Destinados...?

32 Especial: Obrigado


Notas iniciais
Se passa durante o início da faculdade.

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Aquela era a última página do livro enorme, que Bum tinha em mãos...

Leu algumas palavras, mas, seus olhos – traidores – acabaram se voltando para o rapaz sentado a duas mesas de distância.

Ele estava particularmente bonito nesse dia, camisa de manga longa, calça jeans, um ar meio despojado, mas não bagunçado, com uma das mãos apoiando o rosto – parecia um pouco cansado. Lia algo com uma concentração invejável.

Bum ficou por alguns instantes, curioso, para saber do que aquele livro se tratava, mas logo se voltou para sua própria leitura.

Tinha de parar com isso.

"Se alguém notar, vai achar que sou um stalker...".

O que não era verdade, fora até a biblioteca estudar e chegara antes dele ali...

"Foi coincidência..." – voltou a olhar o rapaz que bocejava, entediado.

"Como consegue se concentrar dessa maneira, se a leitura está tão chata...?".

Uma garota se aproximou de Sangwoo e ele sorriu, mas, era um sorriso falso. Estranho como depois de observá-lo durante aquele tempo, conseguia identificar esse tipo de sutileza...

Ele era um excelente ator, mas, havia diferenças quando ele interagia com sua manada e quando ele interagia com outros... Eram sutis, como a curvatura total de seus lábios, os movimentos levemente mecânicos, a forma como erguia sutilmente a sobrancelha – o que normalmente indicava um princípio de irritação, mesmo enquanto sorria e concordava com o que a pessoa falava...

Ok...

"Eu sou um stalker." – voltou a olhar o próprio livro.

Não era possível que soubesse tantas coisas se não observasse cada segundo dele... Odiava isso... Não queria perder o próprio tempo olhando para um alpha e parecendo um adolescente babando em cima de um crush. Queria... Que aqueles sentimentos desaparecessem.

Mas... – voltou a olhar o rapaz que erguia a sobrancelha e sorria.

"Ele está odiando falar com ela..." – pensou.

A garota tocou no ombro do alpha e se aproximou.

"Hm... Ela está usando o decote como arma..." – refletiu o ômega.

O rapaz observou o decote e depois desviou o olhar.

"Sinto muito senhorita, mas pelo visto, você já cedeu aos encantos dele, portanto, desista que ele não gosta de repetir o prato..." – sorriu o pequeno.

"Que droga Bum, ele trata pessoas como gado e você ri." – suspirou, falando mentalmente consigo.

Detestava aquele lado de Sangwoo... Ele não precisava dar esperanças à garota sorrindo daquela forma. Podia dispensá-la...

"Mas ele só dispensa se a pessoa se torna totalmente insuportável... Antes disso ele deixa em banho-maria como se não houvesse nada de errado nisso..." – suspirou.

Por que gostava de alguém assim? Quer dizer, Sangwoo não era cruel... Não dizia juras de amor e assumia compromisso, traindo e mentindo pelas costas. Mas, ele também não era bom... A honestidade dele era relativa...

Voltou a observar os dois, ele disse algo que a fez rir... E era exatamente isso que Bum detestava. Ele não precisava fazer isso... – bufou baixo, voltando seu olhar para o próprio livro.

De qualquer forma, seu sentimento em relação àquele alpha, era puramente físico, não? Uma atração involuntária provocada por seus feromônios. Eram apenas... Biologicamente compatíveis. Como dizia sua amiga Myung-Hee, 'não é amor, é sexo'. Provavelmente... – voltou a olhar os dois.

Também não era como se ele fosse de todo ruim... Quer dizer, ele era muito inteligente, dedicado e quando estava com sua manada, parecia gentil e protetor... Sangwoo não costumava julgar alguém por seu gênero ou classe, algo muito raro de se ver em um alpha. Aliás, a manada dele era composta por pessoas muito diferentes entre si. Isso mostrava o caráter polivalente dele... Líderes alphas costumam atrair seus semelhantes, gerando até ditados populares como 'mostre-me sua manada e te direi que tipo de líder és'.

Estava vendo o lado positivo do alpha... De novo, não?

