Destinados

6 O significante acontecimento


Notas iniciais
Gente desculpa a demora mas ta complicado como sempre... Faculdade, trabalho e cinco fics eh duro... Bom, saibam apenas que não vou abandonar, ok?! Posso demorar mas nunca largar uma fic.
Vamos ao cap!

– Feche os olhos... – Ela me pediu com a voz sussurrada.

Eu atendi de imediato. Seus pedidos sempre funcionavam como comandos em mim...

Estávamos no penhasco novamente. O lugar havia se tornado nosso refúgio, pra onde sempre fugíamos quando queríamos um momento só nosso. Sentados como sempre, um de frente para o outro, nossas pernas cruzadas entre nós.

Ao longo do último mês, desde que nós havíamos concordado em deixar que as coisas acontecessem naturalmente, eu e Bella nos aproximamos ainda mais, e vínhamos agindo cada dia com mais intimidade. Nossas mãos estavam sempre entrelaçadas quando caminhávamos pela floresta, nosso passatempo usual, não reprimíamos mais carinhos e toques, apesar de serem todos muito ternos e inocentes, e mais do que tudo, conversávamos abertamente sobre nossas impressões, medos e anseios.

Eu ainda não me sentía confortável em mostrar meu sentimento a ela em sua totalidade, mas Bella, por alguma força incompreensível do destino, podía sentir o que eu sentía, independente de minhas tentativas patéticas em disfarçar. Eu sabía que ela já tinha completa noção do que eu guardava por ela, mas como ela não tocava no assunto, não diretamente, e eu percebía que fazia isso pra não me atormentar, eu ignorava o fato, e tentava me preservar o máximo que ainda conseguía.

A tensão entre nós havia crescido, como era de se esperar, e ambos sabíamos que o momento se aproximava, mas estávamos numa sintonia tão perfeita, que nenhuma atitude, minha ou dela, era forçada ou ansiosa... Estávamos bem com a evolução lenta de nosso relacionamento. Era prazeroso revelar e descobrir aos poucos, e eu passei a apreciar, e muito, a expectativa antes de cada novo avanço, e sentía que Bella refletia esse sentimento.

Ela me presenteava todos os dias com suas emoções, cada vez mais intensas, cada vez mais seguras, direcionadas a mim. Eu ainda estava inseguro quanto ao tema “Edward”, que passara a ser, veladamente, o único assunto que evitávamos... Por culpa, medo ou mágoa, Bella não falava mais nele, e eu me sentía grato por isso.

Naquele día estávamos alí por um motivo especial...

Bella havia descoberto a data de meu nascimento... O real, o humano... Através de uma extensa pesquisa nos arquivos eletrônicos da biblioteca nacional, e de um interrogatório a que me submeteu durante semanas, e decidiu que deveríamos comemorar meu “aniversário”. Eu tentei demovê-la da ideia absurda, argumentando que nem me recordava a última vez que a data significou algo pra mim, mas ela não se deixou convencer... Teimosa e determinada. E com o poder que agora já sabia ter sobre mim, demandou que passássemos o dia ali... No nosso canto, como ela havia nomeado... Onde ela me faría uma surpresa.

Eu estava ansioso, obviamente. E, obviamente, ela sabía bem disso.

– Se você não se acalmar eu não vou conseguir te dar seu presente, Major... – Ela murmurou, um sorriso claro em seu tom.

– Como eu posso me acalmar com você me provocando, Bella? – devolvi sem abrir os olhos, a voz grave devido à força com que controlava o desejo que pulsava em mim toda vez que ela usava aquela palavra.

Bella riu, e seu hálito soprou em meu rosto, enviando choques por meu corpo.

Eu não tinha como evitar. Nem o desejo, nem o contrangimento por saber que ela estava identificando tudo que eu vibrava por dentro.

