Notas iniciais
Enjoy

Em um estado de semiconsciência, consigo distinguir com muita dificuldade, um diálogo sussurrado ocorrendo à minha volta.

— Tom, quem é está jovem? – A voz de Dumbledore é inconfundível aos meus ouvidos, ele soa curioso e preocupado.

— Eu não sei, professor. Ela apareceu do nada, desorientada. Falou algumas asneiras e então desmaiou – Responde, prontamente.

— Deixe-me olhá-la – Sinto algo quente tocar meu rosto. Mãos! – Ela lhe contou seu nome?

— Sim, disse-me que se chama Hermione Granger – Responde ele, mas dessa vez meu sobrenome não sai com asco de sua boca.

— Ela está muito gelada e pálida – Diz o grande bruxo da luz – Precisamos tirá-la daqui o mais rápido possível, Tom – Sua voz exala urgência.

— Deixe-me carrega-la até Hogwarts, professor – Pede, solícito.

— Sim, sim, meu jovem! Rápido!

Sinto meu corpo ser envolvido por braços quentes e então sou tirada do chão sem esforço algum. Diversos odores penetram em minhas narinas; sândalo, grama molhada, lavanda e alguma colônia masculino. Respiro fundo aquelas fragrâncias, sentindo elas penetrarem em meus poros.

Então, meu corpo é tragado para a escuridão.

[...]

— A pobrezinha teve muita sorte em ter sido encontrada, Alvo – Diz uma voz feminina que não reconheço – Mas alguns minutos naquela floresta tenebrosa e talvez ela não saísse com vida – Começa, temerosa – Seu corpo perdeu uma quantidade significativa de sangue, seus arranhões foram causados por plantas tóxicas e o frio extremo quase a levou à uma hipotermia – Explica – Graças a Merlin aqueles dois alunos estavam lá.

— Sim sim, Cassandra! Os dois estarem lá fora foi uma coincidência abençoada, mas... – Ele se cala. Seu repentino silêncio me diz que algo o intrigava.

— Mas...?

— O que ela estava fazendo lá? – Pergunta mais para si do que para ela.

Nem eu sei! Penso, amarga.

Escuto o que me parece ser passos apressados, mas eles estão tão distantes que não distingo com clareza.

— Como está nossa hóspede? Já acordou? – A voz altamente animada do homem desconhecido envia pontadas de dor para meu crânio.

— Não, diretor Dippet. Seu corpo ainda está se recuperando dos traumas sofridos. Mas estou confiante de que até amanhã ela acorde – A mulher fala, em um tom esperançoso – Se me dão licença, senhores, preciso preparar poções antialérgicas. Houve um pequeno incidente na aula de Herbologia.

Não escuto a resposta deles, caiu nos braços da inconsciência novamente.

[...]

Minha mente desperta, mas meu corpo permanece inerte. Pego um pequeno trecho de uma conversa ocorrendo à minha volta.

— ...Está furioso! – Comenta a voz que reconheço sendo de Abraxas, animado – A bronca que ele levou foi monumental, Tom. Dumbledore falou: “Mandar dois alunos para a floresta proibida sem supervisão é irresponsabilidade. Se você voltar a repetir uma idiotice dessas, Slughorn, irei pessoalmente fazer sua carta de demissão. Entendeu?” – A imitação tosca do loiro ao falar com a voz de Dumbledore é constrangedora.

— Aquele palerma merecia coisa pior! – Diz Riddle, friamente. Um barulho de portas sento abertas chega aos meus ouvidos como um ruído distante – Pegue logo as poções que aquela velha pediu. Não gosto dessa parte do castelo.

— Sim, milord – Sussurra o loiro – Quem já se viu, me mandar para aquela merda de floresta só para cumprir uma detençãozinha boba – Sua indignação reflete-se em suas palavras.

— Você é outro idiota, Malfoy – Rosna o moreno – Pare de agarra suas amantes em cada canto do castelo. Controle-se – Ordena, irritado – Se você demonstra-se tanto empenho em aprender a duelar quanto mostra em conquistar garotas, você não teria envergonhado à Sonserina em nossa última aula de defesa contra as artes das trevas – Completa, em clara reprimenda.

— Desculpe-me, Tom!

Ouço o moreno suspirar.

— Não quero suas desculpas, quero resultados positivos... Não me decepcione de novo, Abraxas. Você não gostará das consequências – Sua ameaça velada me faz estremecer.