"Melhor parar..." – pensou o pequeno, suspirando.

Voltando aos aspectos negativos...

"Ah, sim!" – Bum pegou o celular, abrindo alguns aplicativos.

Novas fotos de Sangwoo, praticamente nu, ao lado de uma garota aleatória, apareceu na tela do telefone. Como ele podia não sentir NENHUMA vergonha disso? Havia nudes dele pela internet inteira...

"O pior é que ele realmente não liga..." – visualizou a foto mais recente.

"Ele ficou ainda mais forte... Ou é impressão minha...?" – refletiu, analisando a imagem.

"Minha avó o chamaria de narcisista exibicionista... Se o conhecesse... E soubesse dessas fotos...".

Suspirou.

A quem estava tentando enganar? Ele era muito bonito... Não era pra menos que não sentia vergonha em se exibir... Com aquele corpo...

"PARA!" – gritou mentalmente consigo, desligando o celular e corando de leve.

"Qual o meu problema? Não é como se meu cio estivesse perto... Que droga... Não consigo parar de pensar nele... Ou no corpo dele... Ou..." – fitou novamente o rapaz.

"No cheiro dele..." – corou ainda mais ao lembrar.

"Desisto.".

Bum levantou e saiu, deixando sua mochila e livros na biblioteca – só iria até o banheiro.

Não conseguia ficar ali olhando outra garota flertar com o alpha, enquanto ele não tinha nem coragem de dar um oi...

Bom, mas, ela podia fazer isso, não? Era bonita, tinha um cheiro doce, parecia rica e popular...

Bum entrou no banheiro da biblioteca, um lugar grande e extremamente limpo. Não podia negar que a universidade tinha excelentes instalações. Foi até a pia lavar o rosto.

Sabia que Sangwoo o ouviria, caso se declarasse... Ele não era conhecido por ser rude... Talvez ele até lhe desse uma peça de roupa... Mas, a questão era que... – se olhou no espelho.

"Quem em sã consciência gostaria de mim?" – desviou o olhar.

Não era bonito, nem popular e... – sentiu o próprio cheiro – não tinha um cheiro doce. Alphas gostavam de cheiros que lembravam verdadeiras confeitarias, como chocolate, algodão doce, balas, chocolate com avelã – gostava desse em particular porque lembrava Myung-Hee.

Mas, não cheiros como o dele... – coçou a nuca.

Mesmo que usasse seus feromônios, Sangwoo provavelmente... Nunca... – baixou o olhar, respirando fundo e voltando a se mirar no espelho.

"Ah, tá... Então, se eu tivesse cheiro doce, me declararia? Diria a ele?" – corou mais.

Não. Nunca. Jamais. Morreria sem falar nada.

Contudo, talvez ele percebesse...

"Não comigo escondendo meu cheiro...".

E se deixasse sair... Um pouco? Só para ver a reação dele...?

...

Por que faria isso? Para a realidade provar o que sua imaginação já tão bem mostrara? Para ver com seus próprios olhos Sangwoo achando seu cheiro ruim? Não queria admitir, mas, dependendo da reação do alpha ficaria verdadeiramente arrasado... Melhor não. – sacudiu a cabeça, tirando esses pensamentos.

Iria seguir o plano e esquecê-lo, começaria apagando a conta fake que possuía para segui-lo.

"Me sinto uma criança fazendo isso e tenho que parar.".

Pegou o celular, logou na conta e deu de cara com uma foto nova. Fora postada por uma integrante da manada... Sangwoo estava debaixo de um pastor alemão enorme que lambia animadamente seu rosto. Na legenda dizia 'Sherlock 01 x 00 Sangwoo'.

Acabou rindo. O alpha parecia genuinamente feliz...

"Que bonitinho..." – sorriu enquanto salvava a foto.

Era um masoquista. Só podia ser isso. Suspirou, saindo do banheiro.

Voltou para a biblioteca, o rapaz não parecia mais estar lá, contudo, seu casaco ficara na cadeira.

"Provavelmente volta mais tarde..." – pensou o ômega, sentando e voltando a ler.

