Notas iniciais
Enjoy!

Os dias vão se passando como borrões de poeira para mim, curtos e disformes. A cada nova manhã, a intensidade da tristeza de Dorea se agrava, me deixando mais e mais preocupada. Lena e eu fazemos de tudo para tentar animá-la, mas nada surte efeito. Ela esta entregue ao seu sofrimento e não se esforça para sair dele.

Entro no cômodo e sento-me no fundo da sala de transfiguração, ciente que a aula só iniciará daqui à meia hora e eu terei tempo para por em prática minha leitura matinal obrigatória.

Retiro da minha bolsa um livro grosso e pesado, com uma capa de couro empoeirada e desgastada, onde se lê “Arte Oculta das Maldições”.

Ponho minha bolsa no chão, ao lado da cadeira, sabendo que não precisarei guarda lugar para as meninas, porque todos ali sabem que ao meu lado ou vice-versa só elas sentam comigo. Minha relação com os outros sonserinos é confusa; alguns me ignoram, outros tentam aproximação, os comensais do Riddle ofendem-me sempre que possível. Por isso, nutro um sentimento controverso de amor e ódio por essa casa. E mesmo nunca tendo confirmado ou negado, todos acreditam que eu sou uma nascida trouxa.

Mesmo faltando bons minutos para começar a chegar alunos na sala, modifico a capa do livro em minhas mãos com um simples feitiço transformador, ocultando sua real identidade. Eu venho fazendo isso com todos os livros que pego, já que seria problemático se alguém percebe-se que ando estudando livros da Seção Restrita.

“Arte Oculta das Maldições” é o terceiro livro que leio no período desses oito dias estando ali, sendo os outros dois “Princípio dos Encantamento Fatais” e “Artefatos das Trevas”. E mesmo com nomes sugestivos, nenhum me mostrara um caminho seguro para ajudar meus amigos a derrotar Voldemort no futuro. No entanto, são uma ótima fonte de conhecimento que eu pretendo usar futuramente.

Folhei-o o livro e, então, me ponho a lê, mergulhando em seu conteúdo.

Fico tão concentrada e absolvida nos feitiços ali contidos que só percebo está rodeada de estudantes quando alguém senta-se ao meu lado.

Levanto minha cabeça sorrindo para quem eu suponho ser Lena, que senta ao meu lado desde que Dorea parou de vir regulamente as aulas, evitando ao máximo possível Pollux e Charlus.

Franzo a cenha, incrédula, vendo Abraxas Malfoy senta-se ao meu lado e começa a depositar seus materiais na mesa colada a minha.

— O quê você está fazendo aqui? – Solto, sem conseguir me conter, intrigada.

O loiro me encara com a sobrancelha arqueada e uma visível expressão de interrogação no rosto.

— O mesmo que você, suponho – Retruca, irônico – Estudar e aprender.

Está é a primeira vez que nos aproximávamos e falávamos desde nosso encontro na floresta. Eu o evito tão empenhadamente quanto ao Riddle. Seu rosto me trás recordações de Draco, e consequentemente, de tudo que vive no futuro. Não preciso de um constante lembrete do que ficara para trás, já doía demais sem isso.

— Não estou falando da aula – Reviro meus olhos, frustrada – O quê você faz sentado ao meu lado? Não é por falta de opção. – Gesticulo com as mãos, mostrando que haviam várias cadeiras vazias aonde ele poderia sentar – Riddle te dispensou hoje?

Vejo-o um lampejo de descontentamento passar por seus olhos ao mencionar o outro sonserino. Mas a verdade é que minha surpresa se deriva do fato de que nas aulas, Abraxas e Tom são uma dupla inseparável. Sendo o loiro um fiel seguidor de tudo que Tom ensina ele fazer.

Vê-lo ali é no mínimo estranho.

— Hoje estou me sentindo mais... Sociável – Começa, com os olhos brilhando em zombaria – Por isso, vim me sentar aqui... Ao lado dos menos privilégiados. Rale.

Solto uma breve risada, realmente achando graça na idiotice que ele diz.

— Você é um babaca, sabia? – Pergunto, sem esperar resposta.

Ele apenas dá de ombros e não diz nada.

Vejo quando Lena entra na sala, seguida por uma Dorea de aparência frágil e fantasmagórica. As duas arregalam os olhos ao verem quem esta ao meu lado.

Dou de ombros e formulo sem emitir som um “me salvem” com a boca. Lena sorri, compadecida do meu estado, já Dorea apenas pisca os olhos pra mim e me lança um olhar piedoso. Elas sentam-se longe, nas primeiras cadeiras da fileira em que estou, claramente, evitando o Malfoy. Nada que viesse do grupinho do Riddle elas queriam perto. Eu não as culpo.

