Destinados...?
14 Felicidade
O dia estava nublado, um vento frio passava por toda a creche, o que espalhava o perfume de flores campestres, presentes o ano inteiro no local. Contudo esse vento não incomodava as crianças que corriam pelo pátio fazendo seus monitores irem atrás delas. A maioria já não aguentava mais correr atrás dos pirralhos, conforme uns, anjinhos, conforme outros. As risadas se espalhavam por todo o local. Por que elas tinham tanta energia? Era a pergunta que todos se faziam. Com exceção de Bum. Ele sorria.
Aquela correria não importava realmente. O ômega se considerava, oficialmente, a pessoa mais feliz do planeta Terra. Poderia fazer aquilo o dia todo. Não ligava em correr, em ouvir as outras moderadoras de cochicho falando mal da vida, absolutamente nada estragaria sua felicidade.
Primeiro Sangwoo o pedira em namoro, ainda não entrava em sua mente que aquilo fora real e não um simples sonho. Depois eles – corou ao lembrar, melhor pular – e por fim, o alpha decidiu que o levaria e buscaria todos os dias, tudo porque ficara com ciúmes. Se tocasse uma música agitada naquele exato instante, Bum dançaria. Sua disposição era tanta, que cantaria se necessário. Isso que não estava contando que eles se despediram com um beijo... Quando se afastaram na escola, e agora que o deixara na creche.
“Ainda acho que posso acordar a qualquer instante.” – o ômega sorria enquanto corria.
— O tio Bum está tão estranho... – uma menininha de rabo de cavalo, chamada Sun-Hee, com belos olhos castanhos e sua sabedoria de cinco anos, constatava fascinada.
— Eu estou? – perguntou se ajoelhando diante da criança e parando um pouco com a correria.
— Sim... Normalmente você é assim. – ela fez uma cara sisuda, em uma imitação perfeita de Bum: — Hoje você tá assim... – ela sorriu bobamente e deu uma voltinha, em uma representação ainda mais perfeita de como Bum estava no momento: — Entende? – ela ficou muito séria encarando o monitor: — Você tá estranho.
— Ele deve ter passado pelo chio. – outro baixinho se aproximou, intrometendo-se na conversa.
— Quê? – Bum corou violentamente.
— Minha mãe quando passa pelo chio é sempre assim... – ele sacudiu a cabeça em negativa, como se afirmasse a coisa mais óbvia do mundo: — Toda vez que ela vai ter chio, eu vou pra vovó, daí quando volto, ela tá bem assim... – apontou acusadoramente para Bum.
— O que é chio? – perguntou a menina.
Bum deu um grito interno. O que deveria fazer? A decisão de como ou quando contar sobre os famosos cios recaía sempre sobre os pais. Mas conhecia muito bem a menina a sua frente, ela não desistiria até obter uma resposta. Sorriu sem saber o que dizer. Foi salvo pelo pequeno intrometido.
— Chio é quando você tem que ir pra vovó porque o papai e a mamãe precisam ficar sozinhos. – ele deu de ombros.
— Ahhhh – exclamou a menina: — É quando eu tenho que ir pra tia? É todo mês! Tão chato. – ela revirou os olhos em revolta.
— É! Mas a mamãe sempre fica assim. – o menino apontou para Bum: — Toda a vez. Então é legal.
Bum queria cavar um buraco e entrar dentro.
— Nenhum dos meus pais fica assim. – ela parou refletindo sobre o assunto: — Quer dizer, um deles sempre está tão cansado quando eu volto que nem quer brincar... – a pequena constatava chateada a descoberta: — Não gosto de chios. – concluiu muito decidida.
Bum riu. Claro, as crianças não tinham como saber... Mas a pequena Sun-Hee era uma alpha, se um dia ela encontrasse um ômega que a fizesse feliz, provavelmente amaria os cios.
— Certo! – o rapaz levantou: — Quem conseguir se esconder de mim, ganha um bombom. Concordam?
As crianças esqueceram todo o assunto de “chio” e se focaram na recompensa, mexendo a cabeça positivamente. Bum virou de costas, foi até uma árvore e começou a contagem.
— 1... 2... 3... 4...
A tarde passou tranquilamente. Antes de chover todas as crianças já estavam devidamente dentro da creche, onde brincavam e esperavam seus pais.
Já chovia quando Bum terminou seu turno. Foi para o vestiário, que ficava separado dos banheiros, onde todos os monitores possuíam um armário – trancado com cadeado a senha. Todos costumavam guardar suas coisas ali, onde também colocavam e tiravam os aventais que usavam. Como não era uma troca total de roupa, o local era usado por todos os funcionários, independente de gênero e sexo.
O ômega retirou seu avental, que tinha pequenos avestruzes desenhados, o guardou no armário, pegou sua mochila e celular de dentro. Ligou o celular, pois queria mandar uma mensagem a Myung-Hee questionando o que acontecera entre ela e Yangmi, mas acabou vendo mais de quinhentas mensagens não lidas.
“Quê?” – seu cérebro não comportava tamanha informação.
Algumas vinham do grupo de formatura – estava mais agitado agora que faltava tão pouco... Mas, a grande maioria era de números desconhecidos. Estranhou. Abriu um aleatório para ver do que se tratava.
