Destinados

24 A angustiante previsão


Notas iniciais
Gente, aqui estou eu depois de meses... Não tenho desculpas a dar, apenas a verdade. A inspiração não existia e eu não consegui terminar o capítulo da forma como gostaria, então adiei até estar da maneira mais coerente com a sequência de acontecimentos da estória. Peço perdão a todos pela ausência, mas "branco" acontece, e com muita frequência, com todos os autores. Estou me esforçando para não demorar muito na postagem dos próximos. Saibam apenas que, demorando meses ou não, eu não abandono minhas fics, então garanto que continuarei a escrever até o final. Espero que gostem desse, que começa a expor o desenrolar dos vários acontecimentos na vida de nossos protagonistas. Obrigada a Joy pela recomendação tão querida! Vejo vcs lá em baixo.

– Eu sempre soube que existia alguma coisa... – Emmet murmurou olhando para o horizonte, suas emoções comprovando o que ele dizia – Você sempre agia mais estranhamente que o normal quando ela aparecia.

Eu suspirei, um tanto irritado com o fato de que todos pareciam ter notado aquilo antes de mim mesmo.

Emmet e eu estávamos na floresta, no topo de um dos inúmeros abetos gigantes que cobriam a área próxima a Vancouver. Tínhamos saído da mansão com a desculpa de caçar, mas a verdade é que ele queria ser inteirado do que havia acontecido desde o desastroso aniversário de Bella, e de como eu e ela havíamos nos envolvido, do que estava acontecendo entre nós...

Eu contei a ele grande parte da história. Ao menos todas as partes que eram primordiais para a compreensão da situação. E ele me surpreendeu com essa falta de choque, com um entendimento que ele poucas vezes demonstrava em relação ao que não dizia respeito à diversão e Rosalie.

– Como assim? – indaguei sem encara-lo, verdadeiramente curioso por sua visão.

Emmet suspirou alto parecendo muito sério. Eram extremamente raros os momentos em que ele tinha atitudes desse tipo, e eu sempre ficava surpreso e me lembrava de que, por baixo da grossa fachada de “criança grande”, existia um homem maduro e vivido, que possuía um olhar afiado pra detalhes, mais do que todos lhe davam crédito.

– Lembra de quando a Allie fez um piquenique pra ela, logo no começo do verão? – ele perguntou com as sobrancelhas unidas, me fitando com seus olhos dourados, como se quisesse ler através de minha expressão. Eu assenti. – Todos estávamos lá fora com ela e Edward, até mesmo a Rose... Mas você se manteve dentro da casa, espiando pelo vidro de sua janela. – ele negou com um movimento de cabeça.

– Eu preferia me manter longe pra... – tentei explicar.

– Protegê-la. – ele completou com o semblante compreensivo – Exatamente. Edward confiava que você não faria mal a ela, já que você tinha protegido ela em Phoenix. Você provou pra todo mundo que era capaz de controlar sua sede na presença dela – eu o teria interrompido e dito que isso não era verdade, e que o desastre que ocorreu meses depois provava isso, mas Emmet, mais intuitivo do que nunca, levantou uma mão entre nós – Eu sei o que vai dizer, mas eu concordo totalmente com Carlisle. Você não tava sozinho quando atacou ela...

– Ok, eu não vou argumentar contra isso. – aceitei. Eu já tinha internalizado essa verdade depois de ouvir tantas pessoas afirmando o mesmo – Mas no que o fato de eu tentar protegê-la de mim te chamou atenção?

Ele deu de ombros.

– Não foi só o fato de você querer protegê-la de você, mas... A maneira como você fazia isso... E suas reações quando fazia... Aquele dia foi o primeiro que eu notei... Mas percebi depois que isso acontecia sempre...

Eu sorri sem qualquer humor, sem conseguir enxergar a lógica dele.

