Destinados

2 O cuidado silencioso


Notas iniciais
Hello estrelinhas!!!! Cap novo! E vejam só, hoje tem fic nova também!!!! Sim, chequem meu perfil aqui no Nyah pra coferirem o lançamento de Sem Limites...

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E deixar coments pra eu saber o que estão achando da fic, please!

Bjos!

Alguns minutos haviam se passado desde minha partida até aquele exato momento. Eu corria em direção ao limite entre os estados quando um sentimento agudo me atingiu de súbito, me fazendo cair no chão de terra como se alguma coisa, muito mais forte que eu, houvesse se chocado contra meu corpo, me derrubando. Minha respiração assumiu um ritmo errático, e eu passei a puxar o ar como se realmente precisasse, e muito, do oxigênio. Meu corpo pesava como se mil toneladas estivesse sobre ele.


Então eu percebi a dor.


Profunda, agonizante, destruidora... Me fez arfar enquanto a tontura me desnorteava. Mas aquele sentimento não tinha origem em mim, era algo externo.


Olhei ao redor, ainda incapacitado de levantar (por mais incrível que isso pareça), e farejei o ar em busca de alguma essência. Não havia ninguém por perto, não pelo raio de 10 quilômetros de onde eu me encontrava. Como uma emoção estava me atingindo com aquela intensidade sem que alguém estivesse próximo, emanando-a para mim?


Respirei fundo duas vezes e me levantei, surpreendentemente, com muita dificuldade. A dor era tão potente que chegava a ser física. A tontura não havia passado e eu ainda não conseguia me concentrar para tentar compreender o que podería estar acontecendo.


Então meu instinto trabalhou sozinho, e eu sabia que direção devería tomar. Eu senti como se uma força invisível me indicasse a direção, me puxasse, me atraísse, e a segui sem raciocinar.

Corri para onde meu corpo me projetava, confuso e alarmado, sentindo a dor pulsar cada vez com mais violência dentro de mim. Quem quer que estivesse sentindo aquilo, humano ou de outra espécie, devería estar numa situação de extremo desespero...


Comecei a reconhecer o caminho que tomava, apesar de pouco tê-lo trilhado desde que nos mudamos para Forks, e apesar de minha surpresa, me deixei continuar a ser guiado por aquela estranha energia.

Me preguntei se não sería Edward a fonte de todo aquele desespero, considerando o caminho por onde eu seguia, ciente do que provavelmente, àquela altura, já tería acontecido...


E então, de repente, a dor se tornou quase insuportável, e eu não pude mais correr. Minha forças pareciam ter sido drenadas, e eu caminhei trôpego pela floresta tentando encontrar o foco daquela agonia.


Meu instinto latejava como nunca antes havia feito. Era uma sensação completamente inédita para mim, mas eu entendi claramente o que ela exigia... Exigia que eu fosse mais rápido, que eu encontrasse logo quem precisava de mim. Sim. Quem quer que estivesse sofrendo daquela maneira precisava de mim, e eu precisava ajudar, era quase uma compulsão, eu não podería me fazer indiferente, ainda que quisesse...


Quando o cheiro dela, juntamente com uma nova onda torturante de angústia, me alcançou, eu fiquei cego. Nem mesmo a surpresa causada pelo entendimento me conteve. Com uma carga renovada de forças, provavelmente originada pelo senso de proteção que me motivava naquele momento, corri sem qualquer problema, encontrando-a no meio de um alo de arbustos, encolhida em posição fetal no chão úmido.


Meu coração tería parado se já não estivesse morto... E, de repente, a dor que eu sentia se multiplicou, me fazendo engasgar. Não era mais apenas o sofrimento dela que me atingia, mas o meu próprio, por vê-la naquele estado. As emoções misturadas me renderam mais uma onda vertiginosa de tontura, e eu tive de fazer uma enorme esforço para não ceder de joelhos ao chão.


Ela chorava baixo, o corpo covulsionando enquanto os soluços forçavam saída pela garganta dela. Eu me abaixei ao seu lado, cautelosamente, temendo que ela se assustasse com minha presença.


- Bella... – Sussurrei ao mover minha mão para tocar seu rosto.


