Notas iniciais
É chegada a hora do adeus... Enjoy!

Querida Hermione,

Mesmo estando há poucos dias de embarcar para meu sétimo ano, gostaria de dizer que não posso viajar sem ver seus bebês novamente. Eles são tão fofos! Por favor, me permita voltar a sua mansão e levar para eles duas miniaturas de Erumpentes que fiz com muito carinho. Em tempos sombrios, uma noite tranquila é tudo o que precisamos.

Com carinho,

Luna Lovegood.

Dobro a carta com cuidado, quase em reverência, devolvendo-a para seu envelope. Um sorriso luminoso desponta em meus lábios, assim como a sensação quentinha de felicidade borbulha em meu peito. É realmente maravilhoso encontrar conforto em palavras.

— Alguém aqui viu um passarinho dourado – Morgana provoca-me, levando a xícara de chá aos lábios.

Reviro os olhos, não deixando de sorrir.

— Não seja boba, M.

Uma de suas sobrancelhas se arqueia quando ela sorrir em divertimento ao ouvir seu apelido há tempos inutilizado.

— Eu? Talvez, querida, seja você quem esteja sendo boba – Ela pousa a xícara na mesa e me lança uma piscadela – É só um amontoado de palavras, Hermione.

— Não para mim – Sussurro.

Deixo a carta cair em meu colo, não me abalando por suas palavras provocativas. Narcisa se remexe em seu assento ao lado de Morgana, não muito feliz por não participar da conversa.

— De quem é a carta? – Ela pergunta, não se aguentando de curiosidade e, enfim, deixando de lado o livro que há 5min finge ler.

— Luna Lovegood.

Ela franze a testa.

— A filha de Pandora Lovegood? – Um vínculo se forma em sua testa – Vocês são amigas?

— Sim, somos – Afirmo, realmente orgulhosa disso – Você conheceu a mãe dela?

— Sim – Narcisa encolhe os ombros, um pouco desconfortável – Ela era um dos principais alvos de Bellatrix.

Surpresa, inclino-me para frente.

— O que você quer dizer com “alvo”?

Odeio essa palavra.

Nenhum pouco surpresa com minha pergunta, Narcisa apenas dá de ombros.

— Extremamente inteligente, muito desengonçada e antissocial, mas com um forte senso de justiça – Narcisa fita o livro em seu colo, aparentemente se perdendo em divagações – É assim que se poderia descrever Pandora. Um prato cheio para uma pessoa como Bellatrix, você não acha?

Balanço a cabeça em descrença.

— Claro, porque para um psicopata, uma pessoa sã é o problema e não suas maldades – Digo, trincando os dentes.

A atmosfera muda instantaneamente, de brincalhona para tensa.

— Se serve de consolo, Pandora tinha seu próprio mundo na cabeça, então, nada do que Bellatrix lhe fez realmente conseguiu lhe atingir – Fala.

— Não, não serve.

— E como sua irmã estar, Narcisa? – A pergunta de Morgana transforma a atmosfera densa em sufocante – Imagino que Tom tomou as devidas precauções quanto ao ódio dela por Hermione.

Unindo as mãos em cima do colo, Narcisa encara Morgana friamente.

— Hermione não precisa se preocupar com Bellatrix, Lefay – Existe arrogância em sua voz, assim como desprezo – E, respondendo a sua pergunta, minha irmã continua viva e bem.

— Não por muito tempo se ela voltar a atacar Hermione – Rebate, igualmente fria.

As duas não são amigas, e nunca tive a pretensão de que viessem a ser. Narcisa é introspectiva, esnobe e muito cautelosa, já Morgana é espalhafatosa, geniosa e duas vezes mais esnobe. Está é a primeira vez que vejo animosidade em suas falas, e isso me incomoda. Não quero um clima tóxico entre elas, não quando as mesma fazem parte do restrito círculos de pessoas que podem se aproximar dos meus filhos.

— Vocês estão falando de mim como se eu não estivesse aqui – Reclamo, tentando desviar a atenção para mim. Levanto-me da poltrona – E, como já deixei claro, não quero saber de nada que se relacione a Lestrange.

Já é difícil o suficiente ignorar o fato de que Tom e ela mantiveram um relacionamento carnal sem seu nome precisar ser citado. Não quero ter que me lembrar de sua existência a cada respiração que dou.

Elas entendem minhas palavras sem que eu precise verbalizar meu descontentamento sobre o assunto abordado. Mas, por minha visão periférica, percebo que me irritar foi o único propósito de Morgana com a trazida dela à conversa.

Saio do cômodo sem olhar para trás, levando comigo a carta que Luna me mandara.

Atravesso os corredores com rapidez, indo em direção ao escritório de Tom. Em minha última curva, paro.

Olho minhas vestimentas com atenção, vendo minha blusa listrada se agarrar ao meu corpo enquanto a saia de cintura alta azul de botões engole um pouco dela. Minha meia calça preta e bota de cano baixo completam o visual. Não me vesti para impressionar ninguém, mas sinto que posso obter vantagens de minhas roupas.

Volto a me mexer, ainda mais determinada. Bato antes de entrar, não querendo invadir o local. Ouço um entre quase de imediato.

— Você não precisa bater na porta – Diz, assim que me aproximo de sua mesa – A mansão é sua também – Completa, largando os papeis que lia sobre um amontoado de outros papeis, dando-me total atenção.

— Bom, sobre isso... – Me sento em uma das duas poltronas de frente para ele, cruzando as pernas com lentidão. Tom segue meus movimentos com apreciação – Quero trazer Luna aqui de novo.

Ele se recosta em sua poltrona, quase duas vezes maior que a que estou sentada, estudando-me.

— Imagino que você não veio pedir, e sim informar – Diz, nenhum pouco ofendido.

— Exatamente.

Ele balança a cabeça em concordância.

