Notas iniciais
Enjoy!

Dois pares de braços envolvem meu corpo, abraçando-me com força. Sinto as lágrimas dos rostos de Lena e Dorea pingarem em minha pele, mas permaneço quieta, apenas recebendo sua avalanche de amor e perdão com acolhimento.

Eu não mereço nada disso, mas sou extremamente grata por ter.

Minhas mentiras tinham afastado elas de mim, mas novas mentiras nos aproximaram de novo. O quão frustrante e louco isso era?

Elas se afastam e limpam seus rostos dos rastros de lágrimas. Seus semblantes refletiam um genuíno carinho. Meu coração se aquece de amor e felicidade com suas reações receptivas após escutarem toda a minha história.

Eu havia passado o domingo todo com Tom, adiando nosso encontro e também aproveitando em demasiado os beijos quentes que trocamos próximos ao Lago Negro. Mas após o jantar, aonde comemos na cozinha de novo, nos separamos e eu vim correndo falar com elas.

No entanto, antes de nossa relutante separação, eu o fiz prometer não contar para ninguém sobre nosso relacionamento até ter acertado as coisas com as garotas. Ele não ficou feliz com esse pedido, mas o acatou assim mesmo.

Agora que acertei tudo com elas, eu preciso encontrar uma forma de abordar esse assunto, penso.

— Você passou por tanto coisa nesses últimos dos anos – Lena começa, apiedada, afastando-me dos meus pensamentos – A morte dos seus pais adotivos, a aparição de uma madrinha que você nem sabia que existia e a troca de escola... – Ela balança a cabeça, entristecida – É claro que entendemos e te perdoamos, Hermione.

— E também não podemos te julgar por não querer fazer parte de algo que sempre te machucou – Dorea complementa, segurando minha mão e olhando-me com ternura – Eu entendo sua raiva em relação aos sangue-puros que te maltrataram, mas saiba que nem todos são iguais, e que você aceitar essa parte da sua vida não te tornará menos preciosa e incrível.

Fungo baixinho, tentando conter minhas lágrimas. Suas palavras tocaram fundo em meu coração.

— Vocês são as melhores pessoas do mundo – Sussurro para elas, me lançando em seus braços, em um forte e acolhedor abraço.

Eu não mereço vocês.

Quando nos separamos, sorrimos com cumplicidade.
— Então, sentimos muito por termos te evitado ontem – Dorea diz, hesitante – Ainda estávamos digerindo à informação.

Lena acena, concordando.

— Não se preocupem com isso, eu entendo – Afirmo com sinceridade.

— E como foi o seu dia? Você sumiu! Não precisa se esconder, Herms – Lena muda o tópico da conversa, faceira – Vamos te proteger desse falatório todo.

— É isso mesmo. Você agora nos tem como suas guardiãs, e no nosso turno, ninguém vai te machucar – Dorea profere, sagaz.

Abro e fecha a boca, encantada com suas bravuras e companheirismo.

— Isso foi lindo. Obrigada, meninas – Mordo meu lábio inferior, emocionada – E meu dia foi... intenso.

Elas me lançam olhares amorosos, algo dentro de mim aquece, mas com isto vem o gosto amargo da traição.

Meus princípios de amizade, lealdade e companheirismo por elas eram verdadeiros, mas as mentiras que eu lhes contava manchava nossa relação. E isso me entristecia profundamente.

Suspiro, sabendo que não poderia esconder meu relacionamento com Tom delas. Já tinha manchas demais em nossa relação, eu não acrescentaria mais aquela omissão à minha consciência.

— Eu passei o dia com Tom – Confesso, baixinho.

Suspiros de assombro são disparados, assim como olhares confusos e exclamações de surpresa.

— Tom Riddle? – A pergunta de Dorea sai hesitante, como se a resposta a assusta-se demais – Porquê?

Lena estava com os olhos arregalados e aboca entreaberta, pasma.

— Ele me pediu em namoro, e eu meio que aceitei – Tento sorrir, mas minha tensão me impede disso.

O ar a nossa volta estala carregado de animosidade.

— Você só pode está brincando – Lena solta, horrorizada – É sério?

Faço que sim com a cabeça, envergonhada.

