Notas iniciais
Enjoy!

Arqueio o objeto metálico contra a luz solar que adentra pela janela do meu quarto, vendo o roxo florescente se destacar e refletir vários pontinhos coloridos sobre toda a estrutura circular do vira-tempo.

Parada em frente à janela, analiso, pelo 2 dia consecutivo, o objeto mágico em minhas mãos. Eu estou, completamente, cativada de curiosidade a respeito dele.

Intrigante!

Estruturalmente, tirando o tamanho avantajado e o pó arroxeado, aquele vira-tempo era igual aos demais. Mas essas pequenas diferenças distintas, faziam dele exótico no mundo bruxo. E, consequentemente, em minha opinião, mais perigoso e interessante.

— A quem quer que você pertença... Qual é sua finalidade? – Pergunto-me em voz alta, girando o objeto em minhas mãos, cuidadosamente.

Desde o momento em que ele veio parar em minhas mãos, esse é um dos mistérios mais frequentes que rodeiam minha mente, juntamente com o da mulher misteriosa do parque. Mesmo com todas as coisas que aconteceram comigo, nosso encontro vez ou outra retorna para minha mente, instigando-me a descobrir sua identidade.

Batidas na porta me tiram de meus devaneios.

Guardo rapidamente o vira-tempo em sua caixa e deposito ela na gaveta do criado mudo, vislumbrando a letra “M” uma última vez antes de fechá-la.

— Pode entrar!

O Sr. Granger adentra o quarto, sorrindo calorosamente para mim. Tento sorrir de volta, mas meu rosto se forma mais em uma careta do que propriamente em um sorriso.

— Você está bem, querida? – Pergunta, sentando-se em minha cama.

Seus olhos verdes refletiam cansaço e tristeza. Sinto meu coração de comprimir de culpa. Eu estava tão confusa e magoada sobre tudo, que não via o quão mal eles deveriam estar se sentindo pelo meu afastamento súbito. Sempre fomos muito unidos.

— Claro, estou bem! — Ofereço-lhe meu melhor sorriso – O senhor sabe... Início de um novo ano letivo... Estou extremamente ansiosa! – Reviro meus olhos, fingindo exasperação para tentar da mais verdade às minhas palavras.

Ele sorri, calidamente.

— Você se sairá bem, meu anjo – Afirma, amoroso.

Olhando para todos os lados do quarto, posso perceber que o mesmo está nervoso e inquieto.

— Sabe, Hermione... Eu não digo isso muito, mas... – Ele coça o queixo com a mão, em um claro sinal de nervosismo – Sua mãe e eu temos muito orgulho de você. E quem não teria? – Pergunta retoricamente, sorrindo feliz – Você é uma filha maravilhosa! E sempre poderá falar conosco... Sobre qualquer coisa!

Sinto meus olhos marejarem.

Ah, não! Por favor, não!

Tento engoli minha saliva, mas minha garganta estava seca demais para tal ato.

— O-obrigada, p-pai – Gaguejo, emocionada. A palavra pai sai deixando um gosto amargo em minha boca.

Ele sorri, amplamente.

O mesmo se levanta e vai em direção a porta, parando antes de sair e encarando-me intensamente.

— Você almoçará conosco hoje? – Sua pergunta era simples, mas extremamente significativa.

Confirmo com a cabeça, incapaz de falar.

— Eu gostaria de arrancar essa tristeza dos seus olhos, meu bem – Murmura, cabisbaixo.

Então, ele vai embora, me deixando destroçada para trás.

Cubro minha boca com a mão, tentando reprimir os soluços que querem escapar. Sinto o rastro quente e molhado das minhas lágrimas banhar meu rosto, enquanto minha visão fica desfocada e minhas pernas enfraquecem.

Caiu de joelhos no chão, dando vasão a todos os sentimentos conturbados que me atingem.

[...]

Olho-me no espelho, mal reconhecendo a garota que me encara de volta. Seus olhos opacos, inchados e seu semblante cansado me dizem muito sobre ela, sobre mim. Eu cheguei ao meu limite. Estou no fundo do poço, emocionante falando. Nas últimas duas horas eu chorei e refleti sobre todas as minhas ações.