— Se você confia nela... – Existe um quê de subjetividade em sua fala, como se ele estivesse implicitamente me alertando para algo que não compreendo.

— Eu confio nela, Tom.

Quando ele aperta o queixo entre o polegar e o indicador, pensativo, apanha com a outra mão uma folha entre as muitas em sua mesa.

— Filha de Pandora e Xenofílio Lovegood, nascida em 13 de fevereiro de 1981. Sangue-puro pertencente à Corvinal – Lê, pegando-me de surpresa – Criada pelo pai devido à morte prematura de sua mãe, em 1990. Dona de uma aura constante de nítida birutice, bondade e felicidade, Luna é bastante excêntrica e diferente. Costuma usar roupas coloridas e acessórios exóticos confeccionados à mão por ela mesma. Uma de suas características marcantes é que, aparentemente, não pisca com tanta frequência quanto às pessoas normais. Muitas vezes seu olhar transmite um ar distante e sonhador, causando estranheza e apelidos zombadores como: Lunática, Di-lua, Biruta, etc.

Trêmula de raiva, apenas pisco sem parar, encarando Tom descrever Luna com base em uma folha de papel e um monte de merdas que alguém escreveu sobre ela.

Ele começa a rir ao final de sua leitura, realmente rir. Sua gargalhada atinge uma parte realmente irracional do meu cérebro. Me levanto o mais rápido que consigo, largando a carta de Luna em cima da poltrona e atravesso a curta distância entre nós, arrancando o pedaço de papel de suas mãos e o rasgando em vários pedaços, possessa.

— Esse monte de merdas não descrevem ela em nada – Rosno entre dentes, alterada – Luna é um ser humano que vai além do que as pessoas veem. Quem escreveu essas porcarias? Por que você tem isso?

Minha respiração sai descompensada, irregular.

— Hermione... Você não... Não pode... – Ele limpa a lágrima que escorre pelo canto de seu olho esquerdo, tentando parar de rir – Você não pode... Não pode... Merlin! – Sua respiração se normalizar quando ele consegue se controlar de sua crise – Você não pode negar que os apelidos são engraçados – Diz em um folego só, ainda se recuperando – É engraçado!

Cruzo os braços, negando com a cabeça.

Um lampejo de uma lembrança há tempos esquecida me vem à mente. Nela, Narcisa me conta que Tom vinha estudando todos os amigos de Harry, procurando o elo mais fraco. Isso foi antes, antes de tudo. Não existia um nós entre Tom e eu, e meu suposto sangue-ruim era o que mais lhe enfurecia.

Ele sorri de lado, levantando-se.

— Você fica linda emburrada – Fala, projetando seu corpo sobre o meu.

Ergo a cabeça para encará-lo, tentando ignorar nossa proximidade. Sua colônia invade meus sentidos, despertando lugares inapropriados para o momento.

— Você não respondeu minhas perguntas – Digo, tentando não me afetar.

Tom sorri e se aproxima, agarrando minha cintura com ambas as mãos. Cambaleio para trás até bater com a bunda na tampa da mesa, não conseguindo afastá-lo de mim.

— Eu tenho um relatório da vida de cada um dos amiguinhos do Potter e dos membros conhecidos da Ordem da Fênix e da ridícula Armada de Dumbledore – Responde, aproximando seu rosto do meu – Quem escreve, é irrelevante. Mas, se isso te perturbar... A maioria das vezes, sobre os adolescentes, quem escreve é a filha mais velha dos Greengrass.

— Daphne? – Pergunto, tentando me manter logica.

Não me surpreende ele ter esses relatórios. Na verdade, já era de se esperar.

— Sim, querida – Nossos narizes se tocam quando ele roça seus lábios nos meus.

Suspiro, inclinando minha cabeça para trás.

— Quando não é ela quem escreve, quem é a outra pessoa? – Busco seus olhos, vendo-os nublados desejo.

Ele franze a testa, parecendo confuso.

Coloco minhas mãos em seu peito, sentindo seu coração martelar sob o tecido da camisa de linho.

— Quando não é ela, quem escreve sobre eles? – Aponto com o queixo para cima da mesa, onde seus relatórios estão.

Ele respira fundo, parecendo perde a paciência. Seu aperto sob minha cintura se intensifica, mas ele não se afasta.

— Sempre é ela. Mulheres são mais detalhistas que homens quando se trata de analisar personalidades – Fala, a contragosto – Mas, em relação ao relatório sobre Luna que você destruiu com tanto afinco, quem o escreveu foi o Malfoy – Noto ironia em sua voz ao falar sobre a destruição do papel, mas ignoro – Foi o primeiro que ele escreveu, na verdade.

— Draco? – Questiono, ainda confusa.

— Sim.

— Por que ele faria isso?

Tom revira os olhos.

— Não sei, e não me importo também.

Ele enlaça minha cintura e gruda seu corpo ao meu, me fazendo sentir a dureza de seu desejo. Antes que possa sequer pensar em retrucar, sou sentada em cima da mesa, com minha saia se embolando em volta de meus quadris e ele se pondo entre minha pernas. Sua ereção se choca contra minha parte mais sensível.

Estremeço.

— Estou louco para tirar sua calcinha e me enterrar dentro de você – Confessa, beijando-me em seguida.

Agarro seus ombros, retribuindo ao beijo com o mesmo fervor. Meu núcleo umedece de imediato, ansioso para o que sempre vem a seguir.

Sorrio contra seus lábios antes do beijo extinguir.

— Sinto muito te privar de uma de suas vontades, Tom – Murmuro sedutoramente, levando minha boca ao seu ouvido. Ele estremece perante meu timbre lascivo – Mas, não estou usando calcinha – Um gemido gutural escapa do fundo de sua garganta.

Me perco em suas caricias, entregando-me ao desejo avassalador que sempre nos uniu.

