Destinados

31 O reforço inesperado


Notas iniciais
Pois é... Quatro meses sem atualizar. Terrível, eu sei. Não tenho desculpas. Os motivos são os mesmos, mas aqui estou. Esperam que, quem ainda está por ai, goste. Vejo vocês lá em baixo.

— Isso tudo é inacreditável, Major. – Peter balbuciou com o olhar ainda perdido e o ceticismo oscilando e se rendendo à crença – Você e uma garota humana... Almas gêmeas. E eu que nem mesmo acreditava que ainda tínhamos uma alma depois de nos transformarmos nisto. – disse gesticulando entre nós dois.

Estávamos ainda no meio da mata. Eu tentei atualizar Peter em tudo o que havia acontecido o mais rapidamente que pude, pois não poderíamos perder mais tempo.

Bella estava mais calma, como eu podia constatar através de nossa comunicação, mas ainda sentia medo, o que não era um bom sinal.

— Eu também não acreditava... Até ter provas para tanto. – devolvi um tanto impaciente.

— E agora ela foi sequestrada por uma vampira louca...? – ele indagou num tom afirmativo – Vampira essa que acredita que sua garota ainda é namorada de Edward, que, de fato, é ex dela. – eu assenti – E tudo isso porque ela quer vingar a morte do companheiro que, na verdade, foi eliminado por você e Emmet, não por Edward. – Eu assenti mais uma vez – Putz. Que confusão você arranjou, hein?

Eu expirei, concordando.

— Eu sei que pra você foi muito fácil me encontrar aqui, mas... Como sabia que eu estava precisando de ajuda, Peet? – perguntei honestamente curioso, usando seu apelido.

Peter sorriu enviesado enquanto passava os dedos por seus cabelos escuros. Concentrou o olhar em mim e vibrou toda a sua carga de ansiedade e preocupação.

— Você sabe bem como funciona meu “radar”. – fez aspas com os dedos.

— Sei. Mas você sempre conseguiu bloquear tudo a maior parte do tempo. Imaginei que com a distância e o tempo afastados...

— Sabe que isso não faz diferença, Jasper. – Devolveu – Você é meu irmão, eu sempre estou de olho em você.

Senti Edward inquieto ao meu lado, e sabia que a curiosidade dele se devia ao fato dele não conseguir ler Peter com tanta facilidade como estava acostumado a ler todos.

— Peter é empático como Jasper. – Alice esclareceu, como sempre totalmente perceptiva – O dom dele apenas se comporta de forma diferente.

— Eu não consigo captar tudo o que está ao meu redor, como nosso major aqui. – ele tomou a palavra encarando Edward com a expressão divertida – Minha relação com as emoções de outros é mais específica e um tanto restrita. Preciso ter um vínculo definitivo para ser capaz de captar o que quer que alguém emita. E não posso manipular emoções. Apenas as assimilo e consigo identifica-las.

— Mas sua compreensão e sensibilidade à elas é muito maior que a minha. – completei.

— Como assim? – Edward indagou ainda mais curioso.

— Depois que o vínculo é estabelecido, não importa a distância ou o tempo de afastamento... – Peter explicou olhando pra mim e enfatizando cada palavra – As emoções me alcançam. E com indescritível perfeição. Sou capaz de identificar cada pequena alteração, nuance e oscilação de intensidade. Sempre sei exatamente o que estou absorvendo. Claro que eu aprendi a dribla-las ou busca-las quando quero. Mas, em alguns casos, especialmente quando são emoções extremamente intensas ou bruscas, ou quando existe uma alteração muito significativa em suas constantes, elas vêm à mim ainda que eu esteja bloqueando.

— E foi assim que você soube que Jasper precisava de você. – Alice afirmou.

Peter assentiu em silêncio enquanto Edward continuava a projetar confusão.

