Destinados

1 A estrada desconhecida


Notas iniciais
Hey gente!!! Ó eu de novo aqui, com mais uma fic.... Espero que curtam... Ela vai começar com o POV Jasper mas alternará POVs entre os outros personagens quando necessário, ok?Se divirtam e deixem seus coments pra eu saber o que estão achando. Beijos

Eu pisquei os olhos com força, voltando a mim mesmo.

Os braços de Emmet eram como garras de aço em volta do meu corpo, e eu podería facilmente me desvencilhar dele, mas não o fiz, e me senti estarrecido ao compreender o motivo que estava me levando a ceder.

Eu não quería, não podia machuca-la...

Alcançávamos a borda da floresta agora, e meus grunhidos já não tinham mais nada haver com minha sede, absolutamente esquecida com a lembrança recente que me cegava.

Naquele único e fugaz instante, quando o castanho profundo dos olhos dela refletiram minha expressão animalesca e monstruosa, eu vi, e senti, unicamente a mim mesmo, à minha verdade.

Não fora somente o desejo pelo sangue, extremamente doce e desejável, de Bella que eu me descontrolei.

Emmet me soltou, mas eu mal percebi. O mundo à minha volta havia repentinamente desaparecido. A constatação daquele fato me fez perder o rumo e, de certa forma, os sentidos, e eu me encontrei imerso em meu próprio redemoinho de sentimentos.

Há tanto tempo eu não parava para me concentrar em minhas emoções... Eram sempre tantos sentimentos à minha volta, sempre tão intensos, vindos de todas as direções... Eu me concentrava tanto o tempo todo para não me deixar influenciar por eles que, só agora eu percebia, eu havia me dessensibilizado para o que partía de mim mesmo, para o que tinha origem em mim.

Me senti tonto, e recuei automaticamente ao ouvir a voz de Alice.

Não consegui discernir o que ela dizia , ou os ânimos à minha volta. E quando Edward tentou se aproximar, tentei, com o restante de minhas já precárias forças, bloquear meus pensamentos. Eu não precisava dar a ele mais um motivo para me odiar.

Ele fez uma expressão confusa, e de repente segurou as têmporas com força, como se sentisse dor.

– Jasper... – Ele sussurrou em evidente agonia – O que há com você?

Não parei para pensar no que o estava atigindo daquela forma, eu nem ao menos conseguia organizar meus pensamentos.

– O que está acontecendo, Edward? – Ouvi a voz de Rosalie ao longe.

– Ele está pensando em milhares de coisas ao mesmo tempo, eu não consigo discernir coisa alguma, é... É demais... Ele está... Confuso... Demais...

Vi Edward ceder de joelhos na grama úmida, as mãos pressionando nas laterais de sua cabeça com força.

Antes que eu pudesse comandar a mim mesmo que o fizesse, meu corpo se projetou para o caminho que levava mais para dentro da floresta, na maior velocidade que eu era capaz de alcançar. Eu sabia que nenhum deles viría atrás de mim naquele momento, nem mesmo Alice. Eles sabiam como eu ficava arisco quando perdia o controle. Então eu tomei meu rumo para o limite de nossas terras, no pico do penhasco, onde a divisa se perdia entre o desfiladeiro e o oceano gelado abaixo dele.

Me sentei numa rocha, encarando o céu estrelado que me pareceu estranhamente vazio.

Me concentrei no que mais me surpreendera e horrorizara há apenas alguns minutos atrás...

O que me levou a atacar Bella, voar para cima dela como se nada mais existisse ao meu redor, não fora apenas a sede por seu sangue... Eu não queria drena-la, não estava agindo movido apenas pelo desejo de provar sua essência, que eu havia acabado de me dar conta, cantava para mim também... Talvez tanto quanto para Edward... Mas de uma forma completamente diferente.