[...] Dois Dias Depois [...]

O sol se põe no horizonte à nossa frente, a brisa esfria com rapidez, assim como os primeiros índices de animais noturnos começam a despontar por entre as árvores ao sul da propriedade.

Definitivamente, comer com está vista é um espetáculo a ser apreciado, penso, relaxando em minha cadeira acolchoada, na varanda de um dos quartos da zona leste da mansão.

Sorrindo para Luna, término de beber meu suco de abóbora.

Ela tira a mexa de cabelo das mãos de Damon antes que ele possa levá-la à boca. Seus barulhos imediatos entregam seu desagrado pela ação dela. Alargo meu sorriso.

Passar o dia com a mesma foi uma das melhores experiências que tive em meses. Comemos, conversamos, rimos e brincamos com os gêmeos e Bichento, planejamos novos encontros. Tudo isso em uma atmosfera leve e descontraída. Por várias horas, existiu apenas nós. Duas garotas se divertindo, sem preocupações. Foi uma experiência completa, que quero eternizar em minha memória.

— Prometa me escrever semanalmente – Peço, ligeiramente triste por saber de seu retorno à Hogwarts dentre dois dias.

Em meu colo, Alya agarra com as mãos miúdas o chifre de retalhos de um dos Erumpentes de pelúcia que Luna trouxe para meus filhos. Seguro o corpo do brinquedo e balanço-o acima de seu corpo, vendo-a se divertir ao tocar seu corpo cinzento. Em contrapartida ao interesse pelo novo brinquedo que Alya demonstrou, Damon odiou o presente com vigor, nem ao menos querendo tocar. Luna não pareceu notar seu desagrado, e se notou, não esboçou nenhuma reação infeliz.

— Mais é claro – Diz, deixando Damon voltar a enrolar seus punhos em seu cabelo comprido – Se possível, todos os dias mandarei cartas.

Ela sorri, vendo Alya tentar colocar o chifre de retalhos na boca. Afasto o objeto dela, ganhando resmungos irritados.

— Eles são adoráveis – Elogia, trocando Damon para uma posição semi sentada em seu colo – Você não voltará para Hogwarts por causa deles, não é? São muito pequenos para serem deixados longe da mãe – Observa, parecendo divagar – Mesmo sendo muito jovem, você optou por tê-los. Foi uma decisão muito difícil? Eu não sei o que teria feito, mas... Eu realmente fico feliz por você – Diz, sendo extremamente sincera – Você construiu uma linda família, Hermione. Você tem do que se orgulhar.

Tento conter as lágrimas, mas é impossível ao ouvir suas últimas palavras.

— Nunca cogitei abortá-los – Respondo com sinceridade, não me importando com meus olhos embaçados – Mas, não foi uma decisão fácil. Eu sei o que uma gravidez na minha idade tira. – Pego o guardanapo que ela me entrega e limpo minhas lágrimas – Eles são parte de mim agora.

Ela anui com a cabeça em concordância.

— Foi uma ótima decisão.

— Obrigada, Luna – Sussurro, tentando não quebrar na sua frente – Seu apoio... Não acho que as pessoas seriam tão compreensivas comigo quanto você é.

Dando de ombros, ela levanta-se com Damon nos braços e começa a niná-lo. A cabecinha dele logo tomba próxima ao seu seio direito, cochilando.

— Você nunca me perguntou sobre quem é o pai deles – Observo, cautelosa.

Não é minha intenção que ela pergunte, mas sinto que isso é um fantasma entre nós. E mesmo que não posso lhe contar a verdade, quero que ela saiba que me importo com sua opinião.

— Você não precisa me falar quem ele é, ou se ainda mantém contato com ele – Revela, nenhum pouco desconfortável pelo assunto – É sua vida, suas escolhas.

Sorrio minimamente, colocando o Erumpente de pelúcia na mesa de guloseimas à nossa frente e me levantando. Ajeito Alya em meu ombro para que ela possa cochilar também.

Um silêncio confortável se instala entre nós, com apenas o barulhinho dos bebês nos cercando. Me pego desejando poder lhe contar tudo, cada mínimo detalhe. E isso é o bastante para me afundar em alto depreciação.

E se eu contar...? Ela ainda permaneceria ao meu lado? Ela me perdoaria por dormir com Voldemort? Ele tirou tantas coisas, de tantas pessoas... Ela me perdoaria? Fecho os olhos, inspirando profundamente. Não estrague o momento afundando em dúvidas, Hermione. Ela está aqui, e o momento é composto pelo agora.

— Eu o amo – Sussurro, quebrando o silêncio com a voz embargada.

Ela se volta para mim, com seus olhos confusos me perscrutando.

— Eu amo o pai dos meus bebês – Digo, pigarreando para clarear minha mente – Nos conhecemos em um momento particularmente delicado da minha vida. Muitas mudanças acontecendo de uma vez, sabe – Ela acena com a cabeça, acreditando compreender minhas palavras – Eu não queria amá-lo, mas... Eu não consegui parar este sentimento. E... Bom, veio a separação e logo depois descobri estar grávida – Passo a língua pelos lábios, tentando ser o mais explicita sem realmente revelar nada comprometedor – Quando voltamos a nos encontrar, pouco tempo antes de mim parir, ele me trouxe para cá. Estamos tentando fazer funcionar, entretanto... Eu ainda não sei se é definitivo. Tenho muito medo de que... É complicado, Luna.

— Complicações fazem parte da vida. Ele é um bruxo?

— Sim, ele é.

Não consigo sorrir para dissipar a tensão de minhas breves revelações, mas ela coloca uma das mãos em meu braço e sorri.

— Vocês ficarão juntos – Afirma com veemência, apertando meu braço de leve antes de soltar – Espero conhecê-lo algum dia – Comenta para o nada, voltando-se para o pôr do sol a nossa frente – Se conquistou o seu coração, tenho certeza de que é uma ótima pessoa.

