Destinados

25 EXTRA IV - Momentos


Notas iniciais
Demorei como sempre, mas retornei como sempre... Digo e repito, demoro mas não falho. E só para chover no molhado: Não abandono fic! Então fiquem todos tranquilos, que mesmo passando por crises de branco e gastando semanas e até meses para fechar um capítulo, eu sempre volto... Fiquem com o cap e vejo vocês lá em baixo!

Julho 1862

Abri os olhos apenas para confirmar que o dia já havia amanhecido. Dormir era uma ação que começava a se tornar estranha para mim.

Eu passava as noites virando de um lado para o outro em minha estreita cama, com os olhos fechados por hábito e na vã tentativa de encontrar a inconsciência que me aliviaria, por algumas horas, da constante angústia que se tornara minha mais fiel companheira.

Eu sentia uma saudade esmagadora de Collin...

Doía tanto a falta que ele me fazia, que respirar era difícil. Levantar da cama, atravessar o dia, viver, era tudo um grande sacrifício.

Levei minha mão esquerda até próxima de meus olhos cansados. O brilho tímido das pedrinhas de vidro, encrustadas no aro fino de latão, acendeu uma pequena chama de felicidade, acordando a certeza guardada no fundo de meu coração.

Meu amor era meu... Ele era parte de mim como eu era dele... Nós voltaríamos a estar juntos, ainda que demorasse anos para que isso acontecesse...

O tempo...

Ele parecia rir de mim, se divertir com minha dor.

Fazia quase uma mês que Collin tinha partido, me pedindo para aguardar uma carta que me indicasse o endereço para o qual poderia escrever-lhe... Mas nada... Nem uma linha havia chegado a mim.

Eu tentava me manter tranquila. Não deveria ser fácil para os soldados do exército confederado, já que eles transitavam por várias cidades e até estados em suas missões, encontrar um momento para escrever e até mesmo enviar suas correspondências... Eu tinha ciência de que demoraria um pouco até que a primeira carta chegasse, eu havia sido alertada disso pelas amigas de minha mãe que tinham filhos na guerra, que conheciam bem como tudo funcionava...

Mas a verdade é que cada segundo durava horas, e cada hora se transformava em dias, e a angústia por alguma notícia crescia sem que eu pudesse controlar.

Respirei fundo e me levantei.

O dia já havia começado, e eu queria ir logo para a mercearia, me ocupar o máximo que fosse possível. Isso era tudo que me restava... Ocupar o tempo que se alongava, tentando em vão me desligar do vazio que me consumia por dentro...

*

Agosto 1862

Os últimos raios atravessaram as folhagens de nosso pinheiro, enquanto a brisa fresca do final da tarde roçava meus cabelos, que eu havia deixado soltos apenas para me lembrar daquele último dia...

Sentada na grama, encostada no tronco da árvore, eu suspirei ao apertar uma segunda vez, a folha de papel e o envelope no qual ele veio, fingindo que era meu Collin que eu abraçava...

Finalmente eu tinha notícias dele...

Sorri enquanto repassei a emoção que senti ao abrir a porta de casa, minutos depois que havia chegado, encontrando ali um mensageiro... A ansiedade de ler aquela carta foi tamanha, que nem ao menos pensei em avisar minha mãe... Corri como nunca para o único lugar onde poderia ler as palavras de meu amor... O nosso lugar...

Abri os olhos, meu coração ainda acelerado, e reli, devagar, cada palavra...

21 de Julho de 1862

Minha Isa,

Perdoe a demora em enviar alguma notícia, mas faço parte das missões de resgate, então não fico em um acampamento por muito tempo.

Estou no Alabama, e a guerra é algo impossível de se descrever... Mas todas as vezes que algo se torna demais para que eu possa suportar, me concentro em seu rosto, que trago gravado em minha mente e no fundo dos meus olhos, e meu coração encontra o pouco da paz que eu só tenho ao seu lado...

Eu sinto sua falta o tempo todo, Isa... Em cada segundo de cada dia longo demais... As horas se arrastam, o tempo parece brincar comigo e não passar... Até mesmo quando durmo, sinto como se o mundo estivesse girando lentamente, com preguiça de manter o tempo correndo, atrasando o momento em que voltarei pra você...

