Notas iniciais
Enjoy!

Descanso o garfo no prato, terminando de comer minha terceira fatia de torta de limão. Limpo minha boca com o guardanapo em meu colo e dou as últimas goladas em meu suco de abóbora.

Não cabe mais nada dentro de mim, penso, me sentindo pesada e cheia demais.

Minha tática de me empanturrar de comida lentamente até ele cansar e ir embora não havia surtido efeito. Riddle era como uma criança com um brinquedo novo, e ele não me deixaria em paz até que eu falasse a verdade. Ou o que ele achava ser a verdade.

Já enrolei demais, penso, me sentindo estranhamente culpada por mentir para ele.

Olho para meu expectador assíduo, que assistia cada movimento meu com claro divertimento. Estávamos em silêncio desde o momento em que entramos ali, apenas trocando olhares significativos. E nem ao menos precisamos dizer o que estávamos fazendo ali para os elfos domésticos, eles apenas nos apontaram o caminho dessa salinha e encheram a mesa de comidas.

— Agora que está alimentada – Ele faz uma pausa, endireitando sua postura – porque não me conta a verdade – Fala soando tranquilo, calmo.

Faço que sim com a cabeça, mas antes de começar dou uma boa olhada a minha volta, nervosa. Sinto minhas mãos começarem a suar.

Estávamos sentados um de frente pro outro em uma salinha pequena na cozinha, própria para as pessoas que fugiam do salão principal para comer aqui. O cômodo era pequeno, com uma mesa simples de seis cadeiras, alguns quadros de frutas na parede, uma grande janela com vista para a floresta e duas poltronas laranjas uma de cada lado da janela.

De onde estávamos podíamos ouvir o barulho de comida fervendo no fogão e pratos sendo lavados. Mas esses sons chegavam até nós abafados, Tom havia fechado a porta de acesso em busca de privacidade, acredito eu.

Respiro fundo e me volto para ele, que me encarava pacientemente.

— Eu não conheci meus pais biológicos, por isso, o que vou te contar eu descobri através de Meredith – Começo, desviando o olhar e encarando meu prato vazio – Minha mãe... Bom, ela era uma mulher singular e emocionante instável, então...

— Como assim? – Pergunta, curioso.

Engulo em seco e encolho meus ombros, sentindo o peso das minhas mentiras afeta-me cruelmente. Minha garganta seca e meu coração palpita furioso em meu peito. Essas eram as mesmas sensações que senti contando essa mesma mentira para Dippet, só que duas vezes mais fortes agora.

— Ela sofreu muito nas mãos dos meus avós, eles... espancam e agrediam ela verbalmente com frequência, e isso lhe afetou profundamente. Então, quando ela completou dezoito anos fugiu de casa – Faço uma breve pausa, recolhendo minhas mãos trêmulas da mesa e as depositando em meu colo, longe de seus olhos atentos – Lyra foi morar na França, sozinha, em um tipo de pensão decadente em um subúrbio trouxa de Paris. Devido as constantes agressões, ela se transformou em uma mulher retraída, amarga e depressiva. Sobrevivia vendendo porções de beleza para bruxos e trouxas, algo em que ela sempre fora muito boa em fazer. Dois anos após sua partida, meus avós morreram.

— Morreram tarde até – Comenta, sombrio.

Balanço a cabeça concordando.

Tom me perscrutava com o olhar, atento a todos os meus movimentos e palavras. Estava ereto na cadeira, em uma pose altiva, mas seus olhos não refletiam nada além de curiosidade.

— Ela conheceu Meredith quando foi fazer uma de suas entregas de cosméticos, e pelo que minha madrinha me falou, se deram bem instantaneamente. Tanto que Meredith convenceu ela a volta para Londres por um tempinho. Mas mesmo aqui, ela não entrou em contato com ninguém da família Black – Paro meu relato e olho para ele. Tom acena com a cabeça para mim, mostrando está acompanhando minha história – Bom, quando voltou para a França estava mais relaxada, o tempo com Meredith lhe fez bem.
Pego meu copo vazio e encho-o com suco de abóbora, prevendo que se eu não molha-se minha garganta com algo, eu não conseguiria terminar minha história.

