Desire Obsolete
2 Verdade
Notas iniciais
A ignorância pra mim sempre fora algo a ser evitado. Livros eram a minha principal arma contra esse mal, e também umas das minhas fontes preferidas de diversão. Logo, com o saber vinha também um alto preço a ser pago, de solidão ao isolamento.
Estar cercada por pessoas comuns, não pertencentes ao mundo mágico, e que não sabiam da eminente guerra que se esgueirava nas sombras, era um polo divisor de águas para mim. E cobrava preço injusto, pois ser a única em um aniversário a ficar tensa e em alerta o tempo todo, esperando sempre o pior, me fazia ser o motivo preferido de piadas e conselhos não bem vindos na família. Consequentemente o isolamento era uma questão de sobrevivência da minha sanidade mental. Por isso, me encontrava o mais longe possível dos demais da festa.
O tanto de comentários infelizes que eu havia escutado essa noite fizeram eu questionar minha decisão de vim até aqui.
“- Querida, você precisa se soltar. – Disse uma amiga da minha mãe quando passou perto da mesa em que eu estava sentada. Apenas sorriu e concordo com seu comentário falsamente despretensioso. Ela sorri de volta e segue seu caminho, indo buscar mais ponche na mesa de bebidas.
— Você está tão magrinha. Estão te alimentando bem lá no internato? – Perguntou a mulher do meu tio, Kate. Carinhosamente apelidada por mim de Trasgo de Batom. Respiro fundo antes de concorda e dá de ombros. Logo minha mãe vem em meu auxílio e a leva para longe, mas antes me dá um sorrisinho amarelo de desculpas.
— Com certeza, se você tivesse um namorado como eu, não haveria motivos para tamanha carranca, Hermione. – Grasnou maldosamente minha prima Evelyn, com seu falso sorriso inocente. Eu realmente cogitei usar uma azaração nela naquele momento. Mas apenas ignorei sua existência. O que graças a Merlin foi ótimo, pois em seguida ela fora dança com seu namorado e me deixara em paz. Sem complicações.”
Ao meu redor todos se divertiam no salão de festas modesto que meus pais alugaram para comemorar a ocasião. Uma pequena orquestra sinfônica tocava mais ao longe alegrando o ambiente. Uma extravagância patrocinada pelo marido de Kate, tio Albert, o detestável irmão do meu pai. Era uma benção que só em raríssimas ocasiões ele se dignava a entrar em contato.
Sentada perto da mesa de bebidas e a pouco metros da porta de saída, considero ir embora. A poucos dias para a minha partida para Hogwarts, eu precisava ajeitar meu malão. Com a ameaça constante de um ataque aberto aos trouxas, minha inquietação tomava proporções épicas. Eu não poderia esquecer de nada, e tinha que absolver o máximo de informações e feitiços possíveis. E apesar de estar estudando arduamente vários livros de feitiços de combate, que havia pedido empresta a professora Minerva ao sair de férias do castelo, eu ainda precisava colocá-los em pratica. Eram tempos difíceis demais para que nascidos trouxas como eu se descuidassem.
Suspiro, cansada.
Mesmo com minha varinha presa à uma fita preta que amarrei em torno de minha coxa para sustentá-la, embaixo desse vestido de seda azul, eu não me sentia segura aqui. Apenas em Hogwarts eu encontrava a segurança necessária para relaxar.
Me sentia impaciente para voltar ao castelo, e principalmente para ver Harry, Rony e Gina. Nós nos mantemos em contato por cartas o verão todo. Logo com a perda de Sírius sendo uma ferida ainda aberta, Harry precisava ainda mais de apoio.
Tamborilo meus dedos na superfície da mesa.
Bom, acho que já deu.
Olho a minha volta, buscando minha mãe, para avisá-la de minha partida. Eu estava perdendo um tempo precioso ali, aonde a única coisa que fizera antes de me sentar naquela mesa fora parabenizar minha tia avó pelos 102 anos de vida. Desde então me encontrava fixa no mesmo local, sentada desconfortável em uma cadeira dura.
