Desire Obsolete
47 Juramento
Notas iniciais
“- Acredito que você está grávida, Hermione.”
Meu mundo para. É simples e rápido. Tudo para; minha mente, meu coração, minha pulsação. Tudo estagna no lugar de uma só vez, sem aviso prévio.
Paralisada, gravito em torno de suas palavras, filtrando-as em meu cérebro com lentidão. E se eu já não estivesse sentada, iria ao chão. Minhas pernas se transformam em gelatina, trêmulas e sem firmeza.
— Não é... – Engulo em seco.
Minhas mãos tremem e meu estômago se agita. Balanço a cabeça em negativa, consternada.
— Não é possível – Murmuro mais para mim do que pra ela.
Busco seus olhos com meu coração à galopes.
— Não posso está grávida – Minha voz sai alta, beirando a histeria – Eu me cuidei! Tomo poção anticoncepcional todos os dias. Tenho todos os frascos em meu malão. E minha menstruação...
Paro, franzindo a testa.
— Qual a data de hoje? – Pergunto, perdida no tempo.
— 19 de Dezembro.
Fecho as mãos em punhos, depois abro-as e de novo volto a fechar elas, repetindo esse processo várias vezes.
Não, Merlin... Isso não, por favor! Engulo um xingamento mordendo minha língua. Minha menstruação está atrasada 2 semanas...
Morgana se senta ao meu lado, me encarando com as sobrancelhas franzidas.
— Não duvido que você se cuidou, querida – Garante, seus olhos me perscrutando com serenidade – Tom alguma vez se protegeu? – Sua pergunta é despretensiosa, mas posso vê suas engrenagens girando e girando em seu cérebro.
Meu coração da uma guinada brusca.
Deixo meus pensamentos vagarem para nossas noites juntos antes de lhe responder. Tento conter a dor em meu peito analisando friamente nossos coitos, mas já ciente da resposta.
— Não, Tom nunca se protegeu – Digo baixinho, respirando fundo enquanto minhas bochechas esquentam.
Este é realmente o rumo que minha vida era tomar? Fraldas e choros... Grávida e sozinha aos 17 anos!?
Vergonha e raiva borbulham em meu interior, mas é o pânico que gela meu sangue.
— Você alguma vez esqueceu de tomar a poção? Um dia sem tomar pode desencadear um enfraquecimento no resultado, você sabe disso, não é?
Meu primeiro instinto é negar, mas paro após balançar minha cabeça algumas vezes.
— Eu... — Vasculho minha mente, frenética.
Meus primeiros dias no passado são frescos em meu cérebro, nítidos. Sei que tomei todos os dias religiosamente às 21hrs da noite minha poção e, após minha primeira transa com Tom, fiquei ainda mais rigorosa com isso. E quanto mais fazíamos sexo, mais obcecada em me policiar para tomar meu anticoncepcional eu fiquei. No entanto... Após meu confronto final com Tom na Floresta Proibida, me desliguei do mundo por um tempo.
Chuto uma respiração pela boca.
Meus últimos dias no passado se passaram em uma névoa de angustia, dor e solidão. Mal consegui para de chorar, surtando com meus sentimentos e nosso termino. Então, veio minha volta para o futuro, que me desestabilizou ainda mais. Não tomei nenhuma vez meu remédio desde que cheguei aqui. E em nossa última vez juntos, quando ele me deu o ultimato na Sala Precisa cinco semanas atrás, não consigo lembrar se no dia anterior tomei a poção.
— Não tenho certeza...
— Nenhum anticoncepcional é cem por cento eficaz, Hermione, principalmente se houver alguma falha em sua ingestão. Mas se apenas um de vocês se protege é quase certo que em algum momento um bebê irá surgir – Existe repreensão em suas palavras, mas não censura ou raiva – Só era uma questão de tempo.
Meus olhos embaçam com a verdade obvia por trás de sua voz. Cubro meu rosto com as mãos e choro.
