Destinados

32 A volta do passado


Notas iniciais
Depois de 100000000000 anos sem postar, k estou eu. Sem muito a dizer, vamos ao cap.

Minha mente estava vazia.

Meus olhos estavam bem abertos.

Meus pés mal tocavam o chão e a velocidade era até apaziguante, já que o vento que rugia em meus ouvidos me trazia a sensação de isolamento completo. Fazia mais fácil escutar o eco dos batimentos de Bella em meu peito.

Edward estava bem ao meu lado, mantendo a mesma exata velocidade que eu para não me ultrapassar. Eu podia ser mais forte que ele, mas ele sempre fora mais rápido que eu.

A onda de leve divertimento e convencimento que me alcançou me garantiu que ele havia ouvido meu último pensamento. Mas durou um mísero segundo, e logo ele estava novamente angustiado. Talvez tanto quanto eu.

E então o odor acre invadiu minhas narinas me obrigando a fazer uma careta.

— A matilha. — Falei e parei.

Edward parou ao meu lado, e logo em seguida estávamos frente a frente com quatro lobos.

— Eles estão resguardando a divisa, e indagam porque estamos tão próximos a ela. — Edward traduziu.

Eu me voltei para o lobo negro, Sam Uley.

— Victória está aqui, e nós estamos indo encontrá-la.

— Ela está com o exército? — Edward verbalizou o que ele pensava.

— Ao que tudo indica, não.

— Jacob afirmou que eles teriam sentido o fedor e Sam concorda. — ele murmurou para mim — Por incrível que pareça, eles estão rindo da piada sem graça.

Eu os observei rapidamente, identificando o divertimento nas emoções deles enquanto grunhiam e rosnavam baixo.

— Vocês não podem! — Edward vociferou de repente. — Jacob está incitando a matilha a nos acompanhar para resolver a situação de uma vez por todas. — me explicou correndo pelas palavras — Ela tem Bella.

Um silêncio tenso se instalou enquanto ondas e mais ondas de raiva, preocupação, ansiedade e antecipação me alcançavam. Num piscar de olhos Jacob e Sam estavam em nossa frente, despreocupados da nudez completa e embaraçosa de seus corpos.

— Ela tem Bella?! Como?! — foi a pergunta urgente de Jacob. — Como ela conseguiu pegar Bella se ela está sempre com vocês?

— Estávamos em uma busca. Em Seattle. — eu expliquei, meu tom muito além de culpado — Acreditávamos que tínhamos uma pista, mas na verdade era uma distração, uma maneira de nos tirar de perto de Bella para que ela pudesse pegá-la.

— Quando isso aconteceu? — Sam indagou antes mesmo que eu terminasse.

— Hoje, três horas atrás. — Edward falou.

— E então vocês estão indo atrás dela? — Jacob questionou ansioso.

— Ela quer fazer uma troca. — eu respondi, tentando manter as emoções de todos fora de mim.

— Que tipo de troca? — Sam insistiu.

— Eu e Jasper. Pela Bella. — foi Edward quem respondeu, seu tom evidenciando um nível incomum de nervosismo.

— E vocês estão indo se entregar? — A voz de Sam era um tanto incrédula.

— A princípio sim. Até que Bella esteja fora da equação faremos como Victória demandar. Com Bella longe então poderemos agir. — Eu expliquei.

— Mas quem vai garantir que Bella seja liberta em segurança? — Jacob já tremia, suas emoções intensas a ponto de forçarem minhas barreiras.

— Alguns de nós estão na retaguarda, preparados para pegar Bella e mantê-la em segurança. — Edward proveu.

— A matilha vai ajudar. — Sam determinou com um tom que impedia argumentos — Onde exatamente vão encontrá-la?

— No limite do tratado.

Sam e Jacob trocaram um olhar cúmplice e se voltaram para o restante dos lobos, que se mantinham no aguardo à margem. Em meros segundos estavam novamente com eles, em suas formas caninas. Edward se voltou pra mim.

— Eles vão seguir nosso rastro a uma distância segura. — me assegurou — Acha que devemos impedi-los?

