Desire Obsolete
21 Indelicada
Notas iniciais
O sorriso dela se alarga perante minha falta de reação. Solto uma lufada de ar pelo nariz que nem sabia está prendendo. Minha atenção se fixa em seu rosto angelical, enquanto minha mente trabalha à mil.
Em nosso primeiro encontro eu não havia realmente prestado a atenção nela, e quando tudo aconteceu tive certa dificuldade em lembra com nitidez de seus traços. Mas presa em meu atual estado petrificado, eu poderia dá uma boa olhada em sua fisionomia facial delicada. Com seu nariz arrebitado, sua boca pequena e carnuda e suas maçãs do rosto bem delineadas, ela é deslumbrante no mais cru sentido da palavra. Gravo seu rosto em minha mente, temendo esquecê-la, mesmo que isso fosse impossível para mim.
— Eu estava te procurando, querida – Volta a dizer, amaciando seu tom de voz. Ela passa seus dedos pelo tecido de sua capa, chamando minha atenção para o quão bem vestida ela estava.
Sua capa era longa e fazia uma curta calda atrás de si, era em um tom lavanda bem clarinho e com detalhes em branco, já seu vestido era simplesmente fabuloso demais para a ocasião; longo, com uma saia de tecido transparente, a parte de cima era adornada por pedrinhas clarinhas que estavam bordadas no tecido cor gelo. Ou ela estava querendo chamar a atenção para si, ou vinha de algum tipo de baile sofisticado.
Troco o peso dos pés, impressionada com seu visual e por ela está bem a minha frente. Busco em minha mente formas de entender como e porque ela estava ali.
Ela veio me mandar de volta para o futuro? Uma pequena chama de esperança se acende em meu peito, mas com ela vem o gosto amargo da dúvida. Será isso mesmo?
— O quê você...? – Me calo ao vê-la se aproximando ainda mais de mim.
Seus longos cabelos negros estavam presos em um coque perfeitamente alinhado, evidenciando seu rosto, assim como destacando seus olhos azuis intensos e sua pele pálida.
Ela invade meu espaço e me abraça, meu corpo trava de imediato, tenso. Um cheiro suave de brisa do mar, flores do campo e orvalho molhado me atingem. Seus braços me apertam com suavidade, enquanto escuto sua voz sussurra baixinho em meu ouvido.
— Controle-se, Hermione – Pede, calmamente – Você está preocupando sua amiga.
Ela me solta e se afasta, mas mantém um sorriso caloroso nos lábios. Quero gritar e tirar aquele sorriso falso dela, mas tenho que engolida minhas emoções para não afugentá-la antes de ter minhas respostas.
Olho para Dorea, nervosa.
A mesma me encara de volta com a testa franzida, olhando de M para mim com cautela. Minha reação havia a deixado curiosa e temerosa sobre quem a mulher a nosso frente era. Eu não a culpava. E para ser sincera, também estava assustada.
Respiro fundo, tentando busca equilíbrio entre minhas emoções e razão.
— Eu... Eu não... não – Pigarreio, sentindo dificuldade em formular uma frase – Eu não sabia que você estaria aqui, M – Falo me voltando para ela. Minha voz sai polida e formal, sem nenhum traço amigável. Um cubo de gelo emitiria mais calor que eu.
— Surpreender é o meu lema – Diz com suavidade.
Joga bruxas no passado também, rebado mentalmente.
Seus olhos vão de mim até Dorea e ela crava em seu rosto um sorriso travesso. Um mal pressentimento se apoderar de mim.
Quando ela estende a mão para a Black, arregalo os olhos e me ponho entre as duas, escondendo Dorea com meu corpo. M estreita seus olhos para mim, em uma reprimenda silenciosa. Ela deixa sua mão cair ao lado do corpo. Vejo seus ombros se enrijecerem.
Ergo meu queixo e sustento seu olhar, desafiadora.
Ah, não! Você não irá envolvê-la em suas artimanhas.
— Hermione? – A voz hesitante de Dorea me faz volta para a realidade.
Meu comportamento estava deixando-a assustada. Me volto para ela e sorrio tranquilizadora, o que não surte efeito nenhum. Seus olhos achocolatados demonstram receio e dúvida em relação a quem era a mulher à nossa frente.
