Destinados...?

33 Especial: Feliz Halloween!


Notas iniciais
Se passa no sexto semestre da faculdade o

Bum se olhava no espelho, fixamente.

Não ia sair vestido daquela forma, não importava o quanto Myung-Hee implorasse, ele não ia sair com roupa de bruxa, parecendo uma garota fantasiada.

— Myung-Hee... – olhou a amiga.

— É a única fantasia que tenho... – ela dizia ajustando algumas partes que ficaram mais largas: — Eu falei para você me avisar se ia ou não antes...

—... É melhor eu não ir. – Bum suspirou: — Não dá. Não consigo sair assim... – corou sem graça, olhando a meia-calça preta arrastão, o vestido preto com corpete e detalhes roxos escuros, tinha uma saia volumosa e curta. Era uma fantasia muito bonita... Para uma garota.

— Agora você já me disse que iria!

Myung-Hee arrumava todos os detalhes caprichosamente, e o ômega suspirava, refletindo que não deveria ter cedido a famosa chantagem 'Mas ninguém mais quer ir... Não quero ir sozinha...', e a carinha de cãozinho abandonado que ela tão bem fazia.

— Não posso ir com minhas roupas? – perguntou esperançoso.

— Não! – ela disse decidida, fazendo-o prender o cabelo e colocar uma peruca com longos fios negros e um chapéu pontudo, devidamente preso.

—... Não quero ir assim... – murmurou.

A garota sorriu, fascinada: — Você tá lindo! Que sorte eu ainda ter essa fantasia de antes da Cho-Hee nascer... – ela suspirou satisfeita, um pouco perdida em lembranças: — Eu era bem magrinha, coube quase certinho!

Bum voltou a se olhar no espelho, definitivamente, lembrava uma garota. O pior é que a fantasia possuía uma coleira... Ótimo, sentia-se uma bruxa encoleirada.

— Agora é só eu te maquiar e você estará pronto!

—...! – o rapaz olhou Myung-Hee incrédulo, ela iria fazer o quê?

Duas horas depois, estavam em um apartamento de luxo, iluminado e decorado com morcegos de plástico, abóboras, teias de aranha...

Bum estava fantasiado E maquiado. Acompanhava Myung-Hee, que fora de "Chapeuzinho Vermelho Zumbi", com uma longa capa vermelha, meio rasgada em alguns pontos, mostrando sua 'luta por sobrevivência, antes da morte trágica', e detalhes realistas de maquiagem — ela era realmente boa nisso. Como a baixinha sempre o convencia a fazer esse tipo de coisa? Tudo bem, era uma festa a fantasia com temática de Halloween, mas...

Suspirou, resignado.

Planejara passar aquelas férias de Chuseok tranquilamente, visitar sua mãe, talvez seu pai... Limpar o local onde estavam enterrados... Como acabou em uma festa? E de alphas, ainda por cima.

Bum considerava Myung-Hee uma garota alegre e muito forte, apesar de todos seus problemas, não deixava de curtir sua vida e a ir a festas como essa...

"Já eu... Só quero distância..." – suspirou novamente, se vendo separado da baixinha que correra para buscar um ponche 'de sangue' que ela adorava, e a dona da festa era especialista em fazer.

—... – Bum olhou para os lados, percebendo que ninguém parecia se importar com a forma como estava vestido. Decidiu dar de ombros e sentar em um canto. Como conseguia ficar desconfortável tão rápido?

Ao caminhar, bateu em uma garota, que o olhou totalmente furiosa: — Mas que porra! – gritou a menina que vestia uma fantasia de fada, contudo, um tanto erótica.

— D-Desculpe... – murmurou sem graça.

— "Desculpe" nada! Cacete, minha roupa tá toda manchada agora! Quem vai pagar isso, hein? – ela retrucou, já o empurrando contra a parede, mas o fazendo bater em outro rapaz. Um pouco da bebida dela havia caído sobre sua fantasia, entretanto, não era tão grave quanto ela fazia parecer.

— Quê? – o rapaz atrás de Bum o fitou e percebeu a situação: — Droga Young, não consegue se aquietar pirralha? – ele foi até a garota, evitando que ela derramasse seu próprio copo de bebida — ainda quase cheio, em Bum.

— Me aquietar? Porra Sangwoo! Ela derrubou bebida em mim primeiro! – Young parecia prestes a fazer mais escândalo devido à situação.

