Notas iniciais
Enjoy!

Retiro o livro de couro da prateleira em busca de distração, limpo sua capa empoeirada e o abro, mas não consigo me perde em suas páginas, tendo que reler três vezes a mesma linha para pode filtrar duas ou quatro palavras.

Como seria deixar tudo para trás?

Essa pergunta vinha rondando minha mente desde o momento que Tom declarara-me como sua, há poucas horas atrás.

Mordo meu lábio inferior e folheio as páginas amareladas, passando meus olhos de relance sobre o seu conteúdo.

Há um bom tempo eu não vinha pensando sobre o que eu deixei para trás, pois estava disposta a viver um dia de cada vez até chegar o momento em que teria que voltar. Mas agora, após aquelas simples palavrinhas de posse, algo despertara em mim. Um desejo avassalador de querer ficar, de querer testar os limites de seu desejo por mim, de querer ouvi-lo dizer as outras três palavrinhas mágicas.

Mas para tal, eu teria que desistir de tudo e todos que já conheci de verdade, desistir do futuro e causar mudanças catastróficas no tempo, mudanças que afetariam tudo. O peso da responsabilidade de afetar a vida de inúmeros bruxos não me deixaria dormi a noite, mas o desejo egoísta que se apoderava de mim não se importava com isso.

Fecho o livro e o devolvo para a prateleira, saindo da biblioteca a passos largos.

Eu não posso ser egoísta, não com as pessoas que fariam de tudo por mim. Elas não merecem essa deslealdade.

O rosto de Harry, Rony e meus pais me vem a mente, trazendo-me uma excruciante saudade, respiro fundo para equilibrar meus pensamentos. Tom se infiltra em minha mente sorrateiramente, apagando os garotos da minha mente. Seus olhos tempestuosos me fitam com seriedade, mas seu sorriso lateral instiga-me.

Balanço minha cabeça, tentando clarear meus pensamentos.

Não posso ficar, penso, sentindo o oxigênio do meu corpo ser roubado de mim.

Lágrimas grossas se acumulam nos cantos de meus olhos, enquanto me obrigo a caminha para longe de todos, não querendo chamar atenções indesejadas.

Não posso ficar aqui.

[...]

Já deveria passar das 16hrs quando decido abandonar o Lago Negro e voltar para dentro do castelo. Levanto-me do chão sentindo meus músculos protestarem por estar a tanto tempo na mesma posição.

Limpo meu rosto usando as costas da minha mão, tentando tirar quaisquer resquício de lágrimas que pudessem denunciar meu estado conturbado.

Faço o caminho inverso ao que fiz para chegar ali, passando por entre as árvores sem me preocupar em apressar o passo.

Empurrando a questão de querer e não poder ficar, decidi entre lágrimas conversa com Morgana antes de tomar qualquer decisão. Ela me deve respostas, e eu pretendo buscá-las com afinco.

Meus sentimentos por Tom estão ficando cada vez mais fortes, e eu preciso entender melhor isso também, constato, ao me lembrar que eu também declararei minha posse sobre ele.

O que eu estava pensando ao dizer aquilo? Me pergunto, aborrecida. Eu não sou possessiva. Tom não é minha propriedade e eu não sou a dele.

Quando o rosto de Amanda McCreary me vem a mente, torço o nariz em desgosto, lembrando de como ela me acusara de ser uma versão menos gostosa dela.

Garota estúpida.

Sou despertada das minhas análises internas quando estou perto do castelo e uma voz conhecida me chama.

— Septimus?

Ele vem andando apressadamente até mim, com suas bochechas vermelhas e a respiração ofegante.

— Oi – Fala, parando a poucos passos longe de mim.

— Tudo bem? – Pergunto, preocupada.

— Sim, e com você?

Faço que sim com a cabeça, encarando o mesmo.

— O dia está lindo – Comenta olhando para o céu nublado – Eu amo cinza – Ele coça o pescoço, claramente nervoso – Minha mãe me disse que eu nasci em um dia chuvoso, e que quando eu era pequeno amava brincar na chuva. Me sujava de lama e ainda saia rolando nos lençóis limpos dela – Sua risada flui para fora de sua boca, me fazendo ri também.

— Aposto que ela ficava muito brava com isso.

Ele balança a cabeça, confirmando.

Seu sorriso cheio de dentes me contagia. Me pego comparando sua personalidade com a de Rony e fora a fome descomunal que eles dois tinham, a semelhança acabava aí.

— Você está feliz? – A seriedade em sua voz me pega de surpresa.

— O quê? – Pisco, aturdida.