— Há meses eu venho sentindo as mudanças de Jasper. – replicou à afirmação de Alice mas olhava para mim – Como eram emoções basicamente ligadas à amor, paixão... Bem... – deu de ombros – Eu não queria ser bisbilhoteiro. Imaginei que algo havia mudado no relacionamento de vocês, – olhou rapidamente para Alice e de volta pra mim – mas claro que nunca cogitaria uma outra garota na parada. – eu olhei pra Allie, que resguardou suas emoções com habilidade – Obviamente que quando todo o sentimento de realização e júbilo que se derramava de você como uma torrente – ele usou um tom meio irônico e divertido – mudou subitamente para pânico e desespero, eu sabia que algo estava errado.

— Como consegue bloquear a mim? – Edward questionou quase que aborrecido.

Com o olhar indagativo, Peter voltou o rosto pra mim sem entender.

— Edward é psíquico. – Meu amigo arregalou os olhos – Ele consegue ler qualquer mente num raio de pouco mais de dez quilômetros.

— Com uma exceção. – Edward murmurou, e eu prontamente compreendi que ele falava de Bella – Ou duas, ao que parece. – completou olhando Peter com insatisfação.

Peter sorriu enviesado uma vez mais.

— Eu aprendi a me blindar ao longo das décadas. – deu de ombros – São muitos os vínculos que tenho, não é divertido ficar sentindo o que eles sentem o tempo todo. Então eu elevo meus “muros de proteção”o mais fortemente que posso. Deve ser isso. Nunca conheci um psíquico antes, então...

— Quando tudo isso acabar você vai precisar me explicar como faz isso. – Dei dois tapinhas em seu ombro enquanto me movia entre eles, mais para amainar a agonia em meu peito que para realmente ir a algum lugar.

— Precisamos decidir o que faremos, Jazz. – Alice verbalizou o que eu já pensava – Você ainda está sentindo ela, sim?

— Sim. Ela ainda está viva. E com muito medo. – Coloquei as mãos na cabeça e fechei os olhos, mais angustiado a cada segundo.

— Se você consegue senti-la ela não deve estar longe. – Peter comentou.

— Não é tão fácil assim. – foi Edward quem falou, me surpreendendo – Ele consegue senti-la a grandes distâncias. Ela poderia estar aqui ao lado, o que obviamente não é o caso, como pode estar a quilômetros.

— Isso é sério, major? – Peter indagou surpreso – Sua capacidade então se desenvolveu.

— Não, isso só acontece com ela. – esclareci negando fracamente com a cabeça.

— Jazz, e quanto aos arcos? – Alice falou com o tom subitamente animado – Será que não consegue visualizar os arcos das emoções dela?

Todos me encararam em expectativa, mas eu suspirei pesadamente.

— Desde que... – expirei, considerando o que iria dizer e como isso atingiria Edward primeiro – Desde que eu e Bella... – Fiz um gesto com a cabeça, ao que todos, até mesmo Peter, assentiram demonstrando compreender. Edward baixou os olhos. – Eu não consigo mais visualizar as emoções dela separadas das minhas. Não existem mais arcos em se tratando de Bella. Nossos sentimentos estão ligados diretamente, então quando fecho os olhos eu vejo apenas essa única elipse de luz que envolve a nós dois. Como não estamos juntos agora, tudo que vejo é o limite que me abrange. Ele se estende até onde meus olhos não alcançam mais.

— Mas não te dá uma direção? – Edward perguntou baixo, claramente hesitante.

— É uma elipse, Edward. – Alice respondeu brandamente por mim – Como algo com formato circular pode direcionar alguém?

— Você não consegue se guiar pelas emoções dela? – Foi Peter quem indagou dessa vez.

Eu neguei antes de responder.

— Pelo mesmo motivo... – respirei fundo – Minhas emoções e as dela são uma coisa só. Eu não consigo mais separar. Eu posso localizar vocês pelas suas projeções, mas não Bella. Eu a sinto como se estivesse em mim, então não tenho como medir se o que ela projeta está mais ou menos intenso e assim determinar uma distância. Não importa o quanto estamos longe ou perto um do outro, eu capto as vibrações dela na mesma potência. Sempre.