Seus braços envolvem meus ombros e, logo tenho sua voz em meu ouvido, sussurrando palavras tranquilizadoras enquanto me desmancho em lágrimas, soluços e dor.
[...] Cinco Semanas Antes [...]
Tudo é vermelho. O piso, o teto, as paredes. Não existe meio termo para o borbulhar em seu peito. Tudo é engolido pelo carmesim de sua raiva, e não existe nada que ele possa fazer para mudar isso. E nem quer.
Eu não sou estúpido, porra.
Apertando os lábios em uma linha rígida, Voldemort tenta se convencer disso, mesmo seu cérebro gritando para o mesmo o quão burro ele fora por não interligar os pontos. Mesmo que fosse quase impossível essa associação. Bellatrix sempre preferiu perde um de seus membros ao invés de desapontar seu Lord.
Hermione, filha de Bella...
Gemidos sôfregos preenchem o ambiente, escapando pelas frechas da porta e ecoando pela mansão em uma melodia suave, mas nada disso é registrado pelo cérebro do bruxo. Ele está há décadas de distância, preso em lembranças não tão sufocadas por sua irá.
“- Tome cuidado ao se dirige a mim, Granger – Alerto, friamente – Você não irá querer me aborrecer... – Meu tom persuasivo sai repleto de raiva e descontentamento.
Ela respira fundo antes de me responder.
— Solte o meu braço, Riddle – Pede baixinho, parecendo não querendo incitar minha raiva ainda mais. Liberto-lhe, mas permaneço próximo – Eu não tenho medo de você, e quanto mais rápido você entender isso, melhor será. Assim você não perderá seu tempo ou vocabulário tentando me amedrontar – Diz calmamente, então, aproximo seu rosto do meu, me encarando diretamente nos olhos. O cheiro de seu shampoo de morango invade minhas narinas, me deixando inquieto – Nós dois não nos conhecemos, consequentemente, não sabemos do que o outro é capaz, mas vou logo lhe avisando... Eu não fui considerada a melhor bruxa da minha geração por ser uma adversária mediana.”
Porra, ele volta ao presente mordendo a língua fortemente.
Voldemort cessa a maldição cruciatus, encarando com desprezo as três mulheres no chão. Um gosto amargo toma posse de sua boca, seus pensamentos entorpecendo sua visão.
Bellatrix é a mais afetada e única a receber a maldição da dor, com sua pele pálida e sua boca manchada de sangue por morde fortemente o lábio, em uma tentativa tola de não gritar de dor.
Resfolegando, ela se curva até seu nariz tocar no chão frio.
— Per-perdão, Milord – Seus cabelos caem em cascatas negras a sua volta, formando uma cortina espessa que cobre seu rosto e pescoço.
O corpo do homem se enrijece ainda mais.
— Perdão? – Sua voz sinistra causa tremores nos corpos delicados no chão – Como você ousa me pedir perdão, Lestrange? A porra de uma traidora, é isso que você é – Seu aperto sobre sua varinha se intensifica, assim como sua raiva – Como diabos você me escondeu uma filha por 17 malditos anos? E ela sendo quem é...
Se as bruxas estivessem prestando atenção em seu rosto, teriam percebido o leve contraindo dos seus lábio e o olhar enuviado de saudades que cruzou brevemente suas íris.
Se equilibrando nas pernas doloridas por estar a tanto tempo ajoelhada, Narcisa engole algumas vezes em seco, pondo-se de joelhos.
— Meu senhor... – Ela para, recebendo um olhar mortal do homem.
— Ao que parece, meus seguidores são mais desleais do que quem não me segue – Sua voz é enganosamente calma, ele começa a caminhar por entre as mulheres, parando ao lado de Annette – Me diga o que você sabe novamente.
