Desire Obsolete
16 Reunião
Notas iniciais
— Então, que tipo de roupas eles usam nessas reuniões? – Pergunto, após contar as meninas o convite que Slughorn me fez – Casual ou formal?
Eu mexo minhas mãos inquietamente, decidindo como irei falar para elas que vou com Riddle para a reunião. Já deve passar das nove da noite, estamos sentadas em minha cama no dormitório, preparando-nos para dormi.
— É algo mais formal, sabe... Com toda a pompa e circunstância que Slughorn gosta – Lena me responde, enquanto amarra seu roupão felpudo no corpo – Ele é como um pavão, ama se exibir.
Dorea apenas assente e continua a afofar meu travesseiro, distraída. Ela levanta a cabeça de súbito e me encara, lembrando-se de algo, pelo que percebo.
— Você provavelmente vai se sentir um pouco deslocada lá – Fala ela, baixinho – A turminha do Riddle vai está em peso... Mas, Pollux não irá esse ano, ouvi ele comentando que não quer encontrar o Charlus, que se for poderá fazer alguma besteira – Sua voz falha no final, demonstrando sua preocupação e tristeza.
Ela larga meu travesseiro de lado e tenta sorri fracamente. Seguro sua mão, lhe oferecendo conforto.
Lena abraça Dorea por trás, beijando o topo de sua cabeça com carinho.
— Hermione é uma mulher forte, e tenho certeza que o Riddle não deixará seus amiguinhos o envergonharem na frente do Slughorn. Não farão nada contra ela – Fala a loira, sorrindo cálida para mim – Mas é bom seu irmão não ir... Desculpa, Dorea, mas ele é um monstro.
Ela sorri sem graça.
— Bom, sobre isso... – Mordo meu lábio inferior, envergonhada – Slughorn fez Riddle me convidar a ir com ele, e eu... Aceitei!? – A incerteza da minha voz sai fluida, lembrando-me como isso poderá ser desastroso.
As duas arregalam os olhos e escancaram as bocas, completamente embasbacadas, mas logo a surpresa da lugar ao horror, e então vem a preocupação.
— Você tem certeza, Hermione? – Me pergunta Lena de mansinho.
— Ele é perigoso – Sussurra Dorea, preocupada – Você não deveria ir com ele.
Ofereço meu sorriso mais tranquilizador para elas, mesmo que por dentro eu esteja com os nervos a flor da pele.
— Não se preocupem comigo, eu ficarei bem! O que de ruim pode acontecer em uma reunião como essa? – Pergunto, não esperando uma resposta.
— Muita coisa! – Respondem em coral.
Realmente animador.
[...]
A garota que me encara de volta no espelho é uma estranha para mim. Seu cabelo preso em um coque desalinhado deixa em evidência seu rosto adornado com uma maquiagem simples, aonde os únicos pontos chamativos são o delineado de seus olhos e sua boca rosada. Em contraste a essa delicadeza, ela usa um longo e justo vestido preto de alcinhas finas. Não me reconheço em nenhum desses aspectos, mas é a mim que o espelho reflete.
Acaricio o tecido do vestido, lembrando-me do dia em que o ganhei.
“- Tenho uma surpresa para você, querida – Me tira de minha leitura minha mãe, entrado em meu quarto com uma caixa grande nas mãos.
— O que é?
Abandono meu livro no criado mudo e me levanto da cama, curiosa.
Ela deposita a caixa na cama e se afasta, indicando com as mãos para que eu abra. Seu sorriso brilhante me faz sorri também. E mesmo com a possibilidade de não gostar do que está ali dentro, eu fingiria amar apenas para vê-la sorri daquela forma.
Abro a caixa com pressa, me deparando com um vestido longo preto de alcinhas finas. Ele é simples em comparação aos extravagantes que ela já me dera, mas mesmo assim ainda não fazia o meu estilo. Chique demais.
— É lindo, mãe.
— Você gostou realmente? – Pergunta, receosa.
Sorrio, querendo tranquiliza-la.
— Eu adorei.
E sim, eu verdadeiramente havia o adorado, mas só pelo simples fato dela ter me dado.”
Limpo com as costas da minha mão uma lágrima solitária que desliza pela minha bochecha.
Quem iria imaginar que uma semana depois eu descobriria que Jane não é minha mãe biológica e sim Bellatrix.
