a essa hora da manhã? – Jieun fitou a morena: — Foi o Sangwoo quem mandou, então, que tal brigar com ele. Para variar um pouco. – ela voltou-se para o rapaz: — Bom dia, Yoon Bum. – disse calmamente.

—... Bom dia. – o garoto murmurou.

— Melhor irmos para a aula. – Myung-Hee falou baixo, puxando levemente a roupa de Bum e tentando salvá-lo daquela situação.

Repentinamente, as três alphas ficaram em alerta.

— Mas quê...? – Jieun olhou para trás, parecendo extremamente irritada.

Um grupo se aproximava. Eles usavam máscaras de animais, deveria ser em torno de sete pessoas, o mais alto gritou: — O garoto é Yoon Bum? Certo? – o moreno sentiu seu corpo gelar.

— Não é da porra da sua conta! – gritou Yangmi, ela fitou Jieun de canto: — Corre e os leva o mais rápido possível pra longe daqui. Tenta uma enfermaria ômega, qualquer coisa. – disse mais baixo.

— Você tá maluca? – Jieun ficou tensa: — Não tem como você lutar com todos eles!

— Eu sei disso, mas eles não querem a mim Jieun! Vou tentar atrasá-los! Anda!

— Se vocês o entregarem, podem ir embora. – voltou a gritar o homem com máscara de tigre.

Yangmi deu uma risada irônica: — Vai sonhando! – ela apontou o dedo médio.

— A enfermaria já era... – murmurou Young, parecendo um misto de choque e confusão: — Olhem. – ela apontou com a cabeça em direção do local, dois homens, também mascarados, estavam no caminho.

— Merda! – Yangmi pegou o smartphone e digitou o mais rapidamente possível. Ela tremia.

Bum começou a sentir-se enjoado, enquanto Myung-Hee começava a respirar com dificuldade. Aquelas pessoas começaram a enviar feromônios de excitação.

"Não...!" – ele olhou para a amiga, a baixinha o segurou com força. Ao seu lado, Jieun deu um leve giro sob os saltos, pegando a mão do rapaz em seguida e puxando-o em direção ao grande ginásio da universidade, começando a correr.

O homem com máscara de tigre pareceu entediado, fez um gesto com a cabeça e todos correram na direção deles.

— Espera...! – começou Bum, não queria deixar Yangmi para trás.

— Esquece! Vai ter que ser um batalhão inteiro para machucar aquela doida. – Young disse com convicção, mas não deixou de olhar para trás. A morena estava em pé e em posição de luta.

Os quatro corriam o máximo que podiam. Bum sentia seu coração disparado, lembrou-se de quando foi mordido por Sangwoo, fora a única vez que correra tanto quanto aquele momento. O enjoo aumentava cada vez mais, e começou a sentir o cheiro de Myung-Hee se espalhar pelo ar, como que marcando o caminho que traçaram. Sabia que a baixinha não fazia de propósito, mas se o objetivo era se esconder, não conseguiriam.

Young parou: — Não consigo Jieun! – ela colocou as mãos sobre os joelhos: — O cheiro dela... Eu não estou aguentando. – a garota ofegava e fitava Myung-Hee com desejo: — Não dá...

Jieun cobria o rosto com a mão: — Eu sei! – voltou-se para Bum, começando a falar muito rápido: — Tem um depósito, onde guardam o equipamento esportivo, ao lado do ginásio. Corre pra lá com ela, anda! A gente vai tentar atrasá-los também! Vai! – ela empurrou o ômega.

— A gente vai? – riu sem achar graça Young. Obviamente as duas não eram tão fortes quanto o resto da manada.

— A gente vai tentar. – confirmou Jieun, tirando os sapatos – que tiveram os saltos quebrados durante a corrida: — Ninguém vai poder me chamar de incompetente dessa vez.

Bum botou o braço da amiga ao redor do pescoço. A garota estava trêmula e respirava com dificuldade. Ele a carregava o mais rápido possível na direção indicada por Jieun.

— Você... Tem... Que me deixar... – murmurou Myung-Hee: — Ou... Vão... Achar você...

— Eu não vou fazer isso. – ele tentava ir mais rápido.

— Não... É... Como se... – ela estremeceu, e Bum sentiu o enjoo atingi-lo com mais força. Aqueles alphas estavam próximos: — Fosse a primeira vez... Que algo... Assim acontece...

O ômega mirou a garota. Sabia de todas as dificuldades que Myung-Hee possuía em se controlar, contudo, ela raramente falava sobre o assunto. Claro que já imaginava o que ocorrera, mas, era a primeira vez que a via mencionando aquilo daquela forma.

