— Você está melhor, criança? – Pergunta-me ela, quando saio de seus braços.

Fungo, limpando meu nariz com o lenço que outrora ela usou para secar minhas lágrimas.

— Não, mas ficarei – Garanto, soando chorosa e sem convicção.

Morgana balança a cabeça em concordância. Seus olhos demonstram compaixão.

— Nenhum dor é incurável para o tempo – Reflete, sorrindo – E nada é impossível para o amor.

Mordo meu lábio inferior, emotiva.

— Quanto tempo... – Paro, não sabendo se quero mesmo saber a resposta.

Seus olhos me encorajam, mas seu semblante fica sério.

— Quanto tempo até que eu... volte!?

Seus ombros se encolhem e ela desvia o olhar.

— Será em breve, criança. É a única coisa que posso dizer.

Troco o peso dos meus pés.

— Como será? – Questiono, fechando as mãos em punhos e machucando a palma delas com minhas unhas – Eu perdi... Perdi o vira-tempo que me trouxe para cá.

Ela balança a cabeça em negativa.

— Você não o perdeu – Ela estende sua mão esquerda com a palma para cima e o vira-tempo aparece – Eu o tirei de você para que sua volta não fosse adiantada.

Meus dedos se mexem involuntariamente para pegá-lo, mas ele volta a desaparecer.

Olho para a mesma, confusa.

— Você o terá de volta quando chegar a hora – Diz, enigmática.

Suspiro.

— Será como da primeira vez... – Belisco meu antebraço, perdida em pensamentos – Luz violeta e cântico?

— Sim, exatamente como a primeira vez.

— Por que a música?

— É uma canção celta de ninar – Fala, evasiva – Aprendi com uma antiga amiga.

Dou de ombros.

— Terei que ir agora – Fala, olhando para o céu cinzento com os lábios crispados – Nos veremos novamente em breve.

— Certo, então... Até logo.

Acanhada lhe ofereço minha mão, ela ri com minha formalidade.

— Você ficará bem, Hermione – Diz, sorrindo com simpatia – Só não... Bem, só não se irrite muito comigo pelos conteúdos das cartas – Pede com humildade.

Engulo minha saliva com dificuldade.

— Algum dia tudo isso fará sentido? – Pergunto, fazendo as palavras saírem arranhando minha garganta seca.

Seus olhos piscam lentamente, enquanto ela pensa no que falar.

— Sim, criança. Um dia tudo isso fará sentido – Diz ternamente, acariciando minha bochecha com as costas das mãos.

Ela me puxa para si e seus braços me envolvem em um rápido e apertado abraço. E então, ela desaparece. Indo embora sem dizer nada.

Sozinha, estremeço de frio.

Preciso ficar sozinha e pensar, constato, saindo a passos rápidos do beco sujo.

Com minhas emoções em branco, totalmente anestesiada, vago para longe dos aglomerados de pessoas. E bem no fundo, fico grata por não ter que lida com meus sentimentos agora.

[...]

Distraída, me choco em corpo feminino quando dobro a esquina que me levaria para as carruagens do castelo.

Abro a boca para me desculpar, mas paro ao reconhecer de quem se trata.

— Você não olha por onde anda não, Granger? – Grasna, elevando sua voz enjoativa – Além de feia é desastrada, mereço! – Diz, revirando os olhos.

Suas duas guarda costas, lufanas do sétimo ano, riem de suas palavras, paradas logo atrás dela.

— Amanda, – Pronuncio seu nome com frieza, irritada – Você quem deve olhar por onde anda. Nem todo mundo quer esbarrar em lixo.

Seu rosto se retorce de irritação e indignação enquanto suas colegas soltam ofensas para mim.

Ela passa as mãos pelo corpo, limpando uma sujeira que não tem, como se dissesse: Você é suja! Preciso me limpar. Isto me irrita profundamente.

Ela aproxima seu rosto do meu, tentando me intimidar. Raiva e rancor moldam seu rosto.

