Destinados...?
8 Caminhos
Notas iniciais
Sangwoo costumava dirigir rápido, um hábito ruim que não conseguia largar, mas nesse dia, não ter provocado um acidente a caminho da universidade foi sorte. Conseguia sentir o alerta de todos de sua manada. Pareciam lutar. Sem nenhuma exceção – o que era muito estranho, pois havia alguns que obviamente, não gostavam de brigas. Mas o que o mais assustava não era isso... Bum estava com medo. Era tanto o terror do garoto, que a mão do alpha não parava de tremer. Quando finalmente chegou, estacionou o carro de qualquer forma e desceu.
Tentou localizar seu ômega, mas não conseguiu. A ligação deles era forte, contudo não estava pronta.
“Merda! MERDA!”.
Ainda estavam na porra do período de transição. Sentia-se tão próximo do garoto que era difícil acreditar que passara apenas seis dias desde que estavam juntos, parecia uma vida — passou a mão nervosamente no cabelo.
“Seis dias...” – era muito pouco tempo.
Mas sua razão não operava corretamente. Sempre fora muito racional. Encontrar soluções lógicas era o mais óbvio a se fazer, contudo quando se tratava daquele ômega, nada funcionava da forma que pensava.
“A última coisa definida no vínculo perpétuo é a localização, mas que merda, podia ser a primeira.”.
Ia fazer o que agora? Culpar a biologia?
Lembrou-se do garoto rindo em sua cozinha. Uma risada baixa, contudo contagiante. Um contraste gritante com o terror que sentia no momento.
Aquilo era doloroso. O coração de Sangwoo estava disparado e seu punho fechado. Seus sentimentos misturando-se de forma agoniante. Não entendia como chegara naquele nível em tão pouco tempo, entretanto se algo acontecesse com o rapaz hoje mataria alguém.
A raiva o estava consumindo. Respirou fundo. Sabia que tinha de manter a calma e tentar localizar sua manada.
Tudo que sua manada podia fazer era alertá-lo. Estudava-se que na antiguidade os alphas saíam em caçada, assim o vínculo com os sentimentos responsáveis por alertar do perigo foi desenvolvido. Como os ômegas ficavam nas tribos cuidando das crianças, com eles foi desenvolvido tanto o alerta – para quando corressem perigo, quanto o de localização – para caso tivessem de fugir, pudessem ser encontrados por seu alpha.
Fechou os olhos, precisava se concentrar. Queria que a natureza tivesse sido mais generosa e distribuído o de localização para todos...
“Mas se fizesse isso um alpha não poderia sair de uma manada sem ser localizado...”.
Que droga. Sangwoo não conseguia pensar em nada. Como os localizaria...
“Uma manada na antiguidade andava sempre junto, por isso não havia problemas, mas hoje...”.
Qualquer coisa...
“Hoje é tudo por mensagem... “– ele parou, se sentindo o mais burro de todos os seres do universo: — Meu celular! – colocou a mão no bolso da calça, será que o esquecera em casa? – sentiu o volume. Ele estava ali – o pegou, ligando-o. Havia algumas mensagens não lidas, foi direto para o chat geral.
Yangmi
SOS Estacionamento norte, refeitório!
Aquela mensagem havia sido enviada antes do primeiro período. Bum deveria estar com ela e era onde Sangwoo se encontrava, mas o refeitório era mais adiante, correu em direção enquanto continuava a leitura.
Dongyu
Não dá! Tem uns caras aqui no estacionamento sul!
“Merda!” – pensou Sangwoo.
Pelo visto sabiam que sua manada não andava sempre junto e se dividiram em grupos.
“Não é possível ser coincidência separarem o Dongyu dos outros. Ele é o mais forte depois de mim.”.
Yura
O quê? Estou mais perto do norte!
Taehyun
Norte!
Seung
Sul!
Jihoon
Quê???????? Acho que sul?
Seung
O Dongyu está perto da lanchonete Jihoon, estou vendo ele, vem logo são muitos!
Jihoon
Quê??? Ok.
Chung-Ho
Norte!
Sangwoo chegou próximo ao refeitório, mas tudo que encontrou foi um segurança prendendo dois homens mascarados inconscientes.
— Você viu uma garota com a ponta dos cabelos azuis? – perguntou sem fôlego.
— Sim... A alpha que acabou com esses caras, ela disse que precisava ajudar alguém. De onde esses mascarados vieram? Não são estudantes. – o segurança analisava os dois meliantes: — A garota pediu para eu cuidar deles e alertar outros seguranças do campus. – respondeu o homem já com o walkie talkie na mão: — Ela foi por ali. – ele apontou e o alpha nem piscou, apenas correu na direção indicada.
Não demorou muito para sentir o cheiro de Yangmi. Estava misturado com diversos outros, incluindo Jieun e Young. Correu um pouco mais, dando de cara com a garota chutando o rosto de um homem caído ao chão que vestia uma máscara de lobo.
Young estava próxima e segurava outro homem por trás com o que parecia ser todas as suas forças – ele usava uma máscara de urso e era relativamente grande comparado as garotas. Ela estava um caos em pessoa, totalmente desgrenhada e um tanto selvagem.
Jieun socava o homem com máscara de urso no estômago diversas vezes, como se estivesse diante de um saco de areia. Suas mãos estavam machucadas e sua boca sangrava. Havia mais dois homens atirados no solo.
Sangwoo foi se aproximar, para ajudá-las, quando sentiu seu ar falhar.
“O quê?” – seu corpo ficou trêmulo e ele caiu de joelhos no chão, apoiando-se com ambas as mãos no asfalto.
Respirava com dificuldade. Bum estava... Ele estava...
“Não! NÃO!” — seu coração começou a bater dolorosamente.
Como uma onda gelada que puxava parte de sua alma, o garoto partia e o alpha não conseguia fazer nada senão assistir. Sangwoo sentia vertigens. Não deveria tê-lo deixado sozinho. Quantas vezes fizera isso? Por que não aprendera com a festa? Tinha inimigos. Era odiado. E quem pagava era o garoto que não machucara uma mosca.