– Você está me desconcentrando... – Ela murmurou, e sua voz estava trêmula, permeada pelo anseio que partía dela em ondas e se chocava contra mim, se adicionando ao meu desejo.

Aquilo era como uma bola de neve!

Respirei fundo e suprimi a sensação. Foi mais difícil do que nunca antes.

– Obrigada... – Ela disse ao sentír o meu alívio, que provocava o dela.

Então suas mãos estavam em minha face, e eu contive o reflexo de abrir os olhos.

O perfume da pele de Bella ficou mais forte, e eu sabía que ela estava se aproximando mais. Podía sentir sua respiração banhando minha pele, e minhas mãos se tornaram punhos, enquanto eu retinha a urgência de me mover.

Seus lábios roçaram superficialmente os meus, num toque tão leve que eu não tive certeza se tinha realmente acontecido, e então, antes que eu pudesse reagir, uma onda avassaladora de paixão, envolvida numa espiral de segurança, certeza e determinação, me atingiu, quase me fazendo perder o equilíbrio.

Eu arfei audivelmente, e mantive meus olhos fechados apenas para visualizar os arcos coloridos que se formaram em torno de mim.

Não eram arcos perfeitos como os formados por meu sentimento, nem tão sólidos ou brilhantes, mas tinham a mesma natureza... E eu me ví perplexo.

Abri os olhos e dei de cara com os de Bella, na exata altura dos meus, brilhando intensamente. Ela arfou também, e eu sabía porquê.

– Seus olhos... – Bella murmurou – Eles... estão diferentes... tem... Cores... neles...

Eu sorri e pisquei rapidamente para afastar os rajados.

– Quando eu olho para um sentimento, posso enxergar sua essência... – Confessei – A depender de sua profundidade ou potência, e do tempo e concentração com que eu olho pra ele, suas cores ficam momentâneamente gravadas em minhas irís...

– Sentimentos tem... Cores? – Bella perguntou surpresa.

Eu vinquei a testa.

– Não sei bem como te explicar isso... – adimiti – Sabe o que falam de... Aura? – Bella assentiu – É como se fosse isso... Bom... Cada sentimento tem sua natureza, sua forma... É como se você olhasse para um objeto, e por sua silhueta específica, você pode identifica-lo... Entende? – Ela assentiu mais uma vez – Essa é uma das maneiras com que eu vejo as emoções... Na verdade não preciso relamentevê-laspara reconhecê-las, por que eu posso...Experimentarsua essência... Como se fosse um... Sabor ou, aroma... Mas consigo enxerga-las quando estão vibrando se fechar os olhos...

– Isso é incrível... – Bella murmurou maravilhada, e sua expressão atônita me fez sorrir – Quais são as cores do que eu te mostrei?

Eu ri baixo. A curiosidade de Bella naquele momento era quase infantil.

– Vermelho concentrado... como sangue... Perolado, violeta e um tom de púrpura que provavelmente você nunca tenha visto... – enumerei – A última não é uma cor que olhos humanos sejam capazes de detectar.

Ela continuou me encarando como se eu falasse uma língua estranha, mesmerizada com o que eu havia acabado de explicar...

Bella havia se distraído do ponto principal, mas eu não.

– Você tem certeza? – eu indaguei, trazendo-a imediatamente de volta.

Ela piscou algumas vezes e corou.

– Você precisa perguntar? – Sua voz era suave – Não entendeu tudo que eu mostrei pra você?

Eu suspirei, entorpecido pela satisfação. Ela finalmente tinha certeza sobre mim. Estavaapaixonadapor mim, e segura quanto aos próprios sentimentos. Mas eu ainda precisava de uma última confirmação.

– Posso pedir uma coisa? – questionei com cautela, e sondei seu olhar.

Ela assentiu e eu percebi seu esforço em conter o receio que pulsava dentro dela. Bella sabía o que eu quería.

– Pense em Edward, Bella... – eu pedi, evitando a mágoa que a ideia estimulava em mim, mas eu precisava desta última prova, antes de permitir nossa entrega.