A bruxa se encolhe, seu corpo implorando por descanso. Nunca em sua vida fora vencida tão rápido em um confronto, e nem ao menos se concentrando nela ele estava. Vendo sua varinha a alguns metros de distância, jogada despretensiosamente em um canto da sala, Annette flexiona os dedos. Seu ímpeto de trazê-la para si é grande, mas o medo de incitar mais ainda a raiva do bruxo é maior. E se tinha algo que Annette Salem presava, era por sua vida.
Quando Voldemort entrara na sala, exigindo que sua comensal repetisse as verdades ditas, Annette agarrou sua varinha após alguns segundos de entorpecimento. Um grande erro, é importante ressaltar. Em menos de 2 minutos e nenhum feitiço lançado por sua parte, as três mulheres estavam no chão, Bellatrix gritando de dor pela maldição imperdoável e as outras duas presas em algum feitiço imobilizante poderoso. Suas varinhas, tiradas de suas mãos com uma impressionante rapidez, não lhe serviram de nada.
Suspirando, a bela mulher encara o homem ofidioglota.
— Alguns meses atrás Narcisa me contatou pedindo uma vaga de intercâmbio para a garota – Ela encara sua amiga, seus olhos refletem as desculpas que sua boca não pode transmitir – E, como suas notas são excelente e ela insistiu muito, concordei em lhe enviar uma aceitação – Engolindo em seco, o rosto pálido e olhar alarmado de Narcisa faz a mulher se questionar o quão ruim é sua atua situação – Nunca recebemos uma confirmação de sua vinda para meu Instituto, mas algumas semanas depois descobri que fora divulgado que Granger estava em Salem. Narcisa me pediu para manter esta falsa e, por nossa amizade, concordei. No entanto, Hermione nunca esteve em Salem.
— Eu sei disso – Revela friamente, afastando-se da mulher.
— Sabe? – Existe um leve traço de surpresa em sua voz.
Ele volta a olhar para a forasteira com desdém.
— Ninguém conhece melhor está mentira do que eu – Fala enigmático, fazendo as três franzirem a testa quase que em sincronia – Me diga, Annette...
Ele se põe a sua frente, abaixando-se na altura de seus olhos. Vermelho se choca com verde oliva, causando um leve retorce em seu estômago. A bruxa sente o feitiço imobilizante ir se desfazendo aos poucos, dando-lhe uma enganosa sensação de segurança.
Ele irá me libertar?
— De que lado você está?
Molhando os lábios com a língua, a bruxa sente que sua resposta definirá mais do que um partido, mas também sua vida.
— Se fosse me permitido escolher um lado... – Ela deixa sua voz baixa e firme, daquela forma que usa para persuadir sua irmão Mabelle a fazer todas as suas vontades – Seria o seu, Voldemort.
— Você viverá para vê o sol nasceu amanhã – É tudo que ele diz, não se importando da mulher chamá-lo com tanta intimidade.
Um sorriso macabro estampa sua boca, revelando todas as suas segundas intenções não ditas.
Afastando-se para longe, Voldemort permite que se feitiço cesse em Annette, mas o que era motivo para a mesma comemorar, logo se transforma em pânico quando se ver presa em um novo e pior tipo de feitiço.
Antes que a bruxa de Salem possa respirar aliviada por sua liberdade, seus olhos se tornam vidrados e opacos, demonstrando seu estado quase catatônico. Annette nem ao menos tem chance de rebater o Imperius de Você Sabe Quem e quando suas ordens são pregadas em seu cérebro, a mesma é liberada para ir embora.
***
Suada e ofegante, Narcisa vai ao chão. Seu corpo se choca contra o piso frio com tamanha força, que o som reverbera pelas paredes do lugar. Ela não perde a consciência por pouco.
Com os olhos arregalados e o corpo dolorido, Bellatrix assistiu sua irmã ter sua mente esquadrilhada por seu senhor, tendo todos os seus segredos expostos.
