Destinados
26 As providências
Notas iniciais

– Victória está mais perto, não é? – o tom de Bella era sussurrado, mas eu tinha certeza que todos conseguiram captar o terror com que cada letra estava saturada.
Segurei suas mãos entre as minhas enquanto Esme e Carlisle apoiavam suas mãos no encosto do sofá onde estávamos sentados. Alice acomodou-se do lado oposto ao meu, seu toque terno sobre um dos ombros da melhor amiga, e Edward prostrou-se como um guarda-costas, rígido e de pé, em frente à Bella.
Todos nós entendíamos nossa responsabilidade sobre aquilo. E todos sabíamos que proteger a jovem mulher, que entrou em nosso mundo como um furacão, transformando a tudo e a todos, era uma prioridade indiscutível.
Expirei alto e intensamente, e fitei o verdadeiro amor de minha existência sem nem tentar esconder toda a tensão que se alastrava mais e mais em mim.
– Na verdade, esse não é o problema... – os lábios dela entreabriram me indicando que ela iria indagar. Apenas me apressei com a explicação – Finalmente sabemos quem é o alvo dela.
Edward prendeu a respiração. O coração de Bella triplicou sua velocidade e eu me senti apreensivo quanto ao seu estado. Mas Alice assentiu, enviando segurança e tranquilidade para mim, e eu entendi o recado. Era seguro prosseguir.
– Victória quer... Você, Bella. – disse com cuidado e me aproximei um pouco mais.
Como não poderia ser diferente, minha garota me surpreendeu.
Ela respirou fundo, desconectou o olhar do meu, observou cada rosto ao seu redor, e entendimento fluiu dela. De repente todo o receio que ela havia sustentado até ali, esvaneceu, e quando ela finalmente me encarou de volta, e eu uni minhas sobrancelhas numa expressão do quanto estava confuso com sua reação, Bella segurou meu rosto com carinho e projetou confiança em resposta à minha pergunta silenciosa.
– Eu estou bem protegida... – ela falou num tom de afirmação, que eu sabia que era para me tranquilizar.
– Claro que está, eu estou aqui! – a voz de Emmet trovejou pela sala – O que está acontecendo? Porque estamos fazendo um círculo de proteção em volta de Bella? – perguntou jocosamente.
Rosalie fixou o olhar no meu, buscando uma resposta para nossas posturas tensas, eu tinha certeza.
Eu deduzia, por Alice ter me afirmado mais cedo que já havia conversado com ele, que Carlisle estava a par de tudo. Considerei que ele teria inteirado o restante da família nas novidades sombrias, então fui direto ao ponto.
– O alvo de Victória é Bella. – Respondi a meus irmãos num tom mecânico – E, ao que parece, sabe que vamos fazer de tudo para protegê-la. Ela está preparada para uma guerra.
– Uma guerra? – Rose questionou confusa e imediatamente irritada – O que você está dizendo?
Alice se adiantou.
– Ela tem um exército de recém-criados, e está decidida a levar Bella com ela.
– Levar? Levar pra onde, e porque? – Emmet verbalizou a dúvida que eu acreditava ser de todos.
– Alice não viu para onde. – Edward respondeu, conhecendo a visão de Allie como ela mesma – Viu apenas que Victória tem uma potente retaguarda, está raivosamente determinada, e seu único foco... É capturar Bella.
– Eu não entendo... – Rose murmurou se aproximando – Porque ela quer Bella? Se ela quer se vingar, não deveria estar atrás do Jazz e do Emm? – ela perguntou sinceramente incerta e levemente preocupada, o que me surpreendeu um pouco. Eu esperava que ela fosse ficar aliviada por seu marido estar fora do foco da vampira.
– Ela desconhece o fato de Bella e Edward não serem mais um casal... – eu me pronunciei, expondo minha dedução lógica, assimilando a surpresa de todos. Ninguém havia pensado nisso, e eu não precisava ler mentes como Edward para ter certeza – Ela com certeza acredita que o justo é se vingar conforme a primícia “olho por olho, dente por dente”. – suspirei alto, compreensão finalmente alcançando cada um deles – Ela perdeu o companheiro por conta do confronto entre Edward e James. O objetivo dela é fazer com Edward sofra o que ela está sofrendo, a ausência de quem ama.
– Se ao menos pudéssemos fazê-la conhecer a verdade, talvez a atrasássemos... – Alice murmurou pensativa – Talvez ela parasse para rever seu alvo...
– Quem finalizou o James fui eu e o Jazz, Allie... – Emmet intercedeu sagazmente – Ela não vai mudar o foco, vai ficar ainda mais motivada.
– O Emm tem razão. – Rose completou – E sabendo que ela vai ferir, não só o causador da morte de James, mas também seus algozes, – ela suspirou e encarou Bella com uma faísca de ternura em seu olhar, o que me chocou – na verdade à toda a família... – voltou o olhar para mim – Talvez isso a faça antecipar seus planos.