Eu raciocinei em cima das vantagens e desvantagens de ter os lobos por perto. Significava mais proteção para Bella, mas um grande risco também, caso Victória detectasse a presença deles.

— Vocês teriam como seguir por um caminho em diagonal até lá? — eu indaguei enquanto a ideia assentava em minha mente.

— Na verdade temos como dar a volta e chegar até lá pelo caminho inverso. — Edward falou por eles e depois se virou para mim — Eles se aproximariam por trás dela. Ela nunca os veria chegando.

— Então corram. — eu determinei com a voz firme.

Edward e eu os observamos até que desapareceram pela mata densa, o odor aos poucos se misturando ao ar limpo e criando um rastro esmaecido.

A mão direita de Edward segurou meu antebraço com força assim que uma forte vibração de determinação me atingiu. Eu olhei pra ele.

— Se existir uma oportunidade, se em uma mili fração de segundo Victória se distrair… — ele começou.

— Você pega Bella e foge para o mais longe possível. — eu completei sem titubear.

— Eu iria dizer que você a pega e foge pro mais longe possível enquanto eu lido com ela.

— Você é o mais rápido de nós dois, Edward. — eu contrariei — E eu o mais forte e mais experiente nesse tipo de situação.

— Eu posso antecipar os movimentos dela e retardá-la. — ele argumentou, sua resolução firme, indiscutível.

— Não como eu posso. — neguei com a cabeça — Eu posso muito mais do que retarda-la, eu posso eliminá-la de uma vez por todas.

Edward suspirou e apertou os dedos longos em minha pele pétrea.

— Bella precisa de você. Não de mim. — Falou com o tom categórico. — É você quem tem de tirá-la de lá.

Eu semicerrei meu olhos, surpreso com a firmeza dele em me convencer.

Um tanto quanto impaciente, meu irmão segurou ambos os meus antebraços, me forçando a ficar de frente para ele, e olhou fundo em meus olhos antes de expirar forte e me mostrar, através da projeção da emoção, o que o movia naquele exato momento, além da gana de salvar Bella.

Eu confesso que fiquei um pouco perplexo quando a onda de consistente, sólida, aceitação vibrou até mim.

— Eu sei que vocês se pertencem, Jasper, eu não tenho como ignorar fatos. — ele falou sério, os olhos dele um tanto duros, resguardados — Ainda é extremamente doloroso para mim, assimilar que o que sinto por ela precisa ser alterado, que ela nunca será minha, que ela nunca mais vai olhar para mim como um dia já olhou… — ele arfou um riso duro — Que não é, nem de longe, da mesma forma como ela olha para você... Ainda dói…

E o pulsar do sentimento de perda e desolação me confirmou isso.

— Eu sei…

— Sei que sabe. E sei também que não está tentando intensificar minha dor. Conheço sua natureza, sua essência… Sei que você não faria algo contra mim intencionalmente. — constrangimento o tomou repentinamente — Me desculpe por mais cedo… Eu…

— Perdeu a cabeça. — completei num tom ameno, compassivo — E eu compreendo. Não estou aborrecido, Edward. Reagiria da mesma maneira se estivesse na posição inversa.

— Eu vou superar o que sinto por Bella. — prometeu com tom solene — Estou determinado a fazer isso. Vai levar algum tempo… — ele encolheu os ombros num gesto muito humano — Eu só preciso que ela esteja segura… E feliz. E eu sei que se ela estiver ao seu lado as duas coisas serão realizadas.

Eu assenti com a cabeça e o encarei com intensidade.

— Mas se você enxergar uma brecha para que você a tire da equação, não hesite. — pedi sério — Bella segura é nossa prioridade. E não volte para me buscar ou ajudar. Leve-a para o mais longe possível.

Ele assentiu com o olhar firme no meu, suas emoções concentradas numa nuance de responsabilidade e obrigação.

Com nossas mentes centradas então nos projetamos para dentro da mata, nossos pés quase não tocando o chão enquanto acelerávamos ao encontro de Victória.