— Então... – A voz fria dele atrai sua atenção para si, levando a bruxa a se encolher – Matar ou não matar, és a questão.
Sua boca forma um pequeno “o”.
— Sinto muito, meu senhor – São as únicas palavras que lhe escapam após alguns segundos de estupor. Seus olhos marejam – Eu imploro o seu perdão. Nunca quis que nada disse tivesse acontecido. Por mim, aquela garota nunca teria nascido – Revela, deixando suas lágrimas escorrem livremente pelo rosto – Eu a odeio mais do que tudo. Se o senhor me perdoar...
— Cale-se, Lestrange – Rosna, sentindo seu corpo responder as palavras da mulher.
— Eu a destruirei – Prossegue, presa em sua própria raiva e sem entender o real motivo para ele lhe mantar calar a boca – Matarei ela da pior forma possível.
— Bellatrix...
— Meu senhor, apenas me dê uma chance de ganhar o seu perdão – Implora rastejando para perto do homem, ignorando mais uma vez o seu tom cortante – Hermione sumirá deste mundo e o senhor nunca mais ouvirá falar dela, eu lhe prometo. Apenas dei-me uma chance.
Quando seu corpo é atingido por uma queimação escaldante, a mulher grita a plenos pulmões, recebendo em resposta um estupore tão forte que lhe faz perder o ar e ser jogada contra a parede atrás de si, produzindo uma dor insuportável em suas costas quando algumas costelas são quebradas no processo.
Narcisa, que até então se encontrava jogada no chão apenas tentando acalmar sua respiração e dor de cabeça, engole uma exclamação.
Aproximando-se com rapidez da mãe de Hermione, Voldemort segura seu pescoço delgado e bate sua cabeça contra a parede, tonteando-a por alguns segundos.
— Escute-me bem, Bellatrix, porque só irei falar uma única vez – Gospel as palavras com tanto ódio em seu rosto, que a mulher apenas pisca, completamente sem reação – Se você ao menos encosta um dedo em Hermione... Se você tirar um único fio que seja do cabelo dela... Eu juro pelo ódio que tenho pelos trouxas... Eu te mato – Sua ameaça sai em pausas pela raiva que queima em seu inferior – Você me entendeu?
A bruxa assente mecanicamente, sendo largada logo em seguida pelo bruxo.
Voldemort se afasta da mulher como se ela tivesse alguma doença contagiosa, saindo da sala sem dizer mais nada.
Narcisa trêmula para voltar a ficar de joelhos, mas quando o faz, permanece de cabeça baixa.
— Ele nunca nos perdoará – É tudo o que sai da boca da Malfoy, sabendo que a saída do homem da sala não é o fim de suas punições.
Em um simples aceno de cabeça, sem pronunciar nenhuma palavra, Bellatrix concorda com sua irmã, sabendo que acabará de perder para sempre o homem que ama.
[...] Cinco Semanas e Um Dia Depois [...]
No dia seguinte, Morgana prepara-me duas poções, usando algumas ervas colhidas nos fundas da casa, de seu plantio particular. Seu preparo é rápido, apenas durando 8 minutos no fogo. Por não ter dormido nenhum segundo sequer de ontem pra hoje, não filtro tão bem suas ações, perdendo-me em pensamentos até sua voz me trazer a realidade.
— Você precisa tomar em jejum – Diz, caminhando até o congelador – Depois disso irei recitar alguns feitiços de identificação.
Ela derrama o primeiro líquido incolor em uma xícara e retira três cubos de gelo azuis do congelador, colocando-os dentro da bebida.
Sacudindo a cabeça para espantar algum pensamento indesejado, Morgana me entrega o líquido com a mão direita.
Cheiro a bebida, não detectando nenhum odor.
— Pra que servem os cubos de gelo? – Pergunto, encarando a bebida como se a qualquer momento ela fosse explodir na minha mão.
