Destinados

13 A ligação inquebrável


Notas iniciais
Aeeeeeeee volteeeeeei!!!!!! Agradecimento a Carolfeh e Angel pelas recomendações, OBRIGADA DE CORAÇÃO meninas!!!! As lindas que sempre comentam, um beijo no coração e mais uma vez mil desculpas por nunca responder, mas eu continuo afirmando que leio todos e me sinto sempre muito feliz e cada vez mais estimulada a continuar. Prometo que vou tirar um dia pra responder todos, nem que fique até de noite, rsrsrsrs. Sem mais enrolação que eu sei que tá todo mundo doido por esse cap!

Nos sentamos de frente um pro outro, como costumávamos fazer quando éramos só nós dois.

Bella olhava para as mãos, que retorcia frenéticamente enquanto transbordava nervosismo e insegurança. Eu a observei por um instante, certo de que meu coração podería voltar a bater a qualquer momento tamanha a ansiedade que se espalhava dentro de mim.

Hesitantemente eu segurei o queixo de Bella entre meus dedos, forçando-a a me olhar. Ela estava sendo brava, contendo as lágrimas com graça.

– Foram sete semanas muito longas... – ela murmurou.

– Eu sei... – falei no mesmo tom – Eu quase enlouqueci...

Bella riu baixo e negou com a cabeça.

– Estou falando sério... – afirmei categórico – Eu até ouvi sua voz uma tarde... Podía jurar que você estava bem ao meu lado. A saudade me fez alucinar, o que não é muito comum para um vampiro...

Bella ficou séria bruscamente, e seus olhos me alertaram de sua descrença antes mesmo que a emoção chegasse até mim.

– Quando isso aconteceu? – ela indagou, o coração palpitando alto.

Eu inclinei minha cabeça analisando sua postura rígida, e estreitei meus olhos antes de responder com precisão.

– Exatamente uma semana e dois dias. – respondi com desconfiança – Final da tarde.

Os olhos de Bella se arregalaram, e ela inspirou fundo antes de prender a respiração e desviar seu olhar para algum ponto além de mim. Ela vibrava dúvida e um certo receio.

– O que há, Bella? – perguntei, incapaz de disfarçar o quanto suas reações estavam me deixando intrigado.

Ela me olhou com cautela, suspirou, e endireitou a postura antes de falar.

– Você não alucinou.... – ela pronunciou as palavras devagar – Eu te senti... Há uma semana e dois dias atrás... – eu prendi a respiração e arregalei meus olhos – Eu estava nos fundos de casa lendo... Alguns poucos minutos antes do crepúsculo... E pensei em você... Eu sentía tanto a sua falta... Eu imaginei como você estaría, se estava pensando em mim, onde estava realmente, eu... – ela expirou – Eu só quería ter certeza de como você estava e então... Eu praticamente fui nocauteada por essa saudade... Eu já conseguia reconhecer suas emoções antes de você partir então não foi difícil entender que eu estava conectada a você naquele momento. Eu acreditei que você estava por perto... Que tinha voltado, então me levantei e esperei, achando que você trovejaría pelas árvores em direção a mim, mas... Não aconteceu... – Eu podía sentir o eco da tristeza que havía me alcançado naquele dia. Bella suspirou mais uma vez, os olhos trancados no meu olhar perplexo – Eu fechei meus olhos e chamei por você... Era só um desabafo, eu não falava seu nome em semanas, era quase um alívio poder pronunciá-lo... Eu não esperava que fosse acontecer o que aconteceu um momento depois...

Eu fiquei rígido, me recordando que antes de ouvir a voz de Bella numa brisa pela segunda vez, eu tinha chamado por ela.