Mudo de posição na cama, cruzando minhas pernas e encaro o piso de nosso dormitório. Já devia passar das 10hrs da noite, e definitivamente, eu só queria dormi.

— Hermione, o Tom é mal! Você não pode namorar com ele. Isso é loucura! – Dispara Dorea, com a testa franzida em confusão.

— Sim. – Concordo Lena – Ele nunca assumiu um namorado com ninguém, mas eu já ouvi história o suficiente para saber que ele é... Indigno.

— Como assim? – Pergunto, confusa.

Elas se entreolham, mas quando lhes lanço meu melhor olhar intimidador, as duas desatam a falar.

— Ele tem fama de só querer se divertir – Começa Lena, baixinho – Riddle é muito seletivo em relação a suas conquistas. Bom, ele só fica com garotas descompromissadas, o que lhe dá certa decência ao meu vê. Mas elas não podem ter fama de espalharem suas... atividades íntimas, porque se forem manchadas com tal desonra, ele não as quê. No entanto, nenhuma o prende tempo o suficiente para que se possa confirmar que eles tiveram algo. E também nunca falam a respeito abertamente, só entre sussurros em quatro paredes, porque sexo é algo que se deve guardar para o casamento.

— Ou seja, elas comentam para os mais íntimos como uma forma de se vangloriar, mas ninguém tem provas ou quer válida essas histórias. É obsceno – Prossegue Dorea, conspiratória – Porque, fala sério, pessoal! É Tom Riddle, o queridinho dos professores e aluno modelo – Ela revira os olhos, exasperada – Enfim, a questão é, ele usa as garotas e as descarta. E não queremos que você passe por isso.

— Deixa eu vê se entendi – Início, usando meu tom mais analítico – Vocês estão me dizendo que ele é sexualmente ativo e muito seletivo com quem transa, e que não faz sexo com as garotas por muito tempo, é isso?

— Sim! – Respondem em uníssono.

— Certo, mas o sexo é consensual, não é? – Minha voz sai mais rouca do que eu gostaria.

— Consensual? – Pergunta a Black, cautelosa. Suas bochechas são tingidas de vermelho.

— Consensual é que ambos estão de acordo para fazer o ato – Explico, tentando conter meu divertimento ao vê-la desconcertada com o tópico da conversa.

O sexo é um forte tabu nessa época, relembro, sabendo que na minha época também, mas não tanto quanto aqui.

— Ah, sim! Entendemos – Lena solta uma risada nervosa – E sim, é isso, é consensual. Nunca ouvimos ninguém falando que não queria fazer... Você sabe, sexo com ele – Solto um suspiro que não sabia está prendendo. Ela prossegue brandamente – E também é bem óbvio que com aquele rosto e a pose de garoto inacessível, as meninas se joguem aos pés dele. É bem provável que se humilham para estarem em sua cama – Completa, sombriamente.

Algo em seu tom de voz me deixa desconcertada.

— Bom, eu entendo seus argumentos, mas...

— Você não pode considerar levar isso a diante – Me interrompe a Black – Se não for por toda essa libertinagem dele, mas que seja porque ele é um preconceituoso imbecil e um garoto mal, Hermione.

Engulo em seco, sabendo que ela havia acertado nas palavras.

Tom era preconceituoso e eu mais que ninguém sabia disso. Na verdade, eu sabia que seu preconceito escondia também uma crueldade absurda, e que suas ações afetariam milhares de pessoas. Mas no momento, eu preferia me concentrar em uma coisa por vez.

Fecho meus olhos, sentindo minha cabeça latejar.

Se ele tinha uma vida sexual antes de mim, com certeza vai querer mantê-la agora, só que... comigo! Quão ingênua eu fui por não pensar nisso antes? Eu nunca fiz sexo e não sei se estou pronta pra fazer. Ou se quero fazer.

Entrelaço minhas mãos em meu colo.

Mas não adianta você se desesperar por algo que pode não acontecer, Hermione, constato, iniciando um diálogo comigo mesma. Amanhã ele pode acorda e perceber que te pedir em namoro foi um erro, e então, você não precisará se preocupa com sua virgindade. Ou, Morgana se senta disposta a te mandar para o futuro... O que vier primeiro...

— Hermione? – A voz de Dorea me faz volta para a realidade.

Pisco um pouco, tentando clarear minhas ideias.

