Destinados
5 O desejo inegável
Notas iniciais
Sem perdad e tempo, vamos ao cap!

Eu respirei fundo.
Por mais incompreensível que possa parecer para alguém com um dom como o meu, eu não era capaz, ao menos não naquele momento, de definir exatamente o que sentía.
Eu não estava simplesmente nervoso por estar prestes a me expor um pouco mais a Bella. Isso era só a ponta do iceberg. O misto de confusão, medo, ansiedade, expectativa, excitação, dúvida, era tamanho que se mostrou impossível resumir em um único conceito a emoção que me tomava naquele momento.
Eu estava hesitando, como nunca havia feito antes. Hesitando como um humano.
Perceber as emoções de Bella então era mera ilusão.
Irônico como, há poucos meses, eu simplesmente não conseguia reconhecer minhas próprias emoções, tão envolvido na dos outros que estava. E agora, vivendo uma situação inédita em meus 160 anos de existência, eu me via tão preso ao que existia dentro de mim que minha habilidade empática era quase nula.
Bella, no entanto, parecia estar reinando sobre mim. Seus olhos me diziam que ela estava concentrada em tentar compreender cada emoção que eu vibrava, e que ela parecia poder sentir sem esforço, ainda que eu estivesse me protegendo como sempre. E, pela primeira vez, eu entendi como todos os outros se sentíam quando me tinham por perto.
Era uma sensação desconcertante. Era como estar completamente nú em meio a uma multidão, todos os meus segredos visíveis.
Os olhos de Bella eram como duas grandes e perfeitas gotas de chocolate. Profundos e doces, mas graves, e eu não precisava do auxílio de meu dom pra ter certeza do quanto ela estava curiosa.
– Eu estava correndo sem destino, pela floresta... – Comecei – Estava indo embora mas não tinha me decidido pra onde exatamente, só estava correndo em linha reta, sem pensar, sem parar.... Estava chegando ao Canadá quando... – Eu senti minha testa vincar involuntariamente, o que era absolutamente incomum, com a singularidade da lembrança, e Bella se inclinou pra frente com um ar de impaciência – Uma emoção arrasadora, que eu ainda não consigo definir com clareza, me derrubou. Literalmente. – Bella arregalou os olhos incrédula – Sim, parece inacreditável, mas foi exatamente o que aconteceu. Eu caí como se tivesse batido num muro invisível. E então eu senti uma dor, tão profunda, tão destruidora, que me deu a impressão de que eu estava sufocando.
A lembrança me enviou de volta para o momento, e eu quase podia tocar na sensação que tinha vivido.
– Eu fiquei confuso porque não tinha ninguém num raio de dez quilômetros, e mesmo assim a emoção estava me deixando tonto com a intensidade. Eu nunca tinha absorvido algo tão forte, especialmente numa distância tão extensa... – Bella expirou, e eu sabia que ela estava acompanhando meu raciocínio – E então essa... Atração, aconteceu... Era como se eu estivesse sendo puxado... Eu tinha que ir naquela direção, era imperativo, eu não podia ignorar... – Eu suspirei, a tensão me oprimindo por dentro, e vi Bella vincar a testa e massagear discretamente o peito.
Ela estava realmente sentindo o que eu sentía, mesmo que minhas defesas estivessem firmes, e isso era surpreendente, mas também ruím. Eu não quería machuca-la.
– Me desculpe... – Murmurei – A lembrança ainda está fresca em minha mente. Tão fresca que todas as emoções voltam pra mim como se tudo estivesse acontecendo de novo.
– Está tudo bem, Jasper. – Ela falou, evidentemente fazendo força para que a voz soasse tranquila – Eu posso aguentar.
– Eu não tenho certeza sobre isso, Bella... – Discordei, ciente de que o que eu estava para contar a faría revivenciar a dor da partida de Edward.
– É, eu sei que está em dúvida... – Ela me deu um sorriso enviesado, o tom quase irônico – Mas você disse que talvez isso me fizesse entender o porquê de eu poder sentir você, ainda que você não esteja se mostrando voluntariamente pra mim. Então acho que quero arriscar.
Expirei e sorri. Ela era forte e determinada, e eu adimirava essas qualidades dela, mas sua teimosia me irritava um pouco. Ela não tinha um bom senso de autoproteção, e parecia se importar muito pouco com o próprio sofrimento, o que a deixava vulnerável. Eu tinha planos de fazer isso mudar, mas eu precisaría de tempo.
Me concentrei em retomar a história.