— Não irei decepcioná-lo, milord!

Um silêncio regado à pequenos barulhos distantes se faz presente. Tento mover meu corpo, mas nada acontece.

— Essa garota... Algo nela me incomoda – Diz ele, baixinho.

Eu? Oh não, Merlin!

— Como assim? – Pergunta o loiro, confuso.

Ouço passos se afastando.

— Vamos conversar em outro lugar – Dispara Riddle – Pegue logo essas poções.

Ouço portas sendo fechadas, então, adormeço instantaneamente.

[...]

Minhas pálpebras se abrem preguiçosamente. Estico-me devagar, piscando várias vezes, minha visão se acostumando à claridade do cômodo. Rompantes de lembranças me atingem de uma só vez. Floresta proibida. Tom Riddle. Desmaio. Fragmentos de conversas.

Oh céus!

Sento-me na cama, atordoada.

Respiro fundo, tentando acalmar meu coração acelerado.

Estou no passado, em Hogwarts, presa a uma época diferente e...o pior... Lord Voldemort estar aqui... Meu Deus!

Lágrimas se acumulam em meus olhos, tento conte-las, mas é em vão. Choro baixinho, cobrindo minha boca com a mão, para abafar meus soluços.

O que vou fazer? Como vou... Como vou voltar? Meus pais... Os meninos... Gina... Os Weasley's... Oh, Deus! Minhas lágrimas engrossam, minha garganta se fecha. Pense, Hermione, pense!

Procuro com as mãos o vira-tempo que fora posto em meu pescoço contra minha vontade, mas não o encontro.

Levanto-me os tropeços da cama, desesperada. Como não me toquei de procurá-lo antes? Aonde está?

Reviro a cama em busca do mesmo, quando não o encontro, procuro minha bolsinha com o olhar, encontrando-a pendurada na cabeceira do leito, no meu lado direito. Minha varinha se encontra no criado mudo à minha esquerda. Pego as duas coisas e vasculho dentro do acessório enfeitiçado o objeto encantado.

Não foram horas ou dias, mas sim anos... Ele me trouxe anos no passado. Não se lê em muitos livros algo assim, com uma potência tão grande, que pode voltar décadas no passado. É surreal, e com consequências catastróficas.

Minha mente, freneticamente, tenta juntar todas as peças, desde o momento do meu encontro com a mulher do parque até meus últimos segundos no futuro. As perguntas se acumulam em minha mente enquanto teorias vão se formando. Minhas lágrimas escorrem sem eu perceber ou me importar.

Quem é ela? Como ela me conhecia? Porque me mandar para cá? E porque ser no penúltimo ano de Voldemort? Ela quer que eu o mate? Confronte? Me alie...? O que?

Cubro meu rosto com as duas mãos, tentando acalmar meus pensamentos e buscando equilíbrio mental. Eu me sinto um lixo intelectual.

O que vou fazer agora? Preciso de ajuda!

A porta da ala hospitalar é aberta, um Alvo Dumbledore jovem trajando uma típica túnica azul estrelada entra, sendo seguido por uma senhora pequena, de aparência cansada.

Quase caiu de joelhos ao contemplar o rosto bondoso do bruxo que eu mais admiro.

— Vejo que a senhorita está consciente – Diz ele, sorrindo para mim – Bem-vinda à Hogwarts, eu sou Alvo Dumbledore e essa é madame Cassandra Grinch, nossa medibruxa.

— Olá, senhorita. Como se sente? – Pergunta a mulher, bondosa.

Salvação!

Lentamente, não confiando em meus pés, caminho até Alvo, me jogando em seus braços sem pensar em mais nada, a não ser em quanto vê-lo ali me trouxe esperança.

Ele pode me ajudar, ele pode!

— Oh, minha jovem! – Exclama, surpreso pelo meu ato.

Choro, ruidosamente.

Abraço-o com mais força, buscando um bálsamo para meu desespero.

— E-eu pre-preciso... – Gaguejo, incoerente.

Ele afaga o topo da minha cabeça, confortador.

— Você está segura! Por favor, não chore – O mesmo retribui meu abraço – Madame Cassandra, por favor, avise ao diretor que nossa hóspede acordou – Pede, gentilmente.

— Oh, sim! Já volto.

A senhora sai a passos rápidos e decididos, fechando a porta no processo.

— A senhorita gostaria de sentar? – Me pergunta, paciente.