Não fomos muito longe. A mera menção do nome dele fez vibrar nela um amor potente, uma devoção desmedida, atrelada a saudade e tristeza...

Ela tentou retraír as emoções, mas não existía uma forma de esconder aquilo de meu dom. Engolí a decepção, porque Bella não tinha culpa por ainda amar Edward. Aquilo era, e eu temía que sempre sería, maior e mais forte que ela.

– Jasper... Isso não faz menos forte o que estou sentindo por você... – ela afirmou, segurando meu rosto em suas mãos novamente, e eu sabía que ela tinha razão – Está na hora...

Minhas reservas quanto aquilo nada tinham haver com egoísmo, ou insegurança, ou mesmo auto-preservação... Não era comigo que eu estava preocupado a ponto de querer esperar mais até que o que ela sentía por mim se tornasse mais sólido... Era com ela, com Bella, que eu estava sendo cuidadoso.

Por tudo que eu já conhecía dela de antes da partida de meu irmão, por tudo que aprendi dela de nossos quatro meses juntos, eu tinha noção do que um confronto entre eu e Edward, caso ele voltasse e encontrasse a razão de sua existência em meus braços, causaría a ela. Bella se vería dividida, e isso a magoaría profundamente.

Claro que eu tinha muito bem resolvida em minha mente esssa possibilidade. Eu abriría mão de Bella se essa fosse a vontade dela, apenas sua felicidade importava para mim. Evidentemente que eu quería me tornar a razão dela, mas, nunca me colocaría em seu caminho caso não fosse. O problema era que, o simples pensamento de sujeita-la a tanto já me fazía recuar.

– Eu preciso de mais tempo... – murmurei, tentando me concentrar no cuidado que tinha com ela, para que ela entendesse minha motivação e não se sentisse rejeitada – Eu quero você, Bella, já sabe disso... Mas eu quero você inteira...

Ela suspirou e desviou o olhar do meu, e eu podía sentir sua insatisfação, mas também sua compreensão e resignação.

– Eu quería que hoje fosse especial... – ela sussurou olhando para longe de mim – Esse era o meu presente... A certeza que estou sentindo em relação a nós dois... – ela me olhou, e seus olhos castanhos me queimaram como se fossem feitos de lava – Eu quero você. – ela expirou – Edward ainda é especial pra mim, ele foi meu primeiro amor... mas você... Eu me sinto diferente com você....

Eu segurei seu rosto em minhas mãos.

– Eu sei... – afirmei – Eu sinto. Mas preciso de mais tempo... Pode me dar isso?

Nos olhamos por um momento longo, e o desejo que Bella emanava se confundía com o que eu sentía, e se aninhava em nós dois, potencializando a emoção.

– Posso... – ela respondeu com a voz falhada, os olhos descendo até meus lábios e se fixando ali.

Eu refleti seu gesto, e se meu coração ainda batesse, tenho certeza de que estaría acelerado como o dela.

Beijei rapidamente o canto de seu lábio, um gesto muito corriqueiro entre nós, e me afastei, fazendo um esforço tremendo.

Eu imaginava o que ela estava pensando de mim... Um homem,um vampiro, de mais de cento e sessenta anos de existência, com uma experiência vasta no campo feminino, hesitando em estar com uma mulher que havia deixado claro seu desejo, sua paixão...

Mas era Bella... A única por quem eu havia sentido um amor puro e verdadeiramente profundo em toda minha vida, humana e imortal... Ela era especial, única, e eu quería que tudo entre nós fosse assim, único, como ela, como meu sentimento por ela... Não conseguiría tratar nosso relacionamento como algo banal.

Ela respirou fundo quando me levantei, e eu entendi que a mágoa que ela estava emanando não era direcionada a mim.

– E se eu nunca deixar de sentir isso por ele... – ela falou muito baixo, num murmúrio quase inaudível, que eu só captei devido à minha audição super sensível.