Ele corria com dificuldade, quando algo caiu de seu bolso.

"A máquina de choque" — juntou do chão.

Lembrando-se então do spray.

"Como eu não pensei nisso antes?" – pôs a mão no bolso, tirando e apertando-o. Não sabia se funcionaria por causa dos feromônios da garota, mas tentar não o mataria.

— Não vou deixá-los tocar em você. – ele finalmente avistou o depósito, arrastando a baixinha para lá.

Ao chegar, colocou-a no chão, sobre alguns colchonetes e fechou a porta. Começou a empurrar diversos carrinhos cheios de bolas, alguns cones e cadeiras para a entrada. Teriam dificuldade para invadir.

— Bum... – murmurou a garota: — Minha... Mochila... – apontou para as costas: — Tem... A coleira... Pra você... – ela colocou a mão no peito começando a arfar.

Como ela podia pensar nele nessa situação? Foi até a mochila, abrindo-a, havia muitas coisas dentro, os livros de estudo, um estojo, uma necessaire, uma carteira, uma muda de roupa – ela sempre tinha uma, para caso entrasse no cio repentinamente – e a coleira.

Tirou-a. Diferente do dia anterior, esta era vermelha e ele não queria realmente pôr, mas, entre ser estuprado ou mordido, preferia a primeira opção.

"Eu só quero a mordida do Sangwoo em mim." – pensou ao fechá-la no pescoço. Colocando a chave na própria mochila.

O tempo passava, Bum encontrava-se cada vez mais aterrorizado, Myung-Hee gemia e se contorcia, seu cheiro ficando cada vez mais forte. Eles conseguiram faze-la perder o controle. Ouviram batidas furiosas na porta. A garota engoliu um soluço do choro que tentava evitar e o garoto respirou fundo, sentia-se pequeno, tremia muito e estava apavorado, mas não ia desistir. Pegou a máquina de choque, apertando o botão vermelho.

A porta escancarou. Um dos carrinhos virou, fazendo as bolas se espalharem pelo local. O homem com a máscara de tigre e outro com uma de macaco entraram no local.

O homem com máscara de macaco correu direto em direção a Myung-Hee, mas Bum se pôs na frente. O alpha tentou empurrá-lo, contudo o menor tocou-o com a máquina, eletrocutando-o. Ele tremeu e caiu. O ômega sentia seu coração acelerado. Virou-se para o homem com máscara de tigre, em posição de defesa, entretanto ele conseguiu segurar seu braço e apertar seu pulso com tanta força, que o fez derrubar o objeto.

— Muito esperto. – disse seriamente: — De coleira? Realmente, seu dono não liga, hm?... – Bum o fitou por alguns instantes. Ele estava muito calmo e não o deixava enjoado.

— Você é um beta. – murmurou.

— Só agora percebeu? – o rapaz soltou uma risada.

Bum viu alguém entrar, usava uma máscara de porco e foi direto para a garota, começando a beijá-la e tocá-la. O ômega tentou soltar-se, mas o beta apenas socou seu estômago, fazendo-o cair de joelhos no chão: — Deixe os dois se divertirem. – ele falava ironicamente, forçando o moreno a virar o rosto para encarar a amiga: — Parecem animais, não?

O homem com máscara de porco rasgava agressivamente as roupas da garota, enquanto a mesma gemia. As lágrimas começaram a surgir, não queria vê-la passando por aquilo. Os olhos de Myung-Hee eram vagos e sem vida, ela se movia luxuriosamente, mas parecia apenas uma boneca quebrada.

— Bom, o que fazer com você? – o homem com máscara de tigre o forçou a encará-lo: — Não estou a fim de comê-lo, e como não vai dar pra deixar ninguém te morder, porque todos que entrarem aqui vão querer meter nessa garota e você tá com a porra de uma coleira. Só me resta uma alternativa. – ele colocou as mãos no pescoço de Bum, começando a fazer pressão: — Acho que é um adeus.

Bum tentou empurrá-lo, usava toda a sua energia para tentar afastá-lo, entretanto ele era muito forte. Ele o obrigou a deitar no chão, ficando por cima enquanto o estrangulava. A dor em seu pescoço aumentava na medida em que lhe faltava ar. Iria morrer? A imagem de Sangwoo veio a sua mente, nunca dissera que o amava. Queria ter dito. Queria ter tentado. Sangwoo dissera que queria quebrar o vínculo, mas, ele não fez nada para mudar isso... – lágrimas se formaram em seus olhos. A falta de ar o estava entontecendo.

