Notas iniciais
Enjoy.

— Sorria para mim.

Repuxo meus lábios em um sorriso zombador, projetando meu queixo para cima, fingindo admirar o céu nublado acima de nós. Meus cabelos soltos, caindo em cascatas onduladas por meus ombros e parando em meus seios escondem um pouco do meu rosto já que estou em uma pose lateral, dando-me um ar misterioso.

O flash da câmera não atinge meus olhos dessa vez, mas ainda posso vê-lo por minha visão periférica.

— Como fiquei?

— Perfeita – Diz, encarando a polaroid em sua mão esquerda enquanto que com a outra mantém a câmera presa nos dedos.

— Você falou a mesma coisa de todas as outras dezenas de fotos que tirou – Resmungo, aproximando-me dela.

A brisa fresca de inicio de manhã acaricia minhas bochechas, trazendo o cheiro de grama molhada e maças maduras até meu olfato. Mas as nuvens carregadas que se agrupam em cima de nós prometem um dia chuvoso para a ilha.

Nada de visita à praia hoje, constato desanimada.

Acaricio a protuberância em minha barriga distraidamente, esperando Morgana terminar de analisar minha foto.

— Não tenho culpa de você ser tão fotogênica e eu uma ótima fotografa – Fala, entregando-me a foto com um sorriso radiante nos lábios.

Analiso a imagem criticamente, procurando todos os possíveis defeitos que vejo sempre que me olho no espelho. Meu vestido lavanda é leve e fluido e seu tecido esvoaça com a brisa suave na foto, enquanto meu rosto pálido é parcialmente escondido por meu cabelo solto. Minha barriga ainda não está completamente evidente, apenas quando uso alguma roupa colada percebe-se a protuberância de 6 semanas recém completas.

Sem pedir, Morgana tira a foto das minhas mãos e guarda-a junto das outras e da câmera, em uma caixa média de vidro. Ela coloca a caixa em baixo do braço e começa a caminhar.

Acaricio meu ventre novamente distraidamente, um hábito que contrai após descobri está grávida e que não consigo mais parar de fazer. E muitas vezes nem sei que estou fazendo. É instintivo.

— O tempo em Avalon passa igual ao da terra? – Pergunto, vendo o sol ser engolido pelas nuvens de chuva – Sempre quis te perguntar isso, mas acabava esquecendo.

Ela para e me olha com divertimento.

— Como Avalon está em um plano diferente do seu mundo, o tempo aqui pode se passar mais devagar ou mais rápido, depende muito da minha vontade – Mordo meu lábio inferior, mas ela logo continua – Não se preocupe, Hermione. Também posso manter Avalon em concordância com o tempo da terra. Estamos vivendo de acordo com o passar dos segundos em seu mundo.

Solto a respiração pela boca, aliviada com suas palavras.

— Obrigada.

Ela apenas acena, sorri e volta a andar.

— Você poderia me explicar de novo o porquê de estar me fazendo ter um álbum da minha gravidez? – Questiono, seguindo a mesma pela trilha de cascalho até a entrada da casa.

— Você verá que o tempo passa muito rápido e quanto mais documentar está fase da sua vida, melhor será – Diz, abrindo a porta e sinalizando para que eu passe na frente.

Suspiro, entrando na casa aquecida e cheirando hoje à orvalho e limão.

— Não sou muito fã de fotos – Comento, jogando-me na poltrona próxima à janela, na sala – Lembro-me quando estávamos no quarto ano, no Torneio Tribruxo e Rita Skeeter espalhou suas mentiras sobre um romance adolescente entre Harry e eu só porque pegou-nos abraçados – Retorço meus lábios em desgosto.

Mulherzinha desprezível.

Ela senta-se à minha frente, colocando a caixa de vidro no colo.

— Não sou Skeeter e essas fotos não são mentiras, você não tem do que se preocupar – Ela desvia sua atenção para a janela no exato momento que gotas grossas de chuva se chocam contra o vidro.

Fecho os olhos, deixando meus pensamentos serem embalados pelo som e cheiro da chuva caindo no lado de fora.

— Eu gostaria de ter feito um álbum da gravidez de Mérope – Comenta, enganosamente tranquila.

— Eu sei que sim – Abro meus olhos, pegando-a me encarando – Você sabe que não teve culpa em sua morte, não é? Ela desistiu de viver.

Ela sorri, um sorriso triste e pequeno.

— Algumas vezes só são mais difíceis que outras para que meu cérebro se convença disso – Ela se levanta, deixando a caixa na poltrona que estava sentada – Farei chá para nós.

Morgana sai da sala, deixando-me presa em pensamentos não muito agradáveis.

Nós ficaremos bem, é tudo o que digo a mim mesma enquanto descanso minhas mãos protetoramente em minha barriga. Precisamos ficar bem.

***

Descanso minha pena ao lado do papel pela quarta vez em menos de 5min, correndo meus olhos pelas linhas que escrevi. Os passos impacientes de Morgana no chão produzem um barulho suave, mas incomodo. Me pego desejando pedir para ela sair do meu quarto.