Deu de cara com uma foto de Sangwoo transando com uma garota.
Baixou rapidamente o celular devido ao choque.
Sacudiu a cabeça, respirando fundo e olhando novamente a foto. Sangwoo estava sobre a garota, que sorria satisfeita.
Bum notou dois detalhes, o primeiro é que nenhum dos dois tirava a foto, ou seja, devia haver um terceiro envolvido, o segundo era que o rapaz se encontrava com os cabelos negros. A foto era antiga.
“Por que me enviariam isso...?”.
Decidiu abrir as mensagens, sentando por um instante nos bancos que havia em frente aos armários. A grande maioria eram fotos de Sangwoo com diversas pessoas aleatoriamente, e frases provocativas do tipo ‘Cavalo amarrado também pasta’.
— Bum?... Seu turno já não terminou?
O ômega se virou, dando de cara com sua supervisora: — Ah, sim! – respondeu levantando.
Pegou seu casaco do armário e o trancou. Saiu do local olhando as mensagens, acabando por encontrar uma do próprio Sangwoo.
Oh Sangwoo
Não poderei te buscar hoje. Me desculpe. Estamos no final do semestre e estou cheio de trabalhos, apresentações e provas, me esqueci de que essa semana combinei ficar depois do horário na biblioteca.
Mas minha manada irá buscá-lo, ok? Hoje vai ser a Young.
Sei que ela é meio... Enfim, se quiser te dou um presente como recompensa.
Realmente sinto muito.
Bum fitou a mensagem e sorriu. Estava feliz por receber mensagem de Sangwoo... Ao mesmo tempo triste por ser para avisá-lo que não viria. No fundo já imaginava que algo assim poderia acontecer... Escreveu rapidamente.
Tudo bem... Obrigado por avisar.
Um presente? Pode ser algo de comer?
Não demorou muito para receber a resposta.
Oh Sangwoo
Claro. O que quiser...
Bum sorriu, escrevendo em seguida.
Na lanchonete que a Yangmi me levou, vendiam Kyungdan.
Não comprei no dia, mas fiquei com vontade...
Sangwoo era rápido em escrever, concluiu Bum ao ver que o rapaz o respondera quase imediatamente.
Oh Sangwoo
Arg, doce... Ok. Pode deixar, compro uma caixa deles para você
.
Bum piscou, mandando a resposta.
Você realmente não gosta de doces, né?
Como sempre, a resposta não demorou.
Oh Sangwoo
Não. A única exceção recente foi o bolo que fez... Estava muito bom.
Bum corou violentamente. Saiu da creche, colocou o celular em modo vibratório – porque não parava de receber mensagens, e viu Young esperando-o em um Honda Fit vermelho. A garota de cabelos castanhos vestia um casaco preto e não parecia disposta a sair do automóvel naquela chuva.
O ômega correu até o carro e entrou, recebendo uma toalhada como presente de boas vindas.
— Melhor se secar. Não quero o Sangwoo me acusando de ser a causa de você pegar uma gripe. Principalmente agora.
Bum passava a toalha nos cabelos: — Principalmente agora?
— É. Sabe, que vocês voltaram e ele parece um grude. – ela revirou os olhos: — Você passou a vida inteira andando de ônibus, até durante a transição ele não parecia ligar tanto pra isso, agora? Nem pensar. — ela suspirou irritada: — Você não se incomoda?
— Incomodar...? Por ele não querer que eu vá de ônibus...? – o pequeno secava a ponta dos cabelos, sem entender o ponto da garota.
— É. E sua independência onde fica? – ela ligou o carro: — Se prepara, porque eu acho que você nunca mais vai poder fazer nada sozinho.
Bum riu: — Não acho que ele nunca mais vai me deixar fazer nada...
— Mesmo? – ela tirou o smartphone: — Lê isso.
O ômega pegou o celular da garota, se deparando com a seguinte conversa.
Sang
Não vou ter como buscar o Bum hoje, preciso de ajuda.
Dong
Hm, hoje não posso.
Ji
Eu também não posso... Mas a Young não tem nada, não é?
Bum piscou, “Ji” deveria ser a Jieun e “Dong” o Dongyu...
Eu
Eh? Por que ele não volta de ônibus pra casa?
Sang
Porque eu não quero. Você vai ir hoje. É uma ordem.
Eu
... Nossa. Educação mandou lembranças. Ok.
Mas agora a gente vai ter que fazer isso sempre?
Sang
Se eu quiser, sim.
Bum prendeu o riso. Pareciam duas crianças...
Eu
Mas então não é melhor que ele aprenda a dirigir?
Sang
Se ele quiser aprender... Mas, não é realmente necessário, posso cuidar disso.
— Chegou à parte que ele diz que não é necessário que você aprenda a dirigir? Loucura, né? – ela sacudiu a cabeça negativamente: — E se você quiser sair sem a companhia dele?
Bum riu. Não conhecia tão bem Young, mas pelo visto, ela era do tipo independente.
“Provavelmente ela desafia o Sangwoo o tempo todo...”.
— Quer dizer, eu sei que você é um ômega... – ela revirou os olhos, lembrando muito a pequena Sun-Hee para Bum: — Mas, e daí? Quer dizer agora que você tem que ser totalmente dependente dele? Que idiota.