– A dor que me tomava era insuportável, estava me fazendo pesado e confuso, e me esforcei para manter o foco. Foi muito difícil. Mas de alguma maneira eu sentía que, quem quer que estivesse passando por aquele inferno precisava de mim, era como um chamado, como se, a pessoa, humana ou de minha espécie, eu ainda não estava certo de qual dos dois, estivesse me pedindo ajuda. – Bella continuava com uma mão sobre o peito, e com a expressão distorcida, e eu respirei fundo, tentando afastar a dor, mas não tive muito sucesso – Então eu comecei a reconhecer o caminho que estava fazendo... E deduzi a razão para toda aquela desolação. Por um breve momento eu acreditei que sería Edward. Fazía sentido, nós tínhamos um vínculo, eu conhecía a essência de suas emoções, e eu sabia que aquele momento sería dificil pra ele... Então...
– Você sabia que o momento sería dificil pra ele? – Bella me interrompeu com a voz carregada – Então você...
Assenti, ainda mais nervoso. Eu já experimentava o teor de sua mágoa, e sabia que era direcionada a mim.
– Eu sabia que ele rompería com você. – Falei com cautela, e Bella arfou – Eu tentei fazê-lo voltar atrás, Bella, tentei conversar com ele e fazê-lo enxergar que não precisava chegar a isso, mas ele não me escutou, ele estava convicto de que era a única solução... Eu sabía que não adiantaría insistir, e eu não tinha o direito de interferir mais do que já estava fazendo, eu... – Dei de ombros, contendo o desespero que havia me dominado.
– hey, me desculpe... – Bella disse num tom suave, emanando carinho pra mim, as mãos quentes segurando meu rosto – Você não tinha nada haver com isso, eu só... Só me senti um pouco estranha por saber que você sabia o que ele faría...
– Você está magoada comigo, Bella.
– Não, não estou. – Ela afirmou e eu sentía que era verdade – Me senti assim por dois segundos, mas foi irracional. Principalmente sabendo que você ainda tentou interferir em meu favor...
– Eu sabia que isso destruiría vocês... – murmurei um pouco disperso, as mãos dela em minha pele me faziam sentir fraco – Mas não havia muito que eu pudesse fazer...
– Eu sei. – ela devolveu e a ternura me envolveu como um cobertor, morna e aconchegante, meu corpo relaxando em reação – Continue, por favor.
Bella começou a deslizar as mãos lentamente para longe de meu rosto, e num instante de espontâneidade, eu me vi segurando-as com as minhas.
– Não. – sussurrei – Eu gosto do calor... Me faz sentir... Seguro. – confessei, e Bella sorriu, se aproximando um pouco mais de mim.
A emoção, tão familiar, com a qual ela me envolvia se potencializou, e por alguns segundos eu me perdi no olhar amoroso de Bella. Eu via neles o carinho, o cuidado e a ternura, que já me parecia muito mais profunda e séria, tomando formas de amor, ainda que não totalmente, e quis tocar seu rosto também. Me impedi com algum esforço, aquele não era o momento certo.
– A intensificação da dor me disse que eu estava muito perto de encontrar a fonte daquelas emoções... – continuei meu relato – Se tornou tão forte que eu me sentia drenado, sem forças, então fui obrigado a parar de correr. Caminhei pela floresta em passos quase humanos, cambaleando – Bella riu sem humor, incredulidade vibrando dela – Meu instinto gritava pra mim, me exigia que eu alcançasse quem estava me chamando, e era uma sensação desesperadora, porque eu estava fraco pela potência do sentimento que absorvia, mas inquieto porque precisava ajudar. Então eu senti seu cheiro...
Os olhos de Bella brilharam, e um redemoinho de emoções pulsou dentro dela. Estavam tão emaranhadas entre si, e foi tão rápido, que eu não pude definir o que ia nela.
– Eu te encontrei em segundos. Me sentindo protetor como nunca antes, por ninguém, eu havia me sentido. – Eu suspirei, curioso se ela podia compreender o eco do sentimento que reverberava em mim – O resto você sabe. Você estava tão perdida em sua dor que não me percebeu. E eu te trouxe pra casa na intenção de cuidar de você e depois partir... Mas no fim...
– Você ficou... – ela completou com a feição séria, o olhar intenso no meu.
Eu assenti em silêncio.
Bella suspirou, ainda envolvida em tantas emoções que eu estava confuso. Ela afagou meu rosto antes de falar novamente.