Sua alma parecia observá-lo à distância, presa por correntes invisíveis que o impediam de se mover. Sentia seu desespero. Sentia que ele não queria ir... Sentia-o tão fortemente que sua mente estava à beira da loucura.
“O que há de errado comigo?”.
Uma parte de si questionava se não fora aquilo que provocara e desejara o tempo todo. Se ele partisse agora, o vínculo se desfazia. Conseguia senti-lo rompendo-se lentamente... Não. Não era isso... Nunca desejara a morte do garoto... Contudo, era assustador como desejava com todas as forças que ele vivesse.
Entretanto, não importava o que pensava. Não chegaria a tempo. Não sabia onde ele estava. Nunca provara dor semelhante. Sentia-se inútil.
“Que se foda o tempo e a lógica – ele fechou os olhos com força – Eu não quero que ele morra e acabou.”.
Concentrou inteiramente suas forças naquela situação. Conectou-se com todos de sua manada. Se qualquer um... Qualquer um deles estivesse por perto...
“Eu confio em vocês...” – nunca fizera um pedido com tamanha força.
Sua cabeça doía em sentimentos e pensamentos confusos, parte enviada por eles, parte criada pelo próprio alpha, contudo, o garoto desaparecendo aos poucos era ainda mais desnorteante.
De repente, o nada. Não sentia mais o ômega. O que o fez romper a conexão com sua manada. Ele fora salvo ou estava morto?
Limpou a mente, voltando a conectar-se, dessa vez mais tranquilamente. Yangmi como sempre viera primeiro, ela estava furiosa, cansada e preocupada. Certo. Jieun e Young estavam ali, não precisava se focar nelas. Quem disse que iria para o norte? Yura... Concentrou- se na loira. Sua mão tremia. Tinha que se manter calmo. Ela estava...
“Aliviada, feliz, satisfeita consigo mesma, apesar de irritada e o principal, sente que cumpriu perfeitamente sua missão...” – abriu os olhos.
Ele estava vivo. Encostou a cabeça no chão, nunca sentira tanto alívio. Seu corpo relaxou imediatamente e, buscando profundamente dentro de si, encontrou o ômega. Ele estava preocupado, mas sem mais o desespero. Sorriu. Nunca se conectara a ele antes sem ser por um sentimento intenso, ele era... Tranquilizador... Como a brisa fresca em uma tarde de verão.
O alpha então percebeu que Yangmi se encontrava muito próxima de seu rosto.
— Sangwoo? Sangwoo? Você está bem? – ela parecia tensa: — Você está mais pálido que um papel...
— Agora estou... – murmurou o alpha, fazendo a garota piscar: — Você está horrível. – ele disse fitando-a.
— Valeu. – respondeu com um leve sorriso cansado.
O alpha notou que ambos os homens com quem as garotas lutavam anteriormente, já estavam desmaiados. Jieun e Young o observavam a distância quando o celular em sua mão vibrou. Por sorte não quebrara quando caíra.
Yura
Estamos com Bum e a amiga dele indo para a enfermaria ômega.
A garota entrou no cio e se feriu...
E tentaram matar o mascote, mas, ambos estão bem agora.
Sangwoo sei que está aqui... Senti você muito forte há pouco tempo.
Foi o Taeyang. Ele mandou esses mercenários.
Covarde, nem usou a própria manada, não sei como podemos provar isso...
Provas? O tempo de provas havia passado. O rapaz levantou limpando a calça da sujeira do asfalto.
— Jieun. – disse sério, fazendo a alpha ficar nervosa.
— Sim? – respondeu a garota em um tom fraco, receoso.
— Você fez o que eu mandei? Falou com seus pais? – o olhar dele era gélido, se ela tivesse falhado uma segunda vez, desistiria dela.
— Sim! Eu falei! – disse sem hesitação: — Meu pai deixou claro que lava as mãos em relação ao Taeyang, e que sempre irá defender o líder da filha dele.
— Ótimo. Yangmi, avisa a todos para me encontrarem do lado de fora da universidade. Lado norte, em frente à loja de conveniências. – ele saiu andando, a morena pareceu confusa por alguns instantes, mas então, com a pouca energia que lhe restava, fez uma pequena corrida até o alpha.
— O que você vai fazer? Descobriu quem foi? – perguntou a morena.
— Foi o Taeyang, apesar de não termos como provar. Estou indo desafiá-lo. – respondeu secamente o alpha.
— Você não vai fazer isso! Tá maluco? O pai da Jieun disse que lava as mãos, mas e se não tiver provas depois e você matá-lo? Além disso – o tom dela diminuiu para apenas o alpha ouvir: — Você lutou ontem! Está cansado! Obvia---
— Cala a boca. – ele a interrompeu, virando-se e fitando-a nos olhos: — Ele quase morreu. Foda-se. Se o pai da Jieun não me defender, vou preso. Minha importância para isso, no momento, é zero. Então esquece Yangmi. – e seguiu em frente: — Espero você lá, é uma ordem.
A garota ficou chocada, contudo, ao mesmo tempo, muito séria. Ele nunca a mandara se calar daquela forma. Conhecia Sangwoo há muito tempo, já o vira fazer uma centena de bobagens, mas sempre fora algo controlável, ou contornável dependendo da situação, entretanto, não era esse o caso. Ele não estava ligando para as consequências.
“Ele realmente é importante para você.” – ela suspirou.
— Jieun.
— O quê? – respondeu a garota, um pouco confusa com o tom extremamente sério de Yangmi.
— Me dá o seu celular, o meu quebrou durante a luta. – ela esticou a palma da mão.
— Ei! Isso é forma de pedir um favor? – começou Young indo em direção à morena, mas Jieun a parou.
— Aqui. – disse entregando o celular, Young não compreendeu, contudo Jieun apenas balançou a cabeça negativamente, como se dissesse ‘A deixe fazer o que tem de fazer. ’.
Yangmi pegou o celular e digitou rapidamente.
Aqui é a Yangmi, se os seguranças já pegaram os mercenários, é para todos – sem nenhuma exceção – irem para o lado de fora da universidade.
Lado norte, em frente à loja de conveniências, ordem do Sangwoo. Não foi um pedido.
Dongyu
Ele vai lutar com alguém?