— Droga, você tá bêbada... – Sangwoo nem se preocupou em responder, apenas pegou o celular e mandou uma mensagem para Jieun.

A Young tá bêbada e começando um escândalo, você que sabe se vai a deixar passar por isso ou não.

O alpha olhou para o 'alvo' da pirralha de sua manada e se surpreendeu, era uma garota muito bonita, que parecia estar chocada e corada ao mesmo tempo.

"Fofa..." – pensou rapidamente, se aproximando.

— Não liga pra ela, normalmente é pior, mas, como está bêbada, você ainda tá viva. – ele sorriu.

Bum gelou. Muitas coisas passando por sua mente ao mesmo tempo, primeiro, estavam lhe tratando no feminino. Tinham confundido ele com uma garota? Era o que parecia... Tudo bem que estava de vestido, maquiado – e a maquiagem da Myung-Hee "fazia milagres" – mas, era para tanto? Bom, estava escuro também... Deveria corrigir? O certo era falar a verdade e dizer que eles estavam enganados... Segundo...

Era Sangwoo.

Sangwoo estava falando com ele... Vestia um colete vinho, uma camisa de manga longa, branca e com alguns detalhes que lhe remetiam a um período antigo, uma calça social preta e uma capa longa negra com o fundo no mesmo tom do colete. Sua maquiagem o deixava mais pálido, e havia um pequeno 'rastro de sangue' no canto de sua boca, mas, não tinha presas salientes. Estava o Drácula mais atraente que Bum já vira na vida, e cheirava maravilhosamente bem – como sempre.

Sua mente começou a gritar.

Sua parte ômega berrando "pula em cima e aproveita a confusão", enquanto seu lado racional e lógico contestava com um "só corre, corre como se não houvesse amanhã". O resultado era que não saia do lugar e nem respondia ao rapaz a sua frente.

O alpha primeiro esperou Jieun aparecer, que como uma heroína, resgatou Young. Depois piscou algumas vezes, percebendo que a garota a sua frente não havia respondido. Riu, pois ela, por alguma razão que não entendia, se encontrava a cada segundo mais vermelha. Seria estrangeira? Ou muda? De qualquer forma, parecia beta, pois não sentia nada vindo dela...

De forma um pouco impulsiva, terminou a própria bebida e segurou a mão da pequena, puxando-a para o centro do apartamento, onde uma pista de dança fora improvisada. Não fez isso com força, de forma que, se a garota quisesse soltá-lo, podia, contudo, ficou feliz ao notar que ela não o fizera.

Bum ficava a cada segundo mais apavorado, o que deveria fazer? Ele o estava puxando para dançar! Espera, ia dançar com Sangwoo? Seus pés o seguiam, não soltava sua mão... Aquilo provavelmente significava que sim... Iria dançar com ele... Seu cérebro não processava as coisas normalmente, e seu corpo parecia ter tomado à dianteira...

"E se ele perceber? E se eu me descontrolar com o cheiro dele? Ah..." – o pequeno sentiu o cheiro de perto, quando o alpha parou de andar de repente e ele não, o que o fez encostar-se de leve em seu braço.

"Isso é muito bom... Não tem como eu aguentar..." – pensou vagamente, enquanto sentia o perfume natural do alpha invadir seu corpo.

O ômega olhou ao redor timidamente, percebendo que todos dançavam, animados. Sinceramente, ele não tinha ideia de como fazer isso... Começou a se mexer de maneira bastante retraída, mas, quando sentiu as mãos do alpha em sua cintura, enquanto sorria, descontraidamente, acabou por se soltar um pouco e corresponder o sorriso.

Sangwoo nunca tinha visto uma garota tão graciosa, não em uma festa como essa... Seu sorriso aumentou, fazendo-o deslizar a mão pela cintura e puxá-la para mais perto de si. Não conseguia ter certeza, a iluminação ali era ainda mais precária que antes, no entanto, tinha a sensação que a fizera corar de novo.

Bum estava com o olhar baixo, contudo, quando notou que seu corpo se encontrava tão próximo do alpha, que se esticasse um pouquinho a mão, tocaria em seu peito, corou violentamente. O loiro o havia cercado por seus braços e perfume... "Ah... O que eu faço..."...

O ritmo da música era agitado, eufórico, mas... O ritmo deles não... Parecia lento... Suave...

