Notas iniciais
Enjoy!

A porta é aberta sem cerimônia alguma, um ruivo histérico entra na ala hospitalar como um tornado. Sua semelhança com Rony não deixa dúvidas de quem é ele. Septimus Weasley, pai do Sr. Arthur Weasley.

— Onde ele está? Charlus Potter, ele está bem? – Pergunta à madame Cassandra, gesticulando loucamente com as mãos, nervoso.

— Calma, meu jovem – Pede ela, impaciente – Ele está ali, são e salvo.

A medibruxa aponta para onde estamos, então, ele vem em nossa direção, consternado. Seu rosto está vermelho e sua postura tensa, denunciando sua preocupação.

— O que... Como aconteceu? – Pergunta, olhando diretamente para Dorea. Provavelmente, sem notar minha presença.

— Ele... Ele... Oh, Septimus! Estamos arruinados... – Ela cai aos prantos, abraçando o ruivo com força – Pollux... Pollux, viu... Ele nos pegou... Foi tão rápido! – Fala, com a voz entrecortada pelos soluços.

Aquelas são as primeiras palavras que ela diz desde o momento que entramos ali. E mesmo sem saber direito o que aconteceu, me mantinho ao seu lado, solidaria. É isso que amigos faziam.

— Vocês foram descuidados, Dorea – Começa, tristemente – Charlus foi um tolo romântico por ter te roubado um beijo no corredor movimentado. O que ele estava pensando? – Pergunta para si mesmo – O maldito do Pollux ter visto foi a merda do destino fodendo com tudo – Pragueja, enraivecido. Ela chora ainda mais ruidosamente, não contendo sua tristeza – Vamos, não chore. Daremos um jeito... – Diz Septimus, sem convicção alguma na voz.

Afago as costas de Dorea, tentando lhe passar conforto. Ela se solta dele e me abraça com força, enterrando seu rosto em meu pescoço e chorando capciosamente.

O avô de Gina me lança um olhar de desalento, comovido com a tristeza da garota.

Envolvo meus braços em torno dela.

— Tudo ficará bem, Dorea – Digo, convicta – No final, vocês permaneceram juntos.

Ela se separa de mim e me encara abatida.

Meu peito se aperta vendo-a assim, tão desiludida e enfraquecida. Seu evidente amor por Charlus é sua força matriz, sem ele, a mesma se encontra perdida.

— Como? É Impossível! Minha família nunca aceitará nosso relacionamento – Declara, derrotada – Eu tentei... Tentei esquecê-lo, mas não consegui. E agora, meu irmão... Ele não vai aceitar isso, tenho medo... Se ele contar aos meus pais... – Ela se detém, e volta a chorar, dessa vez soluçando tanto que seu corpo se sacode em espasmos.

Abraço-a com mais força, e de esgueiro encaro o Weasley ao nosso lado. A semelhança dele com Rony é assustadora. O mesmo está pálido e frustrado, encarando o amigo desacordado na cama à nossa frente, como se o destino dele já estivesse selado. Nenhum dos dois parece ter esperanças de um final feliz naquela história, mas eu sei que eles ficarão juntos. Só não posso revelar.

[...]

Quando Charlus acorda, sinto que minha presença ali só atrapalhará as coisas. Vendo os dois se abraçarem, percebo que eles precisam de privacidade para acertar as coisas. Por isso, após exprimir os meus mais sinceros desejos de ver-lhe bem, puxo Septimus para fora da ala hospitalar. O grifinoriano me acompanha aos tropeços, confuso.

— Eles precisam de privacidade – Explico, quando já estamos do lado de fora da ala hospitalar – Não existe nada que façamos ou digamos agora que posso resolver seus problemas. Os dois precisam acertar as coisas entre si sem interferência.

Ele faz que sim com a cabeça, pensativo.

— Com tudo o que aconteceu, eu nem me apresentei — Lembra-se, batendo com a mão na cabeça – Sou Septimus Weasley.