— Acalmarem seu estômago – Fala, encostando o quadril na mesa e cruzando os braços – Quando o chá chegar ao seu estômago, se você estiver grávida sentira uma forte tontura e depois seu estômago se embrulhara. É provável que você sinta calafrios também, mas é algo hipotético.
Suprimo um suspiro.
— E se eu não estiver? – Aperto a xícara entre os dedos – Minha menstruação está atrasada apenas duas semanas. Acredito que em algum momento da minha vida isso já aconteceu.
Ela ri, um riso baixo e suave.
— Apenas duas semanas? – Ela repete minhas palavras ironicamente – Bom, se você não estiver, nada acontecerá. Será como se estivesse bebendo água.
Balanço a cabeça, levando a bebida aos lábios.
Hesito, mas beberico o líquido com cautela antes de perde totalmente a coragem, surpreendendo-me com o gosto refrescante e suave. Tomo o chá em poucas goladas após não sentir nenhum dos efeitos que Morgana citou.
Um sorriso aliviado brota em meus lábios quando coloco a xícara na mesa.
— Eu não...
O calafrio que atravessa meu corpo só não é pior que o maremoto que acontece em minha barriga de uma só vez. Cubro minha boca tentando conter a ânsia monstruosa que arrasa-me com força, mas quando meus joelhos cedem, tenho que usar meus braços para amortecer minha queda e ficar de quatro no chão.
Merlin.
Braços me rodeiam, e logo um cubo de gelo é enfiado em minha boca.
— Chupe o gelo até que os enjoos passem – Instrui.
Faço como a mesma diz, deixando seu corpo ergue-me e me colocar sentada em uma carreira.
Calafrios me fazem tremer até meus dentes se chocarem um no outro.
Grunhi nervosa, sentindo-me tonta.
Aperto o gelo entre meus dentes, respirando fundo várias vezes. Meu estômago começa a se acalmar no momento em que Morgana coloca a mão em meu ventre e começa a recitar alguns feitiços baixinho. Não registro suas palavras, concentrada demais em não vomitar.
Tudo é tão rápido, que logo vejo-a me estendendo outro copo, só que dessa vez com um líquido âmbar dentro.
Seguro-o com as mãos trêmulas e sem forças, mas olho-lhe interrogativa.
— Parará os calafrios e aquietara seu estômago – Fala, sorrindo minimamente para meu estado.
Tiro o cubo da boca e jogo-o e coloco-o de volta ao outro copo, bebendo o líquido âmbar com pressa.
Tudo para, os calafrios, o enjoo e a fraqueza. Sinto-me subitamente renovada.
— Você está grávida de 5 semanas, querida – Informa, puxando uma cadeira e sentando-se ao meu lado.
Aperto o copo entre os dedos, mas não digo nada.
5 semanas... Isso significa que engravidei em nossa última transa, algumas horas antes dele descobri que sou do futuro.
Mordo meu lábio inferior, sentindo um estranho vazio em meu peito.
— Serei uma mãe solteira – Comento, deitando minha cabeça para trás e fechando os olhos – Como posso trazer um bebê ao mundo quando seu pai incida uma guerra?
— Dois.
Abro os olhos, voltando-me para ela com rapidez.
— O quê?
Seu sorriso maroto me faz desejar arrancar seus olhos.
— Você está grávida de gêmeos – Uma breve risada escapa de sua boca – Pelo que senti, são dois fetos que crescem em sua barriga, então... Dois bebês estão a caminho. Parabéns, mamãe.
O copo se espatifa no chão quando o solto sem nem ao menos perceber.
Eu.Estou.Fodida.
[...] Quatro Dias Depois [...]
Acordo me sentindo enjoada e com um humor péssimo.
Deixo minha cama e sigo para o banheiro, parando na frente do espelho para me encarar. Meus olhos estão maquiados com olheiras discretas e minha pele está mais pálida que o normal. Mas nada disso é por falta de comida ou sono, e sim por já fazer três dias que hiberno e como compulsivamente.