Eu mirei o céu enevoado e cinza de Forks, me sentindo melancólico como ele aparentava.

– Tempo não vai apagar o sentimento... – afirmei com a voz baixa também, mas num tom que fosse possível dela ouvir – Mas é capaz de rarea-lo... De enfraquecer seu brilho e permitir que o que sente por mim ressaia...

Eu percebi sua movimentação, mas não me virei para vê-la se lavantar e colocar-se logo atrás de mim.

– E se isso demorar... – ela sussurrou, a voz saturada de insegurança.

Eu abaixei minha cabeça e olhei para minhas mãos em punhos, me forçando a relaxa-las.

– Eu tenho todo o tempo do mundo... – disse – E vou esperar o quanto for preciso.

Os braços de Bella me rodearam, e eu senti sua cabeça pousar em minhas costas. Ela suspirou, e sua tristeza vibrou por mim e se assentou em meu coração.

– Eu... – ela começou, mas sua voz falhou e partiu.

Ela engoliu com dificuldade, eu pude sentir, e então enviou um jorro de ternura e apego para mim, usando nossa comunicação não-verbal para dizer o que não fora capaz de expressar em palavras.

Eu acolhi a emoção, a dupliquei, e emanei de volta, dando a ela minha resposta.

Eu te amo...falei em minha mente.

Bella apertou os braços em volta de mim, e eu pousei os meus sobre os dela, apoiando minha cabeça sobre a dela, tento o cuidado de não transferir o peso.

– Feliz aniversário... – ela sussurrou, entrelaçando os dedos nos meus.

Eu sorri, grato por sua teimosia. Aquele momento, apesar de tudo, havía sido especial como nenhum outro.

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No dia seguinte, depois de muito tempo discutindo sobre o assunto, havíamos finalmente decidido revelar a Charlie meu retorno à cidade. Eu vinha insistindo com Bella por dois meses inteiros, mas ela estava insegura quanto a reação do pai.

Tudo que Charlie sabía sobre a partida de minha família era que Carlisle recebera uma proposta muito boa de trabalho, num hospital importante de Nova York, e que todos seguimos com ele definitivamente. Ao menos fora essa a informação que ele conseguiu no hospital de Forks quando, depois de ser informado pela filha do rompimento com Edward, ele decidiu sondar.

Eu havía monitorado suas emoções no começo, para ter certeza de que ele tinha os Cullen em boa conta, e assegurei essa realidade. Ele nunca havia sabido da maneira cruel e descuidada com que meu irmão abandonou Bella, muito menos da dor a que sua filha foi sujeitada logo após o ocorrido, porque eu estava por perto, controlando os ânimos. Então eu não entendia a apreensão dela quanto a contar a ele que eu, e somente eu, estava em Forks.

– Eu conheço Charlie... – ela explicou – Ele vai ficar desconfiado quando perceber nossa dinâmica, ele não vai entender como eu estou tão íntima do irmão de meu ex-namorado, que acabou de voltar pra cidade e com quem eu mal me relacionava até poucos meses atrás. Ele vai passar a me vigiar e analisar... E provavelmente vai querer controlar nossos encontros...

– É com isso que está preocupada? – eu sorri – Bella, eu estou há quatro meses passando mais tempo em sua casa do que na minha, e ninguém nem desconfia que eu estou na cidade! O fato de seu pai querer, possivelmente, controlar nosso contato, não vai afetar nossa rotina... Não é como se eu não pudesse mais me esgueirar por sua janela... – Deixei que uma risada leve escapasse – Além do mais podemos planejar alguma história e administrar essa “volta”. – fiz as aspas com os dedos no ar – Eu me aproximo aos poucos, até que ele se acostume com minha presença... Só não quero mais continuar escondido. Quero poder te levar à escola pela manhã, sem ter que descer do carro duas quadras antes... Te pegar na porta no final do dia... Quero poder sair com você sem ter que esperar pela saída de Charlie, e levar você ao cinema, a um restaurante, pra andar pela rua, não sei, mas sem ter que me preocupar em evitar que nos vejam.... – Me aproximei dela e segurei suas mãos – Quero andar de mãos dadas em público... – Minha voz, assim como meu olhar, eu sabía, estava demonstrando minha ansiedade.

