Notas iniciais
Enjoy!

Não consigo presta atenção na aula de Feitiços, sentindo minha mente girar em torno do sonho que tive.

Quem é você M? E porque eu? Quais suas intenções em me mandar aquele sonho? Porque tenho certeza que aquilo foi induzido, não tinha como minha mente criar tal ambientação e charadas. Preciso descobrir a verdade o quanto antes.

Suspiro, distraída.

Lena bate com o cotovelo em meu braço. Encaro a mesma, curiosa.

Ela me lança um olhar divertido e balança a cabeça para frente. Sigo com o olhar para onde ela estava tentando apontando. Vejo o professor Anael Boarthy escrever na lousa com a varinha o que me parecia instruções para um trabalho.

Me volto para Lena, confusa.

— Será um trabalho em dupla — Diz, mas logo faz uma careta — Só que ele irá selecionar as duplas.

Antes que eu possa falar qualquer coisa, a voz do professor se faz ouvida.

— Em nossa próxima aula eu selecionarei as duplas — Começa, andando de um lado para outro — Não quero comodismo, quero vê como atuam com parceiros aleatórios.

Ouve um breve burburinho de descontentamento por parte dos alunos, mas logo são silenciados por seu olhar feroz.

— Vocês terão um mês a partir de quando eu escolher e lhes informar suas duplas para criar ou modificar um feitiço de suas escolhas — Informa — Não tolerarei atrasos ou desculpas para o não comprimento dessa atividade — Ele faz uma pausa para então dá de ombros — Estão dispensados.

Saímos da sala como fugitivos de uma prisão.

— Ele é um tirano — Lena declara baixinho para mim.

Faço que sim com a cabeça, ainda aérea por causa do maldito sonho.

— Ainda bem que teremos esse sábado para espairecer indo a Hogsmeade — Comenta animada — Você irá não é?

— Ainda não sei...

— Hermione! — Ela diz meu nome em tom reprovador.

Sorrio sem graça.

— Prometo pensar no assunto com muito carinho.

Ela revira os olhos e sorri.

— Tudo bem — Concorda.

Seguimos para a próxima aula que seria de Herbologia em silêncio, até que ela estala a língua para mim. Paro, esperando sua próximas palavras.

— Eu sou uma péssima amiga — Diz, parando à minha frente.

— Como? — Pergunto, confusa.

— Não sei quando é seu aniversário — Sussurra, culpada.

Forço um sorriso de desculpas.

— Tudo bem, ele já passou — Minto.

Ela faz biquinho, tristonha.

— É uma pena, poderíamos fazer algo bem legal para comemorá-lo com você. Amo decorar coisas — Confidencial, com seus olhos brilhando.

Sinto meu coração se apertar em sinal de culpa, sabendo que meu aniversário será de hoje há dois dias, na quinta, dia 19 de setembro.

Olho para chão e continuamos nossa caminhada em silêncio, escutando ela tagarelar sobre como era bom decorar festas e comemorações de todas as espécies.

Eu que sou uma péssima amiga.

[...]

Abro meu malão com cuidado, tentando fazer o mínimo de barulho possível. Dorea e Lena dormem em suas camas, alheias aos meus movimentos cautelosos.

Remexo entre os recantos mais profundos do malão, passando meus dedos por entre várias texturas de tecidos e objetos. Quando esbarro com o que procuro, abro caminho com as mãos e retiro de lá o grande álbum de fotos que eu sempre trazia comigo para Hogwarts. Deposito o mesmo na cama, volto a fechar o malão e, então, reduzo ele e guardo-o na bolsinha que eu penduro na cabeceira da minha cama.

Saio do dormitório amarrando meu roupão na cintura e com o álbum debaixo do braço. Dou uma boa olhada em torno do salão comunal, constatando não ter ninguém ali. Pelas janelas do cômodo, posso vislumbrar a escuridão noturna cercando tudo lá fora.

Encaro o pequeno relógio de parede redondo antes de me jogar na poltrona perto da lareira. Os ponteiros mostram já passar das três da madrugada. Me deixo cair na poltrona aconchegante.

Fecho meus olhos por breves segundos, fazendo uma prece mental para que nada ali me abale mais do que eu já estou.

Tudo ficará bem! É só mais um dia normal...