– Eu ouvi você me chamar... Como se estivesse bem ao meu lado... – ela completou para meu total choque – Eu abri meu olhos certa de que te vería bem na minha frente mas, mais uma vez, você não estava lá... Eu te chamei novamente, um pouco... Desesperada... – sua voz era envergonhada e seu olhar oscilava entre o meu e algum ponto aleatório como se estivesse sendo muito difícil sustentar a conexão – achei que estava enlouquecendo... Até perguntei a Edward no mesmo dia, mais tarde, se você tinha retornado... Mas ele me afirmou que você ainda estava no Texas, e eu quase fritei meu cérebro buscando uma explicação lógica pro que tinha acontecido... – ela deu de ombros – Acho que nossa ligação tem uma abrangência maior do que supúnhamos...

Compreensão inundava ela, e se afundava em mim... Isso estava se tornando cada vez mais e mais complexo e incrível...

Eu levei um minuto inteiro para me recompor da surpresa, e peguei sua mão na minha, olhando fundo em seus olhos.

– Bella você entende o que isso significa...? – indaguei com cautela, lembrando das palavras de Alice quanto a ser sutil e guardar a verdade por mais um tempo.

Ela me olhou intensamente.

– Não completamente... – ela murmurou – Sei que estamos ligados por algo maior, mas...

Ela negou com a cabeça, desviando o olhar do meu mais uma vez.

Eu não podía pressionar, eu tinha que ser paciente. Aquilo estava me engolindo vivo, o fato dela ter todas as evidências bem na frente de seus olhos mas continuar se recusando a reconhecer que era comigo que ela devería estar, mas eu sabía que não podía apressar as coisas, não quando havía tanto em jogo.

De qualquer forma ela estava preenchida de incerteza e isso já me tranquilizava um pouco. Ainda que em uma progressão lenta, ela estava começando a se questionar se havía feito a escolha certa, e isso representava algum avanço.

Percebí seu desconforto e achei melhor mudar o rumo da conversa. Coloca-la contra a parede só a faría escapar de minhas mãos, e isso definitivamente não era o que eu quería.

– Você tinha algo para conversar comigo... – disse com o tom leve, contendo minha ansiedade desmedida – Não quer matar minha curiosidade?

Ela sorriu antes de me olhar outra vez, e mais incerteza fluíu entre nós dois, me deixando ainda mais inquieto.

– Eu quero você em minha vida, Jazz... – ela falou com a voz hesitante – Eu sei que é difícil pra você, eu pude sentir ontem... – ela se interrompeu, suspirando – Mas eu... Eu quería que ainda pudéssemos ser... Amigos... Como antes...

A palavra ardeu como chamas em meus ouvidos, e eu sei que ela sentiu a mágoa que me tomou em reação, mas eu tinha prometido. E eu precisava estar por perto de qualquer maneira, para ter alguma chance de reverter a situação. Sería um verdadeiro inferno vê-la com Edward, senti-la com ele mas, nem que significasse afundar em brasas, dia após dia, eu ficaría distante dela novamente.

– Eu fico feliz em em poder ser algo importante pra você, Bella... Que você ainda faça questão de me ter por perto. Ainda que não seja a posição que você sabe que eu almejo... – eu suspirei, e ela expirou um pouco triste – Só não acho que tudo pode ser como antes...

– Quando eu disse antes eu quis dizer antes de...

– Eu entendi. – a cortei com suavidade – E reforço minhas palavras. Nada será como antes. Mesmo que o antes que você mencionou seja aquele momento em que éramos sinceramente apenas amigos, quando ainda não tínhamos começado a nos envolver.

– Por que...? – ela murmurou a pergunta enquanto a decepção a rodeava em espirais.

– Edward. – respondi com o tom seco – Ele tem medo de nossa ligação, e não vai permitir que tenhamos a convivência que tínhamos antes dele voltar.

Raiva e ultraje ondularam dela até mim, e eu contive minha satisfação.

– Edward não é meu dono, Jasper. Ele não manda em mim ou controla minha vida. – ela afirmou com irritação tímida – Eu sei que vamos nos casar, e que eu devo satisfações a ele, mas isso não significa que eu vou aceitar ser dominada, que vou acatar suas vontades absurdas só porque ele se sente inseguro em relação a você. – eu sorri orgulhoso de sua maturidade e determinação – Eu decido com quem, quando e como vou me relacionar. Não é como se eu fosse desrespeitar meu compromisso com ele.

