Desire Obsolete
15 Vergonha
Notas iniciais
Me reviro na cama, sem conseguir voltar a dormir.
Minha cabeça doi pelos esforços e acontecimentos do dia anterior, minha primeira aula de oclumência tirou o resto de forças que me restava após meu encontro com Riddle. E mesmo que apenas tenha sido uma aula teórica, com Dumbledore citando os prós e contras de se usar esse feitiço, a gratificação de saber que o quê eu estou aprendendo me deixará ainda mais longe do alcance de Voldemort aplaca um pouco meu cansaço mental.
Os acontecimentos da noite anterior só me serviram de combustível para ter mais forças para lutar contra ele. E mesmo com a dor dilacerante em peito, devido a suas palavras cruéis, decididamente prometo a mim mesma não voltar a fraquejar perante ele. Nunca mais.
As horas de lágrimas que perdi chorando ontem, me trouxeram lucidez. Ou o que eu chamo de lucidez. Ter sido tão maleável me marcara e mostrara uma lição valiosa; eu não posso baixar a guarda perto dele nem por um segundo.
Mesmo com sua face deslumbrante, a podridão do seu caráter sempre prevaleceria. Afinal, Tom Riddle é apenas a versão mais jovem de Voldemort, mas com todos os seus ideais e maldades dentro de si.
Vergonha, raiva, arrependimento; tudo isso fervilha dentro de mim como um lembrete, difícil e amargo, do meu erro.
Como me deixei ser seduzida daquela forma leviana, nem eu sei explicar. Foi como se uma força invisível me empurrasse para ele, me entorpecendo e desarmando. Sensações que nunca experimentei com tanta intensidade se fizeram presentes naqueles breve instantes e me jogaram para um lugar carnal e desconhecido.
Nunca me comportei pecaminosamente ou sentido nada parecido, mas o desejo aflorado naquele momento me deu uma vaga noção do que se esconde dentro de mim. De certa forma, Riddle me mostrou um lado meu que eu não conhecia, e decididamente não gosto.
Suspiro e me levanto da cama, consciente de que não vou conseguir mais dormi.
Saio do quarto rumo ao salão comunal, rezando para não encontrar ninguém ali. O frio cortante do corredor é dissipado quando entro na grandiosa sala vazia cheia de poltronas e com uma lareira acessa. Pelas janelas do cômodo, percebo que ainda era de madrugada e a escuridão reina lá fora, nas águas do Lago Negro.
Sento-me em uma poltrona perto do fogo para me aquecer. No entanto, o calor bem-vindo que aquece minha pele não é forte o suficiente para tirar o constante frio que assola minha alma.
Olhando para as brasas crepitantes lembro-me de Bellatrix e Narcisa: uma me rejeito antes de nascer, a outra esperou dezesseis anos para descobrir que ter prezado pelo meu nascimento foi uma má ideia.
Um sorriso triste brota em meus lábios.
As pessoas me rejeitarem está virando rotina, penso, sentindo as primeiras lágrimas caírem tímidas, enquanto as demais descem aceleradas.
A crueldade das palavras dele abriram feridas em mim que eu precisarei de tempo para fechar. E mesmo guardando-as no lugar mais distante de minha mente, ainda estarão ali para me assombrar.
Constatar seu desejo por mim fora de longe menos estupefaciente do que ser rejeitada por ele, e o nó amargo e difícil de engolir que ficara em mim por isso não desapareceria facilmente, eu tenho plena convicção disso.
Nada na minha vida se resolve fácil.
[...]
Após um longo e relaxante banho procuro algo para vestir em meu malão do futuro, já que no disponibilizado por Dumbledore só tenho os uniformes da Sonserina e aquele com o símbolo das quatro casas.
Chafurdando entre minhas roupas, percebo três coisas aterrorizantes; primeiro, eu tenho uma noção bem básica de como é o padrão de vestimentas dessa época – Gina que é a especialista em moda, não importando a época. Segundo, minhas várias calças não se enquadram em qualquer que seja esse padrão – e se fosse para usá-las, eu acabaria chamando muita atenção. E terceiro, tirando minhas calças, roupas intimas e meus cardigãs, todas as minhas outras roupas haviam sido escolhidas pela minha mãe, que nutre um fascínio descontrolado por moda e tentar me embonecar.