Bella sorriu, e seus olhos eram intensos nos meus, apesar do ar de diversão que os coloria que, a princípio, eu não entendi.

– O quê? – perguntei.

– Você está descrevendo um namoro... – ela falou e corou, e a diversão, apesar de se manter, foi sobreposta por leve constrangimento e incerteza.

Eu suspirei ainda sorrindo, e entrelacei meus dedos nos dela.

– Acho que é isso que estamos fazendo... – Bella murmurou ainda um pouco insegura – Não é? Sem a parte do contato físico.

– Nós nos tocamos o tempo todo. – Eu falei levantando nossas mãos juntas, e deslizando as costas de uma das minhas em sua bochecha.

– Você entendeu o que eu quero dizer... – ela afirmou, e seu olhar brilhou uma certa impaciência.

Eu ri outra vez.

– Sim. – confirmei – É mais ou menos isso que estamos fazendo.Extra-oficialmente. – Eu soltei uma das mãos dela e segurei seu rosto – Mas eu voupedirquando chegar a hora. Nosso relacionamento não é algo banal pra ser deduzido... Ao menos não pra mim.

Ela inclinou a cabeça em minha mão e suspirou.

– Também não é pra mim...

Eu contive, pela milésima vez, a urgência de beija-la, e retomei o assunto inicial, tentando trazer de volta a leveza pro ambiente.

– Então eu volto hoje? – sorri com uma sombracelha arqueada.

Bella expirou cedendo.

– Certo. – disse um pouco mal-humorada – Vou ter que treinar minha expressão de surpresa...

Minha risada alta acabou por provocar a dela. A abracei e deixei um beijo em sua testa antes de voltar para a cadeira de balanço no canto do quarto, enquanto ela se preparava para tomar banho antes de ir pra escola.

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No final da tarde, como combinamos, quando Bella estava chegando em casa, propositalmente no mesmo horário em que Charlie estava estacionando a viatura na entrada de carros, eu estacionei oVanquish, que tinha deliberadamente deixado para trás quando decidira partir há quatro meses, do outro lado da rua.

A expressão de Bella ao descer de sua pick-up e me encarar com surpresa quase me convenceu, e eu suprimi uma risada ao notar o pai dela, que também decía de seu veículo, seguir seu olhar com curiosidade.

– Jasper? – Bella falou numa voz falsamente alarmada que quase desmoronou meu disfarce.

O chefe Swan estreitou os olhos enquanto olhava pra mim, e eu sorri um sorriso inocente para Bella, fingindo que ainda não o notara, enviando uma onda de simpatia pesada em direção a ele.

Eu atravessei a pista devagar, minhas mãos nos bolsos da calça jeans. Quando os alcancei, Charlie estava ao lado de Bella emitindo um misto de surpresa e curiosidade, e se mostrou tranquilo apesar da estranheza do momento.

– Bella. – Cumprimentei com certa formalidade, me mantendo no planejado – Chefe Swan.

– Pai, você se lembra do Jasper, sim? Um dos filhos do doutor Cullen. – Bella falou olhando para o pai com um entusiasmo incontido, e ele sentiu certa suspeita com a animação.

– Sim, me lembro... – ele falou com o olhar avaliativo sobre mim – Como vai, meu rapaz? O que o traz à Forks? Soube que sua família está morando em Nova York.

– Ah sim, meu pais ainda estão lá, mas eu partí para a universidade logo depois da formatura... – Eu falei com um sorriso cortês – Eu vim a pedido de meu pai para dar uma olhada na casa, pegar alguns pertences que mantivemos aqui.