— Eu sei que pra vocês é loucura, uma insanidade. Mas, meninas, eu quero e preciso descobrir onde isso me levará, porque... – Faço uma pausa, tentando organizar meus pensamentos – Eu sinto coisas por ele que nunca senti por ninguém. E temos algo... Não sei como explicar.

É físico, mas às vezes parece emocional, indago mentalmente. Ou, talvez, só carência e desejo.

Elas ficam em silêncio, digerindo minhas palavras, suponho.

— Tudo bem, podemos lidar com isso, certo, Lena? – A loira concorda, assentindo – Mas, nos prometa que você tomará cuidado.

— Eu sempre tomo – Mas eu prometo a vocês que tomarei ainda mais cuidado. É só um namoro, não uma sentença de morte, garotas – Término, soando menos divertida do que eu gostaria.

Por favor, Merlin, não deixe com que eu me arrependa disso.

— Mudando de assunto – Dorea começa, olhando-me marotamente – Você é uma Black. E minha prima! – Sua voz sobe alguns tons no final, demonstrando sua empolgação.

Sorrio abertamente, contagiada com sua alegria.

— Prima de nono grau – Relembro ela.

— Não importa, é parte da família do mesmo jeito – Rebate, lançando-se em meus braços – Bem-vinda à família, Hermione – Sussurra em meu ouvido, abraçando-me com força.

— Obrigada, Dorea – Consigo agradecer, mesmo estando a beira das lágrimas.

— Eu também quero um abraço – Ouvimos Lena dizer, manhosa.

Nos separamos e abraçamos a loira, para em seguida todas caírem na gargalhada.

[...]

Eu amava a biblioteca de Hogwarts de maneira ensandecida. Era o tipo de paixão que reservava a poucas coisas em minha vida. Suas prateleiras altas e largas, o cheiro de livros novos e velhos, a mistura que unia os conhecimentos do novo com o antigo... Tudo isso era meu bálsamo. Minha válvula de escape.

Passo meus dedos sobre a lateral dos livros alinhados em suas prateleiras, sentindo as diferentes texturas de couro e papel acariciar minha pele. Me movimento com calma, seguindo o fluxo de livros, vez ou outra, desviando de obstáculos inconvenientes.

Deixo minha mente vaga sem rumo, tentando não me focar em nada que me distraia da minha paz recém encontrada.

O mês de outubro estava chegando, e a temperatura em Hogwarts só diminuía, afugentando ainda mais os alunos da grande biblioteca. Principalmente, nas primeiras horas da manhã. Então, sozinha ali, fora fácil pra mim conseguir aquietar meus pensamentos barulhentos e indesejados.

Desde ontem, após aceitar namorar com Tom e passar o resto do dia com ele, eu vinha evitando pensar em coisas que pudessem trazer para mim os incômodos sentimentos de culpa e deslealdade. Mas essa não era uma tarefa fácil. Por isso, a noite passada havia sido terrivelmente mal dormida, principalmente, após todas as acusações e descobertas sobra a vida sexual de Tom que Lena e Dorea me disseram.

Minha mente vinha remoendo possíveis desfechos para nosso romance, e nenhum era minimamente satisfatório para mim.

Desvio minha atenção para as grandes janelas atrás de mim, percebendo com estranheza que o sol já havia nascido.

Há quanto tempo estou aqui?

Eu havia chegado na biblioteca antes do sol nascer, e o espanto de Madame Lucinda fora tanto em me ver ali tão cedo que quase deixará os pergaminhos que carregava caírem. Mas a julgar pela intensidade da luz solar, isso acontecera há um par de horas atrás.

Paro de vaguear sem rumo e encosto minha testa entre os livros da prateleira a minha frente, inalando o aroma família e característico de livros velhos.

Fecho meus olhos, deixando minha mente seguir seu próprio rumo.

Sem aviso prévio, uma pequena lembrança há tempos esquecida se infiltra em meu cérebro. Eu estava na sala de Adivinhação, sentada entre Rony e Harry quando falei que acho essa matéria vaga e tola.

“- Sua alma é tão velha e empoeirada quanto às páginas dos livros que você folheia incansavelmente.” A professora Trelawney dissera para mim naquele momento.