Ela não abriu os olhos, mesmo depois que meus dedos frios entraram em contato com sua pele quente. Apenas continuou a chorar, balbuciando a cada poucos segundos o nome de meu irmão.


- Edward... – Ela murmurava, e sua voz era praticamente inaudível.


Eu a carreguei com o maior cuidado que consegui, tentando me manter de pé através da névoa de mágoa, desolação e angústia que quase me incapacitava naquele momento. Eu nem ao menos conseguía acalma-la, todo meu dom forçando um bloqueio inútil.


Ela estava tão absorta em sua própria dor que não me percebeu ali. Eu caminhei rápido com ela em meus braços, a respiração interrompida, concentrado em leva-la de volta em segurança. Como estávamos há poucos metros da casa, chegamos em poucos minutos.


Escalei sua janela, apesar de me sentir um intruso, mas naquele momento tudo que eu quería era coloca-la em um lugar seguro, onde ela se sentisse confortável, o mais rápido possível. Deitei-a na cama e coloquei a maior distância que o pequeno cômodo permitia entre nós dois, me encostando na parede oposta de onde ela estava, depois de largar minha mochila no chão de qualquer jeito. Todo meu corpo vibrava e pulsava em excitação. Pela proximidade que havia mantido entre nossos corpos, pelo perfume denso de seu sangue que cingia o ambiente, por estar completamente sozinho com ela pela primeira vez... E apesar de eu ter mantido minhas defesas firmemente elevadas durante o curto trajeto até ali, apesar do fato de minha guarda estar alta, tentando me proteger dos sentimentos obscuros que fluiam dela com uma constância estarrecedora, eu estava absolutamente vulnerável às emoções dela.


A dor que Bella sentia transpunha meus muros e me alcançava em sua força total, como quando estivemos em Phoenix, me impedindo de agir para lhe proporcionar algum conforto. Eu não conseguia assumir como ela podia ter tal efeito sobre meu dom, ou como eu me sentia tão preso ali, a ela, ainda que isso estivesse me massacrando.


Sim, eu tinha ciência de que meu sentimento por ela, tão recentemente descoberto, estava influenciando minhas atitudes, mas isso ainda não explicava aquele senso descomedido de proteção que estava me segurando ali, quando eu sabia que, já que ela estava em casa e em segurança, eu devería ir embora, o mais rápido e para o mais longe que fosse possível.


Ela continuou a chorar e chamar por ele, perdida da realidade, mergulhada em seu próprio desespero, até que adormeceu, exausta de toda aquela turbulência emocional. Me percebi tão cansado quanto ela, o que, dados os últimos acontecimentos, não me surpreendeu tanto. Aquele dia sem fim parecia estar trazendo um mundo de coisas novas e incompreensíveis... E eu me sentia cada vez mais frágil, ainda que tivesse em meu corpo imortal, toda a força que precisava para me manter.


Bella ainda murmurava, e sofria, mesmo em seu sono, e uma onda crescente de raiva foi tomando conta de mim.


Como Edward pôde fazer isso? Como pôde deixa-la para trás vendo o que isso causaría a ela? Será que ele não enxergou que isso a destruiría? Como ele foi capaz de feri-la de uma forma tão covarde se a amava tanto?


Não entrava em minha cabeça. E, pouco a pouco, à medida que eu absorvia mais e mais as emoções de Bella, meus sentidos foram dominados por um ódio desmedido.


Respirei fundo, buscando a calma em mim mesmo. Tive de me concentrar árduamente para reencontrar o equlíbrio que precisava. Bella precisava de mim, só eu, pelo menos naquele momento, pordería ajuda-la.

Fechei meus olhos e foquei todas as minhas forças no que sentia por ela. Lentamente a tranquilidade se derramou pelo ambiente, e eu a manipulei, direcionando a maior carga possível em direção a Bella. Emanei por várias horas, até perceber que a dor que ela sentia começava a ceder.


Com seu coração em relativa paz, meus sentidos amainaram, e eu tive mais facilidade em manter a calma constante sobre o ambiente.