— Eu sei que você não concorda com isso, mas é o certo a se fazer – Consigo dizer, tentando não só convencer a ela – Preciso encontrá-lo antes de minha barriga não passar mais pelas portas dos lugares. E, em hipótese nenhuma, podem descobrir que estou grávida.

Meu estômago se embrulha de ansiedade, trazendo um gosto amargo para minha boca.

— É perigoso em tantos níveis, que eu levaria a noite toda para terminar de citá-los – Grunhe, parando ao meu lado – Você está cometendo um erro colossal.

— Preciso encontrá-lo para esclarecer algumas coisas – Disparo, realmente aborrecida – E o fim de ano sempre traz mais privacidade do que qualquer outra época. Quase todos migram para suas famílias, então, não preciso me preocupar de sermos interrompidos – Argumento, colocando uma mecha do meu cabelo atrás da orelha.

Ela espia minha carta descaradamente, não se importando com minha cara feia para seu ato.

— Não, de jeito nenhum – Morgana retira o papel da mesa, amassa e joga no cesto ao lado da escrivaninha em meu quarto – Este é um péssimo lugar para encontra-lo, Hermione. Você está com um alvo nas costas e... Surpresa, grávida! – A ironia de suas palavras e seu ato me leve quase ao limite – Eu conheço um lugar, é discreto e longe o suficiente para ninguém reconhecer vocês.

Suspiro.

— Morgana, pela última vez, me deixe resolver isso da minha maneira, por favor – Ela pisca seus olhos para mim e então se afasta – Se eu marcar nosso encontro em um lugar desconhecido, isso chamará sua atenção. Ele ficará desconfiado e fará perguntas. Já tenho perguntas demais para responder, não quero acrescentar mais nenhum à pilha imensa.

— Se isso der terrivelmente errado, não diga que não te avisei – E com isso, ela sai do quarto da mesma forma que entrou, como um tornado cheio de raiva e apreensão.

Desde seu pequeno descontrole sobre minha alimentação, três dias atrás, venho percebendo seus imensos receios sobre minha gravidez.

Morgana nunca falará, mas Mérope criou cicatrizes profundas em sua armadura inabalável. Cicatrizes que se refletem no modo super protetor da mesma em relação aos meus bebês. Ainda não sei como me sinto sobre isso, mas a verdade é que ninguém ditará minha vida por mim. Nunca mais.

Pego outra folha e mergulho de novo minha pena no tinteiro. Meus dedos fraquejam quando aproximo a pena do papel em branco. Fecho os olhos por alguns instantes antes de começar a escrever.

Por favor, não me deixe está cometendo um erro, Merlin.

[...]

Sentada no sofá de dois lugares, encarando a lareira à sua frente, Narcisa repousa suas mãos nas coxas enquanto se perde em pensamentos, não filtrando nenhuma das palavras que Severo Snape diz.

— Você está me ouvido? – O tom irritado em sua voz lhe trás ao presente.

Ela pisca, voltando-se para ele.

— Desculpe-me, o quê?

O homem suspira, deslocando-se da frente da janela para sentar-se junto a ela no sofá.

Não era de sua natureza se envolver nos problemas dos outros, e com frequência o bruxo ignorava bem o que não lhe atingia diretamente. Mas se tinha algo que Snape não podia deixar passar era sua grande curiosidade em relação a situação das irmãs Black e o que elas fariam para reverter seu quadro.

Desde o começo do ano, Narcisa vinha sofrendo um golpe atrás do outro. Primeiro o marido indo para Azkaban, depois a missão suicida que o Lord incumbira ao único filho dela, movido por raiva pela falha de seu pai, é importante frisar. E agora, a caçula das três irmãs Black não era mais permitida de ficar na companhia de Voldemort. Muito menos Bellatrix, na verdade.

A primogênita de Cygnus Black III, contraiu a máxima raiva de seu senhor, levando-a a ser impedida de participar de suas reuniões justamente por azedar o humor de Aquele Que Não Deve Ser Nomeado. Ademais, qualquer menção em seu nome ou palavra vinda de sua boca, gera uma grande onda de raiva no Lord, acabando por atingir qualquer um que esteja perto. E se tem algo que Voldemort sabe fazer, é causar dor em que lhe enraivece.

— O motivo de sua distração é o mesmo que lhe impede de estar na presença do Lord? – Pergunta sem rodeios.

Enrugando o nariz, a mulher pega a xícara de chá que descansava em cima da mesinha ao seu lado.

— Não sei do que você está falando – Se fazer de desentendida é o primeiro instinto da bruxa.

Severo revira os olhos.

— Se não quiser me dizer, tudo bem, eu não irei insisti. Mas não insulte minha inteligência, Narcisa – Rebate, lhe lançando um olhar enviesado – Você ter sido jogada para escanteio é uma coisa, mas Bellatrix, a fiel e insana Comensal do Lord? Todos estão comentando. Apenas um estúpido não se tocaria que algo aconteceu.

Narcisa beberica seu chá, agora morno, com calma. Seus pensamentos fluem em uma velocidade impressionante em seu cérebro.