Ouvi-lo dizer o quanto sentia orgulho de mim me fez desmoronar. Mas entre soluços e lágrimas, eu percebi o quão distante da Hermione que os deixava orgulhosos eu estava, e que essa garota covarde e afundada em alto piedade que me encarava de volta no espelho não era quem eu queria ser. Eu era mais que os erros que meus pais cometeram (biológicos e adotivos), e tinha mais a oferecer que um coração amargurado.

Harry, Rony, Dumbledore e toda a Ordem da Fênix precisavam de mim em meu melhor. A guerra que rastejava em nossa direção não esperaria eu me recompor e sair da minha bolha de tristeza.

Respiro fundo, decidida.

Chegou a hora...

[...]

Saio do quarto a passos lentos, praticamente, arrastando meus pés.

— Estávamos esperando por você, querida – Diz a Sra. Granger, colocando o que me parecia ser um ensopado de carne na mesa, quando chego na cozinha.

O Sr. Granger já estava sentando na mesa, servindo-se de salada.

Ele me olha e sorri.

Nos últimos dias eu tinha evitado chamá-los de meus pais, sentindo como se isso fosse errado. Mas vendo o modo como os dois estavam me olhando, como se eu fosse seu mundo, eu não podia negar... Mesmo que minha entrada para essa família tivesse sido envolta de tragédia e dor, eu fazia parte dela agora. E estava, enfim, disposta a lutar por ela.

Sento-me à mesa, sendo seguida por Jane, minha mãe.

Era estranho, mas eu precisava me reeducar para começar a chamá-los de pais de novo.

Começamos a comer, a tensão estalando a minha volta. O tilintar dos talheres raspando nos pratos é o único som presente no ambiente. Percebo que nunca comemos tão silenciosamente quanto agora. Antes eles ainda tentavam conversa comigo, mesmo eu dando resposta curtas e distantes, mas algo está os incomodando tanto a ponto deles não quererem puxar assunto.

— Algo de errado? – Pergunto.

Eles se entreolham, então fazem que não com a cabeça. Meu pai volta a atenção para o prato, claramente, evitando meu olhar.

— Claramente tem algo incomodando... O que é? – Insisto, curiosa.

Minha mãe suspira, então larga os talheres e me encara.

— Recebemos uma carta hoje, Hermione – Começa, encarando-me. Vejo meu pai se remexer na cadeira – E ela nos surpreendeu.

— Que carta?

Ela se levanta sem dizer nada e sai da cozinha. Ouço-a subir a escada que levava aos quartos.

— O que está acontecendo? – Pergunto, novamente, me voltando para um Arthur Granger quieto, encarando sua comida como se ela fosse seu bote salva-vidas.

— Não se preocupe! Apenas fomos pegos com a guarda baixa, querida – Diz, sem me encara.

— Como? Não entendo...

Jane volta a cozinha a passos rápidos. Ela não se senta, apenas coloca um envelope azul na mesa, ao meu alcance. Então, cruza os braços e encara meu pai, que encarava seu prato.

Assim que meu olhar recai sobre o envelope, reconheço de imediato o brasão presente no mesmo, eu havia estudado sobre o mesmo a pouco menos de uma semana. As estrelas inconfundíveis, assim como as cores – vermelho, azul e branco – saltavam a vista.

Mas, o que? Pego-o, apressadamente.

O papel era macio e possuía um forte cheiro de flores do campo. Tiro a carta lá de dentro e começo a ler.

Instituto das Bruxas de Salem

Diretora: Mabelle Annelise Salem

(Ordem de Salem, Primeira Classe, Grande Feiticeira, Bruxa Suprema, Confederação Internacional de Bruxos)

Prezados, Sr. e Sra. Granger

Temos o prazer de informar que vossa filha tem uma vaga de intercâmbio no exclusivo e renomado Instituto das Bruxas de Salem, vaga conquistada devido a seu excelente desempenho acadêmico e suas digníssimas recomendações.

O ano letivo começa em 2 de Setembro. Aguardamos sua coruja até 30 de julho, no mais tardar.

Atenciosamente,

Annette Salem, diretora substituta.

Termino minha leitura não sabendo o que falar ou pensar. Mas está bem claro em minha mente que aquilo é obra de Narcisa. E que aquela carta ter sido enviada para eles e não para mim, me diz que ela está disposta a jogar sujo para me mandar para longe.

