Desire Obsolete
62 Desvantagem
Notas iniciais

Meus pés voltam a se firmarem em terra firme e, ao contrário do frio cortante do lado de fora, uma atmosfera quente e aconchegante me envolve. Não é o suficiente para aplacar o gelo que corre em minhas veias, mas alivia um pouco a pressão externa do meu corpo.
Pisco, espantando a confusão costumeira que sempre me atinge após aparatar de forma brusca. Fico ligeiramente tonta e meu corpo estremece pela viagem, assim como pelo desgaste físico. Levo alguns segundo para me orientar em meio a pouca luminosidade do ambiente.
Olho ao meu redor, sentindo a mãozinha de Mirdy abandonar-me.
— Minha senhora precisa descansar, estar pálida e desgastada. Mirdy não quer que nada aconteça com sua senhora Hermione – Diz, me analisando com seus olhinhos carinhosos.
— Não tenho tempo para descansar agora, Mirdy – Falo baixinho, encarando o que nos cerca, tendo que estreitar meus olhos para identificar objetos a distância – Mas, prometo que quando voltarmos descansarei o tanto que você quiser – Prometo, as palmas de minhas mãos começando a suar.
O hall de entrada da mansão Malfoy não é nada parecido com qualquer coisa que eu já tenha visto antes. É amplo, com um lustre enorme pendurado no teto e uma escadaria de concreto erguendo-se imponentemente à minha frente. O lustre não emana luz alguma, mas posso ver que é porque chamas ainda não foram conjuradas. É um ambiente frio e impessoal, sufocante.
À minha esquerda, uma grande porta de carvalho dá entrada para uma sala bem iluminada, com janelas que vão do piso ao teto, sofás grandes e aconchegantes, poltronas em tons pasteis, uma lareira acessa crepitando e iluminando seu entorno e alguns móveis requintados em tons marrons. O piso é coberto por um carpete fofinho perolado. É indiscutivelmente uma sala de visitas luxuosa e aconchegante, contrastando diretamente com o hall de entrada sombrio.
Olhando para minha direita, vejo apenas uma porta fechada com maçaneta de bronze, um corredor amplo e mal iluminado que dá acesso à alguma parte sombria da mansão, e que se segue por trás da escada.
Envolvo meu corpo com meus braços, tremendo levemente. Nas paredes, consigo perceber o contorno de quadros antigos com figuras que não distingo o que são.
Mordo meu lábio inferior, o desgaste físico cobrando seu preço. Sinto que meu corpo flutua em uma nevoa de cansaço e frieza, aonde cada movimento que faço exige mais concentração e força do que o anterior, levando-me ao esgotamento máximo. A neve que cai do céu lá fora é, com certeza, menos fria do que meu interior.
— Minha senhora veio encontrar alguém aqui? – Mirdy pergunta, fazendo-me voltar minha atenção para ela – Quer que eu encontre um dos elfos da mansão?
Digiro suas palavras com lentidão.
— Preciso ver Narcisa – Revelo, minha voz saindo baixa e rouca.
Em um piscar de olhos Mirdy desaparece, deixando-me sozinha.
Caminho até a sala luxuosa, parando na porta. A atmosfera quente do hall vem todinha deste cômodo, com o crepitar do fogo aquecendo tudo que alcança. As batidas frenéticas do meu coração contrastam com o barulho de madeira queimando, sendo os únicos sons que escuto.
Fecho os olhos, respirando fundo.
O mal-estar que aperta minha garganta desde que encontrei Harry e Rony, aumentou explosivamente desde que descobri mais segredos de Tom. Quero chorar, mas também quero enterrar tudo o que descobrir no fundo de minha mente e não sentir mais nada. É uma dualidade feroz, que rasga meu peito em milhões de pedacinhos.
O que mais preciso suportar até não aguentar mais? Pergunto-me. Eu ainda aguento...?
É incrível como tudo só piora.
— Mirdy encontrou Kirky e logo a senhora Narcisa estará aqui – A voz de minha pequena companheira surge, assustando-me.
Viro-me para encontrar Mirdy atrás de mim, seus olhinhos brilhando em incerteza.
— Obrigada, Mirdy.
Ela me reverencia, timidamente.
— Mirdy está aqui para servi-la.
Meus olhos marejam.
— Você é a única que nunca me decepcionou – Murmuro, engolindo minhas lágrimas mesmo sabendo que irei acabar sufocando com elas – Obrigada.
Ela arregala os olhos, não entendo minhas palavras. Sorrio para amenizar a atmosfera confusa que nos cerca, recebendo devoção e carinho de sua parte.
Passos apressados chegam até mim, me fazendo encarar o corredor cercado por sombras. Narcisa surge em meio à escuridão, sendo seguida de longe por quem imagino ser Kirky, sua elfa doméstica.