Faço que sim com a cabeça.

Ele me guia até a cama que outra hora eu estava deitada. Me sento ali e tento me acalmar, limpando meu rosto com as mãos. Estou trêmula e perturbada.

— Desculpe por isso, dire... – Paro, lembrando-me que naquela época Dippet é o diretor de Hogwarts.

Ele me avalia com as sobrancelhas arqueadas, achando graça no que quase disse.

— Tom me falou que a senhorita acredita que sou o diretor desse castelo – Começa, divertido – Não sei quem lhe repassou essa informação, mas está equivocada. Sinto muito desapontá-la, mas sou um reles professor de transfiguração.

Sorrio, minimamente.

— Dire... Desculpe-me, professor, mas... – Mordo meu lábio inferior, temerosa.

As consequências para bruxos que mexem com o futuro são devastadoras e imprevisíveis. Falar para ele que venho do futuro alterará alguma coisa? Se não, o que eu posso revelar?

Suspiro.

— A senhorita gostaria de me contar algo?

Encaro o mesmo, sem saber por onde começar.

— Eu não... Eu não sei o que posso falar – Confesso, nervosa.

Ele senta-se ao meu lado, olhando-me sabiamente. Seu óculos meia lua é tão familiar, assim como tudo acerca dele. A sensação de calma e paz que o mesmo transmite para mim, é o que está me impedindo de surta.

— Comece pelo começo e, então, veremos até onde a senhorita se permite me dizer – Aconselha, calmo – Precisa me contar algo, senhorita, para que eu possa ser capaz de lhe ajudar. Tem família?

Coloco minhas mãos em meu colo e entrelaço meus dedos uns nos outros, inquieta.

— E-eu não... É difícil, porque... Quero dizer, não sou... – Minhas tentativas falhas de falar me envergonham – Eu tenho família, mas ela não está aqui.

Eu estou uma bagunça.

Dumbledore põe a mão em meu ombro e aperta ali gentilmente.

— Se a senhorita não estiver se sentindo pronta para falar, podemos adiar nossa conversa – Ele sorri pra mim – Temos muito tempo para conversar. Que tal chá com torta de limão? Eu posso enviar uma coruja para seus parentes não ficarem preocupados, então, a senhorita pode se juntar a mim em um chá e depois descansar.

Pisco algumas vezes, assimilando suas palavras, então sorrio de volta. Mas lembro que quanto mais tempo fico ali, pior pode ser para mim. Preciso que ele me ajude a voltar para minha época o quanto antes melhor.

Ele se levanta e para à minha frente.

— Vamos tomar um pouco de chá e então poderemos dá uma volta pelo castelo, talvez você se sinta mais a vontade depois de conhecer nossas instalações. O que me diz? – Pergunta, amistoso.

Faço que não, não querendo adiar nossa conversa. Ele sorri, amigável, mas percebo desapontamento em seus olhos.

— Desculpe-me, é que... Preciso de ajuda, e só o senhor pode me ajudar – Sussurro, angustiada.

É reconfortante e aterrorizante está ali.

— Não entendo, senhorita Granger – Ele fala meu sobrenome como se testá-se a palavra.

Respirando fundo, reúno coragem pra falar.

— Eu chamo o senhor de diretor porque... Porque no futuro o senhor será o diretor de Hogwarts e é de lá que nos conhecemos – Profiro, tentando soar menos amedrontada do que estou – Tenho tanta coisa para contar...

Ele senta-se ao meu lado novamente, olhando-me genuinamente interessado.

— Prossiga, senhorita – Pede, curioso.

— E-eu não sei por onde...

— Pelo começo, minha jovem. Sempre pelo começo.

Quando abro a boca, deixo tudo sair, propositalmente, omitindo algumas partes. Por exemplo, não falo sobre meus pais bruxos, sinto que é irrelevante, e também não conto sobre quem Tom Riddle se tornará. Por mais sábio que ele fosse, mudar seus pensamentos em relação ao herdeiro de Salazar poderia causa nele ações que normalmente ele não tomaria, e isso mudaria a história.

Intimamente, o desejo de mudar as coisas é tentador, mas eu preciso analisar todo o contexto das minhas ações e preservar o futuro até entender melhor o que eu devo fazer. Qualquer pequena alteração podr me custar caro, muito caro. Ademais, algo em seus olhos denuncia que ele sabe que eu escondo informações propositalmente, mas também me diz que ele não irá perguntar a respeito.

