Notas iniciais
Enjoy!

— Você está realmente bem? – Pergunto pela quarta vez consecutiva, fixando minha atenção em seu rosto pálido. Sem vida.

Paro de mexer o caldeirão com nossa poção wiggenweld, cedendo toda a minha atenção para ela, que cortava ditamno em pequenas fatias.

Enrugando a testa, Anelise me dá um arremedo de sorri, curvando os lábios em um ângulo estranho.

— Não entendo porque não acredita em mim, Hermione – Fala, passando os dedos nos cabelos, encontrando certa resistência nos fios desgrenhados – Estou perfeitamente bem – Sua voz sai aguda, quase estridente.

Ela larga a faca de lado para pegar a casca de wiggenweld já cortada por mim.

Tento não esboçar o quanto não acreditei em suas palavras, mas o retorcer dos meus lábios me denuncia, fazendo a mesma soltar um suspiro frustrado.

— O fato de dizer estar bem deveria ser o suficiente para você acreditar em mim – Seus olhos se estreitam enquanto suas mãos vão até sua cintura estreita, demonstrando toda a sua irritação – Não preciso ficar me justificando para você. Por favor, acredite quando digo está bem. E pare de me perguntar isso – Conclui, suavizando sua expressão.

Levanto as mãos em sinal de rendição, não querendo me indispor com ela. Me volto para nossa poção, adicionando ao caldeirão o muco de verme gosmento, a moly amassada e o ditamno cortado em pedaços pequenos.

— Tudo bem – Concordo, aceitando minha derrota – Eu não vou mais te importunar com isso. Apenas saiba que... – Desvio minha atenção para o caldeirão próximo ao nosso para organizar meus pensamentos, ficando ligeiramente perturbada com o que encontro ali.

A coloração da poção borbulhante no caldeirão ao lado é amarela, mas o correto é ela ficar verde, o que desperta alarmes sonoros em minha mente.

Algo ali está muito errado! Penso, torcendo para que logo o professor Slughorn passasse por ali e percebe-se isso.

— Estarei aqui para o que você precisar. Sem julgamentos da minha parte – Completo, me voltando para ela, ignorando Lorenzo Gomez e sua incapacidade de fazer uma simples poção como esta.

Seus olhos se umedecem, mas a mesma desvia sua atenção para a casca de wiggenweld, o último ingrediente a ser adicionado.

— Obrigada, Hermione – Sussurra para mim, emocionada.

Engulo o bile que se forma em minha garganta.

— Amigos são para bons e maus momentos – Sussurro de volta, sorrindo.

Ela sorri para mim de volta, me entregando o último ingrediente para nossa poção perfeitamente bem preparada. Derrubo as cascas no recipiente e volto a mexer os ingredientes em sentido anti-horário.

— Você está animada para hoje a noite? – Ouço a mesma pergunta, em uma clara tentativa de iniciar uma conversa descontraída – Estou particularmente animada. Os segundos encontros do ano no Clube do Slughorn são sempre melhores que os primeiros – Ela abre um sorriso cheio de dentes, visivelmente animada – Teremos música.

Contraio meus lábios, quase sorrindo perante sua animação, mas falhando quando o nervosismo me atinge ao lembrar do encontro que Tom e eu teríamos após a reunião. Ou melhor, ao lembrar que concordei em dormi em seu dormitório hoje a noite.

— Suponho que estou – Falo, aplicando uma força desnecessária ao mexer a poção, tentando esconder o tremor das minhas mãos – Amo música.

Usando minha última frase como deixa, Anelise começa a tagarelar sobre suas bandas e cantores bruxos favoritos. Permaneço em silêncio, recolhendo-me para meu casulo racional.

Tecnicamente, ele apenas propôs que dormíssemos juntos, começo meu diálogo mental, tendo uma vaga noção de que Anelise continuava a falar. Ele enfatizo também que só faríamos o que eu quisesse, então... Por que toda essa apreensão da minha parte? Me pergunto, sem realmente esperar uma resposta.Não é como se ele estivesse esperando que fôssemos transar, certo?

— Você não acha isso também? – A loira ao lado questiona, séria.

Mesmo não sabendo do que se trata o assunto da pauta, concordo. Anelise logo prossegue com seu falatório.

E se sim, qual o problema nisso? Não tenho medo do ato em sim, mas sim do que ele implica: mais intimidade entre nós.

Paro de mexer o caldeirão, conferindo se o líquido ali dentro estava com a cor indicada.

Sorrio quando constato que sim.

Pelo menos algo na minha vida está indo como o planejado.

Antes que mais questionamentos inoportunos passassem por minha cabeça, uma explosão de gosma de verme é atirada para todos os lados. Por estamos próximas do caldeirão explodido, recebemos a maior parte de seu conteúdo.

