Desire Obsolete
17 Duelo
Notas iniciais
A professora Revena Woodbead é uma mulher baixinha, com cabelos grisalhos sempre escondidos por seu chapéu pontudo e olhos azuis ao mesmo tempo amistosos e incisivos. Seu caminhar é lento, mas decidido.
Vejo-a espiar por cima do ombro de Septimus, que escreve furiosamente no pergaminho. Seu rosto assume uma carranca, não gostando do que vê ali em sua dissertação sobre o livro Tradução Avançada das Runas Celtas.
Sorrio de lado, me voltando para minha tarefa concluída. Eu não tive problema algum em escrevê-la. No entanto, nem todos tinham apreço ou facilidade nessa disciplina como eu, mas é engraçado vê que Rony tinha a quem puxa sua aversão ao estudo das Runas Antigas.
Brinco com minha pena entre os dedos, ansiosa para acabar a aula e poder ir almoçar.
Minha manhã foi estressante, com todos cochichando as minhas costas sobre o duelo de hoje. O mínimo que eu mereço, após essa última aula vespertina, é um almoço reforçado e algumas horas de descanso até minha aula de Defesa Contra as Artes das Trevas.
Olho para Lena ao meu lado, que escreve calmamente suas últimas linhas dissertativas. Dorea não se juntou a nós nessa aula, então éramos só eu e ela.
Meus pelos da nuca se eriçam de repente, como se me alertando que estou sendo observada.
Involuntariamente busco Riddle com o olhar, achando-o ao lado de Abraxas, duas mesas a atrás da nossa. Seus cotovelo estão depositados na mesa e seu rosto descansa sobre suas mãos. Sua atenção está fixa em mim, e mesmo eu tendo me virando para encará-lo, ele não dá sinais de que vai parar de me fitar.
Ergo uma sobrancelha, desafiadora. Ele me fornece um de seus habituais sorrisos de lado. Sinto meu coração palpitar mais rápido, mas atribuo isso a minha fome demasiada.
Sua atenção só é tirada de mim quando a professora Revena para ao seu lado. Ele lhe entrega seu pergaminho já terminado, sussurra algo que a faz ri concordando com a cabeça, e então volta a me encarar.
Solto um breve suspiro e me volto para a frente, não querendo entrar em mais um joguinho seu.
A cena de ontem a noite ainda ronda minha mente, e por mais irritante que seja, eu perdi boa parte de minha noite tentando entender o que o motivara a me falar aquelas coisas.
“- Você se assusta muito fácil, Granger.
Reviro os olhos.
— Toda vez que você faz isso tenho vontade de te dá uma palmada, sabia? – Confessa, me pegando desprevenida.
Abro a boca, mas volto a fechá-la.
— Você não pode me dizer isso – Digo, encarando o chão.
— Porque não?
— É errado.
Ele se aproxima de mim, segura meu queixo com a mão e levanta minha cabeça, me forçando a encarar seus olhos.
— Eu não dou a mínima para o que é certo ou errado – Sussurra, para em seguida se afastar – Vamos embora, já está tarde.”
Após isso, nossa volta para as masmorras fora em total silêncio, sendo as únicas duas palavras trocadas entre nós antes de seguimos para nossos dormitórios um curto e frio boa noite.
Riddle é um poço de contradição, e eu não posso negar o quanto isso me confunde. Uma hora se mostrav interessado e na seguinte me ignora por completo, em um jogo sádico de gato e rato.
Sendo qualquer outra pessoa, eu buscaria entender as regras e virar o jogo a meu favor, mas sendo Tom Riddle quem é, eu não tenho coragem para tal. Um envolvimento entre nós me custaria mais do que eu estou disposta a dar para essa época.
Jamais me perdoaria se por um capricho meu tivéssemos um envolvimento amoroso, penso, encarando o nada. Não importa a quantidade de desejo que eu possa vir a nutri por ele, algo entre nós está fora de questão. É insanidade. Como eu encararia meus amigos sabendo que tive algo com Lord Voldemort?
Sou tirada de meus devaneios quando a professora Woodbead se põe ao meu lado, sorrindo com simpatia. Entrego-lhe meu pergaminho com rapidez, retribuindo seu sorriso.
Sua aparência frágil escondia uma mulher de aço, e acima de tudo, sua vasta inteligência. De longe, Woodbead é minha professora preferida, e isso nem se deve só por ela lecionar uma das minhas matérias preferidas, mas sim por sua perspicácia e sagacidade fora do comum. Dumbledore também não fica atrás, por isso, sendo meu professor e pessoa favorita aqui.