– Então você é capaz de me sentir, independente de estarmos distantes...? – ela indagou, mas eu sabia que só estava querendo confirmar.
– Sim. Com o passar do tempo foi se tornando cada vez mais claro. Antes eu tinha que me concentrar um pouco para perceber, mas estava lá. Agora é como se estivessemos ligados por uma corrente de energia... Eu não preciso pensar, e mesmo quando estou distraído ou disperso sua essência me puxa, me acorda, me traz de volta.
– E eu posso sentir você... – Ela murmurou e seu rosto se aproximou um pouco mais, suas mãos escorregando até meus ombros – mesmo não sendo uma vampira, mesmo não tendo um dom, mesmo que você esteja se protegendo e não enviando o que sente pra mim...
Eu suspirei e assenti novamente.
– Não compreendo a razão... – Falei sem desligar meu olhar do dela, e a intensidade entre nós era palpável – Mas, de alguma forma, estamos ligados. Tão profundamente ligados que temos uma comunicação direta um com o outro, independente de nossa vontade.
Ela assentiu, e de repente dúvida e hesitação me alcançaram. Em resposta meu estômago afundou desconfortavelmente, e eu estava tenso.
– Vamos ter de trabalhar um pouco isso... – Bella falou com o tom quase leve, evidentemente percebendo minha emoção, um sorriso ameaçando se formar em seus lábios – Eu influencio suas emoções com as minhas, e essa coisa de eu poder sentir o que você sente mexe comigo também... – ela arfou, e eu entendia perfeitamente o que ela queria dizer – Parece um ciclo interminável...
Eu ri com leveza e tomei uma de suas mãos na minha.
– Podemos fazer isso. – Afirmei – Mas não agora. Está tarde e você precisa dormir. Tem aula amanhã.
Bella riu e colocou a mão livre na testa, em continência.
– Ok, Major. – ela disse rindo, e sua escolha de palavras enviou uma onda irreprimível de desejo por mim, e então constrangimento, porque eu estava ciente de que ela reconheceria a emoção. – Wow! – Ela arquejou, e eu congelei.
– Isso não vai ser fácil... – resmunguei baixo o suficiente para que Bella não ouvisse.
Ela me encarava com milhares de perguntas nos olhos, e algumas eu reconhecia, mas não era um bom momento para discutir o efeito que ela tinha sobre mim. Antes de conversar sobre isso eu tería de encontrar, se é que sería possível, uma forma dela não ter tanto acesso aos meus sentimentos, ou, muito em breve, ela conhecería toda a verdade.
– Deita. – Eu demandei, e ela não hesitou, mas seu olhar era perfurante em mim.
Depois que Bella se ajeitou no colchão eu me levantei e a cobri com os lençóis, dando um beijo em sua testa e me posicionando no batente da janela, a observando.
Ela me olhou por um longo momento, em silêncio, e tudo que captei foi curiosidade e determinação. Então eu me lembrei de algo que precisava perguntar.
– Eu senti quando seu humor mudou... – falei calmo, e ela se manteve como estava – Eu estava caçando, mas sua tristeza me trouxe de volta. – Eu contive o ciúme que me envolvia toda vez que eu imaginava Bella pensando em Edward. Não tanto por saber que ela identificaría o sentimento em mim, mas porque era simplesmente desconfortável sentir aquilo – Estava chorando de saudades dele quando cheguei?
A pergunta soou num tom afirmativo, visto que tudo que eu quería era uma confirmação. Estava muito claro que eu estava certo. Ao menos na minha cabeça.
– Não. – Bella afirmou com uma segurança sólida, que eu nunca podería contestar.
Surpreso e quase incrédulo, eu me movi para perto dela e me ajoelhei no chão, ao lado do seu rosto, para encarar seus olhos quando tivesse a resposta para minha próxima pergunta.
– De quem estava com saudades, Bella?
Minha voz saiu sussurrada, em expectativa e receio ao mesmo tempo, mas eu sei que ela ouviu, porque respondeu em seguida.
– De você.
Eu devo ter arfado, suspirado ou expirado. Eu tive alguma reação porque ela reagiu ao que quer que eu tenha demonstrado. Mas eu estava tão perplexo que não sei dizer como eu agi em resposta. Tudo que sei é que Bella aproximou o rosto do meu, mais rápido do que eu pensei que ela era capaz, e me beijou, no canto dos meus lábios, os seus passando há milímetros dos meus quando ela afastou o rosto novamente e se virou de costas pra mim, um constrangimento profundo me atingindo em ondas alarmantes.