Ela claramente não tinha intenção alguma de romper com Edward, isso estava límpido como cristal em sua atitude e palavras, e eu, sinceramente, não entendia. A noção de que estava longe de conquistá-la me prendía em uma melancolía nociva, mas sentir o amor que ela tinha por mim e vê-la negar isso era muito pior, completamente incoerente e me afundava ainda mais em agonia. Eu não sabía o que a estava segurando ao lado de meu irmão.

Sim, ela amava ele. Sim, era um sentimento potente e significativo, mas, o que ela guardava por mim também era e os fatos falavam por si. Existía uma diferença muito grande entre o amor idealizado que Edward provocava nela, e a conexão real, palpável e inquestionável que existía entre nós dois. Tudo que eu podia concluir era que ela não estava enxergando as coisas com a clareza necessária...

Assenti, incapaz de dizer alguma coisa.

Tentei me conformar por ora, afinal ela estava muito segura em me manter por perto, estando disposta a enfrentar o noivo por isso. Eu devería estar um pouco contente, mas isso era impossível quando tudo parecía perdido.

– A única pessoa que pode impedir nosso relacionamento é você... – ela sussurrou corando, temerosa.

Eu respirei fundo, e fiz um esforço para controlar o impulso de despejar minhas razões sobre ela.

– Eu prefiro ter sua amizade a nada... Sabe disso.

Seus olhos brilharam enquanto os meus ardiam. Eu nunca desejei tanto que Edward tivesse se mantido em sua estúpida decisão de ficar longe da vida dela...

– Então você estava no Texas? – ela perguntou bruscamente, e eu soube que estava tentando mudar de assunto, para o nosso bem.

– Sim. – respondi numa expiração resignada, olhando para a grama que eu arrancava da terra – Eu tenho um rancho por lá... A casa onde nasci, que pertenceu a minha família.

– Você nunca me falou sobre esse lugar... – ela comentou com leve ressentimento.

– Eu sei... Eu iría te contar mas, sempre havía alguma coisa pra contar a você, isso foi apenas um dos muitos assuntos que não surgiram em nossas conversas. Eu não escondi deliberadamente.

Ela assentiu em silêncio.

– Eu sempre ía até lá quando cometía algum deslize, nos primeiros anos após assumir a dieta dos Cullen... – continuei a falar, muito mais pra preencher o silêncio desconfortável que ameaçava se instalar entre nós – Eu me sinto conectado com minha família de certa forma quando estou lá, me faz sentir parte de alguma coisa, como se eu pertencesse àquele lugar, e isso sempre me provém força, me recupera... Entende?

– Por isso decidiu passar esse período lá? – ela indagou com cuidado.

– Basicamente... – repondi.

Ela me analisou por alguns minutos, concentrada nas emoções que lía em mim, eu supús.

– Funcionou? – sua indagação era cética, e eu entendía bem porque.

– Até eu chegar aqui...

Ela suspirou alto e idignação a inundou. Eu imaginei que ela estava se culpando por meu tormento, e não estava de todo errado, visto que culpa dançava entrelaçada ao primeiro sentimento.

– Não é culpa sua se você não sente como eu sinto, Bella... – murmurei – Não temos controle sobre esse tipo de coisa.

Ela estalou os lábios em desdém antes de falar num tom irritado.

– Você sabe bem como me sinto. Então, por favor, não menospreze...

– Não sou eu que estou menosprezando seus sentimentos... – devolvi quase no mesmo tom.

Nos encaramos longamente, tensos e quase enraivecidos, e o entendimento no olhar dela me deu a certeza de que compreendia o que eu impliquei nas poucas palavras que proferi.

Bella desviou o olhar do meu novamente, remorso, relutância e um pouco de impaciência vibrando por ela.

– Não somos assim... – ela lamentou – Não quero que sejamos assim...

Eu levantei seu rosto e mantive minha mão em seu queixo.