— Acho que devemos voltar. – Alice determinou – Precisamos conversar com Carlisle. Ele saberá como agir.

— Você consegue ver alguma coisa? – perguntei ansioso.

— Em relação à Bella, não.

Todos me encararam aguardando minha decisão. Eu fitei o olhar dourado de Alice.

— Consegue ver ao menos nosso futuro imediato? – indaguei com o tom implorativo – Pelo menos as próximas horas.

Alice fechou os olhos e respirou fundo, se concentrando. Por meros três segundos ela permaneceu assim, e então me encarou com o ar confiante.

— Carlisle nos ajudará. – afirmou.

Eu assenti, confiando nela e em seu julgamento. Logo estávamos os quatro correndo, tomando o rumo que nos guiaria de volta à Forks.

Durante todo o percurso mantive uma mão no centro do meu peito.

*

— Feche os olhos, se concentre e me diga exatamente o que vê. – Carlisle pediu com sua voz plácida.

Tínhamos chegado à mansão apenas duas horas depois de decidirmos voltar, com exceção de Edward, que desviou o caminho e chegou minutos mais tarde, não faço ideia porque nem tinha tempo para me preocupar com isso. Colocamos todos a par do que havia acontecido e, depois de apresentar Peter a Esme, Rose, Emm e Carlisle, nos reunimos no escritório a fim de planejarmos o próximo passo.

Peter, sendo quase tão intuitivo quanto Alice, e pouco mais perceptivo que eu, deu a ideia de, primeiro, tentarmos localizar Bella com a ajuda de minha ligação com ela. Obviamente que eu expliquei outra vez o que havia explicado a ele, Alice e Edward na mata de Seattle, mas Carlisle insistiu que deveria haver uma maneira de canalizar a energia que nos ligava a fim de determinar, ao menos, uma direção.

Eu me deixei conduzir, querendo me agarrar a qualquer esperança possível.

— Além das elipses formadas pelas emoções de vocês, tudo que consigo visualizar é o arco da elipse que me abrange. – murmurei com os olhos fechados e concentrados na linha de luz que se curvava nos lados do meu corpo.

— O que acontece com ele além da área que abrange você? – A voz de Carlisle indagou baixa e firme.

Observei as linhas que se estiravam nas laterais até impossivelmente longe, até que eu as perdesse de vista.

— Ele se alonga até onde não posso ver mais... – falei num suspiro um tanto quanto impaciente.

— Jasper, o brilho é o mesmo ao longo de toda a extensão que você enxerga? – Era a voz de Peter, um forte senso de certeza vibrando dele e de seu tom.

Analisei com cuidado, cada refração de luz que conseguia ver. E então consegui identificar uma diferença quase que imperceptível.

— Não. – arfei baixo.

Ao meu redor todos emanaram mais forte ansiedade e esperança.

— Qual é a diferença, filho? – Carlisle se pronunciou novamente.

— É um pouco mais... Mais intenso... Muito pouco, quase não está lá, mas... – pausei, me concentrando melhor – A cor ainda é branca, mas tem uma sutil diferença no tom, um pouco mais aberto.

— Levante e caminhe para frente, Jasper. – Peter pediu.

Assim o fiz, mas para meu completo desagrado, nada aconteceu.

— Não mudou nada. Continua da mesma maneira. – falei desesperançado.

— Você só deu dois passos. Não é muito para testar uma teoria. – Peter retrucou.

Abri meus olhos e o encarei.

— Que teoria?

— Bom, eu não tenho certeza, mas, comigo acontece assim. Eu não vejo arcos como você, sabe disso, nunca fui capaz de visualizar os sentimentos como você faz, mas eu os sinto completa e absolutamente. E consigo perceber quando estão mais próximos de mim, ou mais distantes.