Yangmi fitou preocupadamente o celular, dando um pequeno e silencioso suspiro.
Sim, Taeyang conseguiu o que desejava.
Entregou o celular a Jieun e então fitou o segurança que se aproximava.
“Espero que esteja certo Sangwoo.”.
O alpha caminhava pelo prédio de humanas. Sabia que o primo de Jieun fazia Direito, e a maioria das matérias de Direito ficavam em um prédio especifico daquela área.
Taeyang não sabia o que lhe aguardava. Quem mandara brincar com fogo? Agora teria de queimar no incêndio ou sufocar na fumaça.
Avistou um dos membros da manada do filho da puta e se aproximou. O garoto de estatura mediana deu um passo para trás quando percebeu que Sangwoo parecia agressivo, mas não fora rápido o suficiente. O alpha segurou seu braço e o pressionou contra a parede.
— Chama o seu líder. Agora. – ele usou seus feromônios para aterrorizar o garoto. Não que realmente fosse necessário, seu semblante era mais do que o suficiente, contudo o alpha não se importava. Não aceitaria uma recusa.
O jovem pegou imediatamente o celular, tremia enquanto digitava. Sangwoo sentiu-se orgulhoso de sua manada, por mais apavorante que outro alpha fosse, duvidava muito que algum deles o chamaria sem nem perguntar o motivo.
Em alguns instantes Taeyang apareceu. Sangwoo liberou o garoto que correu em direção ao seu líder.
— O que você quer? Achei que não vinha à escola.
Sangwoo suspirou. Como aquele rapaz era burro. Em uma frase, deu certeza de que ele era o culpado.
“Provavelmente sabe que luto... Mas como não pode me denunciar porque sua prima está na minha manada e não haveria provas definitivas, fez toda essa palhaçada.”.
Afinal, de que outra forma saberia que ele não viria naquele dia? Os únicos que sabiam era Yangmi e Seung, nem mesmo Jieun deveria ter concluído isso só com o pedido de que ela cuidasse do Bum.
O alpha sorriu.
“Ele deve ter me investigado muito bem, concluído que sempre falto após uma luta e agido rapidamente.”.
Começou então a rir baixo, balançando a cabeça de um lado para o outro: — Você... É realmente estúpido. – fitou o moreno nos olhos: — Deveria ter deixado o Kailan em paz e seguido a sua vida.
— É? Então admite que seja ele? – o moreno correspondeu o olhar, pareceu falar antes de pensar.
“Misericórdia... Deveria haver um limite para burrice.” Sangwoo riu.
— Quê? Do que está falando? – ele pegou o próprio celular, parecendo enviar uma mensagem: — Eu só estou dizendo que ele ficou puto por você usar os homens dele para enfrentar a minha manada. Agora estão todos presos e eu tenho contato com a melhor empresa de advocacia do país. Aliás, eles machucaram a filha de um dos CEO então... – falava ponderadamente.
— O quê? – Taeyang pareceu se perder em meio à explicação de Sangwoo: — Você está maluco? Eles são alphas desgarrados! Não tem um líder!
Sangwoo o fitou furiosamente: — Ah, mesmo? Como você sabe? – ele mostrou o celular que gravava a conversa.
O moreno demorou alguns segundos para assimilar o que ocorrera: — Você...! Você sugeriu que eles eram mercenários, e mercenários são desgarrados! – respondeu com raiva.
— Eh? Eu sugeri? – Sangwoo inclinou levemente a cabeça expressando um falso choque: — Quando? Lembro-me perfeitamente de falar que ele estava puto por você usar os homens dele... Não contratá-los. Quem disse que são desgarrados e mercenários é você. – ele sorriu: — E para ter tanta certeza disso, deve tê-los contratado, o que me leva ao motivo de estar aqui.
— Motivo? – o moreno riu: — E o que você pensa que pode fazer contra mim? Não é porque minha prima foi burra de ficar ao seu lado, que muda o fato de você ser um pobre miserável.
— Na frente da universidade, passando o estacionamento norte, em frente à única loja de conveniências. – ele soltou seus feromônios provocando diretamente Taeyang: — Ou você aparece, ou me entrega seu pulso agora, pela covardia. – ele estendeu a mão com um sorriso irônico.
— Você...! – o rapaz fechou o punho: — Acha mesmo que vou me rebaixar ao seu nível?
Sangwoo olhou ao redor, como se mostrasse toda a plateia que os assistia: — Devo concluir que não irá. Que grande alpha você é... – as últimas palavras foram sibiladas de forma venenosa, mas certeira.
O moreno fechou o punho, estava furioso: — Que seja. Vou matar você de uma vez por todas. – ele virou de costas, saindo.
Sangwoo sorriu, Taeyang era um filhinho de papai que sempre ganhara tudo de mão beijada. Podia ter aprendido a lutar com grandes instrutores, mas não era como se praticasse isso no mundo real. O rapaz começou a andar calmamente, indo até o ponto de encontro.
Havia apenas uma loja de conveniência do lado norte, fora da universidade. Era particularmente grande, por isso, um excelente ponto de referência. Observou todos os membros de sua manada. Estavam realmente feridos.
“Não vou perdê-los” – pensou tocando abaixo do braço esquerdo. Doía muito naquela região devido a luta do dia anterior. Sem contar que se sentia exausto mentalmente.
Todos avistaram Sangwoo e foram em sua direção. Chung-Ho parecia sentir dor e ficou um pouco para trás, Yura então foi ajudá-lo.
— O que aconteceu? – perguntou o alpha observando o loiro.
— Nós tínhamos derrotado três caras para resgatar os ômegas, mas, dois deles acordaram antes do segurança chegar e tive de enfrentá-los sozinho... Aliás – ele fitou Yura, muito sério: — Como você derrotou aquele cara tão facilmente? – parecia meio chocado.
— Com uma cadeira. E ele era um beta, não exagera... – a garota disse sem graça.
— Sei... – respondeu Chung-Ho.
— Yura é uma grande lutadora, nunca a subestime. – disse Taehyun, deixando a garota levemente corada.
— Nós todos iremos lutar contra a manada dele? – perguntou curioso Dongyu.