– É natural que exista conflito... Eu não consiguiría mentir pra você, esconder minha opinião, ainda que quisesse, e não posso fingir que estou ok com isso tudo. Mas, me desculpe. Eu sei que não é justo descontar minha frustração em você. Você tomou sua decisão e eu tenho que aceita-la, é só... – eu neguei com a cabeça, sorrindo sem qualquer humor – Complicado.

– Nós nunca brigamos...

– Nem estamos...

– Jasper, nós acabamos de perder a paciência um com o outro, isso nunca aconteceu antes...

Eu ignorei a sutileza por um momento e a puxei para meu colo, não encontrando resistência. Aninhei sua cabeça em meu ombro enquanto apertava seu corpo frágil contra o meu, sentindo a familiaridade nos preencher.

– Amigos se desentendem... – sussurrei contra seu cabelo, inspirando seu perfume por um momento, saboreando a sensação ardente em minha garganta e a ânsia em clamá-la como minha me estremecendo – E fazem as pazes assim que percebem o quanto estão sendo idiotas em perderem tempo precioso com discussões inúteis...

Sentí seu riso baixo em meu pescoço e um frio inoportuno correu por minha espinha. Me permiti beijar seu ombro sobre a camisa fina, e percebí o arrepio que correu por seus braços.

Bella se afastou minimamente para me olhar.

– Você sabe que o que sinto por você não é irrisório... – murmurou praticamente em meu rosto, e eu tive que sufocar a vontade louca de beija-la – Nós já tivemos essa conversa, eu não quero repetir minhas razões...

– Se suas razões ainda são as mesmas... – eu comecei a questionar com cuidado – Se está com ele pra ter certeza do que sente... Então porque aceitou se casar com ele? – ela suspirou, e eu assenti desiludido – Eu só posso concluir que você encontrou a resposta para sua dúvida...

Ela quebrou a conexão de nossos olhares e voltou o rosto para o céu acima de nós, respirando fundo. O medo que ela emanou quase me fez engasgar e eu só entendí o motivo dele quando ela pronunciou as próximas palavras.

– Eu achei que já tinha certeza sobre com quem devería estar... – ela finalmente repondeu, ainda sem olhar pra mim – Quando Edward me pediu, eu sentí como se aquilo fosse o certo, o que era pra ser, meu destino...

Eu suspirei e deixei que a dor me tomasse. Eu não podía conte-la ainda que quisesse. Bella se levantou e caminhou para a beira do penhasco, e mais incerteza me alcançou.

Eu quís perguntar se ela estava em dúvida novamente, agora que eu tinha retornado, mas a voz de Alice soôu em meus ouvidos, repetindo cada uma de suas recomendações, me forçando a não pressionar, a não empurrar Bella até o limite.

Eu esperei, e enquanto esperava fechei meus olhos para observar as emoções dela.

Eu podía ver sua silhueta sombreada atrás de minhas pálpebras, envolta pelos arcos da dúvida e do receio. Seus contornos eram, como era característico desses sentimentos, irregulares, falhos, e as cores escuras envolvíam Bella numa áura de hesitação que continha o amor e a ternura suprimidos bem próximos ao seu corpo.

Ela estava tão insegura quanto a tudo que não conseguiría discernir o que era mais intenso naquele momento, e ver aquilo esclareceu pra mim o quão cuidadoso eu tería de ser ainda.

Abri meus olhos e fitei sua figura tensa. Ela não se voltou em minha direção.

– E... Alice...? – ela perguntou de repente, com relutância – Como vocês estão?

Eu reconhecí o ciúme e a insegurança, e logo em seguida o constrangimento.

– Estamos bem. – afirmei com cautela – Eu e Alice temos uma história, ela significa muito pra mim e eu não quería estar magoando ela como estou, mas ela compreende, e está, de certa forma, conformada com nosso novo status. Eu devo muito a ela – ainda mais agora, mas eu deixei essa parte fora de meu comentário – E eu vou fazer o que puder para compensá-la pela dor que causei.

Bella finalmente se virou de frente pra mim.

– Compensá-la...? – sua indagação soôu aterrorizada, e seu olhar não era diferente.