Repouso o objeto quadrado em meu colo, acariciando sua capa simplista, apenas com um título já quase apagado pelo tempo: “Família Granger”.

Abro-o receosa, sentindo meu coração palpitar mais forte.

Devido a tudo que aconteceu em tão pouco tempo, não pretendia pegar naquele álbum nem tão cedo. Mas após me deitar e ficar revirando na cama sem conseguir dormir, minha mente começou a borbulhar de lembranças, mostrando todas as fases da minha vida até aqui.

Quando os ponteiros do relógio em meu dormitório mostraram já passar da meia noite, é como se uma pequena represa de sentimentos e emoções rompe-se. Sou sufocada por minhas próprias paranoias e lembranças.

Eu preciso fazer isso, penso, com algo dentro de mim gritando para que eu pegue o álbum e veja o que deixei para trás.

No entanto, me seguro o máximo que posso na cama, tentando dormi e esquecer meus pensamentos conturbados, mas como o sono não vem e as lembranças continuam surgindo, decidi seguir meus impulsos e aqui estou. Sozinha no salão comunal da Sonserina, segurando um álbum com todas as minhas fotos de família preferidas, escutando os ponteiros do relógio fazerem seu trabalho na madrugada de uma quinta-feira, na madrugada do meu aniversário de dezessete anos.

A primeira foto no álbum é uma em que atrás pode-se vê uma linda árvore de natal, que fora decorada por nós com esmero. Eu devia ter pouco mais de sete anos e estava no meio dos meus pais, com eles ajoelhados um de cada lado meu, me abraçando e beijando minhas bochechas.

Sorrio, lembrando-me de como esse natal fora um dos mais felizes que tivéssemos.

A foto seguinte é de quando andei de bicicleta pela primeira vez. Nessa eu estava com cinco anos e usava capacete, joelheiras e cotoveleiras rosas, enquanto montava na bicicleta de rodinhas e sorria para a câmera, com meus dentes da frente de coelho reluzindo pela luz do sol que batia em meu rosto.

Eu odiava rosa, relembro, mas estava tão feliz por poder aprender à andar naquela coisa que nem me importei com isso.

Passo algumas páginas, vendo apenas fotos de quando meus pais eram jovens e estavam na universidade de odontologia. Normalmente eu pararia e observaria o amor com que em quase todas aquelas fotos eles se olhavam, mas não me atenho a isso por alguma razão inconsciente do meu cérebro.

Paro quando uma imagem disforme em preto e branco se destaca entre as demais. Meus olhos marejam em reconhecimento. Eu já vi essa imagem antes, mas nunca sob a ótica da verdade. O que antes me contaram ser o ultrassom aonde descobriram que o sexo do bebê de Jane Granger era uma menina, que eu era essa menina, agora eu posso ver a verdade. Aquela menina ali não sou eu, nunca foi.

Não me surpreendo quando lágrimas começam a escorrer pelo meu rosto, caindo como pingos grossos de chuva em cima da foto disforme.

Prendo minha respiração ao reconhecer a caligrafia da minha mãe abaixo daquela foto. Algo que nunca me pareceu estranho fora o fato de que de todas as fotos do álbum, essa é a única em que ela escreveu algo. Mas agora eu entendo, era um recado para sua filha falecida.

Nunca fora sobre mim!

Cubro meu rosto com as mãos, sentindo a intensidade das palavras ali escritas penetrarem minha mente e ferir meu coração.

“Você sempre será parte de mim.”

Fecho o álbum de supetão e o jogo no chão, querendo me livrar do que está ali, do sentimento de impotência que suas palavras me causam.

Trêmula, me levanto com dificuldade da poltrona e começo a andar pela sala, chorando baixinho.

— Nunca fora sobre mim! – Sussurro em voz alta, sentindo minha garganta fecha.

Fecho meus olhos e respiro fundo, buscando equilíbrio dentro de mim, enquanto sinto meus pés movendo-se pelos espaços do cômodo.

— Falando sozinha, Granger?

Abro meus olhos, assustada.

Procuro o dono da voz com o olhar, encontrando Riddle parado a poucos metros de mim, trajando uma calça de moletom preta e um roupão também preto. Ele está descalço e seus cabelos sempre bem arrumados agora estão bagunçados.