Um amontoado de livros explicativos sobre “O Princípio Básico das Escolas de Magia das Américas” me esperava sob meu criado mudo, e eu estava ansiosa para lê-los. Estudar sobre diversas escolas de magia e bruxaria era uma ótima fonte de conhecimento e entretenimento. E me fazia amar ainda mais Hogwarts.
Mas infelizmente, minha saída dali não séria bem vista pela Sra. Granger, a quem eu havia prometido, após várias chantagens emocionais da parte dela, ficar até o fim da festa.
“- 102 anos é uma idade preciosa demais para passar em branco, Hermione. Sua tia-avó já viveu muito, e que Deus a dê mais anos de vida, mas ela não é imortal. – Respirando fundo, minha mãe prossegue com seu discurso.
— Você mal a vê por conta da escola. E Agatha te adora, sempre está perguntando por você. Então, você precisa ir... por ela, filha – Dissera minha mãe naquela manhã, enquanto preparava panquecas com bacon, uma de minhas refeições matinais preferidas.
Ela era uma exímia mestra na arte do drama e da manipulação estomacal.
— Mãe, eu realmente queria ir, mas... – Começo uma de minhas desculpas esfarrapadas. – Eu tenho muito coisa pra estudar. Estou prestes a começar meu sexto ano e...
— Sem desculpas, Hermione. Você irá! É só isso que estou te pedindo, por favor! – Pede, aborrecida – Você passa a maior parte do seu tempo trancada em seu quarto estudando. Sair um pouco não te atrasará na escola – Fala, por fim.
Algo curioso sobre a minha mãe, era que ela adorava fantasiar que eu estudava em uma escola normal. E só quando íamos ao Beco Diagonal era que ela abandonava essa linha de pensamentos e me enxergava como eu era, uma bruxa.
Nunca entendi sua relutância em aceitar minha realidade, mas também nunca questionei. Deveria ser difícil demais para os meus pais ter uma filha como eu. A única bruxa da família.
Antes de mais lamúrias da parte dela, eu decido concorda em ir. Uma noite não iria me matar, afinal de contas.
— Tudo bem, mãe. Eu vou.
— Promete ficar até o fim da festa? – Pede
Suspiro, para logo sorrir.
— Sim, prometo.
Ela me olha com seus olhos castanhos bondosos, e então abre o mais radiante dos sorrisos.”
Mamãe sabia que só me entupindo das minhas comidas favoritas e usando a velha e boa manipulação sentimental para me fazer aceitar ir nessa festa. Não por eu não gostar da minha tia avó, mas porque desde o ano passado, após enfim o ministro da magia admitir a volta de Você-Sabe-Quem ao mundo bruxo, tempos sombrios haviam recaído sobre o mundo bruxo. E eu estava a cada dia mais retraída e preocupada. Me isolando mais que o habitual, de acordo com meu pai. Meu refúgio, os livros, eram minha principal arma para essa guerra. Afinal, conhecimento era poder.
Após terminar o livro sobre as escolas da América, eu iria iniciar uma pesquisa mais profunda sobre o monstro que queria expurgar o mundo bruxo dos nascidos trouxas. Conhecer bem o inimigo era uma das táticas primordiais da guerra. E eu pretendia acelerar o máximo possível meus estudos e pesquisas.
Levanto-me da cadeira, pegando minha carteira de mão, devidamente enfeitiçada para caber todos os meus pertences; um livro sobre runas antigas, meu sobretudo preto, uma pena para minhas anotações e minhas chaves de casa.
Rumo a procura do Sr. e da Sra. Granger, evitando passar perto dos parentes mais mexeriqueiros e bêbados.
Rodeio pelo salão por cinco minutos até encontrá-los, cercados de amigos e parentes. Respiro fundo, frustrada. Cruzo os braços.
Ótimo, uma plateia!
Olho a minha volta e localizo a aniversariante, sentada em uma cadeira de rodas ao lado da mesa de doces, conversando com uma de suas amigas de longa data. Romena Clark, se não me engano. As duas não se desgrudavam desde a adolescência.
De súbito decido ir me despedir dela antes de falar com meus pais.
Me aproximando, um sorriso pequeno e sincero se materializa no meu rosto. Sempre adorei ela e nossas conversas malucas.