Ele estende sua mão para mim, cavalheiresco. Aperto-a com prontidão, feliz por conhecer mais um parente dos meus amigos.

— É um prazer, sou Hermione Granger – Apresento-me.

— Eu sei, você é famosa – Fala, sorrindo maroto.

Dou de ombros, indiferente a isso.

— Não acredite em nada do que dizem, as pessoas tem o péssimo hábito de transformarem a verdade em um verdadeiro espetáculo sensacionalista – Afirmo, azeda.

A imagem de Rita Skeeter me vem a mente, e todas as suas mentiras sobre Harry e eu termos um "romance adolescente" no Torneio Tribruxo.

Ele solta uma breve gargalhada, divertido.

Franzo a testa, confusa.

— Não sei o que significa a palavra sensacionalista, mas gostei de como soa – Ele sorrir largamente – Gostei de você, Hermione.

Sorrio em resposta, feliz por isso.

Breves e barulhentas batidas de palmas me assusta, fazendo meu coração disparar. Septimus solta diversas exclamações de raiva baixinho ao vê quem está atrás de mim. Quando me viro, me deparo com um Riddle sorrindo predatoriamente para nós.

Seus olhos brilham de repulsa, olhando de Septimus para mim.

— Realmente uma cena comovente – Diz, sarcástico, enquanto aproxima-se a passos largos – Vejo que você já está se misturando com pessoas do seu nível, Granger – O nojo presente em sua voz é enervante – É bom mesmo que você conheça o seu lugar.

Reteso minhas costas em indignação.

— Não seja desagradável, Riddle – Rebato, irritada.

Ele ignora minhas palavras e encara Septimus com animosidade.

— O que aconteceu com seu amiguinho traidor do sangue foi um infortúnio e tanto, você não acha? – Começa, provocador. Vejo Septimus fechar os punhos em claro sinal de fúria – Dá próxima vez, talvez ele não tenha tanta sorte como hoje – O tom sombrio de ameaça presente em sua voz me faz arrepiar.

Cruzo meus braços e luto contra o instinto de mandá-lo ir embora.

Septimus engole em seco, mas não cede à visível provocação. Parabenizo-o, mentalmente.

Tom sorri de lado, zombador.

Por um momento me pergunto como alguém tão lindo pode ser tão mal. Beleza sórdida.

— Avisem ao casalzinho feliz que o diretor que vê-los em sua sala – Fala, dando as costas em seguida e indo embora.

Vejo o mesmo se afastar à passos largos, como se tivéssemos alguma doença contagiosa.

— Eu o odeio tanto – Murmura um Weasley trêmulo de raiva ao meu lado.

Contra essas palavras eu não tenho defesa, Riddle é odioso de todas as formas possíveis. E eu mais que ninguém sei disso.

[...]

Não volto a vê Dorea até pouco antes das 22hrs da noite, quando ela é escoltada por Lena até nosso dormitório. As duas perdem as aulas da tarde e o jantar, ficando na Ala Hospitalar com Charlus e Septimus. Mas só descobri isso ao revê-las à noite e perguntar. Até então eu acreditava que só a Black estava com o Potter lá.

Tento não me aborrecer por não ter sido chamada para ficar com eles, afinal, querendo ou não, eu ainda sou uma estranha no ninho. Dois dias é pouco tempo para criar lanços de confiança com as pessoas, e eu posso entender que esse é um momento delicado para eles, e só os mais próximos e antigos amigos devem partilhar dessas confidenciais.

Dorea se arrasta pelo quarto sem vida, tomada por uma tristeza sem fim. Meu coração se parte ao vê-la assim, desolada. Gostaria de poder contar que no futuro eles se casarão e viverão juntos até o resto de suas vidas.

Encaro o chão, enquanto escuto a Black caminhar até o banheiro e se trancar lá para chorar.