— Não. – Sangwoo disse sério: — Eu irei enfrentá-lo sozinho.
Os membros da manada suspiraram aliviados, com exceção de Dongyu. Sinceramente, a maioria já tinha tido emoções mais do que suficientes para um dia.
Taeyang chegou em seguida, sua manada estava em perfeito estado. Sangwoo concluiu que o moreno era um imbecil como líder, não confiar na própria manada para fazer algo do gênero, e ainda ser descoberto, era o cúmulo da babaquice.
— Pronto para morrer? – perguntou ironicamente o moreno.
—... – Sangwoo entregou suas chaves e celular a Yangmi, então fez um sinal com cabeça para sua manada. Todos se moveram começando a se posicionar, formando um semicírculo ao redor do alpha.
Taeyang fez o mesmo e ambos se encontraram dentro de uma roda formada pelas duas manadas.
Yangmi fitou uma última vez seu líder antes de se voltar para a multidão que já se formava na frente deles.
“Boa sorte.” – pensou a garota, realmente preocupada. Sangwoo era maluco por se meter naquele tipo de situação, mas, se não fosse, nunca teria continuado ao seu lado.
Sangwoo observou o moreno diante de si. Nunca sentira tanta raiva. Talvez no dia que sua mãe morrera. Correu em direção ao rapaz, acertando-o no rosto e o jogando ao chão em um movimento repentino e rápido. Contudo, enquanto caía, Taeyang retirou uma navalha da manga e cortou o alpha exatamente onde já sentia dor. Abaixo do braço esquerdo.
Encarou-o. Definitivamente um covarde. Sua camisa manchou-se de sangue e a dor se aprofundou.
Taeyang sorriu. O alpha finalmente notou que, naquela situação, o rapaz não dava importância para os meios em que conseguiria sua suposta vitória. Não ligava para a imagem que formava. O importante era apenas vencer. Sua raiva era recíproca, com um toque de rancor e ódio.
— Sinceramente. Fico triste de ver a Jieun tão bem. — os olhos azuis transbordavam maldade. A garota virou o rosto, ouvindo o primo, mas ele não desviava os olhos de Sangwoo: — Bem que ela poderia ter morrido hoje. Seria uma vergonha menor do que deixar de cumprir um acordo familiar e decidir virar a puta de um miserável que não tem onde cair morto.
Sangwoo viu a gota de raiva em Jieun se transformar em uma tempestade: — Você a subestima demais... – ela voltou-se para multidão, contudo ele podia sentir o, antes receoso, suporte da garota, transformar-se num ‘mata ele de uma vez’.
O alpha respirou profundamente. Desassociando a dor de seu corpo de sua mente, aquilo duraria pouco e deixaria sua mente ainda mais exausta depois. Precisava acabar com a luta logo.
Taeyang veio em sua direção, seus olhos selvagens se assemelhavam ao de um animal em fúria. Segurava a navalha como se aquilo lhe desse a vitória certa e tinha um sorriso prepotente nos lábios. Tentou usar seus feromônios, mas apenas fez o sorriso de Sangwoo aumentar. Era fraco e débil, se não estivesse tão cansado, aquela não seria uma luta.
“Só assim para você pensar que pode me derrotar.”.
Sangwoo chutou a mão do moreno, fazendo a navalha voar e lhe deu uma cotovelada no rosto. Enquanto sangue ainda escorria dos lábios do estúpido, o alpha lhe aplicou um soco no estômago, fazendo o sorriso daquele imbecil desaparecer enquanto caía de joelhos no chão. Iria colocá-lo na posição mais humilhante conhecida por um alpha. Depois o mataria.
Com o pé esquerdo chutou as costas do imbecil, fazendo-o cair ainda mais. O idiota tentava se debater e levantar, mas era fraco. Segurou com a mão esquerda os cabelos negros e forçou-o a encostar a cabeça no chão.
Um sentimento de preocupação começou a tomar conta. O que era aquilo? Parecia preocupado consigo mesmo, contudo, aquele sentimento não lhe pertencia. Olhou ao redor. Vendo o pequeno observá-lo assustado. Bum estava preocupado. Muito preocupado e com receios.
Os olhos do ômega transbordavam afeto, fitou-os profundamente, estava feliz em vê-lo bem. Observou então seu pescoço, uma maldita coleira vermelha, entretanto, não foi isso que mais o irritou. Marcas terríveis, roxas, preenchiam o local delicado.
“Tentaram sufocá-lo.” – pensou o alpha, sentindo a raiva, inicialmente controlada, transformar-se em puro ódio e consumi-lo por completo.
Fitou o verme abaixo de si. Como ele ousara? Mandou matá-lo sufocado? O pescoço era a região mais sensível de um ômega... Como ele... Matá-lo já não seria o suficiente. Não dormiria bem se soubesse que apenas matou o infeliz que provocara aqueles ferimentos em seu ômega.
— Eu vou te apresentar o inferno, meu futuro fahise. — Sangwoo sussurrou com a voz grave e afiada no ouvido de Taeyang, que apavorado pela possibilidade, começou a resistir ainda mais.
O moreno tentou erguer o rosto, queria evitar o inevitável, mas Sangwoo já soltara seu cabelo e agora estava com o pé em sua cabeça. Pela primeira vez na vida, Taeyang sentiu o medo consumi-lo, preferia morrer, a ser humilhado daquela forma. Tentou se libertar incontáveis vezes, contudo quanto mais tentava, mais o alpha parecia controlá-lo, batendo sua cara contra o chão tantas vezes que já não sentia o rosto. Teve seus braços puxados para trás, e seus pulsos presos. Seria marcado. Tremeu. Seu orgulho em pedaços e seu ódio nas alturas.
Sangwoo fitava enojado o verme aos seus pés: — Eu ia te matar, porque morrer é mais honroso e você é primo de Jieun, contudo, depois de hoje... – sentiu a tensão se formar em sua manada, todos ansiosos esperando as próximas palavras, nenhum parecia realmente crente que o loiro seria capaz de fazer aquilo, não por falta de força, mas porque era um ato muito radical para um líder, até então, extremamente pacífico: — Você vai ser o brinquedo da minha manada.