— Você está sendo indelicada, Hermione – Diz a causadora desse momento embaraçoso – Apresentar-me a sua amiga, ou... – Ela faz uma pausa dramática proposital, apenas para dá suspense a situação – Saia da frente para que eu possa fazer isso por mim mesma – Seu tom era baixo, mas com uma firmeza inabalável.
Obedeço por instinto ao seu comando implícito e saio da frente. Mas me mantenho próxima de Dorea, assumindo uma postura protetora.
— Sou Meredith Lefay, prazer — Apresenta-se M, educadamente, estendendo sua mão para a Black novamente.
O choque de sua revelação me faz arfa. Dorea ao meu lado retribuo o comprimento com sua máxima educação. Mas sinto suas reservas serem renovadas ao escutar o sobrenome dela.
Lefay... M... Como não percebi antes? Fecho meus olhos e solto um suspiro sôfrego. No que eu me meti?
— Lefay? Você é parente de Morgana Lefay? – Ouço a voz de Dorea sair firme e repleta de curiosidade.
Abro meus olhos e encaro Meredith, esperando sua resposta. Ela abre um sorriso radiante e confirma com a cabeça.
— Morgana é minha ancestral – Diz, para em seguida se volta para mim – Agora que as apresentações já foram feitas, precisarei rouba minha afilhada de você por alguns instantes, Dorea.
Afilhada? Enrugo a testa e questiono-a com o olhar. Meredith se limita a me encara, inexpressiva. Espera... Eu? Não!
— Oh, sem problemas – A voz de Dorea chama minha atenção para ela, que sorria de forma solidaria para mim – Eu irei procura meu irmão e Lena, Hermione. Nos vemos depois? – Pergunta, visivelmente intrigada com tudo que estava acontecendo.
Antes que eu possa lhe responder ela me abraça com força, retribuo seu abraço mecanicamente.
— Você tem tanta coisa para me explica – Afirma em meu ouvido, divertida – Foi um prazer conhecer a senhora – Diz ela a Meredith, enquanto se afasta de mim.
Dorea me lança um último sorriso antes de partir para longe. Suas madeixas balançando ao vendo a cada passada da mesma.
Observo ela se afasta, sentindo-me subitamente abandonada. Ela olha três vezes para trás antes de desaparecer por completo. Quando a mesma some entre as pessoas solto uma grande lufada de ar pelo nariz.
— Ela é uma boa garota – Comenta a mulher atrás de mim – Fico feliz por você já ter feito amigos.
Me volto para ela, meu rosto assumindo uma máscara de indiferença fingida, já que por dentro eu me corroía com os mais diversos sentimentos.
— Você é Morgana Lefay – Solto de uma vez, sem disposição para rodeios.
Ela sorri e acena positivamente com a cabeça.
— Sim, sou eu – Com um aceno de cabeça, ela indica para que eu a siga, faço-o após alguns momentos de hesitação.
Lado a lado, começamos a nos afasta do fluxo de pessoas, com meu coração acelerado sendo o único som constante entre nós.
Uno minhas mãos na frente do corpo e entrelaço meus dedos, tentando fazer com que minhas mãos parassem de tremer e que ela não percebe-se meu estado lamentável.
Não sei se por sua aura mística, roupa extravagante ou por sua beleza estonteante, mas a nossa volta todos paravam para olhá-la com atenção, sendo os homens os que mais se demoravam encarando-a.
— Como é possível? – Pergunto, não me contendo – Você já morreu.
— Pareço morta para você? – Retruca, divertindo-se com a situação.
— Sua foto está estampada nas figurinhas dos sapos de chocolate e você lá é...
— Velha? – Me interrompe, para em seguida solta uma breve risada – Eu posso assumi muitas formas, mas quem colocou minha foto lá, sem sombra de dúvidas, escolheu minha pior aparência propositalmente – Ela dá de ombros como se isso não significa-se nada – Alguém como eu não pode se dá ao luxo de reclamar de certas trivialidades fúteis.
Balanço a cabeça em negativa.
