Destinados

7 O tenso reencontro


Notas iniciais
Gente desculpa a demora, mas olha eu aqui!!!! Não consegui responder os coments do último cap porque estou literalmente atolada de coisas, mas li todos todos, e agradeço cada pequeno elogio!

Vamos logo ao que interessa?

Eu protegi meus pensamentos instintivamente, para evitar que ele soubesse do que estava acontecendo entre eu e Bella antes da hora.

- Jasper? – Edward murmurou confuso – Você... Você ficou?

Não precisei sondar suas emoções para ter certeza de que meu irmão estava, não só surpreso, mas intensamente intrigado com minha presença em Forks. Eu sabia que devería lhe dar uma explicação, apesar dele não merecer nada mais que meu desprezo por sua atitude estúpida de quatro meses atrás. No entanto, as razões que me mantiveram, e ainda me mantinham ali, não poderíam ser expostas assim, imediatamente.

- Eu fiquei. – confirmei, concentrado em manter minha mente vazia.

Havia demorado alguns anos para que eu aprendesse a manter Edward fora de minha cabeça, e ainda não era uma tarefa muito fácil. Mas naquele momento, a necessidade de proteger o que eu e Bella havíamos desenvolvido entre nós fortaleceu a habilidade, e eu sabía que meu irmão não ouviría uma só palavra que viesse dela.

- Porquê? – Ele perguntou, e seu tom não demonstrava suspeita, apenas curiosidade.

E minha resposta, tão natural, causou exatamente o que eu sabía que causaría, mas mentir estava fora de questão.

- Por Bella.

Edward inclinou a cabeça, ainda mais intrigado, incerto, e súbitamente receoso, mas a emoção mais forte, que surgiu intensa e amainou abruptamente, me dando a certeza de que a tinha controlado, foi aquela que eu preví que ele sentiría... Ciúme.

- Eu não entendo... – ele sibilou, o olhar desconfiado me fuzilando de repente.

Eu sabía que ele estava tentando vasculhar meus pensamentos, podia sentir minhas barreiras sendo forçadas, mas ainda estava no controle, então permaneci tranquilo.

- Eu posso explicar. – afirmei tranquilamente – Mas não aqui.

Imediatamente sua cabeça se voltou para a casa atrás dele, e sua ansiedade ondulou até mim.

- Eu preciso... – ele começou, e seu tom se mofidicou para inseguro, enquanto ele olhava para a janela aberta do quarto de Bella, que eu sabía, estava me esperando – Preciso falar com ela... – Ele me olhou, e seus olhos refletiram toda a agonia que ia dentro dele. Respirei fundo para me proteger da dor que ele emitia – Eu não suportei Jasper... Eu tentei me manter longe, mas eu não suportei... Eu não consigo... Continuar... Sem ela. – ele desabafou com a voz partida, ainda que não fosse necessário. Eu sabía daquilo, não só por tudo que ele sentía naquele instante mas, pelo que eu conhecía do amor dele por Bella. E sempre soube que um dia ele se arrependería e voltaría. Eu só não contava que fosse em tão pouco tempo. – Esses meses sem ela foram... Eu não... Eu nem sei como explicar...

Me aproximei, sabendo o que devería fazer, ao menos naquele primeiro momento.

- Não é uma boa ideia você aparecer pra Bella assim, do nada, depois de tudo que aconteceu e do tempo que passou, Edward. – minha voz estava seca, devido à minha tentativa de controlar o medo que havia me inundado assim que o ví – Vamos pra casa. Eu explico tudo que aconteceu depois de sua partida, e você se preprara melhor para esse reencontro.

Ele me fitou, os olhos mais escuros do que eu jamais havia visto, de um negro tão profundo quanto o vazio, e assentiu timidamente, vibrando incerteza e vulnerabilidade. Eu ainda tentava manter o controle sobre a abrupta insegurança que havia me invadido. Eu não tinha tempo para considerar isso agora. Precisava fazer o que era melhor e mais justo para Bella.