E com isso, agradeço à Merlin por ela está encarando a paisagem à nossa frente e não poder me ver desmoronar. Suas palavras me destroçam mais que facas.

[...] Três Semana Depois [...]

Deposito os talheres em cima do prato inacabado, vendo Tom cortar sua carne com maestria e levar um pedaço generoso à boca, mastigando e engolindo calmamente.

Isso é tão... Comum!

Suprimo um pequeno sorriso, imaginando que lhe dizer que vê-lo comer é uma cena cotidiana não lhe agradaria nenhum pouco.

Me volto para meu prato, tentada a rir.

Mirdy hoje nos serviu filé mignon envolto em patê, purê de cogumelos e presunto de parma coberto por com uma camada de massa folhada. Está delicioso como sempre, mas algumas perguntas insistentes rodeiam minha mente desde que acordei, não deixando com que eu me concentre em nada por mais que alguns minutos.

Meu encontro com Luna abriu um leque de lembranças há tempos enterradas, e agora, meu subconsciente não me deixa bloqueá-las novamente. Estou enlouquecendo em agonia, mas sei que trazer os tópicos que povoam minha mente para uma conversa farão Tom se estressar.

E, estamos tão bem.

Levo um pedaço de presunto envolto em purê aos lábios, mastigando vagarosamente. A explosão de sabores é instantânea. Solto um suspiro de apreciação, me servindo de algumas garfadas generosas. Quando volto a depositar os talheres no prato, olho para Tom pelo canto dos olhos.

Preciso fazer isso.

Seus dedos se fecham contra sua taça de pinot noir e ele a leva aos lábios, bebericando o vinho antes de me encarar.

— Algum problema? – Pergunta, sentindo o peso de ser observado.

Balanço a cabeça em negativa.

— Eu apenas estava pensando... – Bebo um pouco de água, sentindo minha garganta subitamente seca – Bom, não sei você sabe...

Deposito a taça com água na mesa, ao lado da minha comida inacabada.

— Hermione, – Seus olhos se prendem aos meus – O que te incomoda? Seja direta, por favor – Não existe irritação em sua voz, apenas impaciência.

Nossa relação se intensificou bastante desde nossa primeira noite de sexo, quase quatro semana atrás. Agora, em todos os momentos pertinentes, damos vazão aos nossos desejos, transando em todas as posições possíveis. Mas, assuntos sombrios são excluídos.

Tom não partilha comigo nada sobre a guerra, e tampouco me pressiona a falar sobre ela. Minhas únicas informações sobre este assunto proveem das cartas que Luna e eu trocamos todos os dias, um hábito que fiz questão de adquirir e incentivar.

Dizer que nossa amizade se fortaleceu é um eufemismo. Começamos com pequenas trocas de informações sobre os gêmeos e as diferentes pesquisas que Luna desenvolve com o pai. Agora, com ela em Hogwarts, falamos sobre suas matérias, como as coisas mudaram com Snape sendo o diretor do castelo, e assuntos aleatórios que surgem em sua cabeça. Logo, planos para novas visitas foram feitos entre nós. Convidei-a para vim me visitar logo após o natal, ela prontamente aceitou.

Nunca pensei que o jeito sonhador, intuitivo e apaziguador de Luna fosse o que eu precisava para me manter em contato com quem fui. Contudo, é exatamente disso que preciso. Dela. Luna une em si qualidades que fazem Lena e Dorea serem tão especiais para mim, e foi isso que me trouxe ao meu atual estado de inquietação. Saudades.

— Eu quero saber o que aconteceu com as meninas depois que desapareci – Digo, vendo instantaneamente a mudança em sua postura.

Seus ombros enrijecem e ele estreita os olhos para mim.

— Um pouco tarde para se preocupar com quem deixou para trás, não acha?

Sua hostilidade não me surpreende, era um dos motivos para eu não querer entrar nesse assunto com ele.

— Tom, eu realmente não quero brigar – Encolho os ombros, sentindo o peso da saudade arrancar minhas forças – Voltar foi uma das coisas mais difíceis que já fiz na vida – Ele abre a boca para retrucar, mas peço silêncio com a mão – Não pense nem por um segundo que você foi o único que sofreu. Tudo foi tirado de mim gradativamente – Minha voz falha, denunciando minha fraqueza emocional – Primeiro meus pais, depois meu próprio tempo. E para quê? Eu não sei!

Respiro fundo, tentando não ceder ao turbilhão de emoções que começam a me sufocar. Ele se recosta na cadeira, encarando seu prato quase vazio sem realmente o ver.

— Eu sei que para você foram cinco décadas – Prossigo baixinho, realmente esgotada – Mas, Tom... Te deixar me destruiu.

Ele fecha os olhos, tombando a cabeça para trás. Vejo seu pomo de adão trabalhar para descer sua saliva. Minutos se passam como horas, e quando não tenho mais esperança de dá continuidade à nossa conversa e obter as respostas que quero, ele abre os olhos e me fita impassivelmente.

— Anelise e Abraxas casaram-se logo após a formatura – Começa, não emboçando nenhuma emoção – O pai de Abraxas não ficou contente com a escolha, mas ele bateu o pé – Uma risada anasalada lhe escapa – Ele me chamou para ser um dos padrinhos, mas recusei. Então, Pollux ficou com este papel. O casamento foi pomposo, caro e muito bem divulgado, tudo isso para tirar o nome Wright da lama, já que a separação dos pais de Anelise foi o assunto do ano e de forma algum Abraxas se curvou aos caprichos do pai em relação a isso.

Sorrio bobamente, com borboletas dançando em meu estômago.

— Eles se amavam verdadeiramente – Digo, obtendo um retorcer de lábios da parte dele.

Assim como nós, completo em pensamentos.