– Olha só, o jeito como você ficava era... – Emmet retomou, entendendo que eu não estava acompanhando seu raciocínio, o que era uma inversão – Esquisito. Você não se afastava simplesmente... Você não participava, se mantinha distante, mas ao mesmo tempo, estava sempre por perto, esgueirado nos cantos, atento ao menor sinal de tensão, sempre manipulando o ambiente para que estivesse confortável, tranquilo... E... Você parecia menos... Deprimido, sempre que ela estava com a gente. – eu elevei uma sobrancelha pra ele – Eu sei que pareço desatento, Jazz, mas conheço meus irmãos bem o bastante. Eu sempre sei quando a Alice está tendo uma visão, mesmo que ela não faça qualquer comentário em seguida, ou quando o Edward está futucando nossas cabeças pra pescar alguma coisa, ou quando você está brincando com as emoções ao redor. – ele riu um pouco – E eu sabia que você fazia isso por ela. Não tinha porquê fazer isso por nós, você sempre agiu com a gente somente quando era necessário... – eu expirei, realmente perplexo com a sensibilidade e percepção dele – Além disso, você estava sempre num lugar de onde era possível observa-la... E você não tirava os olhos dela enquanto ela estivesse presente, e a maneira como você olhava pra ela... – ele suspirou – Eu sabia que tinha alguma coisa, sabia que você não estava só intrigado, que não era só curiosidade, você olhava pra ela como se... Como se ela fosse... Tudo que você conseguia enxergar...

Eu abaixei a cabeça um tanto constrangido, e me perguntei o quanto mais óbvio eu tinha sido pra todo mundo, exceto pra mim mesmo, em relação a meus sentimentos por Bella.

– Eu sei que você não fazia aquilo conscientemente. – Emmet murmurou, e eu o encarei confuso – Não me pergunte como sei disso. – deu de ombros – Só sei. E sei também que ninguém mais percebia. Mas talvez isso tenha haver com a atenção que todos nós direcionávamos a Bella quando ela estava por perto...

– Rosalie nunca deu muita atenção a ela... – incitei, sugerindo que se fosse da maneira como ele dizia, ela teria notado.

– Rose não é muito atenta. – ele deu uma risada alta – Não em relação ao que não diz respeito a mim e a ela mesma.

Eu me juntei a ele em sua risada. Nós admitíamos o quanto minha irmã era egocêntrica, mesmo que isso não ferisse o sentimento que guardávamos por ela.

Suspirei depois de algumas gargalhadas, sinceramente ansioso por sua opinião.

– Certo. Você já sabe de tudo, já me contou que percebeu antes mesmo de eu me dar conta da verdade... Mas o que eu realmente quero saber é...

Senti a mão pesada dele em meu ombro, me interrompendo.

– Eu não tenho que aprovar ou desaprovar nada, Jazz... – me assegurou – Mas se você quer saber como me sinto em relação a isso tudo, bom... Eu acho que você é mais certo pra Bella do que o Edward... Não me pergunte porquê... – ele adicionou rapidamente ao perceber que eu ia questionar – Eu ainda não vi você com ela, mas... Alguma coisa me diz que vocês são perfeitos um pro outro.

Eu permaneci em silêncio, assimilando suas palavras por um minuto inteiro.

– Você não se ressente pela Allie? – perguntei sem olhar pra ele, analisando a reação através das emoções dele.

– De maneira alguma. Eu me preocupo com a baixinha, claro, mas... De verdade? – ele se inclinou pra mim e eu finalmente o olhei, dúvida clara em minha expressão – Vocês nunca combinaram... Alice tem esse jeito agitado, alegre de ser e você... Bom... Você era você... Sempre emo e introspectivo...

Era? – reprimi uma risada.

– Acho que ainda é um pouco mas... Não sei... – ele deu de ombros mais uma vez – Tem alguma coisa diferente... Você parece... Bem. Pela primeira vez desde que eu te conheci.

Eu assenti e dei dois tapinhas no ombro largo dele, voltando minha atenção para o sol que começava a nascer ao longe, em seguida.

Emmet fez o mesmo e nós permanecemos ali, apenas fazendo companhia um ao outro, até que a manhã se estabeleceu. E então era hora de voltar. Eu tinha algo importante para fazer...

*

Vesti a jaqueta sentindo a ansiedade dela me inundar. Bella já estava acordada e esperando por mim, eu podia sentir.