Anelise grita histericamente quando é atingida pela gosma, surpresa e irritada, ao contrário de mim, que não esboço reação alguma. As demais pessoas atingidas soltam diversas exclamações surpresas, indignadas e furiosas.

O pobre Lorenzo fica encarando seu caldeirão boquiaberto, não compreendendo o que acabou de acontecer, enquanto sua dupla, uma Sonserina ruiva e mal encarada que não lembro o nome, grita sem parar com ele.

Slughorn assume a dianteira da confusão, caminhando em nossa direção como uma águia pronta para abocanhar sua presa. Enquanto o mesmo começar a cuspi advertências e broncas para o garoto, que tremia como uma vara verde, pego minha varinha e com um aceno uso o feitiço limpar, ficando instantaneamente livre da gosma. Anelise segue meu exemplo, ainda carrancuda pelo que ocorreu.

— Você está bem? – Tom pergunta, aproximando-se de mim. Seu rosto está inexpressivo, mas o fogo de irritação presente em seus olhos é real.

Coro ligeiramente, lembrando dos pensamentos que estava tendo antes da explosão.

Impecavelmente limpo, ele analisa cada parte do meu corpo com os olhos, buscando lesões. Absolvo sua preocupação com carinho.

Sorrio, acenando com a cabeça.

— Foi apenas um erro na mistura – Afirmo, tirando uma pequena casca de wiggenweld da manga de seu uniforme – Com mais atenção da parte dele, na próxima vez isso não deve acontecer – Digo, não querendo isentar ele da culpa, mas também não querendo crucificá-lo.

— Irresponsável – Cospe, olhando para a bagunça de gosma com nojo.

Acaricio seu antebraço, querendo apaziguar seu humor.

— Coisas sujas tem certa beleza – Comento despreocupada, me referindo ao formato em espiral que havia criado em determinado ponto do chão com a gosma.

Tom se volta para mim e sorri de lado, malicioso. Ele se inclina para mais perto, colando a boca em meu ouvido, como se fosse me contar um segredo.

— Dependendo da hora e do lugar, coisas sujas me instigam – Murmura, soprando cada palavra para mim.

Arrepios prazerosos passam por meu corpo, concentrando-se em meu baixo ventre.

Engulo em seco.

— Tom. – Gemo, afetada.

Depositando um beijo rápido em meu pescoço ele se afasta, voltando para seu lugar com um sorriso lateral estampado no rosto, me deixando ardendo de desejo para trás.

[...]

— Aonde você estar, Hermione? – Tom pergunta próximo ao meu ouvido, traçando uma linha imaginária com os dedos na lateral do meu corpo – Seu corpo está comigo, contudo, sua mente está há quilômetros de distância.

Por estar sentada em seu colo consigo sentir as vibrações de seu peito a cada palavra que sai de sua boca. Me perco nas sensações gostosas de ter seu corpo vibrando em mim.

Fecho meus olhos, desejando permanecer assim o resto da minha vida.

— Hermione? – Ele estala a língua, em clara advertência.

Pisco um pouco, surpresa.

— Oh, desculpe-me – Me apresso a falar, constrangida por divagar e não lhe responder – Apenas estava pensando em como é bom está aqui com você – Explico, acomodando minha cabeça na curva de seu pescoço – E em como eu queria que momentos assim durassem a eternidade.

Tom envolve minha cintura com os braços, apertando-me contra si.

— Após essa doce resposta, está mais que desculpada – Murmura, com uma pitada de reverência na voz.

Sorrio.

— Sempre tão generoso – Provoco, recebendo um beijo estalado na bochecha em resposta.

Alargo meu sorriso, feliz.

— Bobo!

Seus olhos brilham em divertimento, contagiado por minha felicidade. Me perco nele, encarando suas íris azuis com carinho.

É tão fácil me perde ali, penso, encantada.

Fascinado com algo em meu rosto, Tom passa seus dedos pela minha testa e bochecha, seguindo para meus lábios e parando neles, contornando toda a estrutura carnuda com adoração.

— Sua boca é tão convidativa – Comenta, faminto.

Sinto meu sangue pulsar mais rápido, elevando a temperatura do meu corpo. Meu ventre estremece, sentindo uma poderosa excitação começar a se forma em meu núcleo.

Tom agarra minha cintura e me arqueia com agilidade. Surpresa, seguro em seus ombros para me equilibrar.

— O quê...!?

Girando meu corpo para si, ele me faz ficar com uma perna de cada lado seu corpo, e então, me puxa para baixo sem cerimônia alguma, me fazendo montar em sua pélvis. Minha bunda se aloja em cima do seu pau.

Resfolego.

— Você tem noção da quantidade de vezes que eu me masturbei pensando em você, querida? – Pergunta, trazendo seu rosto para perto do meu, soprando cada palavra para mim com uma veracidade absurda.

Engulo outro gemido.