Tom pega a taça e entorna todo o líquido sem emitir careta. Ele deposita o objeto na mesa, pega a garrafa mais ao longe e volta a encher sua taça quase até a borda. Não é preciso ser um gênio para entender o quanto o assunto lhe aborrece.

— Lena e Evan não tiveram a mesma sorte – Sua voz se torna baixa e sombria – Após sua partida, os dois não duraram nem três meses. O que, definitivamente, foi o melhor para todos. Dorea e ela me culpavam por sua partida, então...

Olho para minhas mãos entrelaçadas em meu colo, não lembrando de ter feito isso. O gosto amargo da desolação atinge minha língua.

— Elas sempre foram amigas leais e protetoras.

Ele toma alguns goles de sua bebida, apenas me encarando com seus lindos olhos azuis intensos.

— Dorea se casou com Charlus e Lena com outro grifinório que não lembro o nome agora, um ano após a conclusão do sétimo ano. Anelise se afastou delas após seus respectivos casamentos, mas bem antes disso a amizade delas já não era a mesma. Você era a ponte que ligava a corviniana a elas. Sua partida e o fato de Anelise não nutri o mesmo ódio delas por mim separou as coisas – Fala, depositando a taça de novo na mesa – Não quero mais falar sobre o passado – Tom limpa sua boca com o guardanapo e o joga na mesa.

Ele se levanta, pronto para sair. Todo o seu corpo exala tensão.

Levanto-me com rapidez e seguro sua mão, sentindo de imediato o contraste entre sua pele fria e a minha morna. O mesmo me encara com a testa franzida.

— Só mais uma informação, por favor.

— Hermione...

— Por favor, Tom – Suplico.

Quando o mesmo deixa escapar um suspiro, sei que ganhei.

— Pergunte – Pede, sua impaciência transparecendo em seu rosto como um letreiro de neon.

— Você sabe me dizer se alguma delas ainda está viva?

Ele desvia sua atenção para a porta, provavelmente desejando ir embora sem me responder.

Infelizmente, meu tempo no passado não alterou significativamente o passado a ponto de deixá-lo bom. É obvio que Dorea está morta, senão, Harry não teria sido criado pelos Dursley’s. Mas, com Lena e Anelise não tenho como saber. Nunca fui próxima de Draco para saber se sua avó estava viva ou morta antes de minha partida para o passado. E, como nunca conheci nenhum Ravenwood além de Lena, não sei qual o sobrenome de seus filhos e netos.

Fica mais que claro para mim o quanto o mesmo despreza as meninas e que minha partida criou um abismo colossal entre eles. Não posso as culpar, assim como também não o culpo.

— Ravenwood – Responde, voltando sua atenção para mim – A última vez que busquei informações sobre elas foi pouco tempo antes de te encontrar no cemitério – Um vínculo se cria entre suas sobrancelhas – Pensei que quando voltasse para o futuro, você iria entra em contato com alguma das suas amigas, e isso criaria a oportunidade perfeita para que eu te captura-se. Então, busquei encontrá-las – Ele se afasta, nenhum pouco contente com o tópico da conversa – Apenas Ravenwood ainda está viva. Ela mora na Escócia com uma neta. Sua filha e o pai da adolescente faleceram três anos atrás.

E com isso, ele vai embora sem olhar para trás.

Lena ainda está viva!

***

O vapor toma conta do banheiro, embaçando o espelho. Todos os meus músculos relaxam sob a água quente, mas isso não é o suficiente para me desligar da minha mente barulhenta. Nossa conversa de mais cedo rodopia em meu cérebro como um carrossel enferrujado, lento e circular.

Quero vê-la, mas... No que isso nos beneficiaria? Ela pode me perdoar? Meu Merlin, não estou pronta para isso.

Com as mãos em conchas, jogo água em meu rosto, fechando os olhos no processo. Quando os abro, uso a toalha pendurada na extremidade da banheira para secar meu rosto. Jogo-a para longe assim que me seco.

Arqueio minhas pernas para fora da água, me inclinando ainda mais para dentro da banheira. Deparo-me com ligeiras manchas arroxeadas em alguns lugares.

Ele precisa ser mais cuidadoso, penso, vendo a marca de seus dedos enfeitar uma de minhas coxas. E eu menos disponível.

Pego a esponja umedecida em cima da mesa de canto, ao lado da banheira, e começo a esfregar minhas pernas, partindo das coxas e indo até meus pés. Esfrego-me com lentidão, não esquecendo de nenhum pedaço de pele. Quando estou satisfeita, lavo meus braços, pescoço e seios, deixando barriga e parte íntima para o final, já que preciso sair de dentro da banheira para isso.

Pego uma pequena bacia redonda marrom, que sempre fica na mesinha ao lado da banheira, e jogo água nas partes ensaboadas, tirando o sabão de imediato. Repito o processo até sair tudo. Levanto-me com cuidado, coloco a bacia de volta em seu lugar e pego a esponja, pronta para terminar de me lavar.

Antes que possa começar, a silhueta de Tom aparece em meu campo de visão, paralisando-me.

— Tom! – Exclamo, desconcertada pela invasão.

Deixo meu corpo cair de volta para a água, tentando esconder minha nudez já conhecida por ele.

— Não se detenha por minha causa, querida – Diz, entrando e fechando a porta atrás de si e se recostando nela. – A visão é espetacular daqui.

— Você não conhece limites – Resmungo, lançando-lhe um olhar indignado.

Ele balança a cabeça em negativa.

— Não com o que é meu.

Reviro os olhos.

— Não seja pretensioso, não sou uma posse.

— Detalhes, você se apega em detalhes – É sua vez de revirar os olhos.

Ele cruza os braços.

— Algum problema? – Pergunto, vendo um vínculo se forma entre suas sobrancelhas.