Solto uma breve risada, lembrando como aquilo me aborrecer a na época, mas que agora não surtia efeito algum em mim.

Braços fortes rodeiam minha cintura me fazendo sobressaltar de susto. Logo sou apertada contra um corpo quente e firme. O cheiro inconfundível da colônia usado por Tom se infiltra em minhas narinas, acalmando meus batimentos.

— Te achei – Sussurra em meu ouvido, me causando arrepios.

Tombo a cabeça para trás, descansando ela em seu ombro. Abro meus olhos apenas para vê a pele alvo de seu pescoço a centímetros de minha boca. Contenho o ímpeto de beijar ali, não sabendo aonde poderíamos chegar com isso.

— Você me assustou, Sr. Riddle – Sussurro de volta, amaciando meu tom de voz.

Ele me aperta ainda mais em seus braços, fazendo meu corpo grudar completamente ao seu.

— Era esse meu objetivo – Confessa, direcionando seus lábios para os meus.

Nosso beijo se inicia lento, quase tímido, com apenas alguns moveres suaves de nossas línguas uma sobre a outra. Levo minhas mãos até seus cabelos, acariciando ali. Ele intensifica seu aperto sobre mim, literalmente, me esmagando contra seu corpo. Sugo seu lábio inferior com delicadeza, ele devolve meu movimento, mas dessa vez mordiscando minha boca com avidez.

Gemo, deliciando-me com sua agressividade mal contida.

Quando nos separamos por falta de ar, ficamos em silêncio por alguns minutos, apenas escutando o som frenético dos nossos corações batendo ritmicamente.

— Como foi ontem com as garotas? – Pergunta, quebrando o silêncio.

Remexo-me em seus braços, girando meu corpo para ficar de frente para o mesmo. Tom dificulta um pouco minha mudança de posição por está me esmagando contra seu corpo, mas com esforço consigo ficar frente à frente com ele.

— Eu não viu fugir, sabia? – Provoco-o, que apenas sorri de lado.

Solto um suspiro profundo, lembrando-me de como fora minha conversa ontem com Dorea e Lena.

— Foi melhor do que eu esperava – Falo, deitando minha cabeça em seu peito – Contei tudo, inclusive, sobre nós.

— Isto é bom, certo?

Aceno positivamente com a cabeça, fechando meus olhos e inalando seu cheiro. Tom me aconchegava em seus braços, afrouxando um pouco seu aperto sobre mim.

— Então, porque você me parece triste? – Pergunta, acariciando minhas costas com a mão.

Eram em pequenos gestos como aquele que eu sentia que nutria por ele mais do que desejo, o que eu sabia ser perigoso, mas não conseguia evitar.

— Eu não sei – Levanto minha cabeça para encará-lo – Normalmente, eu não fico remoendo as coisas. Simplesmente sigo em frente. No entanto, eu tenho muitas informações pra processar, então, meio que estou tento dificuldade em organizar as coisas em minha mente. Estou atordoada com a velocidade dos últimos acontecimentos.

Ele faz que sim com a cabeça, mas seus olhos estão distantes, como se não compreende-se o que levava uma pessoa a ficar assim.

— Você não é do tipo que fica remoendo seus problemas, não é?

— Não – Responde de imediato, franzindo a testa para mim.

Rio, achando engraçada a cara confusa que ele fez.

— Você está rindo de mim, miss Granger? – Sua voz denotava divertimento, enquanto seu corpo me pressionava para trás, fazendo com que ele acabasse me imprensando contra a estante de livros.

— Eu não ousaria – Falo, entrando em seu jogo.

— Ah, eu acho que ousaria sim – Seus olhos brilhavam de malícia, e eu não conseguia esconder meu sorriso travesso.

Ele desliza uma de suas mãos até meu cabelo e o puxa para baixo, deixando-me com o rosto virado para cima, e seus lábios colam nos meus com força. Não é exatamente doloroso. Solto um gemido em sua boca, proporcionando uma abertura para sua língua. Ele aproveita inteiramente o espaço, a língua explorando habilmente a minha boca.

— Ah, merda! Desculpa! – A voz de Abraxas nos pega desprevenidos. Nos separamos de imediato, comigo constrangida e com Tom irritado.