"Eu nem tentei..." a imagem do alpha parecia se afastar aos poucos, seu coração apertava no peito – os soluços apenas o sufocavam presos em sua garganta.

Talvez se tivesse dito como ele o fazia se sentir... Morreria arrependido do que não fez. Tudo começou a escurecer. O vínculo diminuía lentamente, como uma contagem regressiva para sua morte. Entretanto, algo lhe fez se sentir tranquilo...

"Eles... Estão aqui." – sorriu.

O homem com máscara de tigre estranhou o sorriso, mas não a tempo de se defender da cadeirada que o jogou contra uma das paredes.

Bum sentiu o ar voltar em uma golfada, tossiu muito, tocando o pescoço e imediatamente olhou para o lado. Taehyun socava o homem com máscara de porco, enquanto um loiro colocava um casaco sobre Myung-Hee, cobrindo os feromônios dela com os dele.

— Você está bem mascote? – Yura fitava-o séria e preocupada enquanto colocava a cadeira no chão. Estava totalmente bagunçada, mas continuava linda, deveria ser algum dom especial: — Chung-Ho, não é melhor sair? Vai acabar perdendo o controle. – disse a garota, fitando o loiro.

— Estou bem. – murmurou o garoto, levantando: -Mas, ok. – ele sacudiu a cabeça, fechou os punhos, mantendo-se controlado. Deu um soco na cabeça do homem com máscara de macaco que começara a recobrar os sentidos, fazendo-o cair inconsciente novamente e saiu.

Yura caminhou lentamente até o homem com máscara de tigre e o chutou: — Quem contratou vocês? — o homem apenas ergueu as mãos, em um gesto de rendição que irritou a loira. Sem hesitar, ela começou a pisar no saco dele: — Não brinca com a sorte, não sou uma pessoa com muita paciência. – ele gritou de dor.

— Ai! – Taehyun gemeu em dor solidariamente: — Você a irritou. – o ruivo balançou a cabeça negativamente, como se avisasse que aquilo fora um grande erro: — Melhor falar logo, ela tá de salto, e acredite, essa coisa pode ser extremamente cortante. – ele se aproximou de Myung-Hee, pegando-a no colo junto com sua mochila: — Vou correndo levá-la enquanto o casaco do Chung-Ho funciona, ou não aguentarei também. – ele saiu.

Yura apenas concordou com a cabeça, enquanto ainda fitava o homem a sua frente. Seu olhar era capaz de congelar o inferno, ela não estava ali para brincadeiras ou enrolações: — Anda. – pisou mais forte.

— O nome dele é Taeyang. Ele disse que era para quebrar esse ômega, é tudo! Por favor! – ele tremia de dor.

A garota tirou o smartphone do bolso, digitando rapidamente, deu uma joelhada na cara do homem e depois saiu de perto do infeliz. Colocou o telefone no bolso da calça e foi ajudar Bum, estendendo a mão: — Vou levar você para a enfermaria. — o ômega pegou sua mochila caída e segurou a mão da garota, levantando. Tentou falar, mas sua garganta doeu, então apenas afirmou com a cabeça.

Quando saíram, Chung-Ho os esperava: — Vou ficar até os seguranças chegarem. – comunicou a Yura: — Sangwoo vai querer esses filhos da puta na cadeia. — ele fitou o ômega: — Ou mortos. – se corrigiu, parecendo refletir.

Yura concordou: — Só não deixa fugirem.

Eles seguiram calmamente até a enfermaria. A loira o observava e parecia não saber como agir naquele tipo de situação: — Desculpe. – disse por fim. Bum a fitou, chocado: — Demoramos e sua amiga se machucou... – ela passou a mão nervosamente no cabelo.

O ômega negou com a cabeça, eles os salvaram. Parou, forçando a voz a sair: — Yang... Mi...? – disse em um sussurro.

A loira colocou a mão nos cabelos negros do pequeno: — Não força. Ela tá machucada, mas vai ficar bem... O mesmo vale para Jieun e Young, não se preocupe com isso, está bem?

Bum concordou. Eles avistaram Taehyun que aguardava em frente à enfermaria. O ômega correu, cumprimentando-o com a cabeça ao passar e entrando no local.

Koong Nari o fitou surpresa: — Yoon Bum? Você está bem? – ela olhou para as marcas no pescoço do garoto: — Céus, também foi atacado? – a mulher o fez sentar e começou a tratá-lo.

O ômega fitava tudo ao redor, procurando Myung-Hee. A mochila da garota estava aberta sob uma das camas, e prestando atenção, ele podia ouvir o chuveiro. – a enfermeira o fez abrir a boca para examiná-lo.