– Eu não faço ideia de como ainda... Mas sim. Compensá-la.

– Você não... Você está pensando em... – ela respirou fundo e passou as mãos pelos cabelos, se debatendo com as palavras – Você considera a possibilidade de...

Eu me levantei e caminhei até ela.

Eu sabía o que ela quería saber, e podería ter deixado claro, logo de uma vez, que não era nada daquilo, mas resolvi não perder a oportunidade de evidenciar mais uma vez que o que ela sentía por mim devería ser considerado com mais atenção.

– Porque isso te incomoda? – indaguei num sussurro – Se você está com Edward, vai se casar com ele, tem certeza de que é com ele que quer estar... Porque está com tanto medo de eu voltar com Alice, Bella?

Eu sabía a resposta e não estava perguntando para confirmar. Eu queria apenas que minha pergunta ecoasse em sua mente, revolvesse suas certezas, levantasse questionamentos dentro dela. Só assim ela começaría a entender a verdade que ela parecía não querer enxergar.

Bella me encarou com os lábios levemente abertos, respirando superficialmente, talvez pela proximidade, talvez pelo que minha pergunta tinha provocado, talvez por medo de responder em voz alta o que eu já reconhecía em seu âmago.

– Eu estou... – ela começou, parecendo entorpecida, e eu sabía que ela não estava conseguindo raciocinar direito porque estávamos próximos demais, os sentimentos à flor da pele exigindo que encerrássemos a mínima distância que nos separava – Confusa...

Minha vontade era dar mais dois passos. Só mais dois passos e ela estaría em meus braços. Com ela colada a meu corpo não sería difícil inclinar meu rosto e beijar os lábios cheios que me convidavam, e eu tinha certeza que ela não me impediría...

Sutileza, Jasper... Tem de manter a sutileza... Me forcei a pensar.

Então, fazendo o oposto do que o impulso me pedía, dei dois passos pra trás, minhas mãos se tornando punhos com o esforço.

– Eu não tenho intenção alguma de voltar com a Alice... – falei, e imediatamente Bella se sentiu aliviada – Só existe uma pessoa pra mim, e eu pretendo esperar por ela.

– Jasper... Eu...

– Não estou te pedindo nada, Bella. Só quero que tenha certeza. Se você mudar de ideia, eu ainda estarei bem aqui...

Amando você... Querendo você... Completei em pensamento.

Definitivamente sutileza não era o meu forte, mas ao menos eu tinha deixado meu ponto claro.

Bella arfou e me encarou enquanto eu tentava retraír o amor que estava prestes a transbordar em toda sua glória. Isso a faría recordar uma outra promessa minha, que eu não podería cumprir por enquanto.

Me recompús, sentei novamente em meu lugar, suspirei e a olhei com uma expressão tranquila.

– Podemos falar de outra coisa? – pedi rapidamente – Perdi quase dois meses de sua vida... – sorri – Quais são as novidades na pacata Forks?

Bella piscou, momentâneamente tonta pela alteração brusca de assunto e no clima entre nós. Levou dois minutos e trinta e quatro segundos para conseguir reprimir o choque e disfarçar o quanto estava atormentada, se forçando a uma calma que relutou em assentar, e voltou para perto de mim, sorrindo um sorriso que não alcançou seus olhos.

O resto de nosso tempo foi gasto com Bella discorrendo sobre como sua amizade com Angela Webber tinha se desenvolvido ainda mais em minha ausência, sobre suas visitas esporádicas ao amigo de infância, Jacob, em La Push, e o quanto ele e Edward estavam lhe dando nos nervos com a rixa idiota que tinham um com o outro.

Bella não sabía o que o tal Jake era, ou o que ele representava em nosso mundo, então era natural que ela concluísse que meu irmão e o garoto estavam apenas numa disputa incoerente pela sua atenção, o que eu acreditava que podía ser parte da verdade.

Em torno de nove e meia eu já a deixava em casa. Cumprimentei um sorridente Charlie antes de me despedir de Bella com um beijo singelo na testa e um olhar que eu não pude evitar ser melancólico.