Então eu estava correndo, pra longe de onde quería estar. Edward me seguiu, num silêncio tenso.

Em menos de dois minutos estávamos na sala da mansão, e Edward, numa atitude humana demais para um vampiro centenário, afundou no sofá como se o cansaço estivesse drenando suas forças.

Uma aura pesada de saudade, melancolía, remorso, ansiedade e medo rodeava o homem que era a razão para a insegurança que me dominava, e ele, naquele momento, parecia muito mais o adolescente que sua aparência constituía, do que o ser maduro que era.

Suas emoções batíam e ricocheteavam em minhas barreiras, mas ainda assim eu não conseguía evitar que me atingissem de alguma forma.

Eu estava com pena, muita pena de Edward.

Eu sabía o que era amar profunda e completamente a garota humana mais incrível que existía na terra, e entendia sua frustação e desalento. Era exatamente assim que eu me sentiríaquando Bella e ele se reencontrassem, e eu fosse obrigado a deixar pra trás tudo que havíamos construído na ausência dele.

Suspirei.

- Como ela está? – ele me perguntou com a voz linear.

-Agora está bem. – enfatizei a palavra para que ele começasse a compreender o que tinha feito. E apesar de ter controlado meu tom, sabía que um certo nível de indignação tinha vazado.

Edward me encarou com o olhar intrigado novamente.

- Poque você ficou, Jasper?

- Eu já respondi a essa pergunta.

- Eu quero entender a razão. – ele disse, e estranhamente não parecía aborrecido, apesar do ciúme ainda estar vibrando por ele.

Edward nem estava tentando ler minha mente. Ele me conhecía o suficiente para saber que eu não permitiría que ele vasculhasse minha cabeça se eu não quisesse.

Eu expirei e me aproximei, me sentando no sofá também.

- Eu estava indo embora quando fui atingido pelas emoções de Bella... – editei a verdade – A encontrei na floresta, arrasada. Tão arrasada que nem notou minha presença. – fiz questão de refletir sobre o momento, revendo a imagem extremamente nítida de uma Bella destruída e vulnerável, largada no chão úmido da mata. Edward retesou em reação, e eu tive a certeza de que ele estava vivenciando o momento seguinte à sua ação imprudente – Suas emoções eram tão potentes que eu mal consegui agir, mas me forcei a carrega-la até a casa. Minha intenção era partir em seguida... – suspirei com o eco da dor que tinha absorvido, ainda visualizando a ocasião. O rosto dele distorceu em angústia – Mas Bella estava tão frágil... E eu me sentía tão responsável por aquilo... Que decidi permanecer até que ela estivesse bem.

- Então você ficou para cuidar dela... – Não foi uma pergunta, e seu tom estava permeado de uma gratidão pungente que quase me fez sentir culpado outra vez, por estar, ao menos naquele momento, entre eles.

Assenti em silêncio, fechando minha mente de novo. Ainda não era a hora dele saber que aquela não era a única razão que me levou a ficar.

- E Alice? – ele indagou confuso – Porque ela não está aqui com você?

- Nós rompemos. – falei simplesmente. Eu não tinha muito o que dizer sobre aquilo.

Edward arregalou os olhos.

- Romperam? Como assim? – o tom perplexo como sua expressão.

- Essa é uma explicação que eu não vou poder te dar agora, Edward... Mas eu posso assegurar que darei no momento certo.

Ele me olhou com desconfiança e me fitou por um longo minuto, intrigado, mas não insistiu

- E agora Bella está bem... – ele retomou o assunto mais importante, sondando, súbitamente constrangido, possivelmente pelo que sabía ter causado.