— Eu também consigo fazer isso Peter, mas, como já expliquei, comigo e Bella não dá mais pra fazer isso... – comecei, mas ele me interrompeu.

— Eu sei, mas talvez você consiga se basear pelo arco. – ele insistiu, e todos estavam atentos ao que ele dizia – Veja bem, se eu estiver certo, a pequena diferença que enxergou no brilho da elipse em seus limites talvez indique pra qual lado ela se estende. Entendeu?

Expirei fortemente.

— Entender eu entendi, mas... Ainda que seja possível tomar uma direção baseados nisso, levará horas até acertarmos o caminho correto, Peter. Quantos caminhos terei de testar até encontrar um que me permita enxergar uma diferença maior que a que vejo agora?

— Jasper tem razão. – Esme se pronunciou suavemente – Bella está em perigo, não podemos nos dar ao luxo de ficar testando, precisamos encontrar uma solução rápida.

— Mas qual? – Rose indagou mais nervosa do que eu imaginaria que ela poderia ficar com a situação – Suspeitamos que tenha sido Victória mas, a verdade é que não temos ideia de quem sequestrou Bella ou pra onde a levou.

— Ou o que querem realmente com isso... – Emm completou inteligentemente.

Todos se entreolharam, e a aura de angústia, a tensão, ficou ainda mais densa no ar.

— Eu vou até a casa dela. – anunciei já me prontificando a correr.

Alice segurou meu braço.

— Edward já fez isso, Jazz. Vasculhou a casa inteira. Ele não reconheceu o odor.

— Não é um odor que ele conhece. Pode ser que eu reconheça. – falei impaciente, libertando meu braço do aperto seguro dela.

Alice me fitou por alguns instantes, o olhar preocupado e hesitante. Eu devolvi com um implorativo.

— Deixe ele ir, Alice. – Edward pediu com estranha calma – Ele precisa fazer isso.

Alice me soltou e eu trovejei pelo caminho, ignorando a surpresa pela compreensão de meu irmão quanto ao que eu estava sentindo.

Praticamente voei até o quarto de Bella, não me detendo nem mesmo com a janela fechada.

Olhei ao redor. Tudo parecia exatamente como estava da última vez que estive ali, nada revirado, nada quebrado, nada fora de lugar. O perfume de minha garota ainda permeava cada centímetro do cômodo, muito mais forte que o cheiro desconhecido que deixara um rastro já esmaecido, fazendo com que meu desespero se tornasse ainda mais violento.

Assim como Edward, eu não conhecia aquele odor. E já estava fraco demais para que eu fosse capaz de seguir seu rastro.

Me dei conta de que havia cedido à minha dor quando senti meus joelhos baterem no chão de madeira.

— Onde você está, Bella? – balbuciei para o nada, sentindo minha garganta travada como se eu fosse chorar.

Engoli a angústia ao perceber o teor de preocupação se elevando ao meu redor. Me sentei no chão apoiando a cabeça nas mãos e os cotovelos em minha pernas.

— Não, baby... – murmurei tentando me acalmar – Não se preocupe comigo... Só... Se mantenha viva de algum jeito... Por favor...

E enquanto falava as palavras que ela não conseguiria ouvir, me concentrava em vibrar cada emoção que me perpassava para que ela entendesse o que eu queria dizer.

Pouco a pouco fui me acalmando, e acalmando Bella no processo, até me sentir quase anestesiado. Por fim a projeção dela pareceu aquecer meu coração morto.

— Eu também amo você, garota... – sussurrei ao devolver a projeção – E vou te encontrar nem que eu tenha de revirar o planeta.

Me levantei, sentindo a confiança que Bella depositava em mim e o quanto seu medo, pelo que quer que fosse que ela estava enfrentando, esmaecia um pouco por ela ter certeza de que eu não desistiria.

Me preparei para saltar da janela, mas meu celular me fez estacar com as mãos no parapeito.

Peguei o pequeno aparelho do meu bolso num átimo e atendi.