Só em lembrar remotamente do tratamento que está tendo de seu senhor, seu sangue gela em desespero. Nunca fora ignorada, esnobada e odiada com tanta intensidade quanto estava sendo por Voldemort. E por mais esforços que aplicasse em remediar está situação, pior aos olhos do Lord das Trevas ficava. Seus esforços não passavam de um constante lembrete de seu erro.

— Não quero falar sobre isso – Diz, por fim.

— A decisão é sua.

Um riso nervoso e baixo escapa dos lábios rosados dela.

— Há muito tempo eu perdi o poder de decisão em minha vida – Seu timbre sombrio pega o homem de surpresa – Mas não precisa se preocupar. Minha situação com o Lord é mutável.

— Se você diz – Ele dá de ombros, mas olha-lhe com descrença – Draco precisa tomar mais cuidado em suas escolhas para tentar concretizar a missão do Lord. Suas escolhas em tentar atingir Dumbledore só estão chamando a atenção das pessoas, em especial, do Potter. Fale com ele, Narcisa. O fundamental é o concerto do Armário Sumidouro.

Ela abre a boca para lhe exprimir sua opinião sobre o assunto, enfatizando o Voto Perpétuo que fora feito, mas uma batida na porta pega os dois de surpresa.

O pequeno elfo entra no cômodo com cautela, segurando com as mãos miúdas um embrulho maior pouca coisa que uma caixa de colar.

— O que quer, Kirky?

Ele faz uma reverencia, curvando exageradamente os ombros para baixo.

— Este embrulho chegou agora à pouco, mas Kirky não conhece o destinatário, minha senhora – Fala, levantando um pouco o pacote, mas logo voltando a trazê-lo para junto do corpo – Então, Kirky veio saber onde deixar. Está destinado à Tom Riddle.

Unindo as sobrancelhas em confusão, os dois bruxos se entreolham surpresos.

— Quem trouxe? Uma coruja? Um Comensal? – O professor de Hogwarts pergunta, encarando o pacote com desconfiança – Tem remetente?

O elfo balança a cabeça em negativa.

— Ele foi deixado na porta da entrada da mansão. Quando Kirky foi pegar flores para enfeitar a sala no jardim, encontro-o. Só tem esse nome escrito em cima e Kirky não reconhece a letra – O pequeno ser acaricia a parte de cima do embrulho, aonde o nome está escrito em uma letra cursiva e feminina – Não sei à quem entregar o presente. Kirky não conhece nenhum Tom Riddle.

Endireitando os ombros, os dois bruxo trocam olhares alarmados.

— Ninguém em sã consciência chama ele pelo nome de nascença – A voz de Narcisa sai repleta de descrença – Todos sabem que Milord odeia esse nome. É uma sentença de morte pronunciá-lo em sua presença.

Severo assenta com a cabeça.

— Provavelmente, é de alguém que ignore esse fato – Comenta, lembrando-se de imediato que a única pessoa que o chamava pelo nome trouxa era Dumbledore – E que deseja morrer cedo.

Ela prontamente concorda, mas franze a testa.

— O Lord recebendo um presente é algo... Incomum – Diz a loira, encarando o pacote como se a qualquer momento ele fosse explodir – Principalmente porque foi deixado na entrada e não entregue a ele pessoalmente.

Snape permanece em silêncio, internamente ainda preso em sua aposta para quem lhe enviou o mimo.

— Entregue-me o presente, darei a ele pessoalmente – Diz a bruxa, não esperando uma resposta e pegando o pacote das mãos do elfo.

Ele faz outra reverencia quando o objeto não está mais em suas mãos.

— Você acha uma boa ideia? – Questiona o diretor da Sonserina – Não seria mais prudente o elfo entregar? O Lord não está muito propicio à sua presença ultimamente. E, tenho certeza, você não irá querer irritá-lo mais do que ele está.

Ela ignora suas palavras, enxotando o elfo para fora da sala.

Seus olhos percorrem o nome no embrulho, vendo que estava escrito bem no centro do presente, de forma reta e cursiva. Narcisa percebe de imediato que a letra pertence à uma mulher.

— Eu conheço essa letra – A voz de Severo rompe o silêncio.

Ele encara seu semblante compenetrado com a testa franzida, intrigada.

— De quem é?

— Não consigo me lembrar – Seus olhos se apertam, encarando o nome por cima do ombro da Malfoy – Mas tenho certeza que conheço.

Um silêncio estranho se apodera do lugar, com os dois bruxos perdidos em seus próprios pensamentos.

Para Narcisa, entregar o presente é uma forma de se desculpar. E mesmo tendo em seu íntimo a certeza de que não obterá perdão tão fácil, não lhe matará tentar, acredita. Já para Severo, sua mente fervilha com o único nome quem lhe vem à mente ao encarar a letra cursiva feminina. Se estivesse certo, como sua mente lutava para fazê-lo acreditar que não, o mundo bruxo estava mais condenado do que podia imaginar.

[...]

O céu de Avalon é uma mistura inebriante de um punhado de nuvens espessas, estrelas brilhantes e uma lua cheia de arrebatar corações. O cheiro salgado do mar completa a magia da noite, assim como as ondas do mar batendo na praia embalam meus sentidos.