Não sabia como iria encarar a garota quando ela saísse do banho, ainda estava viva em sua lembrança o que acontecera, e ela só sofrera dessa vez por ser amiga dele. Baixou o olhar. A ômega era sua melhor amiga, ele a amava como uma irmã. Queria dizer que sentia muito, mas como fazer isso sem magoá-la ou parecer julgá-la? Nari entregou uma pastilha para o rapaz.

— Você deve chupar isso com calma, e falar só o necessário, ok? — Bum concordou.

Myung-Hee saiu do banheiro vestida, secava os cabelos e quando o ômega a fitou, sorriu. Ele imediatamente levantou e a abraçou, sussurrando com dificuldade em seu ouvido: — Não... Sorri...

A garota arregalou um pouco os olhos e encostou a cabeça em seu peito. Ficou um momento em silêncio e suspirou: — Odeio ser ômega. – murmurou: — Odeio ser o tipo mais patético e incontrolável de ômega. — ele a abraçou mais forte e sentiu os ombros dela sacudirem de leve, enquanto ela chorava baixo.

Ficaram algum tempo desse jeito, até a garota empurrá-lo: — Tá, já chega. – ela passou a mão no rosto, secando as lágrimas: — Vou lá fora agradecê-los.

A enfermeira Koong os parou antes de saírem: — Myung-Hee, seus exames devem ficar prontos ainda essa semana. Se ele realmente foi capturado e você tem testemunhas que provam que ele lançou feromônios de excitamento, você pode denunciá-lo tranquilamente.

A garota sorriu concordando. Pela primeira vez na vida ela tinha tudo que era necessário. Finalmente alguma justiça. Segurou a mão de Bum e saiu da enfermaria.

Contudo, quando saíram, nenhum membro da manada estava por perto, e muitos alunos corriam para o mesmo lado entre múrmuros e falatórios. Os dois se fitaram e então seguiram estes alunos, e quanto mais se aproximavam, mais gritaria.

Estavam do lado de fora da universidade e havia uma pequena multidão formada, todos faziam gestos com as mãos e apontavam na mesma direção. Após arranjarem uma pequena fresta entre duas garotas no meio daquele aglomerado de pessoas, finalmente avistaram o que acontecia e causava aquele tumulto.

Sangwoo lutava contra Taeyang e ambas as manadas formavam um círculo feroz ao redor, impedindo qualquer um de se aproximar. Era uma disputa de líderes e ninguém podia se envolver. Alguns professores até ajudavam impossibilitando os alunos de se aproximarem demais dos membros, afinal, fora da universidade, aquele tipo de disputa era permitida.

Bum notou que todos os membros da manada de Sangwoo, sem exceção, estavam feridos. Yangmi parecia ter sido atropelada, e mesmo assim, não soava nem um pouco menos ameaçadora que os outros.

Sangwoo sangrava e Bum não conseguia parar de pensar que ele já lutara no dia anterior e que faltara a aula exatamente porque, provavelmente, não se sentia muito bem.

"Lutar de novo é loucura" o rapaz correu em direção ao alpha, sendo parado por Seung.

— Você não vai conseguir impedi-lo. – o rapaz disse sério. Estava com um corte profundo no lábio inferior e sujo. Bum não deixou de reparar que apesar do olhar gélido, o garoto usou um tom calmo para se dirigir a ele. Afastou-se, aflito e inconformado, observando a luta.

Naquele momento, apesar da camisa ensanguentada e do evidente desgaste físico, Sangwoo estava por cima de Taeyang, forçando-o a se subjugar. O moreno lutava de joelhos, tentando soltar-se e não encostando a cabeça no chão, mas o loiro era mais forte e o forçava para baixo.

Bum nunca vira um alpha ser subjugado a força antes, sabia que todo o tronco, pernas, braços e cabeça, deveriam encostar-se ao chão. Era a posição mais vergonhosa e humilhante para um alpha. Um líder posto daquela forma, não apenas perdia o respeito de sua manada, como de todos ao seu redor. O ômega sempre estranhou como aquilo realmente marcava um líder, sabia de casos onde preferiam morrer, a ficar naquela posição. Nunca entendeu o porquê até aquele dia.

Como se o sentisse próximo, Sangwoo o fitou nos olhos e depois seu pescoço. Tudo pareceu escurecer e o ômega sentiu um ódio consumi-lo. Contudo, aquele ódio não o pertencia. Era algo estranho e fascinante ao mesmo tempo, pela primeira vez estava conectado diretamente ao alpha. Sangwoo estava com ódio, muito ódio.

