Notas iniciais
Primeiramente, mil perdões pela demora. Com certeza, até agora esse foi o período mais longo que fiquei sem posta um capítulo aqui, e isso me devastou. Gente, com a mudança de casa e a cirurgia que minha gatinha Cosima fez, eu realmente fiquei esgotada e não consegui me concentrar para terminar o capítulo. Mas graças a Deus, eu obtive tempo e inspiração para conclui-lo. Enjoy!!

O ar gélido da manhã chicoteia minhas bochechas assim que passo pelas grandes portas de metal escuro, arrepio-me.

Olho desanimada para o aglomerado de alunos do lado de fora do castelo, castigando-me mentalmente por ceder aos apelos de Lena e Anelise para irmos à Hogsmeade juntas.

Quando elas me encurralaram após a aula de Transfiguração e fizeram várias juras de que esse passeio beneficiária em demasiado o humor de Dorea, aceitei por solidariedade e afeto à Black. Mas me arrependo ao escutar os berros e olhares enviesados das garotas ali presentes ao verem minhas vestes.

Quanta imaturidade! Penso, cruzando os braços à frente do corpo para me aquecer. Eles não sabem se comportar civilizadamente não? E não tem nada de errado com minha roupa. Ela é comportada. Aliso o tecido da minha saia azul marinho. Moda idiota! Época idiota! Eu sou uma idiota!

Solto um suspiro, irritada.

O frio da manhã está particularmente incômodo e isso piora meu humor, que desde minha segunda aula de oclumência com Dumbledore, ontem a noite, está instável. Minha incapacitada de bloquear sua legimencia me frustra, e mesmo ele dizendo que isso é completamente normal no começo, eu me sinto pequena e incapaz. E eu odeio me sentir assim.

O único ponto positivo é que aprendi como desviar meus pensamentos daquilo que não quero que ninguém saiba. E apesar de Dumbledore ter visto algumas lembranças vergonhosas minha antes que eu dominasse essa técnica, – como quando chorei por Rony no quarto ano, após o baile do Torneio Tribruxo, ou quando Draco Malfoy me chamou de sangue-ruim pela primeira vez e eu chorei até pegar no sono, ou quando eu estava no primeiro ano chorando por algo que Harry e Rony falaram e o trasgo apareceu, — nenhuma chegou nem perto dos segredos que eu guardo no fundo de minha mente. Algo me diz que ele não acessou esses recantos por saber que são dolorosos demais para mim revivê-los. No entanto, Voldemort não teria essa nobreza. Por isso, eu preciso o quanto antes dominar oclumência.

Quando uma rajada forte de vento atinge meu rosto, me encolho. Me arrependo de não ter escolhido uma roupa mais quente para usar hoje; minha saia azul de tecido fino, a blusa branca social e o cardigã preto não foram uma boa opção, mas pelo menos minha meia calça azul e a bota preta estão me protegendo como se deve.

Menos mal.

Procuro minhas acompanhantes para Hogsmeade em meio a aglomeração de estudantes, me deparando com diferentes níveis de animação e tédio nos rostos jovens, mas não as encontro. Por isso, dou alguns passos para frente, tentando achá-las. Fico na ponta dos pés para vê por cima de alguns alunos. Desisto após dá uma boa olhada e não achar nenhuma delas.

Caminho a margem da aglomeração, apenas espiando por entre as brechas de corpos para vê se vejo-as. Nada.

Onde elas estão? Me pergunto, acelerando o passo. Eu deveria ter saído junto com elas e não ter ficado para trás para terminar o trabalho que só entregaremos daqui duas semanas.

Sorrio vendo um grifinoriano simular um desmaio quando uma lufana passa por ele. Seus amigos gargalham da brincadeira e a garota em questão lhe lança um sorriso cheio de dentes, fazendo-o ficar vermelho.

Bobos! Penso, distraída.

Dou mais alguns passos até escutar a risadinha melodiosa de Lena. Paro no lugar e tento achá-la em meio a tantos adolescente eufóricos. Passo por alguns grupinhos de alunos da Sonserina até avistar seus longos cabelos loiros.

Suspiro, aliviada.

Até que fim! Já estava pensando que tinham ido...

Para abruptamente ao vê as pessoas que a cercam. Tirando Dorea, Lena e Anelise, todos os indivíduos daquele grupinho me detestam com fervo. Bom, talvez Abraxas não, mas todos os outros sim.

Ah, não!

Estagnada no lugar, procuro pela presença essencial daquele círculo, e assim que o encontro prendo a respiração. Riddle está de costas para mim e mais afastado dos demais, por isso não o vi logo de cara. Sua postura relaxada me diz que ele não está nem aí para as meninas estarem junto de seus comensais e perto dele, mas seu afastamento deixa claro que ele não quer interagir com os demais.