O alpha começou a deixar suas unhas crescerem. O que antes era tensão se transformou em êxtase. Ele era capaz de um ato assim, e absolutamente todos os membros de sua manada estavam satisfeitos com sua decisão, mais do que isso, orgulhosos por tê-lo como líder. Penetrou com força os pulsos do rapaz subjugado.
— Junto com todos aqueles que você mantém um vínculo, claro. – fitou a manada de Taeyang que estava em completo choque. O moreno gritou de dor para a satisfação plena do alpha.
Aquele verme agora conhecia sua posição. Tinha de retribuir sua manada pelo esforço. Observou a manada de Taeyang se ajoelhar diante de sua manada.
“Bom... Esperança é a última que morre... Mas darei crédito pela fidelidade.”.
Ajoelhar-se daquela forma, era um clamor para que poupassem seu líder de ainda mais humilhações. Contudo, a manada de Sangwoo estava, de forma bastante óbvia, pouco se fodendo para aquele ato.
Sangwoo deu um pequeno sorriso. Só poderia escolher dois, mas o primeiro era muito óbvio: — Yangmi. – disse em tom grave e viu a garota animar-se, indo em sua direção.
— Sempre quis fazer isso. – Sangwoo observou-a sorrir e lhe entregou o braço direito do moreno, em uma representação direta do que ela era para ele: — Isso vai ser divertido. – continuou a garota em um murmuro, deixando as unhas crescerem: — Quero que todo mundo saiba que posso mandar você ser a putinha de qualquer um, e acredite, eu já tenho uma lista. – o alpha a viu perfurar o pulso do rapaz com um sorriso enquanto o moreno tremeu.
“Todos conhecem os gostos peculiares de Yangmi...” – sorriu internamente com o pensamento de que aquele deveria ser o presente mais divertido já entregue por ele a garota.
“O certo seria chamar Yura...” – pensava o rapaz, refletindo.
A loira salvou Bum, queria lhe dar algo, mas, ao mesmo tempo, sabia que Taeyang não significava nada para ela. Yura era o tipo de garota que gostava de ajudar e estar por perto, provavelmente um sapato a faria mais feliz do que ter o rapaz como seu brinquedo particular. Contudo, para Jieun o assunto era pessoal. Ele era o seu primo e nunca a respeitara em centenas de níveis diferentes, além é claro, de ser uma demonstração ao pai dela de que fizera algo por sua filha e não a deixara sem sua desejada vingança após aquele dia. Decidiu-se.
— Jieun. – o alpha viu a garota dar um sorriso deslumbrante. Não deveria esperar por aquilo.
Ela andou com dificuldade até Sangwoo, que lhe entregou o braço esquerdo do rapaz.
— Obrigado Sangwoo. – ela o pegou e se abaixou. Seu sorriso ficando diabólico na medida em que tinha certeza que seu primo a observava aterrorizado: — Quem tem que obedecer quem agora. – arranhou com força o braço dele enquanto a unha crescia, cravando em seguida no seu pulso. Nunca se sentira tão feliz. Podia gritar ao mundo que tomara a decisão certa ao seguir Sangwoo.
Sangwoo finalmente largou aquele pedaço de lixo. Respirava com certa dificuldade. Estava exausto. Observou seu ômega fitá-lo em um misto de choque e alívio. Andou lentamente até ele, queria sentir seu cheiro urgentemente. Abraçou-o com força, respirando fundo.
— Foda-se. – disse em um sussurro grave, sentindo a calma invadi-lo junto com a amenização de suas dores físicas: — Vou prender você em casa até a merda da transição terminar. – o segurou mais forte, tremia enquanto sentia os fios negros do cabelo do ômega em suas mãos: — Quando finalmente acabar, vou saber exatamente onde você está e se está bem.
“Não vou mais deixar isso acontecer com você. Não se eu puder impedir.”.
Sentia seu corpo ceder, em pequenas vibrações de alívio. Mesmo que não admitisse, suas mãos trêmulas também eram um sinal de sua felicidade.
Era notável que os feromônios de um ômega marcado tinham esse ‘poder’ sobre o alpha que o mordera. Eles ajudavam a curá-lo. Não apenas o alpha que o mordera, mas seus filhos também... Sangwoo sempre achou gracioso como toda a mãe ômega beijava o machucado de suas crianças com a real intenção de curá-los, mesmo que o efeito não fosse algo profundo, a aceleração do processo sempre foi fascinante aos olhos do futuro médico.
“Os filhos dele terão sorte... Seus feromônios são tão concentrados, que apenas aproximar-se é o suficiente para causar alívio... Ele é muito forte...” – pensava vagamente enquanto seu corpo caía sobre o ômega.
Aquele pensamento... Provocava-lhe um pouco de dor e não entendia muito bem o motivo, mas também não queria pensar sobre isso, estava muito cansado.
Sentiu o pequeno ceder devido a seu peso, queria evitar que ambos caíssem, mas não conseguiu parar. Contudo, a queda não ocorreu. Olhou para frente, vendo Dongyu apoiá-lo.
— Acho que nosso líder não aguenta mais que isso... – o rapaz o segurou, colocando um de seus braços ao redor do pescoço: — Você está bem? – perguntou baixo a Sangwoo.
— Já estive pior... – respondeu sinceramente o alpha. Observou sua manada ter uma discussão amigável sobre Yangmi querer comer depois de tudo aquilo.
“Não que ela seja uma versão feminina do Dongyu, mas, sempre após uma luta, é a primeira coisa em que pensa...” – riu internamente por conhecer a garota tão bem.
Todos pareciam ter sugestões melhores sobre o que fazer além de comer, mas apenas – surpreendendo Sangwoo, que esperava mais de Seung – Chung-Ho sugerira algo realmente útil no momento.
— Eu concordo com Chung-Ho. – Sangwoo disse, apoiando-se melhor em Dongyu: — Todos para a enfermaria.
“Todo mundo aqui precisa de tratamento médico antes de qualquer coisa...”.
Ele observou Bum. Ficaria de olho nele: — Você vem junto.
“Que dia...” – pensava o alpha, impondo seu ritmo de caminhada a Dongyu.