Respiro fundo, olhando meu reflexo. Me sinto de certa forma feliz por ter conseguido aplicar os conhecimentos de maquiagem que Gina me passara. Não é um trabalho invejável, mas ainda assim é razoável.
Eu não consegui nenhuma revista de moda dessa época, então, mais uma vez estou usando um modelo meu do futuro. E uma vez mais eu sinto-me como um peixe fora d’água. Lena e Dorea não puderam me auxiliar com as roupas e maquiagem porque tiveram que passar o dia todo organizando a festa de aniversário surpresa de Cassiopeia, que ocorrerá na segunda de noite no salão comunal da Sonserina.
Quando Pollux arrastou Dorea para longe de nós nessa manhã, eu realmente havia cogitado que outra briga se seguiria, mas ela voltara tranquila, dizendo que era apenas para propor uma festa surpresa para a irmãzinha deles, e que mesmo os dois não estando se falando, Cassiopeia merecia esse esforço de ambos. Havíamos ficado felizes, mas rapidamente as duas precisaram me deixar para iniciar os preparativos de última hora.
Suspiro.
Dando uma última olhada em meu reflexo no espelho abandono o banheiro, desejando não ter que ir para essa reunião. Pego minha carteira de mão que havia separado para usar, verifico se coloquei minha varinha ali dentro e saio do dormitório a passos lentos, desejando prolongar meu encontro com Tom o máximo possível.
Nós combinamos de nos encontrarmos fora das masmorras e irmos juntos até o local da reunião.
Ao cruzar o salão comunal da Sonserina percebo que poucos alunos estão ali, sendo os mais notáveis Evan Rosier, Nathaniel Avery e Nebolus Lestrange. Passo por eles sem fazer contato visual, me sentindo estranhamente tímida.
— Aquela era a Granger? – Ouço Evan perguntar antes de sair completamente do salão comunal.
Sigo pelos corredores frios em direção aonde Riddle me esperava.
O quão absurdo é saber que estou indo para algum lugar, voluntariamente, com o Lord das Trevas?
Ao me aproximar do meu local de destino, vejo o mesmo conversando com Abraxas, que está acompanhando da garota que eu o peguei agarrando na Torre de Astronomia, Anelise Wright. Eles dois estão de costas para mim e ela está de frente.
Wright é a primeira a me vê, sua expressão de choque é quase cômica. Ela me avalia de cima a baixo, boquiaberta. Sua cabeça tomba para o lado e ela percorre meu corpo com os olhos, piscando freneticamente.
Ruborizo, envergonhada.
Esse foi um ótimo começo de noite.
— Ela está tão... – A mesma não termina a frase, deixa sua voz morrer e se limita a me encarar embasbacada.
Malfoy volta-se para mim, procurando o motivo do assombro dela. Ele sorri ao meu ver e diz algo baixinho para Riddle.
Ele se vira e nossos olhares se cruzam. E, naquele breve instante, fico paralisada, encarando o garoto absurdamente lindo que me olha de volta com alguma emoção insondável. Seu olhar é quente e me queima por dentro. E ficamos ali, perdidos por um momento, olhando um para o outro.
Engulo em seco, afetada não só por seu olhar, mas também por sua beleza estonteante. Ele veste um smoking elegante preto com alguns detalhes em verde musgo. Seu cabelo está impecavelmente penteado e alinhado, seu sapato lustroso. Ele exala imponência e elegância.
Não seja boba, mexa-se!
Me aproximo desajeitada e me ponho ao seu lado. Eles continuam a me encarar sem falar nada, deixando meus nervos ainda mais agitados.
Troco o peso dos pés, nervosa.
— Estou atrasada ou algo assim? – Pergunto, quando ninguém fala nada.
— Não, você chegou na hora certa – Responde a corviniana, para em seguida sorrir com simpatia.
Ela traja um lindo vestido na altura dos joelhos rosa clarinho com um decote discreto em U, é também marcado na cintura e levemente rodado. Em seus pés, ela calça um par de sandálias da mesma cor que o vestido. Seu cabelo está soltou, sua boca pintada de um vermelho carmesim. Absolutamente linda e em harmonia com o ano em que vive.
Essa noite vai ser longa...
Tom me oferece seu braço, ainda sem dizer nada. Aceito seu gesto cavalheiresco. Quando nossos braços entram em contato sinto o local esquentar com rapidez.