— Hm... Acho que um dia vou querer aprender a dirigir, mas, por enquanto não é uma prioridade... – murmurou o garoto devolvendo o celular.
— Mesmo? – ela o fitou por um instante: — Não sei o que eu faria sem uma carteira... Ir para onde quero, quando quero, melhor coisa. – parou por um instante: — Quer dizer, graças ao senhor certinho, já não tenho vontade de ir a todos os lugares...
— Senhor certinho? – Bum perguntou confuso.
— Sangwoo! Cara chato... – murmurou Young: — Ele é todo certinho, sendo sincera, entrei na manada mais por causa da Ji... – ela fitou Bum: — Jieun. – completou, como se para ser mais clara: — Mas pensei em sair no primeiro mês. – refletiu se lembrando de algo: — Só que daí meu pai adorou ele... E aconteceram algumas coisas, no fim, fiquei. Não que me arrependa. Mas ele é muito cansativo às vezes.
Definitivamente, ela não sabia das lutas ilegais... Provavelmente havia uma razão para ela não saber, mas Bum refletiu que provavelmente a garota acharia Sangwoo menos chato e entediante se soubesse.
O garoto pensou seriamente se deveria ou não perguntar, contudo sua curiosidade falou mais alto. Queria conhecer melhor aqueles que faziam parte da vida do alpha...
— O que aconteceu? – disse depois de um tempo em silêncio.
— Quê? Sobre? – ela parou em uma sinaleira, virando-se para o pequeno.
— Para você decidir ficar...
— Ah! – ela se ajeitou no banco: — Hm... – olhou o rapaz como se analisasse se deveria ou não contar, parecendo por fim achar que não seria ruim: — Olha, eu a Jieun temos uma classificação nossa para festas. As “A” são as que você foi, sabe... Em mansão, com a galera, tem orgia e tals, mas tudo dentro da legalidade, normalmente é mais vip. As “B” são as comuns, em boates... Já as “O” digamos assim, são mais pesadas.
Bum piscou.
“ABO hm? Normalmente se refere à alpha, beta e ômega...”.
Resolveu não comentar todo o preconceito envolvido na classificação ‘inocente’ delas, afinal, provavelmente elas já sabiam e simplesmente não ligavam.
— A Jieun nunca vai nas O, ela acha muita baixaria, mas eu nunca liguei em ir. – continuou a garota: — O problema foi que, quando entrei na manada do Sangwoo, ele disse que era proibido ir! Acredita nisso? Proibido! Há! Até parece... – ela bufou: — Então, eu não obedeci claro. Mas daí ele começou a enviar sua fiel escudeira para me buscar...
— Fiel escudeira? – Bum perguntou confuso.
— Yangmi. Claro. Quem mais seria? – ela suspirou: — Então eu ia, ela me buscava como uma babá, eu ficava puta, nós brigávamos, e eu era arrastada para casa. Aquela garota é inumanamente forte. Adivinha quem adorou?
Ela olhou Bum como se fosse uma pergunta muito óbvia, o rapaz refletiu por alguns instantes... Uma alpha rica e com família, que ia a festas muito perigosas – o ômega já ouvira falar do tipo de local que a garota se referia, entrou em uma manada que o líder fazia um dos membros se deslocar para arrastá-la sã e salva para casa... Quem iria gostar disso?
— Seus pais?
— Exatamente! Meu pai, na verdade, minha mãe sumiu no mundo. Enfim, ele nunca conseguiu me controlar... Mas inventei de entrar na manada do Sangwoo, e comecei a ter dois pais e irmãos mais velhos muito irritantes. O velho adorou lá em casa... Tanto que, já está tudo programado para o Sangwoo fazer a residência no hospital principal da minha família.
— Sua família tem um hospital? – perguntou surpreso Bum.
— Uma rede de... Mas, enfim, o importante é que eu estava furiosa e louca para sair da manada... Nem pela Jieun, entende? Só que... – ela refletiu: — Acabei indo em uma festa realmente ruim... – sacudiu a cabeça negativamente: — Quando cheguei lá, tinha esse cheiro forte de cio... E então... – ela mexeu os ombros, como se lembrasse de algo apavorante: — Havia essa garota, ela estava jogada no chão e colocava as mãos no pescoço, tentando se proteger, mesmo com coleira... E... Eu enlouqueci. Foi horrível. Não conseguia pensar em nada, só queria arrancar a coleira dela... Comecei a brigar para conseguir chegar nela, e acredite, eu odeio brigas... Mas... O Sangwoo apareceu e me impediu de continuar aquela loucura. Pelo que entendi, nem a Yangmi conseguiu entrar naquele lugar.
— Isso deve ter sido horrível... – murmurou Bum sério.
— Nem me fala! A gente pensou em voltar pela garota, o Sangwoo achou estranha a forma como ela estava... Mas, o local estava cheio de betas e ele era o único que conseguiria se controlar naquela situação. No fim, chamamos a polícia. Mas, ela veio? Não. Aff... E essa nem foi a pior parte. – ela moveu a cabeça, refletindo: — No dia seguinte, acordo, e quem está na primeira página do jornal?
— A garota da festa... – respondeu o rapaz.