– Precisamos pensar em algo para retarda-la. Precisamos ganhar tempo para desenvolvermos uma estratégia de contra-ataque. – Carlisle determinou sabiamente – Edward comentou sobre a conversa com o garoto quileute, ontem quando seguiam o rastro. – Ele disse diretamente a mim – Acha que temos alguma chance ali?
Bella, bem como todo o restante dos presentes, me encarou com uma ansiedade descomunal.
– Talvez. – falei com firmeza, meus olhos encontrando os de Edward enquanto eu mostrava a ele minhas memórias recentes, meu encontro com Jacob naquela manhã. Ele assentiu brevemente. – Se eu conseguir convencê-los que nos ajudando eles estão se protegendo e protegendo a cidade. Eu consegui marcar um encontro com o líder da matilha... Hoje, mais tarde. Mas temo que a aversão tão arraigada que sentem por nossa espécie influencie o discernimento deles. – Suspirei.
Carlisle respirou fundo e expirou pesadamente.
– Alice, você consegue verificar a conclusão dessa conversa? – perguntou, enquanto todos nós nos focávamos nela.
Alice fitou um ponto qualquer além de nós e seu olhar se tornou vidrado. A postura de Edward, imediatamente conectado com a mente de Allie, se tornou rígida, e também seus olhos ficaram desfocados.
Então Alice arquejou, angustiada e amedrontada. Edward voltou a si com a testa vincada, confusão e receio transbordando dele.
– Eu não... – ela murmurou – Eu não consigo ver... Coisa alguma...
Bella tomou as mãos dela e acariciou, emanando calma e carinho. E então a coisa mais incrível aconteceu.
Eu pude, literalmente, enxergar as emoções envolvendo Alice, vencendo sua tensão, influenciando seu humor de imediato.
– Obrigada, Jazz... – Allie sussurrou, acreditando que era eu quem estava fazendo aquilo.
– Não sou eu quem está te acalmando... – murmurei perplexo.
Alice e Edward, que provavelmente estava atento aos nossos pensamentos, voltaram os olhos para Bella, que só então se deu conta do que estava fazendo.
Ela olhou brevemente para mim, depois para Alice, que sorriu para ela com o olhar ainda surpreso.
– E-eu... Eu estou fazendo isso? – indagou com um misto de alegria e descrença.
Alice assentiu e elas se abraçaram.
– O quê? – Emmet exigiu com sua voz de trovão – O quê a Bella tá fazendo?
– Ela está manipulando as emoções de Alice... – Edward murmurou com um ar maravilhado sem se virar pra ele.
– Então ela está mesmo compartilhando do seu dom? – Rosalie me indagou num tom atônito.
Eu abri a boca para responder que sim, cada vez mais fascinado com aquilo, mas Esme, deixando de lado sua eterna discrição, se pronunciou pela primeira vez desde que nos juntamos ali, a voz extremamente firme.
– Queridos, o momento agora pede nossa total concentração. – Mesmo com tom de demanda era possível detectar a doçura com que lidava com qualquer um de nós – Alice e Edward estão enfrentando problemas com seus dons, enquanto Jasper e Bella parecem compartilhar um. Isto é cada vez mais incrível e confuso, mas temos uma grande complicação vindo em direção à nossa família...
Carlisle respirou fundo, emanando orgulho por sua esposa.
– Esme tem razão. Precisamos deixar todas as questões secundárias de lado e unir nossas mentes. Não podemos deixar que Victória se aproxime de Bella, mas também da cidade. Se ela tem um exército de recém-criados, sedentos e descontrolados, a população de Forks sofrerá consequências, e por nossa causa. Precisamos resolver isso o quanto antes.
Eu me levantei resignado. A responsabilidade maior era minha, claro. Afinal Bella era minha responsabilidade, e eu era um dos assassinos de James. Além do mais, eu sabia bem como lidar com recém-criados, eu mesmo havia treinado inúmeros exércitos quando vivia nos campos de Maria... Ninguém ali tinha melhor condição de criar uma estratégia do que eu...
– Allie, será que consegue ver onde Victória está aportada? – perguntei num murmurio pensativo, meu cérebro já traçando algumas possibilidades – Talvez se nós atacarmos antes mesmo que ela decida agir...
Alice suspirou alto, um leve temor vibrando dela pra mim. Eu sabia que ela estava receosa de tentar outra vez e falhar em ver o futuro.
– Talvez ela deva descansar um pouco, Jazz... – Bella falou com seu tom preocupado, olhando do rosto tenso da melhor amiga para mim.
Eu comecei a assentir, concordando com ela, quando Alice, decidida, interrompeu.
– Eu quero tentar. – expirou pesadamente – Se eu não conseguir novamente, então tirarei algum tempo para analisar isso...