Olhei para fora, pela pequena janela de vidro, e notei o céu já escuro. Deixei meu corpo escorregar pela parede até encontrar o chão, onde permaneci sentado pelo restante da noite, me movendo dali apenas quando o Chefe Swan chegou e, provavelmente estranhando o fato de Bella não estar pela casa, conferiu o quarto. Eu me escondi no minúsculo closet, espiando pela fresta da porta. Ele a olhou sentindo um enorme alívio, e depois emanou tanta ternura e amor quando a percebeu dormindo que minhas forças foram, mais uma vez, renovadas. Ele fechou a porta do quarto atrás de si depois de direcionar um sorriso de satisfação à filha, e eu soube que Bella sería bem assistida em minha ausência. Ela passaría por aquilo com alguma dificuldade, mas eu estava seguro de que superaría a perda de Edward sem minha ajuda.


Uma dor profunda, que nada tinha haver com o sofrimento de Bella, me engolfou e engasgou, me fazendo arquejar.


Porque repentinamente era tão difícil imaginar deixa-la?


Era o que eu tinha de fazer, Bella não ficaría feliz em me descobrir ali, em seu quarto, manipulando suas emoções, ainda que fosse para ajuda-la.


Me condenando por minha própria fraqueza, retomei meu lugar. Observei-a até o amanhecer, cuidando para que seu sono não fosse perturbado pelo desespero que ainda borbulhava fundo dentro dela, apesar de muito bem contido por mim. Convenci a mim mesmo de que continuava ali para me certificar de que ela tería uma noite bem dormida, e que estaría melhor pela manhã, quando eu podería partir... Mas antes mesmo que o sol raiasse eu notei que as coisas não ocorreriam como eu acreditava que era possível.


Quando Bella começou a alcançar a consciência, lentamente despertando, a dor voltou a emergir, fortemente atrelada a um sentimento de desespero e desolação que, se eu não estivesse tão sensível às emoções dela, e não as tivesse identificado com rapidez, me concentrando em meu próprio equilíbrio, sustentando minhas barreiras, eu tería sido facilmente dominado por aquela melancolia, e novamente estaria incapacitado de ajuda-la.


Decidi que não partiría até ter absoluta segurança quanto àos sentimentos de Bella. Permanecería em Forks, anônimo, até que ela começasse a realmente superar a dor por si. Enquanto isso não acontecesse, garantiría que ela sofresse o menos possível. Eu sabia que ela precisava sentir um pouco da mágoa, que era necessário reconhecer a angústia para que o processo de cura ocorresse. Mas eu mantería o desespero num nível suportável, e a acalmaría, se necessário fosse, nos momentos mais graves.


Senti que ela estava desperta. Não só pelo ritmo irregular que sua respiração havia assumido, mas pela evasão brusca da tranquilidade que eu havia mantido até aquele momento.


Saí do quarto pela janela, levando comigo minha mochila, antes que ela abrisse os olhos. Bella demorou apenas alguns segundos para se dar conta do que havia acontecido no dia anterior, e eu pude sentir sua confusão, provavelmente motivada por se encontrar no quarto, em casa. Ela não devia lembrar de como havia retornado. Então o desespero me alcançou, potente, torturante. Ouvi os soluços angustiados dela, e imaginei a forma como ela provavelmente estava retorcendo seu corpo para se proteger daquela agonia insuportável.


Emanei o máximo de calma que a tranquilizaría sem fazê-la entrar num sono inconsciente, e notei que, aos poucos, ela respirava com mais regularidade. Pude ouvir Bella suspirar, resignação assentando dentro dela, e se levantar. Mantive a fluência de tranquilidade que direcionava a ela, sem me deixar desconcentrar pelo estranho fato de que, ainda que eu estivesse há uma distância que em situações normais não me permitiríam manipular emoções, eu a alcançava e influenciava sem qualquer dificuldade.


Passei o dia inteiro monitorando e controlando os sentimentos de Bella.


No caminho para a escola, durante as aulas, no caminho para o trabalho, durante as intermináveis horas na Newton’s, no caminho de volta para casa, enquanto ela preparava o jantar de seu pai, enquanto se preparava para dormir, enquanto rolava na cama sem sono.