— Exato! Imagina se eu tivesse mordido ela? Todos os alphas que a morderam pegaram perpétua. Enfim, depois disso decidi que realmente era melhor não ir nessas festas e parei com isso... Também fiquei um pouco grata ao Sangwoo, afinal, podia estar presa agora, né?
O ômega piscou. Lembrava-se desse caso, uma ômega que fora mordida por diversos alphas e morrera agonizando em uma vala. Teria sido só mais um caso, se ela não fosse filha de alphas importantes e tivesse sido sequestrada para uma festa ilegal.
“Então foram eles que ligaram para a polícia...”.
A ligação vazou, gerando uma enorme investigação devido à incompetência da polícia. Até leis para evitar situações semelhantes foram criadas. Como a que prioriza o atendimento policial caso o relato envolva um ômega.
“Lembro que antes do caso, morria de medo de ser sequestrado só por ser ômega...”.
O pequeno lembrou-se da própria mãe, que definitivamente, não teve o mesmo tratamento da garota. Os homens que a mataram só foram presos porque um policial decidiu fazer o exame dentário nas mordidas que ela levara.
Apesar de ser – por lei – obrigatório, o exame quase foi dispensado. A mãe de Bum demorara a ser encontrada, e a ‘desculpa’ oficial seria que a possibilidade de gerar algum resultado conclusivo no estado em que o corpo estava, era muito baixa. No fim, um policial insistiu e conseguiu, usando o argumento básico de que ‘possibilidade baixa, não é nula’. Coincidentemente, a gangue era fichada.
“Mesmo assim... A pena foi atenuada por se tratar de uma prostituta, ficaram longe de ganhar perpétua.”.
De qualquer forma, o rapaz sentia que alguma justiça fora feita, pois o mais comum era não haver justiça alguma. Ômegas morrerem e simplesmente ninguém ligar, ou, como era mais comum, os próprios ômegas levarem a culpa pelo infortúnio. Suspirou.
Young definitivamente era uma garota estranha, no ponto de vista de Bum, e ele não tinha muita ideia sobre o que pensar dela. Afinal, foi necessário alguém morrer e uma caça às bruxas ser feito, para a jovem notar que o local aonde ia era perigoso. Provavelmente a alpha mais cabeça dura que conhecera em sua vida.
Quando ficaram em silêncio novamente, tornou-se bastante claro que o celular do ômega não parava de vibrar por nenhum segundo. Chegou a um ponto que a garota estacionou o carro, virou-se para o pequeno e bufou.
— Sério. Qual o problema do seu celular? Ou você está mais popular que eu, ou tem algo errado.
O rapaz engoliu em seco. Ficando um pouco sem graça: — Hm... São mensagens, eu acho...
— Você acha? – ela o fitou séria: — Hm. Haters?
— Creio que sim... – murmurou o moreno.
— Aff, que gente chata. É por causa do Sangwoo, né? Até parece que ele tem mel ou algo assim, ele pode ser bonito, mas não é nenhum Kim Jaejoong ou semelhante... – ela deu de ombros, estendendo a mão.
Bum não entendeu.
— O celular amore, vou te passar um aplicativo que bloqueia números desconhecidos. Assim não te torram mais.
O ômega entregou o celular e a garota começou a mexer.
— Nossa... Realmente um monte. – ela pegou o próprio celular, fitando-o por um instante: — Hm... O seu é um modelo mais antigo, mas ainda aceita o aplicativo... Espera... – continuou digitando.
Depois de alguns minutos, Young sorriu: — Pronto. – disse entregando o celular para Bum: — Aproveitei e coloquei o telefone de todos da manada, porque você só tinha o da Yangmi, além do Sangwoo, claro. – ela voltou a dirigir.
Bum correspondeu o sorriso pegando o celular e observando-o. Realmente, parara de vibrar. Olhou para a lista de contatos, havia agora uma Ji, um Dong, um Chung, um Hoo, um Seung, um Tae, uma Yuyu e por fim, uma You. Começou calmamente a colocar do seu jeito... Min Jieun, Kim Dongyu, Park Chung-Ho, Seo Jihoon, Jung Seung, Bai Taehyun, Choi Yura e Ah Young. Não ligava para o que pensavam... Preferia dessa forma.
Quando chegaram a casa, Young estacionou e o fitou longamente, até começar a falar em um tom mais sério do que o que usara até aquele momento.
— Admito que não acreditei. Quando ele contou que havia escolhido um ômega e te levou na festa que a Jieun preparou... Não achei que era sério. O Sangwoo pode ser certinho para algumas coisas, mas, não em relacionamentos, pelo menos foi o que pensei...
Bum não sabia o que responder.
— Então você foi atacado e ele tornou o Taeyang um fahise. Algo realmente inesperado. – ela pegou o próprio celular, mostrando dessa vez uma conversa privada.
Eu
Sang, agora falando sério, por que você está tão preocupado com ele?
A transição já terminou.
Já era. Ele é seu, ninguém vai atacá-lo porque seria perda de tempo.
Você pode localizá-lo agora.
Sang
Primeiro: Conseguir localizá-lo não significa que posso me tele transportar para onde ele esteja se algo acontecer.
Segundo: Não quero que o seu amigo se meta.
E pelo que soube, ele adora dar carona, então resolvi arrancar o mal pela raiz.
Eu
Amigo?
Sang
Yoonjae.