Ele estava parado a poucos metros de nós, vestia o costumeiro uniforme da casa, e sua surpresa e divertimento eram refletidos em seu rosto. Abraxas era o primeiro, fora meu círculo de amigos (Dorea e Lena), que acabava sabendo do nosso envolvimento, e eu não sabia como me comportar.

— O que você está fazendo aqui? – Pergunta Tom, não escondendo sua irritação com a interrupção.

Abraxas leva a mão ao pescoço e coça ali, visivelmente desconfortável por ter a raiva de Tom voltada para si.

— Na verdade, eu estava te procurando Tom – Diz, mudando o peso dos pés e curvando os ombros para baixo.

Algo em sua expressão facial me chama atenção, e apesar de nos encontrarmos em uma cena constrangedora, ele não havia feito nenhum comentário sagaz. E isso não se devia unicamente ao fato de ser Tom ali. Era mais porque ele estava... triste!?

— E o que você quer? – Pergunta o moreno, aproximando-se dele.

Franzo a testa quando ele puxa do bolso traseiro um pequeno envelope vermelho ainda lacrado e o aponto para Tom. A compreensão do que ele segurava me vem à mente de imediato. Um berrador.

Vejo Tom endurecer sua postura e solta alguns muxoxos raivosos antes de colocar a mão no bolso e tirar de lá uma chave pequena e arredonda. Ele entrega a chave para Abraxas, que lhe lança um sorriso agradecido.

— Até mais tarde – Se despede de mim, afastando-se de nós com rapidez.

Ficamos em silêncio até que seus passos no piso desaparecem.

— O que aquela chave abre? – Pergunto, vencida pela curiosidade.

— Meu dormitório de monitor chefe – Diz, ainda encarando aonde antes Abraxas estava – Quando seu pai lhe envia berradores, ele os escuta lá – Completa.

— O Sr. Malfoy faz isso com frequência? São notícias ruins, ou...?

— Nunca são notícias ruins – Fala sombriamente – O velho só faz isso para atormentar Abraxas. Acredito que esse é o passatempo dele preferido; menosprezar qualquer coisa que o filho faça ou deixe de fazer.

— Isso é horrível – Sussurro, irritada e entristecida – Você tem que falar com Abraxas.

Tom se volta para mim com um sorriso de lado irresistível. Sinto minhas pernas bambearem e meu coração disparar.

— Tenho coisas melhores para fazer – Seu corpo se move com rapidez, e logo me vejo em seus braços de novo.

Ele enterra seu rosto em meu pescoço, inalando meu cheiro. A pontinha de seu nariz raspando contra minha pele me envia poderosas rajadas de tesão.

— Tom, por favor... – Gemo contrariada.

— Sim? – Ele afasta seu rosto do meu pescoço e beija minha bochecha, encarando-me com divertimento.

— Você tem que falar com Abraxas – Volto a dizer, incisiva.

Ele solta uma lufada de ar pelo boca.

— Por quê? Ele gosta de privacidade nesses momentos, e eu não me importo com isso – Rebate, irritado – São assuntos de família, e disso, eu não entendo – A frieza com que ele gospel essas palavras para mim me fala encolher.

Me afasta de seus braços.

— Ele é seu amigo! Você precisa se importa com isso – Afirmo com veemência.

— Eu não tenho amigos, Hermione.

Balanço a cabeça em negativa.

— Abraxas é seu amigo, e ele precisa de você – Cruzo os braços, irritada com sua falta de empatia – Se esses berradores o deixam tão mal quando eu acredito que deixem, ele vai precisar saber que existe alguém que se importa de verdade com ele. E que acredita no seu potencial.

— E porque essa pessoa tem que ser eu? – Pergunta, frustrado.

— Aí meu Deus, Tom! – Exclamo, frustrada.

Cubro meus olhos com as mãos, tentando pensar em outra coisa a não ser estrangulá-lo.

— Vocês são amigos – Volto a olhá-lo, que me encara com os olhos semicerrados e os braços cruzados – E amigos se apoiam nesses momentos – Me aproximo dele, tocando seus ombros com as mãos – Você não precisa dizer algo profundo e cheio de sentimentos, apenas fale que ele não é nada do que o pai dele diz. Família é mais do que sangue, Tom – Concluo, carinhosamente.

