Destinados

20 A incrível revelação


Notas iniciais
Demorei nadinha né? Bom, nesse cap começam as primeiras mostras de emoção que vamos ter no futuro... Muitas coisinhas acontecendo ao mesmo tempo, fiquem bem atentos aos detalhes... Prontos? Vamos lá!

– Collin é... – ela balbuciou incerta, os olhos fixos nos meus – Seu nome do meio...? – Eu assenti, registrando o estranhamento e a surpresa dela – E como eu posso saber disso? – ela arfou – O sonho... Foi só um sonho... Certo?

– Eu não tenho certeza se foi só isso... – admiti.

Bella respirou fundo e esfregou os olhos como se precisasse ter certeza de que estava acordada. Se levantou da cama devagar, olhando o nada e confusa como em nenhum momento antes.

Eu apenas esperei, angustiado e ansioso, mas tentando ser racional o máximo possível, internalizando que eu precisava revelar a ela o que havia descoberto no Texas, mas me debatendo com a melhor forma de fazer isso.

Com a expressão intrigada Bella se virou pra mim, enquanto se apoiava no peitoril da janela.

– Tem alguma coisa que você não está me falando, não é? – indagou com cuidado.

Eu respirei fundo antes de fechar os olhos. E expirei depois de abri-los devagar, essa impaciência misturada com receio pulsando forte pra fora de mim.

– Sim... – assumi – Existe algo que não te contei... Mas por acreditar que não era a hora, que você não estava pronta pra ouvir. É... – suspirei nervoso – Complicado, Bella...

– O que pode ser mais complicado do que todo esse mistério que envolve nossos sentimentos, Jasper? – ela perguntou num tom firme – Nada pode ser mais incrível que eu, uma simples humana, estar compartilhando o dom de um vampiro.

– Você acredita em... Reencarnação? – indaguei hesitante.

Bella vibrou surpresa, depois incerteza e então, segurança.

– Sim. – falou com brandura – Eu acredito que a alma não morre... E pode retornar se existir algo que ela precisa recuperar antes de... Seguir... Pra onde quer que sigam as almas...

Meus olhos vaguearem pelo quarto enquanto eu assimilava sua afirmação.

Talvez ela não ficasse tão chocada com o que eu diria, talvez não fosse assim tão louco e impossível que a alma dela já tivesse vivido em outros corpos, outras vidas, e que nós dois já tivéssemos nos conhecido em uma outra época.

– O que você está especulando tanto? – seu tom era impaciente.

Eu fixei meu olhar no dela e me concentrei em emitir tranquilidade.

– Eu preciso te levar até a mansão. – falei com a decisão já acolhida em minha mente – Tem algo que preciso te mostrar antes de te contar o que descobri.

Bella deliberou por um momento. Depois assentiu e começou a organizar suas coisas para ir ao banheiro. Segurava a maçaneta da porta aberta quando olhou pra mim, a expressão firme.

– O sonho... – ela murmurou – Não foi só um sonho... – quis confirmar.

– Eu acredito que... – hesitei, sentindo a leve angústia que ela começava a projetar – Tenha sido uma... Memória.

Ela virou o rosto para frente, de modo que eu não conseguia fitar seu olhar, e assentiu. Suspirou e seguiu, me deixando no quarto com a sensação de que aquilo já estava a assustando, e ela nem tinha visto o que eu tinha para mostrar a ela...

Expirei e peguei o celular em meu bolso. Fui atendido no primeiro toque.

– Ela vai entender. – Alice me acalmou com sua voz de sinos, que emitia segurança – E vocês vão ter mais algumas surpresas durante a conversa. Vou garantir que a casa esteja vazia, mas lembre-se que Carlisle e os outros retornam hoje. Eles chegarão ao anoitecer.

– Eu preciso de você pra essa conversa, Allie... – murmurei.

– Não, não precisa. – ela disse com suavidade – A conversa fluirá facilmente, acredite. Você não precisa mais ter cautela quanto a esse assunto eu... – ela suspirou, e eu pude sentir o sorriso em sua respiração quando voltou a falar – Eu vi vocês... Como iguais... – minha respiração ficou presa e ansiedade transbordou de mim – Não dá tempo de te contar agora, mas nós teremos oportunidade de conversar hoje à noite. Só tenha a certeza de que tudo vai dar certo. Confie em mim.

