Em um estado de letargia lúcida, com meu coração à galopes, vejo meu feitiço ricochetear em um Protego, não desarmando Tom. Os gritos de Septimus preenchem o ambiente, nauseando-me de imediato.

Cambaleio para frente, trêmula.

Nebolus e Evan e rapidamente bloqueiam meu caminho, parando a poucos passos de mim, apontando suas varinhas diretamente para o meu coração.

O vento uiva por entre as árvores, por minhas roupas, por dentro dos meus ossos. Silêncio. Tudo se desenrolando a minha frente em câmera lenta. Silêncio. Consigo sentir o gosto de cada um dos quitutes que comi horas atrás, antes de Tom sumi, antes do meu coração ser arrancado do peito.

Você era a única que via mudanças aonde só havia escuridão, diz-me uma vozinha sorrateira dentro da minha cabeça. Meu subconsciente. Pisco freneticamente para tentar clarear minha mente e não me deixar ser consumida pela dor.

Prendo a respiração quando diversas varinhas são apontadas para mim. Mas permaneço de cabeça erguida, pronta para me defender.

Por que, Tom? É assim que tudo termina?

Os gritos de Septimus cessam quando Tom se desconcentra para me encarar. Septimus se encolhe no chão gemendo de dor, ainda sentindo os efeitos da maldição imperdoável, presumo abalada.

Meu coração se aperta, sinto meu estômago se embrulhar ainda mais de nervosismo.

Tom encara-me, boquiaberto, ainda com sua varinha apontada para seu alvo. Vejo seus olhos tremularem com diversas emoções passando por ali.

Oscilo, meio tonta.

Por que, Tom?

Aperto com mais força minha varinha entre os dedos, piscando freneticamente para não deixar as lágrimas acumuladas nos cantos dos meus olhos caírem.

Por que, Tom?

Desvio minha atenção para Abraxas por alguns instantes. Ele encara sua varinha com a testa franzida e depois a mim repetidas vezes, incrédulo. O mesmo impediu meu Expelliarmus de atingir Tom lançando um Protego por puro instinto. Sua descrença me diz que seu cérebro ainda não filtrou o que aconteceu.

Por que você não pode mudar só um pouquinho por mim, Tom?

O silêncio reina, com todos encarando-me em um misto de surpresa, descrença e raiva. Sendo a última vinda de Nebolus Lestrange e Pollux Black.

— Hermione – A voz de Tom sai baixa e rouca, perigosa. Ele se afasta com rapidez do corpo de Septimus, andando até mim com uma calma aparentemente inabalável – O que você está fazendo aqui? Como nos achou? – As veias de seu pescoço saltam.

Sinto meu corpo reagir ao som de sua voz; minha boca fica seca, meu coração dispara, meu sangue pulsa, tensionando todos os meus músculos em antecipação. A adrenalina começa a fluir pelo meu corpo, indo e vindo em meu sangue, tirando-me da minha letargia.

Um gemido sôfrego nos distraí. Septimus se arrasta pelo chão, tentando ficar em pé. Mas falha, sem forças.

— Fu-fuja, Hermi-one – Consegue dizer com muita dificuldade, tossindo sem parar. Sem ar.

Alarmes soam em minha mente quando Tom se empertiga, trincando a mandíbula, encarando o ruivo como se ele fosse uma barata prestes a ser exterminada.

Pelo canto dos meus olhos vejo Pollux deslizar sobre a grama rasteira, aproximando-se mais de mim com cautela. Tento manter minha respiração estável, não querendo demonstrar medo. Cercada por Comensais da Morte, a última coisa que eu quero é demonstrar medo.

— No seu smoking – Minha voz sai arranhando minha garganta, baixa e dolorosa, enquanto tento não me distrair da cena a minha frente, mas tentando também me manter alerta em relação ao que me cerca.

Tom se volta para mim, meio confuso, meio raivoso.

Ergo minha mão com a palma para cima, murmurando o feitiço de localização que implantei na flor em seu smoking. Todos entram em alerta. No entanto, Tom permanece impassível, esperando minhas próximas ações.

A flor desliza por entre as camadas de roupas que o mesmo usava, saindo timidamente para fora, levitando no ar. Pegando-a na mão antes que a mesma chega-se até mim, vejo Tom encarar a pequena flor com visível interesse.

Seus olhos me capturam, afogando-me em seu turbilhão de emoções. Com suas pupilas dilatadas, percebo sua mente trabalhando ferozmente.