Senti que Edward e Esme se prepararam para argumentar com ela, mas Alice fechou os olhos antes que qualquer um falasse.
Por alguns segundos todos se mantiveram rígidos e nervosos, preocupados com Alice e como ela ficaria caso não conseguisse, mais uma vez, usar seu dom.
Mas então eu senti o alívio inunda-la, enquanto seus olhos passaram a se mover muito rapidamente por baixo de suas pálpebras. Ela estava vasculhando o futuro.
Voltei meu olhar para o rosto de Edward, que tinha sua expressão, antes tão carregada, suavizada pelo mesmo alívio. Seus olhos vidrados me diziam que ele seguia com a irmã preferida na jornada que ela agora fazia.
Por dois minutos inteiros todos nos mantivemos em silêncio, aguardando. E depois de um suspiro satisfeito, Alice finalmente abriu os olhos e encarou a mim com segurança.
– Ela está em Seattle, em um armazém abandonado perto das docas. – falou num tom audível para Bella, mas depois baixou a voz e acelerou a fala – Eu nos vi chegando lá. Eu, você, Edward e Emmet. – e me direcionou um olhar sugestivo.
Bella ficaria muito, muito insatisfeita quando soubesse que eu iria até lá. Eu bem sabia o quanto ela estava aterrorizada com a possibilidade de um confronto com Victória. Por isso Alice tinha dito essa última parte de uma maneira que Bella não poderia ouvir. Ela estava me dando a possibilidade de contar isso com cuidado, num momento mais propício.
Agradeci com o olhar, evitando enviar qualquer sentimento a ela, afinal Bella conseguiria captar e deduzir que algo além se passava.
– Temos a informação que precisamos, então agora vamos traçar um plano. – Carlisle determinou, olhando para Emmet, Edward e por fim, para mim – Precisamos conversar sobre como abordaremos o assunto com o líder dos quileute. – Então olhou para Bella com suavidade – Minha querida, eu queria conversar com você sobre outro assunto, mas acredito que essa questão deva ser resolvida primeiro.
Bella assentiu, compreensiva.
– Eu entendo, Carlisle. – ela disse num sorriso.
Carlisle sorriu de volta, assentindo, e então se retirou para o escritório com Esme, Rosalie, Emmet e Edward em seu encalço. Alice se levantou e, depois de dar um beijo na testa de Bella, me encarou com brandura.
– Eu te passo o que for temporariamente resolvido. Tenho certeza que suas estratégias serão as mais indicadas.
– Não vou demorar. – falei enquanto assentia.
Ela sorriu e se apressou em direção aos outros, e eu me voltei pra minha garota mais uma vez.
Antes que eu começasse, seus lábios se curvaram ironicamente, e seu olhar tinha esse brilho divertido.
– Eu sei que ela disse algo mais... – ela murmurou enquanto levantava uma das mãos e capturava um cacho de meu cabelo que tinha caído sobre minha testa – E se falou na comunicação supersônica de vocês – eu ri baixo, e ela me acompanhou brevemente antes de continuar – é porque se trata de algo que ela sabia que você gostaria de me contar a sós, e com cuidado. Logo eu só posso concluir que eu não vou gostar nada do que você vai me dizer...
Eu suspirei em meio ao sorriso que ainda sustentava. Minha Bella era mais astuta do que qualquer um, até mesmo eu, lhe dava crédito.
– Ela viu que eu, Emm, Edward e ela vamos a Seattle. – falei simplesmente, e Bella assentiu tranquila – Ainda preciso saber as circunstâncias para projetar uma estratégia, mas... – dei de ombros.
– Vocês não sabem o que os espera... – ela completou, nem de longe abalada como eu pensei que ficaria.
Eu continuei fitando seu rosto perfeito, esperando que ela falasse o que ainda tinha para me dizer. Eu sabia que vinha mais coisa pela leve ansiedade que crepitava fundo nela.
Bella expirou com leveza e negou em silêncio, encarando seus dedos que brincavam com meu cabelo.
– Eu sei que você sabe bem... Eu sou mais forte do que aparento. Sei que, sendo eu o alvo de Victória, você, ou qualquer um dos outros, não vai me deixar ir. E não precisa argumentar ou explicar, eu sei também que, mesmo que a situação fosse outra, não seria conveniente ter uma humana tão próxima a um exército de vampiros loucos... – rimos um pouco – E sei ainda que, você precisa ir... Não só porque é especialista nesse “ramo” – ela fez as aspas com os dedos no ar e rimos um pouco mais – mas porque você acredita que a responsabilidade é sua. Eu entendo isso tudo...
– Mas... – dei a deixa pra ela.
Eu sabia que tinha um porém. Eu conseguia detectar o controle que ela estava mantendo, antes facilmente, mas naquele momento com um pouco mais de dificuldade, para que o temor não tomasse conta de suas emoções.