Encolho-me, fechando os olhos.

A brisa fresca acaricia meu rosto, a única parte do meu corpo exposta do grande cobertor que me aquece. Mas não é por isso que me encolho, e sim pelo enorme vazio dentro do meu peito.

Quando grossas lágrimas escorrem por meu rosto, não as detenho. Entrego meu corpo e pensamentos ao que vinha me incomodando o dia todo, permitindo-me sentir todas as emoções borbulhantes dentro de mim.

Hoje é seu aniversário, lembro-me pela trigésima quarta vez no dia. 31 de Dezembro.

Mordo meu lábio inferior, meu coração se comprimindo de saudade.

Nunca conversamos sobre como você se sente nesta data, constato com tristeza.

Encolho-me ainda mais, dessa vez abraçando minhas pernas com uma das minhas mãos enquanto que com a outra envolvo meu estômago.

Não conversamos sobre muitas coisas.

Abro meus olhos só para encontrar Morgana se sentando ao meu lado na praia. Não a vi desde de manhã, quando lhe pedi para entregar meu presente para Tom.

— Você o entregou? – Não me contenho, e muito menos limpo minhas lágrimas.

— Deixei em frente à porta principal da mansão – Revela, pegando um punhado de areia e jogando para longe, repetindo este processo diversas vezes – Kirky, um dos elfos da mansão acho-o e o levou para Narcisa. Ela irá lhe entregar.

Suspiro, aliviada.

— Obrigada... – Desvio minha atenção para o céu, emocionada – Por tudo, de verdade. Sem você... Eu nem ao menos tinha algo para lhe dar hoje – Minha voz falha no final, carregada de dor e emoções conflitantes.

— Não precisa agradecer – Diz, tranquilizadora – Já estava passando da hora de Tom ter aquele colar. E se eu não tivesse esquecido que o tinha aqui, já teria lhe dado de alguma forma – Encaro-a, fazendo a mesma também me olhar – Thomas Riddle deu a Mérope ele quando os dois completaram seis meses de namoro. Ela o usou quando pariu Tom.

Balanço a cabeça em compreensão, já tendo escutado essas mesmas palavras hoje mais cedo. Encaro meus pés enterrados na areia fofinha, perdendo-me em pensamentos.

Quando fui à sua procura para a mesma me ajudar a encontrar algo para lhe dar de presente, Morgana lembrara que ficara com alguns pertences de Mérope em Avalon. Juntas encontramos um colar em formato de coração dentro de uma caixa de veludo preta. Quando abri o mesmo, sua estrutura se flexionou em quatro corações pequenos, aonde quatro fotos poderiam ser colocadas.

Morgana não se opôs ao meu pedido de lhe enviar o colar como presente de aniversário. E, verdade seja dita, ficou surpresa com as fotos que eu tinha para colocar ali dentro.

— Será um presente inesquecível – Diz, atraindo minha atenção para si novamente.

Dou de ombros.

— Nos beijamos pela primeira vez em meu aniversário de 17 anos – Revelo, deixando minha mente vagar por aquele momento por alguns instantes.

“Sem aviso prévio ele une nossos lábios em um beijo sôfrego, desesperado. Nossas bocas se movem em sincronia uma sobre a outra. Sua língua pede passagem, concedo sem hesitar.

Gemo em sua boca quando nossas línguas se encontram. Meu corpo estremece e sinto meu coração palpitar descontrolado. Me aperto contra seu corpo, querendo mais.

Ele desliza sua mão da minha cintura até a abertura de meu roupão, aonde segura minha coxa com firmeza.

Suspiro com o encaixe perfeito que nossos lábios fazem.

Encerramos nosso beijo por falta de ar, mas antes de nos separarmos por completo deposito vários selinhos ali.

Tombo a cabeça para trás e fecho meus olhos, inspirando e expirando com rapidez, tentando absorve o máximo de ar possível para meus pulmões.

Isso é tão errado, mas é tão bom!

Tom larga minha nuca e segura meu cabelo, puxando-o para trás com delicadeza. Abro meus olhos e o vejo sorrir para mim.”

Volto ao presente com o coração disparado.

— Eu só... Só não... Eu quero que ele me sinta como o senti em meu aniversário – É tudo o que digo para justificar meu ato.

Internamente, sei que meu presente simboliza mais que isso. É uma das formas que encontrei para tentar me inserir novamente em sua vida. Sendo errado ou não, não me importo no momento.

[...]

É preciso Narcisa tomar três vezes ingestão de ar antes de conseguir a coragem necessária para bater na porta. Quando o faz, espera estoicamente o “entre” que demora 1 minuto para ser escutado.

Já fazia um mês e duas semanas que fora descoberto o parentesco entre Bellatrix e Hermione, e tudo mudara drasticamente desde então.

Voldemort se tornou completamente avesso à companhia das irmãs Black, tratando-as como parasitas sob seus sapatos. E todos notaram.

Para Bellatrix, o desprezo de seu senhor era agonizante e doloroso demais, fazendo-a sofrer até o amargo de seu ser por isso. Contudo, Narcisa apenas se reclusara em seu quarto, temendo receber mais ódio de seu senhor e não conseguir seu auxílio para tirar seu marido de Azkaban. E temendo especialmente que seu ódio se voltasse contra seu filho, que atualmente estava na mansão desde o natal.

