Desire Obsolete
11 Reputação
Notas iniciais
Saio sozinha do dormitório usando o uniforme verde e prata da casa, me sinto uma traidora por isso. Mas, infelizmente, nada posso fazer para mudar meu atual estado. Alegar insanidade por parte do chapéu seletor não seria muito proveitoso para mim, afinal, ninguém acreditaria.
Dorea e Lena saíram já há algum tempo, informando-me antes que tinham um importante assunto para tratar, me deixando sozinha para encontrar a sala de Dumbledore por conta própria, já que não há motivo alguma, na terra ou no céu, que me faça buscar ajuda de Riddle. E mesmo tendo perdido o almoço por ter dormido demais, não estou com fome.
Merlin permita que a sala de transfiguração seja no mesmo lugar, desejo internamente, abandonando o corredor cheio de portas e entrando no salão comunal.
— Indo a algum lugar, senhorita Granger? – A voz rouca e mansa de Riddle me faz estagnar no lugar.
Tremo, ligeiramente, pelo susto.
Procuro o mesmo com o olhar, encontrando-o sentado em uma poltrona próxima a uma das janelas do lugar e cercado por cinco garotos, inclusive Abraxas Malfoy.
Todos me encaram com interesse, sendo Abraxas o único que sorri para mim.
Pisco um pouco, atordoada.
— Hum... Sala do professor Dumbledore – Revelo, constrangida por está sendo encarada com tanto afinco por todos eles.
— E quando a senhorita iria me chamar pra leva-lhe até lá? – Questiona, neutro.
— Na verdade, nunca – Respondo, sincera.
Eu não sou demente, posso muito bem achar uma simples sala sozinha, ainda mais sendo em um castelo que eu conheço muito bem – mesmo ele não sabendo disso.
— Já imaginava – Diz, simplesmente, não parecendo ofendido.
Ele levanta-se e vem até mim, parando ao meu lado. Seus companheiros permanecem no mesmo lugar, encarando-me com certa hostilidade, com exceção do avô de Draco, que ainda sorri com simpatia.
Ele me parece diferente dos outros Malfoy's que já conheci, penso, encarando o futuro sogro de Narcisa por breves segundos.
— Garanti ao professor Dumbledore te guiar até a sala dele, então, acompanhe-me sem reclamar, Granger – Comanda, imperativo, seguindo apressado para fora do salão comunal.
Suspiro, contrariada, mas sigo o mesmo sem falar nada.
Ele só está fazendo isso para manter a pose de bom garoto e não descumprir um pedido de Dumbledore, deduzo.
Nos mantemos em silêncio por quase todo o percurso, sua postura corporal indica que o mesmo não está disposto a jogar conversa fora, e eu não preciso de muitos incentivos para me manter calada em sua presença.
Mergulho em pensamentos, semeando internamente uma ideia que me surgira no banho, após as meninas saírem do dormitório e eu estar me preparando para encontrar Dumbledore em sua sala. É trabalhosa e irá requerer tempo e disposição, mas eu preciso tentar. Uma guerra no futuro está prestes a estourar, e mesmo não estando lá, é meu dever me preparar para ajudar. E por bem ou por mal, estar perto do jovem Tom me dá certas vantagens, as quais eu não posso ignorar.
Encaro o garoto ao meu lado, sorrateiramente, sua postura séria e altiva é um repelente natural para as pessoas. No entanto, algo nele me intriga. Quero descobrir seus segredos com a mesma intensidade em que quero me manter afastada.
Os corredores do castelo, saindo das masmorras, continham uma numerosa quantidade de alunos vagueando e papeando entre si. Alguns me encaram e cochicham, outros só me ignoram.
Me mantenho neutra, mas tentando não parecer uma idiota antipática, o que é difícil sendo da Sonserina e estando ao lado de Tom Riddle, que gera um misto de emoções nos estudantes à nossa volta: respiro, raiva, inveja e medo.
Sua reputação, literalmente, lhe precede.
Em uma determinada curva, entramos em um corredor abarrotado de estudantes. Mesmo sem acontecer nada, vejo eles se afastarem deixando o caminho livre para passarmos.
Franzo a testa, confusa.
Mas então me lembro de quem está comigo, e que entre os alunos, principalmente os primeiranistas, ele não tem uma boa reputação. O medo de cruzar seu caminho em um dia ruim é o que deve motivá-los a querer se manterem longe de seu radar.
— As pessoas parecem te respeitar... – Comento, tentando soar monótona.
— É bom que respeitem mesmo – Retruca, sombriamente.
Uau, você nem aparentar ser um futuro genocida, ironizo mentalmente, para logo em seguida sorrir sem humor.