Ela seria agradável se não fosse uma vaca, penso, vendo seu queixo tremer de raiva. O que Tom viu nela? Pergunto-me de súbito, sendo assolada por ciúmes.

— Nunca mais fale assim comigo, ou eu vou... – Corto suas palavras, balança minha mão em frente ao seu rosto.

— Você vai o quê? — Confronto-a, com os olhos semicerrados, aproximando meu rosto do dela também – Duelar comigo? Precisaria de no mínimo oito de você para me vencer em um duelo. E... – Encaro as duas garotas atrás dela, que recuam perante a intensidade do meu olhar – Duvido muito que suas amigas possam te ajudar.

Ela morde o lábio inferior, mas permanece quieta por alguns instantes, refletindo sobre o que dizer.

— Você se achar especial, não é? Com seu nariz empinado e sua pose de superior, você se sente intocável até – Começa, com tanto asco na voz que ela poderia vomitar a qualquer momento em mim e eu não iria me surpreender – Mas eu vejo quem realmente você é; tosca, descartável e mentirosa – Seu corpo trêmula de cólera – E quando Tom perceber isso, eu irei consolá-lo – Conclui para mim, com seus olhos me queimando.

Ela coloca a mão no meu ombro, sorrindo de escárnio. Suas amigas riem de suas palavras como hienas.

Perdendo completamente a paciência, afasto sua mão com um tapa. Ela cambaleia para trás quando me vê avançar segurando minha varinha. Suas mãos vasculham seus vestes, provavelmente, a procura da própria varinha.

A passos decididos e um semblante sério, vou me aproximando da mesma predatoriamente, enquanto ela se afasta em pânico e suas amigas correm para longe de nós. Em minha mente, imagino sete feitiços diferentes para lhe causar dor, gostando da sensação que seus olhos amedrontados me traz.

Quando suas costas encontram a parede, ela me encara com os olhos arregalados, parecendo sentir o meu desejo de lhe causar dor.

— Você é patética. – Começo com uma calma sombria, pairando a centímetros dela – E eu não estou tentando um bom dia, então faça um favor para mim e para o seu bem estar – Passo a ponta da minha varinha por sua bochecha e desço até seu pescoço – Pare de me aborrecer, porque se não eu farei algo que você não vai gostar. Mas que irá me causar muita satisfação – Enfatizo a última palavra, encarando a mesma para ter certeza que ela entendeu o que quis dizer.

Me afasto, dando-lhe as costas, mas paro a poucos metros dela. Viro-me, vendo que a mesma ainda estava na mesma posição, sem se mover.

— Olhe para mim – Ordeno, e ela obedece mecanicamente – Se mais um dos seus bilhetes infames aparecer em meu quarto, você não irá gostar do que te acontecerá – Garanto, indo embora sem olhar para trás.

[...]

Fecho a porta com delicadeza, encostando minha testa na mesma e espalmando a madeira para me apoiar. Enfim podendo libertar minhas emoções contidas o caminho todo até Hogwarts. Lágrimas pesadas e dolorosas escorrem pelo meu rosto.

Fecho meus olhos com força, respirando pela boca, sentindo o peso dos meus problemas me sufocar.

Brigar com Amanda tirou minha mente do que Morgana dissera, mas volta para cá sozinha me deu tempo para pensar novamente em tudo que fora discutido entre nós.

Choro até meus olhos arderem como brasa, até meus pulmões gritarem por descanso, até meus soluços extinguirem e nada sobrar. Chora até ficar tão emocionante esgotada que sinto não ter mais nenhuma lágrima dentro de mim.

Sento-me na cama, não aguentando ficar mais em pé. Tiro meu casaco e o jogo de qualquer jeito para longe de mim. Já deveria passar das duas da tarde, e todos os outros ainda estão em Hogsmeade, mas não me importo. É até melhor.