O ômega sentiu um arrepio percorrer sua espinha quando Sangwoo tocou levemente seu braço, tateando-o na escuridão, olhou para cima e viu sua perdição decretada, pois o olhar predador e sensual do alpha o esquadrinhou. Prendendo um pouco o ar, o viu se aproximar... Fechou os olhos e seu coração acelerou enquanto sua boca era coberta por lábios macios, gentis e doces.

Sangwoo abraçou mais forte a garota em seus braços, aprofundando aos poucos o beijo... Um perfume diferente começou a cerca-lo... Algo realmente bom, que apenas o fez intensificar o beijo, fazendo sua língua penetrar a boca delicada, sentindo a textura e o gosto da língua que o recebia.

Bum colocou os braços ao redor do pescoço do alpha, não se importando mais que seus corpos estivessem praticamente grudados, ou com as pessoas ao redor, que provavelmente os olhavam, ou com o fato daquele beijo estar arrepiando cada parte de seu corpo.

Afastaram-se por um instante e se fitaram um tanto ofegantes.

Sangwoo queria levar aquilo adiante, não costumava se interessar por betas, mas, gostara muito da pequena a sua frente, o que deveria fazer para consegui-la? Ela parecia tímida... Aproximou-se de sua orelha.

— Você é linda... – sussurrou com a voz grave.

Bum corou e, ao mesmo tempo, ficou definitivamente apavorado. Sangwoo usou o feminino, de novo, ele achava que estava com uma garota, quando, na realidade, estava com um rapaz e ex-colega de classe. O empurrou, se afastando e encontrando o olhar confuso do alpha antes de sair.

Sentiu alguém tocar seu pulso e se virou brutalmente, vendo Myung-Hee fitando-o surpresa.

— Você está bem? – perguntou a baixinha, obviamente preocupada.

— Sim... Quer dizer... – ele sacudiu a cabeça: — Não. Não... Eu quero ir embora.

— Quê? Por quê? Achei que estava se divertindo... – ela olhou, nada discretamente, para a pista de dança.

—... – Bum sacudiu a cabeça negativamente: — Não. – respondeu, sentindo um peso no peito.

—... Ele não é seu tipo?

— Não, não é. – disse sério, sentindo suas bochechas corarem devido à mentira deslavada que contava.

— Hm. – a garota olhou para a pista: — Ah, não seja por isso. É o Sangwoo, ele não é do tipo chato que vai ficar correndo atrás de você... Apesar de que, nunca vi alguém rejeitá-lo... Mas, enfim, aqui... – ela lhe entregou um copo: — Bebe um pouco.

Bum pegou o copo e tomou todo o conteúdo em um gole por causa do nervosismo, se arrependendo dois segundos depois, pois sua garganta queimou devido ao álcool: — Ua... Que isso? – perguntou sentindo a bebida subir até sua cabeça. Era um gosto estranho, mas... Bom...

— Saaaangueeee... – Myung-Hee falou de forma engraçada, como se tentasse assustar Bum.

—... E do que é feito? – o garoto se viu sorrindo sem querer sorrir.

— Não tenho ideia, mas é muito bom. – ela respondeu com um largo sorriso e puxando Bum para o local onde uma garota fofa, de cabelos cacheados e volumosos, servia o ponche animadamente.

Logo tinham copos novos e cheios. Beberam novamente, dessa vez, mais devagar. Depois dançaram juntos na pista, Myung-Hee fazendo questão de permanecer próxima ao amigo, para nenhum dos dois cometer arrependimentos posteriores.

Bum se divertia, muito, mas ainda se sentia culpado por ter enganado o alpha. Não era o tipo de pessoa que fazia essas coisas, e ele até chegou a beijá-lo por engano... Depois de quatro copos de 'sangue', e uma distração, devido à urgência de ir ao banheiro, de Myung-Hee, o ômega foi até o alpha, puxando sua capa e quase o sufocando.

— Quê...? – Sangwoo se virou, confuso: — Você? Por quê? — ele fitava a garota vestida de bruxa, surpreso.

— Desculpe... – Bum se curvou educadamente, ou tentou, se sentiu meio tonto no processo: — Era isso. – disse se afastando.

Sangwoo piscou diversas vezes antes de decidir segurar o braço da garota e fazê-la se virar para ele: — Por que você está se desculpando?