— Temos uma ideia. – era Alice, entusiasmada ao extremo – Eu acredito que pode funcionar, mas precisamos de você.

— Me dê três minutos. – falei já saltando e correndo de volta.

Dois minutos e vinte e seis segundos depois eu passava pela porta principal feito um furacão e parava na frente de Alice.

Inabalada pela minha entrada abrupta, ela sorriu tranquila pra mim, esperança densa ao seu redor e no ambiente.

— Já sabemos como localizar Bella. – disse com sua voz musical.

— Sabemos como tentar localizar Bella. – Peter a corrigiu, e eu o encarei em dúvida.

— Você consegue se conectar com Bella o momento que desejar, não é? – Edward perguntou contido.

Olhei de Alice para Peter e então para ele.

— Estou conectado a Bella cem por cento do tempo. – respondi brandamente.

Edward olhou para Peter, que assentiu.

— Vemos fazer um teste. – Carlisle requereu.

— Alguém pode me explicar qual é a ideia primeiro? – exigi inquieto.

Peter se aproximou de mim e pousou ambas as mãos em meus ombros.

— Eu nunca conheci Bella então não tenho um vículo com sua garota humana, – começou a explicar – mas tenho com você. Como, ao que tudo indica e pelo que eu entendi, vocês são um pacote só – ele riu brevemente – talvez, se eu me concentrar o suficiente, possa assimilar a essência dela através de você e então...

— Conseguir captar suas emoções e medir a distância através delas. – completei com urgência.

— É uma ideia. – ele deu de ombros e respirou fundo, me olhando nos olhos com uma contundência feroz.

Por um minuto inteiro Eu e Peter permanecemos encarando um ao outro no centro da sala, rodeados pelos outros que, ainda que contidamente, vibravam esperança e expectativa, mas nada aconteceu.

— Não comece a duvidar de minha capacidade, Major. – ele disse quando assimilou como me sentia – Facilite meu trabalho e pense na sua garota.

— Porque não se comunica com ela, Jazz? – a voz de Alice me alcançou.

Eu assenti discretamente, e então projetei a saudade e a preocupação que estavam o tempo todo comigo, sem me desconcentrar do olhar perfurante de meu melhor amigo.

Como eu esperava, assim que minha projeção assentou Bella devolveu com uma projeção própria, e as ondas de amor e anseio se acumularam dentro de mim como resposta.

— Incrível... – Peter murmurou baixo sem se desligar de mim – Consegui. – suspirou assentindo.

Suas mãos libertaram meus ombros e então seus olhos se fecharam.

— Ela não está longe. – ele afirmou com o tom ainda um tanto maravilhado – Algo entre duzentos, duzentos e cinquenta quilômetros. – abriu os olhos e me encarou perplexo – É como assimilar sua essência em dois lugares diferentes... É realmente fascinante. – completou com tom atônito.

— Consegue nos dar uma direção? – Edward indagou com impaciência.

— Assim que começarmos a nos movimentar, basta que eu teste as direções básicas e saberei por onde ir. – Peter afirmou.

— O que estamos esperando? – Emmet questionou com certa aspereza.

— Vocês vão em busca de Bella. – Carlisle falou suave mas firmemente – Eu, Esme e Rosalie permaneceremos em alerta aqui.

— Precisamos inventar uma desculpa para dar ao pai de Bella. – Rose lembrou – Ele vai dar por falta dela a qualquer momento.

— Daremos um jeito nisso, Rose. Não se preocupe, Jasper. – Esme nos tranquilizou.

— Ok, então vamos. – Alice nos apressou.

Mas antes que passássemos pela porta ela estacou, os olhos fixos no bolso da calça de Edward. Imediatamente ele imitou sua atitude e então um telefone tocou.

Mais rápido que um piscar de olhos o aparelho estava colado ao seu ouvido.