— Tire-os daqui – Ordena, virando-se para Pollux – E iniciem o protocolo de contenção de danos.

O quê? Não!

Aproveitando-me da distração que a ordem de Tom causa em seus Comensais, movo-me para frente, passando por Nebolus e Evan com rapidez. Eles se sobressaltam, pulando para longe quando passo próximo ao seus corpos.

Agito minha varinha, conjurando um feitiço não verbal, aproximando-me dos nascidos trouxas ajoelhados, encolhidos um próximo ao outro. Ponho-me a sua frente, ao lado do corpo de Septimus.

O fogo mágico que surge da ponta da minha varinha atinge o chão graciosamente, espalhando-se como uma corrente flamejante pelo solo arenoso, cercando-nos com um círculo poderoso de chamas mágicas vermelhas. É magia negra. Não tão poderosa quanto as muitas que sei que Tom usa, mas o suficiente para causar problemas a eles para chegar até nós.

— Não – Falo, trincando a mandíbula – Você não vai machucar essas pessoas.

— Hermione...

Faço que não com a cabeça, apontando minha varinha para ele. Vejo sua postura mudar, ficando mais ereta. Seus olhos brilham em descontentamento e irritação, sua paciência ficando por um fio.

— Essas “pessoas” não são como nós – Ouço começar, carregado de nojo – São sangues-ruins, ladrões de magia. Escória! – Ele cospe as palavras, agitando as mãos lentamente, como se explicasse o porquê do céu é azul para uma criança – Andam por aí como se fossem especiais, zombando das crenças que Salazar Slytherin acreditava. São nossa vergonha. A mancha na nossa sociedade.

Seus aliados uivam em concordância, exaltando suas palavras como uma verdade absoluta.

Balanço minha cabeça, negando.

— Não, isso não é verdade. Eles...

Ele arqueia a mão, parando-me.

— Você não entende – Disparada, friamente – Mas eu te farei entender.

Engulo um praguejar vendo-o aproximar das chamas, calmamente.

— Ah, é? Posso saber como? — Meu cinismo o faz sorrir de leve.

— Claro que pode, mas não agora – Ele meneia a cabeça, desviando sua atenção para Septimus – Primeiro, entregue-me os trouxas e o traidor de sangue – Ordena.

— Não.

Seu suspiro me diz que sua paciência acabou.

— É uma pena, Hermione – Diz, afastando-se do círculo a nossa volta.

Não me surpreendo quando um jato de água cristalina atinge minhas chamas, fazendo-as aumentarem de tamanho e repelir o líquido sem esforço algum.

Seus Comensais olham de mim para Tom, esperando nossas próximas ações, estudando-nos temerosos. Tento não me abalar pelo olhar acusatório que Abraxas me dá.

— Interessante – Riddle comenta, encarando as chama que nos rodeiam.

Aguamenti, constato.

— Magia negra, presumo – Fala apontando para minhas chamas e sorrindo de lado, girando a varinha nos dedos e caminhando à minha frente, indo e vindo, analisando o fogo com atenção – Você não cansa de me surpreender – Seus ombros relaxam quando ele para a minha frente – É uma pena que não é o suficiente para me deter – Ele arqueia as sobrancelhas, desafiadoramente.

Franzo a testa.

Tom me dá as costas, encarando seus servos.

Aproveito essa oportunidade para encarar espaço a nossa volta, procurando os pontos de fuga mais viáveis. O lugar é mal iluminado, com árvores densas e de copas espessas nós rodeando, deixando poucas brechas para correr. Mas é nossa única alternativa.

— Destruam a barreira de fogo usando Ignis Aquae – Instrui, atraindo minha atenção para ele – Então, peguem as cobaias – Seus olhos se voltam para mim, prendo a respiração – Mas, não toquem nela. Hermione não deve ser machucada. Entenderam?

Droga, Tom! Contenho a onda de emoções que me atinge com suas palavras.

Um coro de sim's é ouvido enquanto eles se movem com rapidez, cercando minha defesa.

— Isso não vai ser bonito – Sussurro, não desviando minha atenção de Tom.

— Não, não vai, querida – Responde, apontando sua varinha para mim.

Meu coração falha algumas batidas, mas não deixo com que isso me atrapalhe. Concentro-me no fogo que me cerca, fazendo-o responder a minha magia.

É a hora, meu cérebro grita para mim.