— Me acompanha? – Pergunto, apontando para a jarra de vidro.

Ele faz que sim e desliza seu copo para perto de mim, encho-o e devolvo-o para ele.

— Ela começou a sair mais, principalmente, a noite. E em uma desses passeios, conheceu meu pai, Raphael Rosier – Beberico meu suco antes de continuar, vendo Tom fazer o mesmo – Raphael nasceu aqui em Londres, mas morou sua vida toda na França. Sua mãe, Jasmin Smith, morreu no parto e seu pai, Nathaniel Rosier, seis meses depois de tristeza. Então, ele foi criado pela sua tia, Olívia Smith.

Fecho meus olhos por alguns segundos, tentando vislumbrar a história que contava em minha mente, colocando rostos imaginários aos meus personagens.

— Olívia nunca gostou da família Rosier. Sempre acho-os arrogantes e cruéis demais, por isso, preferiu manter Raphael longe deles – Falo, para em seguida terminar de beber meu suco de uma vez – Ela o criou com muito amor, fazendo-o ser um homem amável até certo ponto. Mas, assim como minha mãe, ele nutria uma forte aversão por pessoas, sendo muito apegada à solidão, e gostando de ficar sozinho por longos períodos de tempo. Enfim, se conheceram em uma noite fria de outubro e começaram a sair regularmente. Meredith me disse que nunca a viu tão feliz e cheia de vida – Um pequeno sorriso se forma me meus lábios, enquanto imagino a verdadeira Lyra tento esses momentos de felicidade com alguém.

— Mas? – Questiona, fazendo meu sorriso morrer.

Suspiro, me preparando para contar a pior parte da minha mentira.

— Mas... Ela ficou grávida de mim – Minha voz sai baixa e rouca, quebrada – E nenhum dos dois estava preparado para lidar com uma gravidez indesejada. E como poderiam? Dois solitários e desajustados com um bebê? Impossível.

Mordo a parte interna da minha bochecha, desconfortável.

— Após descobrir estar grávida de mim, Lyra contou para Raphael. E devo confessar que, dizer que ele ficou descontente é um eufemismo – Chuto uma respiração para fora pela boca – Houveram brigas e gritarias. Os dois terminaram, e voltaram, e terminaram de novo. E por isso ficou. O relacionamento deles ficou tóxico e cansativo. Com todas as brigas girando em torno de mim e em como eu ia destruir a vida deles.

— Você não pediu para nascer – Solta em solidariedade, cruzando os braços em seguida, irritado.

Sorrio fracamente, triste.

Olho para minhas mãos, beliscando meu pulso atrás de controle.

— Meredith interviu várias vezes nas frequentes argumentações deles de que um abordo seria uma boa opção – Digo, sentindo meus olhos lacrimejarem, absolvendo o impacto de como essa mentira se assemelhava em certos aspectos à verdade sobre mim.

Tom se mexe em sua cadeira, atraindo minha atenção para si. Ele estava com a mandíbula cerrada e os olhos injetados de raiva.

Tremo perante sua expressão quase assassina.

— Quando Lyra pariu, ela teve depressão pós-parto e não conseguia sair da cama para cuidar de mim – Continuo, tentando me recompor – E como Raphael não tinha compromisso algum conosco, eu fui deixada aos cuidados de Meredith. Mas ela nem sempre estava lá. Sua vida, trabalho e comprometimento estavam aqui. Ela não podia largar tudo para cuidar de mim.

Volto a engolir em seco, deprimida.

— Quando completei dezoito dias de vida, meu pai, que até então só havia me visto umas três vezes, se meteu em uma briga entre bruxos para proteger um conhecido que andava cortejando uma mulher casada. Bom, ele e o conhecido foram mortos a sangue frio por esse bruxo.

Não exprimo emoção alguma ao terminar esse relato, já Tom parecia estranhamente satisfeito com isso.

— O que aconteceu com sua mãe? – Pergunta, após breves minutos em silêncio.

Encaro a janela do cômodo antes de responder, contemplativa.