Ela adentra o como de cabeça baixa, em sinal de submissão. Mas assim que um gemido feminino chega ao seus ouvidos, sua cabeça se ergue no mesmo instante.

Encontrar Bellatrix no chão do quarto sangrando e inconsciente não era algo que a Malfoy esperava ao ir entregar o embrulho que chegará para seu senhor. Por isso, seu semblante assume uma expressão de puro horror.

— O que você quer? – A voz fria e cortante de seu senhor chega aos seus ouvidos, atraindo-a para sua figura ofidioglota.

Narcisa se encolhe, vendo-o parado ao lado do corpo de sua irmã com a varinha apontada para ela. Uma pequena poça de sangue se formava no piso, saindo dos cortes em seus braços magros.

Engolindo um suspiro, uma pequena movimentação em cima da cama chama sua atenção.

Nagini.

A cobra de seu mestre se encontrava esparramada na cama, com sua cabeça arqueada e língua bifurcada atentas à quem acabara de entrar.

— Perdão, meu senhor – A loira se curva rapidamente, segurando com mais força o embrulho nas mãos pálidas – Eu vim... – Outro gemido de Bella tira a Malfoy de concentração.

Revirando os olhos para a figura horrorizada da irmã caçula de Bellatrix, Voldemort se afasta frustrado da mulher no chão, não se importando com o sangue que escorre pelos cortes em seus braços.

Um miado sôfrego vindo de dentro do banheiro atrai a atenção dos dois, mas Voldemort prontamente ignora, sabendo que Bichento estava apenas cansado de ficar trancado. A Malfoy franze a testa um pouco, intrigada.

Está já era a sétima vez que o bruxo abria cortes na Lestrange, esperando descobrir o paradeiro da mulher que povoava seus pensamentos dia e noite através de um feitiço de rastreamento de sangue. Mas nenhuma das vezes lhe trouxe a descoberta que ele queria. Onde quer que Hermione estivesse, nem mesmo o sangue que compartilhava com a assassina no chão poderia alcançar-lhe. O que só descontrolava ainda mais o homem.

— Veio para quê? – Dispara, encarando Narcisa com impaciência – Não tenho a noite toda, diga logo, Narcisa.

Sentindo que a paciência de seu senhor se esgotava, Narcisa ignora ao máximo o corpo da irmã no chão e os miados irritados do gato de sua sobrinha, caminha até o homem com cautela e ergue o presente para ele assim que fica a poucos passos de distância.

— Este embrulho chegou mais cedo para o senhor – Informa, pegando o homem de surpresa – Não tem remetente, apenas seu nome no embrulho. Tomei a liberdade de analisar o objeto para sentir se havia algum feitiço nele, mas não obtive nenhuma resposta. Está completamente limpo.

Pegando o pacote, Voldemort assume uma expressão tenebrosa ao ver seu nome trouxa escrito nele, repugnando de imediato quem ousara reviver está parte de sua história. Mas rapidamente essa expressão some, dando lugar a uma completamente incrédula e uma paralisia momentânea.

Algum problema, meu senhorr? Questiona a cobra, sentindo a gama de emoções que se apoderam do homem.

Isso pega Narcisa de surpresa e a faz até esquecer de sua irmã choramingando de dor no chão do aposento, alheia à tudo que a cercava por já está sangrando à mais de meia hora, esquece também da cobra silenciosa na cama e do gato furioso no banheiro. Sua mente curiosa se pergunta quem enviou o presente para deixa-lo tão estático e sem reação.

Munido de emoções sombrias e avassaladoras, Voldemort sai de seu estupor e manda Narcisa se retirar e levar Bellatrix do seu aposento imediatamente.

Sem esperar um segundo comando, a bruxa faz como lhe é ordenado. E mesmo tendo dificuldade física em arrastar sua irmã para fora do quarto, a mesma faz isso incrivelmente rápido. Mas não tão rápido que não pudesse ver as mãos de seu senhor tremendo ligeiramente ao tocar as letras escritas no embrulho do presente.

[...]

Jogando o corpo da irmã na cama, Narcisa se põe a curar seus ferimentos e tentar aplacar a forte febre que faz a morena delirar. Os cortes não são muito profundos, mas estão infeccionados e sangrando, o que é um problema e lhe causa a quentura no corpo.

Isto é ridículo, pensa, passando a ponta da varinha pelos cortes abertos. Se na primeira vez não deu certo, como ele espera que dê agora? Hermione não pode ser encontrada com o feitiço de rastreamento de sangue. Por que ele ainda insiste? E por que ainda mantém o gato dela vivo? Nada disso faz sentido.

Se questionando sobre a natureza da obsessão de Voldemort em descobrir o paradeiro da filha de sua irmã, Narcisa chega à conclusão de que existe mais nesta história do que ela sabe.

E por isso, sua preocupação ganha novas proporções.

[...]