Elas sorriem ao me ver.
— Tia Agatha, eu vim me despedir – Falo calmamente.
Seu sorriso perde força.
— Oh, querida! Você não está gostando da festa? A música está muito alta? – Pergunta, preocupada. Sempre tão gentil.
— Não, claro que não – Trato de tranquilizá-la – Eu amei tudo, de verdade. Apenas estou um pouco cansada.
— Mas ainda são 21:30 – Intervém Romena, amigável.
Ela era uma senhorinha muito simpática e brincalhona. Estava usando um vestido verde limão, que destacava seus olhos cor de mel. Assim como minha tia avó, ela também estava sentada em uma cadeira de rodas. Apesar de um espírito jovial, o corpo delas não estava em sincronia com seus espíritos.
Sorriu sem graça perante seu comentário e troco o peso dos pés. Um olhar esquisito se infiltra na minha tia.
— Acho que estou entendendo, Romena – Começa, maliciosamente tia Agatha — Nossa jovem aqui deve ter algo mais importante para fazer... Algo como um encontro, talvez.
Meu rosto esquenta e as duas gargalhando de minha expressão envergonhada.
Reviro os olhos. As duas só podiam estar brincando.
— Oh não, tia. Eu realmente... – Começo.
Elas param de ri e se entreolham.
— Não, não, não minha jovem. Entendemos perfeitamente. Vá aproveitar a vida! – Seu olhar malicioso me fazia querer ser engolida por um dragão.
Encolho os ombros, resignada.
— Eu realmente estou cansada, então... Foi ótimo te ver tia Agatha – Me inclino para abraçá-la.
Ela me envolve carinhosamente com seus braços.
— Agradeço sempre a Deus por aquela mulher ter te trazido para nós, minha pequena – Sussurra em meu ouvido, emocionada.
Ela sempre falava “aquela mulher” quando queria se referir a minha mãe e ao meu nascimento. Sempre achei isso particularmente estranho, mas a única vez que perguntei ao meu pai sobre isso, ele apenas dissera que tia Agatha não tinha mais a saúde mental como antes, então desconversará. Pra uma garota de 9 anos, aquela resposta bastará. Arquivei o assunto.
Me separo de seu abraço, relutante.
— Hermione, querida, enfim está socializando – Diz uma voz feminina e brincalhona atrás de mim. Inconfundível.
Me viro para encarar a fera.
— Eu vim me despedir da tia Agatha, mãe. Já ia a sua procura. Estou indo embora. – Falo tudo em um fôlego só.
A Sra. Granger me avalia com aqueles grandes olhos verdes, que sempre admirei. Com um pai de olhos azuis e uma mãe de olhos verdes, não era de se admirar o quão perdida eu havia ficado ao perceber, com 5 anos de idade, que fisicamente eu não me parecia muito com eles. Mas na época eles me explicaram que eu havia herdado os traços da minha falecida avó, a mãe da minha mãe.
Fico ligeiramente tensa, esperando pela bronca. Ela dá de ombros.
— Bom, pelo menos você ficou mais tempo dessa vez – Diz, resignada – Chamarei seu pai para ele te levar.
Solto minha respiração, lentamente.
— Não precisa, mãe. São apenas duas quadras daqui até em casa. Não precisa incomodá-lo. E veja como ele está se divertindo – Aponto para onde meu pai estava aos risos com seus amigos da faculdade.
Ela não gosta da minha resposta. A Sra. Granger podia ser extremamente protetora quando queria.
— Mas mesmo assim, está de noite e...
— Mãe, eu posso cuidar de mim. De verdade, não precisa – Digo calmamente. Eu não queria estragar a noite deles, que raramente se divertiam tanto.
Ela suspira, contrariada.
— Tudo bem, mas assim que você chegar em casa vai me ligar. Certo?
— Certo – Respondo, prontamente. Eu já imaginava que ela me pediria isso.
As duas senhoras estavam apenas observando tudo, com um ar nostálgico.
Sorrio pra Romena e depois para tia Agatha, então dou um rápido abraço na minha progenitora, com medo dela mudar de ideia e resolver impedir minha ida.