— Por ter enganado você... – Bum afirmou com a cabeça. Não entendia o que o alpha não entendera, era óbvio o motivo.

—... Me enganado? – Sangwoo soou confuso.

Bum abriu levemente a boca, o alpha era burro? Não. Espera. Alphas são inteligentes, não são?

— Você não é um alpha? – questionou surpreso.

— Quê? – Sangwoo não estava entendendo mais nada daquela conversa. Ela deveria estar bêbada, só podia ser isso: — É claro que sou um alpha!

— Ah sim, seu cheiro é bom... – disse descontraidamente o ômega.

— Meu cheiro? Você está sentindo? Espera, você não é uma beta? – o alpha não fazia a menor ideia do porque ainda estar conversando com ela... Mas, era esse o motivo? Ele ter pensado que ela era uma beta e ela ser uma ômega? Por isso ela havia se desculpado? Não fazia sentido. Ele não havia mencionado que achava se tratar de uma beta... – suspirou profundamente. Maldita curiosidade.

— Beta? – o ômega soltou uma risada baixa, o que fez o coração do alpha falhar uma batida: — Não. Não... Sou ômega... Ômega... – disse decidido Bum.

Sangwoo sacudiu a cabeça, tentando tirar a risada da garota da mente. Certo. Não era isso: — Se desculpou porque me rejeitou? Não precisa se desculpar por isso... – o alpha tentava adivinhar.

— Quê? Não... – Bum sacudiu a cabeça negativamente, mas, parou no meio do movimento, doera fazer aquilo: — Quer dizer, não que eu não me arrependa um pouco... Você beija muito bem... E seu cheiro é muito bom... – o ômega parou refletindo consigo em voz alta.

— Nossa... Obrigado, mas, eu não entendi, se você gostou do meu cheiro e do meu beijo, por que saiu? – o alpha cruzou os braços, a cada segundo mais confuso e curioso. Aquela garota era louca.

— Porque eu estava te enganando... Ora... – Bum revirou os olhos, qual parte ele não estava entendendo afinal?

— Voltamos ao início. – o alpha bufou: — Ok. Esquece. Eu não faço a mínima ideia do porque você achar que estava me enganando, mas, sinta-se desculpada.

— Feminino de novo! Agora que você já sabe podia falar comigo direito, já que me desculpou... Tudo bem que eu estou num vestido, mas, isso é culpa da minha amiga, eu não queria vir assim... – o ômega murmurou chateado.

Sangwoo piscou diversas vezes, sentindo sua ficha cair: — Você... É um rapaz?

Bum olhou para o alpha confuso: — É... – falou como se fosse muito óbvio, e não entendendo a surpresa do loiro a sua frente.

O alpha suspirou, só então, como se as peças de um grande quebra-cabeça se encaixassem em sua mente, entendeu tudo, desde o princípio: — Bom... Então acho melhor você se arrepender de ter me dado um fora, porque, eu não dou a mínima para o fato de você ser um garoto.

Bum corou: — Você não liga?

— Não. – respondeu sério o alpha.

Bum sentiu sua mão sendo pega por trás, se virando para ver quem era.

— Melhor a gente ir para casa, ou vamos perder o ônibus. – disse uma embriagada, contudo, ainda consciente Myung-Hee.

— Espera, ele disse que não liga Myung... – Bum falou para a amiga, se virando novamente para o loiro: — Se é assim. – ele puxou a gola da fantasia do alpha, pegando-o desprevenido, e o beijou, profunda e intensamente.

Sangwoo ficou inicialmente chocado, mas, logo correspondeu o beijo... Pois era inacreditavelmente bom... Até que foi solto...

—... Hm... Tenho que ir. – disse o pequeno ômega, se afastando: — Até. – despediu-se de Sangwoo e pegou a mão da amiga, que ainda não acreditava no que acabara de ver.

— Você não tem ideia do quanto vou pegar no seu pé... – ria a baixinha, andando ao lado do ômega.

Bum piscou confuso, por que ela pegaria no pé dele? Ele estava indo para casa, não?

Sangwoo ficou em pé, sem reação, por algum tempo.

— Isso é que é ter o ar tirado. – brincou Yangmi que estava de terno, gravata, cigarro e dizia estar fazendo um cosplay perfeito do Yashiro, de Saezuru Tori wa Habatakanai: — Qual o nome da garota? – perguntou distraidamente.