Solto um suspiro sôfrego.
Sem paciência para fazer uma análise criteriosa sobre o que usar, pego um vestido simples vermelho, uma meia calça e um sobretudo preto e visto, me esforçando para não pensar em como aquilo irá me diferenciar ainda mais das demais garotas.
Faço uma nota mental para conseguir revistas de moda da época, para que eu possa me basear e transformar minhas roupas no que é usado nesse ano (com o auxílio dos feitiços que Gina me fez aprender a força, é claro). Eu não tenho dinheiro ou paciência para gastar comprando coisas tão sem graça. E se for para mim fazer isso, eu gostaria de pelo menos ter o livre arbítrio de criar o que eu irei usar.
Meninas,
Ficarei fora o dia inteiro, mas deixo abaixo minha rota completa de fuga – caso queiram me encontrar. Pretendo estudar alguns feitiços para o famigerado duelo de segunda. Não se preocupem comigo e aproveitem o dia (Você precisa diverte-se, Dorea, e isso é uma ordem).
Lugares onde posso estar: Torre de Astronomia, Sala Precisa, Cozinha ou próxima ao Lago Negro.
Com amor,
Hermione Granger.
Deposito o bilhete em cima de meu travesseiro, para que elas não se preocupem comigo.
Espero não chamar muita atenção, penso, saindo do quarto sem fazer barulho, para que Dorea e Lena não acordem. Preciso de tranquilidade e silêncio, indago mentalmente.
Atravesso o salão comunal da Sonserina com a máxima agilidade que consigo, carregando comigo o livro grosso de “Arte Oculta das Maldições” e mais três outros sobre feitiços de duelo que vieram em meu malão do futuro. Não faço contato visual com ninguém ali, e também não sou parada.
Me esgueiro por entre os corredores das masmorras tentando não chamar a atenção, esperando ter pelo menos esse final de semana sem vê a cara dos comensais malditos ou do próprio Satã, vulgo, Riddle. Eu estou disposto até a declinar das refeições no salão principal para ter mais êxito nessa tarefa.
[...]
Subo o lance de escadas de dois em dois degraus, ansiosa para chegar ao meu destino. Ali é um dos poucos lugares no castelo que se obtém o mais pleno silêncio, justamente, por está fora dos limites dos alunos, exceto para cumprir as aulas. Eu estou transgredindo uma regra ao está ali, mas isso não pesará na minha consciência.
O peso extra dos livros grossos que carrego não são um empecilho para minha agilidade, por isso, apresso o passo. E mesmo estando em cima de um scarpin preto lustroso, me sinto confortável o suficiente para tal. Tendo em mente que eu não sairei do castelo e ficarei fora do radar o dia todo, posso me dá ao luxo de usar algo menos informal como um salto 10. E mesmo que fosse desnecessário e nada habitual, uma breve vontade de usar tal tortura me atingiu, consequentemente, dei vasão a essa vontade, mas antes enfeiticei o calçado para se tornar mais confortável.
Coisa que não fiz no que usei no dia do aniversário da minha tia-avó Agatha porque estava fora do castelo, e também porque só usaria por algumas horas.
Ao alcançar o topo da Torre de Astronomia paraliso, boquiaberta.
Com uma mão no seio da garota seminua em seus braços, sua boca grudada na dela e sem camisa, constato de imediato que Abraxas não está ali para obter paz e silêncio como eu. Não, ele não está mesmo.
Ao tentar recuar sem ser vista, tropeço para trás, derrubando todos os meus livros no chão e me agarrando ao corrimão da escada, desesperada para não cair.
Os dois se desgrudam de imediato, chocados por terem sido pegos no flagra.
Por favor, Merlin, apenas me leva dessa vida. Eu te imploro!
O desenrolar seguinte é constrangedor, com a garota que reconheço como sendo Anelise Wright, monitora chefe da Corvinal, tentando esconder sua quase nudez com as mãos e Abraxas balbuciando coisas incoerentes enquanto passa as mãos por seus cabelos.