Usando todo o controle que consigo reunir, deixo minha magia fluir com rapidez. As chamas respondem ao meu comando não verbal, tremulando, expandindo-se, elevando-se com uma velocidade assustadora até se tornarem um cilindro de 3 metros de altura, fechando-nos deles. O calor que nos fecha é escaldante, sinto de imediato a temperatura do meu corpo se elevar.

Gotículas de suor se formam na minha testa, nuca e colo.

Praguejo quando minha parede circular de fogo é bombardeada pelos Ignis Aquae de seus seguidores, fazendo com que poderosos jatos de água negra se choquem com as chamas e diminuam sua potência, abrindo caminho por entre os espaços mais fracos do fogo.

Mantenho meu controle, usando do vento frio da noite para deixar as chamas mais largas e poderosas. Usando o ar como combustível natural.

Lanço um Abaffiato a nossa volta, impedindo-os de escutarem o que vou falar para os garotos.

Seus rostos empatados de suor e medo me desconcertam.

— Minha barreira não vai segurá-los por muito tempo – Revelo, fazendo seus olhos saltarem das orbes em puro medo — Preciso saber se vocês conseguem correr?

Eles acenam positivamente de imediato.

— Muito bem – Me viro para o avô de Rony – Você consegue, Septimus?

— Não vou te deixar – Diz, arrastando-se até ficar de joelhos – Não vou fugir e te deixar — Decreta.

— Não preciso que você fique. Não quero que nenhum de vocês fiquem – Aponto para a barreira, vendo suas chamas falharem em algumas partes, começando a não suporta a carga de seus feitiços – Não posso lutar tendo que me preocupar em proteger vocês. Preciso que fujam para o castelo.

— Não sabemos como sair daqui – Ouço um deles falar, seus olhos verdes arregalados, suas bochechas vermelhas e seu cabelo despenteado e sujo de folhagem – Como vamos chegar ao castelo? – O pânico em sua voz é palpável.

Faço oito flores se desprenderam do meu vestido, levitando até eles. Tento não presta atenção na minha roupa, principalmente, na sujeira na barra do vestido e nas folhagens espalhadas por todo o tecido da roupa. Minhas vestimentas eram o último dos meus problemas.

— Cada um de vocês, peguem uma das flores e guardem elas consigo – Ordeno, fazendo-os me obedecerem de imediato, agarrando as pequenas flores como tábuas de salvação – Quando estiverem longe o suficiente, apenas digam o nome Hogwarts e elas lhe mostraram como chegar ao castelo.

Eles assentem.

— Estamos sem nossas varinhas – Septimus lembra, atraindo a atenção de todos para si. Seus olhos esquadrilham meu rosto – Podemos ser facilmente mortos aqui.

Ouço alguns arfas de medo vindos dos alvos de Tom ainda encolhidos no chão.

— Não, não se vocês correrem apenas para frente – Explico, vendo uma brecha do tamanho de uma goles se formar na barreira de fogo. Fecho meus olhos e tento concertá-la, forçando minha magia a unir o buraco.

— Eu não vou te deixar, Hermione – Ouço o ruivo fala, decidido.

Quando abro-os de novo vejo que o tamanho diminuiu, mas não fechou.

Não tenho forças o suficiente para manter o feitiço ativo com tantas pessoas o bombardeando.

— Não estamos muito longe do castelo. Se vocês apenas correrem pelo mesmo lugar em que vim, chegaram lá em segurança. Não se separem das flores enfeitiçadas, elas lhe mostraram o caminho para Hogwarts – Vejo temor e dúvida em seus olhos. Septimus balança a cabeça em negativa – Preciso que vocês façam isso, entendem? Não posso protege-los se não fizerem. Manterei eles o mais longe de vocês que eu puder. Eu prometo. Mas, vocês precisam fugir.

Eles engolem em seco, confirmando com a cabeça.

— Muito bem – Elogio, encorajadora – A vantagem máxima que posso dá a vocês é de 10 segundos – Revelo, sentindo meu sangue gelar em ansiedade – O feitiço que vou usar é extremamente forte, e ninguém consegue mantê-lo por mais que 10 segundos. Por isso, quando eu gritar corram, vocês terão que correr o mais rápido que conseguirem.

Que Merlin me ajude eu consiga mantê-lo por 10 segundo mesmo.

— Eu não vou...