— Rapaz. – deu um suspiro Sangwoo: — Não sei... – só então percebendo esse fato: — Não faço a porra da ideia do nome dele.

— QUÊ??? – Yangmi olhou desesperada para a saída: — NÃO CREIO!!! Era um garoto? AHHHHH! E eu não tirei foto??? – ela parecia profundamente decepcionada consigo.

Sangwoo tocou de leve nos lábios e depois passou a mão no cabelo. Aquilo não importava... Não. Não fora nada. Um beijo? Um beijo não era nada. – engoliu a seco, não admitindo que fora abalado de alguma forma. Arranjaria outra pessoa e esqueceria aquilo, simples.

~*~*~*~*~

Bum acordou no outro dia morrendo de dor de cabeça e sendo zoado até a alma pela baixinha amiga. Insistiu que fora a bebida que o fizera beijar Sangwoo e não sentia nada por ele, porque o garoto era um galinha, egocêntrico, típico alpha que queria manter distância.

— Ah, acho que eu não me importaria de passar uma noite com ele... – falou descontraidamente Myung-Hee.

— Certo. – o moreno não prestava realmente atenção enquanto se vestia. Não acreditava que visitaria o local que sua mãe estava enterrada, se sentindo um lixo... Suspirou. Tinha que estar ao menos bem, senão, seus avós perceberiam. Não podia deixar sua avó notar... Ela estava enfrentando um câncer, não podia ser estressada.

Não queria pensar na noite anterior, nem no que fizera... Nem...

Suspirou profundamente.

Ótimo, apenas mais uma coisa para esquecer... Não bastava ter de esquecer o cheiro dele, agora, também tinha de esquecer o beijo dele... Por que não podia ser um bêbado convencional, e ter acordado sem lembrar-se de nada? Em alguns momentos, detestava sua boa memória...

Despediu-se da amiga e foi encontrar os avós.

Juntos fizeram o songpyeons, que deixaram do lado de fora da casa, e foram para o morro onde sua mãe estava enterrada, seu avô falando sem parar, enquanto sua avó – que havia notado sua ressaca, para seu remorso profundo, lhe fazia carinho na cabeça.

Ao chegarem, cuidaram do local, deixaram flores e comida, como ditava a tradição.

No fim do dia, entretanto, se sentiu triste. Queria ir ver o pai... Há anos não passava por lá, mas, assim como nos anos anteriores, não teve coragem de enfrentar a possibilidade de seu tio poder estar por aquele local.

"Sinto muito pai." – refletiu, fazendo uma pequena homenagem ao pai junto ao mausoléu pequeno da família de sua mãe.

Suspirou novamente. Tinha de esquecer tudo que aquele alpha lhe causava... Ele não era bom... E não queria envolvimentos... E... – tocou nos próprios lábios devagar.

"Droga...".

~*~*~*~*~

Sangwoo visitou a mãe logo depois de acordar, beber café e se vestir. Nunca deixava de lhe prestar homenagens, principalmente durante o Chuseok, levou frutas e flores, arrumando o local, como sempre. Ignorou o fato de seu pai estar ali também.

Enquanto descia o morro, após aquela visita, notou uma pequena flor, que nascia entre alguns ramos, surpreso pela beleza dela, se aproximou, percebendo que não apenas a aparência, mas, o cheiro também era muito agradável.

Afastou-se ao notar qual cheiro àquela flor lhe lembrava, e suspirou como resposta.

O cheiro que sentira na festa...

O garoto ômega que se vestia de bruxa...

Olhou o céu, então coçou de leve a cabeça, cruzou os braços, pensativo. Ia seguir em frente, mas, acabou voltando e pegando a flor para si. Foda-se. Ninguém ia saber mesmo.

Notas finais
• Curiosidade: Halloween na Coreia do Sul: Por lá, a comemoração acontece ao final do mês de setembro, com um feriadão de três dias (o Chuseok). Nesse tempo, os sul-coreanos dão graças aos mortos e visitam as casas de seus ancestrais, onde realizam alguns rituais – um deles é basicamente preparar os chamados Songpyeons, uns bolinhos feitos de arroz que são deixados do lado de fora das casas, para que os mortos tenham o que comer. Além disso, as pessoas fazem festa, além, é claro, de comer e beber bastante. Muito obrigada a todos que leram esse especial ♥ P.S.: Ter escrito o Bum bêbado, não tem preço o