— Eu não posso acreditar que você é... bem, você.
Ela dá de ombros.
— Você terá tempo para absolver essa informação.
Calo-me com o peso de sua revelação. Ela aponta para a direita, indicando um pequeno beco estreito entre duas lojas quase vazias.
— Ali teremos privacidade – Explica ao vê a dúvida estampada em meu rosto.
Cautelosamente, sigo-a.
Ela adentra o beco primeiro e caminha até ficar longe o bastante da entrada para que ninguém nos escutá-se, logo em seguida me junto a ela, percebendo que o estreito corredor de tijolos era sem saída. Ficamos frente à frente, encarando-nos por alguns segundos sem dizer nada.
— Você deve ter muitas dúvidas, criança – Diz quebrando o silêncio, usando seu tom mais amável – Responderei todas no devido tempo, não se preocupe.
— Porque eu? E porquê nessa época? – Minha voz sai mais raivosa do que eu gostaria – Me sinto o tempo todo a beira de um colapso, sempre escondendo quem eu sou e mentindo para as pessoas. Você me deve respostas, e elas não tem que ser no seu tempo, porque não fora você que foi jogada cinquenta anos no passado.
— Entendo sua revolta – Fala, solidaria – Mas vamos por partes, Black.
Meu rosto se contorcendo em uma careta ao ouvi-la me chamar pelo sobrenome que tanto quero me distanciar, mas ignoro sua provocação.
— Revolta? Eu não estou revoltada – Rosno, sentindo meu sangue correr mais rápido em minhas veias – Estou possessa, assustada e... sozinha aqui – Minha voz falha no final – Meus pais e meus amigos estão há anos de distância... Eles devem pensar que eu os abandonei.
Mordo meu lábio inferior, meus olhos marejam, mas respiro fundo para não lhe dá o prazer de me vê desmoronar.
Encaro o chão, emotiva.
Quando uma mão quente é depositada em meu ombro, olho para cima, encontrando seu olhar carinhoso.
— Eu mais que ninguém sei o significado de estar sozinha, criança – Sua voz sai baixa e rouca, com uma pitada de tristeza – Mas saiba que você não estar sozinha aqui, Hermione. Eu te mandei para cá, e por isso, você é minha responsabilidade – Morgana retira a mão do meu ombro e se afasta um pouco — Veja-me como sua madrinha, criança. Alguém a quem você possa recorrer caso precise de dinheiro ou conselhos – Completa.
— Não quero ser sua responsabilidade, quero volta para casa, para o meu tempo – Sussurro, encolhendo os ombros – Aqui não é o meu lugar. E sejam quais forem seus planos, eu não farei parte disso. Me mande de volta para casa, Morgana. Por favor.
Ela se perde em pensamentos, encarando-me sem realmente me vê. Quando volta a falar assume uma postura série.
— Você não era minha primeira opção, sabia? – Começa, me fazendo arquear de surpresa – Por ser a mais inteligente entre os jovens de sua geração, eu cogitei te enviar para cá diversas vezes, afinal, você tinha o perfil ideia para o que eu almejava; inteligência, determinação, impetuosidade e beleza. Mas seu sangue trouxa me fez te tirar dos meus planos. Ele não se aproximaria de alguém com tal condição – Ela faz uma pausa, desvia sua atenção de mim e encara a entrada do beco – No entanto, eu continuei te observando de longe, por curiosidade ou afinidade, não sei direito. Mas a cada nova visita que eu te fazia, você se encaixava ainda mais no perfil que eu tanto buscava... Quando descobri que você era filha de Bellatrix e Sírius... Simplesmente tinha que ser você, seu sangue não era mais um problema.
Abro minha boca uma, duas, três vezes, chocada.
— Você me espionava? Como?
— Sou atemporal, posso estar onde quiser e quando quiser sem ser vista ou ouvida – Explica, paciente.
Aturdida, desvio minha atenção para o chão e levo minha mão ao rosto, esfregando minhas bochechas, tentando concentrar meus pensamentos em uma só coisa por vez. Antes de me volta para ela, faço uma nota mental para descobrir tudo o que for possível sobre bruxos atemporais.