Seus braços se desgrudam e caem um de cada lado do corpo. Tom solta um suspiro, e passa uma das mãos pelo cabelo.

— Tudo bem – Diz, vencido.

Solto um gritinho feliz e o abraço com força. Ele retribue meu abraço e esmaga minha boca com a sua, em um beijo cheio de raiva e fome. Envolvo meus braços em volta de sua nuca e retribuo na mesma intensidade, sentindo o calor de seu corpo se misturar ao meu.

— Será que em algum momento vamos concorda com algo? – Pergunta, quando nos separamos em busca de ar.

Balanço a cabeça em negativa.

— Provavelmente não. Eu te darei muita dor de cabeça.

— Mal posso esperar – Fala sarcasticamente.

Sorrio, para em seguida beijar seus lábios.

Ele me envolve com seus braços e aprofunda nosso beijo, enroscando sua língua na minha sem cerimônia alguma. Passo meus dedos sobre seus fios grossos e sedosos, e então, finalizamos nossa carícia com alguns selinhos.

— Te vejo mais tarde nas aulas? – Pergunto, me afastando.

— Com certeza.

Vejo-o sumir por entre as estantes, indo ao auxílio de Abraxas. E mesmo sendo um ato que eu, praticamente, o forcei a fazer, eu me sentia muito bem vendo isso acontecer.

É, talvez, namorar Tom Riddle não seja tão ruim, penso, tocando meus lábios com as pontas de meus dedos, sentindo-os inchados de nossas trocas de carícias.

Volta a sorrir, só que dessa vez, como uma boba apaixonada.

[...]

O restante da manhã transcorre sem complicações ou amassos entre Tom e eu. Me sento com as meninas nas aulas que se seguem e Tom com Abraxas, este último estando estranhamente relaxado.

Sorrio para o loiro em solidariedade quando eles entraram juntos na primeira aula do dia. Já para Tom, lanço-lhe meu melhor olhar provocativo, o que ele devolve com seu sorrisinho lateral irresistível. As meninas não deixam de notar nossos pequenos gestos, e com isso, me atormentam o resto da aula.

Sou constantemente observada por Pollux e Evan. Mas nenhum deles faz menção de me aborda, então, me mantenho longe de seus radares, aguardando o momento em que eles iriam vim falar comigo. Afinal, eu era uma Rosier Black, e eles deveriam está se mordendo de curiosidade e raiva.

Fora os burburinhos que ocorriam quando eu passava, todos voltados sobre o fato de eu ser puro-sangue, nada me afeta o resto da manhã.

Tom e eu nos mantínhamos discretos em relação ao nosso namoro, não éramos de muito afeto em público e presávamos nossa privacidade. Por isso, não alteramos nossa rotina, mantendo o mesmo grau de comprometimento com nossos amigos. E assim sendo, não nos tornamos alvos de conversas desnecessárias... Até a hora do almoço.

— Será que demorará muito? – Dorea pergunta pela terceira vez em cinco minutos.

— Eu não sei – Volta dizer pela terceira.

Estávamos estagnadas próximas a uma das salas vazias do castelo, esperando Lena acabar seja lá que tipo de conversa estava tendo lá dentro com Evan.

Suspiro, cruzando meus braços, sentindo o tédio me corroer.

Quando Septimus e Charlus despontam no começo do corredor vindo em nossa direção, sou a primeira a nota suas presenças. Meu primeiro instinto e sorrir, mas não o faço, lembrando que desde a detenção aplicada por Tom em Septimus, o Weasley vinha me ignorando. E lembrando também que Charlus e Dorea ainda não estavam se falando, mas isso eram culpa de Pollux.

Cutuco Dorea com o cotovelo e aceno com a cabeça para onde eles vinha. Vejo-a ficar paralisada vendo Charlus se aproximar. Sua postura relaxada fica tensa e seus olhos ficam opacos.

— Oi! – Dizem os dois em uníssono.

Charlus olha diretamente para Dorea quando nos cumprimenta, certificando-se de que ela soubesse que aquele “oi” fora totalmente para ela.

— Oi – Cumprimento de volta, encarando os dois.

— Oi! Hum... Eu preciso ir – Dorea fala, nervosa – Nos vemos no Salão Principal? – Pergunta para mim, dando alguns passos para longe.