De esgueirou olho para Abraxas. Ele encara o nada, pensativo.

Suspiro, frustrada.

Ótimo, minha manhã já começou bem.

Riddle e o Rosier entram na sala, vindo diretamente para onde estou. Me empertigo na cadeira. Eles se sentam bem à nossa frente, como se aquele fosse o lugar habitual deles.

Encaro o moreno, frustrada.

Minha interação com o jovem Voldemort se resume à competições nas aulas e troca de farpas nos corredores. Fora isso, eu me mantinha o mais longe possível do seu radar, passando a maior parte do meu tempo com as meninas. Às vezes, converso amenidades com Septimus e em outros momentos escuto as lamúrias de Charlus. Sendo hoje adicionado uma nova página na minha rotina, pois ficou combinado entre Dumbledore e eu que toda sexta depois do jantar ele me ensinaria oclumência. Nervosismo e ansiedade me definem sobre essa aula.

Sentindo o meu olhar sobre si, Tom vira-se e me encara com a sobrancelha arqueada.

— Perdeu alguma coisa aqui, sangue-ruim? – Me pergunta o Rosier, ofendendo-se por eu encarar seu Lord.

Revirou os olhos, aborrecida.

Abraxas se remexe ao meu lado, enquanto Tom me encara com superioridade e um sorrisinho esnobe no rosto.

— Vocês sonserinos são tão criativos para elogios – Digo, sarcástica – Me sinto sempre muito querida.

O Rosier faz um barulho de indignado com a boca e trinca os dentes.

Sorrio de lado, feliz por ter irritado o mesmo.

Volto minha atenção para o livro que eu lia, tentando distrair minha mente e não me focar no porque deles estarem ali. Mas uma mão é posta em cima da página que eu lia, impedindo minha visão.

Encaro o sonserino de cativantes olhos azuis, confusa.

— Eu conheço bem as nuances de um feitiço de modificação – Revela ele, sério – O que você está lendo que precisa ser ocultado? – Sua pergunta sai baixa e rouca, me causando arrepios.

Eu odeio quando ele usa esse tom de voz rouco comigo, sempre me desconcerta.

Abraxas e Evan se entreolham, curiosos.

Abro a boca uma, duas, três vezes, sem saber como lhe responder.

— Hum... Não é da sua conta – Falo, nervosa.

Seus olhos se estreitam, irritados.

— Ah, Granger... Você deveria tomar mais cuidado com o que diz – Ele sorri pra mim de escárnio.

Inclino a cabeça para o lado, olhando seriamente para ele.

— Está me ameaçando, Riddle?

— Apenas alertando... – Diz, retirando sua mão do livro e me lançando um olhar sombrio.

Os pelos da minha nuca se erriçam. Riddle e eu éramos inimigos declarados nas aulas, competindo intelectualmente com fervo. O fato dele está sentando bem a minha frente não me traz um bom pressentimento.

Dumbledore entra na sala e então me perco em sua aula, ignorando a incomoda sensação de algo ruim ia acontecer.

[...]

A última aula vespertina do dia é de Defesa Contra as Artes das Trevas, com a professora Galatea Merrythought e em conjunto com a Grifinória. O fato de Dorea está indo me faz ter esperanças de que ela esteja começando a tentar se recuperar de sua depressão.

Apresso o passo, sendo imitada por Lena e Dorea.

Tínhamos perdido a hora ao ajudar o professor Herbert Beery a silenciar algumas mandrágoras bebês, furiosas por terem sido arrancadas de seus vasos por alunos primeiristas desavisados.

E se tinha algo que a senhora Merrythought odeia mais que a voz esganiçada de Arabella Smith da Lufa-Lufa, é atrasos de qualquer espécie. Além do mais, ela parece nutrir um insano prazer em aplicar detenções severas demais para os alunos. Eu, particularmente, a acho uma sádica, mas suas aulas não convencionais agradam muito os alunos. Em especial, os sonserinos.

Entramos na sala quase sem fôlego, sendo recepcionadas por uma Galatea inquieta, andando por entre as fileiras de alunos em pé com sua costumeira expressão cética, como se desconfia-se a todo momento que dali surgiria algum bruxo importante. Mas como quase todos os outros professores, ela nutre uma grande admiração pela mente brilhante de Riddle. Ele é sua exceção, e ela deixa claro isso em todos os momentos possíveis.

— Vejo que as senhoritas resolveram nos agraciar com suas presenças tardias – Fala, sem sequer olhar para nós.

— Sentimos muito, professora – Começa Lena, temerosa – Nós estávamos ajudando o...