O motivo, que eu só descobrira ha milímetros de alcançar meu objetivo, era muito mais complexo e profundo do que minha monstruosidade e incapacidade de suprimir minha ânsia por sangue... Eu quis transforma-la. Esse era o objetivo que até então havia se mantido obscuro no fundo de meu inconsciente... Eu queria fazer de Bella uma imortal, uma igual...

A princípio, quando tirado da casa em meio à confusão que causei, não compreendi direito o porquê. Mas agora, analisando friamente meus sentimentos... Eu conseguia enxergar a intensidade da atração... A força que me puxava para ela...

Um milhão de memórias explodiram em minha mente...

A primeira delas quando a vi pela primeira vez. Não quando ela chegou na escola naquele primeiro dia, mas sim no dia que eu realmente a vi.

– Onde estão Alice e jasper? – Edward perguntou no andar de baixo, enquanto Alice me puxava pela mão.

– Está na hora... – Alice havia dito com um tom indecifrável.

Então estávamos no alto da escada, e eu senti o cheiro dela me atingir como uma bomba de sabores...

Eu sabia que era assim por causa de Edward, por minha empatia absorver seu desejo ambíguo pela garota humana. Eu estava preparado para aquilo, Alice havia me advertido com antecedência e eu havia me concentrado em bloquear a sede de todos à minha volta, bem como a minha própria, e principalmente a de Edward.

Alice se aproximou, e eu imitei seu gesto, muito mais curioso e intrigado do que pensei que ficaría.

“Mantenha uma distância segura.” Edward sussurrou sustentando um olhar cauteloso de advertência em minha direção.

Eu continuei bloqueando tudo mais à minha volta, e emanei o máximo de tranquilidade que pude, tentando acalmar os ânimos de meus familiares. Todos estavam extremamente tensos, e apesar dos grandes olhos da garota parecerem um espelho, todas as suas emoções expostas ali, claramente para quem quisesse ver, eu não pude absorver o que ela sentia, concentrado como estava em me manter de fora.

Ela me olhou indagativa, eu diría, curiosa e intrigada como eu estava em relação à ela. Conferiu o olhar de Edward antes de me encarar com o semblante mais suave e doce que eu já tinha visto alguém direcionar à mim.

– Olá, Bella. – Falei num tom estranho, hesitante.

Mas foi a forma como a voz dela me fez perder o controle sobre meu dom, que me deixou nervoso.

– Oi, Jasper. – Ela disse num sorriso tímido, e de repente tudo à minha volta explodiu dentro de mim.

Todos os sentimentos que permeavam aquela sala me engolfaram numa onda intensa de emoções. Eu perdi o tino por um milésimo de segundo, mas foi o suficiente para fazer com que minha cabeça girasse em confusão.

Eu me recuperei rapidamente, reerguendo minhas barreiras, e me forcei a permanecer ali enquanto fosse necessário.

Suspirei ao entender que aquele havia sido o primeiro sinal. Obviamente eu estava incapacitado de reconhecê-lo, concentrado nos outros como estava. E sabendo a intensidade dos sentimentos de Edward por ela eu facilmente deixei aquilo passar, certo de que estava sobre influência.

Então outra memória significativa me invadiu.



Nós estávamos nos preparando para fugir, esconder Bella do rastreador, James. Ela e meu irmão haviam se despedido em frente a mim. E eu não compreendia a emoção que me tomou quando vi Edward beija-la com tanta intensidade. A angústia que me tomou não tinha o teor da angústia que emanava deles, medo de se perderem um do outro, medo de se separarem.

Aquela dor que atingiu meu peito e me confundiu vinha de qualquer outro lugar além deles, e significava mais inveja e dissabor que qualquer outra coisa, e eu me peguei confuso ao não ser capaz de identificar a fonte da emoção.

Então depois, quando Bella me olhou com aqueles olhos tão profundos, emanando baixa auto-estima, um sentimento intenso de desvalorização fuindo dela em ondas constantes, eu deduzi o que ela pensava, e não contive as palavras em minha boca.