Ao que parece, meu organismo só estava esperando que os bebês fossem descobertos para me abater como uma bola de demolição, penso sarcasticamente.
Jogo água no rosto e escovo os dentes tranquilamente.
Ao decidir manter a gravidez após a proposta de Morgana em me ajudar a abortar meus bebês, sinto que um peso horrível fora tirado do meu peito e, por isso, tento me manter positiva sobre meu futuro. No entanto, nem sempre era possível me manter positiva sobre este fato. E hoje parecia ser um desses dias.
Não há um motivo específico ou um fator desencadeado, apenas acordei assim como das outras vezes.
Caminho até meu malão e retiro de lá uma calça legging e um blusão preto, vestindo-os lentamente. Jogo a camisolas que Morgana me dera em cima da poltrona do quarto e saio do cômodo.
Sigo até a cozinha, já sentindo meu estômago reclamar por comida.
Encontro Morgana sentada em frente a uma mesa repleta de frutas, geleias, pães, mingau, sucos e bolos. Sua expressão serena e olhar astuto me faz querer me esconder. Ela avalia minhas vestes com um leve retorcer de nariz, claramente odiando.
— Bom dia. – Cumprimento-a, sentando-me a sua frente e me servindo de geleia de uva e pão de mel.
— Bom dia – Sua mão me estende um pequeno envelope, que assim que pego descubro ser uma carta de Gina – Chegou hoje para você – Sinto meu coração acelerar.
Franzo a testa, engolindo a bile que se forma em minha garganta.
— Como...?
— Hécate, a coruja que deixou o vira-tempo em sua janela está treinada para interceptar qualquer carta que seja enviada a você – Explica, levando a xícara de chá aos lábios.
— Certo. – Digo, por fim.
Abro o envelope e me ponho a lê, assim que termino estou completamente desapontada e triste.
— Algum problema?
Delicadamente dobro a carta e coloco-o de novo no envelope, a deixando em cima da mesa e me servindo de suco.
— Em um convite breve e formal, Gina me convidou para o casamento de Fleur Delacour e Gui Weasley, seu irmão – Beberico meu suco, não sentindo o gosto da bebida – Ela foi tão sucinta e fria que eu não estranharia que a Sra. Weasley fora quem a obrigou a me convidar. Nem ao menos perguntou como estou.
Pouso o copo na mesa com mais força do que gostaria.
— Odeio isso – Sussurro para mim mesma – É como se eles não sentissem minha falta – Limpo a lágrima solitária que escorre – Não posso culpá-los de qualquer modo.
Me levando e sigo para fora do lugar, perdendo completamente o apetite.
— Você não comeu nada, Hermione – Ouço Morgana dizer, seguindo-me – Você precisa comer.
Paro e me viro para encará-la.
— O que eu preciso agora é ficar sozinha.
Seu corpo se empertiga e a mesma trinca a mandíbula, surpreendendo-me com a raiva que brota em seu rosto.
Ela se aproxima de mim e me encara, prendendo-me em seus olhos cristalinos revoltos.
— Eu não irei passar por isso de novo – Rosna, posse. Recuo um pouco, mas seus olhos não abrandam – Por isso, eu acho bom você comer, Hermione. Ou, eu juro... Juro por Avalon, que você irá se arrepender.
Ela me empurra meu copo de suco e o pão de mel que estava em meu prato. Agarro-os com firmeza, piscando sem parar.
— Não me faça ser rude novamente – Diz, afastando-se de mim – Eu posso ser pior do que seus pesadelos mais sombrios, Black.
E com isso, ela me dá as costas e volta para a cozinha, me deixando consciente de que a morte de Mérope afetou seu cérebro mais do que ela deixa transparecer.
“Quem não acredita no juramento alheio sabe que é capaz de jurar em falso.”
— Giuseppe Baretti
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