— Não pedi por explicações, Ravenwood – Corta ela, severa – Apenas atenham-se a falar quando eu solicitar – Dispara, parando ao lado de Charlus e encarando-nos – Uma de vocês terá que se voluntariar para cumprir minha próxima atividade de classe que ocorrerá na segunda à tarde. É uma punição mais que branda por seu atraso — Diz para ninguém em especial.

O olhar de desespero que Lena me dá, me diz que ela não se voluntariaria nem sob tortura. Dorea encara o chão, provavelmente querendo ser engolida por um buraco. Sou a única que mantém a cabeça erguida, não por bravura, mas por está aborrecida demais com suas palavras excessivamente duras.

— Qual atividade, professora? – Pergunto, vencida pela curiosidade.

Ela lança um sorriso estranho para Riddle, que esta entre Pollux e Abraços. Ele me encara desafiadoramente, como se eu fosse uma mosca burra que estivesse prestes a pousar em sua teia e ser devorada.

— Você é a voluntária? – O olhar divertido que ela me lança me diz que eu não irei gostar do que está planejado para segunda.

Dorea me belisca de leve, quando olho para ela, a mesma balança a cabeça negativamente.

— Sim, eu sou – Respondo em ousadia.

Ela volta a me beliscar, só que com mais força. Trinco os dentes para não gemer de dor.

Ouço alguns suspiros de pânico vindos do lado da Grifinória, em especial de Charlus e Septimus que estam pálidos como papel, enquanto a Sonserina vai ao delírio.

— Acalmem-se, crianças – Pede Galatea, mal escondendo sua excitação – Guardem seu fôlego para segunda. Teremos um embate formidável, creio eu.

Franzo a testa, confusa.

— A atividade que eu mencionei é uma breve e esportiva aula de duelos, senhorita Granger – Começa, vindo até nós a passos lentos – Aonde seu adversário será nosso aluno invicto... – Ela faz uma pausa dramática – Tom Riddle.

Esculpo um sorriso falso em meu rosto e balanço a cabeça em sinal de entendimento, borbulhando de nervosismo por dentro.

— Que ótimo! – Falo, com falso entusiasmo.

Tom me lança um sorriso desdenhoso e um olhar que explicita muito bem que ele irá tentar acabar comigo na segunda.

Isso com certeza explica meu mau pressentimento, penso, com meu sorriso falso congelado em meu rosto.

[...]

Após longos sermões vindos dos meus amigos, pela minha burrice estratosférica por me voluntariar, sou deixada em paz. Me foco em minhas tarefas escolares, ficando sozinha na biblioteca até pouco antes do jantar.

Caminho apressada pelos corredores do castelo, indo em direção ao salão principal. Minha barriga faz vergonhosos barulhos de fome e eu só consigo ri disso, lembrando das vezes constrangedoras que isso aconteceu com Rony.

Assim que faço a curva final para chegar ao meu destino, esbarro com tudo em uma parede sólida de carne e ossos. Fecho os olhos temendo o impacto, mas antes que eu caia, braços fortes enlaçam minha cintura.

Seguro nos ombros do meu salvador, firmemente.

Não abro meus olhos de imediato, mortificada demais pela minha má sorte. E tão pouco quem quer que esteja me segurando faz esforço para me soltar. Mas assim que sinto o cheiro inconfundível daquele que atormenta-me com sua presença, estremeço.

Riddle pragueja, baixinho.

Abro meus olhos, assustada. Vejo suas íris azuis dilatadas de algo que não distingo de início, mas me causa arrepios. Com nossos rostos a centímetro de distância, minha respiração acelerada pelo susto se mistura com a dele. Seu cheiro entra em minhas narinas e se espalha por meus poros, causando-me um friozinho incômodo na barriga.

— Você não olha por onde anda, sangue-ruim? – Pergunta, ácido.

Ele me solta e cambaleio para trás, afetada pelo que acontecera.

— Me-me desculpe – Gaguejo, afetada.

Coloco a mão no coração, sentindo o mesmo saltar sobre meu peito. Ele segue meu ato com os olhos, praguejando com mais intensidade.

Pisco repetidas vezes, surpresa e confusa.

Riddle parece prestes a me estrangular, com sua respiração acelerada e seus olhos dilatados de desejo. A ficha cai como um banho de água fria, atordoando-me ao constata o óbvio.

Ele me deseja?

Boquiaberta, encaro o mesmo.

— Você... Você me... — Calo-me, mortificada demais para formular a pergunta em voz alta.

Ele se volta para mim, sorrindo enraivecido.

— Se eu te desejo, miss Granger? Uma pergunta um pouco óbvia, você não acha? – Ele se aproxima de mim, predatório.

Afasto-me até bater com as costas na parede. Ele encarcera-me colocando suas mãos uma de cada lado do meu corpo, para que eu não fuja.

A intensidade de seu olhar queima minha pele e me faz vibrar por dentro.