Respirei fundo e deixei que o amor inundasse meus sentidos, certo de que ela entenderia meu recado.

Sorri com os olhos fechados quando senti a onda de ternura e felicidade me envolver, garantindo que ela não só havia recebido minha mensagem como também compreendido o que eu dizia nela.

Por mais que eu já tivesse assimilado nossa conexão, ainda me sentia perplexo com a facilidade de nossa troca, como parecia tão natural me comunicar com ela desse jeito, à distância, como se ela estivesse o tempo todo comigo, mesmo quando estávamos há quilômetros um do outro.

Uma curiosidade branda se sobrepôs ao que eu recebia, e eu abri os olhos para encarar a bela vampira que me fitava com seus olhos amorosos.

– Se comunicando com Bella? – Alice indagou docemente, um sorriso sutil nos lábios.

Eu assenti, sorrindo de volta quando identifiquei a maneira como ela estava maravilhada com nossa incrível capacidade, e então me recordei da noite anterior e algo que havia ficado no ar.

– O que você viu ontem, pouco antes de Carlisle chegar, que deixou Edward tão confuso? – perguntei com calma, e ela ergueu as sobrancelhas, parecendo se lembrar.

– Eu vi você mostrando a carta de Isabell a Carlisle... – ela falou – Edward ainda não sabia de tudo aquilo. – deu de ombros – Acho que foi esse o motivo para a confusão dele. Ele não tinha como compreender, até o momento exato, o que aquilo tinha haver com a ligação de vocês. – finalizou com um sorriso matreiro.

Eu assenti e me aproximei dela, absorvendo suas projeções cautelosamente.

– O que você acha de tudo que Carlisle disse? Acha que ele tem razão quanto a eu e Bella sermos... Exemplos... Dessa tal lenda...?

– Eu acredito nele sim, Jazz. – ela murmurou num tom doce, mas um tanto melancólico – Faz sentido, não? Eu não conseguiria imaginar uma explicação melhor pra tudo isso...

– Você disse a ele o que aconteceu ontem? O fato de você ter perdido seu dom por um momento?

Ela suspirou alto, preocupada e angustiada.

– Sim, conversei com ele há pouco, e Edward também sobre não estar conseguindo ler sua mente com clareza... Ele tem um teoria sobre isso também. Ele vai falar com você quando voltar com Bella...

Intrigado, mas sabendo que o momento apropriado logo chegaria, aceitei a informação e me preparei pra sair. Antes disso, no entanto, circulei a pequena mulher em minha frente e deixei um beijo demorado em sua testa, absorvendo o jorro de amor e saudade que ela emitiu.

– Obrigado, Allie. – murmurei antes de solta-la – Seu apoio significa muito pra mim.

Ela sorriu, mas seu olhar era triste.

– Eu sei. – disse num fio de voz – Eu sempre estarei aqui pra você, sempre.

– Eu sei. – devolvi sua afirmação, a olhando com ternura.

– Agora vá. – ela demandou, afastando a melancolia e sustentando determinação e aceitação enquanto apoiava as mãos na cintura – Quanto antes Bella estiver inteirada, melhor. Precisamos conversar, todos nós, sobre aquele outro problema...

Imediatamente eu retesei, lembrando de que Victoria estava rondando Forks.

Com um assentimento mudo e rápido relampejei para fora do quarto e da casa, para dentro de meu carro, e acelerei pela estrada, louco para olhar nos olhos doces de minha Bella.

*

Antes mesmo de sair do carro eu identifiquei a presença deles alguns metros atrás da casa dos Swan, já dentro da floresta que a margeava. A irritação ameaçou me engolir mas eu a controlei.

Desci rapidamente e me aproximei sem cautela, tentando manter minhas emoções sob controle para não alertar Bella.

– Cullen. – Jacob sibilou transbordando repulsa.

– Black. – devolvi no mesmo tom – Suponho que estão aqui por conta de meu pedido...