– Mas, você sabe Jazz... – ela suspirou alto e seus olhos marejaram – Eu tenho... Tanto medo de perder você... E esse medo parece cescer a cada segundo... – ela finalizou com outro suspiro e um movimento de negação com a cabeça, fechando os olhos fortemente.
– Baby... – eu segurei o rosto dela com cuidado – Olha pra mim. – pedi, e ela abriu seus olhos lindos, permitindo que duas lágrimas escapassem – Bella, nada de mal vai me acontecer, eu prometo... – ela começou a negar e abriu a boca, se preparando para uma argumentação – Me escuta, meu amor. – pedi com mais firmeza, projetando meu sentimento por ela – Estar com você é tudo que eu quero. E pra isso eu preciso garantir que esteja segura. Por isso estou indo, para evitar qualquer tipo de surpresa que essa louca esteja tramando. Mas isso não significa que vou arriscar minha segurança – fitei os olhos dela com intensidade – Eu quero, mais que tudo, viver esse destino que temos juntos, e que ainda não entendemos bem qual é, mas... Esse é meu maior desejo, Bella! – ela sorriu – Então, acredite em mim... Vou me manter seguro o tempo todo e vou voltar antes que você comece a sentir minha falta...
Ela riu baixo e sobrepôs minhas mãos com as dela.
– Impossível... Eu vou começar a sentir sua falta no momento em que você me beijar na despedida...
Eu sorri e projetei pra ela toda a ternura que sentia por sua demonstração de afeto.
– Eu te amo tanto, minha garota... – murmurei já em seus lábios.
– Eu sei... – ela sussurrou de volta ao fechar os olhos.
Nossas bocas se encaixaram, e ela me envolveu com ondas intensas de seu amor por mim. E, pelo menos naquele breve momento a dois, o mundo ao nosso redor desapareceu com todas as preocupações e impedimentos, com todos os problemas, permitindo que vivenciássemos um pouco o que era só nosso.
*
– Nossa melhor chance acontecerá à noite, alta madrugada, que deve ser o momento em que eles estarão sendo alimentados. – Falei aos outros – Entretanto, eu tenho quase certeza de que Victória não está sozinha, porque ela não teria como controlar um grupo desses sem algum tipo de auxílio, então precisamos descobrir quem mais está envolvido para não sermos pegos de surpresa.
– Eu não vi ninguém com ela... – Alice informou – Ao menos não no comando.
– Mas deve ter alguém, Allie... – Edward argumentou, concordando comigo – Eu conheço as memórias de Jasper, sei do que ele está falando, e também já tive a oportunidade de prescrutar a mente de Victória brevemente aquela primeira vez que a encontramos... Ela não possui qualquer habilidade, a não ser um senso absurdo de fuga, de auto-proteção. Então não vejo como ela seria capaz de lidar com recém-criados, criar um exército deles sem a ajuda de alguém mais habilidoso, e não ter sido destruída no processo...
– Edward e Jasper têm razão, Alice. – Carlisle se pronunciou – Ela deve estar contando com mais alguém... E eu tenho a impressão de que, talvez, esse alguém conheça seu dom, e como burla-lo. Isso explicaria o fato de você não ter visto nada até Jasper compreender que ela estava rondando Forks.
Todos ficamos em silêncio por alguns instantes, analisando essa nova possibilidade.
Fazia total sentido, mas poucos eram os vampiros que sabiam de nossas capacidades além dos Denali, Peter e Charlotte... Eu não via como alguém mais poderia conhecer, e tão bem a ponto de saber como burlar, o dom de Alice.
– Carlisle, como é mesmo o nome daquele vampiro dos dreads que agora está vivendo com Irina? – Emmet indagou com o olhar distante, uma das mãos no queixo.
Edward vincou a testa e vibrou dúvida, e eu considerei que ele estava avaliando alguma possibilidade.
– Laurent. – Esme respondeu projetando confusão – Porque?
– Emmet acha que ele pode ter passado alguma informação pra Victória... – Edward murmurou ainda com uma expressão que indicava que ele estava processando algo em sua mente.
– Mas ele é um de nós agora... – Esme falou com o tom ultrajado, as emoções tumultuadas – Nós estivemos com ele e Irina na casa onde eles estão morando juntos. Até mesmo nossa dieta ele está seguindo à risca...
Carlisle se aproximou dela, segurou-a pelos braços com carinho evidente, e suspirou.
– Talvez ele ainda guarde alguma lealdade por Victória, querida... – falou cuidadoso – o que o Emmet considerou é uma possibilidade e faz enorme sentido, afinal, até nos encontrar, ele passou décadas com ela e James. Isso explicaria como Victória conhece as falhas no dom de Alice, – então se virou para nós – se é que ela sabe sobre o dom de Alice... Precisamos investigar com cuidado, não podemos tirar conclusões precipitadas sem evidências.