— Não gostei de como terminamos nossa conversa mais cedo.

— Eu também não.

Ele suspira, relaxando os músculos. Percebo que um pouco da tensão que lhe acarretou nossa conversa se dissipa.

— Tudo que envolve sua partida ou me enfurece ou machuca – Revela, transparecendo toda a sua consternação – Não consigo me controlar. Não sei amar como as pessoas amam, Hermione. Não sei libertar o que sinto que me pertence. Está parte egoísta e distorcida dentro de mim é muito grande e obscura, e me domina quando o assunto é você. Só em pensar te perder, eu fico insano. Completamente louco. E, só em lembrar como foi não ter você... Hermione, eu não posso te perder novamente.

Não consigo falar, pensar ou distinguir o que sinto. Tudo é envolto em uma pastosa camada de anestesia. Suas palavras me atingem fundo, marcando cada centímetro do meu coração. É impossível não ceder ao seu apelo implícito.

Ergo-me, não me importando com minha nudez. Seus olhos travam em meu rosto, mas assim que saio de dentro da banheira e piso na cerâmica com os dois pés, vejo sua atenção vagar por meu corpo.

Calmamente, em um completo oposto ao retumbar frenético do meu coração, caminho até ele, tendo todos os meus movimentos estudados. Paro a sua frente, cabeça erguida e olhos presos aos seus.

— Eu não vou a lugar nenhum.

Levo as mãos ao seu peito e as espalmo contra os músculos rígidos embaixo da camisa preta. Um arrepio de excitação passa por meu corpo, enquanto me ponho na ponta dos pés.

— Eu sou toda sua, Tom – Ele não perde tempo, cobre minha boca com a sua.

O desespero em seu beijo me faz sentir pontadas agudas no meio das pernas e, de imediato, minha vagina se umedece. Nossas línguas dançam em perfeita sincronia, as mãos dele lutando contra suas peças de roupa. Ajudo-o com os botões de sua camisa, sentindo suas mãos trabalharem em sua calça.

Tom agarra minha cintura e me gira, colocando meu corpo contra a porta do banheiro. Nos separamos por falta de ar.

— Eu quero você, Hermione. Preciso de você. Quero entrar em você de novo e de novo e de novo. Sem pausa – Diz, nenhum pouco alterado.

— Faça isso, por favor.

Puxo sua blusa para baixo, livrando seu corpo dela com seu auxílio. Tom passa as mãos ao redor de minha cintura e me pressiona com força contra a parede, enquanto entra em mim sem cerimônias.

Grito seu nome, abraçando seu pescoço para me equilibrar.

— Porra... porra... caramba. Eu não quero sair de dentro de você nunca mais.

Com a respiração pesada, ele apoia a cabeça no meu pescoço.

— Que delícia! – Geme, em êxtase.

— Por favor, mais fundo – Imploro.

Ele solta um rosnado louco antes de começar a meter em mim com força. Lambe meu pescoço e morde o meu ombro e a região acima dos meus seios várias vezes, enlouquecendo-me. Com habilidade e conhecimento, traça com a língua um caminho ao redor do meu mamilo e o toca várias vezes antes de abocanhá-lo. Meu orgasmo se constrói com força em meu baixo ventre, por isso, sei que vou gozar a qualquer momento.

Minhas pernas começam a enfraquecer com o orgasmo iminente. Tom percebe, agarra-as e nos pressiona ainda mais contra a porta, para ter apoio. Levanto os olhos e, no instante em que nossos olhares se encontram, explodo de prazer, gritando seu nome até minha voz se tornar um gemido rouco.

— Ah, porra, Hermione... Isso.

Seu gozo balança seu corpo com tanta força que o meu estremece de prazer pela segunda vez. Consigo me segurar nele e, com isso, descanso minha cabeça em seu peito, escutando as batidas descontroladas de seu coração.

***

Um forte cheiro adocicado penetra minhas narinas, impregnando meu olfato. Em meu estado de semiconsciência, me viro de barriga para cima na cama, pensando que assim o cheiro diminuiria de intensidade.

Toques suaves e gélidos começam a acontecer em meu rosto no mesmo instante que me aconchego no travesseiro. Demoro a entender o que se passa, presa ainda entre ficar meio acordada, meio dormindo. O cheiro aumenta de intensidade quando inspiro fundo, desistindo de me manter dormindo.

Abro os olhos com cautela. Minha visão demora a se focar pela pouca luz, mas quando o faz, sento-me na cama de imediato.

Pétalas de rosas brancas caem do teto magicamente, criando um imenso tapete branco pelo quarto. Em pontos estratégicos, longes da cama e em cima de alguns moveis, velas aromáticas estão acesas, quebrando a escuridão do quarto. O único ponto não tocado pelas pétalas é o perímetro envolta do berços dos bebês. Com a porta da varanda aberta, posso ver que a noite ainda reina lá fora.

— O que...? – Abro e fecho a boca, encantada.

— Você acordou. – Tom surge, entrando no quarto segurando uma bandeja com um pedaço de bolo e um pequeno jarro de vidro com um buquê de orquídeas azuis e brancas dentro.

— O que isso significa? – Pergunto, sorrindo bobamente.

Vejo ele colocar a bandeja ao lado do meu corpo e se sentar na beira da cama, com o objeto de madeira entre nós.

— Feliz aniversário – Fala.

Boquiaberta, apenas pisco sem parar, realmente surpresa.

— Merlin, eu esqueci! – Solto uma breve risada – Hoje é 19 de setembro.

Ele sorri de lado.

— Imaginei que você houvesse esquecido – Comenta, dando de ombros.

Atravesso a pequena distância entre nós, me inclinando por cima da bandeja, e lhe roubo um selinho rápido. Seguro sua mão, apertando seus dedos entre os meus, voltando a me sentar.

— Obrigada, Tom.