— Chega, Septimus! – Soou mais agressiva do que quero, assustando a todos – Não posso te ter ao meu lado, você está sem sua varinha. É um peso morto, infelizmente – Abrandou meu tom de voz – E te manter comigo só inflamaria ainda mais a raiva de Tom – Troco o peso dos pés, erguendo minha varinha para frente, sentindo minha magia falha em manter a barreira intacta – Preciso que Tom esteja apenas concentrado em mim – Concluo, vendo o fogo se dissipar perante os jatos de água.

— Hermione...

— Preparem-se! – Ordeno, ignorando a forma suplicante com a qual Septimus diz meu nome – Assim que o fogo cair, corram!

Eles se põem em pé, atrás de mim. Septimus é o último a se ergue, recusando a ajuda dos outros. Posso ver pela forma lenta com a qual ele se movimenta, que o mesmo está destruído fisicamente.

Em um movimento rápido aponto minha varinha para ele, que arregala os olhos surpreso, em seguida murmuro um feitiço revigorante. Sua postura automaticamente muda. Posso vê o alívio refletido em seus olhos.

— Obrigado.

Não responde, sentindo que nosso tempo acabou.

Quando a barreira de fogo cede, destruída pela água densa e negra, deparo-me com Tom parado a poucos metros de mim. Seus olhos vão de mim para Septimus, distingo ciúmes entre as emoções que passam por seu rosto.

Ele abre a boca para falar, mas já estou com a varinha apontada para ele, gritando para os garotos correm.

— Arresto Momentum – Sussurro, trêmula, vendo seus olhos se arregalaram de surpresa.

E então, minha magia se expande, atingindo ele e todos os seus Comensais, congelando-nos. Não vejo em que momento do meu grito os meninos correram, ou qual direção tomaram. Apenas me entrego ao feitiço, deixando-o diminuir o ritmo de todos os meus alvos no tempo.

Seguro a respiração, sentindo a magia de Tom resistir a minha prisão, fazendo meu corpo tremer com a intensidade de sua força.

Não vou conseguir...

— Merda! – Grita, libertando-se do meu feitiço após 6 segundo resistindo.

Quando sua varinha expeli um Petrificus Totalus em minha direção, sou obrigada a dissolver meu feitiço para me desviar do seu. Deslizo para a esquerda, vendo o Petrificus atingir o chão.

Conjuro um Avis, fazendo dezenas de pequenos pássaros negros saírem da minha varinha e irem em sua direção. Tom para-os com um Incendium, produzindo um grande jato de fogo com sua varinha.

Sem esperar que seus Comensais se recuperem da lentidão mental que o Arresto Momentum propícia em humanos, lanço dois Estupefaço, um em direção a Pollux e o outro em Evan, os mais próximos de mim.

Evan é atingido, seu corpo se chocando violentamente contra a árvore atrás de si, desacordando-o de imediato. Já Pollux consegue desviar, se jogando no chão. Em retaliação, ele me lança um Estupore no mesmo instante que atinge o solo, o qual consigo repelir com um Protego.

— Eu disse sem atacá-la – Tom rosna.

Ele se encolher, assustado.

Caminho para trás, estudando meus próximos movimentos enquanto dou distância entre nós.

— Desculpe-me, Milord – Pede, levantando-se apressado – Foi um reflexo, eu sinto muito.

— Idiotas – Grunhe, apontando a varinha para mim – Pare aí mesmo, Hermione. Não me obrigue a duelar com você.

Paro, mesmo não querendo acatar seu comando.

— Persigam os sangues-ruins e os capturem – Ordena, elevando seu tom de voz, encarando-me com seriedade – E Abraxas, você já sabe o que fazer – Conclui enigmático. Mas sem encarar o Malfoy — E por Merlin, alguém tire esse idiota desacordado daqui — Conclui, apontando para Evan.

— Sim, Milord — Nebulos responde, indo até o Rosier.

Vejo pela minha visão periférica Abraxas disparar por entre as árvores, correndo com sua varinha em punho para longe de nós. Meu primeiro instinto é tentar impedir o mesmo com um Petrificus Totalus. No entanto, não tenho tempo de conjurar o feitiço, tendo que repelir o Expelliarmus de Tom com um Protego.

Aproveitando-me de sua disposição para duelar, lhe lanço um Immobilus, que ele repele com um escudo mágico invisível.

Pulo para a direita quando uma bola de fogo vem em minha direção. O feitiço atinge o chão. Lanço-lhe um Estupefaça, que ele repele com um Protego.