- Bella está recuperada da dor... – comecei com cautela – Mas não superou seu abandono. – Afirmei com certa crueldade. Ele estava sofrendo, e eu não quería espezinhar, mas ele merecía todo o remorso que estava sentindo – Ela não sente mais mágoa por você, nem raiva, mas eu nem imagino como pode reagir ao seu retorno. Ela não costuma falar muito sobre você.

- Vocês conversam? Vocês tem... convivência? – ele indagou chocado.

- Eu tentei me manter anônimo, até que pudesse partir... – confessei – Mas Bella descobriu que eu estava por perto.

- Claro que sim... – ele comentou com uma ameaça de sorriso no rosto, uma fagulha de ânimo iluminando minimamente seu humor obscuro – Isso é tão... Ela.

- O fato é que nós nos tornamos... amigos – usei o termo mais conveniente, apesar de não ser o mais apropriado. Ele resumia apenas um aspecto de nossa relação – E temos passado muito tempo juntos. Charlie, inclusive, sabe de minha presença.

O ciúme se mostrou outra vez, atrelado à inveja e insegurança. Edward estreitou os olhos e um flash de raiva escureceu ainda mais seu olhar. Mas assim como surgiu, desapareceu. Ele sabía que eu podía sentir e por isso estava tentando controlar suas emoções. Não comentou nada por um minuto inteiro, depois sua expressão suavizou.

- Você... Acha que ela... Vai reagir mal à minha volta?

Eu suspirei. Sabía que provavelmente sería o momento mais feliz da vida dela, o reencontro com o amor perdido... Uma dor insuportável atravessou meu peito, e eu respirei fundo para reaver meu controle.

- Acredito que não. Mas não posso ter certeza.

- Você disse que ela nunca fala sobre mim... Mas os sentimentos dela...

- Em relação a você não mudaram. – respondi antes que ele concluísse a pergunta. Não tinha porque esconder aquilo. Cedo ou tarde ela mesmo diría isso a ele.

- Jasper, eu... Eu agradeço por ter cuidado dela... – ele falou com sinceridade – Eu devería ter escutado você quando me abordou naquele dia...

- Devería. – confirmei com firmeza – Você não faz ideia de como ela ficou... E não estou sendo arrogante quando afirmo que, se eu não tivesse ficado... Bem, talvez você não tivesse pelo que voltar.

Seu rosto se distorceu em angústia, e a culpa, a vergonha, vibrou por ele tão forte que eu quase podía ver os arcos, ainda que meu olhos estivessem bem abertos.

- Acha que... Que eu... – ele suspirou, se sentindo muito confuso – Como acha que devo agir...? Eu quero... Eu preciso vê-la. Explicar a ela a verdade sobre minha partida.

- Ela sabe a verdade. – disse com indiferença. Eu não tinha feito aquilo por ele, mas por ela, para que ela não se sentisse desvalorizada.

- Ela sabe?

- Eu falei a ela. Na primeira vez em que conversamos. E sei que ela acreditou em mim. Não exitem argumentos quando um empático fala de sentimentos, principalmente dos que ele conhece bem.

Uma ameaça de alívio o rodeou, mas não foi o suficiente para anular sua incerteza.

- Então acredita que ela vai, ao menos, me ouvir...?

Eu expirei. Nunca pensei que passaría por uma situação tão difícil. Minha vontade era desestimula-lo, convencê-lo de que Bella estava bem sem ele, o que não sería uma mentira, e fazê-lo partir o mair rápido possível.

Mas Bella ainda o amava. E meu amor por ela era tão puro, tão verdadeiro, que tudo que eu quería era vê-la feliz, ainda que isso fosse à custa do meu sofrimento. Eu nunca agiría de forma a impedir que ela, ao menos, tivesse a chance de decidir. Eu podía fazer isso. Eu faría isso.

- Eu posso conversar com ela... – afirmei a Edward, sentindo meu peito oprimido.

Os olhos dele brilharam, e esperança pulsou entre nós.

- Pode fazer isso? – sua voz era ansiosa e implorativa.