— Hermione, eu sinto muito – Começa, aproximando-se de mim sem diminuir a pressa de suas passadas – Não foi premeditado, e eu só vim descobrir hoje – Informa, já tendo adivinhado o motivo de minha vinda abrupta.
— Narcisa... – Ela para à minha frente.
Em um gesto rápido de varinha, o lustre acima de nós tem todas as suas velas acessas, lançando luz até o topo da escada, aonde rapidamente vejo que tem outro lustre. As paredes do corredor por onde Narcisa surgiu tem vários quadros de figuras se movendo, parecendo tentar ver com quem a mãe de Draco fala.
— Ela está sendo muito bem tratada. Não foi ferida de forma alguma – Prossegue, parecendo não ter notado que tentei falar momentos atrás – Milord não a queria aqui, mas por um erro dos Carrow’s ela foi pega. Ele não ficou satisfeito...
— Narcisa, eu não...
Ela segura meus braços com delicadeza, invadindo meu espaço.
— Eu entendo que você deve estar com raiva, é compreensível. Mas, em momento algum foi cogitado machucá-la – Diz, apressada – Não...
— Narcisa! – Minha voz sai gélida e alta, elevada pelo meu estresse mal contido.
Ela recua lentamente, calando-se. Me sinto aliviada por suas mãos me abandonarem.
— Não quero saber os motivos, ou a falta deles, para Luna está aqui – Deixo minhas mãos caírem ao lado do meu corpo – Eu vim levá-la para casa.
Seu peso é trocado de pé e Narcisa enruga levemente o nariz, desviando sua atenção para o corredor por onde veio.
— Apenas Milord tem autoridade para libertar prisioneiros, Hermione – Fala, sua voz atingindo um tom diplomático – Não posso libertá-la... – Seus olhos se voltam para mim, ansiosos – Não sem a autorização dele.
Sinto Mirdy se pôr ao meu lado, segurando meu pulso com delicadeza.
— Não é você quem irá libertá-la, sou eu – Mordo minha bochecha, encarando seu rosto aristocrático levemente pálido – Mostre-me onde ela está Narcisa, ou... – Solto um longo e profundo suspiro – Não quero lutar.
— Mas?
— Eu o farei se for preciso.
E perderei, se depender do meu estado atual, completo em pensamentos, ciente de minhas limitações.
Ela balança a cabeça em entendimento. Não está feliz, mas parece entender minhas motivações. Ou pelo menos, finge entender elas.
Ter me desgastado por reconstruir a residência Lovegood não foi um dos meus atos mais inteligentes, não quando eu sabia que teria que entrar no covil das cobras. Mas, como sempre, meu sentimentalismo levou vantagem sobre mim. O que não me incomoda, afinal, não me arrependo. Estou em desvantagem, e isso é incontestável.
— Você não me parece bem para entrar em uma luta – Observa, estudando-me – Está pálida e visivelmente esgotada. O que aconteceu?
— Ser quase soterrada por comensais faz isso com uma pessoa – Sou sarcástica, omitindo propositalmente o real motivo de minha palidez.
Sua boca forma um pequeno “o”.
— Merlin! – Exclama, realmente surpresa – Quem ousaria? Quando Milord descobrir... – Ela se cala.
Dou de ombros, vendo sua mente trabalhar em hipóteses.
— Em defesa deles, os mesmos não sabiam que eu estava lá – Completo friamente, nenhum pouco piedosa. Apenas sendo justa.
Ela balança a cabeça, espantando algum pensamento indesejado.
— Será da forma fácil ou difícil, Narcisa? – Lanço a pergunta, endireitando minha coluna.
Eu realmente espero que dê forma fácil.
[...]
O primeiro golpe não foi sentido, não por completo. Apenas um zumbido irritante que reverberou por toda a ilha, provocando uma tempestade noturna torrencial. Um aviso prévio de que o futuro poderia ser sombrio. E mesmo sabendo do que se tratava, Morgana não se abalou. Enterrou seus receios e paranoias no fundo de seu ser. Afinal, a destruição de uma não lhe incomodava quando ainda se havia outras seis para compensar.
A destruição do diário serviu como um lembrete dos meus erros passados, pensou a mulher.
Já o segundo... Ah, esse causou estragos.
Assim que Dumbledore destruiu o anel Gaunt, a primeira avalanche de conturbações que assolou a ilha pode ser sentida em cada poro da atemporal, catapultando todos os seus piores medos para a superfície. A morte do diretor de Hogwarts não lhe deu a satisfação necessária para apaziguar seu medo.
A instabilidade magica minou temporariamente a magia de Morgana e suas discipulas, fazendo com que ervas daninhas aparecessem por todos os recantos do lugar, matando algumas das melhores plantas da ilha e atingindo tantas outras de larvas e insetos. Pragas de procriação rápida. Logo, as chuvas não naturais passaram a governar períodos cada vez mais frequentes do dia, alagando, deslocando e destruindo tudo que se encontrava em seu caminho.