– Sabe que está enganada... – Eu afirmei num sussurro.

– Como é? – ela arfou confusa.

– Posso sentir o que está sentindo agora... E você vale tudo isso.

– Não valho – ela murmurou – Se alguma coisa acontecer a eles, terá sido em vão.

– Está enganada. – Eu repeti, estranhamente seguro do que havia dito, e curiosamente certo de que havia falado por mim mesmo, não por Edward ou minha família.

Então nós estávamos em Phoenix. E eu estava focado demais em nossa missão. Proteger a companheira de Edward.

Minha concentração se dividia entre a proteção da garota, mantê-la com as emoções sobre controle, e traçar estratégias caso o vampiro nômade nos encontrasse.

As emoções de Bella pouco a pouco passaram a transpor meus muros e a me enlouquecer, a me deixar no limite, e eu mal conseguia manter minhas barreiras perto dela, me percebendo sensível demais a qualquer mudança de humor da garota. Eu não entendia bem o porquê daquilo, e me justifiquei com a lealdade à minha família, ao meu irmão.

E num momento de impulsividade, tentando acalmar seu receio quanto à segurança de minha família na caçada a James, eu deixei escapar uma frase que me consumiu por meses após dita.

– ... Nosso único medo é perder você.



Eu havia passado semanas a fio me indagando de onde tería surgido aquilo, aquela veemência ao afirmar que não poderíamos perdê-la. E então agora eu via que meu inconsciente, em várias ocasiões, me deu sinais do que eu realmente precisava notar, me alertou sobre o que realmente estava acontecendo.

Eu encolhi meu joelhos em direção ao meu queixo, fechei meu olhos e deixei que a emoção fluísse de mim em toda a sua potência. Eu precisava ter certeza da dimensão daquilo antes de tomar uma decisão.

Pude enxergar por trás de minhas pálpebras uma elipse pefeita, contínua, se formar... As cores avermelhadas a alaranjadas da paixão, do desejo, mais intensas na bordas se afastando e alastrando para cada vez mais longe de mim, me mostrando seu potencial, se abrindo numa espiral que corria à minha volta numa velocidade estonteante, tão inalcansavelmente distante quanto eu jamais tinha visto. Então vinha o prateado e o branco brilhantes, cintilando um pouco mais profundamente a ternura e o cuidado, o carinho, reverberando ao meu redor, mais próximo ao meu corpo onde eu quase podería tocar, mas ainda tão intenso e extenso que eu mal conseguia crer... E então vinha, no centro, concentrado e em volta de mim, me tocando e fluindo constante, sem cessar, o rosa sólido, concentrado, pulsando o amor mais puro que eu já fora capaz de identificar em toda minha vida, humana ou imortal...

Eu abri os olhos adimirado com a profundidade e imensidão daquele sentimento. Se parecia muito com o que eu absorvera de Edward ao experienciar seu amor por Bella, e em alguns aspectos era bastante similar aos meus sentimentos por Alice... Mas ainda assim era completa e absolutamente diferente. Era novo, e completo. Forte como nada que eu havia experimentado. Encontrei apenas uma única palavra que se aproximava de um conceito intenso o suficiente... Devastador.

Respirei fundo, devagar, duas vezes, ainda que o oxigêncio não fizesse diferença alguma em meu organismo imutável. Eu precisava ir embora, para o mais longe possível, e nunca mais voltar. Eu tería de abrir mão de minha família, já que logo ela sería uma Cullen. Eu não suportaría a eternidade desejando o inalcansavel com ele tão perto de mim. Eu tinha que partir, e sería uma jornada solitária, visto que eu não sería capaz de enganar a Alice...

Me levantei sem vontade alguma, e caminhei em passos humanos de volta à casa.

A cena se repetiu ao longo de todo o caminho... A gota brilhante de sangue carmim, o desejo travando minha garganta e me fazendo perder o controle, minha visão sendo podada, meu corpo impulsionado em direção ao dela em um movimento de ataque...