Minha volta ao castelo não fora comunicada a ninguém, e Tom provavelmente surtará ao descobrir que vim embora sem ele. Mas, em meu estado deprimente e irritável, é melhor nenhum deles me vê. E é melhor principalmente para mim não ver ninguém por um tempo.

Assumir para mim mesma meu amor por ele após descobrir que não poderei ficar, destroçou todas as esperanças que eu nutria em meu íntimo. E, aonde antes havia dúvidas e decisões à serem acertadas, agora é um emaranhado de tristeza e arrependimento.

Com as mãos trêmulas e o coração disparado, abro a primeira carta, apanhando-a de dentro do bolso do meu casaco no chão. Há um papel anexado junto a ela como Morgana me disse que teria.

Tomo meu tempo, respirando com dificuldade, sentindo o material do papel raspa em minha pele.

Coloco a carta na cama, deixando em minhas mãos apenas o papel contendo o que Lefay enviou para eles primeiro.

Estimados Harry e Rony,

Sinto muito não poder falar isso pessoalmente para vocês, mas fui aceita no prestigiado Instituto das Bruxas de Salem, em Massachusetts. Pretendo me mudar para lá antes do semestre começar para poder ter mais tempo de me adaptar. Por isso, não poderei me despedir dignamente de vocês.

Tudo começou após em um dia tedioso, eu ter lido vários artigos sobre este Instituto no acervo de Hogwarts. Confesso ter sido tomada pelo fascínio e admiração por seu ensino. E, consequentemente, isto me levou a me inscrever no ano passado. Fui aceita como mencionei acima, então, pretendo cursar meu sexto ano lá como uma aluna de intercâmbio. Espero que aceitem minha decisão e torçam para o meu bem estar , assim como torcerei para o de vocês. Estarão sempre em meus pensamentos. Isto não é um adeus, e sim um até logo!

Atenciosamente,

Hermione Granger.

Quase rio com o teor impessoal e frio da carta. Em nada Morgana se parecia comigo ao se dirigir aos meus amigos. Suas palavras soavam educadas mas distantes aos meus ouvidos. Como se uma professora de colegial estivesse explicando aos seus alunos o porquê de não haver aula no dia seguinte.

Largo o papel no chão sem cerimônia, sentindo-me quase doente de tão mal.

Sinto minha garganta fechar, logo meus olhos turvam, mostrando-me que em meu corpo ainda restam algumas lágrimas à serem derramadas.

Respirando fundo, pego a carta da cama.

A letra apertada e arredondada de Harry me salta a vista, levo algum tempo para conseguir entender suas palavras devido à emoção.

Querida Hermione,

Procuro entender o que te levou a nos deixar tão repentinamente, mas não sou tão criativo para tanto. E não entendo. Uma vaga em um internato prestigiado? Não creio que você nos deixaria por tão pouco. E se sim... Por quê agora quando mais precisamos de você? Nossa amizade vale tão pouco? Não para mim. Não pra Rony. E principalmente, não para Gina.

E por falar em Rony, ele está possesso. Gina também!! E com razão!! Nos deixar assim!? Francamente, Hermione. Você perdeu o juízo? Isto tudo é medo? Não existe lugar mais seguro que Hogwarts.

Voldemort retornou!! Precisamos unir nossas forças e não nos separarmos como desgarrados. Você-Sabe-Quem não descansa. O mal não se esconde ou muda de endereço. Então, por favor, repense sua decisão! Precisamos de você. Todos nós!! Não seja egoísta, Hermione. Não agora!

Com amor,

Harry Potter.

Demoro alguns minutos para processar suas palavras, sentindo o peso das minhas emoções drenarem o meu raciocínio.

“Não seja egoísta, Hermione. Não agora!”

Caio em um choro histérico, sentindo-me no limite.

Soluços irrompem de mim, fazendo meu corpo se sacudir em espasmos desordenados. Cubro meu rosto com as mãos, desejando que tudo suma. A dor. O medo. A tristeza. Tudo. Não sentir nada é melhor que o vazio que se abre em meu peito com suas palavras.