– Entendo. – ele disse com o ar ainda curioso – Acabou de chegar?

– Sim, sim. Resolvi passar para dar uma conferida em Bella... Mantivemos contato por e-mail nos últimos meses.

Charlie voltou seu olhar surpreso em direção à filha.

– Oh, é mesmo? – sua voz tinha um tom levemente suspeito e divertido, ao mesmo tempo – Pensei que depois da partida de vocês, houvessem se distanciado... É bom saber que Bella ainda manteve a amizade.

– Não quer entrar um pouco? – Bella se adiantou, e eu podía sentir seu nervosismo e ansiedade aos picos.

Charlie sorriu discretamente, diversão e mais surpresa evidenciados em suas emoções. Ele me olhou com simpatia contida, e eu não estava mais emanado.

– Sim, meu rapaz, – ele concordou com a filha – não quer entrar? A viagem deve ter sido longa, deve estar cansado. De onde você vem?

– De Vancouver. Estou morando lá por conta da universidade. Mas eu não gostaría de atrapalhar o jantar de vocês. Posso passar amanhã para conversarmos um pouco mais, Bella.

– Não atrapalha – Charlie falou com sinceridade – E fará bem à Bells aqui um pouco de companhia, não é mesmo? – ele indagou com o tom intrigado, analisando a postura da filha – Bella não passa muito tempo com os amigos.

Eu contive uma risada e sorri abertamente para o pai dela. Ele estava claramente gostando de ver Bella entusiasmada. E sua suspeita não era nem um pouco negativa, mas conspiratória.

Ele estava percebendo como ela estava alegre em minha presença?

Acreditei que sim e isso me deixou satisfeito. Charlie se preocupava com o bem estar de Bella muito mais do que demonstrava.

– Bom, se é assim, eu aceito... – falei com a voz animada, e percebi que ele notou.

– Vamos entrando... – ele disse enquanto seguía em nossa frente.

Eu perguntei rapidamente sobre coisas aleatórias da vida de Bella enquanto caminhávamos atrás dele, apenas para manter a farsa, e ela agiu como planejamos, parecendo surpresa, mas secretamente enviando ondas de divertimento e gratidão pra mim enquanto contínuávamos a “colocar a conversa em dia”...

Charlie se encaminhou para a sala depois de me dar espaço para passar em sua frente, e apontou para a poltrona ao lado do sofá para que eu me sentasse. Bella seguiu para a cozinha em silêncio, me direcionando um olhar quase preocupado. Eu emanei tranquilidade pra ela, e ela entendeu que eu estava bem com aquilo.

– Jasper... Não é? – Charlie perguntou com as sobrancelhas unidas – Então me diga, o que está cursando?

– História. – Mentí, usando uma das minhas mais frequentes graduações – Eu me interesso muito pelo passado americano... E pretendo lecionar no futuro.

Ele sorriu contidamente em aprovação.

– Interessante. – comentou – E seus outros irmãos? Estão em Nova York com seus pais?

Elaborei uma resposta rapidamente.

– Emmet e Rosalie estão em Connecticut cursandoYale. Edward se mudou para Londres por conta de um intercâmbio.

– E Alice? – ele indagou antes que eu pudesse mencioná-la – Vocês são namorados, não?

Eu fingi uma expressão de leve nostalgia e tristeza. Sabía que ele estava sondando, e que isso era motivado pela interação espontânea que ele claramente havia percebido entre eu e Bella.

– Não, senhor. – Eu repliquei educadamente – Nós rompemos um pouco antes da mudança. Ela terminou o ensino médio há alguns meses, e está estudando moda na europa agora, como quería. – inventei a desculpa que parecía mais cabível.

– Sei... – ele devolveu com certo pesar, mas alguma tranquilidade – Sinto muito. E como você está com essa separação?