— Quando soube que meu pai morreu, minha mãe surtou, literalmente – Me volto para ele, entristecida – Ela se matou, acho que não aguentando o peso da responsabilidade de criar uma criança sozinha.

Tom solta um suspiro, não sei se de pena ou cansaço.

— Fraca – Diz ele, friamente.

Encolho meus ombros e baixo minha cabeça, encarando a toalha da mesa.

As singelas semelhanças entre a história de Lyra e Raphael e Bellatrix e Sírius eram poucas, mas aterradoras, principalmente, porque moldeira Meredith à imagem de Narcisa nessa narrativa.

Fecho meus olhos e massageio minhas têmporas, esgotada de tantas mentiras.

Ouço o som de cadeira sendo arrastada, mas permaneço de cabeça baixa e olhos fechados, esperando os próximos movimentos de Tom.

Quando sinto suas mãos em meus ombros, abro os olhos de imediato, surpresa. Levanto minha cabeça para tentar vê sua expressão, mas como ele estava atrás de mim, tenho que deitar minha cabeça para trás. Tom massageia meus ombros, enviando ondas de calor por todo o meu corpo. Me derreto sob suas mãos.

Seus olhos estavam refletindo um genuíno carinho, e ele estava com a testa franzida e os lábios apertados em uma linha seria.

Ele é absurdamente ainda mais bonito visto de baixo, penso, nervosa.

Tom se abaixa ainda com as mãos em meus ombros, trazendo seu rosto para perto de mim, prendo a respiração.

— Você não se parece absolutamente em nada com eles – Proferi, com o nariz a centímetros do meu, faço um esforço sobre humano para me focar em sua voz e não em como sua boca macia estava a centímetros da minha – Os dois eram fracos e confusos, mas você... Você é espetacularmente inteligente, independente e corajosa.

Meu coração falha algumas batidas, enquanto minha mente absorve seus elogios. Meus olhos marejam e transbordam timidamente. Mordo meu lábio inferior, contendo um soluço.

— Obrigada, Tom.

Ele sorri de lado e se afasta.

— Se eu soubesse que te elogiar te faria chorar, tinha ficado calado – Diz divertido, indo se sentar em uma das poltronas perto da janela – Acredito que já havíamos concordado que ninguém é bonito chorando, certo?

Solto uma breve risada, me recompondo e limpando minhas lágrimas com as costas das mãos.

— Oh! Desculpe-me, Sr. Olhos Secos. Mas ninguém tem vosso controle inabalável – Uso meu tom mais formal, mas acabo falhando em mantê-lo, pois começo a ri das minhas próprias palavras idiotas.

Tom me acompanha, rindo brevemente.

Ele aponta para a poltrona ao seu lado, indicando para que me sente ali. Caminho até lá, disposta a me sentar ali, mas assim que chego perto o suficiente, ele segura minha mão e me puxa para seu colo.

Solto várias exclamações de susto até aterrissar em seu colo, aonde ele envolve seus braços entorno de mim. Minha bunda se aloja bem em cima de seu pênis.

— Tom!?

— O quê? – Pergunta, falsamente desentendido – De qualquer forma, seria aqui que você ia parar após me contar sua história, lembra?

Minhas bochechas esquentam de vergonha.

— Não seja presunçoso – Ralho.

Ele apenas me lança um sorriso travesso.

— Então, porque você se diz nascida trouxa? – Pergunta, mudando de assunto.

Me remexo em seu colo, desconfortável. Mas logo paro, sentindo minha bunda criar um atrito delicioso em seu membro.

— Você pode continuar, eu não me importo – Sussurra em meu ouvido, malicioso.

Engulo um gemido sôfrego.

— Você é perverso – Afirmo, mortificada.

Ele acena com a cabeça, concordando comigo.

Respirando fundo para acalmar minhas batidas frenéticas e o latejar crescente em meu sexo, respondo sua pergunta desorientada.

— Eu fui... Meredith não pode... Trouxas me criaram – Falo com a respiração entrecortada.

— Como? – Pergunta, confuso.