Seus olhos exprimiam suas desculpas não ditas, eu aceno e lhe lanço um sorriso tranquilizador. Ela parte para longe com rapidez, não olhando para trás. Charlus fica encarando a mesma se afasta como um cachorro que caiu do caminhão de mudanças.

— Você deveria ir atrás dela – Comento para ele, atraindo sua atenção para mim.

— Você acha? – Seus olhos brilham com esperança.

— Eu tenho certeza – Afirmo, o mesmo acenar em concordância – Vai logo, Potter!

Ele não espera outro comando, parte quase correndo atrás dela. Tenho vontade de ri, mas me contenho, apenas observando os dois sumirem ao fazerem a volta no corredor mais à frente.

— Isso foi muito legal da sua parte – Ouço Septimus comenta, atraindo minha atenção para ele.

— É, acho que foi – Minha voz sai mais fria do que eu gostaria – Então, você voltou a falar comigo agora? Seu ego se acalmou?

Ele fica vermelho como um pimentão, e isso faz com que eu me arrependa.

— Olha, me desculpa, eu não deveria ter falado assim com você.

— Não, Hermione, você está certa em ficar brava – Interrompe-me, deslocando-se até ficar a minha frente – Eu fui um idiota e deixei meu orgulho falar mais alto que minha vontade de ficar perto de você – Diz, olhando-me diretamente nos olhos – Riddle e os amigos dele são uns malditos que gostam de pisar e humilhar as pessoas, e eu os odeio, principalmente a ele, o aluninho perfeito que é superior a todos – O ódio presente em seu tom de voz não me passa despercebido. Era potente e obscuro demais, e isso me assustou – Enfim, isso não é desculpa para eu ter agido daquela forma. Por favor, me perdoe. Eu gosto muito de você – Sua voz transborda sentimentos no final, passando de raiva para afeto.

Engulo em seco, digerindo suas palavras.

Uma certeza me bate em cheio; eu perderia sua amizade quando meu namoro com Tom fosse descoberto.

— Eu te perdoo, é claro – Começo, me preparando para falar a verdade para Septimus, antes que o mesmo descobrisse por terceiros. Mas pela veracidade com a qual ele dissera odiar Tom, eu sentia que perderia de vez sua amizade – Bom, eu tenho que te com...

— Eu sabia que você iria me perdoar – Afirma alegre, me interrompendo.

O mesmo me puxa para seus braços de repente e me abraça forte, pegando-me de surpresa. Mas antes que eu possa ter qualquer reação, seu corpo se desgrudam do meu com brusquidão.

Fico atordoada por alguns instantes, mas logo arregalo meus olhos ao vê a cena que se desdobra a minha frente. Tom havia o puxado para longe de mim e agora empurrava seu corpo petrificado pelo susto na parede e estava com a varinha na jugular dele. O rosto de Septimus estava vermelho, seus olhos arregalados de pânico e sua boca entreaberta, quase como se um grito de pavor tivesse ficado entalado ali.

— Tire suas mãos imundas da minha namorada – Tom cospe cada uma das palavra na cara de Septimus com uma fúria descomunal.

Meu coração falha algumas batidas, se afogando em medo e angústia.

— Tom, por favor! – Me aproximo deles com rapidez, tentando desviar sua atenção para mim – Vamos resolver isso civilizadamente. Septimus e eu somos apenas amigos, e você está sendo irracional.

— Você pode ter certeza, ele quer ser mais que seu amigo – Devolve, voltando-se para o ruivo, que estava completamente imóvel, amedrontado.

Pela forma como o mesmo pressionava a varinha na jugular dele, a qualquer momento Tom poderia realmente machucar Septimus, e isso era algo que eu não iria permitir.

— Solte-o – Ordeno, segurando em seu ombro.

Seu sorriso macabro me diz que ele vai fazer tudo, menos soltar o outro.

— Tom, por favor – Tento de novo.

Ele permanece em silêncio, provavelmente decidindo qual seria o feitiço que lhe causaria mais dor.

— Tom, por favor, solte-o e boa conversa – Minha voz sai firme, mas baixa.

Ele desvia sua atenção do ruivo para mim, e então afrouxa seu aperto, vendo algo em meu rosto que denotava minha obstinação. Mas logo se volta para o Weasley de novo, só que dessa vez aproximando seu rosto do dele.