Ele agarra minha nunca e puxa meu rosto para si, encontrando-me na metade do caminho. Nossos lábios se chocam com força, mas sua língua invadindo minha boca aplaca o incomodo. Nos beijamos ardentemente, enroscando nossas línguas com desejo.

Tom se afasta, seus olhos nublados por luxúria.

— Vejo que você se inspirou em meu ato com... – Paro, realmente não querendo trazer Bellatrix à conversa.

— Ah, querida... Você pode ter certeza de que aquele ato me marcou – Fala, seu tom estranhamente prazeroso – Venho desejando te foder em meio a rosas desde então.

Um brilho travesso aparece em suas íris enquanto minhas bochechas pegam fogo. Balanço a cabeça, fingindo indignação.

— Seu romantismo me comove – Ironizo, agarrando algumas pétalas e lhe jogando-as.

Elas estacionarem no ar, paradas por magia. Tom balança a cabeça em negativa, nenhum pouco incomodado por minha atitude provocadora.

— Ao invés de me jogar rosas, você deveria olhar embaixo do seu travesseiro – Diz, lançando as pétalas para longe – Tenho a impressão de que existe algo aí embaixo para você.

Curiosa, ergo meu travesseiro com rapidez, deparando-me com uma caixa de veludo de tamanho médio.

Não perco tempo lhe perguntando o que é, pois consigo imaginar. Pego o objeto e lhe abro com cuidado, deparando-me com um colar de diamantes adornado por uma safira solitária e um par de brincos de safiras, com pequenos diamantes a sua volta.

— Tom, você já me deu o anel... – Não sei como agradecer ou elogiar o presente – Nunca tive nada tão sofisticado ou caro assim antes. Não sei o que dizer.

— A partir de agora você tem, e apenas agradeça. É a única coisa que eu espero nessas situações – Ele segura meu rosto com ambas as mãos, fazendo a bandeja entre nós flutuar para longe da cama.

Seus lábios unem-se aos meus, me roubando um agradecimento sincero. Sem precisar ponderar sobre isso, me lanço em seus braços, determinada a lhe mostrar o tamanho da minha satisfação pelo presente.

[...] Três Meses Depois [...]

Setembro chegou sem que eu percebesse, e logo se foi da mesma forma. Com outubro não foi diferente, as folhas secaram e caíram de suas árvores, denunciando o outono rigoroso deste ano.

A atmosfera sempre calma de Hogwarts atingiu um grande clímax de tensão com os professores novos, comensais não tão disfarçados assim. Luna tentou suavizar o tom sombrio de nossas trocas de cartas diárias, mas até ela não estava mais conseguindo disfarçar o quão tenso o lugar estava.

Quando novembro bateu à porta, logo em sua primeira semana, Tom conseguiu me convencer de que chegara a hora dos gêmeos terem o seu próprio espaço. Por isso, decoramos o quarto em frente ao nosso e interligamos os dois com um sistema magico de captação de sons, para que assim, conseguíssemos escutá-los quando acordassem. Os primeiros dias foram mais difíceis para mim do que para eles com a separação, mas conseguimos nos adaptar bem à mudança.

Em sua última semana, novembro nos trouxe grandes surpresas em relação aos bebês, agora com quase quatro meses. Em um dos raros momentos em que Tom e eu conseguimos nos reunir para brincar com eles, Alya incendiou metade de seus ursinhos de pelúcia em ataque de raiva, enquanto Damon levitou a si mesmo e todos os móveis do cômodo para atrair nossa atenção para si. Os dois juntos, liberaram sua magia mais cedo que qualquer outro bebê bruxo que já tenhamos ouvido falar.

Com este acontecimento, nossas reações variaram entre surpresa, pânico (só da minha parte), orgulho e felicidade. Naquela noite, foi a primeira vez que ouvi Tom relatar algo com tanto orgulho e admiração. Seus olhos brilhavam enquanto ele contava sobre o ocorrido para Morgana, após eu iniciar o assunto. Logo, mais incidentes mágicos aconteceram, mas não com a mesma intensidade.

A primeira semana de dezembro não nos trouxe grandes mudanças, apenas uma diminuição no número de cartas entre Luna e eu. De todos os dias passamos para três vezes na semana. Mas, nossos planos não findaram.

Estamos mais do que ansiosas para nos vermos após o natal, por isso, lhe prometi em uma das minhas cartas ir até sua casa pessoalmente para lhe buscar, e também conhecer seu pai. Uma promessa que me fez ter uma discussão horrível com Tom. No entanto, não cedi. Eu irei. Mas, para o meu completo espanto, suas respostas pararam no dia de seu embarque para casa. Levando-me a suspeitar que algo não está certo. Após esperar até a véspera de natal por uma resposta sua, e nada ser dito, envio uma carta para seu pai.

Um sentimento realmente inquietante se apodera de mim. Tom tenta me acalmar, mas com dezenas de compromissos marcados, ele precisa sair.

— Ela provavelmente está procurando narguilês, Hermione – Diz, tentando soar engraçado – Não se preocupe tanto, querida – Ele beija minha testa e vai embora.

Passo o resto da manhã inquieta, com um mal pressentimento rondeando minhas emoções.

Por seu filho estar em casa, não vejo Narcisa desde o início das férias de natal também. Morgana não vem mais com tanta frequência, presa em seus deveres como soberana de Avalon. Por isso, quando uma ideia impulsiva se fixa em minha mente, não tenho ninguém ao meu lado para me dissuadir.

— Mirdy – Chamo-a, vendo seu corpinho aparecer na minha frente no mesmo instante.

Ela faz uma breve reverencia, algo que já tentei lhe convencer de não fazer, mas ela nunca me escuta.

— Mirdy está aqui, senhora – Fala, com seus grandes olhinhos me encarando com atenção – O que posso fazer por minha senhora?