Sonho acordado com seus lábios, com seu corpo, com sua voz, com seus olhos, meu amor... Me olhando com aquela intensidade única que me deixa vulnerável... Apenas escrevendo essas palavras meu coração bate mais forte com a lembrança de nossos últimos momentos, e, ah Isa... Como eu queria poder tocar seu rosto e sentir seu cheiro, mesmo que pelo mais breve dos momentos...

Eu amo tanto você, meu anjo...

Saiba que está sempre comigo, onde quer que eu vá. Sempre me lembrando de que preciso me manter bem.

Estou cumprindo minha promessa e me mantendo seguro, sempre atento, cuidando do que é seu para que retorne intacto...

Seguro a medalhinha todas as noites quando a lua surge no céu, imaginando que você também a vê enquanto toca no anel de nosso noivado... E então estamos juntos, ainda que só em nossas almas...

Gostaria muito de receber notícias suas, mas ainda não tenho perspectiva de parada. Sei o quanto isso deve lhe deixar triste, não poder responder a esta carta, mas tenha um pouco mais de paciência.

Talvez eu consiga escrever novamente em um mês ou dois, tentarei mandar notícias assim que for possível.

Me espere, meu amor... Não esqueça de mim, não duvide do que sinto por você... Nunca, por favor.

Eu voltarei pra você como jurei antes de partir... Lembre-se que somos duas partes de uma única alma... Lembre-se que eu te pertenço, assim como você me pertence... E logo estaremos juntos outra vez, e quando isso acontecer, nada mais nos separará.

Eternamente seu,

Collin

Fechei os olhos mais uma vez, respirando fundo, imaginando que ele estava ali, bem ao meu lado, a brisa brincado com os cachos em sua testa, seus olhos verdes me fitando com ternura...

– Eu estarei sempre te esperando, meu amor... – murmurei para o vento, desejando em silêncio que ele levasse a mensagem até meu noivo.

*

13 de Setembro de 1862

– Pode levantar um pouco mais o queixo, senhorita Bartley?

Eu ouvi a voz rouca do fotógrafo, abafada pelo pano negro que lhe cobria a cabeça, escondida atrás da engenhoca esquisita.

Respirei fundo, elevei um pouco mais o queixo, e imaginei que olhava para Collin. O sorriso veio espontaneamente...

– Belíssimo!

Então um clarão praticamente me cegou, e o odor ácido da fumaça ardeu um pouco em minhas narinas, enquanto eu fazia um careta.

Olhei para minha mãe e minha sogra, que estavam logo atrás do homem gordinho que acabara de fazer minha fotografia.

– Pronto querida. – Mamãe falou num suspiro quando me aproximei – Vai demorar um pouco para vermos o resultado mas... Satisfeita?

Sorri para ela, e depois para a senhora Bertha, feliz pelo grande esforço que as duas famílias, juntas, fizeram para que eu realizasse aquilo.

– Sim, mamãe. Muito, muito obrigada. – e beijei seu rosto com carinho. – Senhora Bertha, não tenho como agradecer pela ajuda de sua família... – falei me voltando à minha sogra, tomando suas mãos nas minhas com delicadeza.

Ela sorriu para mim com seus grandes olhos verdes... Olhos que me recordavam de meu grande amor, o verdadeiro motivo para que eu houvesse comovido a minha família e a dele, apenas para conseguir fazer aquela imagem.

– Não me agradeça, Isabell. – ela disse com sua voz amável – Você abriu mão de um presente, de uma festa de aniversário, conversou com todos os membros de nossas famílias, apenas para enviar ao meu filho uma lembrança do que ele tem aqui, do motivo pelo qual ele deve retornar... – seus olhos marejaram, e os meus refletiram sua reação – E lembre-se, você é parte da família também, mais do que sempre foi... Afinal se tornará minha filha quando meu Jasper voltar.

Eu não pude conter o soluço que escapou por minha garganta, e então ela me puxou para si, envolvendo-me no calor de seu abraço.