– Eu nunca duvidaria de você, Allie... – afirmei – Obrigado.

– Ah, e não deixe meu presente sobre o aparador. Ele vai cair e quebrar. Deixo-o na cama, por favor. – a voz de riso, que me fez rir um pouco.

– Ok. – aceitei, me lembrando do que havia comprado pra ela, junto com Bella, em nossa visita a Seattle – Nos vemos mais tarde.

– Até mais tarde, Jazz.

Eu desliguei o aparelho no mesmo momento em que ouvi Bella ligar o chuveiro e Charlie despertar no quarto ao lado. Pulei pela janela e troquei a blusa que tinha deixado no carro, escondido nos fundos da casa vizinha.

Eu iria esperar eles tomarem café juntos para tocar a campainha, e fingir que tinha acabado de chegar pra pegar Bella. Eu não gostava, nem um pouco, de enganar o Charlie, ele tinha muita confiança em mim. Mas não era como se eu fizesse isso sempre, ou como se acontecesse realmente algo mais sério entre eu e Bella.

Suspirei e pousei a cabeça no encosto, fechando os olhos.

Hoje seria um dia decisivo, eu podia sentir. Como todos os outros desde que eu entendi o que sentia por Bella...

*

– Não tem ninguém em casa? – ela indagou com estranhamento assim que subimos para meu quarto.

– Alice sabia que precisaríamos de privacidade... – esclareci – Ela deve ter convencido o Edward a ir caçar.

– Ela sabe sobre o que você vai me contar? – Bella perguntou num tom de afirmação, entrando no cômodo e sentando em minha cama – Não por ter tido uma visão, eu quero dizer... Você falou a ela?

– Ela estava comigo quando descobri... – disse num tom de desculpas, parando em sua frente.

Bella tirou os tênis e se acomodou na cabeceira da cama, abraçando as pernas enquanto me observava. Eu respirei fundo reconhecendo a curiosidade e o nervosismo nela, e então me direcionei para a cômoda.

– Alice tem um novo quarto? – ela murmurou, e eu fui atingido por uma onda contida de ciúme.

– Não. – respondi vibrando remorso, já tirando a pequena lata da gaveta e me virando – Nós não dormimos, nem passamos tanto tempo assim no quarto, – dei de ombros – então não achei que era realmente necessário ela mudar as coisas dela de lugar.

Com uma expiração pesada Bella desviou o olhar do meu, como se isso fosse o suficiente para esconder seu desagrado. Me sentei em sua frente, colocando a lata entre nós dois, e então segurei suas mãos, as tirando de sobre seus joelhos e colocando-as sobre minhas pernas, entrelaçadas com as minhas.

– Se isso te incomoda, eu posso trocar as minhas coisas de lugar... – assegurei.

Bella suspirou e baixou ambas as pernas, cruzando-as sobre o colchão.

– É um problema pra você? Colocar suas coisas em outro quarto? – ela estava corada e constrangida.

Eu afaguei suas bochechas e tentei sorrir.

– Eu faço tudo por você... – sussurrei intenso, vincando a testa – Qualquer coisa que você queira. Atender um pedido seu nunca vai ser um problema pra mim...

Ela se sentiu aliviada e sorriu fracamente antes de me dar um beijo suave nos lábios. Depois se recostou na cabeceira da cama novamente e olhou para o pequeno container entre nós.

Seus olhos aumentaram um pouco ao ler a gravação, e então seus dedos desenhavam as letras de meu nome com vagarosidade.

– Quando comprei o rancho onde nasci, ainda tinha muito receio do que encontraria... – falei num tom baixo – Era doloroso estar em contato com a história de minha família, porque eu não tinha feito parte dela, e isso me deixava... Vulnerável... – suspirei, e Bella me fitou com compaixão – Alice visitou a propriedade antes que eu me dispusesse, e providenciou a retirada dos móveis antigos. A maior parte deles foi doada para museus, e o que não servia ela reformou... Na verdade ela remodelou todo o interior da casa, sabendo que seria demais pra mim encontrar qualquer coisa que me lembrasse deles... – desviei meu olhar do dela quando a tristeza se elevou, e senti a mão dela sobre a minha, e conforto vibrando até mim. Sorri antes de olha-la novamente, entendendo o que ela estava fazendo para que eu me sentisse melhor – Os pertences que ela acreditou serem relevantes, organizou dentro de um velho baú, caso eu quisesse, algum dia, analisa-los... Esse baú ficou no porão do rancho, para tornar as coisas mais fáceis pra mim... E eu nunca tive coragem de mexer nele...