Chegamos à sala de Dumbledore sem trocarmos mais nenhum palavra.
— Aqui está! – Informa, parando em frente a porta – Espero que tenha gravado o caminho, não ficarei te esperando e não me importo se você se perder... Apenas esteja no salão comunal antes das 22hrs, ou levará uma detenção – Dispara, friamente, e então vai embora sem olhar para trás.
Definitivamente, ele é um poço de simpatia e bondade, penso, antes de bater na porta.
[...]
— A torta estava deliciosa, professor – Elogio, feliz – Muito obrigada.
Ele sorri, calidamente.
Estamos sentados, rodeados de um mini banquete, desde o momento em que entrei na sala, quinze minutos atrás. Conversamos amenidades e comemos guloseimas regadas à um delicioso chá.
— Não precisa agradecer, senhorita – O mesmo inclina-se sobre a mesa, assumindo uma postura séria – Temos um assunto importante para tratar.
Beberico minha xícara de chá, saboreando seu gosto adocicado, à espera de suas próximas palavras.
— Recebi uma resposta do Ministério acerca do objeto que lhe trouxe aqui... Temo não ter boas notícias – Começa, austero – Não se encontra em nenhuma seção dos artefatos mágicos atuais um vira-tempo que seja igual ao que a senhorita me descreveu – Informa, com pesar – Mas ainda falta olharem nos mais antigos e danificados – Completa, confortador.
Encaro a pequena xícara em minhas mãos, desanimada.
Lá se vai a maneira rápida de voltar ao futuro, lamento em pensamentos. Como os meninos e meus pais irão reagir ao perceber que sumi? Ou já perceberam e estão me procurando? Questiono-me, sentindo meus olhos marejarem.
Deposito a xícara de volta à mesa.
— Eu entendo, professor... – Início baixinho, abatida pela informação – Algo que me ocorreu, antes de vim parar aqui no passado, fora que esse vira-tempo poderia ter sido fabricado com exclusividade por alguém que não é ligado ao Ministério. Sendo assim, é quase impossível rastrear seu paradeiro, a não ser que eu encontre quem o construiu.
Dumbledore ajeita seus óculos meia lua e concorda com a cabeça.
— Fora meu primeiro pensamento – Confidência – Contudo, não vamos nos desesperar. Se não for através de um vira-tempo, tentaremos buscar outras alternativas – Garante.
Sorrio, minimamente.
— Obrigada, professor – Agradeço, aliviada.
Encaro o relógio em formato de coruja na parede atrás dele, seus ponteiros marcam 16:34 da tarde.
Cedo, penso, ansiosa.
— Professor, eu tenho um pedido a lhe fazer... Quero dizer, um pedido e uma permissão – Começo, mordendo meu lábio inferior, envergonhada.
Ele me encara por cima de seus óculos meia lua, intrigado.
— Continue, senhorita.
Ajeito-me na cadeira, nervosa, antes de começar a falar.
Faço meus pedidos com temor, mas sendo firme em minhas palavras. Ele acompanha tudo em silêncio, calmo. Quando termino, permanecemos em silêncio por alguns instantes.
— Seu pedido é inusitado, mas posso atendê-lo. Se isso lhe trará conforto, fico feliz em ajudar – Ele faz uma pausa, analisando-me – No entanto, a permissão... Creio que a senhorita entende minhas reservas quanto a isso.
— Entendo muito bem – Falo, tentando não soar desapontada – Mas, eu só preciso de alguns dias... Até que eu posso absorver conhecimento o suficiente para ajudar meus amigos quando voltar para o futuro – Olho para a estante de livros à minha esquerda – Não posso falhar com eles... Não depois... – Me detenho, receosa.
Não depois de descobrir ter o sangue de uma assassina em minhas veias, completo, mentalmente. Não sabendo que meu pai, o padrinho querido de meu melhor amigo foi morto por minha biológica mãe... Ele morreu sem saber que sou sua filha... Encaro sem realmente vê os livros da estante, lembrando dos Granger’s, e principalmente, de como eu havia os decepcionado e afastado de mim.
Sinto algo quente escorrer por minhas bochechas, mas não tenho pressa de limpar as lágrimas que descem inoportunas.
Dumbledore me entrega um lencinho de linho, sorrio agradecida e limpo minha face.
— Me desculpe... Eu só pensei em transforma essa situação em algo produtivo pra mim... Mas se não for possível, eu fico feliz que pelo menos o meu pedido o senhor poderá atender – Falo, sorrindo aliviada.
— Vamos conversa melhor sobre tudo isso, e então eu decidirei se ofereço ou não a permissão que a senhorita precisa – Diz, calmo – Enquanto isso, vamos tomar mais chá... Ajuda a clarear minha mente.