– Boa noite, Major. – Ela falou sem se virar, a vergonha começando a dissipar, e riu baixo no exato momento que meu corpo reagiu à palavra.
Eu suspirei e me forcei a levantar, completamente entorpecido pelo que tinha acabado de acontecer. Demorei horas para realmente cair em mim outra vez, e começar a especular e analisar tudo com cuidado.
As coisas estavam se encaminhando extamente para onde eu tanto desejei, e eu não tinha feito qualquer esforço na direção. Eu tive esperanças, claro, a cada pequena palavra, a cada minuto que Bella passava comigo, a cada momento em que nós nos mostrávamos mais íntimos, mais seguros um com o outro, mas não provoquei, não manipulei emoções, não criei situações pra deliberadamente conseguir o que queria.
Eu não podia me fazer de tolo e tentar me convencer de que as atitudes de Bella nesse dia tão longo tinham sido inocentes. Talvez ela não tivesse se dado conta ainda mas... Era fato, estava evidente. Nós estávamos nos envolvendo.
Sorri com a constatação. Meu coração morto parecia latejar e eu estava arfando, mesmo que o oxigênio não fizesse qualquer diferença em meu sistema.
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– Como você consegue compreender as emoções? – Bella me questionou com o tom impaciente e agoniado – Eu to me sentindo tão confusa, porque, ao mesmo tempo em que parece que esses sentimentos são meus, eles não são, e eu me vejo o tempo todo tentando definir o que cada um é e isso está me deixando...
– Louca? – ri baixo.
Bella assentiu e afundou o rosto no vão de seus joelhos, que estavam dobrados bem perto de seu corpo, expirando.
Estávamos em meu quarto na mansão. Eu tinha ido até lá depois de deixar Bella na escola, pra tomar banho e trocar de roupa, e acabei perdendo a hora, pensando e repensando as atitudes dela comigo na noite anterior.
Bella havia me surpreendido. Apareceu na porta me perguntando, com um ar quase irritado, porque eu tinha esquecido dela. Ela não tinha noção de que, justamente por não conseguir pensar em outra coisa, eu tinha me desligado do tempo. Que ironia...
– Eu tive um longo tempo para aprender a lidar com isso... – Respondi com divertimento – É realmente desorientador, principalmente quando você não consegue controlar suas próprias emoções.
– Bom, acho que não sou a única humana a não conseguir se controlar. Sentimentos são sempre espontâneos, ao menos pra nós... Você consegue manipular a si mesmo?
– Não realmente. – Adimiti – Sentimentos são espontâneos até mesmo pra minha espécie, Bella. Nós só temos um controle maior. Mas, eu sendo o que sou, sabendo o teor de cada sentimento e sendo perito em manipular cada um deles, eu acredito que consigo mascara-los... O problema é que nunca tive essa necessidade antes, então é um pouco complicado.
Ela inclinou a cabeça e me olhou dúbia.
– E porque você precisaria esconder seus sentimentos de mim?
Eu suspirei. Eu tinha sorte dela estar tendo dificuldade em entender as emoções que estava lendo em mim, mas eu sabía que isso não duraría muito tempo. Logo ela começaria a discernir melhor, e eu estaría perdido.
– É só... Desconfortável... – escapei – Me sinto invadido, como se você estivesse lendo minha mente...
Ela estalou os lábios.
– Bem vindo ao meu mundo... – Falou com falso desdém – Eu me sinto assim o tempo todo quando estou com você. O que significa que eu me sinto assim o tempo todo.
Nós rimos juntos.
– Temos passado muito tempo juntos, não é? – Eu indaguei com um a ponta de ansiedade. Tinha medo de que isso não fosse tão agradável pra ela quanto era pra mim.
Ela deve ter compreendido o sentimento de alguma maneira, porque estirou as pernas, engatinhou até a ponta da cama, onde eu estava encostado na estrutura de madeira, e me olhou com o olhar mais amoroso que eu já tinha visto até ali.
– Eu gosto de estar com você o tempo todo. – falou com o rosto perto do meu – Quando você não está por perto... Eu me sinto... Como se estivesse sozinha, não sozinha de não ter a presença de outra pessoa, sozinha de... Como se nada mais existisse ao meu redor... Como se nada mais tivesse importância.
E então, mesmo que meus muros tivessem se mantido onde deveríam ficar, eu sabia que não podería esconder o que sua frase me fez.