Ele levanta o objeto até a altura dos olhos, analisando sua estrutura com um misto de emoções que mal consegue distinguir. Existe raiva, surpresa, tristeza e angustia. Mas também existe saudade, euforia, descrença e respeito. Uma dualidade entre amor e ódio que brigavam por espaço dentro de si.

Seus olhos se voltam para o pequeno pedaço de papel em sua outra mão que encontrara dentro da caixa de veludo onde antes estava a joia, deparando-se com uma curta parabenização da única mulher que já amou.

Um presente meu seria à última coisa que você esperaria receber hoje, mas... É seu aniversário!

Parabéns, Tom.

Com amor,

Hermione.

Seus dedos amassam o papel instintivamente, mas não o suficiente para rasgá-lo.

É dela, senhor? Sua Hermione? – Nagini pergunta, descendo da cama preguiçosamente.

— Sim.

Jogando o papel na cama, Voldemort se demora olhando o pingente em formato de coração do colar.

É de ouro e é antigo, constata após alguns minutos.

Ela lembrou – Ressalta o réptil, parando próximo a seus pés – Ninguém mais lembra.

Um aperto esquisito atinge seu coração, mas o homem trata de ignorá-lo.

— Ela só está me provocando – Diz, mas sem realmente acreditar nisso.

Não acho que seja o caso – É sua resposta, deixando o bruxo irritado.

— O que? Você acha que ela me mandou por bondade? Simpatia...

Amor. – Interrompe-o, ganhando uma risada anasalada em resposta e depois algumas palavras de desdém, mas isso não intimida Nagini – Ela ainda é a mesma Hermione de 50 anos atrás. Para a garota, nada mudou muito. Ela ainda te ama e...

— Chega – Rosna, fazendo o réptil se calar – Eu não quero mais escutar essas bobagens vindas de você, Nagini – Um suspiro irritado escapa de sua boca – Te deixar perto daquele gato está te deixando sentimental demais.

Sem dizer nada, a cobra se afasta do bruxo, indo de encontro a porta do banheiro.

Falando nele, – Começa, ligeiramente divertida – O senhor deveria abrir a porta e soltá-lo. O felino odeia ficar preso.

Revirando os olhos e com um aceno de cabeça, a porta se abre, revelando um Bichento extremamente irritado.

Deparando-se com Nagini a sua frente, o gato eriça os pelos e mostra os dentes, pulando em seguida na cobra. Nagini se pudesse teria revirado os olhos perante a estupida capacidade do gato de querer brincar com ela, mesmo vendo que sua estrutura é maior e suas presas mais longas e afiadas.

Um jogo nada divertido para a cobra se inicia, aonde Bichento tenta agarrar sua calda com as patinhas miúdas e ela se esquiva, dando-lhe ainda mais divertimento.

Aquela cena não era estranha para o bruxo, que desde a primeira vez que deixou os dois ficarem no mesmo cômodo começou a acontecer. Houve sim um estranhamento e medo no começo, mas logo o gato se acostumou com a presença de sua horcrux. O que transformou os dias chatos de Nagini em puro divertimento, principalmente quando ela conseguia se enrolava o suficiente nele para quase esmagar seu corpo e via o gato desesperado para escapar.

Abandonando a cena dos animais, Voldemort se volta para o colar, abrindo sua pequena estrutura após alguns segundos de hesitação.

Se dividindo em quatro corações do mesmo tamanho com quatro fotos dentro de suas estruturas, choque e admiração recaem sobre o homem ao analisar as imagens ali.

Na primeira, ele pode ser ver mais jovem ao lado de um Slughorn pomposo e de uma Hermione tímida usando um elegante vestido preto. Os braços do professor de poções está aninhado nos ombros dos dois e ele se encontra no meio deles, sorrindo amplamente para a câmera. A foto fora tirada na primeira reunião do Clube do Slughorn que Hermione participara, no dia em que um gemido dela por provar um bolo estupido quase o fez perde a compostura e agarra-lhe ali mesmo.

Na segunda imagem, o exato momento em que os dois se levantam para comemorar a vitória da Sonserina sobre a Grifinória no único jogo de quadribol que assistiram juntos é capturado. Hermione está ao lado de Anelise, mas apenas sua silhueta e cabelos loiros aparecem na foto. O foco está no jovem casal, que se levanta para aplaudir a vitória e se entreolha, com ela sorrindo para ele e o mesmo curvando os lábios em um meio sorriso aliviado pelo fim do jogo.

A terceira foto trás um quarteto de adolescentes deslumbrantes, com as meninas em lindas fantasias de Halloween e os garotos em smokings adaptados para combinar com suas companheiras. De longe, Tom e Hermione são os mais bem elaborados, com as flores do vestido dela se abrindo e fechando, enquanto Tom reluz em um smoking enfeitiçado para lembrar a neve. Abraxas e Anelise também estão estonteantes na imagem, com ela trajando um vestido em tons terrosos com detalhes em verde musgo e ele um smoking verde escuro e alguns detalhes em marrom. Os dois simbolizam os bosques, ela sendo claramente uma ninfa. As duas garotas estão no centro do quarteto, enquanto seus respectivos namorados estão ao seus lados. Todos olham seriamente para a câmera, mas meninas abrem lindos sorrisos após a foto ser tirada, lançando olhares divertidos para seus pares.