— Você falou sobre uma lista... Quem mais você cogitava manda para cá? – Me foco em seu rosto, em busca de qualquer mínimo sinal de que ela mentiria para mim em sua próxima resposta.
Ela franze a testa, esforçando para lembrar os nomes, presumo.
— Ginevra Weasley, Luna Lovegood e Cho Chang eram os nomes mais cotados, confesso – Diz com extrema sinceridade – Cada uma tinha certas particularidades que serviriam para meus planos. Mas nenhuma delas era tão... adequada como você, Hermione.
Meu estômago se embrulha e minha mente gira em torno de suas palavras.
— Suponho que você se referiu a Tom Riddle quando disse: “ele não se aproximaria de alguém com tal condição”, certo? – Pergunta, atordoada com todas as informações que meu cérebro precisava filtrar – Porque não é coincidência você ter escolhido justamente o penúltimo ano dele em Hogwarts para me enviar. E ninguém odeia mais nascidos trouxas que ele.
— Você está certa, é por causa dele que te mandei para cá.
Cruzo meus braços a frente do corpo.
— Qual é o seu plano? Matá-lo? Espioná-lo?
Ela sorri em claro divertimento.
— Matá-lo? Isso nunca foi uma opção. As consequências para isso seriam catastróficas, e no mais literal dos sentidos; um desastre épico – Fala e, então, se aproxima de mim, parando a poucos centímetros do meu rosto – Espionagem é ineficaz contra alguém como ele. O herdeiro de Salazar é cuidadoso demais para solta informações comprometedoras, e sempre mantém seus amigos sobre rédeas curtas.
— Então, qual é o objetivo disso tudo?
Morgana se afasta de mim e começa a andar pelo beco, inspecionando seus recantos com atenção, como se ali naquelas brechas frias pudesse está a resposta para minha pergunta.
Mordo meu lábio inferior com força, nervosa.
— Seus país acreditam que você está no Instituto de Salem – Informa de súbito.
Sua relação me pega totalmente de surpresa, demoro alguns instantes para processar suas palavras, mas quando o faço, um suor frio brota em meu pescoço.
— Porque eles pensariam algo assim? – Ignoro o tom esganiçado da minha voz, percebendo que mais uma vez o mundo a minha volta girava em câmera lenta.
Ela dá de ombros, mas vendo o olhar enraivecido que lhe lanço, explica:
— Eu uni o útil ao agradável – Começa, seria – Quando Narcisa te mandou a proposta de Salem, achei que seria útil usar disso para que sua partida não fosse tão... estranha. Por isso, ao te manda para cá, eu falsifiquei três cartas em seu nome; uma para seus pais, outra para seus amigos e a última para Hogwarts. Explicando que você recebeu uma proposta irrecusável do mais prestigiado instituto bruxo privado do mundo e que havia aceitado.
Cambaleio até minhas costas baterem com tudo na parede fria.
Isso é bom, eles não ficam preocupados, penso, tentando ser otimista. Mas também eles não irão me procurar e vão pensar que os abandonei por outra escola.
— Eles... Eu não... Não acredito que... – Respiro com dificuldade – Não creio que eles acreditariam que eu ia sair de Hogwarts assim, sem mais nem menos.
— Na verdade, seus pais não acreditaram no começo, mas após duas cartas que eu lhes enviei como se fosse você, seus corações foram acalmados. E como você sumiu faltando alguns dias para as aulas efetivamente começarem, eu também acrescentei à minha mentira que você passou o resto das férias na Toca – Ela balança a cabeça em negativa, lembrando-se algo desagradável – Já seus amigos acreditaram bem depressa que você quis mudar de escola e, confesso, suas reações foram... volúveis.
— Como assim? – Meu desespero atinge um novo patamar.
Eles estavam com raiva de mim?Meus olhos voltam a marejar.
Morgana encara a parede atrás de mim, indecisa. Pela sua expressão e postura, percebo que eles não reagiram bem a isso.
— Em um próximo momento eu irei te entrega as cartas que eles te enviaram, assim como as cartas de seus pais – Ela respira fundo – Meu tempo aqui está se esgotando.