Pausei e respirei fundo. Segurei a lata em minhas mãos.

– No dia em que ouvi sua voz, Alice teve uma visão... – engoli com dificuldade, e Bella respirou devagar, emitindo algum receio e certa antecipação – Eu fiquei completamente desnorteado com o que ela me explicou, com o que deduziu sobre a visão, eu vou te explicar com calma depois – assegurei quando senti a dúvida pulsando mais forte e seus lábios se abrirem em preparação para o questionamento – e eu senti esse impulso de olhar as coisas de minha familia. Não sabia bem o que estava fazendo, nem porque, mas me deixei guiar... – abri a tampa – Essa lata estava cheia de cartas minhas, relatos meus sobre a guerra... Nada importante, eu as deixei lá, onde pertecem, junto com tudo mais que minha família guardou... – tirei a foto da lateral, tendo o cuidado de não deixar que Bella a visse ainda – Alice encontrou essa primeira carta – levantei o envelope e mostrei a ela – e as outras eu encontrei logo depois... – estendi a ela – Pode ler.

Bella pegou a carta e a leu com calma. A principal emoção que ela projetou foi ternura, mas eu identifiquei curiosidade, entendimento e também algum ciúme, mas muito leve.

Ela me olhou com confusão assim que terminou.

– Você nunca me falou que tinha sido noivo... – sua voz era um tanto magoada.

– Porque eu não me lembrava. – confessei – Eu não me lembro dela, nem do que existiu entre nós dois, mas... Quando eu li essa carta, eu senti algo estranho dentro de mim... Como se minha alma, – eu arfei um riso – se é que tenho uma... – neguei – Como se reconhecesse o sentimento que eu vivenciei por ela, ainda que eu não me recorde.

Bella esboçou alguma compreensão e então suspirou, voltando os olhos para o interior da lata.

– São outras cartas dela? – apontou para o maço envolto com o laço de fita.

Eu assenti e as tirei da lata.

– Ainda não li essas... – voltei meu olhar ao dela – Gostaria que fizessemos isso juntos. – ela assentiu – Mas antes... – Eu estendi a foto, virada em minha palma, para ela – Eu preciso que veja isso. Ela estava dentro do envelope, dessa carta que você acabou de ler. Foi Alice que a encontrou...

Bella analisou a data nas costas da foto antes de vira-la.

– A data do meu aniversário... – ela divagou, e então virou a imagem, e congelou.

O rosto de Bella se tornou lívido. Seus olhos arregalados perderam o foco, e não foi difícil perceber que seu fluxo de oxigênio tinha sido cortado involuntariamente, por conta do choque.

Me aproximei e segurei seus ombros.

– Respire, Bella... – pedi, nervoso, e ela expirou pesadamente antes de piscar algumas vezes.

Lentamente a cor voltou à sua face, mas seu coração retumbava frenético, enchendo o quarto com o som pulsante.

Bella respirou fundo algumas vezes, os olhos nunca desviando da fotografia, ondas e mais ondas de incerteza e angústia me atingindo e se multiplicando, porque era o que eu sentia também...

Finalmente, depois do que me pareceu uma década, Bella me olhou, e para minha completa perplexidade, sorriu.

– Se eu acredito em reencarnação? – ela devolveu minha pergunta de mais cedo, realização potente vibrando dela pra mim – Eu... Eu sou... – ela arfou um riso nervoso – Eu sou ela! – sacudiu a pequena imagem – Por isso o sonho... Eu... Eu me lembrei daquela situação... É isso, não é?

– Eu não tenho certeza, mas... – dei de ombros – É a melhor explicação que tenho.

– Jasper, você entende o que isso pode significar? – sua voz era vibrante, como se ela tivesse descoberto um tesouro, e me contagiou, me fazendo sorrir – Eu... Eu voltei... Por você...

Ouvi-la repetir a conclusão a que cheguei quando descobri aquela carta me fez sentir mais que realizado... Eu estava exultante.