Assenti, contendo a mágoa.

- Mas Edward... Por favor... Tenha em mente o que fez ela passar, e seja honesto. Tenha certeza de que pode oferecer a ela tudo que ela quer, antes de pedi-la para te aceitar de volta. Uma das coisas que mais a feriu foi o fato de você não acreditar na capacidade dela se adaptar, no discernimento dela, e de você querer decidir tudo por ela, nunca lhe dando escolha. Bella é forte, madura e decidida. Permita que ela tenha voz no relacionamento de vocês. Você a subestimou demais quando estavam juntos.

Ele me olhou surpreso, e levemente ultrajado, mas uma menção de compreensão e reconhecimento nublou as primeiras emoções.

- Acho que tem razão... Ela lhe disse tudo isso, não foi? – eu assenti em silêncio – Vocês se tornaram muito... Íntimos. Pelo que posso perceber.

Eu não respondi. Apenas devolvi o olhar sério que ele me direcionava.

Não cabía a mim revelar sobre o que estava acontecendo entre eu e Bella. Eu deixaría essa tarefa para ela, e aceitaría se ela decidisse não falar coisa alguma. Era uma decisão que só pertencía a ela, e eu entendería se, optando por dar uma nova chance a Edward, ela omitisse nossa ligação, no intúito de preservar o que tinha com ele.

- Acho que, antes de mais nada, você devería caçar. – Falei com autoridade.

Edward assentiu concordando, e se levantou. Antes de seguir para fora da casa, voltou o rosto para o meu, os olhos graves.

- Seu controle... – ele incitou – Você conseguiu estabelecê-lo.

Não foi uma pergunta, mas uma constatação. Ele deduziu, desde que Bella ainda estava viva e eu tinha intimidade com ela, que seu sangue não me tentava mais, ou eu tinha controle sobre o anseio.

- O tempo que passo com ela fez com que me acostumasse. – ele retesou, e o ciúme voltou com força total. Eu não me importei – Mas não dou margem para possibilidades. Tenho caçado com frequência, e mais do que realmente preciso. – suspirei – Enquanto você se alimenta, eu vou até ela. – seus olhos aumentaram – vou conversar com ela sobre sua volta. Me espere aqui.

Ele recuou todas as emoções, e deixou que a gratidão sobressaísse, fazendo uma mesura discreta com a cabeça na minha direção.

- Não me agradeça. – Disse com certa dureza – Estou fazendo isso por ela, não por você.

E antes que pudesse ver sua reação à minhas palavras tão frias, parti como um trovão em direção à casa de Bella.

Reduzi o passo quando me aproximei. Respirei fundo algumas vezes pra suprimir toda a insegurança e mágoa que estavam borbulhando dentro de mim. Infelizmente eu não conseguiría esconder minhas emoções dela, mas não tinha necessidade dela experimentar toda a potência de minha agonia.

Já passava, e muito, da uma da manhã. Mas eu sabía, pela respiração irregular, os batimentos cardíacos levemente acelerados, e a ansiedade que estava chegando até mim, que Bella estava acordada.

Quando passei pela janela ela praticamente pulou da cama, se colocando de pé num segundo.

- Jasper! – ela falou com a voz irregular – O que aconteceu? Porque demorou tanto?

Seus olhos vagaram por mim, em busca de sabe-se lá o quê, e suas mãos seguraram a gola da minha camisa com força.

- Eu fiquei preocupada...

Eu tería sorrido se não fosse a situação. Eu me atrasei meia hora do habitual pra dias em que eu caçava, nada tão alarmante, mas ainda assim, ela estava angustiada como se eu tivesse deixado ela esperando por um dia inteiro.

Afastei a satisfação e segurei seus ombros, e imediatamente sua postura mudou. Ela tinha absorvido meus sentimentos, e apesar de não alcançar as razões por trás deles, eu sabía que ela era capaz de deduzir que o problema não era simples. Eu não costumava me sentir receoso ou atormentado quando estávamos juntos.