Eu
Ah!
AHHHH Você tá com ciúmes kkkkkkkkkkk
Sang
Você mesma disse, ele é meu, sem compartilhamentos.
Bum corou violentamente enquanto a garota segurava o riso.
— Sério. Eu vivi para ver o Sangwoo com ciúmes, e o pior, com print para provar. – ela falou quando notou que o ômega terminara de ler, finalmente rindo da situação: — Tive de mostrar isso pra Ji e dizer “Desisti amore, já era.”, mas ela meio que já tinha “captado” antes de mim... Ei, tenho uma pergunta...
O ômega parou de ver o display do celular e fitou os olhos da garota.
— Se o Sangwoo é praticamente um segundo pai, a Yangmi se autointitula minha irmã mais velha, você é o quê? Minha mãe?
O garoto corou: — Hã?
— Ua! Você fica corado tão fácil! – ela sorriu: — Dá vontade de ficar provocando. – ela soltou uma risada mais alta.
Bum baixou o olhar, refletindo: — Acho... Que talvez. Não sei se “mãe” seria a palavra, mas provavelmente um terceiro pai. – ele fitou a garota que parou de rir: — Eu só sei que quando consigo sentir você, percebo que nunca está tão bem de saúde, acho que deveria se alimentar melhor. Tenho que ir... Tchau. – o ômega afirmou com a cabeça, deixando a garota corada e abrindo a porta do carro.
Saiu e correu para a entrada, abrindo a porta rapidamente. Ao entrar, colocou suas coisas em um canto e foi tomar um banho quente, afinal, estava encharcado por causa da chuva.
Vestiu a camisola com pequenas estrelas do dia anterior e foi cozinhar. Faria algo rápido como jantar. Depois de cortar tudo, deixou alguns ingredientes cozinhando e foi olhar o celular, sentando no sofá da sala. Nenhuma mensagem nova, mas as antigas permaneciam ali. Começou a abri-las novamente, sempre as mesmas coisas...
“Realmente acham que isso pode me atingir...”.
Não era como se fosse a pessoa mais confiante do mundo, mas a questão era que já conhecia todos aqueles ‘relacionamentos’, os vira acontecer pessoalmente. Cada um deles. Respirou fundo, olhando uma foto em que Sangwoo aparecia com a cabeça raspada.
“Primeiro semestre... Ele tinha acabado de sair do exército...”.
Única vantagem provada em ser um ômega, não precisar ir para o exército. Fora dispensado.
Olhando as fotos do alpha, acabou suspirando e viajando em suas próprias lembranças.
— Quatro anos atrás, né?... – murmurou.
Bum estava em seu primeiro dia de aula na universidade, nervosismo era a palavra que o definia. O tempo era ameno, apenas um vento frio e irritante batia em alguns momentos, como se para lembrar que faltavam algumas semanas para começar a ficar quente. Sentara no fundo e sozinho, como gostava.
Sua primeira matéria seria Fundamentos de Direito. Onde estudariam todas as leis comuns a todos os gêneros. Ao mesmo tempo em que o professor começava a falar, um rapaz entrou na sala de aula. Teve sorte de ser o primeiro dia. O professor Yang Seungbae não perdoava atrasos.
O rapaz lhe chamara a atenção de cara. Era alto, parecia forte, com certeza, muito bonito. Tinha o cabelo raspado, provavelmente acabara de sair do exército. Bum desviou o olhar, pois tudo indicava que, sem dúvidas, era um alpha. A questão é que sem muitas escolhas, ele sentara ao seu lado.
“Só ignorar...” – foi o que pensara a princípio.
O problema, é que o cheiro do alpha, que descobriu chamar-se Sangwoo, começou a excitá-lo... Nunca se sentira daquela forma, era diferente de seu cio, mas igualmente quente. Ficou apavorado. A aula transformou-se em uma sessão de tortura. Não importava o quanto fechasse os olhos e se controlasse, nada parecia adiantar. Começou a torcer para o professor calar a boca e ele poder ir embora.
Quando finalmente terminou, correu para o banheiro, onde a natureza de sua situação forçou-o a se masturbar. Como sempre, fora nojento. Sentia muito nojo daquilo... De si... De tudo. Começou a chorar em seguida. Lavando as mãos e ligando para sua psicóloga. Não conseguia entender. Seu pesadelo mensal, o cio, não estava próximo.
Com toda a calma do mundo ela lhe explicou que ainda era um ômega. Era natural sentir atração por alphas... Que ele não precisava ficar daquela forma. Que aquilo era algo positivo, afinal, um dos motivos de nunca ter dormido com Yoonjae era que não se excitava com ele.
— Mas ele não é meu namorado! É um alpha que mal vi... O que tá acontecendo? Não sei se consigo lidar com isso... – Bum chorava um tanto desolado, não ligando para as pessoas que entravam e saiam do banheiro, fitando-o curiosas.
— Respira. Tente manter a calma... Está tudo bem Bum, eu já disse que seu corpo teve uma reação natural...
— Eu nunca tive essa reação antes! E se entro no cio? Não sei o que fazer...
— Ok. Vamos com calma, está bem? Há quanto tempo nos conhecemos?
— Dois anos...
— Certo. Quantas vezes você entrou no cio involuntariamente e se desregulou?
