Despertar - O Saber de Uma Alma
4 Engatinhando
Notas iniciais
Em sua impaciência, não conseguia aguardar o dia acabar, para enfim saber do seu futuro. O maroto querubim, que enfim entendia que sempre foi um quebra-cabeça, agora se perguntava: Onde será que vai acontecer?
Não quando, não com quem. Onde... essa era a pergunta a se fazer.
Afinal, há mais de 7 bilhões de pessoas no mundo! O meu amor “para sempre” pode estar do outro lado do mundo e com certeza, não à de saber falar a mesma língua que eu, ainda mais a língua desse moreno, que fala não apenas com a boca aveludada e manchada de um tom carmesim, mas também há de saber comunicar-se com os olhos.
Olhos café avelã que são cegos por procurar. Ah, impaciência! Não tente encontrar sua metade na multidão, pois apenas perderá ainda mais a si mesmo.
E sua impaciência com o tempo? Esse moreno querubim que acredita que o futuro guarda algo bom pra si, não tem serenidade para esperar o futuro dar em suas mãos o que tanto espera.
Enquanto alguns imploram por dinheiro e outros pedem aos céus o amor, aquele rapaz esguio, carregando sua bolsa num ombro, andando desleixadamente, apenas ansiava por paz. Contudo, não pensava na paz entre aquelas famílias que estão a ponto de serem destruídas e muito menos pensava na paz daqueles que estão morrendo em guerras... queria a sua paz, a paz de seus sentimentos. Pois no final das contas, todos os olhos são voltados somente para si mesmo, por que o querubim seria diferente? É só mais um no mundo. Só mais um querendo entender a si mesmo...
Por conta de seus sentimentos, não sabia esperar. Por conta de seus desejos, não olhava ao redor tentando, enfim, ceder pouco de si a quem também está procurando sua própria metade... Todos os seres humanos são iguais, todos são egoístas.
Porém o egoísmo não era o maior dos problemas do doce e sensível querubim lascivo. O maior dos seus problemas era o próprio coração.
Pressão alta não chega aos pés de um problema no coração. Ainda mais quando o problema está na aura desse puro e belo coração. Despedaçado, é verdade, porém muito mais belo do que a própria alma.
E com o coração dentro do peito forte, recoberto de músculos perfeitamente sadios, lá se vai o menino, com medo, colocar suas mãos a desenhar. Rabiscos funcionavam melhor do que palavras nesse momento na vida do ardiloso menino. Palavras o enfureciam, pois funcionavam como vozes além de sua própria mente, enquanto os rabiscos, aqueles esboços, relaxavam cada articulação de seu corpo.
E foi então, depois de assimilar os gritos que ecoavam de cada uma das faces que rabiscou, percebeu enfim que terá apenas que viver. Um passo de cada vez...
Passos pequenos, passos de bebê.
Pois esse querubim, pequeno querubim, terá que engatinhar antes de dar seus primeiros passinhos, para enfim chegar no seio de sua tão clamada liberdade.
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