As pontas de suas orelhas ficam vermelhas, ele pigarreia, desconfortável.

— Você está feliz namorando o Riddle? – Pergunta, encarando-me.

Pega de surpresa por suas palavras, cambaleio para trás, encarando o mesmo com os olhos arregalados.

Um silêncio constrangedor se instala entre nós, ele esperando uma resposta e eu sem saber o que responder.

— Você não precisa responder – Recua, constrangido – Eu não deveria ter perguntado isso – Conclui, afastando-se com rapidez.

— Septimus — Chamo-o, mas ele não para.

Sigo o mesmo para dentro do castelo, apressada.

— Septimus, espere, por favor – Peço, quase ofegante.

Ele para, mas permanece de costas por alguns segundos. Dou a volta no mesmo e me ponho a sua frente, encarando seu rosto com determinação.

— Você não pode perguntar para as pessoas se elas estão felizes, porque felicidade é algo relativo – Começo, organizando o máximo que consigo meus pensamentos – O que te deixa feliz pode não me deixar feliz, e não existe problema algum nisso. Mas... – Respiro fundo, encolhendo meus ombros – Mas vou te responder da forma como eu posso... Eu me sinto valorizada, me sinto sexy e poderosa com ele. Mas também me sinto frágil, insegura e assustada. Sinto que posso... Eu não sei... Conquistar o mundo, talvez? – Desvio minha atenção para suas mãos fechadas em punho – Eu nunca me senti assim antes, então sim, para os meus padrões, eu estou feliz com ele.

— Você sabe como destruir as esperanças de um cara – Murmura.

Volto a encara-lo, me surpreendo com seu rosto contorcido em uma careta.

— Você encontrará a pessoa certa, Septimus – Sussurro, colocando minha mão em seu ombro, tentando conforta-lo – Você é uma pessoa incrível.

Ele se desvencilha do meu toque e se afasta de mim, minha mão fica parada no ar.

— Não preciso da sua piedade – Afirma, magoado – Quando você se arrepender, porque eu sei que você vai, espero está lá para te dizer: eu te avisei — Arregalo os olhos, chocada, recebendo suas palavras como um soco no estômago – Ele vai te destruir, Hermione. Seja lá quais forem as qualidades que você vê nele, no final, não te salvaram de ter seu coração esmagado pelo exemplar Tom Riddle.

Septimus para ao meu lado, evitando olhar para mim. Fico em silêncio, esperando os próximos golpes.

— Eu reservei essa semana toda para treinar Quadribol com meu time, teremos que nos encontrar na próxima para resolvermos as coisas sobre o trabalho – Dispara, olhando para além de mim.

A frieza em seu rosto me assusta.

Suas palavras acertaram em cheio todos os meus medos, mas eu não queria que ele visse isso. Septimus não teria o gostinho doce de me vê desabar.

— Trabalho? – Só quando a pergunta sai por entre meus lábios é que me recordo do trabalho de feitiços e que minha dupla era ele – Ah, claro! E amanhã eu tenho a reunião do Clube do Slughorn também, então... Sem problemas, temos tempo – Digo, trocando o peso dos pés.

Ele acena positivamente e vai embora sem olhar para trás.

Solto a respiração que nem sabia está prendendo e fico estagnada no lugar por alguns minutos, sentindo-me péssima pela situação em que nos encontrávamos.

[...]

Eu devia estar num sono muito profundo, pois mesmo ao ouvir alguém andando pelo quarto, minha cabeça está tão cansada, tão confusa, que nem sequer abro os olhos.

— Lena, é você? – Resmungo, tentando me libertar da névoa que encobria meus pensamentos – Dorea? – Espero uma resposta que não vem até uma porta ser fechada as pressas.

Abro meus olhos, desorientada.

Me sento na cama de supetão, encarando todos os recantos do quarto e sentindo meus sentidos irem despertando aos poucos. Quando constato que estou sozinha, acalmo meus batimentos cardíacos acelerados.

Suspiro, esfregando meus olhos.

O cômodo estaria quase todo tomado pela escuridão se não fosse o abajur acesso no criado mudo ao lado da minha cama. Tento puxar pela memória o momento exato em que o liguei, mas não me recordo.

Chuto as cobertas para longe, sentindo meu sono ir se esvaindo de acordo com que minha mente trabalha através da névoa.

Assim que meus pés aterrissam no chão frio, me arrepio. Grunhindo como um animal ferido, cambaleio para fora da cama. Logo que dou meu primeiro passo sinto meu pé esquerdo aterrissar em uma superfície diferente da do chão.