"E é por minha causa.".

O loiro pareceu sussurrar algo no ouvido de Taeyang, que resistiu ainda mais, contudo cada vez que o moreno tentava erguer o rosto do asfalto, o alpha pisava com força, fazendo-o bater a cabeça diversas vezes. A vitória de Sangwoo era visível, mas não parecia satisfazê-lo. Ele já estava com o pé na cabeça do moreno e cada um de seus pulsos presos firmemente em suas mãos. Olhava do alto, parecendo enojado com o verme em seus pés.

— Eu ia te matar, porque morrer é mais honroso e você é primo da Jieun, mas, depois de hoje... Você vai ser o brinquedo da minha manada. — as unhas de Sangwoo pareceram crescer um pouco, tornando-se pontiagudas e penetraram com força os pulsos do rapaz subjugado: — Junto com todos aqueles que você mantém um vínculo, claro. – o rapaz gritou de dor.

Bum colocou as mãos na boca, sabia que morder o pulso tornava alguém pertencente à manada, entretanto cravar as unhas não. Elas não transmitiam feromônios suficientes para formar um vínculo profundo, contudo, elas deixavam o suficiente para mostrar a todos a quem aquele alpha pertencia.

Dizia-se que há muito tempo, grandes sultões, cansados de tantos ômegas a sua disposição, marcavam seus prostitutos alphas daquela maneira. Eles eram comumente chamados de fahise. Isso se alastrou e atualmente, ser um fahise era pior do que ser um ômega, porque você não pertencia ao líder alpha como membro da manada, mas ainda tinha que obedecê-lo caso lhe ordenasse algo em tom alpha.

Qualquer alpha minimamente orgulhoso preferia a morte. A humilhação era tanta, que se tornou proibido o ato em lutas ilegais, pois as unhas foram classificadas como 'objetos cortantes' quando transformadas daquela maneira. Também era notório que aquilo só podia ocorrer entre alphas. Bum então percebeu que a posição de subjugação, tão odiada pelos alphas, era perfeita para impedir qualquer resistência durante o processo.

"Então... É por isso...".

O ômega sentiu algo estranho, algo que lhe era transmitido não só por Sangwoo, mas pela manada inteira. Superioridade. Aquele alpha no chão, não significava absolutamente nada. Ele e a poeira do ar eram o mesmo. Nunca se sentira daquela forma. Olhou ao redor e percebeu que os membros da manada de Taeyang se ajoelharem diante da manada de Sangwoo, abaixando as cabeças, como se suplicassem por algo, contudo eles os ignoraram.

— Yangmi. – o alpha disse em tom grave e a garota animou-se, indo em direção ao líder.

— Sempre quis fazer isso. – falou sorrindo. Ela segurou o braço direito do alpha caído: — Isso vai ser divertido. – murmurou fitando os olhos do moreno no chão enquanto deixava suas unhas crescerem: — Quero que todo mundo saiba que posso mandar você ser a putinha de qualquer um, e acredite, eu já tenho uma lista. — perfurou o pulso do rapaz com um sorriso.

Sangwoo pareceu refletir por um momento: — Jieun. – disse enfim.

Bum nunca vira a alpha daquela forma, ela estava machucada, arranhada, com parte da roupa rasgada, o cabelo desarrumado, mas com o maior sorriso do planeta. Andou com dificuldade até o líder: — Obrigado Sangwoo. – pegou o pulso esquerdo do rapaz caído, se abaixou e seu sorriso ficou estranhamente diabólico enquanto fitava os olhos do primo: — Quem tem que obedecer quem agora. – arranhou com força o braço dele enquanto a unha crescia, cravando em seguida no seu pulso.

Sangwoo finalmente o largou, respirando com um pouco de esforço. Parecia exausto. Andou lentamente até o ômega, abraçando-o com força.

— Foda-se. – disse em um sussurro: — Vou prender você em casa até a merda da transição terminar. – o segurou mais forte trêmulo: — Quando finalmente acabar, vou saber exatamente onde você está e se está bem.

Bum corou violentamente, enquanto Sangwoo literalmente desmoronou. O ômega pensou que cairia devido ao peso do alpha, mas sentiu alguém apoiá-lo por trás.

— Acho que nosso líder não aguenta mais que isso... – Dongyu sorria enquanto segurava-o. Pegou um dos braços de Sangwoo e colocou-o ao redor do pescoço.

— Eu preciso do maior sanduíche do planeta. – Yangmi disse enquanto se aproximava.