Sentia-se um pouco tonto, mas, ficar perto do ômega ajudara. O problema, basicamente, era o corte embaixo de seu braço esquerdo. Aquilo estava doendo vertiginosamente.
Quando chegaram à enfermaria central alpha, depois de uma longa caminhada dolorosa, sentou-se e esperou o tratamento. Na realidade, não ouvia nada ao seu redor. Só percebeu que era sua vez quando sentiu a mão da médica em sua camisa, erguendo-a.
— Criança, você tá um lixo. – disse com muita autoridade a senhora Noh: — Na verdade... – ela observava o corte com atenção: — Estou ofendendo o lixo chamando-o assim... – ela o fitou nos olhos, dando um suspiro e pegando uma caixa: — Deita moleque. – apontou com a cabeça uma das camas.
Sangwoo levantou com dificuldade e deitou-se. Depois, sentiu algo gelado ser passado sobre suas feridas, com ênfase no corte.
— Não é tão profundo, então, não precisa de pontos. Você teve sorte. – ela limpou bem o local, depois passou uma medicação e então o protegeu, enfaixando em seguida. Sangwoo gemeu baixo de dor: — Está doendo porque foi um corte em cima de um hematoma recente. – ela começou a guardar o material: — Você deve trocar o curativo duas vezes por dia. Se já tiver intimidade suficiente com seu ômega, pode pedir para ele ajudá-lo, se assim ele o fizer, deve estar totalmente fechado em dois dias. Se não, levará aproximadamente dez dias até fechar totalmente. – ela o fez beber alguns anti-inflamatórios: — Vou te passar a receita.
Sangwoo ficou em silêncio, sabia exatamente o que o ômega deveria fazer para ajudar sua cicatrização... Era mais ou menos o que ele fizera para ajudá-lo a se recuperar após a festa. Contudo alphas só podiam fazer aquilo durante o período de transição, quando a mordida ainda era recente, já ômegas se adaptavam para fazer a vida inteira... Pelo menos a natureza fizera assim, muitos que tinham intimidade com seus alphas, não o faziam por sentirem nojo... Imagina um ômega que mal o conhecia.
“Vou ter que ficar com essa porcaria durante dez dias por causa daquele infeliz do Taeyang, covarde...”.
Sentou-se com dificuldade. A médica lhe trouxe a receita e lembrou-se de pedir outra coisa.
— Preciso de atestados, para mim e Bum. Vou mantê-lo em casa durante o final dessa semana... – olhou sério para a médica.
A senhora o observou atentamente: — Bom... É o mínimo a se fazer depois de tudo isso... – ela começou a escrever os atestados: — Afinal, não quero lidar com um cadáver caso as coisas continuem progredindo assim...
— Bum trabalha, então acho que serão dois atestados para ele por dia... – Sangwoo falou com um sorriso.
A velha senhora bufou, mas fez como pedido. Despediram-se e Sangwoo foi o último a sair da enfermaria. Do lado de fora, percebeu que Yangmi convencera a maioria a ir comer. Riu baixo. Aquela garota sempre tinha o que queria. Observou a menina baixa de coleira, amiga de Bum... Teve a impressão que, parando para observá-la melhor agora, a conhecia de algum lugar, ou melhor, não era uma impressão... Com certeza a conhecia...
Suas lembranças então lhe levaram até a festa anterior a mordida de Bum. Dormira com aquela garota. Passaria batido e provavelmente apenas teria esquecido – como a maioria, se não fosse um detalhe. Ela riu muito após dormir com ele.
Demorou em lembrar-se dela, certo, mas nunca realmente a esqueceria porque foi a reação mais estranha que já tivera depois de uma noite de sexo. Quando perguntou o motivo, a garota apenas disse que fora divertido ser a única a perder o controle e transar totalmente livre, sem coleiras, amarras ou arrependimentos, agradeceu ao alpha por aquilo.
Sangwoo passou a mão no cabelo. Conforme Yura, aquela garota fora machucada hoje... Pegou o celular com a Yangmi, escreveu rapidamente, mandando para todos de sua manada.
Bom trabalho hoje... Quem for acompanhar a amiga de Bum, trate a garota bem e por favor, sem dar em cima, ok?
Taehyun
É???? Mas assim não vale ç.ç
Se bem que, de qualquer forma, tarde demais, o Chung-Ho já está até pagando o jantar dela... kkkk
Chung-Ho
Ei! Eu estou sendo só gentil! Não significa nada.
Dongyu
Sua gentileza é tocante, paga o meu jantar também?
Chung-Ho
Se eu pagar o seu jantar, posso declarar falência ¬¬.
Dongyu
Vou mostrar o celular para ela e apontar que você disse que está pagando o jantar só para ser gentil e que não significa nada...
Chung-Ho
Tá! Eu pago o seu também.
Jihoon
Crianças -___-‘
Sangwoo sorriu e foi pegar a chave de seu carro, mas Yura lhe tirou.
— Você vai de carona com Jihoon. – enfatizou a loira se afastando.
— Eu quero ir para casa descansar... – disse o alpha.
— Ele vai te levar até lá... Você realmente poderia imaginar o Jihoon indo comer em qualquer lugar vestido daquela forma? – ela apontou para o rapaz que estava miserável.
— Certo. – ele realmente não conseguia pensar em cena semelhante.
O alpha suspirou, não tinha condições de dirigir, mas também não gostava de depender dos outros. Despediu-se de sua manada e foi andando com Jihoon e Bum para o carro do rapaz.
— Merda. Meu carro vai ficar na universidade... – murmurou Sangwoo já na estrada dentro do Rolls-Royce de Jihoon.
— Não se preocupe, a Yura vai levá-lo até a sua casa. – respondeu Jihoon.
A Yura iria levar seu carro? A YURA iria levar seu carro? – lembrou-se das vezes em que viu aquela garota dirigir.
— Acho que prefiro que ele continue na universidade... – disse com sinceridade, fazendo os dois rapazes rirem. Bum riu baixo, parecia sentir dor. Sangwoo o fitou seriamente, as marcas roxas ainda ali...
— Ah vá! Não é como se você andasse em marcha-lenta. – respondeu Jihoon.