Franzo minha testa, me abaixando para pegar a pequena carta lacrada que estava caída inofensivamente ali.

— Você não estava aqui mais cedo – Falo em voz alta para mim mesma.

Volto a me sentar na cama, encarando o envelope lacrado em minhas mãos. O friozinho na barriga que sempre me acompanhava quando eu recolhia essas cartas do chão se faz presente, mas dessa vez ele trás consigo um gosto amargo para minha boca.

Eu não precisava abri-la para saber que eu não gostaria do que estaria ali escrito, mas não era esse o motivo do meu desconforto. Algo estava totalmente errado.

Todas as cartas ou bilhetes que encontrei no quarto nunca adentraram tanto o cômodo, o mais longe que chegaram fora aos pés da cama, e só se a pessoa joga-se eles por debaixo da porta com força o suficiente para isso. Mas o papel em meus dedos fez um percurso anormal.

Encaro a porta por alguns minutos antes de me voltar de novo para a carta em minhas mãos.

Nenhum dos outros “recados” que eu havia recebido desde o começo de meu namoro com Tom haviam me agradado, então, eu não via motivos para aquele ser diferente dos demais. Por isso, há alguns dias parei decididamente de lê-las. Com o tempo, a quantidade está diminuindo, e esse é meu único consolo.

Me ajoelho no chão, puxando de debaixo da minha cama uma pequena caixa de madeira quadrada. Abro-a, encontrando uma pilha de envelopes de diversos tamanhos e bilhetes amontoados nos cantos. Jogo a carta de qualquer jeito na caixa e fecho.

Empurro-a de volta para debaixo da cama, levantando-me. Alcanço meu roupão preto pendurado na cabeceira da cama e visto-o.

Meu sono se esvaiu no momento em que a porta fora fechada, e agora, a única coisa que me resta é tentar encontrar uma forma de me distrair para conseguir dormir.

Meus olhos recaem sobre as camas perfeitamente arrumadas.

Não estou surpresa por Lena não está em sua cama, pois como ela mesma garante, seu namoro com Evan Rosier anda consumindo muito de seu tempo. Mas Dorea não estar no quarto antes do toque de recolher é no mínimo preocupante para mim, e apesar dela andar afastada demais, raramente ficando conosco mais que as poucas horas das aulas, isso não é do seu feitio. Por isso, movida por preocupação e por não querer ficar sozinha no quarto decido dá uma pequena ronda pelas masmorras atrás dela.

[...]

Caminho pela penumbra, evitando fazer o máximo de barulho possível. O frio dos corredores me faz arrepiar e tremer os lábios ligeiramente. A atmosfera sombria do ambiente me deixa em alerta, enquanto que com os olhos examino todos os recantos do lugar a procura de alguma ameaça.

Dou uma última volta antes de sair complemente das masmorras, concluindo meu percurso e constatando que Dorea não estava ali. Nem ela, nem Lena estavam a vista. Isso me inquieta.

Cruzo meus braços, analisando minhas próximas opções.

Eu tenho uma vaga ideia de onde e com quem ela poderia estar, mas ir até lá essa hora da noite era perigoso. Eu levaria uma detenção na certa se fosse pega, a não ser que quem me encontrasse fosse Tom.

Braços fortes rodeiam minha cintura, me pegando totalmente de surpresa. Com o choque inesperado da invasão do meu espaço pessoal solto um gritinho agudo, debatendo-me em seguida para me libertar.

— Sou eu, Hermione – Tom sussurra para mim, atordoado, acalmando-me quase instantaneamente com sua voz.

Relaxo sob seus braços, encostando minha cabeça em seu ombro e fechando os olhos, escutando minha pulsação martela em meus ouvidos.

— Você está tremendo – Ouço ele falar, aconchegando-me ainda mais em seus braços e envolvendo-me com o calor de seu corpo.

Em meio ao pânico que me atingira eu não registrei seu cheiro característico, e isso me envergonha. Sinto minhas bochechas corarem.

— Desculpe-me, eu pensei... – Não termino a frase, incapaz de explicar para ele que eu não pensara em nada, apenas surtara de repente.

— Tudo bem, querida – Garante, beijando meu pescoço.

Me derreto em seus braços ao ouvir a ternura com a qual ele chama-me de querida. Termos carinhosos entre nós são escassos, não condizem com nossa personalidade, mas mesmo assim vez ou outra é bom ouvi-lo chamar-me de forma tão terna.

— O que faz fora do seu dormitório tão tarde? – Pergunta, acariciando meus braços com as pontas dos dedos.

Abro meus olhos, encarando o corredor a nossa frente.