Em um breve aceno de cabeça ela passa para o próximo aluno.
Só por pura curiosidade, digo a mim mesma, me viro de novo para vê se o sonserino ainda me encarava. Uma leve pontada de decepção me atinge ao perceber que não.
É melhor assim, tento me convencer. Qualquer que seja esse joguinho mental que ele queira fazer comigo precisa parar. Eu sei quem ele é, e sei quem sou. E isso deve bastar para por um fim a toda essa situação confusa. Sou uma , tecnicamente, sangue-ruim, e ele jamais se envolveria comigo. Não pelas razões certas, acredito.
Guardo meus materiais em minha mochila.
— Até que fim acabei – Murmura Lena, depositando sua pena na mesa e acenando para a professora Revena, que faz sinal para que ela espere enquanto recolhe mais pergaminhos dos alunos da Grifinória – Dissertações são tão chatas e dispensáveis.
Apenas sorrio em resposta, sabendo que não concordo com ela, mas não querendo contradize-la.
[...]
— Só eu que achei a aula Runas Antigas de hoje extremamente tediosa? – Pergunta Septimus assim que saímos da sala.
Seguimos o fluxo de alunos que ia para o Salão Principal.
— Nem me fala! Eu odiei fazer aquela dissertação – Lena diz, aborrecida.
— Eu gostei.
Eles me encaram como se uma segunda cabeça tivesse crescido em mim.
— Sério!? – Perguntam em uníssono.
Meneio a cabeça confirmando.
— Você não existe, Hermione – Diz o ruivo, colocando a mão em meu ombro e me dando um sorriso brincalhão.
Abro a boca para responder-lhe, mas antes que eu o faça, Septimus solta meu ombro abruptamente e cambaleia para trás ao esbarrar com Nebolus Lestrange, que vinha na direção oposta da nossa distraído.
— Porra, Weasley! – Grunhe, furioso – Você não olha por onde anda não?
Septimus se endireita, irritado.
Lena arregala os olhos e me lança um olhar de “vai dá merda”.
— A culpa foi sua, Lestrange – Rebate, com suas bochechas ficando vermelhas de raiva e vergonha.
Os alunos a nossa volta se afastam com agilidade, pressentindo o perigo eminente.
— O que você disse, pobretão? – Nebolus se aproxima a passos largos e decididos, ficando cara a cara com Septimus. Sua expressão irritada me diz que ele não resolverá isso amigavelmente.
Vejo a coragem de Septimus vacilar ao perceber que o Lestrange não iria deixar sua afronta pra lá.
— Não seja babaca, Lestrange – Me intrometo, me pondo ao lado do grifinoriano – Você foi quem esbarro em Septimus, não se vitimize. Jogar seus erros nas costas dos outros não é uma atitude de alguém da sua idade. Cresça!
Ele me lança farpas pelos olhos castanho-chocolate.
— Quem te perguntou alguma coisa, sangue-ruim?
— Nebolus, por favor... – Começa Lena, desespera, mas se cala ao vê o olhar mortal que ele lhe dá.
— Não fale assim com a Hermione, seu... seu... Idiota! – Gagueja um pouco o ruivo ao meu lado, em um ato de coragem e raiva.
O Lestrange gargalha diabolicamente.
— Olha só, o Weasley pobretão está defendendo a namoradinha sangue-ruim — Caço-a.
— Ora, seu... – Septimus saca a varinha e aponta-a para Nebolus, que ri mais ainda.
Seguro sua mão trêmula, não querendo presentear mais uma briga.
— Não, Septimus, é isso que ele quê. Não caia em suas provocações – Aconselho, baixinho.
Lena vem para meu lado, implorando com os olhos para que o ruivo não ceda as provocações do Lestrange.
— Isso mesmo, cabeça de abóbora, escute sua namoradinha – Provoca, visivelmente se divertindo com toda a cena – Mas se você quiser prosseguir, te mando o mais rápido possível para a enfermaria.
— É o que veremos – Diz, tomado por cólera.
Seguro com mais força sua mão, querendo frear seus altos imprudentes.
— O que está acontecendo aqui? – Pergunta uma voz bem conhecida por mim.
Olho para trás, vendo Tom se aproximar com Abraxas e Evan ao seu lado. Os sonserinos param ao nosso lado, com Tom no meio, comandando a intervenção como um general de batalha.