– Ah, eu estou bem. – afirmei – Bella me ajudou muito nos últimos meses. – aproveitei para justificar a conexão evidente – Temos nos falado pela internet quase todos os dias, e o apoio dela me auxiliou a superar.

– Fico feliz em saber disso. – ele disse de forma verdadeira – Bella não interage muito com outros jovens, e isso me preocupa um pouco. Mas agora sabendo que ela tem um amigo fico mais tranquilo.

Eu sorri pra ele, e ele devolveu o gesto com uma satisfação pungente.

– Quanto tempo vai ficar na cidade?

– Ainda não sei... Meu pai pediu que eu providenciasse alguns cuidados para a casa, minha mãe tem muita afeição pela propriedade. E como estou entre semestres, gostaría de passar algum tempo por aqui.

– Por causa de Bella? – ele sondou novamente, não se envergonhando em fazer uma pergunta tão direta, e eu decidi que não faría mal demonstrar sutilmente minhas intenções.

Fingi constrangimento e sorri hesitante.

– Sim, senhor. – falei com a voz contida.

Charlie riu baixo, um riso contagiante de diversão e satisfação, e me olhou com o olhar paterno, o que me surpreendeu.

– Ela claramente não sabía que você viría... – ele afirmou iludido num tom indagativo.

– Não eu... – me interrompi para dar mais dramaticidade à minha falsa hesitação – Eu quis fazer uma surpresa...

– Entendo. – ele replicou numa risada reprimida. Ele estava se divertindo com meu suposto embarassamento – Bom, então espero que tire a Bella de casa para passear um pouco. Ela vive enfurnada no quarto dia e noite. Um pouco de distração fará muito bem a ela.

– Farei isso, senhor. – afirmei extremamente contente – Com sua permissão, é claro.

Charlie pegou o controle remoto da TV na mesinha de centro e sorriu.

– Tem toda, meu rapaz. Mas eu a quero em casa cedo nos dias de escola. – Me direcionou um olhar firme – E você não precisa ficar me chamando de senhor. Pode me chamar de Charlie.

Eu sorri antes que ele desviasse os olhos para a tela da televisão que acabara de ligar.

– Sim, senhor. Quer dizer... Charlie.

Ele devolveu o sorriso e depois se concentrou no jogo de baseball que passava. Me perguntou sobre esportes e enveredamos por um diálogo leve sobre times de basket, football e outros enquanto ele dividía sua atenção entre mim e a TV.

O jantar foi um pouco complicado, pois eu tive de ingerir parte dos alimentos que Bella me serviu com extrema hesitação. Ficaría estranho se eu me sentasse à mesa com eles e não comesse. Afastei a indisposição em colocar tudo aquilo pra fora mais tarde, mas o sacrifício valía a pena.

Charlie me perguntou mais sobre Carlisle, Esme e meu irmãos, evitando tocar no nome de Edward, e eu entendi isso como um sinal claro de que ele não sentía muita simpatia por meu irmão “caçula”. Ou isso, ou ele estava evitando provocar um desconforto em Bella.

Depois do jantar ele discretamente me deu algum tempo a sós com a filha, o que não era realmente necessário levando em conta que logo mais eu estaría no quarto dela, mas eu me sentí grato com sua atitude.

– Foi melhor do que eu imaginava... – Bella falou baixo enquanto lavava os pratos – Ele realmente gostou de você.

Eu me aproximei dela e rodeei sua cintura com um de meus braços.

– Acha que ele aprovará se eu pedir permissão pra namorar você? – perguntei num tom suavemente sedutor, e Bella deixou que um prato escorregasse por seus dedos.

Ela se virou em choque pra mim, os olhos maiores, os lábios separados. Eu contive uma risada.

– V-você pretende fazer isso? – ela indagou surpresa.

Uni minhas sobrancelhas numa expressão de ultraje.

– Claro que sim. – afirmei – Eu sou um cavalheiro, Bella.