– Eu tenho intenção de investigar o que aconteceu com ela... – nós sorrimos um pro outro – Eu preciso saber pelo que ela passou depois que eu fui dado como morto... Se teve uma vida tranquila, se conseguiu realizar os sonhos dela... – suspirei, e Bella acariciou meu rosto – Eu quero ter certeza de que a vida dela não foi destruída... Eu preciso saber se ela foi feliz...

Bella projetou compreensão e aceitação, concordância.

– Eu vou te ajudar. – afirmou – Afinal é de minha vida passada que estamos falando. – rimos juntos – Você não acha que é uma incrível coincidência... Nossos nomes, eles... São tão parecidos...

– Sim, eu pensei nisso. As datas de seus aniversários também...

– Como sabe a data do aniversário dela?

– A foto. – expliquei – Naquela época tirar uma fotografia era caro, e acontecia apenas em datas especiais... A data nas costas da imagem é, provavelmente, a data em que foi tirada. E somando uma fato a outro eu deduzi que... – dei de ombros.

– Era o aniversário dela... – Bella completou – Sim, faz sentido... E seria mais um indicativo...

– Isso explicaria essa ligação que temos, mas não o fato de você compartilhar de meu dom... – me adiantei – Eu quero conversar com Carlisle sobre isso, porque ele tem muito conhecimento, pode ser que saiba de alguma lenda, tenha alguma teoria, eu não sei... Mas eu gostaria que você estivesse comigo quando eu fosse falar com ele.

– Claro. – ela confirmou com doçura – Eu estarei.

Suspiramos juntos, eu sentindo alívio, Bella intensamente realizada.

– Quer ler as outras cartas agora? – sugeri num sorriso. Ela assentiu, ansiosa de repente.

Eu tirei as botas e me sentei ao seu lado. Ela se aproximou mais de mim e eu a circulei com um de meus braços, apoiando meu queixo em um de seus ombros. Entreguei os envelopes a ela, que os segurou com cuidado, respirou fundo, e desfez, com lentidão o laço.

– Posso ler em voz alta? – ela indagou num tom suave. Eu apenas assenti.

“Dez de fevereiro de mil oitocentos e sessenta e três.

Querido Collin, você nunca receberá essa carta...”

Bella suspirou e seu coração acelerou os batimentos. Ela me olhou aflita. Eu devolvi seu olhar e a encorajei, silenciosamente, a continuar.

Ela retomou com a voz hesitante.

“Ainda ontem o que eu mais temia aconteceu... Um soldado chegou até a vila, segurando uma bandeira dobrada, quando eu seguia para a mercearia. Ele não chegou a entrar em nenhuma das vendas para pedir informação, mas o pequeno Elias o ouviu perguntar ao senhor Soares, na rua, onde poderia encontrar os Whitlock...

Eu corri o mais rápido que pude até o rancho, sentindo como se meu coração estivesse estilhaçando... E quando finalmente atravessei a porta da casa, ainda rezando para que Elias tivesse ouvido errado, fui recepcionada pelo pranto desesperado de sua mãe...”

A pausa de Bella dessa vez foi mais longa, e ela passava a ponta dos dedos sobre pequenas manchas arredondadas no papel.

– Ela estava chorando quando escreveu isso... – seu tom era frágil, e eu fui inundado pela melancolia que ela sentia.

– Quando ela escreveu isso eu passava pela adaptação ao meu dom... – murmurei em seu ombro – Eu já havia sido transformado há mais de dois meses, e Maria estava me treinando... – suspirei – Consegue continuar?

Ela assentiu e voltou os olhos para a carta.

“... Naquele momento eu fui forte o bastante para conter minha dor, e consolar sua família. Seu pai e seu irmão logo chegaram, e ficaram tão devastados quanto a senhora Bertha... Foi uma cena difícil de se presenciar...

Eu levei a pequena Martha para minha casa, a pedido de seus pais, e ela permaneceu comigo até essa manhã, quando fomos ao seu funeral...

Tudo foi muito simples, mas feito com enorme carinho. Não pudemos enterrar seu corpo, já que ele não foi encontrado mesmo depois de dois meses inteiros de busca, segundo o capitão Herne, que foi o oficial portador da terrível notícia... Então eu e sua mãe preparamos uma pequena caixa de madeira envernizada, com alguns objetos nossos...