“Mas não é como se eu corresse para a morte...” pensou Sangwoo em resposta.
— Chegamos. – disse Jihoon estacionando o carro.
Bum foi o primeiro a descer, abrindo a porta de Sangwoo que então recebeu o apoio de Jihoon. O que o alpha achou particularmente engraçado já que o rapaz era baixo e não muito forte.
Andaram até sua cama, que Sangwoo nunca sentiu tanta felicidade em deitar.
— Prontinho. – disse animadamente Jihoon enquanto tirava o braço que ajudava seu líder: — Acho que nos próximos dias a comunicação vai ser, basicamente, por mensagem, hm? De qualquer forma, já vou indo. Cuidem-se. – ele deu um beijo no rosto de Sangwoo, que já estava acostumado com aquela mania do garoto, e então deu outro beijo em Bum, saindo em seguida.
Sangwoo ajeitou-se na cama, fechando os olhos e colocando um dos braços sobre a testa. Respirava profundamente, iria dormir... Precisava dormir. Não aguentava mais, só queria descansar.
— Sangwoo... – ouviu a voz baixa e rouca do ômega.
— Hm? – Sangwoo não saiu da posição em que estava “Ele não deveria falar... Parece com dor...” – pensava vagamente o alpha.
— Eu sinto muito. – completou Bum.
O alpha abriu os olhos.
“Hein? Como assim? Você foi atacado!” — fitou o rapaz seriamente.
— Quê?
— Sobre o que eu disse... – o ômega ficou vermelho: — Eu não quero que mais ninguém me morda e fico feliz por sua manada cuidar de mim.
“Ah... Isso...”.
Ajeitou-se na cama, assimilando aquelas palavras: — ... Se é assim... – fitou o ômega nos olhos, “Se é dessa forma, se você realmente se importa...”: — Por que está de coleira?
O garoto pareceu ser pego desprevenido, o que o deixou particularmente encantador e corado até as orelhas: — Esqueci completamente... – murmurou.
Sangwoo observou a cena. Ele havia esquecido que estava de coleira? Por que ele pôs uma para começo de conversa? Foi antes do ataque? Ou para evitar o pior... – o alpha suspirou, não adiantava ficar formulando perguntas em sua mente. O importante era que detestava aquilo – ergueu a palma da mão.
— Você... – o ômega corou ainda mais.
O alpha sorriu, o cheiro do rapaz começava a ficar mais forte, gostava de deixá-lo daquela forma: — Se é como diz, não tem problema eu tirar, não é? – seu tom saiu provocativo.
O moreno baixou o olhar e então saiu. Iria buscar a chave?
“Talvez ele tire sozinho...” – refletia o alpha.
Por que aquilo era tão importante? Jogou a cabeça no travesseiro. Não tinha ideia. Fechou os olhos. Mas qualquer coleira naquele pescoço o irritava profundamente...
“Eu quero dizer a todos que ele é meu?” – sacudiu a cabeça negativamente.
Queria fumar. Aquilo era estressante. Abriu os olhos e aguardou enquanto ouvia o som de passos.
O rapaz voltou calmamente, ajoelhando-se diante de Sangwoo e lhe entregando a chave enquanto erguia o queixo para deixar visível o encaixe da coleira. O coração do alpha deu um salto inesperado. O ômega realmente o estava deixando...
Respirou fundo, abrindo a coleira e retirando o objeto. Tocou suavemente sobre a cicatriz, estava ainda mais profunda com as marcas roxas ao redor. Desviou o olhar. Estava sendo injusto novamente, o rapaz já havia passado por uma manhã terrível, e ali estava ele, fazendo exigências.
— Se é assim... – o alpha hesitou. Deveria ser honesto? Ou talvez inventar uma desculpa? Talvez se não dissesse nada e apenas aceitasse as desculpas? Refletiu por alguns segundos e então continuou: — Sinto muito também. – suspirou, detestava se desculpar. Fechou os olhos, iria ser sincero: — Eu não deveria tê-lo chamado de pervertido, na realidade, você é o ômega mais controlado que já conheci. – fez uma pausa, aquilo era extremamente verdadeiro. Nunca conhecera um ômega como Bum.
Abriu os olhos, fitando o teto de seu quarto. Não costumava se justificar tanto... Mas, se já começara: — E... Olha, sobre os presentes... – fitou o ômega que o observava atentamente: — Não é que eu queria chamá-lo de interesseiro ou algo assim, sei que falei que você estava gastando o dinheiro, mas exagerei nessa parte. – parou de falar novamente.
Na verdade, toda aquela história de presente fora bastante irritante. Tentou sentar, mas a dor na cintura o impediu, fazendo-o falhar miseravelmente, apenas voltou a deitar: — É que se você ficar aceitando todos os presentes que eles lhe derem, isso não vai ter mais fim, entende? O alpha suspirou profundamente
“Todo mundo vai querer ficar enchendo ele de coisas, e não é como se eu fosse pobre ou algo assim”.
— Além de não ser necessário, se você realmente quiser alguma coisa, eu posso dar a você.
“Isso seria muito mais simples.” — pensou o alpha consigo.
Bum parecia em choque: — Você ficou com ciúmes...? – o ômega disse com o princípio de um sorriso nos lábios.
— O quê? – Sangwoo ficou indignado, ele, com ciúmes? O ômega estava zoando da sua cara?
Bum sorriu: — É que... Do jeito que disse, parece que não quer que eu receba nenhum presente que não seja teu.
Sangwoo piscou. Ele soara daquela forma? Quando? Parou para pensar. Ficou um pouco sem graça. É... Talvez... Um pouco...
— Não... – não fora o que queria dizer, não estava com ciúmes: — É... – olhou para o lado pensativo, não era como se estivesse com ciúmes, era? Quer dizer... Não queria que ele recebesse outros presentes, mas, isso não significava necessariamente ciúmes...
— Então está tudo bem se eu receber presentes? – Bum provocou.
Sangwoo pensou imediatamente “Não”, mas não respondeu. O ômega riu, tossindo um pouco. O alpha o observou. Aquilo era sua culpa.
—... Deveria ter feito você ficar em casa. – disse, transportando seus pensamentos para seus lábios. Não queria que nada disso tivesse acontecido.