– Eu estarei bem aqui... – Lembrei a ela – Ao seu alcance. Basta chamar e eu vou estar ao seu lado numa batida de seu coração.

Ela suspirou e fechou os olhos, projetando pra mim todo o amor que sentía.

Eu aninhei a emoção com uma satisfação indescritível, e esperei que ela abrisse os olhos para replicar sua declaração silenciosa.

– Ídem.

E com essa única palavra a deixei para voltar à mansão, momentâneamente conformado.

Graças aos céus Edward não estava em lugar algum por perto, e meu alívio por não ter que lidar com ele rapidamente se transformou em agonía, porque eu sabía exatamente onde ele estava e com quem.

Me controlei para não focar nas emoções de Bella. Eu não precisava absorver o que ela estaría sentindo enquanto estava com meu irmão. Segurei meus muros o mais firmemente que era possível em torno de mim, e fui caçar com Alice, ansioso pelo pouco de paz que ela me provía.

Quando retornamos, duas horas depois, Edward estava em seu quarto com a porta fechada. Suas emoções estavam oscilando. Medo e insegurança, dúvida e consternação transformando o ar ao meu redor, provocando uma tensão palpável.

Alice passou por mim com o olhar vago em direção ao escritótio de Carlisle, uma ameaça de sorriso nos lábios enquanto fechava a porta atrás de si depois de me avisar que ligaría para a família.

Eu me senti curioso e ansioso, mas não quis perguntar o porquê do contentamento súbito dela. Ela já tinha me afirmado que só me contaría o que fosse extremamente necessário, que do contrário evitaría interferir, então eu segui para meu quarto e sentei na janela, concentrando meu olhar nas estrelas encobertas pelas nuvens, visualizando o rosto que se tornara a visão de minha felicidade.

Na manhã seguinte, depois de tentar me conter por horas a fio, eu não suportei e peguei o celular para ligar pra Bella. Me surpreendi quando o aparelho bipou em minha palma.

Você está bem?Posso sentir o quanto está angústiado e isso está me deixando inquieta. Por favor, me dê notícia.

B.

Observando que já era meio-dia, e ela não estava em aula por conta do intervalo para almoço, eu assumi minha decisão. Edward estava com Alice na casa, no entanto, e eu acreditei ser melhor me afastar para não alertá-lo.

Estranhamente nervoso eu digitei o número. Bella atendeu no segundo toque.

– Jasper... – ela suspirou, e eu podía ouvir, bem como sentir, a satisfação vibrar por ela.

– Você não sai da minha cabeça. – desabafei num ímpeto.

A linha ficou muda por um momento, e eu me repreendi por ser tão intenso quando devería estar sendo extremamente cauteloso, mas, meus sentimentos estavam em toda parte, exigindo libertação, eu estava em meu llimite.

– Eu penso em você o tempo todo também... – o sussurro foi relutante, e eu sabía que ela estava se sentindo mal por adimitir aquilo.

Mais um pouco de silêncio e eu afundei na terra com a mão em meus cabelos, tentando compreender porque era tão difícil pra ela enxergar que nós pertencíamos um ao outro.

– Eu sei que não tem vinte e quatro horas que nos vimos, mas... Eu preciso ver você de novo... – meu tom era implorativo, e seu eu fosse humano ele estaría trêmulo e embargado pelo desespero que me consumia – Eu quero ver você, Bella... Por favor... Me deixe te buscar hoje...

Eu tinha plena noção do quanto estava sendo ridículo. Fazendo o papel do adolescente descontrolado, rejeitado pela namorada do irmão por quem estava absolutamente apaixonado, incapaz de reunir um pouco de orgulho próprio e aceitar a realidade.

Respirei fundo, pronto para pedir que ela esquecesse meu pedido absurdo, mas Bella, como sempre, me surpreendeu.

– Venha me buscar agora. – ela falou num tom que eu reconheci como impulsivo, mas ao mesmo tempo, obstinado – Estarei na margem da floresta em cinco minutos.