– Eu conversei com o Sam. – Ele respondeu abruptamente, claramente querendo acelerar o que quer que tivesse ido fazer ali – Ele ficou muito interessado em conseguir mais informações sobre a tal vampira, e me mandou procurar você. Eu sabia que estaria por aqui. – finalizou com um olhar indignado, desgosto alastrando por ele e me alcançando.

– Diga a ele que podemos conversar quando ele quiser, onde ele acreditar ser conveniente.

– Eu previu que você diria isso... – murmurou – No limite do tratado. Hoje às cinco.

– Estarei lá. – confirmei com tranquilidade.

Jacob assentiu uma única vez, de forma seca, e então se voltou para a floresta, se transformando no ar assim que começou a correr em direção aos companheiros.

Respirei fundo, contendo o ódio natural pelos lobos que é inerente à minha espécie, e num movimento fluido me aproximei da casa.

Antes que eu pudesse bater à porta, Bella já a escancarava com os olhos arregalados e as mãos trêmulas.

– O que aconteceu? – sua voz era quase histérica.

Expirei em meio a um sorriso seco, neguei em silêncio e a abracei. Eu precisava assimilar de uma vez por todas que com nossa ligação não era mais possível esconder o mínimo que fosse dela.

– Acabei de me encontrar com Jacob... – murmurei em seu ombro, segurando sua cabeça no meu pela nuca – Há tanto que preciso te contar, mas aqui não é o lugar ideal.

Bella se afastou de mim apenas o necessário, para me olhar profundamente nos olhos. Sua expressão era intrigada ainda que ela pulsasse confiança, apesar de eu conseguir identificar uma suspeita muito forte em seu íntimo.

– Vou pegar minhas coisas. E você não se mova um só centímetro. – demandou.

Eu fiz como ela exigiu, e permaneci perfeitamente parado até que, seis minutos e quarenta e sete segundos depois ela estava novamente na minha frente.

– Onde está sua mochila? – indaguei com cuidado ao perceber que tudo que ela tinha trazido consigo havia sido uma jaqueta e sua carteira.

– Você vai me levar pra nosso lugar e me contar tudo que está acontecendo. – falou com ares de quem não aceita não como resposta.

– Escola, Bella... – citei – Você já está atrasada.

– Eu não vou pra escola hoje, e nem adianta tentar argumentar Jasper. Eu não vou esperar nem mais um segundo pra saber porque você está tão angustiado.

– Bella...

– Não. – sua voz era autoritária, e isso até me deixou um pouco ansioso.

Expirei forte, contento a sutil irritação que começou a crepitar em mim, que nada mais era que um resultado de nossas ansiedades combinadas.

– Eu só ia dizer que, mesmo que eu faça o que você quer, ainda terá de esperar, pelo menos, meia hora pra saber... – forcei um tom mais leve enquanto tentava provoca-la – Não consigo chegar ao penhasco em um segundo. Eu sou rápido, mas não tanto assim. – finalizei com um sorriso irônico, e ela segurou a risada, entendendo perfeitamente minha artimanha para deixar o clima mais leve.

Bella suspirou alto, afastou uma mecha de sua franja e sorriu delicadamente antes de mergulhar os dedos em meus cachos. Eu fechei os olhos momentaneamente, para aproveitar a sensação, depois a encarei com a ternura que me inundava sempre que ela me tocava.

– Não tente ser engraçadinho. – falou suavemente, se aproximando – Só me leve logo daqui e me explique. Por favor...

Eu assenti e a envolvi pela cintura, deixando um beijo calmo em seus lábios antes de acomoda-la em minhas costas, garantir que não haviam olhos curiosos por perto, e disparar pela floresta à toda.

*

Eu estava completamente preparado para a surpresa dela quando contasse minha conversa com Carlisle na noite anterior. Sabia que ela ficaria chocada com a aceitação de Emmet assim que reproduzisse as palavras dele daquela madrugada, e sim, eu tinha certeza que ela ficaria perplexa ao finalmente tomar conhecimento da verdadeira natureza de seu amigo mais próximo...

Mas nada havia me preparado para a raiva...

– Lobisomem? – ela repetiu pela segunda vez, sua voz ainda mais cética e estridente que antes.