Irônico como o pior momento entre nós dois fora capaz de me revelar o que eu realmente sentia por ela... O mais terrível era constatar que, ainda que Edward e Alice não existissem, ela nunca olharía pra mim com amor ou ternura.

Seu olhar aterrorizado ainda preenchia minha mente, fazendo a dor, tão recente, em meu peito, latejar com mais força. Ela tinha horror de mim. Para ela eu era um monstro, a encarnação do mal, do verdadeiro perigo.

Continuei a caminhar desolado pela floresta, me preparando para me despedir de minha familia... De Alice...

Eu sentia uma vontade aterradora de pedir perdão a Bella, de explicar a ela o que acontecia... Mas eu não podia me aproximar... Ela, e principalmente Edward, não permitiría de qualquer forma.

Demorei dois dias e meio para alcançar minha antiga residência, mas não me importei. Encontrei Alice a meio caminho de mim, os olhos secos e sem brilho me encarando com a expressão mais torturada.

Ela sabia de minha decisão. Tería visto assim que a assumi. Mas ela conseguiría ver as motivações por trás dela?

– Não precisamos nos separar... – Ela falou num tom que humano algum, mesmo a poucos metros de distância, conseguiría ouvir – Eu vou com você onde precisar ir para superar tudo isso.

– Não é algo que possa ser superado, Alice... – Falei, e me assustei um pouco com a gravidade em minha voz.

Alice se aproximou rapidamente, me envolvendo com seus braços finos, e eu devolvi o abraço com a mesma tenura.

– Não consigo ver se voltará pra mim... – Ela disse com a voz embargada, como se pudesse chorar – Porque, Jazz?

– Eu não vi acontecer... – Murmurei em seus cabelos, começando a explicar – Acho que me ocupei demais com as emoções dos outros, me concentrei demais em impedi-los de me influenciar... tanto que acabei me perdendo de meus próprios sentimentos... E agora, depois de tudo que aconteceu... eu tenho certeza Alice... Meus sentimentos estão muito claros para mim, nítidos como há muito não estavam... E eles...

– Não o levam mais a mim... – Ela competou. Não soube dizer se predizendo ou intuindo minhas palavras.

Eu expirei fitando o mato rasteiro que roçava os bicos metálicos de minhas botas. A última coisa que eu quería era magoa-la, mas eu não tinha muita opção.

– Quando vai partir? – Ela perguntou buscando meus olhos – Eu não vi essa decisão.

– Há algo que preciso fazer antes... – Eu falei, olhando seus olhos de topázio com pesar – Quero me despedir de todos.

Alice suspirou e inclinou o rosto em direção ao céu, que começava a clarear com os primeiros raios de sol.

– Temo que tenha chegado muito tarde... Edward pediu, e Carlisle acatou, que todos nos mudássemos de Forks... Para o bem de Bella. Todos já estão em Denali. Apenas Edward está aqui, para se despedir dela... E eu fiquei... À sua espera. Sabia que viría antes de partir...

Eu engoli em seco com aquela notícia.

– E-Edward vai deixar Bella?! – Minha voz soou alarmada e incredula demais.

Alice assentiu tristemente.

– Sim... Ele acredita que dessa forma evitará que ela corra tantos riscos... E ele nem ao menos permitiu que eu me despedisse dela...

O desconsolo na expressão de Alice me fez arrefecer. A abracei de súbito, tentando consola-la.

– Isso está errado... – murmurei com uma idignação crescente ardendo em meu peito – Ele a ama... E Ela é louca por ele... Ele vai machuca-la terivelmente...

– Eu sei, eu disse isso a ele – Alice falou com a voz abafada – eu tive visões distorcidas de Bella sofrendo, várias situações teríveis... Eu tentei me concentrar nelas, porque ainda estavam muito confusas mas, Edward me proibiu de olhar o futuro de Bella, ainda que ele viesse a mim sem que eu o procurasse...