Todo o sentimento que eu tinha por ela pulsou pra fora de mim, misturado com uma esperança imensa e uma ansiedade descontrolada. Eu fechei os olhos, sabendo que, muito provavelmente, Bella finalmente entendería porque eu ainda estava em Forks, porque eu tinha ficado em primeiro lugar, e porque eu não tinha intenção alguma de me afastar dela.
Eu ouvi seu arfar baixo e abri os olhos para sondar sua expressão.
Suas pálpebras estavam cerradas com força, um vinco profundo marcando sua testa, as mãos em punhos segurando tufos do lençol, os lábios trancados numa linha tensa.
Tentei captar o que ela sentia, e dúvida, uma certa ansiedade, alguma confusão e muito, muito receio, emanava dela e cingia o espaço entre nós evidente. Eu não alcancei as razões, e esperei que ela reagisse, aos poucos retomando minha força e me resguardando novamente.
Então Bella abriu os olhos e me encarou com uma determinação violenta. Existia uma curiosidade por trás, muito levemente, que me confundiu, então eu continuei esperando.
– Quando você identifica a emoção... – ela começou a perguntar, a voz firme – Você compreende as razões por trás dela?
Eu neguei com a cabeça antes de responder.
– Não. Eu sei o que sente, mas não porque você sente...
Ela suspirou estranhamente aliviada, e eu me vi sentindo o mesmo, pois o assunto parecia que morrería ali.
– Mas você consegue enxergar que está acontecendo alguma coisa entre a gente... – Sua voz era hesitante, e sua afirmação soou como pergunta, mas eu apreendi todo o significado.
Expirei, assentindo.
E nós dois ficamos presos um nos olhos do outro por um longo minuto. Até que eu pensei em todas as minhas restrições quanto a permitir que alguma coisa acontecesse entre eu e Bella. Pensei em Edward, e na maneira como eu ainda sentia que ele tinha algum poder sobre o destino da garota à minha frente. Então a culpa me tomou, e Bella, pela forma como reagiu, se afastando e se sentando na outra ponta da cama, não teve dificuldade em entender o sentimento, ou mesmo a razão por trás dele.
– Então... Vai me ensinar a controlar essa coisa ou vai permitir que eu enlouqueça? – Ela indagou ainda hesitante.
Eu sorri e encurtei a distância.
– Vou te ensinar. – concordei – Respire fundo, vamos fazer umas tentativas de identificação. Depois eu te explico como compreender o teor de cada sentimento.
– Ok. – ela devolveu.
Nós começamos com o exercício e nos envolvemos com isso rapidamente. E eu me senti aliviado por não ter, pelo menos por um período, que me preocupar em controlar o que estava sentindo.
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Três semanas haviam se passado.
Três semanas nas quais eu e Bella conseguimos desenvolver uma comunicação eficiente através de nossas emoções. Havíamos passado cada momento que tínhamos juntos trabalhando com nossos sentimentos, e ela aprendeu a identificar, controlar e vibrar pra mim exatamente o que quería.
Era fácil e confortável tê-la capaz de fazer isso. Agora quase não usávamos palavras pra entender o que o outro quería dizer, e o constrangimento dos primeiros dias, quando ficou claro que estávamos permitindo que um envolvimento menos platônico começasse a acontecer entre nós, já não existia.
Eu continuava me esforçando para manter meus sentimentos em segredo, apesar de ter certeza que Bella os havia identificado naquela tarde na mansão. Mas como ela não tocou no assunto, e eu evitava sentir para que ela não percebesse, acreditava que estava seguro. Ao menos por enquanto.
Repensei minhas atitudes e minhas reservas... Se estávamos nos envolvendo, eu precisava estar inteiro, deixar tudo de lado, parar de me deter por culpa ou remorso. Edward não parecía que tinha intenção de voltar... E eu não tinha intenção alguma de voltar com a Alice. Então eu estava deixando que as coisas acontecessem em seu tempo. E elas parecíam se desenrolar cada dia mais rápido.
A tensão entre nós dois ela clara e ambos sabíamos a razão dela. Não foram poucas as vezes em que nos perdemos nos olhos um do outro, e uma ansiedade arrasadora pulsava evidente entre mim e Bella. Mas eu não apressaría nada. Até porque eu quería ter certeza sobre o que ela sentia em relação a mim.