— A senhora avisa ao pai por mim? – Pergunto, começando a me afastar.
Ela balança a cabeça positivamente.
— Não esqueça de ligar, Hermione – Pede.
Ainda sorrindo, confirmo com a cabeça e então parto para fora do salão.
Enquanto rumo ao conforto da minha cama e dos meus livros, penso: Não havia jeito melhor de terminar uma noite chata do que lendo e tomando um pouco de chá.
[....]
Minha chegada a residência Granger havia sido rápida e tranquila, como eu imaginava. A noite estava serena e com poucas pessoas nas ruas. O friozinho noturno havia me feito colocar meu sobretudo preto para me aquecer e proteger do frio.
Procuro na minha bolsinha enfeitiçada a chave da casa, retirando-a assim que sinto o metal frio tocar meus dedos. Destrancou a porta, e entre no lar aconchegante. O cheirinho família de sândalo e lavanda me entorpece. Minha mãe amava essas fragrâncias, então incensos delas era o que não faltava na casa.
Tranco a porta e retiro meu sobretudo, colocando no cabide ao lado da porta. Me seguro na parede e retiro minhas sandálias de salto alto.
Aí que alívio! Penso ao me pôr descalça, o frio do piso de madeira acaricia meus pés.
O hall de entrada estava iluminado pelo lustre acima da minha cabeça, pois sempre que saíamos todos, deixávamos essa luz acesa para nos guiar pelos outros cômodos quando chegássemos. Sua luminosidade alcançava uma parte da sala de visitas, que ficava entrando a direita e um pouco do começo da cozinha, que ficava seguindo o corredor até o fim. E é claro, iluminava a escadaria que levava ao andar de cima.
Caminho até a cozinha, para pôr a chaleira no fogo e fazer o chá que pretendia. Ao passar pela sala de visitas, noto um porta retratos no chão perto da lareira, quebrado.
Franzo a testa.
Como caiu e quebrou? Me pergunto mentalmente.
Vou em direção ao mesmo. Ao me abaixar e apanhá-lo em minhas mãos, procuro ver se alguma das janelas daquele aposento haviam ficado abertas. Uma corrente de ar forte explicaria a queda. Mas todas estavam impecavelmente fechadas.
Estranho!
Analiso a imagem, a única coisa intacta. O que antes era uma linda moldura de vidro, agora era um monte de cacos. Na foto meus pais estavam em pé ao lado dessa mesma lareira, segurando uma bebê gordinha que devia ter três meses. Eu.
— Como você caiu? – Me pergunto em voz alta, levantando-me com a foto em minhas mãos, tomando cuidado para não me cortar.
— Ela simplesmente escorregou das minhas mãos – Diz uma voz feminina atrás de mim, para logo em seguida soltar uma breve risada insana.
Pulo de susto, pondo a mão em seguida na boca, para abafar meu grito. Viro-me depressa, a procura da autora da voz. Encontro uma silhueta escondida no ponto mais escuro da sala.
— Quem é você? – Pergunto, levo minha mão até minha coxa, onde sinto minha varinha firmemente presa.
A silhueta se move para frente, mostrando primeiro uma bota de cano baixo e bico fino, para em seguida começar a apresentar a barra de um vestido negro de tecido pesado e incomum por aqui. Bruxo.
Prendo a respiração, percebendo que o que viria a seguir séria com certeza alguém a quem eu teria que usar minha varinha contra. Amigos não se escondiam nas sombras. O que me dizia que ela não estava aqui para tomar um chá comigo.
Com duas passadas longas para frente, a mulher a minha frente estava completamente no alcance da luz e da minha visão.
Arfo em choque, sentindo meu sangue gelar. Ela sorri perante meu estado.
— Vejo que você sabe quem eu sou – Diz, ficando subitamente feliz – Isso facilita as coisas, de certa forma – Murmurar mais para si essa última parte do que para mim.
Troco o peso dos pés, tensa.
— Você é Bellatrix Lestrange, a Comensal braço direito de Voldemort e uma louca psicopata Afirmo, trincando os dentes para não rosna a última parte. Deixo transparecer todo o nojo que sinto em minha voz.