“Não seja egoísta.”

O egoísmo nunca fez parte da minha vida. Nunca foi uma característica que eu possui... Até agora, quando decidi me entregar ao homem que arruinará tudo sem medir as consequências.

“Não agora!”

Deixo-me cair no colchão, encolhendo-me em posição fetal. Mais soluços e tremores atravessam meu corpo, gelando meu sangue e drenando minhas forças.

“Egoísta”

Permaneço encolhida chorando pelo que parece uma eternidade, com a pequena frase dele indo e vindo em minha mente. Atormentando-me.

Pego a segunda carta, essa contendo o selo de Hogwarts carimbado em seu exterior.

Leio-a, constatando que seu conteúdo é mais formal do que a primeira que Morgana escreveu fingindo ser eu, mas que não difere no que está sendo passado. Junto a ela uma outra carta está anexada, essa contendo o selo do Instituto das Bruxas de Salem. Meus olhos passam rapidamente pelas palavras. Percebo de imediato que esta é uma cópia da carta que Salem enviou para os meus pais.

Anexar uma prova da minha aceitação ao Instituto deu mais veracidade a mentira, presumo.

Deixo os papéis caírem de minhas mãos, sem me importar onde eles vão parar. Pego a terceira carta com as mãos trêmulas. Leio primeiro o anexo de Morgana, aonde ela formalmente fingindo ser eu comunica a meus pais que passarei o resto das férias na T'oca e que irei para Salem como uma aluna de intercâmbio. Pede para não se preocuparem e finaliza com um “amo vocês.”

Com as mãos trêmulas, pego a carta, já sentindo o cheiro característico do perfume de Jane Granger, minha mãe adotiva.

Querida filha,

Paro de lê, sentando-me na cama com o coração disparado. Olho para o papel por um tempo, sem coragem de lê o que ali está escrito.

Vamos lá, Hermione! Vamos lá!

Querida filha,

Sinto que sua partida foi culpa nossa. Seu pai e eu nunca sentimos a necessidade de te contar a verdade, porque para nós você é nosso maior tesouro, e te contar poderia causar um afastamento entre nós. O que de fato aconteceu. Sentimos imensamente por você ter descoberto essa verdade aterradora por outras pessoas. Mas saiba que em nada isso mudo nosso amor por você. Sua outra irmã, que Deus à tenha, sempre será parte de mim, mas você também é. Não fostes gerada através de nós, mas és amada como se tivesse sido. Volte para nós o mais rápido possível. Seu pai e eu sentimos sua falta.

Por favor, não abandone seus amigos para se distanciar de nós. O Instituto de Salem não é lugar para você, minha pequena curiosa.

Com muito amor,

Mamãe e Papai.

Não sei em que ponto da carta comecei a chorar, mas quando dou por mim minhas lágrimas molham o papel em minhas mãos. Solto-o, tampando meus lábios para abafar os soluços que sacodem meu corpo.

A dor emocional em meu peito se expande, transformando-se em física e se espalhando por minhas veias, músculos e células. Quero gritar, mas nada além dos soluços sai.

Cada lágrima que cai é uma parte de mim que se quebra. Me deixo ser tomada por minhas emoções, mergulhando nelas e sendo consumida por elas.

A última carta é aberta apenas quando volto ao controle de minhas emoções, após vários minutos chorando.

Dentro da mesma encontro apenas um exemplar de O Pasquim e um pequeno bilhete com a letra cursiva de Luna.

Para que você possa se manter informada mesmo longe de nós. Sinto sua falta.

PS: Cuidado com os Zonzóbulos! Eles adoram embaralhar a mente das pessoas que viajam para outros lugares. Use tampões de orelha com frequência.

Com amor,

Luna Lovegood

Me pego sorrindo ao final do bilhete, feliz por alguém não ter se decepcionado ou se irritado comigo.

[...]

— Hermione, você está aqui? – Lena pergunta, colocando a cabeça para dentro do quarto de forma brusca, com seu rosto marcado por preocupação.