Depois dele, Dorea é a que mais me parece não querer socializar com ninguém ali. E mesmo estando entre Pollux e Nebolus, ela está com a mente longe. Enquanto Lena tagarela sem parar com o Rosier, Anelise está pendurada no braço de Abraxas, sussurrando para ele coisas que prefiro não saber.

Aproveitando que ninguém notou minha presença, analiso os adolescentes à minha frente. Abraxas e Evan tem uma beleza angelical devido a seus cabelos loiros, sendo os do Malfoy loiros platinados e que vão até a altura dos ombros. Já Pollux e Nebolus com seus cabelos escuros e traços fortes tinham um ar selvagem. Tirando as meninas, todos os garotos tem quase a mesma altura.

As meninas se destacam por sua beleza estonteante e delicada, sendo Lena e Análise duas loiras de olhos azuis piscinas com corpos que deixariam modelos de revistas com inveja, e Dorea por seus cabelos achocolatados que descem como cascatas até seu quadril avantajado e cinturinha fina.

Mas de longe Riddle é o que mais se destaca aos meus olhos. Sua postura confiante e altivez despretensiosa o tornava, literalmente, um Lord. Ao contrário dos outros que mantinham apenas uma postura altiva por meros privilégios do dinheiro, ele fazia-o quase que por instinto, como se não soubesse outra forma de se porta, é involuntário. Seus cabelos pretos sempre bem arrumados e olhos azuis tempestuosos lhe dão um ar de perigo, mas é seu sorriso torto e voz persuasiva que realmente oferecem perigo.

Ele é como a lua cheia, magnético, e seus comensais meras estrelas pálidas, pondero mentalmente.

Para meu completo desespero, Tom sente meu olhar sobre si. Ele se vira aborrecido e procura por quem ousa fazer tal coisa. Instintivamente, quero me jogar no chão e sumir, sabendo que quando nossos olhos se encontrarem, a torrente de imagens luxuriosas que venho sufocando irão me atingir.

Quando meu olhar encontra o dele, prendo a respiração e ruborizo de imediato. Um sorriso lateral lento e presunçoso aparece em seus lábios, fico ainda mais vermelha.

“Gemo em sua boca quando nossas línguas se encontram. Meu corpo estremece e sinto meu coração palpitar descontrolado. Me aperto contra seu corpo, querendo mais.

Ele desliza sua mão da minha cintura até a abertura de meu roupão, aonde segura minha coxa com firmeza.

Suspiro com o encaixe perfeito que nossos lábios fazem.”

Engulo em seco e balanço minha cabeça, tentando me livrar de tais pensamentos. Quando volto a encará-lo percebo que seu sorriso se alargou. Mesmo longe posso até imaginar o brilho vitorioso de seus olhos. Me desconcertar parece lhe trazer um prazer inigualável.

Cretino!

Forço minhas pernas a caminhar até eles, sabendo que agora fugir não é mais uma opção. Eu não lhe darei o gostinho de me vê fugindo constrangida.E talvez fosse até bom me manter um pouco perto deles, assim eu poderia tentar descobrir quais eram seus planos para depois do Halloween.

As palavras “alvos” e “testes” não saiam de minha mente. O quê quer que eles estivessem planejando, eu iria impedir. Custe o que custar.

Tom segue-me com o olhar enquanto me movimento para perto deles. Encarando-me de cima a baixo, como um falcão preste a comer sua presa. Tento não ligar para o quanto isso era enervante e ao mesmo tempo empolgante para mim.

Chegando perto deles, Dorea é a primeira a nota minha presença. Seu rosto se ilumina com um sorriso radiante e aliviado. Pollux e Nebolus endurecem o rosto ao me verem, irritados. Evan se limita a me ignora, enquanto Abraxas acena com a cabeça para mim, cordial. Tom mantém seu sorrisinho torto, mas se volta para frente.

Quando Lena e Anelise me veem, elas soltam gritinhos de felicidade.

— Eu já estava pensando que você não ia vim – Diz a corviniana, para em seguida dá uma boa olhada em meu visual.

Reviro os olhos internamente com isso, mas não me aborreço. Ela não fazia por mal, apenas achava meus looks, de acordo com suas palavras: uma mistura de originalidade e ousadia que criam vestimentas revolucionárias. Quase ri quando ela me disse isso, mas entendi que para eles, as vestes que me eram habituais e sem graça, eram diferentes e ousadas em algum sentido.

— Sim, só estávamos te esperando – Acrescenta Lena, animada.

Sorrio sem graça, recebendo um olhar de desculpas de Dorea, que era a única que parecia se solidariza com o meu desconforto ali.

— Me atrasei um pouco terminando o trabalho – Explico, inquieta.

Olho para todos os cantos, não me focando em ninguém em especial.