— Opa, tô dentro. Acho que com a manada inteira, vai ficar bem grande. – respondeu Taehyun, levando um soco no estômago de Yura: — Sério? – disse arfando pela falta de ar que o soco lhe causara.

— Você praticamente implorou por isso. — respondeu a loira dando de ombros.

— Não acredito que a única coisa que consegue pensar é em comida. – Young olhava para Yangmi incrédula.

— No que mais pensar depois de uma luta dessas? – questionou a morena.

— Banho? – Jieun se meteu na conversa, mas não parecia querer provocar, apenas sorria.

— Roupas? – Jihoon se envolveu, parecendo indignado: — Olha o estado da minha camisa Lanvin! – Bum fitou o rapaz, que realmente, estava deploravelmente bagunçado, diferente de Yura, ele não tinha o dom da beleza para essas situações: — Meu Rolex quebrou. – mostrava o pulso apontando o objeto inutilizado pela batalha.

— Tratamento médico? — Chung-Ho se aproximou, estava com a mão na barriga e Bum teve a impressão de que em um estado pior do que quando o vira no depósito.

— Estudos? – todos olharam Seung, chocados: — O quê? Tenho prova amanhã e toda essa zona estragou meu cronograma.

— Sério? – Yangmi revirou os olhos.

— Eu concordo com Chung-Ho. – Sangwoo disse apoiando-se melhor em Dongyu: — Todos para a enfermaria. – ele fitou o ômega: — Você vem junto.

Bum corou mais e viu Myung-Hee na multidão, ela sorria e fazia sinal de 'Vai, vai!' pra ele. Não queria deixar a amiga para trás.

Yura, notando a situação, caminhou até a baixinha e a puxou, para que ela os acompanhasse: — Você é amiga do Bum, portanto, também vem junto. – Myung-Hee ficou vermelha e acompanhou a loira.

Todos caminharam para a enfermaria, deixando Taeyang e sua manada. Bum olhou por um momento para trás e viu que o alpha ainda não levantara. Alguns de seus membros simplesmente foram embora, enquanto apenas dois ficaram e tentavam ajudá-lo.

O ômega olhou ao redor, se Sangwoo um dia perdesse, será que algum membro de sua manada o abandonaria? Sacudiu a cabeça, não queria pensar nisso. Voltou de seu transe ao ouvir a voz de Myung-Hee.

— Por que só dois de vocês, além do Sangwoo, o arranharam? – ela perguntava curiosa a Yura, mas foi Seung quem respondeu.

— Hm, funciona como quando mordemos alguém... Apesar das unhas transmitirem uma quantidade menor de feromônios, mais de três é problemático. Soube de um alpha que foi arranhado por mais de três e morreu, enquanto outro aguentou até seis... Acho que Sangwoo não quis arriscar matar ele, não era o objetivo. Seria muito fácil.

— Fácil? – Myung-Hee ficou surpresa.

— Sim. – o rapaz continuou: — Se ele o matasse, teria terminado ali. Agora ele é obrigado a obedecer não só o Sangwoo, quanto a Yangmi e a Jieun. Não só ele, os membros da manada dele também são obrigados a obedecer... – ele ponderou: — Estão abaixo de um fahise, nossa... Garanto que vão debandar em breve. – deu de ombros: — Eles ficarão o mais quieto possível para não nos chamar a atenção e quando for para renovarem o vínculo, não irão fazê-lo.

— E se eles não quiserem obedecer?

— A dor de não obedecer a uma ordem em tom de comando alpha daquele que o marcou, seja como membro da manada, seja como um fahise, é completamente alucinante. Tanto é, que Sangwoo raramente usa o tom de comando alpha conosco – ele parou refletindo: — Acho que nunca o ouvi usando-o seriamente.

Eles chegaram à enfermaria central alpha onde Noh os aguardava aparentando uma grande irritação: — Por isso que quero me aposentar. – dizia a velha senhora enquanto fazia todos sentarem e se acomodarem: — Cuidar de duas manadas alphas, porque garanto que a próxima só tá aguardando vocês saírem daqui, e um bando de mercenários vagabundos com máscaras ridículas, em plena quarta, ninguém merece. Não podiam esperar o final de semana para fazer bobagem? Não. Não... Tem que ser durante a semana, na universidade. – ela ia de um lado para o outro cuidando de todos eles: — Quando me transferiram para cá disseram 'Será mais tranquilo Noh', 'São universitários ajuizados, e não lutadores ilegais sem noção Noh', mas com o que me deparo? Crianças que não tem controle sobre si. — ninguém se atrevia a contestar, interromper ou responder à senhora.