O tempo passou letargicamente, aquele livro era muito chato, Bum não aguentava mais ler sobre o que crianças betas faziam em seu tempo livre... Estava cansado, iria para casa dormir e comer o jantar que sua avó provavelmente fizera – ela era excelente cozinheira.

Levantou e começou a guardar todo o material, olhou para a cadeira onde o alpha se sentara naquela tarde e... O casaco ainda estava ali...

Andou devagar até aquela cadeira...

A biblioteca já ia fechar, se ele não voltasse, provavelmente iriam pôr nos achados e perdidos...

Podia entregar pra ele, não? Quer dizer, estudavam juntos no fim das contas...

Pegou o casaco.

Não precisou leva-lo até o rosto para sentir o cheiro forte que emanava...

Soltou o casaco, devolvendo-o a cadeira.

Entregar pra ele? Nem falava com ele... O melhor era deixar o casaco ali.

Virou-se, voltaria para sua mesa, onde deixara sua mochila e iria embora.

...

Voltou a olhar o casaco...

Olhou para os lados. Não havia ninguém ali...

...

"Droga... O que estou fazendo?".

Pegou o casaco e pôs na mochila.

Saiu correndo da biblioteca, entrou no ônibus – tentando não pensar em nada. Foi para casa aonde, quando chegou, correu diretamente para o próprio quarto.

— Querido, não vai jantar? – perguntou sua avó.

— Já vou...! – respondeu, trancando a porta.

Ótimo. Agora era um stalker, masoquista e ladrão.

Respirou fundo, ainda sentindo seu coração acelerado. Realmente fizera isso?

Abriu a mochila, deparando-se com o casaco.

"Roubei o casaco!".

Sua mente deu um pequeno grito de terror enquanto fechava desesperadamente a mochila.

Havia roubado o casaco de Sangwoo! E se alguém o vira? Não... Olhou para os lados, não tinha ninguém lá...

...

Ótimo, roubou — premeditadamente – o casaco de Sangwoo.

"Não posso nem culpar os meus instintos, eu estava bastante consciente, não?".

Fitou a mochila demoradamente, abrindo-a com calma. Podia devolvê-lo na segunda... Era só não fazer nada indecente com o casaco.

Mirou o casaco... O cheiro dele ali era tão absurdamente forte...

O levou, lentamente, hesitante, até o rosto, aspirando o perfume inebriante do alpha.

"Tão bom..." – suspirou ao sentir seu corpo inteiro arrepiar-se.

Como poderia gostar tanto de algo? Não era apenas excitação – que fazia seu corpo arrepiar-se e seu coração disparar. Era uma sensação profunda...

Plena...

Algo inexplicável, que o fazia querer correr para os braços dele... Queria... Ficar ao lado dele... Ser possuído por ele... Ser protegido por ele... Ser amado por ele... Ter filhos com ele... Passar o resto de seus dias ao lado dele...

Nunca admitiria aquilo em voz alta.

"Sou tão idiota." – pensou, afastando o casaco e colocando-o a uma distância considerável.

Era um stalker, masoquista, ladrão e idiota.

Não tinha ideia do por que sentia essas coisas, só sabia que sentia... E era intenso de tal maneira que fora capaz de roubar um casaco.

Roubar...

Pensou que nunca roubaria algo na sua vida. Nunca precisou disso... E sua mãe sempre lhe ensinara o quanto era errado... Sentia tê-la decepcionado de alguma maneira naquele momento.

Saiu do quarto, iria jantar... Não... Faria nada com o casaco.

"Vou devolvê-lo segunda.".

Era sexta, só tinha de passar sábado e domingo sem fazer nada. Consideraria aquilo uma prova.

...

...

...

Bum abriu a janela do quarto e olhou para o casaco estendido no varal – segunda pela manhã. Seus avós saíram naquele final de semana, uma coisa levou a outra... Teve de lavar o casaco.

"Se fosse realmente uma prova, eu teria reprovado com louvor." – respirou fundo.

Agora teria que explicar o porquê de um casaco três vezes maior que ele, estar estendido no varal.

Saiu do quarto devagar, talvez pudesse recuperá-lo antes da avó acordar... Se ela não o vira quando chegou da pequena viagem, talvez nem notasse a existência de tal objeto estranho na casa...