— Vamos embora, as carruagens já estão saindo – Comanda Riddle, se afastando sem esperar uma resposta.

Sua voz rouca me faz prender um suspiro de apreciação.

Uma ponta de esperança me atinge quando vejo ele se afastando e seus companheiros o seguindo, mas minha esperança morre ao vê Lena e Anelise seguindo seu comando também. Elas iam ao lado de seus respectivos pares, e nos lançam olhares de encorajamento.

Nem morta vou à Hogsmeade com eles, penso, vendo que pela expressão de Dorea, ela compartilhava do mesmo pensamento que eu.

[...]

O silêncio quase mortal que se seguiu durante todo o percurso até Hogsmeade fora insuportável. Mantenho meus olhos na estrada o máximo de tempo possível, tentando fugir dos olhares de nojo que Pollux e Nebolus me lançavam a cada cinco minutos e do quanto essa atração sexual que Riddle me instigava estava afetando minha mente. E apesar dele nem ao menos se esforça para tal, só em sentir sua aproximação meu corpo respondia de formas inimagináveis.

Seu cheiro me desconcertava e sua voz me causava arrepios, e nada era mais idiota do que ceder as súplicas de Lena e embarca em uma carruagem em que ele estava presente. Mas eu o fiz, e me arrependo amargamente disso.

Eu devo ser a rainha das idiotas, penso, encarando as árvores que passavam a nossa volta como borrões. Estou completamente perdida em um oceano que nunca explorei, e ao invés de me afasta, estou adentrando ainda mais nas águas turvas.

Dorea ao meu lado solta um suspiro, cansada da palhaçada do irmão, presumo. Ofereço-lhe meu sorriso mais tranquilizador, que ela devolve com uma expressão de arrependimento e desculpas.

— Tudo bem, não é sua culpa – Sussurro para ela, que estava sentada ao meu lado – Vamos estrangular Lena e Anelise juntas, que tal?

Ela solta uma breve risada e confirma com a cabeça, acabo sorrindo com minhas próprias palavras também. Volto a encarar o lado de fora, fugindo do olhar de Riddle.

Uma vozinha no fundo da minha mente me diz que a viagem poderia está sendo pior, que eles poderiam está me xingando ao invés de só me lançarem olhares maldosos. Mas se eu desse vazão a ela, eu teria que reconhecer que Riddle os estava mantendo quietos, e só em presumir que ele estava de alguma forma me protegendo fazia meu estômago revirar.

Suspiro, encarando os demais da carruagem.

Dorea está de cabeça baixa encarando o piso de madeira da carruagem, Pollux está carrancudo sentado ao seu lado, o que consequentemente faz ela está sentada entre nós. Nebolus está a minha frente encarando o nada intensamente. Saboreio o momento de quietude ao vê-los mergulhados em pensamentos.

Me volto para olhar as minhas mãos entrelaçadas em meu colo antes de encarar quem realmente quero. Tom está sentado ao lado de Lestrange, mas com bons palmos de distância. Ele contempla as árvores que passam por nós, distraído. Seu rosto inexpressivo, sua boca rosada me chama a atenção.

Tão convidativa... Arregalo os olhos com minha linha de pensamentos. Balanço minha cabeça em reprovação. Concentração, Hermione. Foco! Ele é o inimigo, caramba. Não esquece disso.

Respiro fundo, sentindo minha pulsação acelerar.

Me perco encarando seu rosto por alguns instantes, tentando decifrar o que se passa em sua mente. Quando ele se mexe no assento, ameaçando me pegar o espiando, desvio o olhar com rapidez, constrangida.

Como estamos apenas nós cinco na carruagem, já que os dois pares de casais não quiseram se desgrudar e, por isso, foram em outra carruagem, coro sem medo de ser pega. Todos ali estão absolvidos em seus próprios pensamentos para prestarem a atenção em mim.

Definitivamente, tem algo errado comigo, concluo, me perdendo em pensamentos.

[...]

Quando chegamos ao vilarejo de Hogsmeade, Dorea e eu não esperamos os casais aparecerem, apenas nos despedimos por pura educação dos demais e corremos para longe. Antes de me afastar por completo, sinto os olhos de Tom sobre mim, desejando-me. Faço uma nota mental para mandar ele parar de me olhar assim.

Mas, para eu mandar ele parar, eu vou precisar falar com ele...? Estou o ignorando desde nosso beijo na quinta... Decido por deixar a história quieta. Nada mudou, repito para mim mesma.

Vagueamos sem rumo pelas ruas abarrotadas de pessoas em um silêncio confortável. Não estamos com fome ou querendo comprar nada, apenas espairecer um pouco a mente.

Dorea tem seus próprios demônios, e eu tenho os meus. É tolice da minha pensar que um passeio a um vilarejo pode apagar a tristeza que a persegue desde seu rompimento com Charlus.