— Eles terminaram – Sussurra Lena para mim – Foi horrível! De partir o coração...

Suspiro, entristecida.

— Eu ainda não entendo... — Início, mas me detenho, com medo de piorar as coisas.

Ela se senta ao meu lado, e começa a me explicar a história.

— Tudo começou com trocas de olhares singelas, algumas risadinhas e conversinhas bobas, mas nada muito sério – Diz, concentrada em lembrar dos fatos – Mas no Halloween do ano passado, que é promovido para apresentar aos bruxos puro-sangue um pouco da cultura trouxa de alguns lugares, e vários drinks bebidos por ela, eles ficaram juntos, e então o relacionamento se desenrolou meteoricamente.

Lena passa as mãos no cabelo, ansiosa.

— Os rumores começaram a circular no início desse ano letivo, mas ganharam força a uns dois dias, eu acho – Sussurra, temerosa – Quando isso chegou aos ouvidos de Pollux, ele ficou transtornado e ameaçou Dorea... Se ela não termina-se; “seja lá o que estiver havendo entre vocês” – Ela faz uma breve imitação da voz dele – Ele contaria para seus pais e isso seria catastrófico, Hermione. Você não os conhece, mas... Bem, eles são terríveis. Não duvido em momento algum que eles deserdariam Dorea se soubessem – A mesma morde seu lábio inferior – Ontem quando te conhecemos, você lembra que te deixamos sozinha para irmos resolver um assunto importante?

Faço que sim com a cabeça, lembrando que eu saí do dormitório convicta de que eu não iria pedir nunca a ajuda de Riddle para achar a sala de Dumbledore ou para qualquer outra coisa. E no final, ele me levou até lá, infelizmente.

— Bom, eu fui ajudar Dorea a encontrar Charlus sem serem pegos – Explicar-me – Eles conversaram e a princípio ela quis terminar com medo do irmão, mas ele prometeu que seria mais cuidadoso e que Pollux não descobriria. No entanto, hoje mais cedo, em um ato estúpido devo dizer, ele roubo-lhe um selinho no corredor ao saírem da aula de adivinhação – Lena suspira, cansada – Pollux viu e o resto você sabe.

Mordo meu lábio inferior, irritada.

— Preconceito de merda – Murmuro para mim mesma em voz alta.

Lena concorda com a cabeça e juntas ficamos paradas, encarando o nada até Dorea sair do banheiro.

— Você está com fome? Eu poderia pegar algo pra você comer na cozinha – Proponho, inquieta.

Eu sinto que preciso fazer algo para ajudar-lhe, nem que seja providenciando uma refeição.

— Obrigada, Hermione – Ela se deita na cama de barriga para baixo e enterra um pouco o rosto no travesseiro – Mas não estou com fome, só quero dormir...

Me ajoelho ao lado da cabeceira de sua cama e acaricio suas madeixas pretas.

— Eu gostaria de poder ajudar – Sussurro em desalento – Você não merece passar por isso, e eu sinto muito por tudo que está acontecendo.

Ela sorri fracamente, enquanto lágrimas indesejadas escorrem de seus olhos.

Lena deita-se ao lado dela na cama e a abraça com força, sussurrando palavras confortadoras. Continuo embalando a mesma com carícias em seu cabelo.

— Eu odeio o seu irmão – Sussurra a loira, amargurada.

Concordo com a cabeça, irritada demais para falar.

— Eu o entendo – Afirma, Dorea, nos pegando de surpresa.

Ela está louca?

— Como? – Pergunto, embasbacada.

Ela o entendia? Porquê?

Lena se senta na cama, tão confusa quanto eu.

— Você está brincando, não é? – A voz de Lena sai esganiçada pela descrença.

Dorea vira-se de barriga para cima, encarando o teto sem ânimo. A falta do brilho habitual em seus olhos me preocupa.