Sua irmã colocou uma mecha do cabelo dela, que sempre foi tão similar ao seu, envolto em fita vermelha, sua cor preferida... Jackson colocou o velho relógio de bolso que pertenceu ao seu avô, e que você deixou com ele antes de partir... Sua mãe e seu pai colocaram a chave mestra do rancho, acredito que dizendo a você que ali sempre será o seu lar... E eu coloquei seu anel... O anel com que você me pediu em casamento, e que eu nunca tirei até então...

Enterramos a pequena caixa sob a vista de toda a vila, todos vieram lhe prestar essa última homenagem. O senhor Monroe disse algumas palavras tocantes, que emocionaram a todos nós e me deixou falar também, pouco depois. Eu espero que, onde quer que você esteja, tenha me ouvido, pois minha promessa é séria, e nunca será quebrada...”

Bella me fitou intensamente por alguns segundos, emanando curiosidade. Eu apenas dei de ombros, e ela retomou.

“Em sua lápide tem escrito: Filho, irmão e futuro marido, eternamente amado.

Seu pai que a fez, e teve a delicadeza de mencionar o que você sempre será pra mim. Não que seja apenas isso, você sabe que é bem mais que o noivo que eu perdi para uma guerra...

Você sabe melhor que ninguém que somos dois pedaços de uma só alma, e eu lhe asseguro que chegará o momento em que nos reencontraremos, para forjar definitivamente essa união, que, como você tantas vezes me afirmou, foi escrita no livro do destino, bem antes de nascermos...

Não sei como suportarei viver sem você, Collin... Sem seu sorriso, sem os olhos mais verdes e intensos que eu já vi na vida me fitando com tanto amor... Sem seu braços me dando segurança, sem poder ouvir sua voz dizendo o quanto me ama...

Estou tentando me manter firme, como tenho certeza que você gostaria que eu fizesse, mas não sei até onde posso ir sem que a dor, sem que sua falta, me dilacerem por completo...”

Bella suspirou, fungando um pouco, e eu registrei o aroma salgado das lágrimas que começavam a se acumular em seus olhos. Projetei meu amor pra ela, um pouco de conforto e segurança, e ela sorriu um pouco ao continuar.

“Estou sentada em baixo de nosso pinheiro, pensando em quantas eras terei de atravessar sem você até que o destino nos coloque frente a frente mais uma vez...

Eu sei que não iremos nos reconhecer pelos olhos físicos, mas estou certa de que nossas almas se identificarão, então esteja sempre atento, meu amor... Preste atenção nos sinais... São eles que te trarão de volta pra mim...

Eu estarei esperando... Ainda que uma eternidade... Eu sempre estarei esperando por você...

Para sempre sua... Isa.”

Eu respirei fundo enquanto Bella dobrava a carta e a recolocava dentro do envelope. Aguardei que ela se pronunciasse quanto ao que estava pensando, e avaliei suas emoções com cuidado. E me vi chocado por não conseguir detectar nada.

Me afastei dela e a olhei intrigado.

– Como está fazendo isso? – a pergunta escapou antes mesmo que eu pensasse nela.

– Fazendo o quê? – ela indagou com o olhar confuso.

– Me bloqueando. – expliquei – Eu não consigo registrar qualquer emoção sua...

Bella vincou a testa e se levantou, me fitando com incredulidade.

– Nada? Em... Absolutamente nada?

– Nada. – confirmei – Só tenho certeza de que está aqui por que posso te ver. Você ainda pode me sentir?

Ela confirmou com a cabeça. Eu fechei os olhos.

As únicas cores que eu conseguia captar eram das minhas próprias emoções, e nada mais. Era como se eu estivesse sozinho no quarto.

Olhei para Bella vibrando angústia e receio. Ela respirou fundo e se sentou em minha frente.

– Eu estava pensando que você não merecia sentir a dor que eu estava sentindo... A tristeza que me dominou ao pensar em Isabell... – ela falou sussurrando – Eu não queria que você sentisse o que eu estava sentindo... E então...

– Você não apenas compartilha meu dom... – murmurei espantado – Você o controla também...

– Isso é tão... Estranho... – a voz incerta – Como eu posso ter tanto poder sobre seu dom se nem sou igual a você?

– Eu não sei, eu não entendo... – e então arfei, atingido por uma potente onda de dúvida. A encarei com perplexidade.

– Voltou? – ela perguntou ansiosa. Eu assenti – Eu simplesmente quis que você voltasse a me sentir...