Ouço Lena suspirar aliviada.
— Graças a Merlin! – Murmura ela, encarando Riddle como o bote salva-vidas que faltava para não afundarmos.
Merda.
Septimus tenciona os músculos, nervoso, já Nebolus sorri amplamente, confiante por saber que Riddle não o aplicará uma detenção.
— E então, quem vai me dizer o que está acontecendo aqui? – Sua voz sai arrastada, como se ele estivesse entediado por estar interferindo.
Seus olhos me encontram, prendo a respiração involuntariamente. Ele estuda meu rosto com atenção, mas desvia seus olhos para um ponto específico meu, mais precisamente para onde seguro a mão de Septimus com a minha. Seu ar entediado desaparece, seu rosto assume uma expressão tenebrosa de raiva e ciúmes.
Solto quase se imediato a mão de Septimus, assustada com a intensidade de seu olhar.
— Nosso amiguinho Weasley aqui anda esbarrando nas pessoas pelos corredores, Tom – Ouço Nebolus falar, falsamente amigável – E ainda por cima coloca a culpa nos outros. Lamentável, não acha?
Tom desvia seu olhar de mim e encara Septimus com superioridade. O ruivo tenta sustentar o olhar, mas acaba desviando por não suporta a intensidade enervante dele. Seu rosto estava vermelho de vergonha e raiva.
— Então, você anda esbarrando nas pessoas, Weasley? – Pergunta ele, com falsa imparcialidade na voz.
— Não foi isso... – Começo a explicar a situação, mas sou parada por sua voz fria.
— Não falei com você, Granger – Ele me lança um olhar cortante – Limite-se a falar quando eu me dirigir a você, entendeu? Ou quer ganhar uma detenção?
Boquiaberta encaro o mesmo.
— Você não pode me dá uma detenção sem motivos – Retruco, ultrajada – Isso é abuso de poder.
Ele aproxima-se de mim, ficando a poucos centímetros de distância. Septimus se afasta de mim, não suportando ficar próximo de Tom.
— Dúvida? – Seu olhar inflamado de raiva me diz que ele não está blefando.
Abro a boca para contestar, mas Lena cobre meus lábios com as mãos, me impedindo de falar.
— Ela vai ficar quietinha – Diz Lena, apertando ainda mais a mão na minha boca quando tento me soltar – Sem detenções, por favor – Pede.
Ele olha de mim para ela e então se volta para Septimus.
— Você ganhará uma detenção de três dias por ser tão desastrado e mal educado – Informa, friamente – Preste mais atenção por onde anda, Weasley. Ninguém quer esbarrar em alguém como você – Ele pronuncia a última parte com repulsa na voz.
Uma enxurrada de xingamentos deixa meus lábios, mas são todos abafados pelas mãos de Lena.
Fuzilo Riddle com meus olhos, ele me ignora.
O Lestrange solta uma risada vitoriosa e nos lança um olhar superior, enquanto Evan sorri de lado, debochando. Abraxas olha toda a cena entediado e apenas dá de ombros, como se nada tivesse acontecido.
Tom me dirige um olhar acusatório, como se a culpa de tudo aquilo fosse minha. Meu sangue ferve de raiva sob seu olhar.
Os quatro sonserinos vão emburra sem olhar para trás.
— Você não deveria ter me silenciado – Falo irritada, quando Lena tira suas mãos da minha boca.
— Você queria o quê? Ele ia te dá uma detenção – Rebate, exasperada.
— Não importa, ele não está certo – Brado, sentindo meu sangue correr mais rápido em minhas veias – Sua detenção foi injusta, Septimus. Vou falar com Dumbledore e...
— Hermione, chega! – Ordena ele, passando mãos pelo cabelo – Aqui é o mundo real, e pessoas como o Lestrange e Riddle sempre vencem. Eu não preciso que você me defenda, posso fazer isso por mim mesmo.
— Septimus...?
— Não! – Grunhe, irritado – Eu só... só... Você não precisa fazer nada. Eu não quero que se meta nisso – Diz, triste.
Ele nos dá as costas e vai embora.
— Eu não entendo...
— Ele está com o orgulho ferido, Herms – Sussurra ela – Não se preocupe, quando ele se acalma, vai te pedir desculpas.
Suspiro, cansada.