— Pensamos que você estava feliz em Hogwarts, querida – Diz o Sr. Granger com cautela, enfim, encarando-me.

— E eu estou!

— Então porque você quer ir para esse... Esse Instituto sei lá do que? – Minha mãe estava nervosa, e ela nervosa era um péssimo sinal.

— Eu não quero...

— Oras, Hermione, se você não queria ir, então como ganhou a bolsa? – Interrompe Jane, irritada.

Empertigo-me na cadeira.

Por que toda essa irritação? É só uma droga de carta.

— Eu não entendo o porquê de toda essa irritação. Eu claramente não vou – Disparo, chateada.

Ela coloca as mãos na cintura, pronta para me dá um sermão.

— Hermione, há tempos que você mal fala conosco, nos evita e fica trancada em seu quarto. E então, de repente, descobrimos que você foi aceita em um Instinto, Deus sabe lá onde... Nós é que não entendemos o que está acontecendo – Diz tudo em um fôlego só, brava.

— Fica em Massachusetts! – Falo, à guia de explicação. Mas percebo que isso só enfurece ainda mais ela – Eu não vou...

— Você não vai estudar nos Estados Unidos, mocinha – Afirma, seu rosto ganhando uma coloração avermelhada nas bochechas. Ela estava possessa.

— Hermione – o Sr. Granger interrompe, calmo – Nos só não queremos que você nos esconda as coisas. E esse Instituto não...

Gargalho, sem humor.

— Vocês só podem estar brincando! – Minha voz sai mais alta e fria do que eu gostaria.

— Olhe o tom de voz, Hermione – Me adverte ela.

— Vamos todos nos acalmar – Aconselha ele, pacífico.

— Não, Arthur! Hermione precisa entender que seus atos tem consequências, e que mentir para nós é errado – Jane diz, em tom de bronca.

Consequências? Mentir? Isso só pode ser uma piada do universo.

— Se eu sou uma mentirosa, o que vocês são? – Pergunto, irada.

Vejo que minha raiva e pergunta ácida os pegou de surpresa. Minha mãe adotiva pisca algumas vezes, enquanto meu pai me encara pasmo.

— Do que você está falando, Hermione? – Ele me pergunta, cauteloso.

— Vocês querem saber porque estou tão afastada ultimamente? – Pergunto, tentando manter o meu tom o mais neutro possível, mas por dentro eu borbulho de raiva.

Eles estão me culpando por algo que eu não tenho culpa, e isso eu não iria aceitar. Não sou uma mentirosa!

Percebo que eles se entreolham, antes de afirmarem positivamente.

— Eu não aguento ficar perto de vocês enquanto vocês mentem pra mim como se eu fosse uma idiota – Falo, friamente – Eu sei que não sou filha biológica de vocês.

Vejo o assombro tomar posse de seus rostos, eles empalideceu simultaneamente. A mulher a minha frente leva a mão à boca, enquanto seu marido agarra as extremidades da mesa.

— O-o que... O-o que você disse? – Me pergunta ela, assombrada.

Dou de ombros, olhando para meu prato. Eu perdir a fome.

— Por que nunca me contaram? – Minha voz sai amargurada.

Tento manter a calma, entrar naquele assunto discutindo nunca fora o que eu queria, mas atravessar o mesmo em uma discussão não era o ideal. Eu odiava discussões.

— Quem te falou uma barbaridade dessas? Você é nossa filha! – A convicção presente na voz dela voz não me abala, só me contraria.

— Não importa como descobrir. O que importa é, porque vocês nunca me contaram?

Eles se olham e ali travam uma conversa não verbal que não entendo nada. No entanto, pelas expressões do meu pai, ele queria contar a verdade, mas ela não iria abrir a boca tão facilmente.

— Não sabemos como você chegou nessa conclusão estapafúrdia, mas está completamente errada – Diz a mesma, com o tom de voz neutro.

— Será que uma vez na vida vocês poderiam não mentir para mim? – Falo, em uma explosão de raiva – Vocês são dois mentirosos patológicos ou o quê?