— Que casaco é aquele pendurado? Recebeu visita? – a senhora disse com um sorriso, segurando duas xícaras de café.

—... – o rapaz suspirou: — Não... Ele é... Daquele garoto que eu falei... – murmurou pegando a xícara.

— Ah! O garoto que você detesta, mas, que tem o sorriso radiante?

Sem querer um dia comentara do sorriso de Sangwoo...

"Ela nunca vai esquecer que eu disse isso, né?" – se perguntou tristemente. Não queria ter falado isso...

— É... Esse... – disse pegando um biscoito.

A senhora soltou uma risada alegre: — Ora querido, então, se declarou finalmente? – ela pegou a ração de Yellow, já que o gato se alisava em suas pernas, insistentemente, e encheu o potinho do felino, para a alegria do mesmo.

— Hm... Não exatamente... – confessou em um sussurro.

— Não? Oh, céus! Você roubou? – a voz da senhora saiu um pouco mais alta que o habitual, fazendo o senhor que assistia TV se virar para eles.

— Ele o quê? – perguntou o senhor confuso.

— Terminou. – respondeu a senhora rapidamente: — Terminou o trabalho que ele tinha para entregar hoje... – disse a mulher, levando café para o marido.

— Mas, se ele terminou, por que o espanto? Nosso neto é inteligente, é óbvio que ele termina os trabalhos a tempo. – respondeu orgulhoso o senhor: — E Bum, não esquece o guarda-chuva. A mulher do tempo disse que não vai chover, mas, é besteira, meu joelho tá doendo, e você já sabe, quando ele dói, é tempestade. E das bravas. – disse convicto.

Bum riu baixinho. Seu avô vivia falando que previa uma tempestade melhor que qualquer pessoa. O pior é que tinha razão...

— Não se esquece de comer! – a senhora levou o garoto até a mesa: — Está quase na hora do seu ônibus! Você tem que comer e se vestir logo, ou vai se atrasar!

O ômega piscou diversas vezes antes de fazer como a avó mandara. Não queria chegar atrasado.

No fim, não conseguiu evitar... Perdeu o ônibus após uma breve correria.

Por sorte, quando finalmente chegou à sala de aula, percebeu que Myung-Hee guardara seu lugar, contudo, o olhar fuzilador do professor Seungbae foi inevitável.

Sentou ao lado da amiga e prestou atenção... Em Sangwoo. Como ele conseguia ficar mais bonito em tão pouco tempo? E ele estava, particularmente, sorridente...

Ele havia ido a festas naquele final de semana... Nada novo no horizonte, contudo, toda essa felicidade... Será... Que começara a sair com alguém?

Seu coração apertou dolorosamente. Não queria pensar nisso.

Mas, se ele estivesse... Namorando... Não teria nada a ver com isso... Não era da sua conta. Ele podia fazer o que quisesse com a própria vida.

"Talvez eu também devesse arranjar um namorado..." – refletiu seriamente por dois segundos.

"Ah, tá bom..." – pensou ironicamente enquanto voltava a copiar as anotações do quadro.

Não arranjaria um namorado, não queria ninguém... Além dele... Parecia intoxicado... Viciado... Ninguém mais despertava minimamente seu interesse.

Respirou fundo, se ele arranjara alguém, talvez o esquecesse mais facilmente. Seria uma sorte, vendo por esse ponto de vista.

A aula terminou após um debate acalorado sobre a pena aplicada a inflações betas.

Bum almoçou com Myung-Hee e depois foi para a biblioteca, estudou durante a tarde inteira – uma rotina que lhe agradava. Até decidir ir embora.

Ao sair da biblioteca, deparou-se com uma chuva torrencial. Molharia todo o seu material... Mas, fora avisado pelo seu avô, portanto... – abriu a mochila, não achando o guarda-chuva.

"Portanto, me esqueci de pegar...".

— Ah... Não acredito nisso... – murmurou levemente aflito.

Tinha pegado vários livros, não podia molhá-los. Teria de esperar a chuva diminuir... – fitou a água que caía em abundância do céu. Aquilo demoraria...

— Sem guarda-chuva? – uma voz familiar perguntou atrás de si.