[...]

Ao terminar meu relato, percebo o quão quieto e pensativo ele ficou o tempo todo. Tenho medo dele não acreditar em mim, principalmente, por não ter o vira-tempo para comprovar minhas palavras – e, de acordo com ele, o mesmo não estava comigo quando fui resgatada. Mas quando ele volta sua atenção para mim, percebo que sim, ele acredita em mim.

O brilho acolhedor de seus olhos me aquece de esperança.

— Estou verdadeiramente surpreso, senhorita. Nunca conheci um bruxo que viajou tanto tempo no passado. Isso é inédito para mim – Fala, calmo.

— Sim, senhor. Posso imaginar o quão... Diferente, meu caso possa ser – Profiro, triste – Eu mesma não compreendo o porquê daquela mulher ter feito o que fez, nunca a vi na minha vida.

— Talvez não com aquela aparência.

— Desculpe?

Ele sorri, amplamente.

— Não ligue para minhas divagações, minha jovem – Diz, baixinho – Irei enviar uma carta ao ministério, para saber se existe outro vira-tempo desses lá. Enquanto isso, a senhorita ficará aqui... E para não levanta suspeitas, vamos dizer que veio fazer um intercâmbio de tempo indefinido, e que se perdera ao chegar as divisas do castelo, por isso, fora parar na floresta proibida. Que tal? – Me pergunta.

Abro um sorriso feliz.

— Está ótimo para mim e... Talvez, eu tenha algo para ajuda nossa história – Falo, pegando minha bolsinha.

Retiro meu malão de lá e com um girar de pulso faço ele voltar ao tamanho original. Dumbledore bate palmas, contente.

— Vejo que a senhorita domina magia não verbal, estou impressionado. É muito jovem! – Seus olhos brilham de satisfação.

Fico sem graça.

Abro meu malão e de lá tiro a carta que recebera do Instituto de Salem, mostrando-a ao mesmo.

— Eu recebi ela pouco antes de vim pra cá... Podemos modificar o que está escrito aí para parecer uma carta de recomendação de intercâmbio – Explico.

Ele lê a carta e então franze a testa.

— A senhorita pretendia deixar Hogwarts?

— O que? Não, não mesmo! Eu...

Ele balança a cabeça, sorrindo.

— Não se preocupe, foi apenas uma curiosidade boba – Ele retira a varinha das vestes e então em um aceno vejo as letras da carta irem mudando de lugar e formando novas palavras – Muito bem, está pronto! — Diz, satisfeito – Qual era sua casa em Hogwarts e qual ano a senhorita estava cursando?

— Grifinória e eu estava prestes a começar meu sexto ano – Falo, orgulhosa.

Ele acena com a cabeça, animado.

— Terá que passar por uma nova seleção para não levantar suspeitas, mas isso é apenas uma formalidade. O chapéu seletor nunca mudou um aluno de casa.

— Tudo bem! – Falo, sorrindo. Eu não tinha dúvidas de que seria selecionada para a Grifinória.

O mesmo se levanta e dobra a carta, colocando-a de volta no envelope. Nessa hora, a porta é a aberta. Um homem corpulento, baixinho e com um chapéu pontudo enorme entra no cômodo, sorrindo.

— É tão bom vê-lhe bem, senhorita. Ficamos muito preocupados. Eu sou Armando Dippet, diretor de Hogwarts, a seu dispor. Como foi parar na floresta proibida, aquele lugar é tenebroso. E quem seria a senhorita? – Ele falava engraçado, rápido e sem pausas.

— Nossa hóspede é uma aluna transferida de Salem, Armando. Ela estava agora a pouco me contando que se perdera ao chegar as nossas terras – Dumbledore, intervém – Eu tinha esquecido completamente de lhe contar que recebi uma carta de Theodora Salem pedindo uma vaga na escola para essa jovem. Peço desculpas. E ela se chama Hermione Granger.

Armando olha de mim para Dumbledore, embasbacado com algo. Meu coração afunda no peito, com medo que ele descubra nossa mentira. Pela minha visão periférica, consigo vê que Dumbledore estava calmo e sorridente, nem um pouco preocupado.

— Ora, essa é uma notícia maravilhosa! Nunca tivemos em Hogwarts um aluno de intercâmbio do Instituto de Salem – Ele gargalha, felicíssimo – Aquelas lá morrem mais não se desfazem de seus alunos por nada. Sem ofensas, querida.