– Na verdade ele é mais como um... Transmorfo... – tentei explicar – Eles poderiam se transformar em qualquer animal, mas a tribo deve ter escolhido um lobo... Por razões que eu desconheço...

– Eu não acredito! Como ele... – ela arquejou e andou em círculos mais uma vez, ambas as mãos enfiadas nos cabelos – Como ele pôde...

Eu me levantei e parei na frente dela, disposto a faze-la parar e me explicar porque estava tão indignada.

– O que foi, Bella? – indaguei baixo ao segurar seus braços com cautela – Porque você está com tanta raiva?

Ela suspirou e desviou o olhar do meu por alguns segundos. Depois me encarou com a expressão cheia de remorso, a culpa que ela sentia me envolvendo e quase sufocando.

– Jacob... – sussurrou – Ele... Ele é como se fosse da família... Porque ele não me contou...

– Hey, não é o tipo de coisa que você simplesmente conta pra alguém... – contemporizei, segurando seu rosto para que ela mantivesse o olhar no meu – Além do mais... A tribo deve ter regras quanto a expor a verdade pra quem não faz parte da comunidade, como em meu mundo... Ele provavelmente deve ter tido vontade de contar a verdade a você, mas não pode... Lembra como foram as coisas em relação a Edward? À nossa família? Não é tão simples...

Bella me fitou por um longo tempo, suas emoções confusas. Eu a abracei e esperei que se acalmasse e encontrasse dentro de si a lógica, compreendesse que minha afirmação tinha sentido e ela não tinha motivos reais para estar tão zangada com o garoto.

Me vi surpreso em não estar contente por ela estar antagonizando ele de alguma forma, afinal eu tinha de admitir que me desagradava, e muito, a proximidade deles... Sim, eu sentia ciúme, mas nada tão denso e absurdo quanto o que Edward havia sentido, eu sabia bem o que Bella sentia por Jacob e, mais importante, por mim, e isso me garantia alguma segurança.

– Então é por isso que ele odeia vocês... E você e Edward o odeiam... – Bella murmurou depois de mais um tempo.

Me afastei um pouco.

– Eu não o odeio. – afirmei.

Ela riu secamente.

– Jasper, eu pude sentir o que você estava sentindo pouco antes de aparecer em minha porta, e você me contou que estava conversando com ele...

Expirei.

– Certo. – falei um tanto contrariado – Existe essa repulsa natural, somos inimigos naturais... – admiti – Mas eu sou um homem racional, Bella, e meu lado coerente não o odeia. Eu não gosto dele, mas...

– Ok, eu entendo, não precisa explicar. – ela se apressou – Eu vou conversar com o Jake depois sobre isso.

– Você não pode. – disse tranquilamente – O segredo não é meu pra expor, eu não poderia ter contado. Isso, de certa forma, fere o tratado e pode provocar uma rixa ainda maior do que a que já existe, então, – Me afastei dela negando com a cabeça, me sentei na grama e a encarei com seriedade – nada de conversa.

– Então porque me contou? Pra me afastar dele? – sua voz deixou sua incredulidade clara. Ela sabia que eu não era assim.

– Você precisava saber porque, eu tenho um plano. – suspirei – E se tudo der certo, os Cullen e os lobos estarão mais envolvidos do que gostariam na mesma missão e trabalhando do mesmo lado, com o mesmo objetivo... Você estranharia se me visse andando por ai, de repente, com o garoto. Achei melhor deixar tudo esclarecido de uma vez. Também tem o fato de que eles estarão mais presentes na sua vida por enquanto, para proteger você. – expirei, sorri quando ela se sentou ao meu lado e segurei seu rosto com uma de minhas mãos – E... Além de tudo isso... – me inclinei em direção a ela e encostei os lábios em sua pele – Nada de segredos entre nós dois...

Bella arrepiou e estremeceu quando deixei um beijo singelo em sua bochecha. Eu me afastei sorrindo, sentindo a paixão e o desejo que ela sentia fazer com que meus sentimentos pulsassem pra fora de mim. Então ela apertou os olhos por um mero segundo, conteve suas emoções com inacreditável domínio, e me fitou com carinho.