Mordo meu lábio inferior.
— Vamos embora – Grunhe, olhando para minha boca com atenção.
Ele não espera ninguém responder, apenas começa a andar, me levando junto.
O silêncio absoluto é quebrado quando Anelise começa a tagarelar sem parar com Abraxas. Ele não incentiva seus avanços de diálogo, mas também não repele, apenas fica em silêncio concordando com tudo o que ela diz.
Pela minha visão periférica, percebo que Tom odiou que o silêncio fora quebrado. Particularmente, hoje ele me parece ainda mais taciturno.
Abraxas começa a andar mais lentamente, ficando mais para trás com sua acompanhante. Imagino que essa distância fora imposta por saber que Tom odiava esse tipo de tagarelice.
Os corredores não estão tão movimentados por já ser quase oito da noite, mas as pessoas ali presentes param para nós encarar e especificamente me olhar de cima a baixo.
— Odeio isso – Comento sem querer em voz alta.
— É o preço a se pagar por está deslumbrante, Granger – Sussurra ele para mim, sem sequer me olhar.
Meu coração da uma guinada por seu comentário despretensioso.
— Isso foi um elogio? Estou quase desfalecendo, Riddle – Provoco, tentando esconder meu embaraço.
Ele me lança um meio sorriso, sinto minhas bochechas esquentarem. Olho para o chão, atordoada com o quanto ele está me afetando.
O que está acontecendo comigo hoje?
O resto do percurso foi em silêncio para nós. Quando chegamos ao escritório de Slughorn, aonde seria a reunião, Tom bate na porta, que é aberta de imediato.
— Oh, meus queridos, entrem, entrem – Pede Horácio, radiante – Estávamos agora a pouco falando sobre vocês.
Como?
Adentramos a sala, nos deparando com Dumbledore sentado em uma das pontas da imensa mesa cheia de comida, ele bebericando despreocupado uma xícara de chá fumegante.
Ao meu lado, Riddle se empertiga, tenso.
Sorrio alegremente ao vê-lo ali.
— Uma bela noite para um chá, não acham? – Pergunta, nos encarando por cima de seus óculos meia lua.
— Com certeza, professor – Respondo.
— Vamos, sentem-se – Pede, Horácio – Vocês foram os primeiros a chegar, então, podem escolher o lugar que quiserem na mesa.
Riddle me puxa de leve para a direção oposta a que Dumbledore está, mas não o sigo. Ele me encara com as sobrancelhas arqueadas. Sorrio, docemente e o guio para onde Alvo está. Ele vai a contragosto, mas esconde bem isso sob um sorriso simpático.
— É uma surpresa mais que agradável encontrar o senhor aqui, professor – Fala, cordial.
— Não ficarei por muito tempo, mas obrigada, meu jovem – Agradece, bondoso.
Sento-me ao seu lado direito e Riddle assume o lugar ao meu lado. Seu olhar assassino demonstra toda a sua raiva com minha afronta. Abraxas senta-se com Anelise à nossa frente.
— Estávamos conversando sobre os jovens promissores do castelo antes de vocês chegarem – Começa, Slughorn – E como nossas pequenas reuniões são um aprimoramento para seus futuros brilhantes...
— Estávamos era? – Interrompe Dumbledore, brincalhão, antes de beberica seu chá.
Tentando não ri da cara que Slughorn faz, pego um pequeno bolinho da bandeja a minha frente e começo a mastigar. Wright faz um barulho de tosse para esconder seu divertimento, enquanto Abraxas encara fixamente o bolo de nozes silvestres à nossa frente. Tom é o único que se mantém neutro.
— Claro que estávamos – Volta a confirmar, com suas bochechas ficando vermelhas pela vergonha – Eu até disse que você poderia...
— Ah, é claro! – Concorda ele, não querendo desconcerta-lo ainda mais – Perdoe meu lampejo de esquecimento, Horácio. A idade chega mais rápido para uns do para pra outros.
Ele levanta-se da mesa e toca o ombro do outro professor, amigável.
— Preciso deixá-lo agora meu amigo – Fala, calmamente – Mas desejo uma noite incrível para todos – Completa, voltando-se para nós – Senhoritas, vocês estão encantadoras essa noite.
— Obrigada! – Agradecemos, sorrindo.