Eu havia conseguido fazer com que ela aguentasse a tristeza. Bella havia passado um dia completamente normal, apesar da leve melancolia que a transtornava. Ao menos eu percebi que ela havia tentado, com algum esforço, se manter em sua rotina, não permitir que a vida fosse interrompida, ou mesmo sigificativamente influênciada pelo que estava passando. Seus amigos haviam notado sua angústia, e, depois de saberem por ela mesma o que havia acontecido, a apoiaram discretamente, a distraíndo com trivialidades, dando o suporte que ela precisava para seguir em seu dia. Eu havia sustentado emanações de calma, intensificando as ondas direcionadas a ela apenas quando o desespero ameaçava sobrepor o controle. Mas naquele momento, sozinha e sem qualquer distração, ela tinha que enfrentar a verdade de seu abandono, e a mágoa começava a beirar o nível do insustentável novamente.


Eu enviei a maior e mais intensa onda de calma que tinha direcionado a Bella até ali, e rapidamente notei-a inconsciente. Ela dormia profundamente quando passei pela janela e tomei a liberdade de cobri-la com os leçóis. Tive medo de me afastar e permitir que seu sono fosse interrompido quando eu não estivesse por perto para manter a tranquilidade, mas eu precisava, desesperadamente, caçar, se quisesse manter o controle e ter forças para continuar a auxilia-la.


Toquei seu rosto num gesto incontrolável, e suspirei.


Agora, que eu sentia por ela algo ainda mais forte do que eu tinha absorvido dos sentimentos de Edward, eu podia compreender o porquê dele ter passado noites incontáveis a observando dormir.


Contive todos os anseios que surgiram, concentrando-me no que eu tinha que fazer. Corri até encontrar a primeira presa, não me importando muito com qual animal era, ou mesmo com o sabor do sangue que eu consumia. Eu precisava ser rápido.


Somente quando estava voltando, e senti Bella despertando, me dei conta de que tinha capacidade de absorver suas emoções, ainda que há grandes distâncias. Novamente não me senti tão surpreso, visto que já havia passado por aquilo no dia anterior, mas me perguntei se conseguiría também influenciar seu humor como podia capta-lo.


Parei onde estava e me foquei em enviar mais uma dose intensa de letargia à ela, testando. Arfei involuntariamente, completamente alarmado, quando percebi que a alcançava mesmo estando há mais de oito quilômetros da casa.


Como aquilo era possível? Nunca tinha acontecido algo, nem remotamente parecido antes... Era incrível a clareza com que eu identificava seus sentimentos, suas emoções estando tão longe dela, e mais ainda como eu havia conseguido influencia-la com tanta facilidade...


Me apressei a voltar, não me impedindo ao entrar em seu quarto sem constrangimento, e me acomodando na cadeira de balanço que ainda cheirava a Edward...


E pelo resto da noite tudo que eu podia pensar era, como, e porque a garota humana e frágil que parecia ainda pertencer a meu irmão, agia sobre meu dom de maneira tão peculiar sem nem ao menos ter noção disto.



Quase três semanas haviam se passado.


Eu deixava Bella apenas durante a madrugada, por duas, no máximo três horas, enquanto caçava. Com o tempo, mesmo se eu passasse de dez quilômetros de distância, assumi que ainda conseguia reconhecer sua essência, e manipular seus sentimentos com facilidade. Era cada vez mais natural para mim agir sobre as emoções de Bella, e identifica-las. Elas pareciam fazer parte de mim, como se fossem uma extensão das minhas próprias.

Eu não entendia a conexão, não apreendia a maneira como Bella parecia me completar como se eu não fosse um ser completo, como se realmente dependesse dela para existir.


O amor que me consumia ficava mais forte em consequência. E eu já imaginava a dor que sentiría quando chegasse o momento de partir, um momento que estava cada vez mais próximo...


Ela precisava de minha ajuda cada vez menos, tendo, mais e mais, controle sobre suas oscilações de humor. Estava superando relativamente bem o fim do relacionamento com Edward e sua partida, mas a tristeza parecia que iría acompanha-la por um longo tempo, ainda que bem aceita e trabalhada.

Bella havia amadurecido naquelas três semanas muito mais do que eu imaginei que sería normal para uma garota de dezoito anos. Mas o que eu podería dizer? Minha experiência com humanos era muito restrita para que eu tivesse um parâmetro.