Oh, Deus! Como ele consegue ser sexy mesmo despenteado?

Sinto minhas bochechas corarem, envergonhada.

Eu devo está uma bagunça horrível, penso.

Dou as costas para o mesmo e caminho até onde meu álbum está caído, passo as mãos pelo meu rosto no processo, tentando tirar os resquícios de minhas lágrimas dali.

— Você não deveria estar dormindo ou algo assim? – Minha voz sai rouca pelo choro recém parado.

Ele solta uma risada de escárnio.

— Digo o mesmo, Granger – Ouço seus pés arrastando-se pelo chão.

Apanho o álbum e me levanto, quando me viro para encará-lo me arrepio toda ao me deparar com ele atrás de mim.

Pisco, aturdida.

Desvio meu olha para o chão, não querendo que ele veja a tristeza estampada em meu rosto.

Tom leva sua mão direita até meu rosto, prendo a respiração, chocada. Seus dedos traçam um caminho lento de minha bochecha até meu queixo, seguindo uma trilha imaginária. Ele segura meu queixo e levanta meu rosto, me forçando a encarar o mesmo.

Me perco na imensidão azulada de seus olhos, esquecendo por alguns instantes quem ele é e de que eu devo me afastar.

— Você não devia chorar – Sussurra, soltando meu queixo e voltando a percorrer minha bochecha com os dedos – Suas bochechas ficam vermelhas e seus olhos perdem o brilho petulante... Isso não é nada atraente – Diz a última parte em tom provocativo.

Solto uma breve risada.

— Você sabe como animar uma garota – Retruco.

Ele sorri de lado e se afasta. Sou assolada por um breve sentimento de abandono ao não ter mais seus dedos vagueando por minha bochecha.

Balanço a cabeça, tentando espantar esse sentimento inoportuno.

O que está acontecendo comigo? É loucura.

— Apenas falei a verdade – Comenta despreocupado – Você não é bonita chorando.

Bufo, indignada.

— Ninguém é bonito chorando, Riddle.

Ele se senta na poltrona que antes eu estava sentada.

— Nisso nós concordamos, Granger – Fala, apontando em seguida para a poltrona ao lado.

Franzo a testa desconfiada, mas acabo indo me senta ali. Coloco meu álbum familiar no colo e mantenho minhas mãos depositadas em cima dele.

— Você não parece está tendo uma boa noite – Diz ele após alguns minutos em silêncio – Perdeu o sono?

Faço que sim com a cabeça.

— O sono meio que fugiu de mim hoje – Entrelaçou meus dedos em cima do livro de fotos – Você também perdeu o sono?

— Sim – Responde, calmamente.

Ele se volta para mim, encarando-me com perspicácia.

— Você anda me evitando desde nosso duelo... Por que? – Ele inclina-se para frente, esperando minha resposta.

Abro e fecho a boca, não sabendo o que responder.

Encaro minhas mãos entrelaçadas, tentando formular uma resposta plausível.

— Você... Hum... Quero dizer... Eu não gosto... – Faço uma pausa, inquieta – Não entendo seus jogos – Confesso de uma vez, voltando a encará-lo mortificada de vergonha.

Ele levanta uma de suas sobrancelhas.

— Meus jogos?

Faço que sim com a cabeça.

— Em um momento você me chama de sangue-ruim, no seguinte assume me desejar, mas depois diz que nunca ficaria comigo e que sou... s-sou como todas as outras – Me chuto mentalmente por gaguejar no final.

Eu sou tão idiota.

Ele fica em silêncio, me encarando. Me volto para o fogo, tentando evitar a intensidade de seu olhar.

— Você não é como as outras – Fala, me pegando de surpresa.

Me volto para ele, que endireita sua postura e encara o fogo crepitante.

Voltamos a ficar em silêncio, apenas encarando o fogo a nossa frente e desfrutando do silêncio confortador do lugar.

— Por que você não gosta de nascidos trouxas? – Pergunto, repentinamente.

Ele desvia a atenção da lareira e se volta para mim, surpreso com a pergunta. Me chuto mentalmente por estar trazendo um assunto tão complicado à tona.

Seus olhos brilham em repulsa, encolho meus ombros sob seu olhar.