Todos, sem exceção, foram devidamente examinados e tratados. Bum e Myung-Hee tentaram dizer que já haviam passado pela enfermaria ômega, mas não adiantou. Também receberam tratamento.

No fim, Sangwoo realmente pediu atestados para ele e Bum que contemplavam o final da semana. Noh deu, como uma grande exceção, porque não queria ter de lidar com algum cadáver na universidade, se as coisas continuassem progredindo daquela forma.

Todos saíram da enfermaria, começando a combinar o que fazer a partir daquele momento.

Yangmi queria urgentemente comer alguma coisa, Dongyu a apoiava incondicionalmente. Taehyun e Yura acabaram concordando. Chung-Ho ofereceu pagar a refeição a Myung-Hee que aceitou ir com eles. Seung preferia ir falar com os professores e descobrir o que perdera naquela manhã. Jieun e Young estavam muito cansadas para continuar, decidiram que iam à casa de Jieun, onde poderiam explicar o que ocorreu ao pai dela – pois provavelmente a família de Taeyang não gostaria do que aconteceu ali.

Bum se despediu de Myung-Hee e os outros. Iria de carona com Jihoon – que ainda tinha condições para dirigir e só queria ir para casa, tomar um banho e trocar de roupa. Junto com Sangwoo – que mal tinha condições de andar e só queria ir para casa descansar.

— Merda. Meu carro vai ficar na universidade... – murmurou o alpha.

— Não se preocupe, a Yura vai levá-lo até a sua casa. – respondeu Jihoon.

— Acho que prefiro que ele continue na universidade... – Sangwoo completou, fazendo Jihoon e Bum rirem.

— Ah vá! Não é como se você andasse em marcha-lenta. – respondeu Jihoon: — Chegamos. – disse estacionando o carro.

Bum desceu rapidamente, abrindo a porta da casa para Jihoon que ajudava Sangwoo a caminhar. O baixinho levou seu líder até o quarto, deitando-o na cama enquanto o ômega largava a mochila na sala.

— Prontinho. – disse animado: — Acho que nos próximos dias a comunicação vai ser basicamente por mensagem, hm? De qualquer forma, já vou indo. Cuidem-se. – ele deu um beijo no rosto de Sangwoo e saiu, se despedindo da mesma forma de Bum.

O ômega trancou a porta e foi até o alpha. Ele estava de olhos fechados, com um dos braços sobre a testa e respirava profundamente.

— Sangwoo... – começou o moreno, sua voz saiu rouca e era um pouco doloroso, mas conseguia falar melhor agora. Recebeu um 'Hm?' como resposta: — Eu sinto muito.

O alpha abriu os olhos, fitando-o: — Quê?

— Sobre o que eu disse... – ele ficou vermelho: — Eu não quero que mais ninguém me morda e fico feliz por sua manada cuidar de mim.

Sangwoo piscou diversas vezes, parecia assimilar o que o garoto dissera: — ... Se é assim... – ele fitou seus olhos: — Por que está de coleira?

Bum tocou no pescoço, corando imediatamente: — Esqueci completamente... – murmurou. Sangwoo ergueu a palma da mão e o ômega sentiu seu coração disparar: — Você...

— Se é como diz, não tem problema eu tirar, não é? – o tom do alpha era provocativo.

O moreno não tinha ideia se Sangwoo fazia aquilo de propósito ou não. Tirar a coleira de um ômega era o mesmo que dizer que o deseja... Ser tão possessivo com a cicatriz em seu pescoço não era a melhor maneira de demonstrar sua vontade de fazê-la desaparecer. Bum levantou, indo até a sala, abrindo a mochila e pegando a chave.

Por um instante pensou que ele mesmo deveria abri-la, afinal, não significava nada para o alpha. Contudo, devido ao que acontecera hoje, decidira que tentaria conquistá-lo, então, se Sangwoo realmente queria abrir sua coleira, não o impediria. Afinal, apesar de provavelmente não entender o que significava para o ômega, ainda era uma demonstração de possessividade.

"Ele me considera dele... E não quero que deixe de considerar.".

Aquilo também deixava Bum contente e pararia de evitar sua alegria.

"Eu tenho muito medo – pensou apertando a chave na mão – Mas nunca serei feliz se evitar tudo devido ao medo.".

Andou calmamente até o quarto de Sangwoo, ajoelhando-se diante do rapaz e lhe entregando a chave enquanto erguia o queixo para deixar visível o encaixe da coleira. Sangwoo abriu, retirando o objeto e tocando suavemente sobre a cicatriz, o que provocou arrepios em Bum. Depois desviou o olhar.