A última imagem traz apenas um casal sendo destacado. Os dos rodopiam pelo Salão Principal em uma valsa perfeita, presos um no outro, com o vestido de primavera dela esvoaçando a cada girada. Hermione e Tom estão abrindo o baile de halloween com os outros monitores chefes, mas apenas os dois protagonizam a imagem. Tom lhe segura firmemente pela cintura e pela mão, enquanto ela se apoia em seu ombro e sorri para ele como se fossem as únicas pessoas no lugar.

Se era a intenção dela transformar o bruxo em um turbilhão sem fim de sensações e emoções ao enviar este presente para ele, Hermione Black conseguiu com sucesso.

[...] Um Dia Depois [...]

Engulo o caroço que se forma em minha garganta, encarando a entrada do lugar com certa dificuldade pela escassa iluminação. As janelas são curvas e tão incrustadas de fuligem que pouquíssima luz solar chega até o lugar.

O cheiro também não era muito agradável e estava irritando minha barriga sensível, assim como o chão estava tão sujo que parecia terra batida. Mas era isolado o suficiente para que ninguém nos incomodasse. Por isso, escolhi o pub Cabeça de Javali para encontrá-lo.

Aberforth chega até mim, segurando um pano sujo e ainda mais fedido que o chão. Seus cabelos grisalhos estão soltos e armados, enquanto seus olhos azuis fitam-me com interesse.

Respiro pela boca, tentando não enjoar ainda mais.

— Irá pedir agora? – Pergunta, me encarando com atenção.

— Uhm... – Coloco duas canecas em cima da mesa que trouxe de Avalon comigo, sorrindo sem graça para ele – Vou querer duas canecas de cerveja amanteigada, por favor.

Ele pega as canecas e vai embora sem dizer nada.

Solto um suspiro, ajeitando as mexas que caem do meu cabelo atrás das minhas orelhas enquanto encaro o lugar ao meu redor. Por mais escuro que seja, ainda consigo distingui algumas poucas formas humanas nas outras mesas.

— Hermione? – Uma voz conhecida chama-me com hesitação.

Encaro o garoto à minha frente, sentindo meu coração ir para na garganta.

— Harry.

Me levanto, sorrindo timidamente para ele.

— Você veio. – Consigo dizer, tomada por um receio incomum.

Harry ajeita os óculos no rosto, igualmente desconfortável. Suas vestes de inverno são simples, um casaco grosso azul escuro fechado até a gola, uma calça preta simples, um par de sapatos quentes e um cachecol no pescoço. Também não me arrumei muito, apenas vestindo uma calça jeans escura e uma blusa de mangas compridas cinza, um sobretudo preto abotoado até meu pescoço, um par de botas pretas e um cachecol azul marinho para completar o visual.

Nos sentamos sem abraçar-nos, como eu havia planejado ao me levantar para recebê-lo.

Ele me encara atentamente, procurando algo em meu rosto.

— Por que aqui e não no Três Vassouras? – Pergunta, olhando ao redor.

Seu nariz se enruga com o cheiro do lugar, mas ele não comenta nada.

— Achei que um lugar isolado seria mais seguro. – Falo, vendo Aberforth trazer nossas cervejas.

Ele coloca as canecas na nossa frente, afastando-se sem dizer mais nada.

Seguro minha caneca com as duas mãos, vendo Harry fazer o mesmo. Seus dedos se fecham com mais força em volta do material do que os meus. Não comento isso. É obvio que ele estava tão desconfortável quanto eu.

— Como Gina está? – Pergunto, bebericando minha caneca com cautela.

— Bem, ela está bem.

— E Rony?

— Também.

Balanço a cabeça em concordância.

— Por que você escolheu ir embora, Hermione? – Seu tom acusatório não me machuca tanto quanto eu esperava.

Encaro minhas mãos em volta da caneca, engolindo em seco varias vezes.

Eu não escolhi, Harry. Nunca abandonaria vocês espontaneamente e vocês acreditarem nisso tão fácil me machuca muito.

Mas ao invés de dizer o que penso, apenas falo o que havia ensaiado no espelho para falar.

— O Instituto de Salem é um ótimo lugar para aperfeiçoar meus conhecimentos em magia avançada – Digo, voltando a beber um pouco da cerveja.

Meu estômago se embrulha mais ainda, fazendo-me colocar a caneca longe de mim.

— Seria apenas pelo meu sexto ano – Completo.

— Seria?

Encaro seus olhos conhecidos, desejando que este muro invisível que se ergueu entre nós nunca tivesse existido.

— Pela forma como apenas você me escreveu e só parar me chamar de egoísta, posso imaginar que minha presença em Hogwarts não é tão desejada como eu achava – Soou mais irritada do que me sinto, pegando-o de surpresa.

Ele passa as mãos pelo cabelo, olhando ao nosso redor.