Tento me levantar de seu colo, sabendo que não iria conseguir explicar essa parte da minha mentira estando ali, mas Tom não deixa com que me afaste, me segurando com mais força.

— Tom, eu preciso... Por favor... Se eu ficar em seu colo não... Eu não vou conseguir te responder – Argumento.

Mas ele apenas balança a cabeça, negando.

— Não, você permanece aqui.

Solto um grunhido, frustrada.

— Você é tão frustrante.

Ele me lança um sorriso enviesado.

Dou de ombros e propositalmente rebolo em seu colo, fazendo o mesmo prender a respiração e absolver o atrito criado ali com deleite. Travo minha mandíbula para não gemer, sento igualmente afetada por meu ato. Quando Tom afrouxa seu aperto sobre mim, agarro essa oportunidade e me levanto com rapidez.

Com as pernas bambas e meu sexo latejando de desejo, eu me afasto dele, indo me apoiar na mesa, respirando fundo.

— Hermione! – Rosna meu nome, irritado.

— Apenas me dê alguns segundos – Peço, eriçada de desejo.

Ele cruza os braços, aborrecido.

Se eu não estivesse tão afetada, iria ri de sua expressão. Ele parecia uma criança privada de um doce, quase manhoso.

— Quando... Quando minha mãe morreu, Meredith estava em uma expedição pela América, ela é uma restauradora de artefatos mágicos danificados. Por isso, não podia ficar cuidando de mim em tempo integral – Explico, tentando me concentrar nos pontos específicos da minha história para contar a ele – Enfim, minha mãe morreu e ela só soube quando chegou à França para nos vê, quase um mês depois. Nesse meio tempo, com minha mãe morta na sala e eu dormindo no quarto, só fui encontrada um dia após o suicídio, e isso porque eu estava berrando muito e os vizinhos estavam incomodados com o barulho – Solto uma risada sem humor

Olho para Tom com atenção, ele estava com os cotovelos em cima dos joelhos e o rosto descansando em suas mãos, pensativo.

— Por favor, continue – Pede.

— Fui levada para um hospital trouxa e lá, o Sr. e a Sra. Granger me encontraram. Os dois são odontologistas e estavam fazendo uma residência no local, já que a família da Sra. Granger é toda de lá. Bom, eles me adotaram um tempo depois e me trouxeram para Londres, aonde fui criada sem saber ser uma bruxa – Faço uma breve pausa para organizar minhas ideias – Meredith me procurou por anos, mas só me encontrou pouco tempo antes do meu aniversário de onze anos. A princípio ela quis me tirar dos Granger’s e me criar, mas acabou desistindo dessa ideia por vê que eles cuidaram bem de mim e me amavam, então, ela apenas cuidou para que eu fosse mandada para Salem e meus pais soubessem de antemão que era uma bruxa. No entanto, ela não se aproximou de mim.

— Por que Salem e não Hogwarts? – Pergunta.

Mudo o peso dos pés, surpresa com sua pergunta. Minha mente trabalha com rapidez para lhe responder sem fugir do enredo da minha mentira.

— Eu não sei ao certo, mas acredito que é porque em Hogwarts tem muitos parentes meus. E ela deve ter imaginado o quão horrível seria para mim isso, afinal, eu sou uma Rosier Black que foi criada por trouxas.

— Mas, então, por quê você veio para cá ao invés de concluir seus estudos em Salem? – Questiona, interessado.

— Meus pais trouxas morreram ano passado – Solto de uma vez, preparada para concluir minha história trágica – Me vi sem ninguém novamente. Mas dessa vez Meredith veio ao meu auxílio. Ela me levou para morar com ela e me contou tudo que acabei de falar para você, então, Lefay entrou em contato com Dumbledore e me conseguiu um novo recomeço aqui – Concluo.

— Sinto muito pelos seus pais adotivos – Diz, levantando-se e vindo até mim.

— Obrigada!

Ele me puxa para seus braços, me aconchego ali sem cerimônia, enterrando meu rosto em seu peito. Seus braços me envolvem em um abraço protetor. Inalo seu cheiro, deixando seu aroma percorrer pelo meu sistema respiratório e entorpecer meu corpo.

