Desire Obsolete
26 Linhagem
Notas iniciais
“A praia a minha frente é deslumbrante, com sua areia clarinha contrastando com os tons verde e azul da água. O sol está quase se pondo, deixando um rastro alaranjado pelo céu, que vai diminuindo de intensidade cada vez mais.
Quero suspirar, entendendo de súbito que voltei a estar ligada, por meio de um sonho, ao corpo da mulher que mora com Morgana. Mas como não posso, porque ela é a única que controla nossas ações ali, limito-me a deixar que ela conduza tudo o que vejo.
Os pés dela estão fincados na arreia, enquanto sente a brisa do mar acariciar sua pele e esvoaçar seus cabelos. O vestido cinza que trajava era longo e estampado com flores em tons de rosa, vermelho e laranja, com uma faixa enlaçada entre seus seios e sua barriga proeminente.
‘Grávida.’ Minha mente entra em um frisson de pensamentos, tentando o entender o que se passava ali. ‘Quem é você?'
Começo a receber uma enxurrada de emoções vindas dela, todos dirigidos ao bebê em seu ventre. Tenho certa dificuldade em distinguir o que sou eu sentindo e o que é ela. De amor à medo, de dúvida à tristeza, de felicidade à serenidade. Um turbilhão de emoções, e eu me encontrava presa bem no centro daquilo.
— Você será tão forte quanto o sangue que corre em nossas veias – Sussurra, acariciando a barrica com ternura – Enquanto eu respirar, você será o único que amarei – Declara ao vento, em uma promessa condescendente.
***
Já não estávamos mais na praia, e sim em um belo quarto com vista para a vasta floresta à nossa frente. Eu não precisava vê para saber que o quarto era seu e ficava na casa de madeira à qual eu vi nas outras vezes que estive aqui.
O cômodo era médio e com pouca mobília, com paredes e piso de madeira, uma grande cama de dossel ficando quase ao centro, um guarda roupas enorme encostado na parede e de frente para a cama e duas poltronas azuis na varanda do quarto, aonde em uma delas estávamos sentadas encarando a imensidão noturna.
Quando sinto algo molhado escorrer pelo seu rosto, não me surpreendo. Sem precisar de palavras, apenas sentindo o que você sente, tenho a nítida certeza de que você sofre em silêncio, que mesmo feliz com essa gravidez, a sombra da desilusão e melancolia te perseguem.
‘Quem você é?' Volto a me pergunta, curiosa.
Batidas soam na porta, fazendo com que você se apresse em limpar o rosto.
— Entre – Fala, com a voz saindo embargada pelo choro recém contido.
Morgana adentra o quarto e vem em nossa direção. Ela senta-se na poltrona ao lado da sua e sorri para você com amabilidade. Instintivamente, você sorri de volta.
— Como foi seu passei na praia?
— Solitário, mas muito agradável.
Sinto que suas palavras são sinceras, apesar da pitada de tristeza.
‘Porque você é tão triste?' Me pergunto.
— Em uma próxima vez, eu irei com você – Garante Lefay.
— Não quero te incomodar, mas obrigada. Eu realmente amaria isso – Seus olhos se voltam para a escuridão lá fora – Como foi seu dia? Não te vejo desde o café da manhã.
— Oh, sim! É verdade. Foi um dia proveitoso. Melhor do que o esperado na verdade – A felicidade na voz de Morgana é perceptível e isso te deixa feliz também – E como está o bebê? Você sentiu enjoos hoje?
Sua atenção se volta para ela.
— Está ótimo – Garante em ecstasy. Falar do bebê em seu ventre lhe aquece de amor e isso inunda meus pensamentos de amor maternal – E eu não senti nada, o que é um alívio. Eu odeio me sentir enjoada.
Morgana sorri.
— Existe um mito, que confesso que acredito, onde se diz quê: quanto mais poderoso o bruxo for, mais enjoos a mãe sentirá com ele ainda em seu ventre – Diz Lefay.
‘Ah, é?' Me pergunto cética.
— Bom, ele com certeza será. Eu posso sentir – Seu sorriso radiante é contagiante, e mesmo sem querer, me pego sorrindo, enquanto sinto você acariciar sua barriga – Seu futuro será brilhante.
— Sim, ele será – Concordou Morgana.
Algo em seu tom de voz desperta em mim curiosidade. E mesmo que você esteja distraidamente olhando para Morgana, fantasiando com o futuro dessa criança, me pego validando a bruxa ao nosso lado com atenção.