— Porque nasceram com o privilégio da magia que não mereciam – Fala, com sua voz tão gélida e cortante quanto uma navalha afiada – São escória e merecem ser expurgados do mundo bruxo.

— Como você não ver que isso é totalmente insano e doentio? — Vejo-o tencionar os músculos, irado – Esses nascidos trouxas em algum ponto distante de sua árvore genealógica tiveram parentes bruxos. Não é algo aleatório que simplesmente acontece ao acaso.

Ele volta a inclina-se para frente, seu rosto tomado por raiva e descaso.

— E você acha que só porque em algum maldito ponto do passado eles tiveram um ancestral bruxo, isso os configura em merecedores? Esses sangues imundos são escória – Ele solta uma gargalhada odiosa, que me faz arrepiar – Não posso esperar que você compreenda meu ódio por eles, afinal, você não passa de uma sangue-ruim.

Ele volta a se endireitar na poltrona, encarando um ponto qualquer à nossa frente.

— E você é mestiço – Sussurro sem me conter, mas não querendo incitar ainda mais sua fúria.

Ele me lança um olhar tenebroso.

— Não existe um dia sequer que eu não repudie o sangue imundo do meu pai trouxa que corre em minhas veias – Sua voz sai baixa e rouca, como se ele estivesse se esforçando ao máximo para manter a calma.

Seu rosto reflete por poucos segundos uma vergonha genuína, como se eu saber que ele é mestiço o inferioriza-se de alguma forma.

Vejo ele aperta o braço da poltrona, nervoso.

Seu rosto assume uma máscara de frieza glacial, enquanto seus olhos ficam opacos.

Obedecendo um impulso primitivo que se apodera de mim, levanto-me e deixo meu álbum na poltrona onde antes estava sentada.

Tom segue meus movimentos com os olhos. A atmosfera ao nosso redor se modifica, saindo de uma forte frustração para uma tensão proveniente de coisas não ditas.

— Onde você vai? – Sua voz denota preocupação, como se ele não quisesse que eu fosse embora.

— Lugar nenhum. – Respondo, me aproximando do mesmo com cautela, para não assustá-lo.

Ele me encara com os olhos dilatados, como se estivesse prevendo meus próximos movimentos.

Sento-me em seu colo, sem interromper nossa conexão visual em nenhum momento.

Tom envolve minha nuca com uma das mãos, enquanto que com a outra segura minha cintura. Aproximo meu rosto do seu até que nossos narizes se toquem, esfrego de leve a ponta de meu nariz na dele, em o que chamam de beijo de esquimó.

Ele franze a testa confuso, apenas sorrio de leve.

— Algo me diz que temos coisas demais na cabeça – Começo, séria, vendo ele encarar minha boca faminto. Meu libido vai as alturas com isso – E que precisamos esquecê-las por alguns instantes, então... Vamos fazer isso juntos, tudo bem?

Riddle acena a cabeça, ainda encarando minha boca com desejo.

— Mas...

Ele desvia sua atenção de meus lábios e me encara intrigado com minhas próximas palavras.

— Mas?

Respiro fundo antes de falar.

— Mas isso não muda o fato de você ser um maldito preconceituoso e eu uma sangue-ruim petulante – Digo, levando minhas mãos até seus cabelos. Acaricio seus fios grossos e sedosos com calma – E que depois disso vamos apenas esquecer o que aconteceu entre nós e seguir em frente. Vou permanecer te evitando e você me insultando. Tudo como deve ser.

— Esse é o único desfecho aceitável – Concorda, apertando minha cintura.

Enterro meu rosto em seu pescoço.

Fecho meus olhos por alguns instantes e inspiro seu cheiro, deixando que ele entre em meus poros e me embriage de desejo como sempre acontece quando sua fragrância masculina se infiltra em minhas narinas.

Com dificuldade afasto meus rosto dali, vendo o mesmo de olhos fechados, entregue ao prazer. Quando seus olhos se abrem, suas íris estão dilatadas de luxúria.

Sem aviso prévio, ele une nossos lábios em um beijo sôfrego, desesperado. Nossas bocas se movem em sincronia um sobre o outro. Sua língua pede passagem, concedo sem hesitar.

Gemo em sua boca quando nossas línguas se encontram. Meu corpo estremece e sinto meu coração palpitar descontrolado. Me aperto contra seu corpo, querendo mais.