— Pollux é um ano mais velho que eu – Começa, cruzando os dedos em cima da barriga – Desde novinhos fomos muito unidos, mas até do que com meus outros irmãos. Costumávamos dizer que tínhamos uma ligação de gêmeos, só que nascidos com um ano de diferença – Ela sorri entre lágrimas — Ele foi criado para ser o chefe da casa na ausência do meu pai e meu protetor onde quer que eu estivesse. Sempre desempenho esse papel com perfeição – Dorea faz uma pausa e respira fundo.

Posso ver que a torrente de lembranças que ela está revivendo é dolorosa demais no momento. Dorea está dividida entre a família e o amor que sente por Charlus. Partida ao meio por decisões tomadas e por ser quem é.

— Meu pai é sádico – Confidencial, baixinho – Foram incontáveis as vezes que Pollux foi surrado por minha culpa, por meus erros e desobediência. Ele sempre deu o seu melhor para que nenhum de nós, principalmente eu, sofrêssemos danos físicos pela maldade de nosso pai – Seu semblante é de pura dor ao lembrar-se dessas coisas – Eu me tornei obediente para não vê-lo ser machucado... Não suportava saber que meu irmão estava sendo ferido por minha causa – Ela cobre o rosto com as mãos e começa a soluçar.

Coloco minha mão em seu ombro e massageio ali, sentindo sua tensão acumulada. O sentimento de gratidão que ela nutre pelo irmão é um combustível decisivo para toda essa história, eu consigo vê isso claramente.

— Você não precisa continuar falando, se isso está te fazendo tão mal – Digo, tentando lhe passar tranquilidade.

— Não, eu preciso – Diz, entre soluços — Preciso tirar tudo isso do meu peito.

Lena volta a deitar e abraçar Dorea.

— Nós estamos aqui – Sussurra a loira – Leve o tempo que precisar...

Ficamos em silêncio por alguns momentos, apenas escutando nossos corações frenéticos baterem descompassados.

— Desde pequenos fomos ensinados a odiar nascidos trouxas e quem quer que se associe-se a eles – Ela me encara, deprimida – Antes de nos falarem sobre amor, ensinaram-nos a odiar os não nascidos de pais mágicos... Por isso, eu não o culpo, não daquela forma que eu transpareci mais cedo. Eu nunca conseguiria odiar Pollux — Sussura a última parte como confissão — Entendo que ele só está fazendo o que foi ensinado a fazer... Odiando e me protegendo – Ela faz uma pausa, sua boca solta um barulho sufocado.

— Você também foi ensinada a odiar nascidos trouxas, e nem por isso segue o exemplo dos seus pais – Comento, soando mais dura do que me sinto.

Ela faz que não com a cabeça, como se o que eu tivesse falado fosse tolice.

— Antes do Charlus, eu era diferente... – Sua atenção se volta para o teto – Não sentia empatia pelo sofrimento dos nascidos trouxas. Mas ele abriu meus olhos, me mostrou possibilidades... Pollux não teve isso, ele está preso a ensinamentos preconceituosos. E por mais raiva e dor que isso me cause, eu não o culpo. Ele é meu irmão e me ama, e eu o amo – Ela volta-se para mim – Mas eu também amo Charlus... Não quero perdê-lo. Mas não posso fazer isso, meninas... Não posso lutar contra meu irmão assim... Ele fez tanto por mim! – Termina, escondendo de novo seu rosto nas mãos.

Encaro o chão, refletindo sobre suas palavras, enquanto a mesma volta a chorar ruidosamente.

“Às vezes no amor ilícito está toda a pureza do corpo e alma, não abençoado por um padre, mas abençoado pelo próprio amor.”

— Clarice Lispector

Notas finais
Gostaram? O que acharam desse pequeno resumo sobre "nosso malvado não tão favorito" Pollux? Mereço muitooooooos comentários? O próximo capítulo está quase finalizado, postarei até sábado. Obrigada por lerem até aqui ♥️ Beijos sabor proteção máxima!!!