– Eu sei como tirar isso a limpo. – Edward afirmou com uma determinação nova – Se eu tiver contato com eles posso dizer com certeza se essa possibilidade é um fato.
– Mas você teria que ir até lá. – Rosalie disse – E nós precisamos de você aqui se vamos ser atacados por um exército de recém-criados.
– Eles não virão por pelo menos duas semanas. – Alice afirmou – Victória está considerando o final do mês, quando ela terá, segundo seus planos, cinquenta recém-criados...
– Espera... – Emmet pediu de repente, as mãos espalmadas no ar em nossa direção – Se ela sabe dos furos nas suas previsões, e como usa-los a favor dela... Porque ela deixaria você ver que ela tem um exército, que ela quer Bella e que ela vai atacar no fim do mês?
A reação de todos na sala, com exceção de Edward, que deveria ter lido o que o Emm estava pensando antes que ele falasse, era da mais pura perplexidade.
Eu sabia que era assim pois todos, até mesmo eu, não tínhamos cogitado esse fator, que, pra falar a verdade, era bem óbvio.
– Ainda não temos certeza se ela conhece mesmo o dom de Alice e suas falhas... – Carlisle murmurou ainda surpreso – Pode ser uma coincidência, mas... – Olhou para cada um de nós com o olhar categórico – O Emmet está coberto de razão... Isso pode ser uma cilada.
Rosalie sorriu orgulhosa, encarando seu marido com o olhar doce enquanto Emmet estufava o peito. Eu quase ri, mas ele merecia meu respeito, eu sabia o quanto ele era inteligente por baixo daquela carapaça de crianção.
– Então nossa melhor estratégia agora é Edward. – determinei fitando meu irmão, que enviou gratidão através de seu olhar e emoções – Três dias é suficiente pra que ele consiga a informação de que precisamos.
– Menos que isso. – ele afirmou.
– Não será perda de tempo, afinal, como Carlisle disse, precisamos nos assegurar.
Todos assentiram.
– Eu vou ligar para Eleazar e perguntar se eles gostariam de uma visita. – Edward falou sorrindo diabolicamente, já se dirigindo para a porta.
– E nós, o que fazemos? – Rosalie indagou.
Carlisle suspirou, me observando pensativo.
– Por enquanto teremos de esperar. Enquanto isso podemos tentar resolver alguma coisa com os quileute... Emmet, você vem comigo e Jasper?
– Claro! – ele exclamou batendo um punho na outra mão aberta.
– Nós vamos apenas conversar, não provocar uma briga, entendeu? – Carlisle esclareceu.
Emmet espalmou as mãos num gesto de rendição enquanto sorria, e foi saindo da sala junto com Rose.
– Eu vou cuidar de algumas coisas... – Esme falou baixo, num tom misterioso, encarando apenas Carlisle, que assentiu vibrando entendimento.
– E eu vou tentar ver mais algumas coisas. Preciso de mais informações. – Alice disse ao se levantar e começar a passar por mim.
Eu segurei seu braço com cuidado e a olhei com firmeza e carinho no momento em que ela devolveu meu olhar.
– Não se sobrecarregue, Allie... – pedi – Por favor.
Ela sorriu.
– Não se preocupe comigo, ok? Eu sou uma rocha.
Eu arfei uma risada baixa.
– Sei disso. – e soltei seu braço.
Ela piscou pra mim e se retirou, deixando-me sozinho com Carlisle.
– Quanto tempo até o encontro?
Não precisei olhar o relógio em sua escrivaninha para confirmar.
– Uma hora e quarenta e três minutos. – respondi de imediato – Se eles forem pontuais.
– O que acha de caçarmos nesse meio tempo? – ele sugeriu.
– Uma ótima ideia.
E então nos apressamos para a mata.
*
– Carlisle... – eu o chamei enquanto ele cobria a carcaça do cervo com algumas folhagens.
– Sim? – ele respondeu se virando e olhando pra mim.
– Ontem quando me perguntou sobre as elipses... – ele ficou completamente ereto e atento ao que eu dizia, e eu me senti um tanto constrangido – Tem algo que quero conversar com você, relacionado a isso, que omiti por se tratar de algo muito... Pessoal.
– Compreendo. – ele afirmou com seu tom sereno – Sabe que pode falar comigo sem preocupações com indiscrição.
– Sei disso. – confirmei – Por isso apenas esperei pelo melhor momento... – respirei fundo – Quando falei que as elipses tentam, a meu ver, convergirem, quando estou com Bella... Não é simplesmente quando estamos perto um do outro...
Carlisle me fitou com um olhar de compreensão, mas continuou sem dizer palavra.
– Na verdade começa quando nos beijamos... – continuei – E quando ficamos mais próximos – direcionei um olhar sugestivo a ele, que assentiu em silêncio – os movimentos se intensificam, e elas ficam tão perto uma da outra que praticamente se tocam...