- Bella, aconteceu algo... É melhor você sentar.

Ela fez como pedí, e eu suspirei. Peguei uma de suas mãos de seu colo, entrelacei nossos dedos, e me agachei na frente dela.

- Não tem uma maneira suave de te dizer isso... – comecei – então eu vou simplesmente falar de uma vez. Tente ficar calma, por favor.

Ela assentiu, os olhos maiores, uma tensão palpável fluíndo dela.

Apertei um pouco sua mão.

- Edward voltou.

Eu havia esperado surpresa, choque, incredulidade. Tinha certeza que ela sentiría felicidade e ansiedade, e até considerei mágoa, medo e insegurança. Mas nada havia me preparado para a irritação patente que tomou conta de Bella.

Ela se levantou bruscamente, e começou a andar de um lado pro outro do quarto, uma mão cobrindo os lábios enquanto a outra segurava sua cintura fina. Eu a observei sem entender. Então quando me preparei para perguntar porque ela estava aborrecida, ela verbalizou seus pensamentos.

- Porque agora? – ela murmurou como se falasse consigo mesma – Porque justo agora?

Não quis pensar que aquilo era um bom sinal pra mim. Ao invés disso me levantei e parei seus movimentos, segurando seu queixo em meus dedos para que ela me olhasse. Assim que nossos olhos se conectaram, ela se acalmou, e uma onda potente de insegurança me atingiu.

- Prometa que não vai embora. – ela pediu com o tom urgente – Prometa que não vai me deixar, Jasper.

- Porque eu faría isso? – perguntei retóricamente enquanto colocava a outra mão em seu rosto – Eu vou ficar com você até que me mande embora, Bella.

- Eu nunca vou fazer isso. – ela afirmou quase com raiva.

Eu respirei fundo, me negando a ser distraído pelo contentamento que as atitudes dela estavam provocando em mim, decidido a resolver aquilo de uma vez.

- Ele quer conversar com você. Quer explicar os motivos dele e...

Bella retesou.

- Eu já conheço os motivos dele, você esclareceu tudo pra mim...

Ela estava agitada, frenética, seu coração bombardeava seu peito e o som ecoava pelo quarto como um tambor. Sua respiração falhava, e suas mãos, que agora rodeavam meus pulsos, tremiam e suavam.

- Bella, se acalme. – demandei, e ela respirou devagar algumas vezes – Nada vai acontecer se você não quiser. Eu conversei com ele, e disse que iría falar com você. Mas se você me disser que não quer vê-lo, ele não virá aqui, ou lhe incomodará em qualquer outro lugar, eu garanto.

Ela suspirou, e eu pude sentir uma onda de apreensão lhe inundar.

- Eu não... – ela hesitou, em dúvida – Eu não sei... Eu não tenho certeza de como vou reagir se vê-lo outra vez, eu...

Imediatamente reconhecí o que ela sentía. Medo e mágoa. Mas a maneira com que ela me olhava, insegura, me fez compreender que as emoções eram direcionadas a mim, não a Edward.

- Do que está com medo, Bella? – perguntei com ternura, já imaginando a resposta.

Ela fez um movimento negativo com a cabeça.

- Por favor... – pedi – Nós sempre falamos tudo um pro outro... Me diz...

- Eu... Eu não quero... – ela expirou, se decidindo a falar – Não quero magoar você.

Eu esperava por isso. Que ela ficasse com receio de me ferir. Ela sabía, tão bem quanto eu, que assim que Edward estivesse em sua frente, tudo que ela sentía por ele emergiría. E tudo que ela sentía por mim, que não teve tempo de se solidificar, perdería grande parte da importância.

Eu havia me preparado para aquilo desde o começo. Mas viver a situação era muito mais excruciante.