Ficamos abraçados em silêncio, apenas aproveitando a companhia um do outro.

— Quando você irá me beijar até esquecer seu nome? – Pergunto com a voz abafada por está com o rosto enterrado em seu peito.

Seu peito vibra quando ele ri.

— Ora, Black, e eu pensando que você era do tipo que curtia ficar abraçada e quietinha. Estou decepcionado – Provoca.

Suspiro.

— Não me chame de Black – Me afasto para olhar seu rosto, encontrando o mesmo sorrindo para mim – Sou Hermione Granger, e eu gosto de abraços, mas também gosto de beijos – Declaro.

Ele acena com a cabeça e me beija.

Nossos lábios se encontram em um beijo calmo, delicado. Nossas línguas se enroscam com gentileza, apenas movendo-se com calmaria uma sobre a outra. Gemo em sua boca quando Tom segura meu pescoço com uma das mãos e mordiscando meu lábio inferior.

— Você é tão suculenta – Murmura contra minha boca.

Seguro seus ombros e me aperto contra seu corpo, suspirando em sua boca. Tom agarra meu quadril com as mãos e me levanta, sentando-me em cima da mesa e se infiltrando entre minhas pernas. Ele se aperta contra meu corpo também, empurrando-me ainda mais contra a mesa.

Sorrio em sua boca, me deliciando com seus movimentos.

[...]

O ofidioglota observava a cena a sua frente com deleite, não se importando com o cheiro pungente de sangue fervendo em contanto com as chamas, ou com o fato de que suas vestes iriam ficar fedendo a fumaça mais tarde. Não, nada disso lhe incomodava. Aos seus olhos, tudo estava como deveria ser.

Casas em ruínas, corpos sem vida espalhados pelo solo, manchando o chão de vermelho e sendo tostados pelas chamas agressivas dos feitiços de seus comensais. Tudo naquela cena lhe causava um estranho e doentio fascínio.

“- Como você não ver que isso é totalmente insano e doentio?”

Seus ombros se retesem com a breve memória que se infiltra em sua mente, levando-o até poucos instantes antes de beijar pela primeira vez a causadora de seus recentes rompentes de raiva.

Ele bloqueia com rapidez a lembrança.

Seus olhos são atraídos para o interior de uma casa em chamas, e mesmo estando a alguns metros de distância, consegue vê com clareza uma pilha de jornais sendo consumidos pelas chamas. Sua mente trabalha tentando lembrar à quem pertencia o lugar. Quando o estalo do entendimento vem, ele sorrio com desdém.

A residência fora o lar de Albert Deeprot, um nascido trouxa que tinha um jornalzinho de quinta e afirmava aos quatro ventos de que não havia porque as pessoas temerem Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado, porque Harry Potter iria derrubar o famigerado bruxo das trevas e restaurar a paz.

Patético, pensou o homem, lembrando de como o infeliz havia implorado por misericórdia.

Seus olhos desviam da destruição a sua frente para o céu. Um lento e perverso sorriso se desdobra em seu rosto ofídico quando sombras disformes e rápidas sobrevoam acima si.

Já estava na hora, pensa, agitando sua varinha nos dedos, sentindo a costumeira adrenalina pré-combate atingir suas veias.

O bruxo olha brevemente para trás, encontrando seu grupo de seguidores a poucos metros de si, igualmente deleitosos com a destruição à frente. Não havia sobreviventes.

Sem dizer uma palavra ou se mover, ele desaparece assim que os aurores desaparatam entre as ruínas das casas em chamas. Seus comensais não se assustam com sua ida repentina, afinal, a marca negra em seus braços lhes dizia que ele não foi muito longe. Então, permanecem no lugar, esperando.

Se materializando no primeiro andar de uma das construções em ruínas, Voldemort observa da janela do quarto seu grupo de treze seguidores, entre eles três membros do seu círculo íntimo, e os recém chegados, que estavam em maior número, dezoito bruxos da luz ao todo. Do seu lado, quase todos estavam encapuzados e trajando suas vestes negras de combate. Bellatrix, Rodolfo e Lucius mais a frente dos demais, mostrando que estavam acima dos outros na hierarquia.