– Obrigada... – murmurei em seu ombro com a voz trêmula.

Ela se afastou e segurou meu rosto com ambas as mãos.

– Obrigada a você, minha querida... Por estar aqui. Eu sei, eu sinto que você é a única razão pela qual meu filho se esforçará, de toda maneira, para voltar pra casa.

Eu sorri um sorriso frágil e trêmulo, pois as lágrimas, de emoção misturadas com saudade e um tanto de tristeza, ameaçavam trasbordar de meus olhos.

Minha mãe tomou meu braço esquerdo, enquanto a senhora Bertha tomava o meu direito.

– Vamos? Ainda temos um chá à sua espera em nossa casa. – mamãe recitou animada – Mesmo sem festa ainda teremos uma comemoração pelo seu décimo sétimo aniversário.

– E teremos um bolo especial... – minha sogra completou.

– Aquele bolo de laranja com nozes? – indaguei ansiosa, olhando de minha sogra para minha mãe.

Ambas assentiram com largos sorrisos, e nós caminhamos juntas, preenchidas de uma estranha esperança...

*

Novembro 1862

Deixei que as lágrimas escorressem livremente por meu rosto, enquanto aninhava a sensação de alívio que desatava o nó, há muito, preso em minha garganta.

Deslizei a ponta dos dedos pela caligrafia dele, retardando um pouco o momento em que a magia cessaria, quando todas as palavras escritas no papel, dentro daquele envelope, fossem lidas por mim.

Quatro meses sem notícias tinham sido uma tortura sem fim... Eu nem me lembrava mais a última vez em que sorri ou senti alguma emoção que não fosse angústia, tristeza ou saudade...

Mas finalmente meu suplício teria uma pausa...

Sim, uma pausa. Porque no momento em que as palavras acabassem no papel, e a necessidade de ler mais, saber mais, ter mais notícias de Collin retornasse com toda sua fúria, meu tormento reiniciaria...

Com a ponta de um dos dedos abri a aba frágil. Retirei a carta com deliberada lentidão, respirei fundo, e comecei a ler.

14 de Outubro de 1862

Amor,

Escrevo hoje para dividir com você, a razão de minha vida, minha primeira grande conquista.

Há uma semana fui condecorado por meus feitos e préstimos ao décimo quinto batalhão do exército confederado, e, para minha grande surpresa e satisfação, nomeado Major do décimo sétimo batalhão.

Isso mesmo, minha Isa. Seu noivo agora é o mais jovem Major do exército confederado, e portanto, em breve serei estacionário em uma cidade, o que significa que, muito em breve, terei um endereço para que você possa enviar a mim suas cartas...

Ah, Isa... Como eu quero ter notícias suas... É muito duro pensar em você e não saber como está, se está bem, se recebeu minhas cartas, se ainda me ama, se ainda me espera...

Tenho sentido esse medo despropositado, que me domina todas as noites, quando penso que agora você já se tornou uma jovem mulher, com idade para se casar, para formar uma família, e eu estou aqui tão longe, enquanto existem tantos rapazes que, eu posso apostar, dariam a vida para cortejar você...

Meu anjo, não lhes dê atenção. Sou eu o homem que nasceu para fazer você feliz... Eu sou o seu destino, como você é o meu, acredite nisso e me espere... Me espere...

Assim que souber onde aportarei, e quando, enviarei novas notícias. Peço que certifique-se de que minha família recebeu a outra carta que estou enviando, e no caso de não receberem, lhes dê notícias minhas e os informe da novidade, por favor.

Eu te amo, Isa. Lembre-se disso sempre... Estou sempre com você...

Eternamente seu,

Collin

Um soluço irrompeu por minha garganta, um misto de dor, saudade e alívio me invadindo e se instalando em meu coração.

Tudo que eu queria era poder fazê-lo ouvir minha voz reafirmando a minha promessa, mas isso era impossível no momento... Então me resignei.

Em breve ele enviaria um endereço, e eu poderia escrever um milhão de vezes todas as juras de amor que havia feito, e que estava cumprindo, que sempre cumpriria... Sempre...