Eu sacudi a cabeça devagar numa negação, mesmerizado.

– Carlisle chega hoje, e nós vamos conversar com ele assim que for possível. – determinei – Isso está ficando cada vez mais inacreditável...

Bella apenas suspirou, e eu me senti aliviado por identificar a confusão que ela emitia. Se sentou em meu colo com a segunda carta nas mãos.

– Vamos simplesmente ler juntos dessa vez... – sugeriu – Em silêncio.

Eu aceitei e esperei até que ela desdobrasse o papel amarelado e envelhecido.

Percebi que a escrita estava fraca, as letras um tanto alteradas, como se a pessoa que as escreveu, no caso Isabell, estivesse sem forças para fazê-lo. Me concentrei em ler, como Bella já fazia.

18 de Março de 1863

Querido Collin,

Em breve estarei com você...

Posso sentir a vida esvaindo de meu corpo, me aproximando cada vez mais do momento em que minha alma será libertada dessa prisão de carne e ossos, e eu poderei seguir para onde você está.

Venha me buscar, meu amor... Eu quero estar com você...

Lembre-se de minha promessa...

Eu te amarei para sempre. Através do tempo, da vida e da morte, eu serei eternamente sua.

Venha me buscar...

Isa.

Eu fechei os olhos sentindo como se meu coração afundasse.

Ela tinha se entregado à tristeza? Se permitido definhar a té morrer por sofrer com minha ausência?

Eu me sentia tão impotente e angustiado com essa possibilidade...

– A culpa não foi sua... – ouvi a voz de Bella, e senti suas mãos em meu rosto – Eu não suportei continuar sem você...

O fato dela ter usado a primeira pessoa do singular me fez abrir os olhos num átimo, e fita-la com surpresa.

A mesma expressão que tinha tomado conta de seu semblante no dia anterior, quando estávamos na lancha e ela falava do santo em minha medalha, estava ali novamente, transformando o rosto de Bella na feição de alguém que eu não conseguia reconhecer.

– Bella...? – murmurei, intensificando meu olhar no dela.

Ela piscou duas vezes, parecendo se situar, e então expirou.

– Sobre o quê estávamos falando? – seu tom era baixo e suave, e confuso.

– Você não se lembra? – eu indaguei som sutileza, ela negou – Qual a última coisa que se lembra?

– De sentir você se culpar, e... – ela pensou – Querer te tranquilizar mas... – ela me olhou em dúvida – Eu falei alguma coisa?

– Sim você falou. E falou como se fosse... – eu hesitei – Ela. – apontei para a carta.

Bella se sentiu completamente desnorteada, e eu me apressei a pegar as cartas, a foto e guardar tudo na lata. Já tínhamos mexido demais no passado.

– Acho que temos de ir com mais calma com isso... – falei enquanto a tirava de meu colo e me levantava para guardar a lata na gaveta novamente – Não me agrada perceber você tão confusa, e eu mesmo estou me sentindo um pouco apreensivo com a profundidade que essa situação está apresentando.

– Jasper, não podemos ignorar isso só porque temos medo do que podemos vir a descobrir. – ela afirmou com segurança no tom, e eu a olhei depois de fechar a gaveta – Você sabe que estou assustada, você pode sentir, assim como posso sentir o quanto você está também, mas... Existe algo maior que nos liga, você não quer saber, entender do que se trata?

– Claro que quero. – suspirei – Mas eu não gosto da sensação de tirar você de seu controle e... Há um minuto atrás você... – eu expirei – Nem era você mesma... Eu não tenho ideia do que aconteceu e não tenho vergonha de dizer que isso me assustou. – me aproximei dela – E essa não é a primeira vez que acontece, Bella...

Ela me olhou com surpresa.

– Lembra quando estávamos olhando o pôr-do-sol na lancha? – ela assentiu – Lembra quando você parou para analisar a medalha em minha corrente? – ela assentiu novamente – E quanto ao que falou sobre o santo que está gravado nela? – Bella piscou os olhos, claramente incerta – Você não se lembra, não é?

– Não com clareza... – ela disse numa respiração intrigada – me lembro de te perguntar que santo era... E de comentar sobre a inscrição que tem na parte de trás da medalha...

