— Prezada Comunidade, prezados familiares enlutados! Profundamente consternados e entristecidos nos reunimos aqui. A morte repentina e inesperada de nossa irmã, nos mostra toda a nossa limitação humana e terrena; nos mostra quão pouco somos capazes de dirigir e determinar os passos de nossa vida – Introduz o padre, segurando sua bíblia sagrada junto ao corpo.

Mordo meu lábio inferior com força, fechando os olhos por alguns segundos.

O dia está nublado, tão nublado quanto meu humor. Por minhas contas, já deve passa das 16hrs da tarde. De onde estou, embaixo de um carvalho de aparência centenária, consigo ter uma visão panorâmica de tudo que me cerca. Pessoas, lápides e grama. Deixo minhas mãos coladas ao lado do meu corpo, mesmo minha visão embaçando pelas lágrimas escorrendo por minhas bochechas.

— Nesta hora de despedida e dor, quando pranteamos a dor da despedida, não podemos deixar as lágrimas nos ofuscar a visão de vermos a bondade de Deus, que ofereceu 102 anos de vida para sua amada filha, Agatha Granger – Ele faz uma pausa, encarando as 20 pessoas que o cerca – Foi bênção de Deus. E através do seu amor, Deus também pode abençoar os familiares dessa bondosa alma que se foi.

Pisco por entre as lágrimas, concentrando minha atenção no caixão marrom lacrado em cima de uma estrutura engenhosa de madeira. Paro de presta atenção no que o padre fala, abraçando meu corpo protetoramente e divagando entre lembranças nossas juntas.

Prendo minha respiração, cravando minhas unhas na carne dos meus braços.

Te amarei para sempre, tia Agatha.

— Sejam fortes e tenham coragem, todos vocês que põem a sua esperança no Senhor! – Diz, recebendo fungados em resposta – Entregamos a nossa irmã nas mãos salvadoras de Jesus Cristo. Queremos fazê-lo na certeza de que “se vivemos, vivemos para o Senhor. Se morremos, é para o Senhor que morremos. Tanto faz se vivemos ou morremos, pertencemos ao Senhor. Foi para isto que Jesus Cristo morreu e ressuscitou: para ser Senhor dos vivos e dos mortos”. Terra à Terra, Cinza à Cinza, Pó ao Pó! Na certeza da ressurreição para a vida eterna, mediante o nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. De terra fostes formado e a terra tornarás. Jesus Cristo nosso Salvador te ressuscitará.

O caixão é baixado na cova rasa após uma liturgia de quase quarenta minutos. Quando a primeira pá de terra é jogada dentro do buraco frio os braços de Morgana me rodeiam por trás, impedindo meu corpo de ceder ao desespero.

— Eu não... Não consigo... – Cubro minha boca com a mão, soluçando – É tão difícil... Não consigo ser forte.

Ela intensifica seu aperto sobre mim, murmurando palavras de consolo em meu ouvido.

— O Senhor nos abençoe e nos guarde, o Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre nós e tenha misericórdia de nós. O Senhor sobre nós levante a sua face e nos dê a sua Paz. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém. – Encerra ele, sendo seguido por todos em seu ato de fazer o sinal da cruz com a mão direita.

Vejo minha mãe se agarrar ao meu pai em busca de consolo, enquanto ele se mantém forte, não derramando uma única lágrima sequer desde que chegaram. Sua dor apenas refletida em seus olhos opacos e palidez fantasmagórica.

Meu peito se comprime de saudade e amor, mas a dor aterradora da perda me sufoca, criando nódulos em minha garganta. Engulo minha saliva com dificuldade.

— Eu sei que ser forte é difícil agora, querida – Sussurra em meu ouvido, colando seu rosto em meu cabelo – Mas tenho certeza que você irá superar isso. Sinto muito por suas perdas, Hermione – Sua voz me soa sincera e calorosa, inflamando uma raiva que não sabia está guardando.

Minhas perdas...

Me desvencilho dos seus braços e viro-me para encará-la, não sem antes ver todos começando a se dissipar e meus pais sumindo do meu campo de visão.

— Minhas perdas... – Minha garganta arde pelo choro contido – Isso tudo é culpa sua!

Ela não se abate com meu súbito rompante de raiva.

— Se você não tivesse me mandado para o passado, eu não teria me apaixonado por Tom, não teria deixado meus pais e muito menos tido que apagar a mente deles para o homem que amo não matá-los por você ter me trazido de volta. Como você consegue dormi a noite sabendo o quão fodida minha vida é por sua culpa? – Não grito, não tenho forças para isso, mas sou fria, dura e cruel – Eu perdi tudo, Morgana. Tudo por sua culpa... E você nem me diz ao menos o propósito dessa merda toda.

Ela desvia o olhar, parecendo verdadeiramente culpada.