Isso não é bom...

Conheço meu corpo bem demais para saber que ele está correspondendo aos estímulos sensoriais de Tom. Cheiro, voz, visão.

— Penso no seu corpo desde o momento que te vi usando aqueles pequenos e sujos trapos na floresta proibida – Confessa, aproximando seu rosto do meu.

A ponta dos nossos narizes se tocam de leve, estremeço e mordo meu lábio inferior. Ele segue meu ato com os olhos, respirando fundo, desejoso.

Seu foco muda e ele raspa o nariz em meu pescoço, seguindo o fluxo do meu sangue até minha garganta, aonde deposita singelos selinhos, me fazendo contorce e gemer baixinho. O pulsar frenético do meu coração só não esta tão forte quanto o calor que aquece minhas veias, concentrando-se em meu baixo ventre.

O mesmo espalma meu quadril com sua mão, enquanto que com a outra puxa meu rosto para perto do seu. Eu não consigo falar nada, entorpecida demais por uma nuvem de desejo que me rende de uma forma irracional. É primitivo o desejo que se apodera de mim. E mesmo sabendo o quão errado é, não consigo me libertar de seu encanto.

Ele cola nossos corpos, acariciando a lateral do meu quadril, enquanto nossos olhos não se desgrudam em momento algum. Seu cheiro e calor se infiltram sob minha pele, umedecendo minhas partes íntimas.

Posso ver a cena toda se desenrolando em minha mente; ele me beijando, eu correspondendo, minhas mãos em seu cabelo, sua boca em meu pescoço...

Seu calor me abandona tão logo quanto me atingira. Ele se afasta sorrindo, abertamente.

— Apesar de sua pose inabalável, Granger, você é como todas as outras – Dispara, divertido – Fácil de manipular – Completa, rindo – Mas saiba que eu nunca ficaria com você, uma sangue-ruim inferior.

A dor que suas palavras causam em mim esfriam meu corpo instantaneamente. É como se eu recebesse um soco no estômago e por breves instantes fico desnorteada.

Gelo corre em minhas veias, enquanto tremo de raiva.

Sou abatida por uma forte ânsia de vômito, enojada com sua expressão triunfante e por meu corpo ter cedido tão rápido a suas investidas.

— Você é um aproveitador maldito – Rosno, ferida.

Ele se aproxima de mim, ainda sorrindo.

— Eu não te forcei a nada, senhorita – Fala, com falsa doçura – Na verdade, você estava muito receptiva... Quase oferecendo-se para mim como uma prost...

Suas palavras são cortadas quando minha mão se chocar contra seu rosto. O impacto é tão forte e inesperado que vira seu rosto completamente para o lado. Minha mão arde, mas a dor maior está cravada em meu peito. Mas precisamente, em minha alto estima.

Riddle agarra meu braço, tremendo de fúria, e então me empurra sem delicadeza contra a parede.

— Você pagará por isso, sangue-ruim maldita – Ameaça, tomado por uma cólera assustadora.

Abro a boca pronta para retrucar, mas o que sai dali não são palavras e sim soluços, que pegam nós dois de surpresa. Ele solta meu braço e se afasta, incrédulo.

Encaro o chão, não querendo vê o quanto minha fraqueza convertida em lágrimas deve o satisfazer.

A humilhação que sinto em está chorando na frente dele após quase me entregar de bandeja para mesmo me faz encolher e querer sumir. Se não fosse a parede me apoiando, eu já teria ido ao chão.

Me sentindo pequena e desamparada, reúno coragem para olhar para ele.

Tom encara o chão, aparentemente atordoado. Suas sobrancelhas estão arqueadas e ele parece fazer um esforço sobrenatural para se manter concentrado. Sua face já começa a obter uma coloração rosada.

Quando seus olhos encontram os meus de novo, posso ver brevemente um lampejo de arrependimento passar ali, mas é tão fugaz que não tenho certeza se foi real ou minha imaginação me pregando uma peça.

— Não se meta em meu caminho, Granger – Diz, ainda sem me encarar – Eu não perdoou ninguém, nunca – E com isso vai embora, sem olhar para trás.

“Você é como todas as outras...”

Suas palavras duras queimam em minha mente, sufocando minha voz e meus pensamentos coerentes.

“Fácil de manipular.”

Nunca senti uma dor física tão forte causada por palavras... até esse momento.

“A maldade bebe a maior parte do veneno que produz.”
— Sêneca

Notas finais
Desculpem qualquer erro ortográfico! Desde já agradeço por lerem. Gostaram? O que estão achando da história? Estão gostando do rumo das coisas? Comentem!!! Leitores fantasmas, amarei vocês mais ainda se comentarem. ♥️♥️♥️ Beijos sabor pegação!!