– Vê? – indaguei com cuidado – Isso está mais estranho do que eu poderia imaginar... Vamos evitar falar tanto disso por enquanto... Só até... Só até eu ter certeza de que você não corre nenhum risco.

– Mas não íamos falar com Carlisle...?

– Eu vou falar com ele, ainda hoje... Mas acho melhor você ficar fora dessa conversa. Me desculpe.

Ela expirou, resignada. Depois segurou meu rosto com ternura.

– Eu confio em você. Se acha que dessa forma é melhor, por mim não tem qualquer problema.

Eu suspirei aliviado e sorri pra ela, antes de selar nossos lábios num beijo carinhoso.

Eu tinha muito o que pensar sobre tudo isso, mas não era o melhor momento, então eu apenas aproveitaria para ficar com minha namorada, até que Carlisle chegasse.

*

Quente...

Úmida, macia e quente...

Essa era a sensação da boca de Bella na minha.

Eu não conseguia perceber mais nada que não fosse ela...

Os lábios dela nos meus... Seu corpo sobre o meu... Suas mãos pequenas e delicadas acariciando minha pele e me provocando calafrios...

Suspirei e apertei sua cintura, sob a camiseta, com um pouco mais de força. Ela se mexeu em meu colo, aprofundando o beijo e forçando as pontas dos dedos em minhas costas nuas. Eu arquejei, me afastando apenas uns milímetros.

– Cuidado pequena... – murmurei em seus lábios – Não quero que se machuque...

Bella apenas assentiu, cobrindo minha boca com a dela com pressa, puxando os fios de cabelo em minha nuca com toda sua força. A pressão de uma pena, mas a sensação que seus gestos ansiosos me incitavam tinham efeito de uma bomba de dinamite.

Ela apertou mais as pernas em volta de minha cintura, e meu corpo arqueou involuntariamente para longe do encosto do sofá, onde eu estava sentado, em direção a ela. O tiro de calor que se alastrou por minha pele me fez perder o resto de controle que tinha, e a blusa de Bella pagou por isso.

Eu tentei ser cuidadoso, mas acho que se ela não tivesse me ajudado a livrar seu corpo do tecido, ele teria virado farrapos.

Macia... Muito macia...

A pele de Bella sob meus lábios era como seda... E eu provei com lentidão, cada centímetro de seu pescoço ao seu colo, hesitando ao me aproximar do limite de seu sutiã.

Ela arquejava alto, seu coração batia forte e veloz, seu cheiro estava em todo lugar...

Levantei a cabeça e fitei seus olhos, um pouco nervoso, mas seguro por perceber nela apenas desejo, nenhuma rejeição, nenhum receio, nenhum constrangimento.

Bella segurou meu rosto em suas mãos.

– Eu te amo... – sussurrou, e então se afastou só um pouco, e abriu, deliberadamente devagar, o fecho em suas costas.

Meus dedos afundaram um pouco mais na pele de sua cintura. O ar cessou seu fluxo para meu corpo. Meus olhos se fixaram no rosto dela enquanto eu prestava atenção em suas emoções.

Desejo... Cada vez mais, e mais potente...

Meu olhos percorreram a pele pálida de seu pescoço e colo, até alcançarem os seios pequenos bem na frente do meu rosto.

Eu expirei, ansioso e incerto.

Bella segurou uma de minhas mãos, a tirando de sua cintura, e vagarosamente a elevou. Eu ainda não respirava, e meus olhos se fecharam sem meu comando quando senti minha palma ser preenchida.

Expirei e olhei para nossas mãos juntas, sobre seu seio, e pude sentir a onda de satisfação que projetei involuntariamente atingir Bella em cheio, a fazendo suspirar.

Sua mão deixou a minha, e eu a acariciei com cuidado, controlando o ímpeto de toma-la pra mim.

Fechei os olhos mais uma vez, e lá estavam os arcos, unidos e vibrando, girando juntos, vertiginosamente, me dando certeza de que a teoria que eu tinha formulado quanto aquilo estava correta...

Bella se moveu mais uma vez em meu colo, e eu segurei sua cintura, entendendo que tinha chegado em meu limite.

– Temos que parar, pequena... – consegui murmurar em seu ombro, onde minha boca distribuía beijos singelos.

– Agora não... – ela retrucou, tentando puxar meu rosto para o dela.

Eu respirei fundo e afastei minhas mãos de sua pele com muita relutância.