— Me desculpem, eu não sabia que tinha alguém aqui – Falo, depressa, sentindo meu rosto cora de vergonha.
— Eu... Nós... Não é nada disso que você está pensando – Consegue dizer, vestindo rapidamente a camisa social branca que pega do chão – Droga, Granger! Porque apareceu logo agora?
A garota se enfia atrás dele, tentando se esconder, e se eu não estivesse mortificada demais, teria achado graça em seu comportamento agora cheio de pudores.
— Eu não sabia que tinha alguém aqui — Confesso, ainda mortificada.
Sinto minhas bochechas queimarem de vergonha. Se existisse alguma forma de cavar um buraco e me enterrar dentro eu faria isso agora.
— Eu não vi nada – Afirmo, constrangida.
Recolho meus livros às pressas, escutando Abraxas sussurra palavras tranquilizadoras para a garota atrás de si.
Eu que preciso ser tranquilizada depois dessa cena traumatizante.
— Eu preciso ir... Fiquem a vontade... Que dizer, não tão a vontade... Porque é melhor não... Tudo bem, deixa pra lá! – Minha palavras saem incoerentes e entrecortadas.
Dou as costas para o casal e desço os degraus como um tornado, sou chamada por Malfoy, mas ignoro o mesmo. Desço o mais rápido que meus pés me permitem, tentando equilibrar-me em um par de saltos e segurando quatro livros pesados.
Isso é o que acontece quando você usa salto, Hermione. Tem sempre que acontecer algo ruim, está vendo? Se você cair vai quebrar o pescoço... Eu me alto recrimino na terceira pessoa enquanto desço a escada.
No antepenúltimo degrau minha sorte se esvai, acabo usando muita força e rapidez para apoiar o pé ali, nisso me desequilibro e torço o tornozelo para a esquerda, caindo com tudo para frente, sem conseguir me apoiar.
Não tenho tempo de pensar ou reagir, minha queda livre demora menos que meia dúzia de segundos, logo estou me chocando contra o chão frio e duro, recebendo um golpe forte na parte frontal de meu corpo, reverberando rajadas de dor por meus músculos. Na surpresa da queda largo meus livros, que caem e deslizam para longe de mim pelo chão.
Será que pode piorar? Pergunto-me, gemendo de dor enquanto me ponho de quatro, sentindo as fisgadas dilacerantes de dor em meu pé esquerdo atingir-me. Meu ombro também dá sinais latentes de que foi machucado no processo da queda.
Começo a engatinhar até a parede mais próxima, em busca de apoio para me levantar sem precisar força meu pé machucado.
— O que faz ai no chão, Granger? – Questiona uma voz que eu prefiriria enfrentar outro tombo à escutá-la.
Ah, não! Por Merlin, não!
A poucos metros de mim encontra-se Riddle, me encarando com as sobrancelhas arqueadas e os braços cruzados.
Eu preciso parar de me fazer essa pergunta em momentos que sim, as coisas podem piorar.
Flashes do que aconteceu ontem me vem a mente, despertando-me uma mistura de raiva e vergonha. Minhas bochechas já quentes de vergonha agora pegam fogo.
— Nada que seja da sua conta. Me deixe em paz! – Uso meu tom mais imperativo para falar, o que visivelmente não surte efeito algum nele, que sorri debochado.
Reviro os olhos e volto para minha tarefa, constrangida, conseguindo chegar até a parede e usá-la como apoio. Espalmando-a consigo me por de pé, concentrando os meus maiores esforços em minhas mãos e no meu pé direito.
Tudo isso é culpa daqueles dois libertinos lá em cima... Que engraçado, agora estou falando como uma velha, penso amargurada.
Cautelosamente, tento me apoiar com o pé lesionado, mas uma dor alucinante me atinge assim que faço força nele.
Mordo meu lábio inferior para não dar-lhe a satisfação de me vê gemer de dor, mas a careta que se forma em meu rosto é inevitável.
Com cuidado e me escorando na parede analiso minha lesão, sentindo cada movimento meu ser estudado pelo sonserino.