Para Hermione, o pior da ilha pouco foi sentido em seu período de estadia lá. Morgana tratou de esconder da castanha os piores momentos, levando suas pupilas à exaustão por conterem a maior parte dos danos usando de magia, poções e trabalho braçal. Apenas ocasionais chuvas se fizeram presentes.
O pior ainda está por vir, previu Lefay certeiramente.
Quando a terceira horcruxes foi destruída, um dia atrás, pequenas fendas nos véus que protegem a ilha começaram a aparecer, infiltrando impurezas magicas em Avalon, transformaram a terra fértil da ilha em um terreno árido e estéril.
Parada em meio ao que um dia foi um lindo pomar, Morgana sente suas mãos tremerem violentamente. O desgaste mental é visível, suas olheiras são profundas, seus olhos estão opacos e sombrios, seus ombros encolhidos de modo derrotado, e existe uma aura depressiva em seu entorno.
O céu acima de si estar nublado, de modo a aprofundar a atmosfera estranha do lugar. É o tipo de clima que poderia se esperar em um velório.
O negro de seu vestido de mangas longas e corte império contrasta com o amarelo queimado da terra, sujando sua barra com poeira. Mesmo com seus cabelos presos em um firme rabo de cavalo, fios negros se soltam do penteado, chicoteando suas bochechas pálidas. Morgana não se importa com nada disso.
Cansada demais para investir em mais uma tentativa frustrada de fazer brotar vida do chão aos seus pés, ela suspira. Nada à sua volta lhe agrada. Nem a terra infértil, nem o céu nublado são visões agradáveis para si.
Existe uma grande amargura em seu interior, que rivaliza em mesma proporção e intensidade com o denso sabor do arrependimento em sua língua. Ela sabe que o que fez para se vingar da ilha foi errado, que ser guiada por suas emoções foi o que lhe trouxe ao estado em que estar. Mas, na hora em que Mérope morreu sob seus cuidados, toda a lógica de seu ser foi consumida por vermelho. A cor da vingança.
Antes de sair em busca de vingança, cave duas covas, recita para si mesma com desgosto, lembrando-se das palavras de um filósofo trouxa que lerá algumas décadas atrás. Confúcio.
Ela retorce a boca em um meio sorriso.
Não tenho medo de morrer.
Passos apressados chegam aos seus ouvidos, fazendo-a olhar para onde o barulho vem. Métis se aproxima com elegância, trajando um longo e esvoaçante vestido perolado. Seu semblante reflete preocupação, o que dispara alarmes na mente da atemporal.
— Minha senhora, Selene não está bem.
— Como assim?
Não existe doenças em Avalon, não para suas meninas. Todas já estão mortas, então, não existe nada que possa lhes afetar. É um dos benefícios de servir a ilha.
— Eu não sei o que é, ela está febril e com dores – Sua voz é urgente, com toda a sua preocupação evidente em seu tom.
Sentindo seu coração disparar, ela não espera por mais informações. Morgana se teletransporta para onde sabe que suas aprendizes ficam: a Gruta das Estações.
[...]
Ela não diz nada por vários minutos, me fazendo ter vontade de xingar sua falta de coragem. Ouço Mirdy trocar o peso dos pés ao meu lado e vejo Kirky se mover para mais longe de nós, apenas nos encarando a distância. Sem interferir, sem falar. Sem vida.
Tirando sua respiração regular e o retumbar de meu coração, tudo está em perfeito silêncio. É enervante, mas também apropriado. Não espero facilidade, não quando se trata de algo em que Tom está envolvido.
De súbito, ela me dá as costas, virando a cabeça para me encarar por cima do ombro.
— Narcisa...
— Venha comigo.
Narcisa dá algumas passadas e para em frente à porta com maçaneta de bronze. Seu rosto se volta para mim ao perceber que não a acompanhei.
— Volte para nossa casa, por favor – Peço a Mirdy amavelmente, vendo-a balançar a cabeça prontamente. – Posso teletransportar Luna para seu lar agora que já estive lá. Mas, não se preocupe, prometo não demorar.
Ao longe, vejo Kirky arregala os olhos pela forma como falo com Mirdy. Ou por me ver usando a palavra por favor ao me dirigir a ela. Não fica claro para mim o motivo exato de seu espanto.
Narcisa não diz nada, mas existe um “quê” de repreensão em seu olhar. Ignoro-a, vendo Mirdy aparatar.
Sigo o mesmo percurso que Narcisa fez, parando ao seu lado.
Ela abre a porta com um aceno de varinha, adentrando o cômodo com altivez. Permaneço imóvel por alguns segundos, respirando devagar enquanto sinto o frio de meus ossos expandisse por minha pele e tecidos, tomando conta de tudo.