– E isso tudo, toda essa proteção e esse tal plano que você diz ter... Tudo é por conta de uma certa vampira ruiva... – ela falou num tom levemente indagativo.

– Sim. – confirmei – Victória está mesmo nas redondezas, e ao que parece, muito bem informada. Precisamos ter certeza sobre o que ela quer... Com toda certeza o objetivo é vingança... Mas a pergunta é... De quem ela quer se vingar?

– Como assim? – ela questionou confusa, uma certa quantidade de medo se elevando nela – Você acha que ela quer se vingar especificamente do assassino de James?

Eu controlei as emoções, para que o desespero não começasse a domina-la. Respirei fundo.

– Sim. Eu não sei de onde vem essa sensação mas... Não acredito que ela está focando em toda a família... Acho que ela quer matar quem matou James... – falei com cuidado.

– Porque você diz isso?

Neguei com a cabeça enquanto organizava meus pensamentos.

– Ela está aqui faz algum tempo... Não faz sentido, todo esse cuidado e hesitação. É como se ela estivesse planejando... Não sei...

– Então você e o Emm... – Bella retomou, a voz estremecendo.

– Shhhh... – a silenciei com dois dedos em seus lábios – Não fique nervosa. Ela não tem chance alguma contra mim se estiver sozinha...

– E se não estiver?

– Nós somos sete, Bella... E se tivermos o apoio da matilha, bem... A menos que ela tenha um exército, o que duvido muito, não estou correndo qualquer risco.

De repente Bella estava em meu colo, os braços fortemente apertados em volta de meu pescoço, o rosto enterrado em meus cabelos. Seu corpo estava tenso e suas emoções estavam oscilantes.

– Eu não posso te perder, Jasper... – ela murmurou com sofreguidão, e seu sentimento me cobriu – Eu não posso...

A afastei um pouco para lhe olhar os olhos.

– Não vai. – afirmei seguro – Bella, nosso destino é ficarmos juntos, eu sei disso agora, eu sinto... E, por tanto, eu te prometo, nada... Eu digo, absolutamente nada, vai me impedir de realizar isso. Eu não permitirei. – suspirei contendo um pouco de minha intensidade – Então, escute bem... Nem que eu tenha de driblar a própria morte para cumprir essa promessa, eu te juro... Vamos ficar juntos. Você não vai me perder.

Por um momento fugaz os olhos dela brilharam com reconhecimento, e eu tive essa sensação estranha de “Déjà vu”.... Nossos corpos, em todas as extremidades que se tocavam, aqueceram, e o coração dela retumbou mais alto do que nunca.

– Você... você sentiu isso... Não foi?

– Sim... – respondi um tanto perplexo.

Ficamos alguns segundos em silêncio, absorvendo a estranha emoção que nos tomava.

– Nós somos almas destinadas... – Bella murmurou com o olhar profundo no meu, repetindo a nominação que Carlisle designou a nós dois segundo a lenda – Não é mesmo?

Eu apenas assenti, sempre um pouco estonteado com as provas sutis de nossa conexão, que ao que tudo indicava, era muito mais transcendental do que qualquer um de nós supúnhamos.

– O que será que tudo isso significa? Porque eu não precisei nem preciso de uma lenda pra explicar o amor que sinto por você...

Suspirei.

Eu concordava com ela, não precisávamos de uma razão para sentir o que sentíamos, para amar como amávamos um ao outro, para querermos ficar juntos. Mas eu era obrigado a admitir que, em meu âmago, eu sabia, eu sentia... Existia um porém nisso tudo, essa história não era aleatória, não era uma mera romantização de um encontro entre um homem e uma mulher... A singularidade de nossa ligação tinha um propósito, isso estava mais do que claro pra mim. Eu só não conseguia enxergar qual... Ainda.

Antes que eu pudesse replicar, Bella me beijou a testa e abraçou com força.

– Eu confio em você... – ela sussurrou, se referindo à minha promessa, me enviando uma onda deliberada de amor e segurança – E eu te digo que farei o mesmo... Não vou permitir que nada nos separe, nem mesmo a morte.