— Você nem ao menos nos avisou que estava indo embora, simplesmente foi. Como você esperava que agíssemos? Flores e Sapos de Chocolate? – Sua voz sobe algumas oitavas, me fazendo encolher – Estamos em guerra, Hermione. Voldemort voltou! – Ele se debruça sobre a mesa, diminuindo seu tom de voz – Eu perdi meu padrinho há pouco menos de um ano. Sirius era tudo que eu tinha. Como você esperava que eu agisse quando minha melhor amiga me abandonou? Você é egoísta e nem ao menos consegue admitir isso.

Suas palavras me atingem como um soco no estômago, mas também desencadeiam uma raiva borbulhante em meu íntimo.

— Você não é o único sofrendo aqui, Harry – Disparo, diminuindo meu timbre também – Eu entendo que minha partida pegou todos de surpresa, porque adivinha só? Também me pegou de surpresa. Mas, eu não vou deixar que você chame de egoísta, não depois de todos os sacrifícios e ajudas que eu te dei para você chegar até aqui. Sirius...

Ele bate na mesa, assustando-me.

— Não, não fale o nome dele – Rosna, apontando o dedo para mim – Você não tem o direito... Você não sabe o que é dor, Hermione. Eu não tenho nada...

Meu dedo levantado ameaçadoramente o faz se calar.

— Eu só queria me sentar aqui, tomar uma bebida com você e te fazer entender o quanto eu senti falta de você, de Gina, de Rony... Lembrá-lo que você ainda poderia contar comigo, mas parece que não estamos mais na mesma página, Harry – Jogo quatro sincles em cima da mesa – E, para guia de explicação, eu tenho mais direito que você em falar o nome de Sirius. E eu não sei o que é dor? Serio, Potter? Você não me conhece mesmo.

Ele estreita os olhos para mim, abrindo a boca para rebater, mas não o deixo falar. Me levanto e paro ao seu lado, lhe encarando com o máximo de raiva que consigo reunir.

— Descobri ano passado que Sirius Black é meu pai – Informo, vendo seu rosto perde completamente a cor – Por isso, Harry... Você não é o único com problemas, dores e desilusões na vida. Nem tudo gira em torno do seu umbigo.

Vou embora sem olhar para trás, mesmo escutando ele gritar meu nome.

***

Desvio de transeuntes pelo caminho mesmo estando de cabeça baixa, limpando as lágrimas ocasionais que escorrem por minhas coradas pelo frio bochechas e choro. Esbarro em algumas pessoas no meu trajeto, mas peço alguns rápidos pedidos de desculpa e sigo em frente.

Morgana iria me encontrar em um ponto distante de casas e pessoas no vilarejo para me levar de volta em segurança da mesmo forma que me trouxe, usando sua magia atemporal para nos teletransportar sem afetar meu bebê no processo. Já que durante uma gravidez, é muito arriscado aparatar.

Distraída, só percebo que entrei sem querer na Travessa do Tranco quando esbaro em uma vendedora horripilante de unhas humanas. A mulher que é mais baixa que eu alguns centímetros sorri para mim com os dentes tortos e podres, oferecendo-me seu produto dentro de um pote de vidro.

Não consigo conter minha ânsia de vomito vendo as unhas humanas embebidas em algum liquido gosmento e fedido verde. Vomito meu café da manhã na calçada branca ao meu lado assim que o cheiro pútrido chega ao meu olfato, só conseguindo desviar da senhora com o pote.

Ela solta uma risada estridente que faz com que eu me sinta pior do que já estou.

Vomito mais um pouco de água acida no chão coberto de neve e depois limpo minha boca com a manga de minha blusa, percebendo que as poucas pessoas do beco me encaravam com sorrisos macabros na boca.

Droga.

Antes que eu possa falar qualquer coisa, uma mão delicada segura meu braço com força.

Encaro Narcisa com os olhos arregalados e a boca ligeiramente aberta, percebendo tardiamente que ela não estava sozinha e que eu estava completamente ferrada por isso.

Merlin.

Severo Snape e Draco Malfoy me encaravam como se eu fosse o bichinha mais curioso que eles já tivessem encontrado em suas vidas.

— Você está gravida? – Pergunta, completamente descrente em meu ouvido, baixo o suficiente para que só eu escutasse.

Seus olhos são uma tempestade azulada de descrença, acusação e recriminações não ditas. Paralisada de surpresa, não sei o que lhe responder.

“O esperado nos mantém fortes, firmes e em pé. O inesperado nos torna frágeis e propõe recomeços.”

— Machado de Assis

Notas finais
Olá, meus bbs ❤️ Espero que vcs tenham gostado do capitulo. Falei que seria neste cap o reencontro deles, mas acabei tento muito imprevistos para poder postar. Espero que não me odeiem por isso. No próximo, que tentarei postar o mais rápido possível, Voldemort e Hermione enfim ficaram cara a cara. Quis prolongar um pouco mais também porque precisava que vcs entendessem um pouco mais como tudo estava entre todos os envolvidos. Qualquer duvida, por favor, podem comentar. Leitores fantasmas, pronunciem-se ❤️ PS: Foto do presente da Hermione para o Tom: https://uploads.spiritfanfiction.com/fanfics/capitulos/202003/desire-obsolete-18858271-290320201129.jpg Beijinhos sabor descrença de amor!!