Em quesito luminosidade, a ampla sala é mais eficiente que o hall, com seus dois lustres de cristal e grandes janelas. As colunas imensas e janelas que quase vão do piso ao teto me fazem sentir pequena, desamparada.
A vontade de chorar retorna, mas não consigo identificar por qual dos vários motivos. São tantos.
Quando me coloco dentro do lugar, o frio do meu corpo se intensifica. Abraço-me novamente, lutando contra meus próprios tremores. A porta se fecha atrás de nós com um simples clique, deixando Kirky para trás.
A primeira coisa que percebo é a quase inexistência de móveis, sendo a peça mais marcante do cômodo uma grande mesa de reuniões localizada no centro da sala. Duas poltronas pretas de couro podem ser vistas próximas à uma imensa lareira de pedra embutida na parede, entre elas existe um pequeno aparador de madeira com garrafas de bebidas em cima e alguns copos de vidro. Existe um grande tapete de pele de urso embaixo das poltronas, delimitando o espaço.
A segunda coisa que vejo, é que não estamos sozinhas. Draco e Lucius estão em um canto escuro, perto do que me parece uma passagem subterrânea, discutindo baixinho entre si. Eles parecem alheios a nossa presença, focados um no outro. Suas posturas agressivas não são um bom indicativo.
Narcisa se empertiga, não gostando da postura agressiva deles. Ela logo trata de se aproximar, acompanho-a apenas por reflexo. Todo o meu corpo se move mecanicamente, seguindo comandos pré-definidos por meu cérebro.
— Você irá fazer isso – Rosna o sr. Malfoy.
Draco balança a cabeça em negativa, parecendo fisicamente esgotado. Se eu não estivesse tão abalada quanto ele, poderia me compadecer de seu estado.
— Não posso...
— Não seja estúpido! – Grunhe, colocando o dedo praticamente na cara dele – Se você não o fizer, garanto a você que tornarei isso muito pior para ela.
Como se tivesse levado um soco no estômago, vejo Draco endurecer o corpo.
— Você não pode machucá-la – Devolve, friamente – São as ordens.
— Existe mais de uma forma de machucar alguém sem deixar vestígios, filho – Debocha.
A fúria que emana de seu corpo é tão intensa que consigo imaginá-lo duelando com o próprio pai. Corpo a corpo.
— Se você fizer qualquer coisa para machucá-la...
— O que? – Lucius invade o espaço de Draco, nenhum pouco intimidade – O que você vai fazer, moleque?
— Lucius! – Narcisa soa severa, realmente afetada pela cena.
Eles notam nossa presença, sobressaltando-se.
Ao nos prostramos quase ao lado de Draco, paro poucos passos atrás dele, vendo Narcisa ir até o marido e começar uma enxurrada de recriminações sussurradas em seu ouvido, agarrando seu braço no processo e afastando-o do filho. Draco e ele me encaram, seus rostos petrificando-se em uma máscara de espanto. Olhos arregalados, bocas semiabertas.
— Senhora – Saúda-me Lucius, fazendo uma curta reverencia.
Draco pisca, uma, duas, três, e então, imita o pai.
— Hermione está aqui pela garota – Explica Narcisa, encarando o marido com irritação – Ela irá levar a Lovegood embora.
Dou-lhes um aceno de reconhecimento e desvio minha atenção para a abertura no chão, vendo uma estreita e íngreme escada de cimento. A escuridão de seu interior me impossibilita de ver muita coisa, mas imagino que ali é um porão. Um porão para prisioneiros.
Luna.
Sem pensar, movo-me para mais perto da entrada, sendo instantaneamente parada por uma mão gélida. Encaro Draco diretamente nos olhos.
— É um lugar perigoso – Fala, soltando-me e dando um passo para trás – Feitiços e armadilhas o protegem. Apenas meu pai e Rabicho descem sem ativar nenhuma das proteções – Ele coloca as mãos nos bolsos frontais da calça social preta – Você irá levá-la embora?
— Sim.
— Ótimo – Sussurra baixinho, apenas para que eu possa ouvir.
Seu rosto pálido e olhar perdido me dizem que sua vida não é tão perfeita quanto ele quer que os outros pensem. Isso, por algum motivo distorcido, me consola.
Engulo um suspiro e me volto para os pais de Draco. Lucius não está feliz com minha presença, enrijecendo a mandíbula e estreitando ligeiramente os olhos, seu desagrado é claro. Narcisa, por outro lado, não demonstra aborrecimento com minha visita, apenas uma verdadeira resignação. Ela é uma mulher esperta.
Foco-me em Lucius, obstinada. Vejo ele se empertigar.
Parado ao lado de sua mulher, em suas melhores vestes negras, ele é imponente. Não tão intimidante quanto a primeira vez que o conheci, na Floreios & Borrões 5 anos atrás, mas o suficiente para me enervar por sua arrogância.