— Você tem todo o direito de me odiar, criança – Ela começa, voltando a me encarar – Não peço seu perdão ou sua compreensão, o que fiz e faço em sua vida é uma grande bagunça, cheia de imprevistos e consequências desastrosas. Mas, Hermione... Eu preciso que você confie em mim.

Rio sem humor.

— Como posso confiar em você quando tudo que conhecia e amava desmorona à minha volta desde que você entrou em minha vida?

Ela não retruca, não se desculpa ou se explica, apenas fica em silêncio, me encarando como se a qualquer momento eu fosse explodir. O que não está longe da realidade.

[...]

Terminando de ajustar seu penteado meio-preso, Narcisa penteia a parte solta com delicadeza, ignorando os tremores em suas mãos e sua postura derrotada.

Preciso fazer isso, tenta se convencer, e mesmo que ele perceba que tem algo errado, não importa. Me dará tempo para pensar em algo.

Ela sorri teatralmente para o espelho, mas seu sorriso não chega aos olhos.

Me desculpe, Annete, mas preciso apagar suas memórias sobre mim e Hermione no mesmo contexto.

Quando deixa a escova de lado, sua postura se alinha, seu queixo se projeta para frente arrogantemente e seus olhos assumem uma determinação fingida. Ela se levanta da frente da penteadeira, acaricia o tecido do vestido preto para tirar qualquer vínculo de amassado e abandona seu reflexo, saindo de seu quarto com a cabeça erguida.

Preciso fazer isso para o nosso bem. Se ele descobrir que eu sei... Ela não completa sua linha de pensamentos, sabendo que isso só fraquejaria sua determinação ainda mais.

***

— Faz muito tempo desde a última vez que estive aqui – Observa a bela mulher, sorrindo com simpatia para sua amiga de longa data – Como seu filho está?

Narcisa contém o ímpeto de revirar os olhos para a observação óbvia da outra bruxa.

— Draco está bem – Responde, franzindo levemente o canto da boca – Está cursando seu sexto ano em Hogwarts – E incumbido de uma missão suicida, completa em pensamentos – E como Mabelle está?

A diretora substituta do Instituto de Salem se remexe na cadeira, desconfortável.

— Uma verdadeira bagunça – Revela, suspirando logo em seguida – Sua saúda não é mais como antes, assim como sua mente – Ela beberica seu chá, encarnado as paredes da Mansão Malfoy sem realmente vê-las – Está sofrendo de percas de memória progressivas. Já tentamos todos os tipos de tratamento e nada funciona, sua mente continua lhe traindo.

— Isso é uma pena. Mabelle é uma das mulheres mais brilhantes que já conheci – Elogia a Malfoy, oferecendo com a mão a bandeja de quitutes refinados só para vê a outra recusar.

Depositando sua xícara no pires, Annete Salem fixa sua atenção em Narcisa.

— É realmente bom conversa contigo pessoalmente de novo, me lembra os velhos tempos. Mas, imagino que não foi para colocar a conversa em dia que você me chamou aqui – Suas sobrancelhas negras se curvam em arco perfeito – Minha vinda aqui é sobre aquele assunto que conversamos por cartas? A sangue-ruim? Por que você me pediu uma vaga para ela em Salem, pra começo de história?

Retorcendo-se por dentro pela mesma querer saber seus motivos, a loira Black deposita sua xícara na mesa com mais forças do que pretendia justamente no momento em que Bellatrix Lestrange invade sua sala privada.

[...]

Os dias transcorreram em uma confusão mental completa. Mal consigo me concentrar no que me cerca, presa em um letárgico estágio depressivo. À princípio tomada de dor pela perda, mas com o tempo tendo outros assuntos entrado em foco na minha cabeça.

Tom e meus pais são os únicos temas recorrentes em minha mente, fazendo com que eu tenha que me policiar a todo momento para não ficar pensando sobre o que eles estão fazendo, com quem estão e se estão sentindo minha falta ou não. Sobre isso, minha insegurança leva a melhor sobre mim mesmo quando estou dormindo, infiltrando sonhos deturbados em minha mente, aonde sou constantemente “trocada” por várias pessoas sem rosto ou nome.

Meu inferno pessoal.

Com o passar do tempo, crio uma rotina imperturbável na ilha, variando-a raríssimas vezes. Meus dias consistem em acordar, comer o máximo que minha disposição permite, treinar os feitiços que Morgana empurra para mim tão prontamente, almoçar algumas frutas para não ficar sem comer nada, usar as plantas de Avalon para fabrica todos os tipos de poções possíveis (indo das cosméticas até às curativas), ir até a praia da ilha encarar o nada até a hora do jantar e me deitar após algumas longas conversas por amigáveis com Morgana.