Notou o rapaz voltar a ficar vermelho e fitar o chão.
“Deve estar nervoso... Por quê?” se perguntava o alpha sem entender.
Não que o ômega precisasse de muitas razões para observar os próprios pés, mas a tensão do pequeno era evidente.
— Eu... – indo contra todas as possibilidades que o alpha tinha em mente, o ômega conseguiu corar mais: — Acho que devíamos ser amigos.
“Amigos...?” – pensou Sangwoo.
Espera. Ele estava o colocando em uma espécie de friendzone? Depois de tudo aquilo? Sério? O alpha riu. Só podia ser piada.
— Amigos...? Acho que amigos não fazem o que fazemos. – disse malicioso. Sabia exatamente o efeito que causava naquele garoto.
“É só você ficar próximo de mim que se excita, e quer que sejamos amigos?”.
Bum ergueu o rosto, ainda corado, fitando-o nos olhos: — Depende do tipo de amigo... – disse em um murmúrio.
Sangwoo parou de rir e se calou. Foi como se seu cérebro apertasse um grande botão vermelho escrito ‘PARE’ e congestionasse todo seu raciocínio. Como é? Ele havia ouvido bem? ‘Depende do tipo de amigo...’... O ômega realmente dissera aquilo, não?
— Espera. – ele ainda colocava os pensamentos em ordem: — Você tá sugerindo que sejamos amigos com benefícios?
O ômega desviou o olhar e fechou as mãos com força: — Se você não quer então... – ele se virou.
“Quê? EU não querer?”.
Sangwoo ficou alguns instantes confuso, entretanto, percebeu que o rapaz começava a sair do quarto.
— Espera! – ele tentou segurá-lo enquanto o mesmo ia para a porta, sentando-se no processo e sentindo uma pontada de dor: — Auch!
Bum voltou correndo para auxiliá-lo a deitar: — Você está bem?
— Eu só fiquei surpreso. – disse o alpha, fitando o pequeno “Talvez, chocado ao extremo, seja uma expressão melhor...”: — Achei que um ômega ia preferir algo mais estável, como, sei lá, um namoro. – ele fitou o moreno curiosamente. Era a última coisa que passaria por sua mente... Já teve amigos com benefícios antes, mas nunca dera muito certo.
“Por que você iria querer algo assim?”.
— Você está disposto a namorar? – o moreno lhe observava como se já soubesse a resposta.
— Não... – disse incerto. Nunca aceitaria namorar. Mas o que isso tinha a ver? Quer dizer que como ele não queria namorar, o ômega estava disposto a ser amigo com benefícios? Significava que, caso ele quisesse namorar, o moreno aceitaria?
“O que afinal você quer dizer...”.
— Então. — respondeu o ômega.
Sangwoo pensou pelo tom do moreno “Não fazer perguntas idiotas. Captei a mensagem”.
— Eu... Só quero ser seu amigo Sangwoo...
“Ser meu amigo? Meu amigo?”.
O simples fato do rapaz olhar os próprios pés ao dizer isso, já dava a sensação de que não era exatamente isso que ele queria... Não que Sangwoo tivesse algo contra ser amigo com benefícios de Bum, mas... De alguma forma aquilo lhe parecia mais errado do que certo.
— Sabe... Conversar... Conhecer você melhor. – o rapaz continuou, voltando a corar: — O problema é que... – ele parecia extremamente constrangido: — Eu não consigo evitar... Sentir vontade...
Sangwoo pensou no que Yangmi dissera algumas vezes, ele era uma gracinha. Não tinha como negar isso... E no momento, era como se implorasse para ser provocado.
— Sentir vontade de quê? – sorriu.
O ômega o fitou um pouco chocado, mas notou que o alpha já entendera. Fechou o semblante, ficando ainda mais sem graça. Sangwoo aumentou o sorriso.
“E agora?” – refletiu o alpha.
Se colocasse em uma balança, tinha mais vantagens do que desvantagens, certo? Não era um compromisso. Não precisava ser fiel. Poderia fazer sexo com o ômega sem ficar atucanado sobre como ele iria se sentir depois do ato, já que haveria um acordo entre eles e ainda poderia pensar em uma forma de quebrar o vínculo sem parecer um hipócrita aproveitador. Se não conseguia controlar seus instintos em relação aquele garoto, o melhor era apenas ceder um pouco, não?
— Está bem. – disse por fim o alpha: — Não é como se eu também conseguisse evitar. – deu de ombros.
O ômega pareceu extremamente surpreso com a resposta.
“Ele não tem a mínima ideia de como me deixa...” – pensou o alpha, voltando a focar seus olhos no pescoço do rapaz. Parecia um pouco inchado... Suspirou.
— Vou preparar algo para comermos. – disse o pequeno.
Sangwoo segurou o braço do ômega: — Não. – disse sério.
“Não quero que ele vá agora, e dessa vez, nada de atividades depois de passar por tudo isso.”.
— Você vai pedir tele entrega.
— O quê? Isso não é muito saudável... – murmurou Bum.
“Saudável...? Logo eu? Que vivi metade da vida comendo enlatados e congelados?”.
Não ligava realmente para isso, apenas puxou o rapaz para perto de si, fazendo-o cair na cama.
— Está tudo bem. – o alpha ficou sem graça por aquilo, não costumava ser tão direto. Mas, ao se lembrar de tudo que sentira naquele dia... Fitou os cabelos negros a sua frente, não deixando o menor virar-se, estava muito constrangido para deixá-lo encará-lo. Abraçou-o, colocando o rosto em seu pescoço, sentindo seu perfume intoxicante. Ele era tão quente: — Só... Vamos ficar assim, ok?
— Ok... – ouviu como resposta.
Sangwoo fechou os olhos. Estava indo longe demais e sabia disso... Às vezes as linhas que definiam o que queria fazer, do que podia fazer, do que deveria fazer, eram tão emaranhadas que se sentia preso em uma teia de caminhos possíveis. Apenas estar com ele em seus braços lhe trazia tanta tranquilidade, que não sentia como se realmente precisasse de mais alguma coisa. Adormeceu.
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