— Não me ofendeu, diretor – Falo, sorrindo perante seu entusiasmo.

— Muito bem, seja bem-vinda à Hogwarts. Espero que sua ida a floresta não tenha tirado o charme do nosso castelo. Posso lhe garantir que aqui em Hogwarts a senhorita está completamente segura.

— Obrigada, senhor Dippet – Digo, tímida – Posso lhe garantir que meu apreço pelo castelo não diminui e que sei perfeitamente que estou segura aqui.

Lanço um olhar significativo para Dumbledore, que alarga seu sorriso, cumplice.

[...]

Sou levada para a sala do diretor, após consumir algumas poções fortificantes, para que meu processo seletivo acontecê-se lá. A pedido meu, eu séria selecionada em privado. Não quero levantar um estardalhaço maior do que a notícia de minha ida a floresta proibida causo, de acordo com madame Cassandra.

Acredito que Dippet só aceito isso, porque Dumbledore usou de sua argumentação irrefutável para convencer-lhe de que o choque cultural que eu iria viver ali, cercada por meninos e casas, deveria ser amenizado o máximo possível. (Salem é inteiramente feminina e não é dividida por casas e sim por grau de aprendizagem, de acordo com o que li no meu penúltimo livro antes de começar minha pesquisa sobre Voldemort).

Meu trajeto até a sala de Dippet é rápido e sem incômodos, todos estão em aula. No caminho, Dumbledore e eu repassamos nossa história para que eu a decore.

Eu era Hermione Jean Granger, estudante de intercâmbio vinda do Instituto de Salem, nos Estados Unidos, mas que havia nascida e sido criada em Londres (por isso minha falta de sotaque). Irei ficar por tempo indeterminado e estou cursando o sexto ano.

Assim que entramos na sala, percebo que cinco pessoas estão presentes no cômodo, inclusive quem eu mais queria evitar, Tom Riddle.

Meu coração salta no peito. Meu primeiro instinto é querer fugir, mas logo a raiva aplaca isso e desejo cravar uma adaga em seu coração.

Se ele tiver um...

Trinco meus dentes, meu sangue corrente mais rápido em minhas veias. Me recrimino mentalmente por ter achado-o bonito, não por ele não ser bonito, porque para os meus padrões ele é absurdamente deslumbrante, mas sim porque essa beleza se perde em meio a maldade dele.

— Senhorita, Granger, é bom ver-lhe melhor – Diz, amigável.

Seu olhar demonstra frieza e curiosidade.

Tenho vontade de socar sua cara perfeitamente atraente, mas tenho que me controlar. Não posso levantar suspeitas. Ali, eu sou a estranha e ele o aluno modelo. O brilho de seu distintivo de monitor chefe me distrai por alguns segundos.

— É bom está melhor – Comento, fazendo um esforço sobrenatural para não rosnar cada palavra – Obrigada por me ajudar na floresta. Se não fosse você e o Malfoy... – As palavras saem como cubos de gelo da minha boca, tão frias que mal me reconheço nelas.

Só agradeço porque é isso que eles esperam que eu faça, e eu não posso demonstrar o quanto odeio ele.

Ele arqueia uma sobrancelha e então sorri de lado, desdenhoso.

— Não fora nada – Diz, dando de ombros – Mas Abraxas ainda não se recuperou de sua hostilidade contra ele. Devo confessar que você partiu seu coração – Diz, inocentemente.

Ao meu redor, todos prestam atenção na nossa conversa, visivelmente interessados nessa última parte que ele dissera. Riddle está jogando comigo, é nítido isso para mim.

— Garanto-lhe que ele conseguirá superar isso. E se não, sugiro que ele se mantenha ocupado demais para não pensar a respeito – Minha voz sai mansa e doce. Nunca usei aquele tom de voz antes.

Seus olhos lançam adagas em mim, posso perceber que ele não gostou da resposta.

Ou será que foi do meu tom de voz?

— De acordo – Fala, sorrindo duramente. Sorrio de volta na mesma intensidade.

Encaramo-nos hostilmente até Dumbledore pigarrear.

— Muito bem... O jovem Tom você já conhece, mas deixe-me apresentar os outros monitores chefes que estão aqui pra acompanhar sua seleção – Começa, Dippet – Temos aqui Amanda McCreary da Lufa-Lufa, Anelise Wright da Corvinal e Charlus Potter da Grifinória. Tom é o monitor chefe da Sonserina. A senhorita sabe como funciona nosso processo de seleção?