Eu expirei, envolvido, mergulhado na familiaridade que aquele momento incitou em nós dois, e então a apertei um pouco mais em meus braços.

*

Assim que entramos na casa Carlisle desceu as escadas, ladeado por Esme. Ambos tinham os olhares cheios de expectativa, e fitavam Bella com tanto carinho que me contagiou, provocando um sorriso largo em meus lábios.

– Bella! – o tom doce de Esme ecoou até nós, e logo ela estava em frente a nós dois.

–Bella... – Carlisle suspirou com uma onda de alívio ao perceber o sorriso terno dela em sua direção.

– É bom ver vocês... – ela falou contidamente, mas a ansiedade era profunda dentro dela – Eu..

Carlisle me olhou rapidamente, captando meu assentimento mudo, e então abraçou a garota, a quem considerava como filha, com suavidade. Automaticamente Bella correspondeu, e então Esme se juntou a eles num abraço coletivo.

Meu peito parecia comprimido pela quantidade de afeto que os envolvia, e eu projetei uma parte de volta, para que eles realmente percebessem como estavam se sentindo.

Mas antes que eu pudesse captar suas reações, o medo duplicado que me alcançou enrijeceu todo meu corpo.

Virei meu rosto em direção à escada no exato momento em que Edward e Alice, os olhos levemente maiores, as feições extremamente preocupadas, surgiram como dois tornados.

Eu me preparei para indagar, ignorando completamente o estado de alerta que os outros dois vampiros presentes assumiram ao sentir a tensão.

Alice prostrou-se em minha frente, enquanto Edward ladeou Bella numa postura protetora.

– Victória não está sozinha. – o tom de minha ex-mulher era urgente – E o alvo dela é um só.

Eu estremeci, intuindo, pela maneira com que Edward estava ansioso e protetor, que eu iria odiar as próximas informações.

– Ela quer Bella. – A voz de Edward soou apenas para os ouvidos aguçados da família, e imediatamente eu estava em guarda.

Meus olhos, que se voltaram pra ele quando falou, relampejaram na direção de minha garota, completamente confusa com a comunicação inaudível que acontecia à sua volta.

– Ela tem um exército, Jazz... – Alice completou com a voz sentida e eu a encarei perplexo e subitamente atormentado – Um exército de recém-criados...

Minha respiração sessou automaticamente, enquanto meus ombros se enquadravam numa postura dura.

O motivo para ela querer se vingar em Bella rapidamente assentou em minha mente, e eu até me confortaria com o fato de que Victória estava redondamente enganada ao focar seu objetivo na pessoa errada... Mas não haveria tempo para explicações quando ela atacasse... Não se ela tinha um exército sedento e altamente letal trabalhando com ela.

Pisquei duas vezes, com força, antes de encarar Edward mais uma vez.

Seu olhar inflamado espelhava o meu, e ele trincou a mandíbula antes de expirar e falar com a mais profunda convicção.

– Ela não vai ter o que busca. – afirmou – Nem que eu tenha de dar minha vida pra assegurar isso.

Puxei Bella para perto de mim, enviando tranquilidade para ela e confirmando com meu olhar que logo explicaria o que estava acontecendo.

– Faço minhas as suas palavras. – devolvi com o mesmo tom.

Edward assentiu uma única vez, selando nosso acordo implícito. Carlisle e Esme imitaram seu gesto, demonstrando concordância, enquanto Alice projetava seu apoio pra mim.

Segurando o rosto de minha garota nas mãos, suspirei baixo.

– Precisamos conversar, mas você tem de me prometer que se manterá calma.

Os olhos dela já estavam enormes, me dando a certeza de que ela havia captado o teor das emoções que eu absorvia.

Bella assentiu cautelosamente, e então nos guiei até o sofá, sendo seguido pelo restante dos presentes.

Notas finais
Bom, é isso. Podem reclamar a vontade, brigar comigo, se zangarem. Eu sei que é muito chato ficar esperando tanto pra ler a continuação de algo que estão acompanhando. Espero ver vcs em breve, se vcs ainda estiverem por ai. Abraços.