– Você tem alguma ideia quanto a isso? – ele perguntou, mas eu sabia que estava apenas incitando meu ponto de vista.
– Sim. – falei com seriedade – Quando me contou toda a lenda e o objetivo dessas... Almas... Bem... Se o maior impulso delas é se tornar uma só, e se eu e Bella formos mesmo exemplos deste caso...
– Vocês são. Eu não tenho dúvidas. – ele apressou-se a assegurar.
– Certo. – aceitei – Então, se nosso maior impulso é nos tornarmos um... Eu acredito que as elipses tentam convergir quanto mais próximos estamos de consumar nossa união... E quando isso acontecer...
– Vocês serão realmente um único ser, uma única alma. – Ele completou com fascínio brilhando em seus olhos – Jasper, eu tiro a mesma conclusão, considerando os fatos. Bella já demonstra os sinais de quão profunda é a ligação de vocês... O que aconteceu hoje... – ele assentiu – aquilo é mais do que prova.
– Ok, mas... – fechei os olhos e neguei, respirando fundo por um momento.
– O que te atormenta quanto a isso, Jasper?
Abri meus olhos e o fitei, despreocupado em parecer vulnerável.
– Carlisle eu já tive muitas mulheres humanas... – confessei – Maria as trazia como prêmios pra mim... – me interrompi, negando novamente – A verdade é que... Nenhuma delas sobreviveu, e... Eu tenho medo de machucar, ou até matar a Bella caso eu permita que nós dois...
– Eu entendo... – ele falou pensativo – Filho, eu não acredito nessa possibilidade... Vocês têm algo que é raro, Jasper, algo que existe em escrituras de nosso mundo que são muitíssimo antigas, algo que, apesar de saber sobre, eu nunca tinha presenciado... E você sabe que presenciei e vivenciei milhares de coisas... – ele arfou uma risada e eu o acompanhei – O que eu quero dizer é... Você não conseguiria machuca-la. Muito menos mata-la.
– Tem um outro porém... – insisti – Sabemos que o contato do nosso veneno com o sangue humano dá início à transformação... E se... Essa for uma consequência, caso eu faça amor com Bella...?
– Quanto a isso você pode ficar tranquilo. – ele me assegurou – Caso você venha a ter relações com Bella enquanto ela ainda é humana, e for cuidadoso para não machuca-la, o único sangue com que seu veneno terá contato estará em pequena quantidade e será dispensado pelo corpo dela. Para dar início à transformação seu veneno teria de correr pela corrente sanguínea de Bella, o que não vai ser o caso. – eu suspirei, ainda em dúvida – Mas se você não tem segurança quanto ao seu controle, e eu estou falando de sua força, não de sua ânsia por sangue, bem, então... Você pode simplesmente esperar até que ela seja uma de nós.
– Sim. – concordei – Eu acredito que será mais seguro dessa forma. Eu posso esperar.
– Então? – ele indagou confuso.
– É só que, eu quero fazer as coisas devagar. Na ordem certa, como eu nunca tive oportunidade, sabe? – ele assentiu sorrindo, vibrando orgulho – Namorar por algum tempo e então pedi-la em casamento... E só depois transforma-la. Não me importo de esperar porque não quero acelerar as coisas mas.. Eu acho que Bella... – sorri um tanto constrangido – Eu não acredito que ela vai querer esperar tanto tempo...
Carlisle riu um pouco e eu o acompanhei. Começamos a voltar pois já estava quase na hora do encontro com o líder dos quileute.
– Converse com ela, filho... Exponha suas impressões. Talvez ela consiga compreender seus temores e aceite esperar.
Nós corremos em silêncio o restante do percurso, e eu especulei minhas opções enquanto meu pai seguia ao meu lado em silêncio.
*
– Eles chegaram. – Emmet verbalizou o que nós três percebemos pela mudança no odor da mata.
Notei Carlisle tensionar um pouco e logo controlar a emoção. Sempre me impressionaria com sua capacidade de manter-se tranquilo nas situações mais atípicas.
Emmet se colocou dois passos em nossa frente, sempre com sua postura intimidadora e protetora ao mesmo tempo, e eu comecei a vibrar ondas tênues de calma, me preparando para manter os ânimos estabilizados.
– Como vamos falar com eles? – Emm indagou sem se virar para trás, os olhos fixos onde cinco lobos surgiam – Edward não está aqui.
Eu puxei o ar com força para meus pulmões, ainda que isso não fosse fazer diferença. Era apenas um ato que me acalmava quando eu precisava resolver alguma questão num espaço curto de tempo.
Me projetei para a frente de Emmet tão rápido e que ele piscou os olhos com força ao me focalizar.
– Deixe isso comigo. – afirmei a ele antes de me aproximar, ainda mais rapidamente, do lobo negro.