— Eu não queria ficar sozinha... – Falo em um fio de voz, me sentindo estranhamente carente.

Seu aperto sobre mim se intensifica, consigo sentir cada músculo de seu corpo pressionando o meu. Deito minha cabeça para o lado e pressiono minha bochecha em sei peito, inalando seu cheiro.

— Onde suas amigas estão? – O tom de desaprovação em sua voz não me passa despercebido.

Solto um suspiro profundo.

— Não sei – Confesso baixinho – O que você faz aqui tão tarde? – Pergunto, tentando desviar o foco da conversa para não acaba comprometendo as meninas.

Apesar de duvidar de que ele as colocaria em detenção, eu não estou disposta a correr o risco de testa sua bondade.

— Estava terminando minha ronda quando te vi sair das masmorras – Diz, afastando-se de mim. Ele dá a volta em meu corpo e para a minha frente – Achei sua performance de tentar se esgueirar pelas sombras particularmente fofa – Seu tom é brincalhão, sorrio sem graça.

A falta de seu calor me faz arrepiar de frio.

— Não seja mal – Consigo dizer, tentando conter meu sorriso – Minha performance foi fantástica. Provavelmente, eu fui uma gata na minha vida passada.

— E continua sendo, com certeza – Fala em tom de flete.

Ele sorri de lado, mas logo seu sorriso morre e Tom franze a testa, estudando meu rosto minuciosamente.

— Você está um pouco pálida.

Pisco lentamente, encarando o mesmo sem saber o que dizer.

Meu sorriso se apaga quando um breve flash do acontecimento de alguns instantes atrás, no meu dormitório, me vem a mente. Eu não me importo com o teor da carta, mas sim com o fato de alguém ter entrado em meu dormitório sem a minha autorização. E o pior, enquanto eu estava dormindo.

— Eu... Bom, acho que é pelo frio – Minto descaradamente, desviando minha atenção para o chão.

Ele não engole minha desculpa esfarrapada. Suas mãos seguram meu rosto enquanto seus olhos buscam sinais de mentiras pela minha face.

— Me diga o que aconteceu – Exige, usando seu melhor tom imperativo.

— Não aconteceu nada, Tom – Seu rosto se contorce em uma máscara de frieza, sinto minha espinha gelar.

— Não minta para mim, Hermione.

— Eu não estou... – Ele balança a mão em sinal de descaso, me calo.

— Você está mentindo – O mesmo se aproxima de mim, não desviando seus olhos dos meus nem por um segundo – Nunca minta para mim, Hermione. Não sei perdoar... – A ameaça velada em sua voz me faz cambalear para fora de seu alcance.

— Eu não gosto de ser ameaçada, Tom.

Cruzo meus braços.

— Não foi uma ameaça, apenas um aviso – Ele dá de ombros friamente, mas seus olhos ainda estão em mim.

Sua capacidade de transitar entre a frieza absoluta e paixão desenfreada me assusta. Estávamos incrivelmente bem desde nossa última briga, que fora quando ele pressionou a varinha na garganta de Septimus, mas agora eu via que a paz entre nós não foi feita para durar.

Balanço a cabeça em sinal de desaprovação.

Deixo meus braços caírem ao lado do meu corpo, cansada demais para querer estender nosso desentendimento. Não entendo como funciona sua cabeça, e temo nunca entender.

— Acho melhor eu voltar para o meu dormitório – Digo, firmemente – Não iremos chegar a lugar nenhum assim. E eu não quero discutir.

Ele massageia suas têmporas, mas não fala nada.

Seus métodos de resolução de problemas não eram justos, e seja lá quem for que entrou em meu dormitório não merecia ser torturado. E é exatamente por isso que não lhe conto a verdade. Ele não estava pronto para abandonar esse lado da sua personalidade ainda. E eu não queria ter alguém se machucando por minha causa.

Eu resolverei essa situação por conta própria, penso, encarando o mesmo.

Quanto mais tempo passávamos juntos mais eu sentia que poderia mudá-lo de alguma forma, e por mais ingênuo que isso parecesse, eu vinha me apegando fortemente a essa convicção. Era só questão de tempo até que eu me sentisse completamente segura sobre ele. E isso assustava o inferno para fora de mim.

Sem pedir permissão, o mesmo segura minha mão e começa a me guiar pelo corredores das masmorras. Contenho o impulso birrento de puxar minha mão da sua.

Entramos no salão comunal da Sonserina sem dizer uma palavra um para o outro. Ele me guia até a poltrona mais próxima da janela, senta-se e me puxa para seu colo. Mesmo chateada com o mesmo me aconchego em seu colo, sabendo que era disso que precisávamos.