— Você irá trazer Luna para mim – Digo, surpreendendo-me com a firmeza de meu tom – Irei levá-la para casa.
— Mas...
— Não, sem mas.
Ele estreita ligeiramente os olhos, desviando sua atenção para Narcisa. Eles se comunicam por olhares, decidindo algo entre si. A postura de Lucius é defensiva, mas se abranda com a troca de comunicação não verbal.
Estão usando legilimência, percebo.
Narcisa acena para ele e desvia sua atenção para Draco, lhe sorrindo com a boca fechada.
— Ainda não a interrogamos – Informa Lucius, voltando-se para mim – E, seu interrogatório foi uma ordem de Milord.
— Eu cuidarei disso – Garanto.
Ele acena devagar, seus olhos travados em mim. Não esboço qualquer emoção, sabendo que o que ele busca em mim é uma fraqueza.
Um suspiro aliviado escapa de Draco, fazendo com que eu desvie minha atenção para ele.
Um pouco da tensão de seu corpo lhe abandona, seus músculos faciais relaxam e existe alívio em seus olhos. É como se uma tonelada de concreto tivesse sido tirada de seus ombros, fazendo-o respirar pela primeira vez em um longo tempo. Não consigo seguir seu exemplo, sentindo todos os meus músculos tensos e gélidos, mas sua reação me choca.
Ele... Luna?
— Irei buscá-la para você – Diz o sr. Malfoy, lançando um olhar severo para Draco, que por sua vez, o ignora.
Tal pai, tal filho.
Lucius se move com elegância e rapidez, afastando-se de nós e descendo os degraus íngremes. Assim que seus pés atingem a escada, tochas são acesas, iluminando seu percurso. Ele desaparece de nossas vistas em poucos segundos, movendo-se com fluidez e confiança.
Olho para a janela ao nosso lado, vendo flocos de neve caírem do céu, formando um grande tapete branco no chão.
“- Como... Como... – Respiro fundo, buscando me controlar – Como uma horcruxes é feita?
— Magia das trevas, e matando um ser humano – Harry responde, sucinto.”
Meu estômago se revira, enjoando-me.
Sinto a palma das minhas mãos começarem a suar, por isso, coloco-as dentro dos bolsos traseiros de minha calça jeans. O aperto em torno do meu coração volta, trazendo ainda mais agonia.
“- O Instituto das Bruxas de Salem é uma escola complexa de se explicar... É um internato só para garotas e lá se tem regras para tudo; comer, estudar, laser e dormir – Explico – Me manter fora de problemas não vai ser difícil, agora... E você? Consegue se manter longe das sombras, Tom?
Seu nome flui de minha língua com falsa doçura.
Antes de obter uma resposta, adentro a passagem em arco que me levará para os dormitórios femininos. Meu coração salta em meu peito, descontrolado. Sinto que a qualquer momento eu irei desabar.”
Quando a primeira lágrima ameaça cair, encaro meus pés, mordendo minha bochecha com demasiada força.
Palavras não ditas preenchem o silêncio que nos cerca, produzindo um gosto amargo em minha boca. Não quero me perder do presente relembrando o passado imutável.
— Isso mudará as coisas, Hermione – Narcisa rompe o silêncio.
Olho-a, piscando um pouco os olhos para clarear minha visão embaçada por lágrimas não derramadas.
— Eu sei – Murmuro.
O rosto de Harry e Rony me vem à mente.
— Sabe mesmo? Não acho que você esteja vendo o parâmetro todo da situação – Existe repreensão em sua voz, assim como sarcasmo – Quando aquela garota for libertada, existirão questionamentos, perguntas sobre o porquê de você ter influência para soltá-la – Fala, calmamente – E o que você responderá? Mentirá para ela?
— Não posso mentir – Coloco uma mexa de cabelo atrás da orelha, percebendo o tremor em minha mão – Xenofílio Lovegood sabe quem sou – Volto a guarda minha mão em meu jeans, não querendo demonstrar meus nervos em frangalhos.
— Ele sabe que você é a noiva de Milord? – Draco pergunta, franzindo a testa – O pai de Luna sabe?
Aceno com a cabeça, confirmando.
— Isso não é bom – Diz, cruzando os braços enquanto balança a cabeça em negativa, parecendo meditar algo ruim em sua mente.
— Diga-nos o porquê não é – Pede, assim como eu, sabendo o motivo. Mas, por algum motivo particular, precisando que ele verbalize isso.
Narcisa e eu nos olhamos por breves segundos.
— Ele é o editor do Pasquim – Afirma para nenhuma de nós em especial, com sua atenção presa na passagem por onde Lucius sumiu.
— Um lunático que comanda uma revista decadente sabe do nosso segredo, ótimo! – O tom irônico de Narcisa transborda veneno – Excelente!