Ele desliza sua mão da minha cintura até a abertura de meu roupão, aonde segura minha coxa com firmeza.

Suspiro com o encaixe perfeito que nossos lábios fazem.

Encerramos nosso beijo por falta de ar, mas antes de nos separarmos por completo depósito vários selinhos ali.

Tombo a cabeça para trás e fecho meus olhos, inspirando e expirando com rapidez, tentando absorve o máximo de ar possível para meus pulmões.

Isso é tão errado, mas é tão bom!

Tom larga minha nuca e segura meu cabelo, puxando-o para trás com delicadeza. Abro meus olhos e o vejo sorrir para mim.

— Isso não muda nada entre nós, não é? – Consigo perguntar, afetada pelo meu próprio desejo avassalador.

— Não, Granger, não muda nada.

Então volta a ataca meus lábios com os seus, em um beijo alucinante.

Puxo seu lábio inferior com meus dentes e então introduzo minha língua em sua boca, absorvendo seu gosto viciante e travando uma pequena batalha por controle com ele.

É meu aniversário e eu nunca estive tão sozinha, confusa e desnorteada. Poder esquecer tudo à minha volta, mesmo que afogando meus problemas em meu maior inimigo, é uma oportunidade que eu não tive como desperdiçar.

[...]

A calma do Lago Negro é perturbada quando acerto uma pequena pedra achatada na superfície da água. Vejo-a quicar três vezes antes de afundar.

Foco minha atenção nas pequenas ondinhas causadas pela pedra que joguei, tentando desviar meus pensamentos das várias reprises que eu fiz em minha mente sobre o minha troca de beijos com Tom.

O que deu em mim? Eu não sou assim. Traí meus princípios e amigos por pura luxúria.

Procuro no chão outra pedra para jogar, quando encontro uma próxima a uma grande árvore mais ao longe, levito com minha varinha ela até mim.

Os raios solares do lindo pôr do sol que se estende ao longe em contado com a água do lago projeta cores quentes e frias sobre a superfície da água – Laranja, amarelo, azul e verde.

Seguro a pedra fria nas mãos e limpo-a, tirando os resquícios de terra e grama que tinha nela. Me preparo para repetir meu movimento anterior e jogá-la na água, mas vozes masculinas sussurradas se aproximando me desconcentram.

Respiro fundo e me volto para o que estava prestes a fazer até que escuto a voz de Riddle se sobrepor as demais. Quase que instantaneamente fico ruborizada, lembrando-me de sua língua enroscando-se na minha.

— Começa depois do Halloween – Afirma, pragmático – Já temos os alvos definidos, Rosier?

Prendo a respiração, meu coração dispara.

Alvos? Isso não pode ser bom.

— Sim, milord! Tudo acontecerá de acordo com sua vontade – Respondeu Evan, com uma submissão enervante na voz – Todos foram escolhidos a dedo, não sendo nenhum da Sonserina.

— Muito bem – Diz em tom elogiador – Alguém tem alguma dúvida?

Ouço um sonoro não partindo de todos ali presentes. Pela quantidade de vozes que negam, posso perceber que eram muitos comensais, no mínimo dez. Consigo distinguir as vozes de Nebulos, Abraxas, Pollux, Nathaniel e Evan entre as demais.

— Prosseguiremos com normalidade até o baile de Halloween, após ele iniciaremos nossos testes – Continua Riddle, com sua voz se distanciando – Quero que vocês trenem com afinco, não tolerarei erros.

Sua voz desaparece assim como sua presença.

Fico petrificada no lugar, tentando compreender do que ele estava falando.

Alvos? Testes?

Aperto com força a pedra em minha mão direita, irritada.

O que você está tramando Tom?

“Hoje sou luxúria. Espero mãos pesadas, ópio na veia, sol de giz riscado no chão. Quero dividir meus erros, arranhar minha loucura.”

— Caio Fernando Abreu

Notas finais
Gostaram? Mereço comentários? Amei escrever esse capítulo ♥️ Leitores fantasmas, pronunciem-se O que acharam da pegação toda? Mas alguém fico caliente depois daquele fogo todo deles? Os dois juntos revolucionam o sentido daquele trecho de música: "entre tapas e beijos, é ódio é desejo." Beijinhos sabor luxúria!!