— Hermione, acalme-se! – o Sr. Granger ordem, perdendo a paciência – Somos seus pais e não admitiremos que você fale assim conosco.

Olho para eles, irritada. Meu sangue pulsava nas veias, desenfreado. Sua recusa em admitir a verdade só me irritava ainda mais.

Abandono a cozinha sob protestos dos mesmos, levando comigo a carta do Instituto de Salem.

— Hermione, volte aqui agora mesmo! – Pede o Sr. Granger.

— Nos obedeça, mocinha – Ordena a Sra. Granger – Hermione, volte já aqui!

Subo a escada de dois em dois degraus, rapidamente.

Assim que passo pela porta do meu quarto, fecho a mesma com força.

Eu não estou mais aguentando ficar perto deles e de suas mentiras. E se eles querem me tratar como uma criança, eu irei agir como uma. O que é irracional, mas eu não me importo.

Me jogo na cama, deixando a carta sobre o criado mudo, e começo a chorar, compulsivamente. Tendo a raiva e mágoa como combustíveis para minhas lágrimas.

Como eles podem fazer isso comigo?

Espero eles virem até meu quarto, mas isso não acontece.

[...]

Acordo escutando batidas fracas na porta. Minha mente enevoada pelo sono não detecta no começo quem era, mas logo a voz feminina inconfundível da Sra. Granger é nítida para mim.

— Querida, é hora do jantar... Vamos conversar, por favor! – Implora ela.

Enterro meu rosto no travesseiro, ignorando a mesma.

— Por favor, Hermione! – Sua súplica não surte nenhum efeito em mim – Filha... Tudo bem, eu vou embora, mas... Amamos você muito, querida. Desculpe por mais cedo, eu... Não podemos te perder, querida! – Sua voz embargada denúncia que ela vai começar a chorar a qualquer momento.

Suspiro, escutando a mesma se afastar.

Logo cedo eu havia planejado conversa com eles e explicar que sabia e que não me importava de não ser filha biológica deles, contanto que me amassem. Mas aquela maldita carta tinha feito a conversa sair totalmente do controle. E suas recusas em admitir a verdade só me deixaram ainda mais insegura e irritada, não disposta a conversar. Internamente, culpo Narcisa por todo esse desastre.

Fecho meus olhos e me entrego ao mundo de Morfeu.

[...]

Acordo de madrugada sentindo sede, com meu humor sereno. Falar em voz alta para eles que eu sabia da verdade tirou um enorme peso de meu corpo.

Vou até a cozinha e volto sem ser notada, com a casa completamente tomada pela escuridão noturna.

Sento-me na cama, sabendo que não conseguiria voltar a dormir nem tão cedo. Olho a minha volta, ansiosa. Então decido, por fim, que eu precisava ocupar minha mente e corpo com algo para fazer, antes que meus pensamentos sombrios me levassem à lugares tristes.

Opto por terminar de arrumar meu malão.

Tirou-o de debaixo da cama e coloco o mesmo em cima dela, abro e verifico o que já se encontrava dentro e tomo nota, mentalmente, do que eu ainda precisava ser colocado ali.

Vou até meu guarda roupas, pego algumas calças, blusas e suéteres e começo a dobrar para guardar.

Meia hora depois tenho todas as minhas roupas, produtos de higiene, calçados, livros e materiais escolares, apropriadamente, guardados.

Olho para a carta no criado mudo, decidindo se eu devia queimar ou guarda. Opto pela última opção. Pego a mesma e guardo-a no malão, dentro de meu livro sobre as escolas de magia da América. Fecho o mesmo manualmente.

Abro a gaveta do criado mudo e retiro de lá a caixinha contendo o vira-tempo misterioso.

Em Hogwarts irei obter as informações que preciso sobre você, penso feliz, olhando sua ampulheta com atenção. Seu pozinho roxo me intrigava mais que tudo.

Do que você é feito?

Sento-me na cama, com o mesmo em minhas mãos. Fico alguns minutos contemplando sua estrutura, mas então lembro que dormi sem tomar banho.

Eca!

Coloco o pequeno objeto misterioso em cima do malão, cuidadosamente, e vou para o banheiro, levando comigo meu pijama preferido.