— Vamos, você precisa comer – Ela segura meu cotovelo e me puxa de leve. Me deixo ser guiada, sem forças para protestar – Mas tarde você vai precisar de todas as suas formas para aquele maldito duelo – Diz, deixando transparecer sua preocupação na voz – Eu ainda não acredito que a professora Merrythought foi tão perversa com a gente só porque nós atrasamos um pouquinho.
[...]
Quando chegamos na sala de D.C.A.T. todos já estão aqui, inclusive meu oponente, que conversa com a professora Galatea em um canto da sala, afastados dos demais.
No centro da sala, uma longa mesa foi posta dividindo o lugar, do lado esquerdo estão os alunos da Sonserina, do direito os da Grifinória. Lena e Dorea me dão um rápido abraço e me desejam sorte, então, elas seguem para onde os sonserinos estão.
Me aproximo de Riddle e da professora, ansiosa para começar o duelo.
Meu sangue ferve com a injustiça que Septimus sofrera por culpa de Riddle e seu comensal estúpido.
Vou ama extravasa um pouco da minha raiva em você, seu bastado arrogante, penso, encarando seu belo rosto.
Os dois me veem me aproximando, falam uma breve saudação por pura educação e então tratamos logo de ir para o que interessa.
— Pronta? – Pergunta a professora.
— Sim, sim.
— Muito bem, vamos até a mesa. Lá vocês iram duelar amigavelmente, entendem?
Concordamos com a cabeça.
Acompanhamos ela em silêncio, com nossos passos sendo observados pelos alunos da sala.
Sinto o olhar de Riddle sobre mim, mas não olho para o mesmo.
Subimos na mesa e nós colocamos frente a frente. Permita-me encarar ele, me arrependendo quase instantaneamente. Seu sorriso convencido me faz trinca os dentes, irritada demais.
— Façam uma reverência respeitosa e então se afastem – Instrui a professora Merrythought – Esperem meu comando para começarem a duelar. Vocês lembram do que causará a vitória do ganhador? Desarmar, incapacitar ou jogar para fora dessa mesa, entenderam? Nenhum feitiço fatal deve ser usado.
Assentimos em concordância com nossa atenção firmemente voltada um para o outro. Ele está particularmente relaxado, percebo.
— Com medo, Granger? – Pergunta, provocador.
— De você? Creio que não, Riddle.
Ele sorri de lado, confiante. Seus movimentos são felinos e seus olhos refletem uma genuína diversão.
Fazemos uma breve reverência, nos afastamos com rapidez e paramos a alguns metros um do outro. Sinto cada músculo do meu corpo tomado por tensão.
— Muito bem, crianças – Galatea se faz presente, enquanto desce da mesa e põe-se ao lado de alguns alunos da Sonserina – Comecem! – Grita, em êxtase.
Mesmo sob sua ordem não iniciamos de imediato, ficamos imóveis por alguns instantes, ouvindo os burburinhos a nossa volta cessarem em expectativa. Quando não resta nada mais que o silêncio, erguemos em sincronia nossas varinhas, prontos.
E lá vamos nós...
— Estupefaça – Profiro, vendo o jato de luz vermelha sair da minha varinha com rapidez.
— Rennervate — Defende-se, rapidamente.
Ele move-se para a direita e agita sua varinha quase imperceptivelmente, me lançando um feitiço não verbal. Se eu não estivesse tão concentrada em seus movimentos teria perdido esse ato.
Defendo-me de seu feitiço lançando um protego, então, sem emitir som algum conjuro Avis, vendo um bando de pássaros negros sobrevoarem com agilidade ele, tirando seu foco de mim por alguns instantes. Não é um feitiço poderoso, mas serve bem para meu propósito, distração.
— Alarte Ascendare – Sussurro, com o intuito de jogá-lo para o alto e vê-lo cair.
Riddle acerta todos os pássaros com flechas saídas de sua varinha ao executar um Tonsum Talus. Ele desvia-se com rapidez do meu feitiço, que atinge o chão, inofensivamente.
— Serpensartium – Diz, visivelmente divertido.
Uma serpente de tamanho considerável aparece na minha frente, me fazendo cambalear para trás, surpresa. Um breve lampejo de memória me atinge, trazendo consigo a cena em que Draco usou esse mesmo feitiço contra Harry, no segundo ano.
— Vipera Evanesca – Falo, desintegrando a cobra em instantes.
Meu curto momento de distração quase me custa a vitória, mas sou rápida e consigo desviar de seu feitiço estuporante.