*

Dezembro 1862

O inverno havia chegado impiedoso, fazendo o vento silvar pelos vidros da janela de meu quarto todas as noites, madrugada a dentro, esfriando ainda mais o pequeno cômodo com aquecimento precário.

Naquela noite, como em todas as outras desde que meu Collin partira, eu sentia a solidão me esmagar, tentando me engolir, afastando qualquer possibilidade de um mínimo descanso, algumas poucas horas de sono...

Mas não era só isso que me mantinha atormentada...

Essa sensação, esse... Pressentimento, havia chegado sorrateiro, esgueirado pelas beiradas de minha mente, de meu coração, e ocupado todo o espaço de minha sanidade...

Eu não sabia quando isso começara, ou como... Eu só sabia que estava com medo, muito medo, como se eu soubesse que algo iria acontecer...

Revirei-me na cama, tentando afastar a angústia, mas não adiantava... Apertei os olhos com força, rezando, pedindo a Deus que protegesse meu Collin, que protegesse nosso amor, mas meu coração retumbava, batia desesperado em meu peito me fazendo perder o ar e arfar em busca de oxigênio, intensificando o terror que me consumia com mais e mais força...

E então veio o estranho calor...

De onde surgiu, e como me dominou tão rápida e ferozmente, eu não sei explicar... Tudo que sei é que me consumiu quase como fogo vivo, queimando meu corpo.

– Ma-mamãe... – tentei gritar, mas minha voz partira.

Respirei fundo, o medo se alastrando, o calor se tornando mais intenso, e tentei outra vez.

– Mamãe! – consegui chamar um pouco mais alto.

Logo minha mãe estava ao meu lado, seus olhos se tornando maiores ao me focalizarem através da luz de uma vela.

– Isabell? – seu tom era nervoso – Querida você está pálida! Damian! Corre aqui!

– Ma-mamãe... – sussurrei – Está quente... Muito quente... – me apressei a explicar o que sentia – Meu corpo... Arde... Me... Ajude...

Minha mãe colocou a mão sobre minha testa, e ela pareceu tão gélida que desejei que a mantivesse ali.

– Minha nossa senhora! Você está ardendo de febre! Damian!

Eu ainda pude ver o momento em que meu pai trovejou pela porta, o olhar assustado... mas essa foi a última coisa que vi, antes de mergulhar na mais completa escuridão.

“Isa...”

Eu ouvi em meio à penumbra.

“Isa...”

Eu reconheci a voz dele, eu sabia que era ele, o meu Collin, mas eu não conseguia enxergar nada, eu não tinha senso de direção ou espaço, não tinha como me guiar naquele breu.

Tentei chamar por ele, mas minha voz não saía.

“Isa... Não posso... Esquecer...”

Forcei o ar por meus pulmões, travando uma batalha incompreensível contra mim mesma...

Eu precisava falar, precisava encontrar minha voz e chamar por ele, gritar que estava ali, que podia ouvi-lo...

“Isa...”

E então meu grito explodiu com toda a potência de minha vontade...

– COLLIN! – berrei o mais alto que pude.

E, de repente, eu estava em meu quarto, iluminado pela luz nublada do sol de inverno.

– Isa? – ouvi a voz de minha mãe, bem ao meu lado.

Me dei conta de que estava sentada em minha cama, vestida com uma camisola fina ensopada de suor. Meu pai estava sentado próximo aos meus pés, a testa vincada e os olhos muito fundos, me encarando com indiscutível alívio.

Olhei para minha mãe, que sentava numa cadeira ao lado de minha cabeceira, uma pequena bacia de água no colo, um pano úmido nas mãos.

– Graças a Deus! – ela suspirou ao fitar meus olhos – Eu pensei que você não fosse mais acordar...

Seus olhos, castanhos como os meus, encheram de água, e eu, confusa, voltei o olhar para meu pai, uma indagação muda em minha expressão.

– Você teve uma febre desconhecida... – ele murmurou com a voz cansada – Até chamamos o doutor mas ele nada pôde fazer, nenhuma de suas fórmulas fazia a febre baixar, filha... Achamos que perderíamos você... Ficou desacordada por duas noites e dois dias...