—... Nenhuma...
— Onde você quer passar seu cio?
— No meu ninho. – murmurou o rapaz.
Fazer seu ninho foi à parte mais difícil de seu tratamento. Sinceramente, pensou que não conseguiria. Sentia-se tão confuso sobre os conceitos de família, que não conseguia imaginar um local onde pudesse criar uma... Foi duro. Complicado. Mas, depois de um ano, conseguiu montá-lo pela primeira vez na vida.
Atualmente, passava seus cios em seu ninho. E isso tinha um significado único e muito especial.
Bum lavou o rosto.
— Nunca me senti assim com o Yoonjae... – sua voz era um sussurro.
— Você estava em uma situação vulnerável, sentir-se dessa forma lhe trazia apenas más lembranças, sua reação foi manter-se fechado. Algo totalmente compreensível Bum...
Secou o rosto.
Se em algum momento tivesse se sentido dessa forma, e feito o que seus instintos diziam para fazer, será que Yoonjae o teria deixado? Traído? Dito que era sua culpa? Tinha apenas dezesseis naquela época... Já estavam namorando há um ano quando o rapaz terminou.
E que término! Fora horrível, sentiu-se um lixo. Descartável e inútil. Realmente não achava que sexo significasse tanto, a ponto dele tratá-lo daquela forma. Em alguma parte de sua mente, jurava que ele o entendia.
Refletiu muito após o término, se era sua culpa não conseguir dormir e se entregar para aquele que amava, então, com certeza era igualmente sua culpa não conseguir evitar todas as investidas de seu tio. Naquele dia, decidiu se matar. Caminhou até o único lugar que lhe dava alguma lembrança de casa, de amor verdadeiro. O morro onde sua mãe fora enterrada. Ficaria com ela pra sempre. Quando estava prestes a fazê-lo, com a faca na mão e olhando a marcação que delimitava o lugar exato que ela estava, ouviu passos.
O destino lhe dera uma nova oportunidade. Conheceu os pais de sua mãe, que arrependidos de não terem aceitado a filha de volta, quando a mesma perdeu o marido, decidiram cuidar dele. Principalmente depois que notaram todos os hematomas que possuía. A partir daquele dia, sua vida mudou. Voltou apenas mais uma vez para a casa de seu tio, onde pegou algumas mudas de roupa discretamente, e inventou que iria comprar cigarros.
— Não quero passar por aquele inferno de novo... – murmurou meio perdido.
Imediatamente a psicóloga percebeu que o ômega já não se referia ao ex-namorado: — Você não vai. Ele não está mais presente na sua vida Bum. Você está seguro. Repete comigo. “Eu estou seguro. Ele não está aqui.”.
— Eu estou seguro. Ele não está aqui. – repetiu o pequeno.
Após sua mãe morrer, quando tinha oito anos, se mudou para aquele inferno. Inicialmente não fora tão ruim, os pais de seu pai o tratavam bem. Contudo, sua avó morreu quando completou nove, e como se realmente não conseguisse viver sem ela, seu avô partiu um ano depois. Tinha dez quando começou a morar apenas com os tios. Doze quando foi estuprado pela primeira vez. Dezesseis quando finalmente conseguiu partir.
Naquele momento, enquanto encarava seu rosto inchado pelas lágrimas derramadas no espelho do banheiro da universidade, tinha dezoito anos. Tratava-se com uma excelente psicóloga para ver se conseguia recuperar qualquer coisa restante de sua autoestima.
Respirou fundo. Não podia pôr tudo a perder. Seus avós maternos faziam um grande sacrifício todo o mês... Faltava comida, mas nunca dinheiro para seu tratamento.
— Me descontrolei... Desculpe... – murmurou no telefone.
Lavou novamente o rosto.
“O que aconteceu hoje, é apenas uma pedra. Não uma montanha.” – repetia como um mantra mental.
— Não se desculpe, estou aqui para isso, lembra? Como está se sentindo? – perguntou a voz gentil do outro lado da linha.
— Melhor... – respirou novamente: — Obrigado.
— Quer conversar sobre mais alguma coisa, Bum?
— Não... – sorriu de leve: — Obrigado doutora, ficarei bem.
— Então, nos vemos na sua consulta, qualquer problema, me ligue, está bem?
— Sim. Obrigado. Até a consulta. – respirou fundo, desligando o telefone.
Não podia permitir que aquilo lhe levasse tão profundamente em sua dor. Era muito tempo de tratamento para deixar tudo escorrer por seus dedos. Finalmente estava bem. Finalmente estava seguro. Finalmente estava livre dele. Finalmente encontrara uma família gentil e acolhedora.
“Desculpa vó, vô... Vou me esforçar mais.”. – pensou, secando o rosto uma última vez e se ajeitando.
Ao sair do banheiro, levou uma estojada na cabeça.
— Quê? – perguntou assustado, colocando a mão no local da batida.
— Desculpe! – uma garota baixinha veio correndo: — Aquele ENERGÚMENO – ela apontou para um rapaz: — Desviou! MAS ERA PRA VOCÊ! – berrou a garota indignada para o rapaz que fugia correndo.
Bum alisava a cabeça, que provavelmente teria um enorme e doloroso galo, só então reparando que a garota morena e baixinha usava uma bela coleira.