Quando me vê, assume uma expressão aliviada.

— Avise ao Tom que ela está aqui – Manda, olhando para alguém que está atrás dela.

A mesma entra no quarto, vindo até mim como uma mãe pronta para dá bronca no filho.

— Merlin! Hermione, por que você sumiu assim? Ficamos muito preocupados – Diz em reprimenda, realmente seria – Te procuramos por todos os lugares. Pobre Tom! Ele ficou morto de preocupação – Suas mãos voam até seus cabelos, enquanto ela faz um rabo de cavalo – Nathaniel me falou que nunca o viu tão preocupado assim – Confidencia, colocando as mãos na cintura – Você realmente nos assustou hoje.

Ela senta-se em sua cama, me encarando com desaprovação.

Com apenas o abajur do criado mudo da minha cama acesso e meu rosto quase todo coberto pelo lençol, ela provavelmente não está vendo meu rosto direito, o que me ajuda a parecer normal.

— Desculpe – Digo com um fio de voz – Não estava me sentindo bem – Falo a meia verdade que me convém.

— E você não poderia pedir para alguém nos avisar? – Dorea pergunta, entrando no quarto como um furacão – Quase enlouqueceria pensando que alguma coisa tinha acontecido com você. Isso não se faz! – Briga, me fazendo sentir pequena e malcriada – Se você diz que irá se encontrar com sua madrinha, mas voltará para junto de nós, tem que cumprir sua palavra, ou ao menos nos comunicar o porquê de não voltar.

Balanço a cabeça em concordância, fraca demais para dizer qualquer coisa.

— Você está melhor? – Lena pergunta, visivelmente preocupa – Precisa de alguma coisa?

— Eu estou bem – Respondo baixinho – E não preciso de nada. Mas, obrigada mesmo assim.

Ela balança a cabeça, encarando-me com preocupação.

Logo desatam a falar sobre as coisas que compraram para o baile, tentando mudar de assunto e diminuir a tensão que se instalou.

[...]

Dou três batidas na porta e um passo para trás, esperando. Meu coração acelerado é o único som que escuto.

Aliso o tecido do meu vestido preto, olhando nervosa para os lados, com medo de ser flagrada. Quando a porta é aberta, levo um susto. Mas me recomponho logo, encarando o rosto sério a minha frente.

— Oi – Sussurro, esperando ele me da passagem para entrar em seu dormitório.

— O que você quer? – Seu tom de voz frio aliado a sua postura impenetrável me desnorteiam.

Engulo em seco, sentindo-me diminuir perante seu olhar.

— Posso entrar? – Pergunto, nervosa.

Ele pondera por alguns instantes, com o rosto desprovido de qualquer emoção. Então, se afasta da porta, deixando-a semiaberta para mim. Entendo isso como um sim e entro.

— Eu gostaria de me desculpar – Começo, quando ele fecha a porta e se escora nela de braços cruzados – Fui imprudente. Não deveria ter vindo embora sem te avisar. Sinto muito, Tom – Termino.

Ele permanece calado, encarando-me sem demonstrar nada. Me abraço protetoramente, sentindo seu distanciamento de mim.

— Sabe o que eu mais odiei em tudo isso? – Quebra o silêncio, com a voz monótona.

Balanço a cabeça em negativa.

— Perder o controle – Fala, caminhando em minha direção, parando poucos centímetros longe de mim – Quando você não apareceu e eu não te encontrei, irracionalmente, eu me preocupei mais do que deveria. Afinal, você é uma bruxa crescida que sabe se defender – Seu hálito quente bate contra meu rosto, mas seus olhos me congelam com tamanha frieza – Eu nunca demonstro irracionalidade ou sucumbo a emoções... Mas hoje... Eu realmente não gostei do dia de hoje – Ele fala cada palavra pausadamente, arrepiando-me com a intensidade sombria disso.

Prendo a respiração, sentindo meu estômago embrulhar.