“Se quiser que sua namoradinha continue viva, terá que fazer uma escolha muito difícil.” Todos ouvimos a voz feminina que falava do outro lado da linha, o tom irônico e ameaçador.

— Victória? – Edward indagou com desagrado.

“Quem mais seria?” Ela retrucou.

— O que você quer? – ele exigiu num rosnado enquanto eu me aproximava furioso – Onde está Bella?

“Sua cadelinha está muito bem, não se preocupe. Está sendo muito bem tratada. Por enquanto.” Pausou sugestivamente. “O que eu quero você sabe muito bem.”

— Vingança. – ele balbuciou, mas ela pareceu escutar.

Justiça. Você matou James. Eu vou matar você.” Ela falou com calma. “Então, como vê Edward Cullen, você terá de escolher entre a sua existência patética... E a vida dessa humanazinha desprezível.”

Os olhos de Edward se conectaram aos meus, e a única emoção que ele projetava era determinação. Ao lado dele Alice se inquietou.

— Edward, você não po...

Ele levantou uma mão para ela, a calando imediatamente.

— Como vou ter certeza de que, se eu me entregar a você, Bella estará segura? – ele perguntou num tom linear.

Todos nós o observávamos descrentes e angustiados.

“Você deverá trazer alguém com você. Alguém muito específico. Só assim permitirei a troca.”

— Quem?

“Jasper Whitlock.”

Edward, eu, Alice e Carlisle nos entreolhamos. Um pedido específico demais para quem não sabia o que havia entre eu e Bella.

— Diga o local e o momento. Estarei lá. Com ele. – Edward determinou antes que nós pudéssemos ter qualquer reação.

“ É assim que se fala.” Victória deu uma gargalhada diabólica. “Foi mais fácil te convencer do que eu pensava. Você deve realmente gostar dessa insossa.”

— Fale de uma vez! – Ele esbravejou com fúria incontida.

“Na divisa entre as suas terras e as terras quileute, em quarenta minutos. Apenas você e o Deus da guerra.” Falou com tranquilidade depois de gargalhar um pouco mais, e então desligou.

— Ela sabe sobre você e a Bella. – Emmet afirmou seguro.

— Se ela sabe, porque quer Edward? – Rose questionou sabiamente.

— Ela quer os assassinos de James. Não é atoa que exigiu a presença de Jasper. – Esme concluiu.

— Não. – Carlisle disse com o tom calmo, claramente ponderando – Se assim fosse ela teria pedido por Emmet também.

— Ela nem ao menos tem como saber quem matou James exatamente. Ela não estava lá. – Alice argumentou.

— Eu sinto cheiro de armadilha no ar. – Peter falou com ironia – Não está sentindo também, Major?

— Eu sei que tem alguma coisa errada nessa história, mas definitivamente não consigo especificar o quê. – respondi.

— E o que fazemos? – Emmet suspirou alto.

— Eu e Jasper vamos à divisa. – foi Edward quem decidiu – Emmet, Alice e Peter nos acompanham à distância, tomando cuidado com a direção do vento. Tentem não ser detectados. E, caso Bella não esteja com Victória...

— Vocês seguem sem nós dois até encontra-la. – eu completei, rapidamente compreendendo e concordando com o plano dele. Me virei para Peter e Alice – Você se asseguram de que ela esteja bem e retorne em segurança, viva. – eles assentiram – Não voltem para nos ajudar, aconteça o que acontecer. A missão de vocês é trazer Bella pra casa.

Alice assentiu com o olhar tristonho, e Peter sustentou meu olhar, transmitindo confiança para mim.

Sem mais uma palavra, seguimos para nosso destino, enquanto eu tentava, de todas as formas, me tranquilizar com o fato de que, acontecesse o que acontecesse, eu conseguisse matar Victória ou ela a mim, minha garota estaria protegida. E viva.

Notas finais
Já estou escrevendo o próximo, e pretendo postar ainda esse mês. Quem quiser continuar comigo, diga-me o que pensa do cap. Beijos.