Ela assume um semblante rígido ao me ouvir proferir o nome de seu mestre.
— Como ousa falar seu nome assim, sua ratinha assustada. Mostre respeito a quem é superior a você, garota – Rosna, para em seguida sorrir com escárnio, mas seu sorriso não chega aos seus olhos. Ali eu conseguia ver uma dualidade de emoções boas e ruins, que por serem tantas eu não conseguia distinguir.
— Eu não tenho medo de vocês. E ele não é superior a mim. – Falo, endireitando meu tronco. Tentando assumir uma postura confiante.
Ela solta uma fina e histérica risada.
Aperto ainda mais minha mão em cima da varinha na minha coxa, eu podia sentir seu contorno. Meu instinto de alto preservação gritava para que eu a empunhasse, mas a lógica me compelia a manter as coisas o mais longe de um duelo possíveis. Estávamos em um bairro trouxa, na casa dos meus pais trouxas que podiam chegar a qualquer momento. Eu estava em desvantagem em muitos aspectos. Principalmente no sentimental.
— Você veio me matar, Lestrange? – Pergunto, friamente. Mas por dentro eu fervia.
Ficar perto da mulher que enlouqueceu os pais do Neville com a maldição cruciatus e matou dúzias de nascidos trouxas me fazia querer arrancar seus olhos com minhas unhas. Isso sem mencionar o fato dela ter sido a causadora da morte da única figura – boa – paternal que o Harry já teve. Ela havia matado Sírius Black, seu primo. Eu a repudiava mais do que podia expressar em palavras.
A Lestrange olha ao redor do cômodo, analisando tudo com olhos de predador.
— Sabe, seus pais trouxas são engraçados – Começa, usando um tom neutro. Fico em alerta. Meus pais? — Eles tem um certo prestígio por serem bons no que fazem, mas são extremamente burros. Irônico, não? – Me pergunta, fitando-me por longos segundos.
— Como você sabe sobre os meus pais? Tem me espionado? – Pergunto, olhando para ela.
A comensal dá de ombros, fazendo pouco caso das minhas perguntas. Na verdade, ela parecia muito a vontade ali.
Bellatrix começa a circular pela sala, indo em direção a lareira, aonde estavam os outros porta retratos. Fico tensa. Ela estava a poucos passos de mim.
Cálculo quanto tempo eu levaria para tirar minha varinha de debaixo do vestido. Se eu tivesse sorte, apenas alguns segundos e ela não notaria. Agora se o azar estivesse passando por perto, eu estaria morta em uma fração de milésimos.
— Eles não se mudaram desde a última vez que estive aqui. Foi facilitador pra mim, é claro. Mas realmente estúpido da parte deles – Declara.
Os pelos do meu pescoço se arrepiam, perco ligeiramente o ar. Sinto como se tivesse levado um soco no estômago.
— Você... O que...? Você já esteve aqui? Mas... Como? Porque? – Eu balbucio, incoerente.
Ela para de analisa as fotos e me encara.
— Nunca fui conhecida por dá voltas nos assuntos, criança. Então vou logo direto ao ponto e é bom você me ouvir. Eu não costumo repetir o que digo mais de uma vez – Declara, em uma ameaça velada.
Ela caminha até mim, decidida. Meu coração falha algumas batidas. Dou passos para trás, me sentindo encurralada na pequena sala. Bato minhas panturrilhas na poltrona atrás de mim. Quase perco o equilíbrio, mas me mantenho em pé, olhando fixamente para ela. Meus dedos buscam puxar o tecido do meu vestido para cima, para que eu possa pegar minha varinha.
Mantenho contato visual para que ela não desconfie.
Parando a minha frente, apenas com poucos centímetros de distância, eu posso ver claramente seus olhos castanhos e o quão perturbados eles me parecem. E também posso perceber que apesar de estar com os ossos do rosto proeminentes demais, ela era uma mulher que tinha lá sua beleza.
— Você é minha filha, Hermione – Solta de uma vez, com um olhar maléfico.
“Ninguém pode ser escravo de sua identidade: quando surge uma possibilidade de mudança é preciso mudar.”
— Elliot Gould
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