Senti meus olhos arregalaram, mas não fui capaz de pronunciar qualquer palavra...

Duas noite e dois dias?

A sensação era de que tinha acabado de me perder naquela escuridão onde ouvi Collin chamando por mim, logo depois de sentir o estranho calor daquela febre repentina, e acordado no minuto seguinte...

– Deite-se meu bem... Você precisa descansar. – minha mãe determinou, me empurrando delicadamente de volta ao colchão.

– Eu vou na cidade chamar o doutor. – meu pai informou se levantando – Não demoro.

Minha mãe assentiu, torcendo o pano sobre a pequena bacia e o colocando sobre minha testa.

Eu fechei os olhos tentando compreender o que havia acontecido, porque eu me sentia tão desorientada e confusa, e, principalmente, porque eu tinha esse novo vazio em meu peito, esse espaço oco, esquisito, como se eu tivesse perdido parte de minha alma, como se meu coração tivesse perdido um pedaço...

Tristeza me dominou, e eu pensei em Collin...

Será que algo tinha acontecido a ele? Será que esse vazio significava que...

Apertei os olhos com força, me obrigando a não cogitar aquela terrível possibilidade.

Fiquei assim, repetindo em minha mente que eu apenas havia adoecido, que era essa a razão para me sentir tão estranha, que meu amor estava bem e eu logo teria notícias dele, e meu coração se aquietaria, até que papai retornou.

O doutor fez suas averiguações em mim, assegurando aos meus pais que eu tinha sofrido de uma grave, porém passageira febre, e que estava bem. Deveria passar alguns dias de repouso, para evitar uma recaída, mas estava fora de perigo.

Meu pai então sentou-se no lugar que minha mãe tinha ocupado até então, enquanto ela acompanhava o doutor até a porta.

– Eu acho que essa febre foi de tristeza... – ele comentou com o ar preocupado – De saudade do menino Jasper, seu noivo...

Eu corei e desviei o olhar. Não era comum para mim conversar sobre isso com meu pai.

– Quando estava chegando em casa encontrei o mensageiro. – ele falou com um sorriso na voz, e eu me virei de volta pra ele com ansiedade – Pegue. Está endereçada a você.

Eu tomei o pequeno telegrama das mãos de meu pai, e esperei que ele se retirasse, me dando a privacidade que eu precisava.

Abri o envelope com pressa, apenas para me decepcionar com a breve notificação.

28 de Novembro de 1862

À senhorita Isabell Georgia Oconnell Bartley, informo, por pedido do senhor Major Jasper Collin Whitlock, que, a partir de primeiro de Fevereiro de 1863, o mesmo estará estacionário na cidade de Richmond, acampamento 10458 do décimo sétimo batalhão do exército confederado, para onde deverão ser endereçadas cartas ao mesmo.

Atenciosamente,

Capitão Henry Jones Sopherst

Reli as palavras formais como se fosse encontrar um ponto que fosse que me trouxesse um pedacinho de Collin, mas nada havia ali... O telegrama era tão frio e vazio como o estranho buraco com o qual eu havia acordado, e que agora se fazia um pouco mais presente.

Sacudi a cabeça afastando o pensamento e ignorando a sensação.

Afinal em breve eu teria para onde enviar minhas cartas, logo Collin receberia minhas respostas e escreveria de volta, e eu me sentiria inteira novamente...

Essa sensação era passageira... Era apenas consequência da saudade, do medo de perdê-lo, da distância que existia entre nós naquele momento...

Nada mais que isso, tentei me convencer...

Mas no fundo, uma voz insistente repetia...

“Isa... Não posso... Esquecer...”

Notas finais
Amanhã, talvez tenha mais um cap (se eu conseguir finaliza-lo) da sequência regular da fic. Vai depender um pouco de vocês também, dos comentários e visualizações... Desculpem mais uma vez pela eterna demora, mas como já disse várias vezes, são inúmeros fatores que me atrasam... Deixem suas impressões! Beijos e até o próximo!