– Isso é ridículo! – Esbravejei me afastando de Alice, assustando-a.

Ela me olhou confusa e intrigada ao mesmo tempo, e eu pude sentir que uma parte de meus sentimentos vazaram por minhas barreiras.

– Jasper... – Ela arfou – Você...

– Eu tenho que falar com ele – cortei – Edward não pode fazer isso.

– Não adianta... – Ela replicou ainda num tom desconfiado – Eu vi o que ele vai fazer... está sólido como uma rocha. Ele não vai voltar atrás...

– Não se eu conseguir impedir.

E dito isso corri em direção à cidade, deixando para trás uma Alice perplexa.

Cheguei à Forks High School a tempo de ver Edward e Bella entrando para as primeiras aulas. Me concentrei neles para absorver suas emoções e quase perdi o equilíbrio ao ser literalmente nocauteado pela dor de meu irmão.

Edward não estava somente angustiado. Se um humano sentisse apenas metade do que ele sentia naquele momento, enlouquecería ou morreria em agonia. A carga obscura de pavor, desalento, mágoa, desepero que emanava dele era tão violenta que me fez arfar e bloquear, com todas as minhas forças, a empatia. Me causou tamanho descontrole que perdi a chance de conferir o que Bella passava, lendo apenas em sua expressão o temor que ela tentava, sem sucesso algum, disfarçar em indiferença.

Resolvi esperar até que eles saíssem. Precisava de uma oportunidade para falar a sós com Edward.

O dia passou estranhamente e tortuosamente lento, e quando os vi sair da última aula bloqueei automaticamente suas emoções para tentar preservar o mínimo de minha, já tão precária, sanidade.

Edward colocou Bella em sua pick-up e seguiu para seu volvo, e eu rapidamente me coloquei em seu caminho antes que ele pudesse fechar a primeira curva.

Ele me olhou surpreso, e eu senti seu dom forçando acesso à minha mente.

Preciso falar com você. Pensei, guardando cautelosamente qualquer outro pensamento.

Edward abriu a porta do carona e me esperou entrar. Recomeçou a dirigir enquanto eu despejava as palavras desesperadamente sobre ele.

– A culpa é toda minha. Eu fui o descontrolado. Isso não quer dizer que você tenha que abir mão dela. Estou partindo para longe daqui, e não voltarei, então não há motivos para deixa-la.

Edward me olhou com o canto do olho, desconfiança, surpresa e adimiração fuindo dele com potência para mim.

– Não estou deixando Bella apenas pelo que aconteceu há três noites atrás, Jasper... – Ele expirou, e eu pude sentir todo o terror emergindo dele novamente. Me protegi anulando suas emoções – Bella é humana... E o contato dela com nosso mundo sempre a colocará em risco. Eu apenas compreendi que fui longe demais...

– Edward, você não pode fazer isso... Vai feri-la... E vai se ferir também.

Edward suspirou.

– Eu sei... – murmurou melancólico – mas é o que preciso fazer... Não tenho outra escolha.

– Transforme-a! Se ela é verdadeiramente sua companheira, deve ser uma de nós, deve ser igual a você. Não a deixe, Edward. Isso irá magoa-la de uma forma aguda, você não vê?

Edward parou o carro em frente ao correio, e virou o corpo levemente em minha direção.

– Eu não sabia que se importava tanto com Bella, Jasper. – seu tom era levemente acusatório, e eu pude sentir novamente os muros de minha mente sendo forçados – Me lembro que, há apenas alguns meses atrás, analisou a possibilidade de mata-la você mesmo.

Eu engoli em seco com a lembrança, e me condenei por ter sequer cogitado aquilo.

– Era uma situação diferente... Não a conhecíamos, não sabíamos nada sobre ela e a verdade sobre nós estava ameaçada a ser exposta... Eu estava apenas pensando na segurança da família. Meu único objetivo era nos proteger. Além do mais isso já passou faz tempo. Vocâ sabe que Bella nos conquistou a todos.