Antes que três minutos se completassem estávamos no local combinado.

Edward farejou o ar, intrigado, desconfiado, como eu estava, pela estranha ausência de qualquer cheiro.

Nos entreolhamos e, no segundo em que eu falaria a ele, em minha mente, que aquilo não parecia nada bom e deveríamos investigar as redondezas, senti como se meu centro, meu cerne, estivesse sendo puxado.

As batidas do coração de minha garota, que eu podia sentir em meu peito, reverberaram mais forte, mais rápido.

— Bella. — Escapou de meus lábios em um arquejo.

Eu me virei para onde a atração me puxava assim que minha garota surgia caminhando devagar por trás de arbustos altos há mais de vinte metros de nós. Nossos olhos se encontraram ao mesmo tempo em que percebi Edward emanar um alívio fugaz antes de ser novamente tomado por preocupação, inquietação e determinação.

Ela sorriu pra mim, vibrando amor e ansiedade, mas seus olhos me pediam claramente para ter calma.

Vasculhei toda sua figura com o olhar, para ter certeza de que ela estava intacta, e suspirei quando constatei que sim.

— Ora, ora, veja o que temos aqui… — Victória, que andava ao lado de minha Bella, falou com sarcasmo.

— Deixe ela ir, já estamos aqui como queria. — Edward praticamente rosnou.

— Assim você me ofende, Edward Cullen… — ela praticamente cuspiu o nome dele — Porque a pressa? Não podemos conversar um pouco antes?

— Depois que ela estiver longe de suas garras, talvez. — Ele devolveu com o tom grave.

— Não seja ingrato. — ela retorquiu jocosamente — A cadelinha foi muito bem tratada e, veja, está solta, nem mesmo foi presa ou amordaçada. Fala pra ele como foi bem tratada, cachorrinha. — ela finalizou olhando altiva para Bella, que fez uma careta.

Até ali eu não tinha me pronunciado por dois motivo simples…

Primeiro, eu estava observando tudo à minha volta e estabelecendo os melhores pontos de fuga, ao mesmo tempo em que me assegurava de que Victória não estava acompanhada e de que nossa retaguarda estava a postos. Segundo, continuar deixando que a vampira ruiva acreditasse que Bella era a companheira de Edward trabalhava para nossa vantagem, eu não poderia falar naquele momento ou revelaria a verdade.

Emmet, Alice e Peter estão no topo dos abetos à nossa esquerda. Pensei, ao que Edward piscou os olhos em afirmação. Posso sentir as emoções dos lobos. Eles estão próximos também.

Edward piscou duas vezes, me deixando saber que ele estava ciente, então deu dois passos na direção de Victória.

— Liberte Bella. Eu irei com você. — Ele disse com uma calma intrigante.

A risada estridente de Victória feriu meus ouvidos.

— E porque eu iria levá-lo?

Confusão inundou a nós dois.

— Porque você quer concretizar sua vingança. Não é essa a razão para todo seu ardil?

Algo estava errado… Muito errado.

Victória estava confiante demais, destemida demais, sendo que ela estava, aparentemente, em desvantagem. Ela estava em menor número, ela não tinha qualquer habilidade até onde eu sabia, e erámos nós dois contra ela, sendo que, ao que tudo indicava, ela tinha plena consciência de quem e o quê eu era. Não fazia sentido.

A vibração de dúvida vinda de Edward e a maneira como ele enrijeceu de repente me confirmaram que ele ouviu minha especulação.

Edward, o que ela está tramando? Você pode acessar os pensamentos dela, veja o que ela pretende.

A inquietação que ele projetava se propagou, e então ele negou curtamente com a cabeça.

Você não consegue ler a mente dela… Eu afirmei em minha mente ao compreender porque ele estava sendo ainda mais cauteloso do que eu sabia que ele seria.

O piscar de seus olhos me fez sentir abruptamente nervoso.