— Tom – Seu nome escapa da minha boca como uma súplica.

Ele escova seus lábios nos meus, provocando-me. Tento aprofundar sua carícia em um beijo, mas ele se afasta, sorrindo enigmático.

Solto um grunhido, frustrada.

— Meu ritmo, minhas regras – Declara autoritário, agarrando minha bunda com as duas mãos e apertando a carne com força.

Totalmente entregue, gemo seu nome novamente.

— Seja uma boa menina e eu te darei tudo o que quiser – Promete, acariciando minhas costas com umas das mãos, enquanto que com a outra continua apalpando minha bunda.

— Isso não é justo – Reclamo, indignada.

— A vida não é justa, querida – Devolve, sorrindo.

— Você joga sujo – Garanto, espalmando seu peito e aproximando meu rosto do seu ouvido – Mas, eu também não jogo, querido – Completo, mordiscando o lóbulo de sua orelha.

Ele pragueja, apertando minha bunda com mais força.

Aproveito minha recém adquirida libertinagem e esfrego minhas nádegas em sua pélvis lentamente, sabendo o efeito que isso teria nele.

Tom estreita seus olhos, engolindo uma respiração.

— Hermione! – O tom de advertência em sua voz não me passa despercebido, mas isso só serve para alimentar meu desejo.

— Você me parece tenso – Comento me aproximando de seu rosto com falsa despretensão – Está tudo bem? – Escovo seus lábios com os meus, imitando sua provocação de mais cedo.

Seu sorriso espontâneo me pega desprevenida.

— Você é uma pequena serpente, sabia? Sempre pronta para atacar – Fala, acariciando minha cintura.

Rio, enlaçando seu pescoço com minhas meus braços.

— Aprendi com o melhor – Rebato, selando nossos lábios.

O beijo tem um início calmo, apenas um roçar de lábios, mas logo ganha intensidade a medida que o desejo explode entre nós, com nossas línguas se enroscando com avidez e seus lábios sugando e mordiscando os meus.

Suspiro dentro de sua boca.

Aqui é o melhor lugar do mundo, penso, derretendo-me em seus braços.

[...]

Aliso a seda do vestido enquanto saio do quarto, tentando tirar os amaçados do tecido. Passo por algumas garotas no processo, que me olham de cima a baixo, boquiabertas. Trato de ignorar suas expressões, sabendo que consegui executar bem os feitiços que Gina me ensinou para modificar roupas.

O que antes era um vestido de alcinhas cinza desbotado, agora era um elegante vestido azul esverdeado de seda. Apenas mantive as alcinhas que ele tinha, mas de resto modifiquei tudo, inclusive o tecido.

Chego ao salão comunal faltando quinze minutos para às oito horas. Tom já estava lá, sentado na mesma poltrona que sentamos ontem à noite e cercado por vários sonserinos. A conversa cessa assim que eles me veem.

— Hermione – Me saúda ele, levantando-se e vindo em minha direção.

Os demais se mantém no mesmo lugar, me encarando de cima a baixo. Consigo distinguir alguns rostos familiares entre os demais, como Nebolus, Evan e Pollux, mas os outros permanecem desconhecidos.

Em uma rápida análise fugaz, me pego avaliando o quão pouco eu conheço sobre os demais colegas de Tom. E que fora o seu círculo íntimo, não sei qual o seu alcance de poder dentro da Sonserina.

Tom enlaça minha cintura possessivamente com um dos braços.

Sorrio timidamente, afetada por sua beleza. O mesmo estava deslumbrante em um elegante smoking preto.

— Simplesmente belíssima – Elogia em meu ouvido, arrancando-me suspiros – Vamos?

Faço que sim, incapaz de falar.

Ele lança um olhar significativo para os demais, que respondem se empertigando em seus lugares, como que se estivessem assustados.

Franzo a testa, confusa.

Tom se volta para mim e oferece-me seu braço como um perfeito cavalheiro, aceito. Saímos do salão comunal rumo a sala do professor Slughorn a passos rápidos, deixando os demais para trás.

— Seus amigos não viram? – Pergunto, cautelosamente.

Ele me lança um olhar zombador antes de responder.

— Não tenho amigos, Hermione.

Enrugou o nariz.

— Abraxas é seu amigo — Continuo, querendo obter alguma reação do mesmo.

Ele balança a cabeça, mas então franze a testa e suspira.

— Talvez ele seja o único que vala a pena, no final das contas – Diz, enigmático.

— O que isso significa? – Questiono, curiosa.

Ele me olha por alguns instantes, debatendo internamente algo.

— Nada – Fala por fim, encerrando o assunto.

Olho para o chão, sabendo que o mesmo escondia algo. Quando volto a erguer minha cabeça, percebo que o mesmo estava perdido em pensamentos. Aproveito esse pequeno momento de distração para encará-lo.