Estaquei a três metros da figura bestial que era o líder da matilha, e fitei seus grandes olhos escuros.
– Não teremos como nos comunicar dessa forma... – um dos lobos bufou alto, me fazendo olhar para o canto direito e identifica-lo. Jacob. – Ao menos você, – me direcionei novamente ao lobo negro – que é o líder, poderia retornar a sua forma humana para tratarmos do que é de interesse tanto nosso quanto de vocês? Não iremos atacar.
Projetei confiança em doses potentes, aguardando que ele acreditasse que nosso intuito ali era apenas debater nosso problema comum. E então eu vi a curiosa e fascinante transmutação do animal em homem, sua forma gigantesca tremer e oscilar, diminuindo-se e modificando-se até que eu tinha um índio, tão alto quanto eu, em minha frente.
– Espero que não se sintam intimidados por minha nudez. – ele falou com uma voz de trovão – Eu sou Sam Uley.
Trocamos um breve aceno positivo com a cabeça.
– Eu sou Jasper Cullen, e esses são Carlisle e Emmet Cullen. – disse.
Carlisle se apressou ao meu lado.
– Senhor Uley, fala por sua tribo, por toda a reserva? – quis se certificar.
– Sim – ele respondeu, o olhar um tanto ultrajado – Eu sou o líder da matilha, o responsável pela segurança da reserva. Claro que falo por meu povo.
– Eu queria apenas me certificar... – Carlisle começou a responder.
– Por conta do tratado. – Sam se adiantou – Estou ciente dele Senhor Culen, e compreendo seu estranhamento. – ele respirou fundo – Não sou um Black, – ele direcionou um olhar fugaz ao lobo castanho – mas fui o designado para a função, o que significa que conheço bem o acordo que fez com nossos antepassados. Cada pequeno detalhe, eu garanto.
– Ótimo. – Carlisle replicou com sincero alívio – Então podemos conversar.
– Como já deve saber nós temos um problema em comum. – Eu disse e Uley voltou o olhar pra mim – E estamos traçando estratégias para resolve-lo, mas...
– Precisa de acesso às nossas terras... – ele completou, já ciente do que eu queria, provavelmente alertado por Jacob.
– Seria apenas um acordo temporário. – Carlisle afirmou com tranquilidade – e válido apenas nos momentos em que estivéssemos caçando Victória.
Por um brevíssimo instante Sam Uley vibrou perplexidade, sua testa vincando de forma tão tênue que teria escapado a olhos menos sensíveis. Então ele se resignou, me provando que veio ao encontro com sua decisão já tomada.
– Eu iria estabelecer estes limites senhor Cullen, mas vejo que o senhor é mais razoável do que julguei. – comentou com certo desagrado – Minha matilha também precisa deste acesso, por inúmeras vezes faltou pouco para pegarmos a vampira, justamente por não podermos ultrapassar a fronteira. Então como pode perceber, esta trégua é de nosso interesse também.
– Sim, estive certo disto todo o tempo. – Carlisle replicou.
– Mas como o senhor mesmo determinou, isso tem limites. – Sam reforçou com a expressão dura – Não apenas em relação a quando é válida, mas também até quando. – frisou.
– Assim que nos livrarmos deles o tratado voltará a ser honrado em sua íntegra. – afirmei.
Sam Uley me encarou com surpresa e fúria no olhar.
– Eles?!
– Sim. Eles. – confirmei.
– Victória não está sozinha. Ela tem um exército de recém-criados. – Carlisle esclareceu, e silvos baixos começaram a se misturar no ar.
Sam olhou brevemente para os lobos, imediatamente fazendo-os calarem. Então fixou o olhar em Carlisle.
– O que são recém-criados? – indagou emanando tensão – Alguma espécie diferente de vampiros?
– São vampiros transformados há pouco tempo.
– Ela estava sozinha todas as vezes que a detectamos rondando por aqui... – ele falou num tom entre confuso e cético – E não identificamos qualquer outro cheiro além do dela.
– Também não identificamos a presença dos outros, provavelmente porque ela estava apenas investigando os terrenos... Mas ela os tem, posso garantir. – o cortei – E não podemos deixar eles se aproximarem de Forks. Esses vampiros não são como nós, ou mesmo como Victória. Eles são completamente letais.
– Como assim? – Sam questionou.
– Incontroláveis, extremamente rápidos e fortes. Sedentos. – Carlisle explicou – Nossa espécie é praticamente imbatível nos primeiros meses depois da transformação, por conta do sangue humano que ainda resta em nossos tecidos.
– Quantos deles? – o índio perguntou a mim.
– No momento, em torno de trinta. Mas temos a informação de que Victória pretende criar cinquenta antes de atacar.