A atenção dela estava voltada para sua barriga, mas seus olhos não refletiam nada, a não ser simpatia e... preocupação! Sim, Morgana estava preocupada. Eu só não entendia o porquê.
***
— Por que eu nunca vi nenhum outro morador da ilha? – Pergunta, encarando Morgana com curiosidade.
Essa pergunta rondava sua mente há vários dias, mas por medo de aborrecê-la você a suprimiu, assim como tantas outras.
Morgana para e te encara, fazendo com que você pare também.
Estávamos seguindo uma trilha verdejante de grama, em direção ao que Lefay chamou de ‘melhor lugar da ilha'.
— Elas são tímidas, e como você é uma forasteira temem sua presença – Explica, pacientemente – Avalon não recebe muitos visitantes, e quando o recebem, minhas garotas se mantém a distância. Desculpe por isso, mas seremos só você e eu.
Soltando o ar pela boca, aliviada por ela não ter se ofendido, você assente e sorrir.
— Não precisa se desculpar, eu entendo essa reserva delas – Fala com sinceridade – Eu estava com medo de te perguntar isso – Confessa baixinho quando recomeçam a andar – Temia que me acha-se mal agradecida.
— Não tema, eu nunca poderia pensar isso de você. E eu sou um livro aberto, então... Vamos, me pergunte algo – Pede, visivelmente animada.
Você pisca os olhos freneticamente, surpresa.
Sua boca abre e fecha, mas você não emite som. Pega completamente com a guarda baixa, as perguntas fogem de seu cérebro.
— Eu não sei...
Entendendo seu estado melhor que você mesma, Morgana propõe que ela lhe responda a questão que ela sentia que você gostaria de saber, mesmo você nunca a tendo exprimido em palavras.
— Bom, deixe-me te explicar como eu soube que você precisava de mim e onde te encontrar – Começa, diminuindo o passo e assumindo uma expressão centrada – Salazar e eu tivemos bons momentos juntos no passado, e isso nos ligou de uma forma indescritível – Seus olhos se tornam mais sonhadores e amorosos do que jamais vimos – Nutrimos a coisa mais preciosa do mundo um pelo outro.
— Amor? – Você interrompe, curiosa.
— Oh, não! Amor não. Confiança – Diz, encarando o céu e sorrindo – Confiávamos um no outro acima de tudo e todos. E foi a partir dessa confiança que antes dele morrer, o mesmo me deu um último presente – Ela faz uma pausa, voltando-se para nós encarar – Ele me confio a sua linhagem.
— Como assim? – Pergunta, confusa.
— Salazar desenvolveu muito feitiços poderosos, mas um dos que ele mais se orgulho fora o Mapeador de Linhagem. É um poderoso feitiço que é lançado sobre o sangue de alguém, no qual, todos que tiverem os mesmos traços genéticos possam serem encontrados e monitorados, digamos assim. Ou seja, quando um descendente de Salazar nasce, eu sei onde ele está. E então todas as informações são guardadas e modificadas de acordo com o que você faz da vida; se você se muda ou casa, essas coisas.
— Então foi assim que você me encontro. Mas como você sabia que eu precisava de ajuda?
— Quando você se casou com o trouxa, o Mapeador me alertou, então... Eu meio que pressenti que você precisaria de ajuda em algum momento. Principalmente, após saber as condições com as quais o casamento fora realizado – Confessa, serena – Você foi a primeira herdeira de Salazar Slytherin que se casou com um trouxa, sabia?
Balança a cabeça em negativa, encarando o chão.
Vergonha, tristeza, arrependimento e raiva assolam você, me fazendo entrar em um maremoto de emoções conturbadas.
— Chegamos – Alerta, trazendo sua mente para o presente.
A nossa volta um pomar de maçãs nos rodeava, trazendo um delicioso cheiro adocicado até nós. A fruta vermelha vibrante era grande e suculenta, cobiçosa. As fileiras de árvores com maçãs eram bem alinhadas e assimetricamente separadas. Uma verdadeira obra de arte.
— É lindo – Elogia, maravilhada.
— É mesmo, não é? Simplesmente a parte mais bonita de Avalon. Meu lugar preferido...
Um silêncio confortável recai sobre nós, enquanto andamos por entre as maravilhas da ilha. Seus dedos alisam cada tronco de cada árvore que você passa, tentando sentir o máximo de texturas possíveis.