Engulo em seco.

— Mirdy, preciso que você me leve até a casa de Luna – Informo, vendo seus olhos se arregalarem – É uma ordem que preciso que você execute imediatamente.

— Mas, senhora...

— Mirdy, sem discussões! – Sou enfática e hiperativa, assustando-a.

Merlin, estou sendo uma tirana com ela, me recrimino.

Ela balança a cabeça lentamente em concordância, estendendo sua mãozinha para mim. Aparatamos de imediato, com meu corpo atravessando as barreiras impostas por Tom sem nenhum problema.

Quando meus pés voltam a se firmar, fico ligeiramente enjoada. A neve fofinha envolve meus pés por completo. De imediato sinto o frio congelante do inverno atravessar minhas poucas peças de roupa.

Merlin, isso é horrível.

— É ali, senhora – Mirdy fala, apontando com a mão para uma construção estranha mais ao longe.

A casa se ergue verticalmente contra o céu da tarde, como um cilindro negro que lembra uma torre de xadrez. Expiro e inspiro fundo, vendo uma plantação de visgos enormes se projeta um pouco mais afastada da casa, sendo tomados quase completamente pela neve.

— Mirdy, volte para meus bebês e fique com eles – Peço, encarando a construção com a testa franzida – Quando eu estiver pronta para ir embora, eu te chamo.

— Senhora, meu senhor não vai gostar disso – Fala, cruzando as mãos na frente do corpo – Mirdy não quer desagradar vosso senhor.

Lhe ofereço um sorriso tranquilizador, abaixando-me para ficar com o rosto próximo ao seu.

— Não se preocupe com Tom, Mirdy. Eu irei explicar para ele a situação – Digo, soando o mais calma que consigo, mesmo extremamente ansiosa e nervosa – Você pode ir, tudo ficará bem. E, não se preocupe, eu não irei demorar.

Ela hesita, mas acaba cedendo e desaparecendo.

Encolho os ombros, forçando meus pés a se mexerem em direção a casa. O frio é realmente um incomodo a parte, mas não o suficiente para se transformar em insuportável.

Oi, sr. Lovegood. Desculpa vim sem avisar, sou amiga da Luna. A propósito, ela estar? Não, não. Ele vai pensar que sou louca.

Mordo meu lábio inferior.

Sou Hermione Granger, sr. Lovegood, amiga da Luna. Não tenho notícias dela há alguns dias, o senhor poderia me dizer como ela estar?

Respiro fundo, internamente construindo várias maneiras de me apresentar e perguntar por Luna, soando patética em todas as vezes.

Quando chego a escadaria de entrada da casa, estalo o pescoço para ambos os lados, tensa. Tiro a neve do meu jeans que só em minha cabeça tem e subo, degrau por degrau.

Hesito ao bater na porta, mas quando o faço, sou firme.

Que Merlin me ajude a não fazer papel de idiota.

A porta é aberta em um solavanco e um homem de cabelos loiros médios, com textura de algodão doce e segurando uma chaleira enorme aparece na porta. Seus olhos arregalados e rosto marcado por várias linhas de expressão estão esperançosos, mas assim que me veem perdem completamente a esperança, ficando com os olhos opacos e sombrios. Quase pulo para trás com seu ímpeto ao abrir a porta, assustada.

— O-olá, eu sou...

— Hermione Granger, amiga da minha filha – Diz, sua voz saindo ansiosa e levemente aguda – Entre, senhorita. Seus amigos também estão aqui. Aceita uma xicara de chá? Farei para nós todos, o clima pede isso.

Amigos? Do que...?

Ele me dá passagem, recuando de costas para dentro da casa com a chaleira em mãos e uma expressão indecifrável no rosto. A porta é escancarada para a minha entrada com o auxílio do seu pé e ele para, esperando que eu entre.

Hesito, mas seus olhos me suplicam algo. Não sei decifrar o que é, apenas sinto que algo está terrivelmente errado. E por isso, com meu coração a galopes, entro na residência Lovegood.

Cheiros fortes de ervas, tintas, poeira e outras coisas que não consigo decifrar chegam ao meu olfato, distraindo minha mente por alguns segundos. A porta é fechada com cautela atrás de mim, em um movimento ligeiro dele.

— Bom, senhor Lovegood, eu vim...

Um barulho de passos apressados descendo uma escada distrai minha linha de raciocino. Logo mais, Harry aparece em meu campo de visão, parecendo confuso.

— O quarto dela parece não ter sido usado... – Seus olhos se chocam com os meus e ele para no último degrau da escada.

Antes que qualquer palavra possa ser trocada entre nós, um Ronald desgrenhado e cheio de neve pelas roupas surge de onde acredito ser a sala. Ele paralisa no lugar, completamente estupefato.

— Hermione.

É, definitivamente, terei muitas coisas para explicar ao Tom.

“Não viva para que a sua presença seja notada, mas para que a sua falta seja sentida.”

— Bob Marley

Notas finais
Não sei o que dizer, só sentir. Como vocês devem ter percebido, Luna foi sequestrada, e é agora que as coisas começam a ladeirar para o nosso casal. Hermione terá uma importante escolha a fazer: Se revelar para salvar sua amiga, ou se manter neutra. Ela também conhecerá alguns dos segredos do Tom através de seus antigos amigos. A partir desde ponto, a história se seguirá para seu inevitável fim, contendo algumas modificaçõezinhas. Sinto que essa reta final é uma das mais difíceis da minha vida. Desire Obsolete está comigo a tanto tempo, que me despedir dessa fic é quase fisicamente doloroso. Entretanto, o adeus não é agora, apenas está muito perto. Em meus cálculos, teremos mais 3 ou 4 capítulos antes do Epilogo. Deixem-me saber como se sentem sobre o capítulo, é importante para mim. Beijinhos sabor saudades inevitáveis!!