Mordo meu lábio inferior.

Preciso ultrapassar suas barreiras, mas como?

Seguro seu braço com mais força, encostando meu rosto em seu ombro.

Ele é tão reservado.

— Você está bem? – Ouço o mesmo perguntar.

Como conseguirei saber se realmente estamos progredindo?

— Uhum.

— Uhum não é uma resposta, Hermione – Brinca.

Rio baixinho.

— O gato comeu sua língua? – Implica.

Faço um barulho de ronronado com a boca, apenas para provocá-lo.

Tom se desvencilha de mim e segura minha mão. Pisco para o mesmo, confusa pela perca de contato.

Com uma agilidade incrível ele agarra minha cintura e me gira pelo corredor, me fazendo rodopiar a sua volta.

— Tom, pare – Consigo dizer, tentando conter o riso – Você está louco?

Quando ele para, tenho que me segurar em seus ombros para não perde o equilíbrio. O riso frouxo que escapa de minha boca é libertador, tirando todas as precauções da minha mente.

— Está mais relaxada? – Questiona.

Sorrindo, faço que sim com a cabeça.

— Você é maluco, sabia?

Ele dá de ombros, voltando a me oferecer seu braço.

— Vamos, não quero que nos atrasemos – Fala, acomodando-me junto a si.

Ele beija minha testa antes de continuarmos nosso percurso em silêncio.

[...]

Sempre me considerei uma pessoa altamente sensata, que não se abala por coisas tão mundanas quanto o ciúmes. Mas vendo a forma como Amanda seca e tenta de todas as formas chamar a atenção de Tom, tenho certeza absoluta não sou imune a essas coisas. E que eu poderia facilmente machucar a mesma por isso.

— Você me parece chateada – Abraxas comenta, aparecendo ao meu lado.

Mudo o peso dos pés, não deixando de observar a cena a minha frente.

Tom conversa com Slughorn, enquanto bloqueia educadamente as investidas insistentes de Amanda, que tenta a todo custo atrair sua atenção para si. A cena toda é desconfortável demais por vários sentidos, principalmente, por sua investidas humilhantes. Eu poderia sentir pena dela, se já não estivesse com raiva.

— Por que ela precisa ser tão descarada? É óbvio que Tom não quer nada com ela – Digo, não contendo minha raiva.

Abraxas se remexe ao meu lado, provavelmente, desejando não ter iniciado aquela conversa.

— Esse desespero se deriva unicamente do desejo de querer e não poder ter – Fala, bebericando um líquido azul em um corpo de whisky – E também, ela está enfurecida por Tom te preferir ao invés dela. É ciúmes e despeito.

— Falando assim você me parece um especialista no assunto – Digo, enfim desviando minha atenção da cena repugnante a minha frente.

Ele sorri, mas não diz nada.

— Hoje não teremos música, a vitrola encantada foi quebrada por um primeira da Grifinória – Declara Anelise se aproximando de nós, tristonha.

— Uma verdadeira tragédia para nós – O loiro diz, fingindo aborrecimento.

Ela mostra a língua para ele, que lhe rouba um rápido selinho, deixando suas bochechas vermelhas.

— Vocês são adoráveis – Elogio, feliz por vê Anelise bem.

Os dois sorriem para mim e depois trocamos olhares apaixonados, me deixando vagamente consciente de que estou sobrando ali.

A colônia de Tom chega a mim primeiro que seu corpo. Ele envolve meu quadril com seu braço, alojando-me na lateral de seu corpo.

— Do que estavam falante? – Pergunta, olhando diretamente para mim.

— Não teremos música hoje, a vitrola quebrou — Resumo para ele.

— Ainda bem! As músicas eram péssimas – Diz, acariciando a lateral do meu quadril.

Sorrio vendo Anelise torce o nariz, não concordando com ele.

— Sua amiga parou de te perseguir? – Me ouço perguntar, claramente irônica.

Ele franze a testa, não entendo minha pergunta.

Faço um sinal com a cabeça para onde ele estava com Amanda e Slughorn. Tom estreita os olhos, entendendo onde quero chegar.

— Ela não é minha amiga – Murmura, aborrecido.

— Quem sou eu para questionar, não é mesmo? – Falo, igualmente aborrecida.

Tom suspira, cansado.

— Você é a única para mim, Hermione – Sussurra em meu ouvido – A única que eu quero – Termina, beijando meu pescoço.

Me sentindo culpada por esta aborrecendo o mesmo com meu ciúme bobo, deito minha cabeça em seu peito e sussurro um desculpe baixinho.

— Não precise se desculpar, querida – Fala para mim, envolvendo meu corpo em um abraço apertado – Você é perfeita — Murmura carinhosamente.

“As feridas da alma são curadas com carinho, atenção e paz.”

— Roberto Shinyashiki