— Você disse suas garotas – Fala de repente, lembrando-se desse trecho de sua conversa, e atraindo a atenção de Morgana para si – Aqui não tem homens, apenas mulheres? – Pergunta.
Lefay sorri e acena com a cabeça, puxando uma maçã da árvore e lhe oferecendo.
— Eu cheguei a conclusão que homens atraem problemas demais. Por isso, Avalon é composta apenas por mulheres – Diz, aproximando-se e lhe entregando a fruta.
— Aqui me parece o paraíso – Confidência.
Dando de ombros com um sorriso singelo, Morgana caminha até uma macieira miúda entre duas árvores grandes. Ela agita as mãos e então o que antes era apenas uma macieira pequena e despercebida se transforma em uma grande árvore cheia de maçãs vermelhas e deliciosas.
Voltando-se para nós, a bruxa sorri com candura antes de falar.
— Aqui você não encontrará redenção, mas tampouco julgamento. Todos fazem tolices e têm que conviver com elas. Apenas se deixe renascer, Merope.”
[...]
Acordo em um sobressalto, sentindo meu coração disparar no peito e minha cabeça latejar. A claridade do ambiente me desorientada um pouco, por isso, fecho meus olhos e inspiro e expirou por longos minutos, me acalmando. Minha respiração se normaliza, mas as pontadas em meu cérebro persistem.
Não preciso de muito tempo para clarear a mente e me instabiliza. As revelações do sonho foram claras e vívidas. A mulher com Morgana em Avalon era Merope Gaunt, a mãe de Tom.
Engulo em seco, desnorteada.
Trago meus joelhos até o peito e os abraço, ficando em posição fetal. Sinto meu corpo clamar por mais alguns momentos de sono, como se minhas forças houvessem sido sugadas.
Merope Gaunt... Avalon... Salazar e Morgana... Tudo isso ficava indo e vindo em minha mente.
Olho ao meu redor, constatando estar em meu dormitório na Sonserina. Os ponteiros do relógio marcam 15:45 da tarde, o que significa que dormi por mais de três horas após saber que não teríamos aulas na parte da tarde. E significava também que esse havia sido o sono mais longo que eu tiveram envolvendo Morgana e Avalon.
Okay... Vamos pensar, Hermione, forço minha mente a filtra e fragmentar às informações que tenho. Mesmo sendo quase consumida por uma névoa de cansaço e dor me esforço.
Morgana acolheu Merope após a porção Amortentia perde seu efeito em Thomas Riddle e ele lhe abandonar. Levo-a para Avalon e cuidou dela até... quando? Merope morreu após pari Tom no Orfanato Wool... Certo, mas como ela chegou no orfanato se ela estava em Avalon?
Fecho meus olhos com força, sentindo minha cabeça doer ainda mais pelo esforço feito em organizar a enxurrada de informações e perguntas que eu tinha.
Bom, se eu quero respostas terei que ir diretamente na fonte, penso, por fim decidida a ir me encontrar com Morgana no próximo passeio a Hogsmeade.
[...]
Quando me arrasto para fora do meu dormitório já passava das quatro horas e o salão comunal estava barulhento e agitado, cheio de sonserinos eufóricos e falantes, com suas vozes exaltadas agravando ainda mais minha dor de cabeça.
Esfrego minhas têmporas antes de seguir lentamente por entre o fluxo de alunos.
O próximo jogo de Quadribol contra a Grifinória era o tópico das conversas, pelo que eu podia distinguir entre os falatórios. Mas algo que desperta minha atenção é o fato de que quando passo por entre os adolescentes ali presentes, olhares nada amistosos por parte de algumas garotas ali me seguem, queimando-me.
Estranho.
Ignorando a hostilidade dirigida à mim, saio das masmorras, sabendo que até chegar ao meu destino eu andaria muito ainda.
Encontro Lena e Dorea a poucos metros da entrada das masmorras, conversando entre sussurros. Ao me verem, elas abrem um sorriso constrangido, que eu retribuo.
Volto a esfregar minhas têmporas.
— Oi, vocês estão bem? – Minha pergunta se derivava do fora delas terem ficado tímidas com a minha presença, coisa que nunca aconteceu.
— Claro, estamos bem, Herms – Responde Lena, forçando um sorriso cheio de dentes.
Dorea se limita a balançar a cabeça e sorrir da mesma forma.