— Você confia em mim? – Pergunta, quebrando o silêncio.

Seus olhos buscam os meus, me perco em sua imensidão azulada.

— Tom, por favor....

— Você confia em mim, Hermione? – Volta a perguntar.

Sua persistência não conhece limites.

— Sim, eu confio – Respondo, sem vacilar.

Me surpreendo com o quão verdadeiras essas palavras deixaram meus lábios.

— Então, qual é o problema? – Persiste.

— Não... – Seus olhos queimam-me, fazendo com que fraqueja e não volte a mentir.

Seus dedos traçam círculos imaginários em minhas costas, relaxando meus músculos.

— Prometa que você deixará eu resolver isso da minha maneira que eu te conto – Peço, fazendo seus olhos tremularem ligeiramente de descontentamento.

— Hermione...

— Prometa-me, Tom — Interrompo-o.

Ele suspira, chateado.

— Prometo.

Seus olhos encontram os meus e posso vê que ele só estava falando isso para me agradar.

Enterro minha cabeça em seu pescoço, frustrada.

— Conte-me, eu prometi.

— Se ao menos você estivesse sendo verdadeiro – Sussurro, bufando em seguida.

Ele permanece em silêncio, esperando.

Levanto minha cabeça e o encaro, perscrutando seu rosto. Sem se alterar ele permanece imóvel, apenas desviando ocasionalmente seus olhos para minha boca.

— Alguém entrou em meu dormitório enquanto eu dormia – Revelo, tentando transparecer não me importar – Deixaram uma carta, mas não...

Seu corpo se tenciona abaixo de mim, ficando extremamente rígido.

— O quê? – Sua voz sai distorcida pela cólera.

— Não sei quem foi, mas... Tom!!

Me assusto quando ele agarra minha cintura e me põe em pé, sacando sua varinha.

— Eu quero a maldita carta – Rosna, girando a varinha nos dedos.

— Por que? – Pergunto com a voz trêmula.

— Porque eu quero rastrear o dono da carta, Hermione – Fala, encarando-me sombriamente.

Engulo em seco, prevendo o que aconteceria depois que ele conseguisse rastrear o autor da carta.

— Você prometeu me deixar resolver isso sozinha – Lembro-o, abraçando-me.

— Eu não estava sendo sincero.

Coloco as mãos na cintura, aborrecida.

— Não finja que você acreditou no que eu disse, pois sei que não – Dispara, passando as mãos pelos cabelos.

— Você é inacreditável – Passo as mãos pelo rosto – Eu não vou te entregar a carta, posso cuidar disso eu mesma – Garanto.

— Hermione, não seja orgulhosa.

Reviro meus olhos, irritada.

— Não me provoque – Ordena, frustrado com minha desobediência.

— Esqueça o que eu disse, Tom. Vou resolver isso sozinha e do meu jeito – Afirmo, apertando o laço do meu roupão.

— Hermione...

— Não, Tom, respeite a minha decisão. Eu vou resolver isso sozinha – Falo, pondo um fim a discussão.

Ele trava a mandíbula com força, mas não diz nada, apenas fica me encarando com os olhos semicerrados. Quando percebe que não vou ceder, Tom praguejar baixinho.

Me aproximo dele a passos rápidos e seguro em seus ombros, olhando diretamente em seus olhos.

— Você é meu namorado e eu confio em você, então, por favor, confie em mim – Peço, não querendo continuar com aquela tensão entre nós.

Seus olhos me perscrutam por um tempo até que ele acena com a cabeça, aceitando meu pedido.

Sorrio, me jogando em seus braços.

Ele retribui ao meu abraço instantaneamente. Enterro meu rosto em seu peito, respirando sua colônia.

— Obrigada, Tom.

Ele não diz nada, apenas aloja seu rosto em meu pescoço, acariciando minhas costas com ternura. Me perco entre suas carícias, desejando permanecer ali para sempre.

"Uma discussão prolongada significa que ambas as partes estão erradas."

— Voltaire

Notas finais
Alguém aqui quê me matar? Eu me surpreenderia se dissessem que não Perdão pela demora, pessoal. Como falei no capítulo passado, a vida acadêmica na faculdade está sugando tudo de mim, estou completamente atolada de trabalhos e atividades, e isso retira minha criatividade Me desculpem, prometo me esforçar mais para postar com mais frequência. Enfim, até segunda tem capitulo novo Leitores fantasmas, pronunciem-se ❤️ Beijinhos sabor discussão!!