Tiro meu salto do pé machucado e deixo cair no chão ao meu lado, começo a tocar nele, para saber a origem da dor. Como previsto, meu tornozelo é a fonte de minha aflição e já começa a inchar.
Fecho os olhos e deito a cabeça para trás, então, solto um suspiro sôfrego.
Se eu ficar bem quietinha ele vai cansar e vai embora, penso, tentando me iludir mentalmente. E então vou mancando até a Ala Hospitalar e finjo que tudo isso foi um maldita pesadelo.
Escuto passos se aproximando, mas não preciso abrir os olhos para saber quem é. Se eu não o tivesse visto, seu cheiro característico e sua colônia masculina o teriam denunciado.
— Deixe-me vê isso – Ordena, autoritária.
Abro meus olhos surpresa com o quão perto ele soou. O mesmo está parado bem à minha frente, com a varinha em punho apontada para mim.
Prendo a respiração, temerosa.
Em um ato instintivo levo minha mão até minha coxa. Por cima do tecido leve do vestido consigo sentir minha varinha presa ali por uma fita que eu havia colocado antes de sair do quarto.
— O que...? O que você...?
— Não seja tola – Dispara, irritado – Se eu quisesse te machucar não precisaria me aproximar de você – Ele troca o peso dos pés e sorri irônico – Só em se manter quieta, de olhos fechados e ter um pé machucado te classifica como a presa perfeita... fácil demais para mim.
Pisco um pouco, para em seguida cruzar meus braços a frente do corpo.
— É bom saber que você tem honra em relação aos indefesos – Digo, sarcástica.
Ele abre um sorriso desdenhoso a e balança a cabeça negativamente, mas não diz nada.
Me pegando de surpresa mais uma vez, vejo o mesmo se abaixar até ficar quase de joelhos e tocar em meu tornozelo com a mão livre.
— O que você está fazendo?
— Deixe-me vê seu machucado – Pede, calmo – Você caiu da escada?
— Si-sim.
Estremeço quando a ponta dos seus dedos traça um caminho lento dá minha panturrilha até o tornozelo. Ele percebe meu desconforto e me lança um olhar estranho.
Seu toque é leve, quase íntimo. E mesmo usando meia calça é como se ele estivesse tocando diretamente minha pele. Me empurro ainda mais contra a parede, tentando fugir de seu toque.
Tão rápido quanto se abaixou, ele levanta-se. Com um breve aceno de varinha, uma cadeira que até então não tinha visto vem até nós, Riddle a pega e aponta para que eu sente nela.
Permaneço como estou, desconfiada.
— Por que você está agindo assim comigo?
— Assim como? – Pergunta, girando a varinha nos dedos, impaciente.
Ele encara a pequena estrutura de madeira e tenciona os músculos.
— Prestativo... Peso na consciência pelo que ouve ontem? – Deixo transparecer mais mágoa do que raiva em minha voz, me recrimino por isso.
O mesmo solta uma breve risada e volta sua atenção para mim.
— Você é idiota se pensa que me arrependo por qualquer coisa que já fiz – Diz, com seus olhos brilhando sombriamente – Ainda mais se fiz isso para me divertir as custas dos sangue-ruins – Completou, despreocupado.
— Para alguém se arrepender de algo é precisa ter consciência do que é certo e errado, só que dúvida que você saiba a diferença disso – Falo, sem me conter.
— E você fala isso com base em uma semana de convivência? O que você sabe sobre mim, sangue-ruim? – Ele aproxima seu rosto do meu, sua respiração acelerada por conta da raiva mau contida.
— Mais do que eu gostaria – Confesso, baixinho.
Ele estreita os olhos para mim.
— Sente-se na maldita cadeira e cale a boca – Manda, afastando-se e passando as mãos no cabelo, despenteado seus fios perfeitamente arrumados.
Obedeço-o com relutância e dificuldade.
Sento-me na cadeira e cruzo as pernas, colocando a com o tornozelo machucado por cima.
A situação em si é confusa demais para parar e pensar. Uma hora ele é grosso e na outra tenta me ajudar, e nesse meio tempo me ofende.