Lanço em sua direção Aquamanti, vendo o jato de água ser impedido de alcançar-lhe por um escudo transparente criado por ele. O mesmo revida com um Expulso, que tem o objetivo de empurrar um corpo para longe ou destruir objetos, paro seu feitiço com outro protego.
Claramente, Riddle está evitando me atacar com todo o seu arsenal de feitiços, e logo percebo que eu também.
Lanço-lhe um Estupore, ele desvia, mas não prevê que foi apenas uma distração e que depois desse eu lhe lancei um Trip, que tem o intuito de fazer o oponente tropeçar e cair. Ele cai, mas levanta-se rápido que nem faz muita diferença.
— Trip! Sério, Granger?
Reviro os olhos.
— Na guerra e no amor vale tudo, não sabia?
Ele balança a cabeça em sinal de desaprovação.
Riddle movimenta seu braço ritmicamente conjurando feitiços, vejo camadas de cores diversas vindas em minha direção. Uso todos os contra feitiços que conheço para deter seus múltiplos ataques. Nossos feitiços se chocando emitem rajadas de faíscas que se dispersam ao encontrar o chão.
Cambaleio para a esquerda desviando de seu Impedimenta. Lanço-lhe um Petrificus Totallus, que ele repeli sem esforço algum.
— É só isso que você tem pra mim? – Pergunta, altivo.
— Você ainda não viu nada, Riddle – Sussurro, irritada.
Em um breve aceno de varinha, cinco bolhas médias saem de minha varinha e flutuam em direção ao mesmo, que sorri presunçoso. Ele tenta destrui-las usando o Tonsum Talus de novo, mas dessa vez quando as flechas entram em contado com as bolhas e elas explodem, lançam uma potente onda de energia contra ele, que é lançado para trás com tudo. Mas não atinge o chão como eu gostaria, seu corpo para no ar e ele flutua com rapidez até ficar em pé de novo.
Suspiros profundos chegam até meus ouvidos, nossos expectadores impressionados com nosso duelo.
Sem esperar uma reação dele, lanço Everte Statium, mas ele desvia e me lança um Expelliarmus que detenho com um protego. Já prevendo esse movimento, ele me lança um segundo feitiço por trás, que quase me atinge se eu não tivesse sido mais rápido e me esquivando.
Meu coração dispara, mas não perco o foco.
Sua varinha é agitada, uma grande bola de fogo mágico surge e é disparada em minha direção, revido seu ataque com uma flecha de água pura. O choque dos dois elementos produz gotículas de água cercadas por uma auréola de fogo, como se os dois se unissem ao invés de repelissem.
Não esperamos esse efeito passar, em sincronia erguemos nossas varinhas e nos atacamos. Meu Expelliarmus se chocar contra seu Estupefaça, faíscas jorram do ponto de encontro dos dois. Sustentamos nosso ataque, fazendo com que uma corrente de magia de cada lado se choque na do adversário e tente emburrar a outra para trás.
Sinto meus pés deslizarem para trás com a intensidade dos feitiços. Minha visão está enuviada com as cores vibrantes dos feitiços. Aperto minha varinha entre os dedos, aumentando a pressão de meu ataque.
Tom faz o mesmo e juntos somos empurradas paras trás com a intensidade de nossos feitiços. Em uma explosão de repulsão mágica, acabamos sendo jogados para fora da mesa.
Minha queda livre é rápida, fecho meus olhos no processo. Meu corpo bate no chão duro e frio da sala e me lança pontadas de dores por todas as partes.
Ouço as meninas gritarem meu nome, mas permaneço imóvel.
Suspiro.
Bom, pelo menos eu consegui extravasar minha raiva, penso, abrindo os olhos e me deparando com uma mão masculina estendida para mim. Pego-a sem pestanejar.
Riddle me ajuda a levantar com gentileza.
— Você está bem? – Pergunta.
Faço que sim com a cabeça
— E você?
Ele meneia a cabeça positivamente.
Nossos olhos se conectam, sua surpresa pelo resultado final do duelo é evidente em seu rosto, assim como algo mais que não consigo decifrar.
— Deu empate – Sentencia a professora Merrythought, levando a sala a uma histeria coletiva.
Ele sorri lentamente para mim.
— Você é uma coisinha fascinante, miss Granger – Sussurra, para em seguida se afastar, indo para junto de seus comensais, que não poderiam está mais perplexos.
"Decifra-me, mas não me conclua, eu posso te surpreender".
— Clarice Lispector
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