— Desculpe-me – Consigo dizer, mordendo meu lábio inferior.

— Você me humilhou na frente dos meus colegas e isso não tem desculpas – Rosna, enfim deixando um pouca de sua raiva sair – O mundo pode estar pegando fogo, mas é a mim que você deve satisfações – Diz, arrogante. Soprando cada palavra em minha direção como uma ordem.

— E-eu não que-queria te em-envergonhar – Falo chorosa, cansada demais de tantos problemas e apenas querendo um pouco do amor que me fez querer ficar – Eu só... Só precisava de espaço.

Seu rosto se aproxima do meu, solto minha respiração pela boca em expectativa. Ponho-me na ponta dos pés, imaginando que ele vá me beijar.

— Saia – Ordena, encarando-me com severidade.

O baque que sua ordem me dá me faz cambalear para trás.

— O quê?

Ele se afasta, irradiando frieza e indiferença.

— Vá embora – Diz, apontando para a porta – Não quero falar com você agora.

— Eu nã-não entendo... – Gaguejo, confusa.

Sua risada cruel gela meu sangue.

— Qual parte? Quer que eu desenhe? – Pergunta debochado – Saia daqui antes que eu perca a paciência, Hermione.

Cambaleio para perto dele, tentando chegar até a parte bonita e carinhosa dele com a qual eu me apaixonei.

— Tom... – Minha voz falha quando minha garganta se fecha ao vê-lo se afasta do meu toque – Eu sinto muito – Grito, completamente perturbada.

— Suas palavras não fazem o menor efeito em mim – Rebate, passando as mãos no cabelo, parecendo perto de perde o controle – Apenas vá embora, Hermione. Outra hora conversamos. Agora sou eu que preciso de espaço.

Continuo imóvel por alguns minutos, apenas encarando o mesmo sem saber o que fazer ou dizer. E sem forças para lutar contra sua rejeição.

— Estamos terminando? – Pergunto baixinho, temendo a resposta.

Seu corpo se sobressalta. Seus olhos voam para meu rosto com rapidez.

— O quê? Não, é claro que não – Diz prontamente, parecendo ofendido até – Apenas estou dizendo que não quero falar com você agora. O que é tão difícil em entender nisso?

Recolhendo dos recantos mais distantes de mim as forças que me restam, não deixo nenhuma das lágrimas que se acumulam em meus olhos caírem.

— Se é isso que você quer – Consigo dizer, desviando o olhar, não aguentando mais encarar a frieza de seus olhos.

Abro a porta, mas ele a fecha com brusquidão, pegando-me de surpresa. Virando meu corpo para si, ele me pressiona contra a madeira fria e me beija com sofreguidão. Agarro-me em seus ombros, sentindo minhas pernas fraquejarem.

Nossas línguas se enroscam de forma ousada e raivosa. Permito ao meu corpo sucumbi ao desejo.

— Eu pensei que seria mais fácil – Fala mais para si do que para mim quando nos separarmos por falta de ar.

— O que seria mais fácil? – Pergunto, encarando seus olhos azuis tempestuosos.

— Te mandar embora – Responde, antes de voltar a me beijar com força, dessa vez agarrando minhas coxas e arqueando meu corpo.

Envolvo sua cintura com minhas pernas, deixando nossos instintos primitivos guiarem a situação.

Agarro seus cabelos, despenteando os fios. Mordo seu lábio inferior, descontrolada. E com um som áspero e desesperado, ele se transforma ao meu toque, inalando e exalando rapidamente. Enquanto observo com admiração ele me devorar com os olhos, a malicia de sua expressão aquecendo meu interior.

E então, me perco em seus braços, esquecendo toda e qualquer coisa que não pertença ao nosso momento de luxúria.

“Você deve aprender a relaxar. Liberte a tensão. Você nunca esteve no controle de qualquer maneira.”

— Steve Maraboli

Notas finais
Espero que gostem e comentem. Até o próximo capítulo. Beijinhos sabor sem lágrimas!!