Naquele momento, enquanto eu, mais uma vez, a observava dormir, eu podia sentir como sua força, sua gana de viver, havia crescido, se expandido. Eu reconhecia uma nova segurança em Bella.


Senti como se meu coração pudesse se comprimir... Logo ela estaría sobre total domínio de sua tristeza, sendo capaz de seguir o caminho de superação sozinha. Eu não tería mais motivos para me manter em Forks, e sería obrigado a cumprir a promessa que havia feito a mim mesmo, de partir para longe, para nunca mais retornar.


Bella se remexeu na cama, e eu pude sentir sua consciência sendo retomada. Ela estava acordando. Era comum isso acontecer durante a madrugada, e fazia algum tempo que eu não a colocava mais para dormir com meu dom novamente... Não mais.

Ela já era capaz de recuperar seu sono por si. Demorava um pouco, algumas vezes quase uma hora inteira, mas ela conseguia. Nesses momentos eu sempre sentía emanar dela uma estranha desconfiança, mas logo ela se resignava, se acomodava ainda com a tristeza bem controlada, e voltava a dormir. Eu só agia quando era realmente necessário, o que nos últimos dias havia se reduzido ha apenas três vezes.


Eu saí das sombras onde havia me escondido, e pela primeira vez me aproximei mais do que acreditava ser capaz.


Sentei na beira da cama, na altura de sua cintura, e me permiti respirar fundo, engolindo o ardor flamejante que acometeu minha garganta. O sangue dela ainda me chamava, de uma forma estranha, porque não era apenas desejo de prova-lo que eu sentia... Eu continuava a ansiar por senti-lo em minha boca, saciando minha sede, mas a vontade maior era de senti-lo transformado, seu perfume combinado com minha essência, misturado ao meu veneno. O que eu mais quería, o que meu instinto constantemente me exigia, era que eu fizesse de Bella uma igual. Que ela fosse transformada, mas não por qualquer vampiro... Tinha que ser através de meu veneno... Ela tinha que se tornar imortal, mas, mais do que isso, a minha imortal, minha companheira, marcada para sempre com a minha essência.


Sacudi a cabeça com força, tentando afastar o pensamento obcecado de minha mente.


Eu precisava me afastar, o quanto antes. Eu ficava fora de mim quando me permitia baixar a guarda e aquilo não passava de uma mera ilusão. Se Bella soubesse que eu estava passando as últimas três semanas em seu encalço, com toda certeza sentiría ainda mais repulsa por mim...


Me afastei dela com um sentimento de impotência.


Eu nunca a tería, não importava o quanto meu amor por ela fosse assustadoramente verdadeiro e profundo... Ela nunca me vería como alguém digno de afeto. Não. Eu era um monstro. O monstro que causou dor, a maior dor da vida dela. O motivo pelo qual ela perdera seu amor, pelo qual ela fora abandonada, pelo qual ela ainda sofría...


Suspirei e retomei meu lugar na parede oposta, tentando controlar minha própria desolação. Minha desesperança vibrava intensa em cada partícula de meu corpo de pedra, e eu podia sentir meus olhos ressecados. Um soluço irrompeu por minha garganta, e por muito pouco contive o som grave que me surpreendeu. Eu estaría chorando naquele momento, se fosse humano... Meu peito estremeceu sem que eu pudesse controlar, e então eu cobri minha boca com uma das mãos, cedendo à dor.


Fiquei perdido por poucos minutos, tão confuso que não percebi minhas defesas falharem. Somente quando notei os olhos chocolate me encarando, o ar chocado e intrigado, notei que as vibrações de minha tristeza haviam vazado e alcançado Bella, acordando-a de seu sono.


- Jasper... – Ela sussurrou, e sua surpresa vibrou por mim.


Meu instinto me forçou a fugir, mas Bella, contrariando todas as possibilidades, foi mais rápida que eu, e estava em minha frente em um átimo, bloqueando a janela por onde eu sairía.

Mas o que me chocou não foi sua velocidade, ou no caso, seu raciocínio rápido. Mas sim o fato de que tudo que ela enviava para mim naquele surpreendente momento, eram vibrações de alívio, compreensão e satisfação.