Ah, não. Qual o problema agora?
Encaro as duas com desconfiança, alternando minha atenção entre elas e franzido a testa. Suas expressões culpadas e tímidas me diziam que elas escondiam algo de mim.
Vejo Dorea soltar o ar pela boca e engolir em seco, enquanto seus olhos demonstravam culpa. Lena estava igualmente culpada por algo, tanto que sua postura estava tensa e retraída. Quero lhes perguntar o que estava havendo, mas o martelar intenso da minha dor estava quase insuportável, eu realmente precisava chegar a Ala Hospitalar e tomar algo para dor.
— Tudo bem – Solto, não querendo forçá-las a nada – Mas saibam que estou aqui para o que precisarem – Completo, brandamente, já pretendendo seguir meu caminho.
Elas irrompem em palavras, falando ao mesmo tempo, me fazendo ter dificuldade em manter meus olhos abertos devido as pontadas insuportável que me atingem a cada palavra que sai de suas bocas.
Coloco meus dedos nas têmporas e trinco minha mandíbula.
— ...Ele me perguntou e eu talvez tenha confirmado sem querer...
— Nunca deveria ter falado aquilo pro Charlus...
— ...Elas escutaram, mas eu juro que tentei negar...
— ... Sempre promíscua e obcecada... Todos já estão sabendo...
Balanço as mãos em frente à seus rostos, tentando fazer com que elas parem de falar ao mesmo tempo.
— Chega, meninas – Comando, mais irritada do que gostaria – Uma de cada vez e falem baixo por favor! – Peço, respirando fundo.
Elas se aquietam por alguns instantes.
— Evan viu você e o Tom de mãos dadas ontem e ficou curioso – Lena começa, diminuindo gradativamente o tom de voz – Ele me perguntou se vocês estavam juntos, e eu juro, não queria falar nada até que vocês decidissem ser mais abertos com seu relacionamento, mas eu não consegui mentir e acabei confirmando – Ela termina seu relato quase sussurrando – Me desculpa, Hermione.
Pisco um pouco, confusa do porquê ela está tão culpada com isso, mas antes que possa falar algo pra tranquiliza-la, Dorea começa a falar.
— Ontem, quando eu saí correndo depois que o Charlus apareceu com Septimus, ele veio atrás de mim – Sua voz estava sussurrada, temerosa – E ficamos discutindo sobre nosso relacionamento, sabe? Mas em um determinado momento ficamos sem assunto, e eu não queria ir embora, a presença dele me acalma tanto... – Ela funga, baixinho – Ele me perguntou sobre os boatos a cerca de que você era uma puro-sangue, e eu confirmei isso, e então começamos a falar sobre como Pollux e Evan estão lidando com fato de você ser nossa parente – Ela faz uma pausa, mordendo o lábio inferior – Charlus disse que você teria que ter cuidado porque eles poderiam te fazer algum mal, eu discordei e disse que não tinha do que ele ou você se preocupar, mas ele insistiu... E eu talvez possa ter dito que como você era namorada do Tom agora, eles não poderiam te machucar.
Solto o ar pela boca, cansada.
Certo... Seis pessoas sabem agora do meu relacionamento com Tom, mas... É só isso? Que bobagem!
Charlus e Septimus não me pareciam fofoqueiros, as meninas tampouco. E eu duvidava que Evan e Abraxas fossem falar algo.
— Meninas, tudo bem. Eu não me importo que Charlus e Evan saibam – Garanto, aérea, encarando a parede ao nosso lado sem realmente enxergá-la.
— O problema é que... Bom, Charlus e Septimus estavam conversando sobre isso e algumas pessoas escutaram, Herms – A voz de Lena sai culpada, mas estou tão consumida pela dor em minha cabeça que acabo não registrando suas palavras – Ela contou... Hogwarts... Amanda da Lufa-Lufa.
Passos meus dedos sobre minha testa, e então solto algumas lufadas contidas de ar pela boca. Eu precisava chegar com urgência à Ala Hospitalar, a dor só aumentava e estava tirando meu foco.
— Amanda? Do que vocês estão falando? – Pergunto, confusa.
— Você está bem, Hermione? – A preocupação na voz de Dorea me faz encarar a mesma.
— Desculpa, o quê? – Pergunto, desorientada.
Elas se entreolham e seguram meus braços, uma de cada lado.
— Você está pálida, Herms – Afirma Lena, tocando em minha testa – E está gelada. Ai meu Merlin! Você vai desmaiar!