Ela não precisaría falar duas vezes. Assim que a linha ficou muda eu corri, como se o mundo fosse desabar se eu me atrasasse um segundo sequer, ignorando o quanto sua réplica havía me deixado estupefato.

Não parei quando a alcancei. Apenas a rodeei com meus braços, suavizando o impacto de nossos corpos arqueando meu torso para que ela não fosse atirada longe pela minha velocidade. Bella não se assustou ou hesitou. Apenas fechou os olhos com força e se deixou ser carregada por mim, enquanto eu a segurava firme fazendo o desvio em direção ao nosso canto.

Os sentimentos dela espelhavam os meus, e nossas emoções estavam permeando o ar a nossa volta como um campo de força, me fazendo perder o controle sobre minhas defesas, sobre meu discernimento, sobre minha consciência.

Quando os pés de Bella tocaram o chão do penhasco nossos lábios se encontraram e, por mais incrível que isso possa parecer, eu não fazía ideia de quando ou como minhas mãos havíam circulado sua nuca, ou os braços dela tinham envolvido meu pescoço.

Só existía amor e desejo. Ansiedade e satisfação pulsando constantes de mim pra ela e dela pra mim, num ciclo interminável e ininterrupto.

A língua de Bella dançava com a minha, seus lábios buscavam os meus provocando sensações que eu nunca tinha experimentado antes, e eu nem me recordava mais as razões que me fizeram esperar tanto, me conter tanto, resguardar o que eu tinha dentro de mim.

Era mais forte do que eu.

E antes que eu me desse conta, toda a potência de meu sentimento explodiu entre nós...

Eu experimentei cada gota de energía que ele gerou, cada onda de sua projeção e cada cor que ele pintou em volta de nós dois quando alcançou Bella.

Ela arfou em meus lábios, e eu pensei que se afastaría, perplexa, ou confusa, ou relutante... Mas ela apenas apertou seu corpo mais forte contra o meu, aprofundando nosso beijo e absorvendo minhas emoções, para então causar sua própria projeção.

Nunca, em cento e sessenta anos de existência, eu havía testemunhado uma projeção mais poderosa que aquela. Nem mesmo a minha, que tinha acabado de acontecer.

Maravilhado eu vi, contra minhas pálpebras, uma única elipse, perfeita, sólida, formada por milhares de cores que se fundíam, se expandir de Bella, e nos rodear, gerando uma eletricidade quase opressora em volta de nós dois.

As auras de nossos sentimentos, como já havía acontecido antes, tentaram se mesclar, vibrando uma contra a outra tentando encontrar, talvez, o ângulo certo, uma brecha, uma abertura para se incorporarem, e eu me perdi no som marcante das batidas do coração de Bella, que retumbavam num ritmo exacerbado, descontrolado...

– Fica comigo... – praticamente supliquei em um murmúrio quando nossas bocas se afastaram minimamente para que ela recuperasse um pouco do fôlego – Seja minha, Bella...

Seus labíos voltaram aos meus com pressa, numa ânsia que eu temi ser capaz de machuca-la. Ela assentiu enquanto continuávamos perdidos no beijo, me enviando certeza e aquiescência através de nossa comunicação silenciosa, para que não tivéssemos que nos afastar.

A sensação de realização lavou minha alma, se é que eu tenho uma, e o alívio que me tomou mal foi registrado, tão envolvido na emoção de finalmente vê-la se entregar e aceitar o que sentía por mim.

Passamos um tempo incalculável nos beijando, sem querer quebrar a preciosidade daquele momento. Então eu sentei na terra, trazendo ela pra meu colo, antes de afastar nossos lábios e a olhar com todo o amor que já estava mais do que exposto.