Ele se põe aos meus pés e volta a tocar em meu tornozelo, e uma vez mais, estremeço por seu toque.
Riddle começa a recitar alguns feitiços curativos baixinho, enquanto passa a varinha de cima a baixo pela minha perna. Ele não me olha ou fala comigo, permanece imóvel como uma estátua, apenas movendo seu braço com a varinha.
A cena é inacreditável demais até para mim.
Lord Voldemort me ajudando? Ninguém nunca acreditaria nisso se eu contasse.
Quando termina ele se levanta e faz sinal para que eu também o faça. Antes de me por em pé, tiro o outro salto e fico descalça, então levanto-me com cuidado e testo meu pé, não sentindo dor alguma ao me apoiar nele.
— Obrigada – Sussurro, agradecida.
Ele dá de ombros.
— Seja mais cuidadosa, e evite quebrar o pescoço até segunda – Diz, movendo-se pela sala com elegância – Estou ansioso para testar suas habilidades em um duelo.
Ele abaixa e apanha do chão o livro da Seção Restrita que eu estou lendo.
— O feitiço que você usa é quase imperceptível, mas não indetectável, ainda mais para alguém como eu – Fala, aproximando sua varinha da capa. Meu coração dá uma guinada feroz.
Corro em sua direção, querendo tirar o livro de suas mãos. Ele move-se mais rápido e se afasta de mim, ágil.
— Não faça isso!
Em um simples aceno a capa verdadeira se revela, mostrando o título original do livro.
— Arte Oculta das Maldições – Lê em voz alta – Esse livro é da Seção Restrita, o que você faz com ele, Granger? – Me pergunta, visivelmente intrigado – Você o roubou ou recebeu permissão?
— Me devolva – Peço, tentando alcançar suas mãos e pegar o livro, ele desvia-se de mim com facilidade.
— Responda minha pergunta, Granger.
— Por favor, apenas me deixe em paz e me devolva-o – Imploro, nervosa.
Ele folhei-a o livro despreocupado, varrendo as páginas rapidamente com os olhos, ignorando-me.
Vasculho minha mente atrás de uma resposta plausível.
— Eu obtive a permissão de Dumbledore para entrar na Seção Restrita, porque preciso...
— Dumbledore? — Interrompe-me, surpreso.
Gesticulo que sim.
Ele tomba a cabeça para o lado e encara-me com seriedade.
— Intrigante – Diz, aproximando-se de mim – Dumbledore é o último professor que eu esperava saber que dá permissão para entrar na Seção Restrita, ainda mais para uma novata – Ele para a minha frente, fitando-me diretamente nos olhos – Porque precisa desse tipo de livro?
— Eu estou fazendo um trabalho pessoal sobre maldições – Consigo dizer, com um embrulho se formando em meu estômago – É para.... Um projeto que quero desenvolver.
— É mesmo? – Sua voz sai repleta de desconfiança.
Balanço a cabeça, incapaz de falar.
Ele para a poucos centímetros de mim.
Permito-me mergulhar em seus olhos por alguns instantes, vendo desconfiança e curiosidade alojadas ali. Ele aproxima seu rosto ainda mais do meu, olhando-me atentamente nos olhos, parecendo querer despir minha alma.
— Sua alma não é a única coisa que quero despir – Sussurra, com seu hálito de menta batendo contra meu rosto.
Empertigo-me, chocada por ele ter lido meus pensamentos momentâneos, mas tranquila por não está pensando em nada comprometedor.
Não acredito que ele invadiu minha mente, penso, chateada.
— Vocês estão aqui! – Diz uma voz entusiasmada, nos tirando de nossa bolha.
Entrando em nosso campo de visão e nos pegando de surpresa aparece Slughorn, com suas costumeiras vestes pretas e um chapéu pontudo na cabeça.
— Professor? – Dizemos em uníssono.
Aproveito a breve distração de Riddle e pego o livro de suas mãos, me afastando dele rapidamente. O mesmo não diz nada, mas seus olhos refletem sua irritação.
Abraço o livro como se minha vida depende-se disso.