– Ainda assim... – ele me encarava com veemência – Algo mudou drasticamente... Posso notar isso agora, em seu tom, em sua postura...

– Estou apenas perocupado com você – falei uma meia verdade – E me sentindo extremamente culpado por ter desencadeado isso. Não posso deixar que destrua a sua vida e a dela por um erro meu.

– O erro não foi seu, Jasper, não se sinta culpado... – Ele desviou o olhar – A culpa de tudo isso é toda minha. De mais ninguém.

Ficamos em silêncio por meio segundo, mas foi o suficiente para que eu sentisse a solidez de sua determinação. Nada que eu falasse ou fizesse mudaria o que ele havia decidido.

Suspirei e me preparei para sair do carro.

– Eu sinto muito que tenha de ser assim – murmurei sem encara-lo – Acho que a atitude que vai tomar é a pior de todas as possíveis, mas não posso me intrometer mais... Apenas... Peça perdão a ela por mim... Não terei oportunidade de fazer isso eu mesmo. Estou partindo imediatamente.

Saí do carro pronto para correr de volta à casa, mas Edward me impediu, segurando meu pulso, já em minha frente.

– Você não teve culpa do que aconteceu. – Ele afirmou com sinceridade – Ou do que vai acontecer... Eu não tenho rancôr e sei que Bella também não... E eu agradeço por estar preocupado comigo... E com ela.

Eu o olhei significativamente.

Ainda assim, me perdoe irmão... Por tudo. Pensei, contendo cautelosamente o teor profundo de meu pedido. Edward me abraçou, tristeza permeando nossa despedida, e eu retribuí o gesto. Então depois estávamos seguindo nossos caminhos.

Quando cheguei à nossa casa, Alice colocava suas duas últimas malas no bagageiro da 4x4 de Emmet, o olhar desolado.

– Viu mais alguma coisa...? – Perguntei ao me aproximar.

Alice negou com um movimento de cabeça.

– Não posso olhar, Lembra...?

Eu assenti e me voltei para a escada, subindo para nosso quarto.

Preparei uma mochila pequena com poucas coisas, e desci rapidamente.

– Eu sinto muito por ter causado tudo isso. – Falei a Alice quando nos abraçamos – Sinto mais ainda por estar magoando você.

Alice segurou meu rosto em suas mãos pequenas, seu olhar intenso no meu.

– Faça o que tiver de fazer para superar, e me procure depois. Demore o tempo que demorar eu esperarei para ouvir notícias suas. Prometo manter meus olhos longe de seu destino o máximo que conseguir, para lhe dar o espaço de que precisa, mas sabe que algumas coisas virão a mim ainda que eu não procure por elas, não sabe? – Eu assenti – Eu te amo, Jazz... Vou amar pra sempre. Ainda que seus sentimentos tenham mudado, e que nós dois não sigamos juntos, você pode sempre contar comigo...

– Eu sei Allie... E eu amo você também... O sentimento pode não ter o mesmo teor que antes, a mesma natureza, mas ainda é amor, e eu lamento que não possa mais te corresponder com a mesma intensidade que antes.

Ela negou timidamente.

– Com tanto que você esteja bem, eu ficarei bem também, eventualmente...

Nós nos abraçamos mais uma vez, demoradamente, e eu lhe dei um beijo delicado nos lábios antes de deixa-la ir.

Alice entrou no carro e seguiu pela estrada de barro até que eu não pudesse mais vê-la, suas emoções controladas, apesar de muito profundas. Eu me desliguei do mundo, levantando minhas proteções o mais intensamente que consegui, erguendo um muro ao meu redor para que nada me parasse. Então corri para dentro da floresta, meu coração morto estranhamente pesado em meu peito, sem noção de meu destino, seguindo apenas meu impulso.