Percebendo que era observada, ela se virou rapidamente, fitando o moreno.
— Vai falar alguma coisa da minha coleira também? – perguntou revoltada.
O ômega refletiu: — Que ela combina com o seu vestido?
A garota se calou por alguns instantes e então sorriu: — Lee Myung-Hee, prazer, e você é?
—... Yoon Bum. – disse simplesmente, sua testa ainda doía.
— Vem! Melhor ir à enfermaria colocar algo na sua cabeça... Tenho a impressão que te conheço... Por acaso você estava na aula de Fundamentos de Direito, do professor Yang? Juro que te vi por lá... Mas não tenho certeza. – ela falava enquanto o arrastava.
Aquele semestre fora terrível, principalmente durante os cios, em que a única coisa que conseguia pensar era no cheiro do alpha. Era assustador. Por isso o evitava... Nunca correra tanto de alguém, o que era bastante estranho. Pois corria dele a maior parte do tempo, e gemia seu nome pelo menos um dia por mês. O dia inteiro.
Contudo, ao mesmo tempo, começou a observá-lo à distância, e a segui-lo nas redes sociais. Percebendo que era exatamente o tipo de alpha que queria evitar. Vivia em festa, dormia com um monte de gente, enfim...
“Provavelmente se namora, deve trair o tempo todo...”.
Lembrou dolorosamente de Yoonjae.
Surpreendeu-se ao sempre ler que isso, na verdade, não ocorria. Ele simplesmente nunca assumia namoro nenhum. Às vezes surgiam boatos, mas, não passavam disso, boatos. Admirou a honestidade do rapaz.
O segundo semestre fora mais tranquilo sem o alpha por perto. Mas, ao mesmo tempo, sentira sua falta... O que era esquisito, porque não possuíam nada em comum. Não havia uma razão para isso...
O que realmente complicava sua vida, era o fato de que mesmo distante, lembrava com perfeição de seu cheiro, e em absolutamente todos os cios, era no rapaz que pensava.
Começou a sair com Myung-Hee – que descobrira fazer o mesmo curso. Tornaram-se amigos. A garota, de vez em quando, o levava em alguma festa. Mas nenhum outro alpha lhe despertava interesse, o que às vezes era bom, às vezes era frustrante. Em alguns momentos, só queria esquecer.
No terceiro semestre percebeu que poderia estudar com ele novamente, caso conseguisse a vaga em Fundamentos de Direito Ômega, no mesmo horário que era disponível aos alunos de medicina... Quando conseguiu, não teve como evitar a alegria.
O alpha estava com cabelos negros. Voltou a vê-lo uma vez por semana. E se arrependeu disso... Toda a vez que ele se aproximava demais era uma tortura pessoal. Mas, ao mesmo tempo, essa tortura o ajudava a lidar com seu maior problema, o nojo que sentia de si.
Sangwoo o fazia ter vontade de se tocar, o que não era comum e nem voluntário. Contudo, quanto mais o fazia, mais natural começava a se tornar. A cada dia sentia menos nojo da ação e de si. Fazer fora do cio, se provou ser algo bom.
Bum sempre refletia como era inusitado um total estranho conseguir influenciá-lo dessa maneira. Definitivamente, o primeiro alpha com algum impacto positivo em sua vida.
No quarto semestre conseguiu o emprego na creche. O que o fez diminuir sua frequência na psicóloga. Novamente sentiu saudades do alpha. Às vezes questionava a doutora se na verdade, não era bipolar, porque aquilo não lhe parecia muito normal. Ela ria e dizia que a atração que sentia, era normal sim... O fato de não querer revelar ao alpha como se sentia, podia ser questionável, mas não o tornava bipolar.
No quinto semestre, por coincidência, voltou a estudar com Sangwoo, no caso, Fundamentos de Direito Beta. Dessa vez, pensava seriamente em contar seus sentimentos ao rapaz, sentia que se fosse dispensado, talvez conseguisse esquecer aquela paixonite estranha. O problema foi que se iniciaram boatos de que ele dormia com qualquer ômega sem perder o controle. E isso o fez congelar. Com certeza ele não iria querer dormir com ele, mas... Se por um instante ele o quisesse e o fizesse, isso não machucaria mais? Desistiu da ideia de se declarar. De qualquer forma, era loucura.
“E não é como se fosse algo sério...” – pensava consigo.
No sexto semestre sua avó adoeceu gravemente. Toda a sua atenção foi voltada para ela, junto com praticamente todo o dinheiro que recebia. Para poupar despesas em casa, se mudou para o dormitório. Também parou de frequentar a psicóloga, não tinha como manter. Por sorte, a doutora permitiu que caso quisesse, pudesse ligar. Ela não cobraria nada.
No sétimo semestre percebeu que teria a última matéria em comum dos cursos, Fundamentos de Direito Alpha. Decidiu estudar novamente com Sangwoo. Sabia que era estúpido de sua parte, sabia também que provavelmente o alpha não tinha ideia de quem era, mas gostava de observá-lo, e aquela seria a última vez.
O alpha estava loiro, o que Bum considerou que combinava muito com ele. À medida que o semestre terminava, refletia sobre o que sua amiga, Myung-Hee, vivia falando. Se nunca revelasse, nunca saberia o que aconteceria.