— Não o chame assim – Ordeno, trincando a mandíbula.
— Nós mantemos sua identidade secreta por vários meses, menina – Diz, aproximando-se de mim – Mesmo com o baile e todos aqueles comensais, Milord fez com que todos se mantivessem calados sobre quem era sua noiva. Ninguém da ordem, ninguém de Hogwarts, ninguém que não pertencesse ao círculo íntimo dos comensais sabia sobre você... E sabe por quê? Porque assim você não precisaria escolher um lado, só teria que se manter longe dos nossos assuntos e deixar que Milord cuidasse de tudo. E agora?
O aperto em minha garganta é doloroso, sufocante. Ela não está mentindo, não está tentando me ferir. É apenas a verdade absoluta da minha situação sendo jogada em minha cara.
— Agora, querida sobrinha, você provavelmente tem 24 horas até que todo o mundo bruxo saiba quem é a noiva de Voldemort.
Ela joga as mãos para cima em exasperação, me dando as costas no mesmo instante em que Luna emerge do porão com Lucius ao seu lado.
Prendo a respiração, meu coração dispara.
Merlin.
[...]
A Gruta das Estações é um lugar realmente bonito de se olhar, com suas rochas incrustradas com pedras preciosas, cercada por água cristalina e uma forte luminosidade proveniente tanto do teto aberto, quanto dos vários cristais cintilantes dentro da água, é realmente um ambiente magico.
— Se mais uma horcrux for destruída, muitas de nós irão morrer, não é?
A pergunta de Métis não abala Morgana o suficiente para que ela desvia sua atenção da mulher deitada na cama à sua frente. Sua mente está tomada por variações intermináveis de pensamentos.
— Sim – Diz, passando o pano gelado em suas mãos sobre a testa da bruxa adoentada, após segundos de silêncio.
Ver Selene quase translucida de tão pálida é o suficiente para assumir completamente a mente da atemporal, por isso, ela não se importa em enfeitar as consequências catastróficas da destruição das horcruxes para sua discipula.
Métis encolhe os ombros, sentindo o famoso repuxão de medo no estômago.
— Minha senhora, o que será de Avalon se o menino morrer? – Pergunta em um sussurro temeroso.
Elizabeth desponta mais adiante, trazendo consigo a poção que trabalhou durante horas no preparo. Seu rosto demonstra cansaço, mas seus olhos transbordam alívio por ter conseguido.
Pegando a poção de ervas que a mesma lhe estende, Lefay tenta fazer com que Selene beba, mas a mesma permanece inerte na cama, piscando seus olhos sem realmente se focar em nada.
— Não é com Avalon que devemos nos preocupar – Diz, ajudando Selene a se inclinar para poder beber a poção – É com a magia que sustenta o mundo bruxo.
Chegou a hora, pensa, vendo sua pupila engolir o líquido com dificuldade. Eu já esperei demais Tom tomar uma atitude certeira.
[...]
Ela perdeu peso.
É uma observação estranha, mas é a primeira coisa que percebo em minha rápida análise, vendo Lucius parar ao seu lado, com sua varinha em punho apontada para ela. Seus olhos azuis se focam em mim assim que ela atinge o topo da escada.
A surpresa é imediata, seu corpo se sobressalta.
— Hermione.
Não consigo sorrir, com meus sentimentos sufocando-me, por isso, aproximo-me dela a passos rápidos e agarro seu corpo, abraçando-lhe com força.
— Eu sinto muito – Murmuro contra seu ouvido, sentindo seu coração disparado igualar-se ao meu.
Ela retribui meu abraço com cautela.
— Não entendo... – Sua voz rouca não passa de um sussurro – Por que você está aqui? Foi capturada também?
Afasto-me dela com a mesma rapidez com a qual lhe abracei, estudando seu estado, a procura de ferimentos. Não encontro nada.
Suas roupas estão amassadas, mas não existe rasgos ou arranhões em sua pele exposta. E mesmo seu cabelo estando desgrenhado e sua pele mais pálida que o normal, não existe qualquer indicativo de que ela tenha sofrido algum ataque físico. Isso me acalma.
— Você está bem? – Pergunto, fitando seus olhos confusos e ignorando propositalmente suas perguntas – Te machucaram?
— Não somos bárbaros – Lucius fala, movendo-se para longe, se unindo a Narcisa e Draco – E nunca iriamos contra uma ordem direta de Milord. Ela não foi ferida.
Atiro-lhe um olha irritado, recebendo um dar de ombros em resposta.
Draco atrai minha atenção para si por breves instantes, surpreendendo-me pela vulnerabilidade que demonstrar. Seus olhos estão fixos em Luna, culposos. Seus ombros estão caídos de forma derrotada. Narcisa parece segurá-lo no lugar, impedindo-o de se aproximar de nós. Ao ouvir as palavras do pai, percebo que ele enrijece o corpo, não gostando de seu tom.