— O quê? Não! Eu tenho muitas perguntas ainda – Grasno, me aproximando dela desesperada – Você não pode ir embora... – Seguro sua mão com força, com medo dela partir. Sinto minhas lágrimas rolarem por minhas bochechas como pingos de chuva– Eles me odeiam? Meus pais estão realmente bem? Qual o objetivo disso tudo? Por favor, me explica!
Morgana se libera de meu apto e coloca as duas mãos em meus ombros, segurando-me com firmeza.
— Acalme-se, Hermione – Ordena, séria – Você está ficando histérica.
Soluços irrompem de meus lábios, enquanto começo a tremer compulsivamente. Encaro o chão, desolada.
— Isso é tudo culpa sua, culpa sua – Sussurro freneticamente, balançando minha cabeça em negativa.
Ela aperta meus ombros com mais força e me sacode de leve, tentando me trazer de volta para a realidade.
— Olhe para mim, Hermione – Pede, gentilmente, mas permaneço olhando para o chão, destroçada. Minhas lágrimas turvando minha visão, mas não me importo – Olhe para mim, Black – Seu tom firme e a pronúncia do sobrenome que eu não atendia por ele me faz encara-la.
— Não use esse sobrenome para se referir a mim – Minha voz sai baixa e fraca – Eu sou Hermione Jane Granger – Afirmo com o máximo de convicção que consigo.
Ela balança a cabeça para mim, desgostosa.
— Não, querida. Você é Hermione Rosier Black, e precisa aceitar sua verdadeira origem.
— Não – Rosno, sentindo minhas forças voltarem devido a raiva – Você já tirou coisas demais de mim, mas isso eu não admito. Eu sou uma nascida trouxa, ponto final.
Ela me solta e coloca as mãos na cintura, exasperada.
— Você precisa parar de negar quem realmente você é, criança – Seu tom alto e frustrado me diz que ela estava sem paciência para minhas recusas – Você é uma sangue-puro e precisa aceitar e superar isso.
— Você não sabe de nada! – Grito, liberando minha raiva.
Ela levanta o queixo de forma arrogante e me lança um sorriso triunfante, para em seguida inclinar sua cabeça para a minha direita e olhar para além de mim, mais precisamente para a entrada do beco.
Quando me viro para vê o que despertará sua atenção, perco o chão. Nebolus, Dorea, Pollux e Tom estavam na entrada do beco, sendo Tom e Dorea os únicos que haviam adentrado alguns metros do corredor frio em que estávamos. Pelas suas expressões chocadas, eles haviam escutado algumas partes da nossa conversa.
Desvio minha atenção deles para Morgana, completamente tomada pelo pânico. Ela estava sorrindo minimamente, feliz com o resultado que, percebo, ela havia orquestrado.
— Nos vemos no seu próximo passeio a Hogsmeade, querida – Sussurra ela, para em seguida desaparecer sem fazer barulho.
Cubro meu rosto com as mãos por alguns segundos, sentindo minha cabeça começar a latejar.
— O quanto vocês escutaram? – Pergunta, subitamente exausta.
— O suficiente para saber que você anda mentindo para todos em Hogwarts – Tom responde, friamente.
Me viro para eles, nervosa e cansada.
Dorea estava com um semblante triste e surpreso, enquanto Nebolus e Pollux estavam encarando-me como se tivesse crescido uma segunda cabeça em mim. Tom mantinha-se neutro por fora, mas seus olhos queimavam-me como brasa.
— Dorea, você é a única aqui a quem devo desculpas por não ter falado a verdade – Começo, vendo-a arregala os olhos – Mas como todos presumiram que eu era uma nascida trouxa, não quis mudar isso, porque... É complicado – Olho para além deles, desejando poder apaga os últimos minutos da minha vida – E não importa o sangue que corre em minhas veias, eu me considero uma sangue-ruim. Por isso, sugiro que superem o que escutaram aqui o mais rápido possível – Finalizo, seguindo para fora do beco, passando rapidamente por eles.
“Não são os da consanguinidade os verdadeiros laços de família e sim os da simpatia e da comunhão de ideias, os quais prendem os espíritos antes, durante e depois de suas encarnações.”
— Allan Kardec
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