— Concluir sozinho é muito fácil. Como você pode ter tanta certeza que o seu crush vai te dar um fora? – dizia ela, sempre muito séria.
No último dia, mesmo sabendo que a lista de ômegas de Sangwoo só crescia, mesmo entendendo que provavelmente apenas receberia um “Não”, decidiu falar. Afinal, no fim, tinha que se livrar daquela paixonite que o perseguia. Nada melhor que um fora, não? Com toda sua coragem, antes de saírem, segurou levemente a mão do alpha.
O loiro se virou e seus olhos se encontraram. Só então o ômega percebeu.
Não era uma paixonite. Não ia se livrar disso tão fácil.
— Sim? – perguntou o alpha confuso.
Bum sentia como se seu coração estivesse na boca, não conseguia acreditar que só percebera naquele instante.
— Sangwoo! – uma voz feminina chamou, fazendo o alpha se virar.
— Só um minuto, Yangmi! – respondeu o loiro.
Bum aproveitou o momento para correr e fugir. Estava completamente apavorado. Chegou chorando ao dormitório, atirando-se na cama.
Não conseguia acreditar.
Por um breve instante, por alguns segundos...
Tudo que viera a sua mente era liberar todos seus feromônios. Provocá-lo. Seu lado ômega nunca gritou tão forte quanto naquele momento.
Quando exatamente? Quando se apaixonou pra valer? Quando a paixão se transformou naquilo? O estava amando?
Estava amando um alpha? Aquele alpha? Era masoquista? Gostava de sofrer, era isso?
Por sorte não tinha que ir trabalhar naquele dia, porque chorara até se acabar. A maior e predominante parte de seu choro era devido à raiva. Sentia muita raiva de ter se encantado logo por um alpha. Mais um alpha. Como se já não tivesse tido doses suficientes de alphas por toda uma vida. Mas, uma pequena e minúscula fração chorava por sua covardia. Acabaram as oportunidades, não? Não teriam mais aulas juntos. Já não o encontraria. Estranhamente, essa pequena parte, doía muito mais.
Um apito alto tirou o ômega do transe. A comida estava pronta. Parou de olhar as fotos antigas. Levantou, foi até a cozinha, desligou o fogão e arrumou a mesa. Voltou para a sala, sentando novamente no sofá.
Começou a apagar as fotos e mensagens, uma por uma. Aquilo não o atingia... Vira o alpha encantar diversas pessoas durante os anos que o observava...
Por isso sua esperança sempre fora nula. Ele era naturalmente carismático, as pessoas o cercavam e sorriam. Nunca pensou que seu momento atual pudesse ser real. Muito menos imaginou que ele lhe proporia namoro. Só por isso... Só isso... Sabia o quanto significava.
— A questão é... Ele escolheu a mim. – falou baixinho ao apagar a última.
Como pensara naquele dia inteiro. Absolutamente nada, roubaria sua felicidade.
Ouviu a porta da frente abrir. Sangwoo entrou carregando uma sacola. Parecia cansado.
— Trouxe Kyungdan, como pediu. – o alpha o fitou durante alguns minutos, enquanto largava a sacola na mesa.
— Obrigado! – respondeu animado o ômega: — Fiz o jantar.
— Hm. – o loiro se aproximou, puxando o moreno para seus braços: — Acho que quero jantar outra coisa... – sussurrou em seu ouvido enquanto cheirava e beijava seu pescoço.
Bum gemeu: — Achei que estava cansado... – murmurou o pequeno.
O alpha deu mais alguns beijos no pescoço do ômega antes de suspirar e se afastar um pouco.
— Estou. – resmungou sem ânimo. Apertando a bunda do menor e começando a beijá-lo na boca.
Bum correspondeu o beijo enquanto colocava os braços ao redor do pescoço do loiro.
Afastaram-se por um momento, Sangwoo se aproximou novamente, encostando sua testa na do pequeno.
— Ainda tenho que estudar... – confessou.
— Melhor comer o jantar que preparei antes.
— Eu sei. Mas estou dividido. – sorriu malicioso.
Bum corou, mas foi resistente: — Não se divida. Se tem que estudar, então estude. – deu um beijo rápido nos lábios do loiro: — Prometo que não vou fugir.
Sangwoo suspirou profundamente, definitivamente detestava ter de estudar tanto. Mas não tinha escolha, era o final do semestre. Sempre era assim.
— Ok. – resmungou se afastando e indo para a mesa.
Bum fitou o alpha se sentando e sorriu. Se pudesse voltar no tempo e falar algo para seu eu mais jovem, apenas diria que tudo ficaria bem. Que um dia, quando menos esperasse, iria entender a plenitude da palavra felicidade.
— Se você não vier logo, eu vou comer tudo. – ameaçou o alpha.
— Ei! – o ômega correu, sentando em seu lugar.
Jantaram em silêncio, mas sorrindo. Após isso, Bum lavou a louça enquanto Sangwoo a secou.
No fim se deram um beijo e o loiro foi para o escritório, enquanto o moreno para o quarto.
Antes de dormir em meio ao cheiro de Sangwoo, Bum finalmente conseguiu enviar a mensagem que desejava.
Myung-Hee, o que aconteceu entre você e a Yangmi?
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