— Que bom encontrar os dois juntos, mas essa torre é proibida sem está em funcionamento didático – Fala ele, brandamente.
— Desculpe-me, professor, é minha culpa estarmos aqui – Falo, pegando os dois de surpresa – Riddle me viu entrando e veio apenas me explicar que essa área é proibida para os alunos que não estejam prestes a ter aula aqui.
O bruxo sorri para nós em compreensão.
— Ah, entendo perfeitamente – Diz com suavidade – Eu não imaginava que estariam aqui – Confessa, olhando para nós sugestivamente – Vim para ajustar alguns telescópios para usar amanhã, soube que uma estrela cadente passará por nossa atmosfera, então... Bom, estava a procura de vocês por dois motivos; primeiro, Tom você lembra-se de nossa reunião amanhã não é? Sua presença é indispensável.
Riddle sorri com falsa animação e acena com a cabeça.
— Eu não perderia nossa reunião mensal por nada, professor.
— Muito bem! – Seu sorriso amplo chega aos seus olhos. Ele realmente gosta do Tom, percebo – E segundo, senhorita Granger, gostaria de convidá-la para juntar-se a mim e à alguns alunos meus muito estimados em meu exclusivo Clube do Slughorn, que é uma pequena reunião que dou todo mês, aonde só os mais capacitados frequentam – Diz, todo orgulhoso – E eu não aceito um não como resposta, mocinha.
— Professor, eu realmente agradeço, mas...
— Sem mas, senhorita. Estou lhe intimando a comparecer em nome do seu apreço por minhas aulas, e também porque a senhorita tem uma das mentes mais brilhantes que já tive o prazer de ensinar – Diz, em tom bajulador.
Sorrio completamente sem graça.
Riddle cruza os braços e me lança um olhar provocador.
— Tudo bem – Digo, vencida – Onde será?
— Isso deixarei para o jovem Tom lhe dizer – Fala, colocando a mão no queixo, pensativo – Na verdade, por que vocês não vão juntos? Seria algo fantástico, não acham? – Pergunta, com seus olhos refletindo seu total apreço pela ideia.
Franzo a cenha, curiosa do porque dele está tão animado para irmos juntos.
— Não é preciso, professor. Eu tenho certeza que Tom já tem com quem ir – Falo, tentando me livrar da sugestão descabida – Posso muito bem...
— Seria um grandioso prazer para mim acompanhar a senhorita Granger, senhor – Me interrompe o sonserino – Se ela me permitir isso, é claro. Sua presença é muito estimada por mim.
O quê?
Tom me lança um sorriso largo, transmitindo-me uma sensação de que ele trama algo.
— Vamos, senhorita, imagino que vocês tem muitas coisas em comum... E são solteiros, não é?– Pergunta, levantando uma sobrancelha.
Pela segunda vez naquela manhã desejo que Merlin me leve dessa vida.
Ele toma meu silêncio como uma afirmativa para sua pergunta, pois logo começa a tagarelar sobre como nosso encontro amanhã séria divertido.
— A propósito, a senhorita Granger está deslumbrante essa manhã, não acha Tom? – Comenta Horácio, de repente, me pegando desprevenida.
Tom se volta para mim, com um olhar travesso.
— Certamente de tirar o fôlego – Afirma, arrepiando-me pela intensidade de seu olhar – Vermelho é a sua cor, Hermione.
Ouvi-lo dizer meu nome pela primeira vez me desarma. Pisco freneticamente, atordoada demais para conseguir falar.
Quando encontro minha voz murmuro um obrigada, recolho meus outros livros do chão, me despeço formalmente deles e rumo para longe, desejando sair o mais rápido possível dali, mas paro assim que escuto Riddle me chamar.
Me viro com certa relutância, e então mortifico-me de vergonha ao perceber que o mesmo segura meu par de scarpin, claramente, divertindo-se com a situação.
Sorrindo completamente sem graça pego-os, de suas mãos, agradeço e saio quase correndo da sala sem espera uma resposta.
Eu odeio minha vida.
"Os maiores enigmas do universo se escondem dentro de cada ser humano."
— Augusto Cury
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