Olho embasbacada para o avô de Harry. Os dois são tão semelhantes que, a não ser pela falta de óculos e da cicatriz nele, eles poderiam ser gêmeos. Não o notei antes porque me perdera encarando Riddle.

Pisco algumas vezes, para me orientar.

— Sim, diretor. Eu li Hogwarts: Uma História, uma centena de vezes, devo confessar – Murmuro.

Ele aplaude e sorri pra mim.

— Venha, sente-se nesse banquinho, colocarei o chapéu seletor em você e quando for decidido sua casa, você acompanhará o respectivo monitor chefe dela e caberá a essa pessoa lhe orientar.

Aceno com a cabeça e me sento no banquinho próximo a sua mesa.

Encaro todos à minha volta, Dumbledore sorri encorajador, Charlus me oferece um sorriso tranquilizador, Anelise me parecia entediada, Amanda não parava de encarar Riddle, que por sinal me olhava intensamente. Não me detenho encarando ele, volto meu olhar para a quase réplica de Harry.

Quando eu for selecionada de novo para a Grifinória, eu irei conversar muito com ele, para que quando voltasse, tivesse o que dizer para Harry.

Sorrio com meus pensamentos, então, o Chapéu Seletor é posto em minha cabeça por Dumbledore.

— Hum... Vejo que estou diante de uma mente complexa, vinda do futuro cheia de dúvidas e rancor – Começa ele – Você tem mais conflitos internos que qualquer outro aluno que já selecionei.

Tenho vontade de mandá-lo falar baixo, mas pelas expressões das pessoas a minha volta, ninguém escutou nada.

— Você é brilhante, tem muita coragem e determinação. Meu eu do futuro não errou ao te colocar na Grifinória – Sorrio com suas palavras. Eu amo minha casa! — Mas... – Ãhn? Mas o que? Qual o problema? – Calma minha jovem, não seja apressada. Sua jornada a partir de agora exigirá paciência.

Fico tensa, com medo de suas palavras.

— Você tem uma inteligência fora do comum, é disciplina e adora regras, a Corvinal lhe cairia bem. No entanto, algo mudou em você... Sempre teve ambições, eram bobas e inofensivas, mas existe magoa e raiva acumuladas dentro de você, que lhe tiraram algo, posso ver...

Do que... Do que ele está falando? O que isso significa? Não entendo! Me sinto eu mesma... Bem, o mais eu mesma que as circunstâncias me permitem.

— Seu caminho é árduo agora. O sangue que corre em suas veias lhe trouxe novas possibilidades. E mesmo que renegues suas origens e prefira usar seu sobrenome trouxa, dentre os Rosier's e Black’s que já selecionei, e foram muitos, você foi a que me deu mais prazer em vasculhar a mente... Poder e bondade, esses dois adjetivos te definem bem, senhorita Black. Por isso, eu digo com convicção... Sonserina! – Grita a última parte.

Não! Grito, mentalmente, em pânico.

Fico parada no lugar, em choque, olhando para o garoto que viria a matar inúmeras pessoas por causa de um maldito preconceito. Ele me encara de volta, intrigado.

Todos estavam em silêncio, encarando-me, enquanto eu encara o garoto de lindos olhos azuis à minha frente.

Sinto o chapéu ser tirado de minha cabeça, mas não me mexo, desorientada demais para fazer qualquer coisa.

— Essa foi a seleção mais demorada que já presenciei – Comenta confuso, Dippet, para ninguém em especial.

Preguiçosamente, me causando uma série de arrepios, Tom Riddle sorri pra mim.

— Bem-vinda a Sonserina, senhorita Granger – Fala, cordial.

“Mude o modo que você olha para as coisas, e as coisas que você olha mudarão.”

— Wayne Dyer

Notas finais
Gente, eu pretendia postar esse capítulo ontem (quinta), mas tive uma enxaqueca horrível, então nem consegui terminar ele a tempo, mas aqui está... O que acharam? Mereço muitooooooos comentários? Estão gostando do rumo da história? O que acharam da Mione ir pra Sonserina? Leitores fantasmas, apareçam e me façam feliz comentando. Amo ler e responder vossos comentários. Obrigada por lerem!! Beijos sabor veneno de cobra do bem.