— Eu realmente não sei o que deu nela – Dorea começa, baixinho, visivelmente chateada – Eu sempre soube da paixão dela pelo Rosier, mas pensei que com o tempo e a falta de incentivo dele, isso iria acaba. Mas hoje... No que ela estava pensando? – Ela balança a cabeça em negativa, como se seus pensamentos fossem perturbadores demais – Lena não devia ter nos submetido a essa tortura. E principalmente, não devia ter submetido você a isso. Foi muito egoista da parte dela – Ela faz uma pausa pra respira – Não faz nem uma semana direito que estávamos te falando o quanto Riddle e a turminha dele são ruins... E hoje ela te joga para os lobos por puro capricho. Ela não fez isso por mim, eu não queria vim – Ela termina seu desabafo com a voz chorosa.

— Ei, tudo bem – Soou mais confiante do que estou – Não se preocupe comigo, sou mais forte do que pareço – Tento sorri, mas acabo repuxando meu rosto em uma careta.

Dorea para e segura minha mão, seus olhos achocolatados me prendem.

— Eu sei que você é forte, Hermione – Fala, olhando profundamente em meus olhos. Me sinto desconfortável pela intensidade de seu olhar – Mas ninguém precisa ouvir essas ofensas e humilhações constantemente. E por mais que você tente não ligar, eu sei... Eu sinto que te machuca.

Pisco um pouco, desconcertada.

— Eu passei boa parte da minha vida estudantil escutando essas mesmas ofensas – Digo, sentindo meu coração apertar um pouco – Confesso que no começo isso me afetava mais do que gosto de lembrar. Eu chorava, me sentia impotente e diminuída, mas com o tempo aprendi que o problema não estava em mim. E isso foi libertador – Olho para ela com o máximo de sinceridade que consigo reunir – Ser uma sangue-ruim é parte de quem eu sou. E por mais que eles tentem me diminuir, suas ofensas não definem quem eu sou, mas sim quem eles são. Patéticos.

Ela arregala os olhos, impressionada.

Sorrio, cálida.

— Sabe, você é mais incrível do que eu pensava.

Solto uma breve risada feliz, me sentindo agradecida por suas palavras.

— E você é uma ótima amiga – Falo com sinceridade.

Diferente de mim, que escondo coisas e minto sobre quase tudo ao meu respeito, completo em pensamentos.

Tentando me livrar do peso de minhas mentiras, abraço-a com força, que retribui de bom grado.

Eu sinto muito, Dorea.

Quando nos separamos, estou com os olhos marejados e ela sorri bobamente para mim. Seus olhos refletem o quanto ela realmente se preocupa comigo, e isso me enche de alegria e amor. Faz tanto tempo que alguém me olhou dessa forma, que eu já estava esquecendo como é a sensação de ser acolhida por outra pessoa.

— Eu estava te procurando, querida – A mulher atrás de mim fala, com sua costumeira serenidade presente em seu tom.

Não pode ser...

O baque de ouvi sua voz me faz arfa em choque. Meus pelos se eriçam e sinto minha garganta fechar.

Viro meu corpo com rapidez, sentindo tudo a minha volta passar diante de meus olhos com lentidão. Escuto meu coração retumba em meus ouvidos e meu corpo tenciona seus músculos.

Quando nossos olhos se encontram o mundo a minha volta some, só existe eu e ela, presas em uma linha tênue de raiva, surpresa e calmaria.

— Você! – Consigo dizer após minutos em silêncio.

Ela deita a cabeça para minha direita e sorri com tranquilidade, olhando-me com paciência e atenção. Seus olhos azuis perspicazes me avaliavam minuciosamente.

Olho desesperada para Dorea, querendo saber se ela também via a mulher à minha frente ou se é tudo fruto da minha imaginação. Mas pelo seu olhar curioso e o modo simpático pelo qual ela sorri para a estranha, não resta dúvidas em mim, ela também a vê. Eu não estou louca.

Quem eu mais queria vê está bem à minha frente, e eu não sei o que fazer. Literalmente, eu estou sem reação alguma.

— M?

“A amizade é o conforto indescritível de nos sentirmos seguros com uma pessoa, sem ser preciso pesar o que se pensa, nem medir o que se diz.”

— George Eliot

Notas finais
Perdão pelos erros gramaticais, gente. Estou sem net aqui em casa e sem tempo para dá uma revisada no capítulo. Desculpem pelos eventuais erros. Leitores fantasmas, se pronunciem Gostaram? Mereço comentários? Hermione Look: https://uploads.spiritfanfiction.com/fanfics/capitulos/201812/desire-obsolete-15121605-111220182108.jpg Beijinhos sabor amizade verdadeira!!