"Não pode ser..." – se virou, dando de cara com Sangwoo.

—... – olhou para os lados, ele deveria ter falado com outra pessoa...

Não havia mais ninguém ali.

"Ele falou... Comigo?" – baixou a cabeça enquanto sua mente dava um grito.

Seu raciocínio não funcionava muito bem sob pressão — e aquele era um momento tenso. Por que ele falara com ele? Tinha algo errado? Ele... Ele sabia do casaco? AH! Não trouxera o casaco, não tinha como devolver... Droga, e ele perceberia que o cheiro estaria um pouco diferente se devolvesse...

— Ei. – Sangwoo interrompeu os pensamentos de Bum: — Você tem ou não um guarda-chuva?

"Guarda-chuva?..." – a mente do ômega se confundiu por alguns instantes, mas, logo lembrou que não tinha um guarda-chuva e estava chovendo.

— Hã... Não... – murmurou incerto, levemente corado. Ele podia ter falado com outra pessoa e ela ter desaparecido, tipo o flash, também era uma possibilidade... Mas, agora respondeu...

"Que vergonha...".

"Se ele não falou comigo, isso vai soar tão estranho... Mas, ele tá olhando pra mim, não? Então, provavelmente, está falando comigo...".

Sangwoo tentou visualizar melhor o rapaz a sua frente, mas, as madeixas negras não permitiam. Contudo, percebeu se tratar de alguém bem tímido: — Você quer? – perguntou mostrando o próprio guarda-chuva.

"Ele está me oferecendo o guarda-chuva? Então... Nunca foi sobre o casaco..." – corou mais.

O alpha o observava com calma e Bum ficou ainda mais sem-graça. Nunca fora o alvo da atenção de Sangwoo, era uma sensação estranha. Estava feliz e desesperado simultaneamente, sua mente se dividia entre pensar os motivos daquilo ocorrer, ao fato irrefutável de que estava um pouco mais desarrumado que o convencional, porque não conseguira pensar direito nas roupas que vestiria ao sair de casa – já que teve de sair correndo. Seu azar, como sempre, fazendo-se presente.

"Eu estou horrível..." – pensou, mirando os próprios pés.

Bom, isso não importava... Não era estando um pouquinho mais apresentável que o alpha, magicamente, se apaixonaria por ele. De qualquer forma, por que às vezes Sangwoo era tão gentil...? Não queria conhecer esse lado... – suspirou.

—... E você? – o pequeno fitou de canto o alpha.

O alpha piscou ao ver o olhar receoso do pequeno. Ele era... Uma gracinha. "E tá corado..." – refletiu Sangwoo, com um sorriso leve.

— Meu carro tá logo ali... – apontou para um veículo a poucos metros de distância, se aproximando do menor. Não sentiu nenhum cheiro vindo dele, seria um beta? Engraçado, por ser tão pequeno e delicado, pensou se tratar de um ômega.

"Bom, isso é um pouco generalista da minha parte, Jihoon é uma prova viva que as aparências enganam...".

— Ah...! – exclamou surpreso o moreno ao ver o carro.

— Você vai querer, ou não? – mostrou o guarda-chuva.

— Hã... Sim...

— Só vai ter que me dar uma carona até lá, ok? – o alpha sorriu e o ômega ficou feliz em notar que o sorriso não era falso.

— Ok... – respondeu Bum, tentando refletir porque nunca conseguia falar mais que monossílabos.

Sangwoo abriu o guarda-chuva e Bum se aproximou, andaram com calma até o carro, onde o alpha entregou o objeto para o moreno, abriu a porta e entrou.

— Obrigado... – falou baixinho o ômega antes do alpha fechar a porta.

Já dentro do carro, Sangwoo pensou que talvez fosse melhor dar uma carona ao rapaz... Estava indo para casa, talvez, se estivessem indo na mesma direção...

Abriu a janela para fazer a proposta – e se despedir, caso o garoto não aceitasse, mas o moreno já sumira.

— Que... Rápido... – murmurou, tentando ver se visualizava o pequeno em algum lado, mas, não... Nem rastro. Ficou surpreso, fechando a janela.

Bum foi feliz para casa. Tinha sido um excelente dia.