Volto-me para Luna, segurando suas mãos entre as minhas. Suas sobrancelhas estão unidas e ela parece tentar entender tudo o que a cerca.
— Não se preocupe, irei te levar para casa.
Seus olhos se arregalam um pouco, desviando sua atenção de mim para a família Malfoy e depois de volta para mim.
— Eu não... não compreendo... – Existe hesitação em sua voz – É como se minha mente estivesse embaralhada por zonzóbulos, mas sem realmente está. Faz sentido? Não sei, é confuso.
— Não foram os zonzóbulos que provocaram toda essa confusão – Digo, não conseguindo esconder a amargura em minha voz.
Coloco uma mexa de seus fios atrás de sua orelha, tentando sorrir para lhe passar confiança. Meu rosto se retorce mais em uma careta do que propriamente em um sorriso. Quero lhe acalmar, dizer que tudo está bem, mas a verdade é que não está. Estamos em meio a uma guerra, é tudo ou nada.
— Quero a varinha dela – Falo, desviando minha atenção para Lucius – Iremos embora, mas não sem sua varinha – Solto sua mão e me ponho ao seu lado, entrelaçando nossos braços – E quero para agora.
Ele acena, nenhum pouco surpreso com isso.
— Kirky, venha aqui – Ordena, sua voz soando autoritária e arrogante.
A elfa aparece em poucos segundos, curvando-se em uma reverencia exagerada.
— Traga a varinha da garota – Ordena, sem nem ao menos esperar ela falar.
— Sim, meu senhor.
— E água, traga um copo d’água Kirky – Draco pede, soando mais educado que seu pai.
Narcisa e Lucius lhe encaram, confusos.
— Sim, Kirky está aqui para servi-los.
Ela volta a reverenciar, curvando-se corpinho pequeno para baixo.
— Você deveria ser mais gentil – Digo para Lucius, vendo Kirky desaparecer novamente.
— Ela é apenas um alfo, nada mais – Diz, olhando-me com displicência.
— Ela é um ser vivo, merece respeito – Retruco, tentando controlar meu temperamento.
— Não vou discutir sobre como eu trato meus empregados com você – Fala, erguendo o queixo de forma arrogante – Não com você.
Sinto Luna se remexer ao meu lado, desconfortável.
Posso imaginar o quão louca a situação pode parecer pelo seu ponto de vista. Estou dialogando e lhe libertando de seus captores sem nenhuma resistência da parte dele, é pura insanidade.
— Todos estão agindo como se você fosse um agoureiro que está prestes a anunciar suas mortes, e por isso, te obedecem – Comenta ela, parecendo divagar em seus próprios pensamentos.
Draco tosse para disfarçar seu riso, enquanto Narcisa encara Luna como se ela fosse um animal exótico a ser estudado. Lucius parece ter comido algo estragado, completamente desgostoso pelo jeito peculiar dela.
— Você não se parece com Abraxas e Anelise – Deixo escapar, fazendo todos me encararem – Quero dizer... Bom, não estou falando do físico... Seus pais eram... Você é mais... – Pigarreio, clareando minha garganta – Não importa.
Seus ombros se arqueiam evidenciando sua estrutura óssea intimidante.
— Pode ter certeza, Milady, que eu sou exatamente igual a eles – Diz, enfatizando a formalidade com a qual se dirige a mim.
Filho da mãe.
Luna gira o pescoço tão rápido para me encarar, que escuto seus ossos estralarem. Vejo suas engrenagens trabalhando furiosamente, juntando todos os pedaços de nossas conversas e encaixando-as na situação em que nos encontramos. O Milady é mais do que alto explicativo.
O barulho de aparatação chega aos nossos ouvidos. Kirky surge com uma caixa de tamanho médio estreita em uma das mãos, portando o que imagino ser a varinha de Luna, e um copo de água na outra.
Antes que Lucius possa pegar os objetos de suas mãos, Draco se põe em seu caminho e pega a caixa e o copo, vindo em nossa direção sem se importar com o grunhido irritado de seu pai. A elfa desaparece assim que os objetos são tirados de sua mão.
Caminhando até nós com passos curtos, ele me entrega a caixa sem nem ao menos me olhar, completamente focado em Luna. Seu corpo para a poucos centímetros do dela. Ela permanece me encarando por um tempo, alheia a aproximação dele.
— Isso é para você – Draco fala, estendendo o objeto em sua mão direita para ela.
Luna franze a testa ao vê-lo lhe entregando o copo d’água. Seus dedos se fecham contra o copo por puro reflexo, presa em suas íris cinzentas. Vejo que com o movimento, suas mãos se tocam e isso produz um ligeiro enrijecimento no corpo de ambos.
Okay...