— O que?
Minha mente estava tentando dificuldade em processar suas palavras, sendo consumida por uma névoa densa de cansaço e dor. Principalmente dor. Pungente, agressora e dolorosa.
— Não a solte, Lena – Ouço Dorea dizer, enquanto passava o braço pela minha cintura – Nós iremos te levar para a Ala Hospitalar, Hermione. Não se preocupe.
Eu já ia pra lá, penso, sentindo meu corpo perde definitivamente a batalha contra o cansaço.
Antes de desmaiar consigo distinguir as últimas palavras desesperadas de Lena para Dorea, e com elas eu me entrego à escuridão.
— Oh, merda. E se ela morrer?
[...]
Desperto me sentindo letárgica, como se eu tivesse tomado várias porções do sono e dormido por vários dias seguidos. Meu cérebro leva alguns segundos para processar onde estou após abrir meus olhos. Ala Hospitalar.
Olho a minha volta, me deparando com Tom sentado em uma cadeira ao lado da minha cama, examinando com atenção os frascos de poções em sua mão.
Seus olhos moviam-se de um frasco para outro, enquanto ele franziu a testa, compenetrado. Sua concentração ali me permite encará-lo sem medo de ser descoberta.
Sua beleza me tirava o fôlego, por isso, eu evitava o encarar tão atentamente, mas às vezes isso era impossível. Eu era como uma mariposa e ele o fogo que me atraia para si. Era totalmente injusto ele ser tão estonteante.
Com seus olhos azuis cativantes, sua boca convidativa, a voz rouca e persuasiva e seu rosto marcante e aristocrático, Tom conseguia o que queria. Ele era um convite para o pecado, principalmente, com seus ombros largos, altura e estrutura óssea bem definida. Mesmo sendo magro, ele é forte de um jeito que só alguém geneticamente abençoado poderia ser.
— Oi – Sussurro, tímida.
Desde ontem, quando brigamos por causa de Septimus, vínhamos preferindo aproveitar um a companhia do outro em silêncio. Secretamente, estávamos chateados um com o outro.
Seus olhos capturam os meus e ele sorri, abandonando os frascos em cima do criado mudo e levantando-se. Ele se senta na beirada da cama, próximo de mim.
— Oi, Bela Adormecida – Seus lábios tocam minha testa. Fecho meus olhos absolvendo sua carícia.
Eu amo isso.
— O que aconteceu?
— Sua pressão baixou e você desmaiou – Informa, acariciando minha bochecha com as pontas dos dedos – Lena e Dorea te trouxeram aqui e ficaram até alguns minutos atrás. No entanto, a fome venceu e elas foram jantar.
Solto um suspiro, tentando lembrar o que ocorreu.
O sonho. A dor. A hostilidade. A conversa. E então, o desmaio.
— Acho que as meninas falaram algo sobre Amanda e Hogwarts, mas eu não entendi muito bem – Confesso, envergonhada – O que elas estavam tentando me dizer?
Tom entrelaça nossos dedos.
— Seus amiguinhos Weasley e Potter estavam fofocando sobre nosso namoro e Amanda McCreary e suas amigas fofoqueiras escutaram. Então, elas espalharam a notícia hoje para Hogwarts em peso – Ele revira os olhos, claramente irritado.
Ignoro o desprezo em sua voz ao se referir aos meninos.
— Então, somos o assunto do momento? É tudo o que eu sempre quis – Tento soar engraçada, mas eu estava igualmente irritada com a situação.
Tom me lança um sorriso zombador.
— Fico feliz em saber que você gosta de ser o centro das atenções, Granger.
Acabo rindo de suas palavras.
Ele fica sério e me estuda atenciosamente.
— Como você estar se sentindo?
— Eu estou bem, não se preocupe.
Ele segura meu rosto entre as mãos e me beija. É rápido, intenso e delicioso. Quando se afasta, seus olhos refletem seu desejo. Tremo.
— Fico feliz em ouvir isso – Sussurra com os lábios próximos aos meus – Não posso perder minha acompanhante para o baile de Halloween.
Solto uma breve risada.
— Ah, sim. E é claro que é só por isso.
Ele não fala nada, apenas sorri de lado antes de me beijar.
“Infeliz daquele que, nos primeiros instantes de uma ligação amorosa, não acredita que ela vai ser eterna!”
— Benjamin Constant
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