Ninguém se move nos primeiros instantes, comensais esperando o comando de seu Lord e aurores afetados pela carnificina ao seu redor. Mas quando o primeiro feitiço é disparado, saído da varinha de Bellatrix Lestrange, a luta se inicia. A chuva de feitiços, ameaças e gritos poderia ser ouvida a quilômetros de distância.

Aquele pequeno vilarejo trouxa fora o quarto destruído em menos de duas semana, e mais irão cair por suas mãos.

Sua sede descomunal por destruição se derivava de dois únicos propósitos, atingir seu inimigo e descarregar sua raiva em algo. Sendo o último propósito o mais incômodo atualmente.

Voldemort trava a mandíbula quando uma cena indesejada passa por sua mente.

Nela, ele poderia ver seu eu mais jovem empurrando um corpo feminino contra a mesa da cozinha de Hogwarts, após escutar as mentiras que saia da boca da garota e, infelizmente, acreditar. No entanto, por mais que sua versão mais jovem tivesse acredito que, de fato, Hermione Granger era na verdade Hermione Black, com a chegada dessas lembranças em sua mente, Voldemort não acredito.

Ele sabia quem ela era; a sabe-tudo amiga do Potter, e só isso bastava para lhe convencer de que tudo não passava de uma armação. Algum plano sórdido de Dumbledore que ele ainda não sabia qual era, mas que quando descobrisse, todos pagariam caro. Ademais, investigações feitas por alguns de seus comensais, lhe apontaram que a última descendente viva de Morgana Lefay morreu em 1917, ou seja, quem quer que fosse a mulher que dizia ser Meredith Lefay, não era descendente de Morgana. Na verdade, deveria ser mais um peão no jogo para derrotá-lo. Sem contar que, haviam mais do que provas o suficiente na mesa de seu escritório comprovando as mentiras que ela lhe contou sobre Raphael e Lyra.

Soltando um grunhido de irritação, o bruxo bloqueia essas lembranças, sentindo seu sangue pulsa e endurecer seu membro.

— Maldita – Rosna, começando a andar em torno do cômodo, tentando recuperar seu alto controle.

Por mais que odiasse admitir, sabia que a presença dela em seu passado estava o afetando atualmente. A cada nova recordação, ele se sentia ligado a ela de uma forma inexplicável. E odiava isso intensamente. Hermione se inseria sob sua pele e descontrolada seus pensamentos.

Por breves instantes, ele fecha seus olhos, deixando a imagem dela sorrindo para sua versão adolescente emergir em sua mente.

Hermione Jane Granger, você pagará por suas mentiras, garante, e então, abre os olhos, disposto a deixar tudo aquilo quieto por alguns momentos.

O mestiço caminha até a janela e observa com atenção as lutas que se seguiam lá em baixo, analisando tanto seus oponentes quanto seus aliados, catalogando mentalmente quem duelava melhor e quem poderia ser descartado.

Após os primeiros cinco minutos de luta, quatro comensais estavam mortos e apenas dois aurores foram abatidos.

Ele balança a cabeça com desprezo, irritado com má condenação de sua equipe.

“Consegue se manter longe das sombras, Tom?” A voz dela irrompe em sua mente e o pega de surpresa, fazendo o mesmo fechar uma das mãos em punho.

Ele solta a respiração pela boca e volta a se concentrar nos duelos a sua frente. Dois de seus comensais haviam sido encurralados por cinco aurores.

Um bando de incompetentes, isso sim.

Você-Sabe-Quem aparata bem no meio do fogo cruzado, não se importando com os feitiços que estavam sendo lançados. Sua presença é notada instantaneamente. Todos param e prendem a respiração, seus seguidores em expectativa, já seus oponentes de medo.

O ofidioglota volta a sorrir vendo medo, surpresa e pânico passar pelos rostos dos aurores. Sua presença causava esse efeito em seus adversários, e ele adorava isso. Por isso, Voldemort apreciava tanto entrar apenas após a luta começar.

Ele gira sua varinha nos dedos, pronto para fazer uma das coisa que mais lhe dava prazer; matar.