Seus olhos bondosos e sábios sorriem pra mim.
— Por favor, senhorita, conte-me mais sobre a guerra que deixou para trás – Pede, enchendo minha xícara.
Faço que sim, decidida a revelar o máximo possível para ele.
[...]
Após sair da sala de transfiguração, caminho devagar rumo a biblioteca do castelo, extasiada por ter recebido a permissão que eu preciso para entrar na Seção Restrita do castelo até o final do mês. E imensamente agradecida por Dumbledore concordar em me ensinar oclumência. Afinal, como Narcisa falara, se Voldemort chega-se até mim, ele iria vasculhar minha mente atrás de informações, e eu não posso permitir isso.
Tom ainda não tentou, mas algo me diz que ele sabe sim, e que se eu lhe desse motivos, ele iria procurar um meio de invadir minha mente. Eu preciso me prevenir, e nada mais me vem à mente do que aprender a ocultar meus pensamentos.
A biblioteca está quase vazia, a não ser pela presença de duas corvinianas e da bibliotecária, uma mulher ruiva que usa óculos grandes demais para seu rosto e que que se lê em sua plaquinha metálica de identificação "Madame Lucinda Pince". Logo deduzo que ela é parente da futura bibliotecária de Hogwarts, Madame Irma Pince.
Sorrio para ela, que sorrir de volta, tímida.
Pego um livro na Seção de Referências sobre contra-maldições e me sento no lugar mais afastado da sala, quase no fundo.
Eu não irei começar hoje a entrar na Seção Restrita, primeiro irei me inteirar dos assuntos que estão sendo discutidos nas aulas e depois começar minha jornada lá. Graças a Dumbledore, estou com uma lista dos temas que estão sendo trabalhados em sala. Ele me deu antes que eu fosse embora, alegando que como as aulas já haviam começado há uma semana, eu precisava acompanhar a turma. O que é totalmente verídico.
Abro o livro e começo a ler, percebendo logo em seguida que tudo que se tinha ali eu já sabia.
Suspiro, entediada.
Antes que possa levantar para ir pegar outro, Madame Lucinda vem em minha direção.
— Nunca esqueço um único rosto sequer... A senhorita é nova no castelo. – Ela não pergunta, afirma com simpatia.
— Sim, sim. Sou Hermione Granger – Estendo minha mão para ela que a pega, desajeitadamente – Prazer!
— Ora, você é muito educada, senhorita – Fala, sorrindo largamente – Sou Lucinda Pince, guardiã desse vasto mundo literário, e espero te ver muito por aqui.
Seus olhos brilham com fervo. Ela ama o que faz, percebo.
— Serei uma figura constante aqui – Digo, convicta.
Ela balança a cabeça com entusiasmo.
— Então, agora terei mais um para atormentar diariamente – Brinca, feliz – O pobre Tom já não deve aguentar minhas reclamações sobre o barulho e a falta de respeito com os meus bebês – Ela aponta para os livros, carinhosamente.
— Oh! Então, Riddle está sempre aqui? – Pergunto, tentando não soar irritada.
— Ele vem todos os dias sem falta. É um garoto tão gentil... – Por sua voz e postura, percebo que o jovem Voldemort a encanta.
Ótimo... Uma fã do Riddle! penso, irônica.
Sorrio, para não demonstrar o meu desgosto por suas palavras.
— Com licença, miss Granger – Pede com formalidade – Acabo de me lembrar que preciso procurar alguns livros para a professora Almira.
Vejo-a se afasta com pressa, sumindo entre as estantes de livros murmurando coisas para si.
Vou em busca do meu próximo livro, apreciando o silêncio do lugar e mergulhando em um maremoto de pensamentos.
[...]
Exatamente às 19hrs da noite, entro no salão principal para jantar, vendo as quatro longas mesas quase totalmente ocupadas de alunos famintos. Detenho meu olhar na mesa da Grifinória, saudosa.
Ali deveria ser o meu lugar...
Sinto uma ligeira sensação de d’javu, ao lembrar da primeira vez que entrei ali e vi aquele mesmo teto iluminado por velas flutuantes.
Tudo mudou tão rápido, mas Hogwarts ainda me passa a mesma sensação de segurança e fascínio.
Caminho com pesar até a mesa da Sonserina, evitando encarar as pessoas. Meu trajeto é repleto de especulações e cochichos à minha volta sobre mim.
“É ela...”
“... presa lá por uma semana!”
“Ela é bonita!”
"De onde ela é mesmo?”
“...Enfrentou cinco centauros furiosos por comida. “
“Não me parece grande coisa...”
Sento-me o mais longe possível do fluxo de alunos, não querendo responder a nenhuma pergunta ou socializar.