Eu vi, muito mais do que senti, pelas atitudes de Bella, a ternura se transformar em algo mais sério... Eu não me sentía seguro em dizer que aquilo era amor, mas era algo muito próximo, ou uma versão dele em maturação. Algo que podería se transformar ainda mais, e alcançar o teor do que eu sentía, ou talvez não... Eu não tinha certeza, e ainda não quería arriscar, mas esperava, cada vez com mais fé, cada vez com mais vontade.
– Porque está tão esperançoso hoje, Major? – Bella me arrancou de meus devaneios, me provocando com meu novo apelido.
Novo, velho, mas ainda assim, apelido pra ela. Ela sabia bem o que sua voz, proferindo minha antiga patente, causava em meus nervos. Ela se sentía curiosamente satisfeita por conseguir aquela reação de mim, e isso me agradava também. Porque se ela estava contente em me perceber desejando ela, era porque quería isso, o que numa leitura grosseira significava que ela me desejava da mesma forma.
Eu olhei pra ela e sorri, encantado com a maneira como a luz do sol brincava em seus cachos, revelando reflexos avermelhados ao longo dos fios macios que eu tanto quería tocar.
Bella se levantou da pedra e ficou em pé na minha frente, a mão estendida, me chamando.
Eu tinha levado ela até o pico das montanhas que dividiam as terras dos Cullen. Quería que ela visse o pôr-do sol do alto, com o oceano ao fundo, e experimentasse um pouco da paz que eu encontrava naquele lugar.
Eu arqueei uma sobrancelha pra ela, emitindo ondas de dúvida.
– Quero te mostrar uma coisa. – ela respondeu à minha pergunta silenciosa. Estávamos ficando bons nisso.
Eu toquei sua mão, que fechou ao redor da minha, e me levantei, ficando a centímetros do corpo dela. Bella não se moveu, só elevou seu olhar e apertou minha mão.
Num suspiro ela fechou os olhos, e eu fui atingido por ondas constantes de ternura, carinho, e então desejo e paixão.
Arfei involuntariamente, entendendo o que ela estava me dizendo. E então Bella abriu os olhos e me olhou com um pedido mudo no olhar intenso.
Ela quería que eu me mostrasse, como ela tinha acabado de fazer, e eu não podería negar isso a ela, mesmo que ela não tivesse se exposto primeiro.
Tive medo de não conseguir controlar a intensidade, então me afastei dois passos. Ela se sentiu confusa e quase magoada com meu gesto, mas eu sabia que ela compreendería em breve.
Respirei fundo e deixei que minhas defesas cedessem. Eu resguardei o amor, mas permiti que meu anseio por ela fluísse, e Bella aruqejou ao perceber a veemência do que eu sentía, e ela nem sabia de tudo...
Nos encaramos por vários minutos, trocando emoções sem dizer nada, até que eu não conseguisse mais.
– Eu quero você, Bella... – Falei de uma vez, sentindo um imenso alívio por finalmente colocar aquilo pra fora.
Ela sorriu, surpreendentemente convencida.
– Eu sei. – suspirou – Você sabe como me sinto. – Deu de ombros – O que fazemos agora?
Eu me aproximei e segurei seu rosto em minhas mãos, querendo beija-la, mas contendo meu ímpeto.
– Vamos deixar as coisas acontecerem... – respondi – como estamos fazendo nas últimas semanas... Não quero apressar nada, e quero que você tenha certeza sobre mim.
Eu sabia que ela estava entendento o que eu estava sentindo, e compreendendo meus motivos.
– Eu entendo. – Ela disse tranquila – Tudo que está envolvido, e tudo que pode acontecer em consequência... — ela enumerou — Mas saiba que eu não estou usando você como um estepe, Jasper... Isso aconteceu naturalmente, e é real, sei que sabe disso.
Eu assenti.
– Eu sei. – Suspirei – Só quero que se consolide... Então o que tem de acontecer vai acontecer. Só vamos seguir o curso, está bem? – Ela assentiu.
Eu me inclinei pra ela e beijei seu rosto, no canto dos seus lábios, como ela tinha feito comigo há algumas semanas. Ela sorriu e me olhou divertida quando me afastei.
– Provocar vale, então? – Ela riu.
Eu pisquei e me sentei novamente, e ela sentou do meu lado.
– Esse jogo foi você quem começou. – Dei de ombros – Só estou dando continuidade.
– Ok, Major. – Ela falou com mais malícia do que antes, e eu segurei um sorriso irônico no rosto.
Agora era só uma questão de nos sentirmos mais seguros, e do momento certo surgir. Nós estávamos em sintonia, e ela nos guiaría um para o outro. Naturalmente.
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