– Precisamos proteger a cidade também. – Ele se voltou para os lobos, que estavam evidentemente nervosos, rosnando baixo e com os dorsos um tanto curvados. Se voltando novamente para mim, ele estreitou os olhos – Sabe que faremos apenas o necessário para proteger a população, não é? Não temos interesse algum em tomar parte da guerra entre vocês.
Ao lado dele o lobo marrom rosnou um pouco mais alto, e Sam Uley o fitou com autoridade no ato, o silenciando.
– Ela não está aqui simplesmente para se vingar de nosso clã, como eu acredito que Jacob tenha lhe informado – argumentei – Victória tem um objetivo bem específico. Bella.
Sam expirou pesadamente, encarando Jacob-lobo mais um vez.
– Porque ela quer a filha de Charlie?
– Porque ela acredita de Bella ainda é a companheira de Edward. – simplifiquei.
Ele assentiu com a cabeça. – “Olho por olho”... – murmurou pensativo, me assegurando que Jacob tinha repetido o que eu e Edward explicamos a ele na floresta.
– Senhor Uley, o que queremos é que nos ajude também a proteger Bella e seu pai. – Carlisle expôs o que decidimos – Nossa família pode resolver o problema com Victória, mas se todos estivermos cuidando disso, Bella estará sozinha e vulnerável. Sei que os quileute...
– Charlie é como família para nós, senhor Cullen. – Sam o interrompeu com uma das mãos espalmadas em frente à Carlisle – Podemos nos comunicar e estabelecer os momentos em que ele e a filha precisarão de nossa proteção, e então estaremos lá. O restante de nós pode proteger a cidade e a reserva, e como todos nós teremos acesso às terras uns dos outros, nos momentos em que a ameaça estiver por aqui, conseguiremos captura-la.
– Ótimo. – Carlisle replicou confiante – Entraremos em contato em breve, e lhe passaremos qualquer notícia que tivermos sobre o assunto.
Sam assentiu apenas uma vez, e então respirou fundo antes de se afastar de nós quatro passos.
Começou a correr para dentro da mata quando seu corpo explodiu numa forma gigantesca e negra, e logo o lobo-líder era seguido pelos seus, enquanto nós observávamos sua partida.
– Até que foi tudo bem. – Emmet finalmente falou, seu tom, como sempre, um tanto irônico e divertido. – Difícil vai ser aturar o fedor quando estivermos trabalhando juntos...
– Emmet. – Carlisle o alertou enquanto passava por ele – Tenha mais respeito. – e então começou a correr de volta para a mansão.
Eu dei um tapinha no ombro enorme do Emm e ri baixo. Ele devolveu o riso enquanto me seguia, e eu assimilei que tínhamos uma preocupação a menos...
*
Exatamente à meia-noite eu passei pela janela.
Quando a deixei em casa, antes de voltar para conversar com os outros, tinha prometido à minha garota que voltaria pra ela, assim que todas as decisões e providências quanto ao que estávamos para enfrentar estivessem resolvidas.
Seu suspiro leve me confirmou que, apesar de estar dormindo, Bella havia identificado minha chegada. Seus sentimentos afloraram e me envolveram, e eu me permiti esquecer mais uma vez do mundo além daquele pequeno quarto, me deitando ao lado da figura frágil e delicada que eu amava infinitamente.
Coloquei minha cabeça no travesseiro, virada de frente para ela, nossos narizes quase se tocando. Respirei seu aroma doce, sua essência suave, e fechei meus olhos, ansioso pelo caleidoscópio de cores que nossas emoções formavam juntas.
Era tudo tão intenso que eu quase me sentia oprimido, tonto, sobrecarregado com tantos tons e brilhos, com a movimentação já intensa das elipses.
Inspirei novamente o perfume dela e abri os olhos. Com a ponta dos dedos tracei cada linha de sua face perfeita.
Era incrível como ela me fazia sentir, como ela me fazia vulnerável e entregue apenas por estar ali em minha frente...
– Jazz...? – ela murmurou com a voz arrastada pelo sono, os olhos ainda fechados.
– Estou aqui... – devolvi num tom um pouco mais baixo, para não despertá-la.
Bella aproximou o corpo do meu e circulou minha cintura com seu braço delicado. Eu imitei seu gesto, apertando-a suavemente contra mim e enterrando meu rosto em seus cabelos.
– Eu te amo, major... – ela balbuciou antes de expirar levemente e retornar ao sono profundo.
Eu sorri em seus cabelos, me sentindo seguro e feliz como nunca antes...
Eu tinha encontrado em Bella meu verdadeiro lar, e se dependesse de mim nada, absolutamente nada, me arrancaria ela. Nem que eu tivesse que matar uma exército de recém-criados sozinho... Nem que eu tivesse que me transformar novamente no monstro que era quando vivia com Maria. No monstro que ainda vivia, adormecido e silenciado, no fundo mais escuro, dentro de mim.
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