– Sim, Bella. Agora... – sussurrei, e minha voz era desgostosa – Eu não vou conseguir me controlar muito mais que isso, pequena...

Ela riu baixo, e me abraçou, e eu arfei com o contato de seus seios quentes, e muito firmes, contra minha pele gelada.

– Ok, Major... – ela provocou em meu ouvido – Você manda...

Eu suspirei, contendo, com extrema dificuldade, a projeção do desejo insano que me dominava... Sem me distanciar dela eu peguei seu sutiã e sua blusa ao meu lado, e a afastei devagar.

A observei com carinho enquanto ela se vestia, sorridente e exultante.

– Porque minha garota está tão entusiasmada? – eu indaguei num riso contido.

Bella piscou pra mim, já se levantando de meu colo e me entregando minha blusa.

– Eu posso sentir o quanto tenho deixado você... – ela pausou com uma expressão divertida – Saciado...

Eu ri um pouco mais alto com sua escolha de palavras, e ela voltou para meu colo depois que me vesti. Circulei sua cintura e beijei sua bochecha corada.

– Nossos momentos a sós tem sido muito... Interessantes – ela riu baixinho – Mas você poderia pegar mais leve comigo, pequena... Meu controle não é de aço, e você me deixa no limite com muita facilidade.

– Eu prometo que vou tentar... – ela afirmou num risinho irônico.

– Vamos? Eu quero te levar antes que Alice volte com Edward, e eu tenho a sensação de que eles não vão demorar muito... Já está quase anoitecendo.

Bella fez um biquinho e se levantou. Eu peguei sua mão e nos dirigi para o andar de baixo, e de lá para a garagem.

– Ainda te vejo hoje? – ela indagou com a voz manhosa assim que coloquei o carro na estrada.

– Prometo que, se minha conversa com Carlisle terminar antes das nove, passo pra te dar um beijo de boa noite.

– Você poderia passar a noite comigo... – ela sugeriu, e vibrou pura lascívia.

Eu a fitei com a testa vincada.

– Minha garota está com más intenções...? – fingi desaprovação e ela riu alto – Até mesmo eu, que sou quase uma rocha, tenho minhas fraquezas, Bella... – disse num tom mais suave – Vamos com calma...

– Porque você quer ir tão devagar? – ela perguntou verdadeiramente confusa, me olhando com incerteza.

Eu abri a boca pra responder, mas meu pensamento e minha ação foram cortados.

Foi muito rápido. Rápido o suficiente para os olhos humanos de Bella não perceberem. Um mísero milésimo de segundo.

Eu pisei no freio e abri a porta do carro, já me levantando e focando meu olhar na floresta, só pra ter certeza. O cheiro me atingiu em cheio, e automaticamente meu corpo retesou, minha mão segurando a porta com mais intensidade.

– Jasper, o que foi? – A voz de Bella era alarmada, e me fez voltar o olhar para dentro do carro, de onde ela me observava inclinada sobre meu banco, a expressão assustada.

Eu respirei fundo e entrei novamente, fechando e travando as portas do carro.

Minha mente dava voltas, se esforçando pra ligar o cheiro ao vampiro.

– Jazz... – Bella me chamou.

Eu a olhei recordando que tinha visto o mesmo flash vermelho quando eu estava no fundo do oceano, no dia em que Edward e Bella conversavam, logo depois do retorno dele...

– Jazz, fala comigo... – Bella insistiu.

O odor era exatamente igual ao que eu identifiquei quando fugi na noite em que Alice voltou...

– Jasper, você está me assustando...

Eu sabia que conhecia aquele odor, e a cor vibrante que relampejou em meus olhos fez sentido e se encaixou em minha mente, me trazendo a identificação que eu precisava.

– Victória... – murmurei.

– Victória...? – Bella indagou confusa ao meu lado – Quem é Victória?

Eu suspirei e a fitei com cautela.

– A vampira de cabelos vermelhos que estava com James na clareira... – eu esclareci.

Bella pulsou medo, e eu o aninhei com facilidade, porque começava a desconfiar da razão para ter visto a vampira duas vezes na região. E se eu estivesse certo, ela não iria desistir...

Notas finais
O próximo extra só vai rolar depois de mais dois caps... E o próximo cap vai rolar depois de 20 reviews... KKKKKKKKK Brincadeira. Bjooooo