— Se é assim... – ele hesitou, mas terminou a frase: — Sinto muito também. – suspirou enquanto voltava a fechar os olhos: — Eu não deveria tê-lo chamado de pervertido, na realidade, você é o ômega mais controlado que já conheci. – fez uma pausa: — E... Olha, sobre os presentes... – ele voltou a fitá-lo: — Não é que eu queria chamá-lo de interesseiro ou algo assim, sei que falei que você estava gastando o dinheiro, mas exagerei nessa parte. – nova pausa, onde ele falhou na tentativa de sentar, ficando definitivamente deitado: — É que se você ficar aceitando todos os presentes que eles lhe derem, isso não vai ter mais fim, entende? Além de não ser necessário, se você realmente quiser alguma coisa, eu posso dar a você.

Bum ficou em choque, Sangwoo tinha alguma noção do que falava?

— Você ficou com ciúmes...? – a frase saiu involuntariamente da boca do ômega.

— O quê? – Sangwoo pareceu um tanto indignado com a 'acusação'.

Bum sorriu: — É que... Do jeito que disse, parece que não quer que eu receba nenhum presente que não seja teu.

Sangwoo piscou, parecendo só então perceber que soara exatamente daquela forma: — Não... É... – ele olhou para o lado, pensando em alguma justificativa plausível.

— Então está tudo bem se eu receber presentes? – Bum provocou.

O alpha demorou a responder e o ômega riu, tossindo um pouco por causa da garganta.

—... Deveria ter feito você ficar em casa. – o loiro disse de repente.

Bum ficou vermelho, baixando o olhar e se aproximando do alpha. Tinha mais uma coisa que queria dizer... Depois do que passara hoje, tinha certeza que deveria dizer... Arrepender-se-ia se não dissesse: — Eu... – ele engoliu em seco, seu rosto ficando cada vez mais corado "Não consigo...!": — Acho que devíamos ser amigos. – completou em uma falha épica.

O alpha riu: — Amigos...? Acho que amigos não fazem o que fazemos. – falou com malícia.

Bum o fitou ainda corado: — Depende do tipo de amigo...

Sangwoo se calou. Ficando alguns instantes em uma espécie de choque: — Espera. Você tá sugerindo que sejamos amigos com benefícios?

O ômega desviou o olhar, fechando as mãos com força: — Se você não quer então... – ele se virou, levantando e indo em direção à porta.

— Espera! Auch! – ouviu o alpha e virou-se, pelo visto, ele fora tentar segurá-lo antes de sair, acabou sentando o que pareceu lhe gerar grande dor.

— Você está bem? – o ômega correu até Sangwoo, ajudando-o a deitar novamente.

— Eu só fiquei surpreso. – o alpha disse fitando-o: — Achei que um ômega ia preferir algo mais estável, como, sei lá, um namoro.

— Você está disposto a namorar? – perguntou Bum já sabendo a resposta.

— Não...

— Então. – seu tom soava perfeitamente como um 'não faça perguntas idiotas. ': — Eu... Só quero ser seu amigo Sangwoo... – ele olhava os próprios pés: — Sabe... Conversar... Conhecer você melhor... – ele corou: — O problema é que... – passou a mão no cabelo, estava muito sem graça: — Eu não consigo evitar... Sentir vontade... – queria abrir um buraco e se jogar dentro.

— Sentir vontade de quê? – Sangwoo obviamente já entendera, mas não deixava de provocar o rapaz.

Bum ficou calado, não respondendo a provocação.

— Está bem. – disse por fim o alpha: — Não é como se eu também conseguisse evitar. – ele deu de ombros.

O ômega se surpreendeu, notara que em alguns momentos o alpha parecia desejá-lo, mas não imaginava que isso se tornara inevitável. Sentiu seu estômago roncar, estava com fome: — Vou preparar algo para comermos.

— Não. – Sangwoo segurou o braço de Bum: — Você vai pedir tele entrega.

— O quê? Isso não é muito saudável... – respondeu o rapaz.

— Está tudo bem. – ele puxou Bum, fazendo-o cair ao seu lado. O ômega tentou virar-se para ficar de frente com o alpha, mas foi impedido. Sangwoo apenas o abraçou por trás, colocando o rosto em seu pescoço e parecendo sentir seu cheiro: — Só... Vamos ficar assim, ok? – disse em um sussurro grave.

Bum corou. Realmente amigos não faziam essas coisas: — Ok. — fechou os olhos, sentindo-se protegido e seguro. Não queria mais sair dali.

Notas finais
Coleiras ômegas são feitas com um material que permite que equipamentos médicos vejam através.