— Você deve estar com sede – Diz ele baixinho, focado em seu rosto. Suas mãos se grudam nas ladeiras de seu corpo.
Luna pisca, acenando com lentidão afirmativamente.
— O-obrigada – Murmura ela.
Ele nada diz, apenas balança a cabeça e se afasta, deixando-a degustando o líquido com cautela.
Antes que qualquer um possa quebrar o silêncio constrangedor que se instala, Kirky volta a aparecer.
— Meu senhor, o bando de Fenrir Greyback está na entrada de vossa mansão pedindo uma audiência – Informa, caminhando a passos lentos até Lucius – Ele está sendo recebido pela senhora Bellatrix, que por está no jardim, viu-os chegando e foi ao seu encontro.
Meu estômago embrulha ao ouvir o nome dela.
Merda.
— Precisamos ir embora – Sussurro para Luna, vendo-a terminar de beber a água com poucas goladas.
Narcisa me lança um olhar urgente, pedindo-me silenciosamente para ir embora antes que a Lestrange entre pela porta.
— Sim, por favor – Diz, me encarando com receio.
Ela estende o copo para Draco, que o pega sem dizer nada.
Fecho meus dedos envolta de seu antebraço, vendo seu corpo se preparar para ser sugado pela aparatação. Sinto o repuxão conhecido começar a desestruturar minhas moléculas. Antes que possamos desaparatar para sua casa, a porta é aberta e um grupo de pessoas entram.
Tenho a ligeira impressão de conhecer o ruivo e o moreno que estão sendo arrastados para dentro do cômodo, mas por estamos distantes não os reconheço. O olhar de Bellatrix trava em mim, estagnando seu corpo no lugar.
Desapareço por completo, levando Luna comigo sem nenhum remorso.
[...]
O túmulo branco jaz em ruinas aos seus pés, com todos os seus escombros jogados em várias direções distintas. Não existe satisfação ou desconforto aparente em Voldemort, apenas o mais explícito e costumeiro tédio. O bruxo encara o corpo sem vida de seu antigo professor com a mesma consideração que daria para um pedaço de madeira podre na estrada.
Um sorriso irônico desponta em seus lábios.
Ele aproxima seu rosto do dele, vendo sua palidez fantasmagórica ser acentuada pela noite densa e fria. Seus olhos percorrem uma curta distância até seu alvo, deparando-se com a Varinha das Varinhas presa entre seus dedos mortos.
Com um breve aceno de varinha, ele tem todo o perímetro esquadrilhado, desarmando qualquer feitiço que pudesse vir a lhe incomodar. E então, sua mão agarra o objeto magico e o ergue, trazendo-o para próximo de seus olhos carmesins.
Tom estuda a varinha com atenção, gravando seus detalhes em sua mente enquanto sente a corrente de poder atravessar seu pulso, infiltrando-se em suas veias.
— Você fez um belo estrago aqui – A voz da atemporal surge, fazendo-o se virar para encontrá-la parada em meio as sombras.
Nenhuma emoção passa por seu rosto.
— O que você quer, Morgana?
— Tão simpático como uma bola de canhão – Ironiza, aproximando-se dele.
O homem revira os olhos, nenhum pouco disposto a jogar conversa fora.
— Mais uma de suas horcruxes foi destruída – Ela diz, estancando ao seu lado, encarando o corpo do homem com a mesma expressão neutra do Lord das Trevas – Estamos ficando em desvantagem.
Ele trava a mandíbula, fechando seus dedos com força envolta das duas varinhas em suas mãos.
— Avalon já está sendo afeta mais do que pode suportar – Morgana prossegue, cruzando os braços – Precisamos parar os avanços do garoto, Tom.
Ter um pedaço de sua alma destruído causa-lhe uma dor tão excruciante quanto ser queimado vivo. É quase impossível se manter consciente quando isso acontece, e a única coisa que pode que se salvar nestas situações é o fato de que nas duas vezes em que isso aconteceu, Hermione não estava presente para ver sua agonia.
— O maldito é escorregadio, mas a sorte dele não durará para sempre – Fala, imerso em raiva.
Ela balança a cabeça em concordância.
— Até sua sorte se acabar, preciso que suas horcruxes sejam protegidas de modo eficaz – Ela se vira para encará-lo.
Por ser alguns centímetros mais baixa, é preciso que Morgana erga seu queixo para lhe olhar diretamente nos olhos.
— Diga logo para o que veio – Manda, voltando-se para ela – Não tenho paciência para enrolação, Lefay.
Ela revira os olhos, deixando suas mãos caírem ao lado de seu corpo.
— Quero as horcruxes que sobraram, eu mesma irei protegê-las a partir de agora.
“A vantagem da desvantagem é por ninguém esperar nada dela, ela pode alcançar seus objetivos no tempo certo, sem nenhuma pressão.”
— Andre Sault
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