Tomo um longo e relaxante banho quente, a água juntamente com o vapor me revigoram. Visto o short e a blusa do pijama e volto para meu quarto.

Adentro o mesmo cantarolando uma musiquinha de ninar que a minha mãe trouxa costumava cantar para mim quando eu era criança e tinha medo de tempestades com trovões.

Assim que percebo a cena à minha frente, paraliso. O pequeno vira-tempo está brilhando, literalmente, brilhando!

Boquiaberta, vejo o pozinho dentro da ampulheta iluminar todo o cômodo, emitindo uma luz forte e violeta.

Oh, merda!

Corro até minha varinha, que está depositada no criado mudo. Pego-a e me aproximo, cautelosamente, do objeto brilhante. A luz violeta é quase hipnótica, mas também dolorosa a visão.

Aponto minha varinha para o vira-tempo, instintivamente, planejando destruí-lo.

— Não faça nada estúpido, minha jovem – Pede, uma voz feminina familiar.

Viro-me depressa, com o coração a galopes, procurando a dona da voz. Mas eu estou sozinha, não vendo ninguém no quarto comigo.

— Quem está aí? Revelisse! – Mando, nervosa.

Olho para os quatro cantos do quarto, segurando minha varinha com força. Sem emitir som algum, lanço o feitiço abaffiato, para que seja lá quem estivesse ali, não pudesse ser ouvida pelo Granger’s. E, consequentemente, não os fizesse mal.

Meu corpo se arrepia, subitamente.

A voz feminina volta a se fazer presente, entoando baixinho o que me parecia uma cantiga sombria, mas que eu não conseguia distinguir as palavras. Sua voz bela e suave dava um toque aterrorizante para a música.

O brilho violeta toma intensidade, me fazendo voltar minha atenção para o vira-tempo. O mesmo respondendo as notas musicais proferidas pela voz.

Ela está fazendo-o brilhar com mais intensidade só por cantar. O que está acontecendo aqui? Me pergunto, assustada.

A voz entoa a cantiga com mais força, arrancando mais luminosidade do objeto mágico.

Antes que eu possa fazer ou falar qualquer coisa, o quarto é tomado pelo violeta, não consigo ver nada a minha frente a não ser essa cor.

— O que está acontecendo? Pare com isso! – Desesperada tento me mover, mas meu corpo paralisa no lugar.

Sinto dedos hábeis jogando meu cabelo para o lado direito do meu pescoço, por trás.

Arfo em pânico.

— Não se preocupe, querida. Vai dá tudo certo! – Sussurra a mulher em meu ouvido. Algo metálico e frio é depositado em meu pescoço. Colar!

Mesmo não conseguindo mexer minha cabeça para olhar o quê é, percebo que o brilho violeta fica mais intenso ali, logo deduzo que o que está em meu pescoço nada mais é do que o vira-tempo.

— O-o que você...? – Tento formular minha pergunta, mas dois dedos são posto em minha boca, fazendo com que me cale.

— Silêncio!

Ouço passos atrás de mim, até que uma bela mulher aparece em meu campo de visão.

— Você!? – Exclamo, surpresa.

À minha frente se encontra a mulher misteriosa que eu encontrei há alguns dias atrás, no parque.

Ela sorri perante minha surpresa.

— Volare in altum cum nubibus caeli – Murmura para mim, então suas mãos vão até o vira-tempo em meu pescoço, ela mexe suas engrenagens.

— Por favor, não! – Imploro, mas ela me ignora, concentrada em suas ações – Por que você está fazendo isso? O que eu te fiz? – Lágrimas começam a cair sem que eu perceba — Quem é você?

Ela se afasta de mim, sorrindo.

De repente, tudo perde o foco ao meu redor. E então, sem nenhum aviso prévio, eu estou caindo em um abismo sem fim.

"O passado não reconhece o seu lugar: está sempre presente..."

— Mário Quintana

Notas finais
Gostaram? Mereço chuva de comentários? Aahhhh, espero que sim. Desculpem pela demora, escrever esse capítulo foi mais difícil do que eu pensei que seria kkkkkkkkk Obrigada por lerem. PS: "Volare in altum cum nubibus caeli" quer dizer: "Voe mais alto que as nuvens", em latim. Beijos sabor tempestade de alegria!!