– Eu não aguentaría mais um dia... – ela falou baixo – Depois de ontem todas as certezas que eu pensei ter se dissiparam... Eu passei a noite acordada me debatendo, sem saber o que fazer... Então quando você pediu pra me ver... – ela negou com a cabeça – Eu não sei porque demorei tanto pra entender que... – ela hesitou, respirou fundo, e segurou meu rosto em suas mãos pequenas – Eu amo você... – sussurrou em meu rosto, e eu pude sentir cada partícula do sentimento ondular até mim e afundar em meu peito, me fazendo sentir aquecido – Mais do que tudo... Nossa ligação é... Eu não faço ideia de como colocar isso em palavras, mas... Eu entendi... Eu finalmente entendi, Jasper... Você é meu destino... Minha razão... – Ela fechou os olhos por um momento e quando me encarou novamente eles estavam rasos de lágrimas – Me perdôe por ter magoado tanto você na minha estupidez, por ter relutado tanto em assimilar o que eu realmente sinto...

Eu sorri. Era tudo que eu podería fazer. Eu mal acreditava que tinha sido tão rápido e fácil, que tinha bastado voltar, nos reencontrarmos, semear a dúvida que já estava nela, para que ela acordasse...

– Eu esperaría a eternidade toda se fosse preciso... – murmurei, brincando com um cacho de seu cabelo – Eu sabía que em algum momento você enxergaría o que eu enxergava... Que nós dois...

– Pertencemos um ao outro... – ela completou.

– Sim... – meu sorriso se expandiu – Não fazía sentido eu guardar o que guardo por você, nessa intensidade, se não existisse um motivo maior... Faz tempo que eu entendi que você é minha outra metade, Bella... O sentido de minha existência.

Ela me beijou suavemente e expirou em meu rosto, antes de afastar uma mecha de meu cabelo de minha testa.

– Você prometeu me falar sobre seus sentimentos...

Eu suspirei. Agora não havía mais porque esconder isso dela. Mas antes eu precisava resolver algo.

– E eu vou cumpir minha promessa... – disse com alguma cautela antes de alinhar minha postura e envolver sua cintura com meus braços, a olhando fundo nos olhos, nossos narizes se tocando – Mas antes eu preciso colocar tudo em seu devido lugar.

Bella me olhou incerta, e dúvida vibrou entre nós.

Eu peguei sua mão direita e a levantei até estar bem no meio de nossos corpos. Segurei o anel de Edward com dois dedos, e a olhei.

– Posso?

Ela assentiu, e eu tirei o aro, entregando a ela em seguida. Bella o colocou no bolso da calça e me encarou com o olhar grave depois de pousar ambas as mãos em meu peito.

– Eu vou conversar com ele assim que voltarmos. – prometeu.

Eu assenti e coloquei seus braços em volta de meu pescoço, afundando as minhas mãos em sua nuca.

– Eu tenho intenções muito mais sérias, que vão muito além de um simples namoro, e acho que você sabe disso... No entanto não quero desprezar nenhuma etapa, quero vivenciar cada pequena face de um relacionamento com você, Bella... – falei com seriedade – Eu preciso começar do começo, preciso experimentar, conhecer a sensação de construir algo com você, gradativamente... Eu nunca passei por isso e sei que essa é minha única chance, então... – ela sorriu, entendendo onde eu quería chegar – Você quer ser minha namorada? – ela riu de leve, e seus olhos brilharam enquanto eu deixava minha própria risada baixa escapar – Você é muito mais que isso, e acredito que deixei isso claro há pouco... Mas vamos dar passos pequenos por enquanto... Até porque Charlie não vai entender muito bem se eu bater na porta dele essa noite pra pedir sua mão em casamento. – ela fez uma expressão engraçada, tentando ficar séria, mas sem conseguir esconder o divertimento em reação ao meu evidente embarassamento – Quer namorar comigo?

– Eu quero... – ela respondeu com entusiasmo incontido.

E nossos lábios se encontraram mais uma vez, e nós nos perdemos do tempo e do espaço novamente...

Só existíamos nós dois... As emoções que nos rodeavam... As elipses de cores fundidas se chocando quase numa dança de luzes... E nossa conexão, que eu sabía, mais do que nunca, era inquebrável...

Notas finais
Agora vocês podem dizer que me amam??? rararararara Mas lembrem! Ainda estamos beeeeeem longe do final, sinal de que essa felicidade talvez seja temporária, huahuahuahuahua. beijos e até o próximo!