Dorea e Lena entram no salão sendo acompanhadas por uma menina de estatura mediana e cabelos castanhos achocolatados, que saltita e tagarela com um garoto que reconheço como um dos seguidores de Riddle que vi mais cedo no salão comunal. O garoto tem a tonalidade dos cabelos da mesma cor que a menina e é mais alto que as três garotas que o cerca.
Minhas colegas de quarto me encontram com o olhar, então, sorriem e caminham em minha direção, trazendo os dois desconhecidos consigo.
— Estávamos te procurando, Hermione – Afirma, Dorea, sentando-se à minha direita, enquanto Lena senta-se a esquerda e o casal desconhecido senta-se a minha frente – Essa é minha irmã mais nova Cassiopeia e meu irmão mais velho Pollux – Apresenta-me eles, gentil.
— Prazer – Fala, extrovertida a jovem Black.
Pollux ignora-me totalmente e olha para a porta do salão, provavelmente, esperando Riddle e seus companheiros passarem por ali. Ele parece desconfortável e irritado por estar ali.
— O prazer é meu – Digo, sorrindo para a jovem menina, que não deveria ter mais que 14 anos.
Pollux solta uma risada de escárnio, levando-nos a encarar o mesmo.
— Qual o problema? – Cassiopeia pergunta, curiosa.
Ele se volta para mim, sorrindo desdenhoso.
— O prazer tem que ser seu mesmo, porque eu não me sinto nenhum pouco feliz em conhecer uma sangue-ruim – Solta, lançando-me um olhar raivoso.
Estreito meus olhos, aborrecida, mas não surpresa por suas palavras.
Esse não é sutil em seu ódio por nascidos trouxas.
Dorea solta uma exclamação de surpresa, enquanto Lena abre a boca e fecha, sem saber o que dizer. Cassiopeia é a única inabalável ali, ela sorri pra mim e então faz careta pro irmão, achando graça da situação.
— Peça desculpas a Hermione, Pollux – Manda Dorea, ultrajada.
— Tudo bem, Dorea, eu não me... – Ela me interrompe, estalando a língua pra mim em discordância.
Seu ato me lembra meu primeiro encontro com o Riddle, quando ao dizer que Dumbledore é o diretor de Hogwarts, ele fizera a mesma coisa.
— Não está nada bem! Você não irá falar assim com a Hermione, Pollux. Peça desculpas a ela, ou eu...
— Ou você o que irmãzinha? Não me surpreende você já ter feito amizade com essa daí, você tem um fraco por coisas inferiores – Ele curva-se para frente, encarando Dorea desafiadoramente – Não seja uma pirralha burra, sangue-ruins como ela jamais deveriam pisar em Hogwarts, são uma abominação, a escória da sociedade – Ele volta a me encara, dessa vez sério – Seu sangue-sujo me causa repulsa.
Dorea fica vermelha de raiva, mas antes que ela possa falar alguma coisa, intervenho.
— Você é só mais um entre muitos que não tem nada de especial, por isso, para se engrandecer destila veneno contra as outras pessoas – Falo, assustadoramente calma até para os meus padrões – Já conheci muitos como você para saber que no final, vocês sempre acabam rastejando no chão... Perdendo para quem vocês consideram abaixo da hierarquia, mas que são melhores em todos os sentidos. – Faço uma pausa, tomando fôlego, então solto uma breve risada sem humor – Um verdadeiro babaca com devaneios de nobreza, é isso que você é.
Ele treme de raiva, encarando-me com os olhos injetados de fúria.
— Pollux – A voz de Riddle me pega de surpresa. Olho para trás, vendo o mesmo encara o garoto a minha frente em um claro aviso de cale-se.
Voltando sua atenção para mim, compreendo que ele escutou tudo, a julgar pela sua expressão tensa e seus olhos furiosos.
Prendo a respiração, nervosa.
— Venha sentar-se conosco – Continua o sonserino atrás se mim, em uma ordem velada – Temos assuntos a discutir – Completa, frio.
— Isso não acaba aqui — Avisa-me o Black, em uma clara ameaça, enquanto se levanta.
Ele sai, seguindo Riddle para longe de nós.
Uma pequena algazarra se desdobra à minha volta, com as meninas falando ao mesmo tempo coisas como: Ninguém nunca o enfrentou assim! Você quer morrer? Isso foi tão espetacular, Hermione.
Apenas sorrio para elas, encarando o lugar que a pouco tempo ele estava sentado.
Eu preciso ir o quanto antes melhor para a Seção Restrita.
“O caráter é como uma árvore e a reputação como sua sombra. A sombra é o que nós pensamos dela; a árvore é a coisa real.
— Abraham Lincoln
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