A expressão sombria que ele assume faz Septimus estremecer.

— Nunca mais a toque, Weasley. Ou eu juro, será a última coisa que você fará – Ameaça, antes de liberta-lo – Agora, suma da minha frente.

Septimus não se move mesmo depois de ter sido liberto, ainda petrificado de susto.

— Septimus, eu sinto muito – Falo, tentando exprimir em minhas palavras todo o meu mal estar com aquela situação.

Ele não me responde ou me olha.

— Acho que você já descanso demais, Weasley. Suma daqui! – Tom comanda, frio.

— Tom, cala a boca – Rosno, furiosa.

Ele arqueia uma de suas sobrancelhas, mas não se abala com minhas palavras grossas. E isso só me deixa ainda mais irritada. Na verdade, eu estava tão furiosa com ele que nem poderia descrever em palavras.

Sem falar nada, Septimus desgruda da parede e passa por nós e sair correndo sem olhar para trás.

— Septimus, espere – Tento seguir o mesmo para me desculpar, mas Tom me impede, me segurando pela cintura e puxando meu corpo para junto do seu.

Me afasto do mesmo só para começar a esbofetear seu peito com minha mãos, esbravejando o quanto eu o odiava e queria arrancar sua cabeça ali mesmo. Ele não contém meu ataque de fúria, ficando parado o tempo todo, apenas recebendo meus golpes sem emitir som algum.

Quando me canso de bater nele sem obter nenhum resultado, eu paro. Respirando com dificuldade pelo esforço feito, eu me apoio em meus joelhos com as mãos.

— Você está mais calma? – Pergunta, sério.

— Só cala a boca, tá – Falo com a voz entrecortada pelo cansaço.

Ele não diz nada, apenas fica parado, me encarando.

— O que deu em você? Ele só me abraçou – Consigo dizer, ainda tentando acalmar minha respiração.

Vejo o mesmo dá de ombros.

— Eu não sei – Revela, encarando a parede aonde antes Septimus estava sendo imprensado – Nunca reagi assim antes. Acho que não sou bom em ter ciúmes.

— É essa sua explicação? – Pergunto repleta de descrença – Ciúmes, sério? Eu não sou sua propriedade, Tom – Ajeito minha postura, voltando a ficar ereta. Minhas respiração se normaliza.

Ele revira os olhos, fazendo pouco caso da situação.

— Eu nunca disse que você era, eu só não gosto de vê outro cara de tocando – Fala, para em seguida estender a mão para mim – Mas, eu talvez possa concordar com você que minha reação fora em demasiado violenta.

Seguro-a a contra gosto e ele entrelaça nossos dedos.

— Se você fizer algo assim de novo, eu vou terminar tudo, entendeu? – O tom de ameaça em minha voz era verdadeiro, eu realmente terminaria tudo.

Ele não me responde, mas pelo seu olhar posso percebo que ele entendeu muito bem, e como sempre, não gostou.

Um barulho de porta sendo aberta nos chama a atenção. Vemos Evan e Lena saírem da sala com as roupas amassadas e os cabelos despenteados. E a julgar pelo inchaço de suas bocas, a conversa deles havia sido intensa.

— Tudo bem por aqui? – Ela pergunta, não percebendo que Dorea não estava presente e que Tom e eu estávamos lívidos.

— Sim, está tudo bem – Respondo, encarando Tom com certa hostilidade.

Estávamos juntos há apenas um dia e eu já queria correr para as montanhas e esquecer que tinha aceitado namorar com ele.

Bom, pelo menos não terei que me preocupar com minha virgindade, concluo, duvido muito que vamos chegar nesse estágio de relacionamento.

“É melhor um pequeno fogo para nos aquecer do que um grande fogo para nos queimar.”

— Thomas Fuller

Notas finais
Hello, my loves ❤️ Gostaram do capítulo? Comentem!! Espero que esse começo de ano tenha sido incrível para vocês ❤️ Desculpem a demora para posta, estive viajando aí quando voltei tinha muito coisa pra organizar. Enfim, aqui estamos com o capítulo novinho e o primeiro de 2019... ❤️ Leitores fantasmas, pronunciem-se Beijinhos sabor ciúmes!!