Antes que eu possa pensar em lançar um contra ataque, um Impedimenta vem em minha direção. Desvio do feitiço me mergulhando para a esquerda, mas não escapo de ser atingida por um Confundus.

A força do seu feitiço é tão intensa que, caio de joelhos instantaneamente, com meus sentidos turvados, mente desorientada e minha cabeça pesada.

Apoio-me no chão com as mãos, ficando curvada para baixo, temendo desmaiar. O solo embaixo de mim é escuro e macio, mas o que prende minha atenção é como meus olhos estão capturando as minhas mãos de forma turvas como se fossem borrões.

Levanto minha cabeça quando passos se aproximando chegam aos meus ouvidos.

Vejo dois Tom's caminharem em minha direção, murmurando palavras que não consigo entender. Tento me focar em algum feitiço defensivo, mas não consigo. Tudo se perde em uma bruma de confusão.

— Finite Incantatem – Consigo sussurrar, apontando minha varinha para mim mesma, lembrando-me que esse feitiço neutraliza outros feitiços se bem conjurado.

Vagarosamente, meus pensamentos vão clareando. Mas não dá forma como quero. Uma forte pontada na parte frontal do meu crânio me atinge, fazendo com que pensar se torne doloroso.

Pisco frenética, tentando induzir minha mente a se recuperar mais rápido, mas só recebendo dor em resposta.

— Você ficará bem – Tom fala, abaixando-se até está na minha altura – Apenas ficará confusa e tonta por um tempo.

Balanço a cabeça de um lado para outro, apavorada.

— Eu não... Não... Eu nã-o consi-go pensar di-reito – Minha voz sai esganiçada, quase histérica.

Sinto suas mãos segurarem meus ombros, puxando-me para cima. Fico em pé com o auxílio do mesmo. Seu cheiro e toque chegam até mim como facadas em meu coração, machucando-me com a familiaridade boa que eles me trazem.

Tento me afastar do seu corpo, percebendo nossa aproximação. Mas acabo tropeçando para trás, quase caindo se não fossem seus braços para me equilibrarem.

— Chega de se afastar de mim, Hermione – Grunhe exasperado, segurando meus braços com firmeza.

Fecho os olhos, tomando a dor em minha cabeça como uma desculpa para não olhar em seu rosto.

Ele murmura algo que não entendo, e rapidamente, minha dor some, dando lugar apenas a uma lentidão mental que não sou acostumada a ter.

— Você vai me machucar? – Consigo perguntar, ainda de olhos fechados.

Seu aperto em meus braços se intensifica. Abro os olhos, assustada. O que vejo em suas íris tempestuosas, me abala. Dor. Cansaço. Mágoa.

— Você acredita mesmo que posso te machucar? – Pergunta, visivelmente perturbado.

— Você já me machucou – Sussurro em um fio de voz, deixando meus sentimentos serem transmitidos por meus olhos – Quando você me deixou plantada no Salão Principal, sozinha, você me machucou mais do que qualquer outra pessoa – Garanto, deixando as lágrimas que tanto segurei começarem a cair – Você me deixou para torturar pessoas, Tom. Pessoas.

Ele se afasta como se eu o tivesse queimado, passando as mãos pelos cabelos.

— Eu não pretendia demorar a volta para você – Diz, caminhando de um lado para outro, consternado – Eu só precisava que aqueles incompetentes aprendessem a usar a maldição cruciatus corretamente em sangues-ruins – Contínua, ajeitando as mãos – Mas eu iria voltar para você e, então, iríamos dançar, comer e transar o resto da noite.

Tenho uma súbita vontade de rir e chorar descontroladamente, percebendo que ele entenderá totalmente errado o que quis dizer.

— Aí meu Deus! – Grito por entre as lágrimas, pegando-o de surpresa – Eu não me importa com isso, Tom. Eu não me importo de você ter me deixado plantada na porra do baile de Halloween – Enfatizo o você, e depois aponto para mim, para o meu corpo – Eu não sou fútil. Eu não me importo com roupas e coisas chiques. Eu me importo com pessoas – Deixo minhas mãos caírem ao lado do corpo, exausta – Você não pode machucar pessoas simplesmente por elas não terem sangue mágico correndo nas veias. Não posso ficar com alguém que faz isso, Tom.

Ele vem até mim como um tornado, agarrando meus ombros com força, provavelmente deixando marcas ali.