Ela sorriu hesitantemente.

– Quando? – indagou com a voz urgente apesar do tom baixo.

Eu ri, e elevei minha mão para seu rosto, afagando a pele que já começava a corar.

– No momento certo... – suspirei, reprimindo a ansiedade – Agora eu tenho de fazer minha cena de partida. Já são quase dez horas. Não quero arruinar a boa impressão que causei.

Bella assentiu ainda entorpecida, e eu me aproveitei de sua perplexidade momentânea, me inclinando para pousar um beijo no canto de seus lábios.

Ela prendeu a respiração e fechou os olhos, o que quase me fez deslizar um pouco mais para o centro, mas conseguí conter o ímpeto e me afastei rapidamente. Bella expirou.

– Pra que serve velocidade vampírica se ela não pode acelerar o tempo... – ela resmungou muito,muitobaixo, mas sabía que eu era capaz de ouvir.

Ri baixo e neguei com a cabeça, me encaminhando para a sala com ela ao meu lado.

– Charlie. – Chamei com alguma formalidade. Ele se virou pra mim – A noite foi muito agradável. Obrigado por me receber.

– Claro, meu rapaz. Espero vê-lo logo.

– Sim, claro. – sorri – Bella, me leva até a porta? – pedi me voltando para ela – Boa noite, Charlie.

– Boa noite, Jasper.

Seguimos até a varanda em silêncio.

– Vai demorar? – Bella me perguntou assim que paramos nos degraus.

– Eu preciso caçar, já fazem três dias... – respondi enquanto entrelaçava meus dedos nos dela – E eu não posso vacilar em se tratando de você.

– Você tem se saído bem... – ela deu de ombros com um sorriso, e desenhou círculos nas costas da minha mão com um de seus dedos delicados – Mas sei que está com sede... – ela levantou a outra mão e deslizou a ponta dos dedos sob meus olhos – Eu espero, não precisa se apressar.

Eu assenti, e me permiti sentir parte do amor que guardava por ela, assegurando-a de que estava indo porque realmente precisava.

Ela fechou os olhos absorvendo o que eu vibrava, e sorriu mais pronunciadamente.

– Eu também... – disse, e eu guardei aquelas palavras tão simples em minha memória, sentindo como se meu coração pudesse pulsar outra vez.

Era a primeira vez que ela verbalizava aquilo... Ainda que não fosse uma declaração explícita, eu apreendi o significado da frase, e ele valía tanto quanto, ou muito mais, que as palavras exatas.

Beijei sua testa e seguí para o carro, sentindo seus olhos em mim.

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Eu caçei durante três horas. Depois de regurgitar toda a comida humana do jantar, bebi quatro cervos e dois ursos, só por precaução.

Meu controle estava cada vez melhor, e o aroma do sangue de Bella não me causava mais incômodo, ao menos não fisicamente. Eu ainda sentía uma inevitável urgência de transforma-la, mas estava aprendendo a conter o impulso. E de qualquer forma, existíam outros anseios que me distraíam...

Voltei em casa, tomei banho, e me troquei, seguindo apressado de volta para a casa de Bella.

No caminho cruzei com um rastro que, a princípio, não me alertou, basicamente porque eu estava muito ansioso em estar com Bella, e meus pensamentos estavam totalmente concentrados nela. Mas ao me aproximar da mata que rodeava o terreno dos Swan, o cheiro ficou mais forte, e impossível de ser ignorado e não reconhecido.

Praticamente voei até a lateral da casa, nervoso e mergulhado em receio, por tantos motivos que não tive tempo de enumerar, e estaquei quando cheguei a meio metro da parede que, há quatro meses, me levava ao meu paraíso particular.

Ele se virou bruscamente pra mim, surpreso e intrigado, percebendo minha presença.

– Edward?! – Arfei, enquanto meu irmão estreitava o olhar em direção a minha figura perplexa.