- Não quero que se preocupe comigo agora. – afirmei, forçando segurança em minha voz – Prometa.

Ela negou com a cabeça mais uma vez, os olhos enchendo de lágrimas. Eu insistí.

- Prometa, Bella. – Falei com mais firmeza – Isso é sobre você, sobre concluir algo que ficou mal resolvido. Pode ser o fim pra nós dois, mas pode também ser o começo... – Sacudi minha cabeça afastando a especulação – Não importa, eu preciso que resolva isso, não por mim, mas por você. Prometa que não vai se preocupar comigo. Prometa que vai ser honesta consigo mesma e vai seguir seu coração, independente de pra onde ele te levar.

As lágrimas saltaram de seus olhos e rolaram por sua pele de seda. Eu as colhi com a ponta dos dedos, sentindo a tristeza que ela sentía, permitindo que ela experimentasse a minha também.

- Eu vou ficar bem. – prometi – Eu juro. Só, por favor... Me prometa.

- Eu vou tentar... – ela murmurou com a voz embargada, e me abraçou em seguida.

Eu esperei alguns minutos antes de perguntar.

- Quando...? – minha voz soou estremecida.

Ela se afastou de meu corpo e me olhou com cautela.

- Agora...? – pareceu uma pergunta, e seu olhos me pedíam permissão.

- Como você achar melhor. Ele está me esperando na casa.

Ela suspirou e assentiu.

- Melhor resolver logo isso. – sussurrou, insegurança, dúvida, apreensão pulsando dela e se assentando em mim.

Beijei sua testa e me afastei, me direcionando à janela para fazer o que tinha de fazer. Antes que eu saltasse ela segurou minha mão. Eu voltei meu olhar pra ela.

Seus olhos brilharam, melancólicos, mas decididos e seguros. E então ela vibrou seu sentimento por mim, e eu fechei os olhos para visualiza-lo.

As formas eram as mesmas que eu tinha visto no dia anterior, ainda não tão perfeitas, ainda não tão sólidas, mas as cores estavam suavemente diferentes.

O que ela guardava por mim estava amadurecendo. Pena que não tería mais espaço pra chegar onde eu quería.

Abri os olhos e encarei os seus.

- Eu também. – respondi à sua declaração silenciosa, usando a mesma frase que ela tinha usado comigo mais cedo naquela noite, quando a volta de Edward nem era uma consideração.

Ela sorriu, mas o sorriso não alcançou seus olhos, e eu entendi que aquela era minha deixa.

Saltei e corri de volta para a mansão. Encontrei Edward do lado de fora, há meio metro da floresta, posicionado na direção do caminho que daría na casa de Bella.

Ele me olhou ansioso, e suas emoções estavam em todo lugar, me sufocando. Minha guarda estava baixa, e eu não tinha condições de levanta-la. Protegi minha mente de forma precária, mas não estava realmente me importando com o que ele vería em minha cabeça, caso conseguisse ultrapassar a defesa superficial que eu estava mantendo. Logo ele tería o que viera buscar, e não existiríam motivos para temer minha ligação com Bella.

Parei a dois metros dele.

- Ela concordou. – disse simplesmente, mexido demais pra falar qualquer outra coisa além.

O humor de Edward se transformou de obscuro em radiante em um milésimo de segundo, e eu suspirei, tentando me manter de pé.

- Agora? – ele indagou urgente.

Eu assenti.

Ele se moveu na direção de onde eu tinha vindo, mas antes de começar a correr parou, e se virou pra mim.

- Obrigado. – falou cerimoniosamente – sei que fez isso por ela, mas justamente por isso seu gesto tem um significado ainda maior pra mim.

Eu fiz uma mesura com a cabeça, meu olhos graves.

- Só não a magoe novamente, Edward. – pedi.

- Não vou. – me assegurou – Prometo.

E então trovejou por entre as árvores, seguindo apressado para retomar seu coração, para tomar meu coração de mim.