— Por que não? – Rosna a pergunta, olhando-me diretamente nos olhos – Por que você não pode me aceitar como eu sou? Partes boas e ruins?

— Tom.

— Me responda – Ordena, puxando meu corpo para junto do seu, em um abraço apertado.

Agarro-me ao seu corpo, enterrando minha cabeça em seu peito, inspirando e expirando seu cheiro.

— Porque não posso ficar com alguém que tortura pessoas por preconceito, Tom – Respondo, baixinho – Fui criada por trouxas. Eles me amaram e eu os amo, eu não posso... Não posso os trair dessa forma.

Seu aperto fica ainda mais forte, chegando a ser doloroso.

— E você não me ama o suficiente para me aceitar por inteiro – Declara quase um sussurro.

Sua respiração está ofegante e áspera noto, e a minha é quase inexistente enquanto tento me concentrar para encontrar um pouco de força mental. E falho.

Libero uma torrente poderosa de soluços entregando-me a tristeza finalmente, deixando minhas lágrimas molharem suas vestes.

— Eu amo você — Consigo dizer com a voz estrangulada e embargada pelo choro.

Seu corpo enrijece.

— Mas não o suficiente – Rebate, afastando-se de mim.

Coloco as mãos na boca, tentando abafar meus soluços.

Me vejo encarando suas costas com um temor horrível de nunca mais vê-lo sorrir para mim, de nunca mais vê-lo me olhar como se eu fosse única pessoa no mundo que importasse.

— Tom... – Paro, não sabendo o que falar. O fim é inevitável.

Minhas lágrimas banham minhas bochechas, escorrendo por meu rosto até caírem e encontrarem o tecido do meu vestido, escolhido especialmente para a pessoa que estava destruindo meu coração.

Ele se vira para mim, a dor em seu rosto é real, palpável. Abraço-me, sentindo meu coração se partir em milhões de pedacinhos afiados e dolorosos.

Um silêncio constrangedor se faz presente. Seus olhos vagueiam por meu corpo, rosto, por minha alma. Nada escapa de sua avaliação afiada.

— Eu quero que você saiba que sua interrupção aqui não deu em nada – Começa friamente, enterrando seus sentimentos. Arquejo, pega de surpresa – Meu plano era avaliar se meus subordinados mais próximos apreenderam a dominar a maldição da dor usando cobaias humanas. E também queria ver a extensão de seu grau de seu comprometimento com a causa – Prossegue, mudando sua postura, ficando mais ereto – Mas eu não sou burro ou descuido. Não ensino à todos os que me seguem magia das trevas.

Franzo a testa, sem entender onde ele quer chegar.

— Eu não entendo.

Tom da de ombros, encarando as árvores frondosas a nossa volta.

— Nem todos os meus seguidores estavam aqui hoje – Comunica, sorrindo de escárnio – Os menos dignos de aprenderem eu deixei de prontidão em Hogwarts para o caso de algum imprevisto acontecer. Por isso, seu showzinho de salvar os sangues-ruins e o traidor não dará em nada. Eles serão capturados e terão suas memórias apagadas – Concluí, dando as costas para mim – Você falhou, Hermione.

E com isso, Tom vai embora, deixando-me completamente petrificada para trás.

Você falhou, Hermione.

Relacionamento significa algo completo, acabado, fechado. O amor nunca é um relacionamento: amor é relacionar-se — é sempre um rio fluindo, interminável."

— Osho

Notas finais
Olá, meus amores ❤️ Realmente espero não ter decepcionado ninguém com esse capítulo. Amei escrevê-lo, mas também odiei. Ele marca o fim do relacionamento deles dois no passado (chorando aqui). Quero dizer a todos que após o próximo e último capítulo no passado, a Mi volta para o seu tempo. Teremos fortes emoções e muito choro, por favor, não me matem kkkk Tentarei ao máximo postar o próximo capítulo até o fim desse ano. Mas se eu não conseguir, logo na primeira semana de 2020, eu posto. Quero deseja de antemão a todos um fim de ano abençoado e repleto de amor, paz e alegria. Vocês foram minhas bençãos em 2019, e torço muito para que sejam em 2020 também. Me despeço desse ano muito feliz e honrada por ter vcs como leitores. Obrigada por todos os comentários e elogios. Vcs são incríveis, nunca duvidem disso. Amo vcs ❤️ Beijinhos sabor amor infinito!!