[...]

Seus lábios percorrem meu pescoço com avidez, distribuindo leves mordidinhas no processo enquanto suas mãos espalmam meu quadril.

Gemo, extasiada.

Movimento meu quadril em círculos, fazendo fricção contra sua pélvis. Tom contra-ataca descendo uma de suas mãos até minha bunda e aperta ali, me fazendo arfa de surpresa.

Ele volta a me beijar, devorando minha boca em um beijo selvagem. Devorador.

Bagunço seu cabelo com as pontas dos dedos, excitada.

Tom Interrompe nosso beijo e se gasta, encarando-me com suas iris dilatadas de desejo e a boca inchada por causa de nossos beijos.

Franzo a testa, confusa.

— Namore comigo — Propõe, sério.

Minha boca se escancara de espanto, enquanto pisco freneticamente, descrente do que acabara de ouvir.

— O quê? — Pergunto, abobalhada.

— Namore comigo, Hermione — Repete, enfático.

Abro e fecho minha boca como um peixe fora d'água, sem saber o que falar.

— Mas... Mas... Você não pode está falando sério, Tom.

Ele revira seus olhos para mim e aperta minhas coxas com as mãos.

— Eu gosto do que temos. Essa química sexual é sensacional, e quero ver até onde isso pode nos levar, então sim, eu estou falando sério — Dispara, encarando-me com atenção — Eu nunca namorei, mas estou disposto a abrir uma exceção por você.

— Uau, obrigada, mas não estou aceitando caridade — Rosno, empurrando ele e saindo de cima da mesa.

Marcho para fora da cozinha, escutando o mesmo me chamar. Passo por alguns elfos domésticos segurando bandejas de comidas fumegantes, tenho o impulso de pegar algo delas e jogar nele, mas não o faço.

— Vamos, espere! Não foi isso que eu quis dizer — Fala, me seguindo para fora e segurando meu pulso, fazendo com que eu pare — Você entendeu tudo errado. Eu não estou te pedindo em namoro por caridade. Eu não faço caridade, Granger. Realmente quero tentar isso entre a gente.

Me viro para ele e lanço-lhe adagas pelo olhar.

— Bom pra você! — Zombo.

Ele bufa, irritado.

— Por quê você tem que ser tão temperamental? — Pergunta, aproximando seu rosto do meu, intimidador — Está tentando me aborrecer, é Isso?

— Eu? E você? Você é bipolar — Acuso-o.

— E você é doida.

Tento me soltar de seu aperto, possessa de raiva.

Tom me solta, mas em seguida agarra meu quadril, beijando-me em seguida com uma intensidade desesperadora. Seus lábios esmagam os meus, mas não abro passagem. Tento me soltar e não retribuir ao seu beijo, mas ele joga sujo, acariciando minha cintura com uma das mãos e agarrando minha nuca com a outra.

Quando seu pênis duro se choca contra meu estômago, solto um suspiro de apreciação. Ele aproveita esse meu momento de fraqueza e invade minha boca com sua língua, acabo cedendo ao beijo.

Nos separamos por falta de ar.

— Você joga sujo — Consigo dizer, respirando com dificuldade.

Tom sorri para mim.

— Só assim para você ceder — Afirma, voltando a me puxar para seus braços.

Me aconchego ali, desistindo de brigar com ele.

— Eu quero que você seja minha namorada porque eu sinto que isso é certo, que somos iguais e diferentes de uma forma singular, especial — Fala calmamente, acariciando minhas costas.

— Eu aceito namorar com você, Tom.

“Tão pobres somos que as mesmas palavras nos servem para exprimir a mentira e a verdade.”

— Florbela Espanca

Notas finais
Gostaram? Mereço comentários? Leitores fantasmas, pronunciem-se Quero desejar a todos um ótimo réveillon; que vcs tenham muita alegria nessa transição para um novo ano, e que neste 2019 vcs possam alcançar todos os seus objetivos e sonhos. Obrigada pelo apoio e suporte; vcs são nota um bilhão. Beijinhos sabor novas oportunidades!!