— Veja, minha vingança é a razão para todo meu… Como você disse? Ardil? — Victória motejou — Palavra interessante… Vou acreditar que significa tramóia. Combina com sua postura fina de menino rico e mimado que nunca teve mais nada que fazer além de aprender coisas sem a menor importância como essa palavra difícil… — Ela riu mais um pouco e então ficou séria de repente, uma crescente ansiedade, uma excitação poderosa, a tomando — Eu quero justiça, não somente contra aquele que assassinou meu James, mas também contra quem causou sua morte. — Ela encerrou voltando os olhos para Bella.

E esse foi o momento em que, sentindo seu ódio em direção à minha garota, e o medo de Bella em reação,eu não pude mais me conter.

— Se você tocar num único fio de cabelo dela… — Eu sibilei, meus olhos a fuzilando assim que ela voltou o rosto em minha direção — Sofrimento será apelido para o que você vai enfrentar.

Mais uma vez ela gargalhou, seu convencimento não conhecendo limites, e satisfação, realização, pulsando dela em ondas potentes.

— Eu não vou matá-la. — Ela falou entre risos — Não, isso seria um ato de misericórdia… Veja… Eu quero que o assassino de meu James agonize, como eu, com a ausência de seu par, sim, mas não só ele… Eu também quero que ela, o motivo pelo qual ele foi arrancado de mim, agonize da mesma forma. Eu vou separá-los… Vou garantir que ambos sintam o desejo, a ânsia, o desespero para estarem juntos, que agonizem com a consciência de que, apesar de habitarem o mesmo planeta e de estarem vivos, nunca mais, pelo resto da eternidade para ele, e pelo resto dos dias patéticos dela, se encontrarão novamente...

Terror, desespero se elevou em Bella, e em consequência em mim, com a perspectiva. Mas antes que eu pudesse reagir, Edward se colocou na minha frente.

— Se for para garantir que ela estará viva, não importa se estaremos separados. — Ele afirmou com convicção.

Bella e eu trocamos um olhar significativo, ambos compartilhando a admiração e a gratidão que sentíamos por meu irmão naquele momento. Ele estava, ainda que momentaneamente, se sacrificando por nós dois.

Por um mísero segundo eu acreditei que aquele seria o momento em que tudo se resolveria. Eu demorei metade do tempo para traçar uma estratégia...

Edward iria com Victória, Bella seria liberta. Eu a entregaria a Alice, que estava pronta para agir ao meu menor sinal. E então eu atacaria a vampira louca e salvaria também meu irmão de suas garras.

Eu não contava que a nômade ruiva tivesse mais informação do que supúnhamos...

— Na verdade, Edward… Você pode aproveitar essa oportunidade para ter de volta o seu amor perdido… — Victória falou calmamente, o tom saturado de ironia.

E então tudo aconteceu mais rápido do que eu poderia acompanhar…

Pelas palavras de Victória o entendimento me alcançou.

A compreensão de que ela sabia, anteriormente, que Edward e Bella não estavam mais juntos, de que ela era a minha companheira e não de meu irmão, de que era a mim que sua vingança era direcionada, assentou em minha mente no exato instante em que eu detectei a surpresa e terror de Peter, e um odor muito familiar, e que me trazia recordações terríveis.

O sorriso diabólico de Victória se espalhou em seus lábios largos no momento em que eu ouvi Edward, ao meu lado, Alice, Emmet e Peter, ainda escondidos na mata, arfarem alto em reação à emersão de trinta e oito recém-criados, e seus dois líderes, pelas bordas da floresta que nos rodeava.

Eu estaquei, sentindo todo meu corpo vibrar repulsa, ódio e a certeza de que, não, não havia nada que eu pudesse fazer contra aquilo.

Meu olhos encontraram o carmim profundo dos olhos que eu desejei nunca mais, em minha existência, ver outra vez.

— Whitlock. — O tom era ainda aveludado e cruel como eu me lembrava.

O peso do desamparo me envolveu, e eu, sabendo que estava vencido, apenas permiti que o nome escorregasse por meus lábios com o desdém que eu guardava.

— Maria.

Notas finais
Curtinho mas significativo. A intenção é retornar com toda força. Vamos ver como serão as reações. Até o próximo!