Alvo me lança um olhar conspiratório e um sorriso amigável.
Horácio acompanha Dumbledore até a porta e ali conversam baixinho. Ficamos apenas observando a cena, vendo o professor da Sonserina gesticular com as mãos e bombardear Dumbledore de palavras, que apenas assente e sorri.
Riddle remexe ao me lado, visivelmente desconfortável.
— Você não parece gostar do professor Dumbledore – Falo de mansinho.
Ele me lança um olhar enviesado.
— Todos gostam dele – Retruca, irritado.
— Sempre existem exceções.
— E porque você acha que eu sou uma exceção?
Dou de ombros.
— Não sei... Você me pareceu desconfortável com ele aqui.
— Sua imaginação está fértil demais hoje, Granger – Devolve.
Antes que eu possa rebater mais alunos chegam — Avery, Lestrange e o Rosier sentam próximos a nós, já os outros se dispersão para longe.
Slughorn e Dumbledore se desperdem e o último vai embora.
Horácio toma o lugar onde antes Dumbledore sentou, olhando para nós com atenção. Ele inicia seu discurso de abertura da mais nova temporada de reuniões mensais, desejando-nos um ano próspero e cheio de aventuras.
Uma batida na porta interrompe-o, que solta uma leve maldição.
— Perdão, senhoritas – Desculpa-se, indo abrir a porta – Eu não deveria deixa-los entrar, pontualidade é essencial para mim – Ralha com quem está do outro lado da porta – Não quero saber se você quase não acha seu sapato, Weasley – Ele faz uma pausa, escutando – Tudo bem, mas que isso não se repita – Dando passagem, Charlus e Septimus entram.
Eles sorriem ao me ver, devolvo o sorriso. O sorriso deles morre ao verem quem está ao meu lado.
Os dois sentam na outra extremidade da mesa, ficando à vários metros de mim.
Slughorn recomeça seu discurso.
[...]
— Então, Granger, sente saudades de... De onde você veio mesmo? — Amanda McCreary é detestável, e sua falsa intenção de iniciar uma conversa amigável comigo só me prova ainda mais isso.
Desde o momento em que ela chegara e sentara-se ao lado de Anelise, sua atenção esta toda volta para mim, com seus olhos verdes cintilando de raiva e ciúmes. Apenas me bastou meio segundo para entender a causa disso, que tinha nome e sobrenome. Tom Riddle.
— Instituto das Bruxas de Salem – Respondo a contra gosto – E sim, eu sinto falta de lá, mas Hogwarts tem encantos que nenhum outro lugar pode ofuscar.
Ela apenas balança a cabeça, concordando.
— Deve ser estranho está rodeada de garotos, já que Salem é só para meninas – Diz, com falsa doçura.
— Nos primeiros dias sim, mas eu me acostumo rápido com as coisas.
— Posso ver... – Seu olhar intercala entre Tom e eu, aonde ela deixa evidente seu descontentamento.
Se Riddle não estivesse conversando com Nathaniel Avery, ele provavelmente teria ficado irritado com sua insinuação o envolvendo, mas graças ao bom Merlin ele não está. Eu não queria vê-la levando bronca dele só por está sendo impertinente.
Ignora-a, decidida a não me afetar por suas provocações infantis.
Me volta para a sobremesa em meu prato, uma espécie de bolo verde azedo com uma calda marrom doce como açúcar. Slughorn explicado que é uma sobremesa refinada e cara, que ele trouxe exclusivamente para nós.
Por falar nele, procuro sua presença, já que ele não está sentado no lugar. Encontro-o parado ao lado de Charlus e Septimus, conversando animadamente com eles.
Bom, pelo menos não ficou mágoa por eles terem se atrasado, penso.
Suspiro, voltando a encarar a fatia de bolo no meu prato, duvidosa.
Isso me parece horrível.
— É mais gostoso do que aparenta – Sussurra Abraxas para mim.
— Não me parece bom – Confesso, olhando para o pequeno pedaço de cor duvidosa.
— Prove logo, Granger.
— Está bem, mas se for ruim, eu vou cuspi em você – Brinco.
Ele sorri divertido.
Dou a primeira garfada, sentindo a explosão de sabores me atinge, doce e azedo se misturando em minha boca.
Gemo em apreciação.
— Não faça isso – Riddle rosna em meu ouvido de repente – Se você quer se manter vestida, não faça isso de novo.
Estremeço com a intensidade de suas palavras.
— Desculpe?
Ele me lança um olhar de advertência.
— Não me provoque.
Pisco, aturdida.
— Você é insano, sabia?
Ele dá de ombros e volta a conversa com Avery como se nada tivesse acontecido.
Olho em volta, para ver se mais alguém tinha presenciado aquele cena. Malfoy está tentando conter o riso, enquanto se volta para Anelise, claramente fingindo que não tinha visto nada. Já Amanda está com o rosto contorcido de fúria, queimando-me com seus olhos. Os demais não tinham percebido nada.
— Apostei contra você no duelo de amanhã – Fala a lufana de súbito, lançando-me um sorriso simpático – Mas saiba que não é nada pessoal.
Então é assim que você quer jogar?
— Não se preocupe, — Começo, usando meu tom mais calmo – Eu nunca duvidaria de suas intenções em relação a quem escolheu torcer amanhã. Sei que você o faz por total imparcialidade e não por uma paixonite juvenil.
Vejo seu rosto assumir uma tonalidade escarlate, enquanto ela me lança adagas pelos olhos.
Sorrio com candura, tentando esconder meu aborrecimento.
Algo aperta minha coxa com firmeza, olho para Tom, surpresa. Ele recolhe sua mão e me sorri com inocência.
— Ciúmes, Granger? – Pergunta, baixinho.
— De você? Nunca.
Ele solta uma breve risada convencida, o que faz todos na mesa voltarem-se para nós, confusos. Me mantenho neutra, tentando não demonstrar minha irritação.
Reviro meus olhos e beberico meu suco de abóbora.
A noite está realmente sendo longa, penso, frustrada.
[...]
Anelise e eu somos as primeiras a abandonar a reunião, cansadas demais da conversa fiada e do burburinho de falsidade. Nossa saída não é notada por ninguém, já que Tom e Abraxas estão absolvidos em uma conversa com Slughorn. Somos rápidas e sorrateiras.
— Não conversamos, mas adorei te conhecer – Fala, genuinamente sincera – E também gostaria de dizer muito obrigada por não ter contado a ninguém sobre o que aconteceu na Torre de Astronomia – Sussurra, agradecida e envergonhada – Não sou de fazer aquilo... Abraxas e eu, nós...É complicado.
— Não precisa agradecer ou se explicar. Você é livre e Abraxas também, façam o que acharem melhor – Digo, sorrindo – E foi um prazer te conhecer também.
— Podemos tomar algo no Três Vassouras na nossa ida a Hogsmeade na semana que vem – Sugere, animada – Aí você poderia me dizer onde comprou esse vestido maravilhoso, que fez todos os garotos suspirarem por você.
— Não foi bem assim...
— Claro que foi, você colocou todos de quatro. Não tiraram os olhos de você.
— Não vi isso acontecer não.
Rimos juntas.
Abraxas vem em nossa direção, ele sorri com simpatia e se oferece para acompanhar Anelise até a entrada do salão comunal da Corvinal. Os dois partem juntos, me deixando sozinha.
— Pronta para ir?
Pulo de susto, quando Tom aparece do meu lado.
— Você não pode me assusta assim – Coloco minha mão no coração, sentindo o mesmo bater descompensado.
— Você se assusta muito fácil, Granger.
Reviro os olhos.
— Toda vez que você faz isso tenho vontade de te dá uma palmada, sabia? – Confessa, me pegando desprevenida.
Abro a boca, mas volto a fechá-la.
— Você não pode me dizer isso – Digo, encarando o chão.
— Porque não?
— É errado.
Ele se aproxima de mim, segura meu queixo com a mão e levanta minha cabeça, me forçando a encarar seus olhos.
— Eu não dou a mínima para o que é certo ou errado – Sussurra, para em seguida se afastar – Vamos embora, já está tarde.
Sigo o mesmo em silêncio, entregue aos meus pensamentos caóticos.
Que tipo de jogo é esse? O que ele quê de mim?
Mesmo não entendo suas reais intenções, eu sinto que não importa se sei ou não as regras desse jogo, eu perderei de todo jeito.
“O amor é o único jogo no qual dois podem jogar e ambos ganharem.”
— Erma Freesman
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