Entre rompantes de raiva, tristeza profunda e uma melancólica absurda, minha relação com Morgana se solidifica para uma amizade sincera, cheia de altos e baixos. E por mais que eu queira odiar suas ações e manipulações, não consigo desgostar da mesma em absoluto. Sentindo que seu apoio é a única coisa que me mantém sã diante de tantos sentimentos conflitantes.

Enterro o assunto Mérope Gaunt no fundo da minha mente, sabendo que preciso me preservar por algum tempo, mas sem esquecer todas as coisas que aprendi sobre a mesma. Quero encontrar primeiro o meu equilíbrio emocional antes de mergulhar de novo em sua história fatídica.

[...]

— Bella?

Lestrange para ao vê sua irmã acompanhada.

— Ora ora, se não é a primeira e única Annette Salem – Desdenha a ex-prisioneira de Azkaban – O que te trás tão longe de sua toca, Coelhinha?

Ouvindo seu apelido de juventude por ter os dentes da frente avantajados, a bruxa de Salem revira os olhos para a irmã louca de Narcisa. E mesmo não deixando transparecer, a mulher fica surpresa por encontrar a fugitiva andando livremente pela mansão, sem se importa em quem vai encontrar no processo.

A fuga lendária de Bellatrix e seus companheiros Comensais de Azkaban retumbou pelos quatro cantos do mundo bruxo, deixando todos em pânico. Inclusive, as paredes do Instituto de Salem e mesmo as irmãs Mabelle e Annette simpatizando com os ideias do Lord das Trevas, não queriam correr o risco de ganhar sua inimizade ou tomar partido da disputa entre bem e mal.

Sem se abala, Annette acena para a recém chegada com frieza, não se intimidando com sua fama ou suas habilidades nas artes das trevas. Em um combate justo, a bruxa de Salem se garante.

— Vejam só, se não é a ex-prisioneira de Azkaban. Gostaria de se juntar a nós para o chá? – Pergunta com desdém, inflamando a raiva da Lestrange.

— O que você faz aqui, Bella? – Questiona a loira, tentando amenizar a tensão do local – Algum problema?

A bruxa fugitiva desloca sua atenção da diretora substituta e olha para a irmã.

— Eu estava entediada e você sumiu – Afirma, fazendo biquinho.

Sentando-se ao lado da irmã na sala mediana com janelas até o teto, a bruxa pega um bolinho de ameixa e morde, encarando a visita com zombaria.

— Annette e eu precisamos de privacidade, Bella – Soando firme e educada, indiretamente a Malfoy tenta enxotar a irmã para fora da sala.

Revirando os olhos, Bella joga o que sobrou de seu bolinho dentro da xícara de chá da irmã, só para irrita-la.

— Mais segredos, Cissa? – Questiona, o tom baixo e contido da bruxa deixando Narcisa em alerta – Já não basta seus encontros privados com o Lord? – Com seus olhos queimando de raiva, Bellatrix completa friamente, ignorando totalmente a outra mulher na sala.

— Não é a hora e nem o lugar para suas besteiras, Bellatrix – Narcisa rosna, perdendo a paciência – Saia e me deixe a sós com Annette. Não vou pedir de novo.

— Não – Recusa-se, apoiando os cotovelos na mesa e o queixo nas mãos, encarando a bruxa à frente de si – Você está aqui para falar sobre os boatos de que Hermione Granger está no Instituto de Salem, não é?

Um silêncio regado a tensão e surpresa se instala no ambiente. Narcisa sente seu coração chegar até sua boca, completamente chocada.

— Como você... ? – A voz da mãe de Draco falha, perdendo a força.

Os olhos castanhos de Bellatrix zombam do choque de sua irmã.

— Você acha que eu sou idiota? – A pergunta é retórica e ela não espera resposta – Eu sei tudo o que diz respeito aquela garota – Informa, pegando as duas de surpresa. Ela se volta para Annette – Além do mais, por ser amiguinha do Potter, seus passos estão sempre em evidência. Você acha mesmo que seu estranho sumiço não seria comentado? Me poupe.

Engolindo uma torrente de xingamentos, Narcisa toma fôlego para tenta se acalmar e não gritar com sua irmã.

— Qual o envolvimento de vocês duas com ela? – Pergunta Annette, completamente intrigada com o assunto desde que fora pedido por sua amiga que Salem acolhesse Hermione como intercambista. E agora mais ainda por ver a forma como a vida dela era seguida por Bellatrix, a bruxa sem coração.

— Nenhum – Narcisa se apressa em dizer, antes que algo comprometedor pudesse ser dito.

Em silêncio, Bellatrix apenas encara Annete com desconfiança.

— Hermione está mesmo em Salem ou é mentira? – Pergunta diretamente para a diretora substituta.

— Bella... – A voz de Narcisa é cortada por um olhar enlouquecido de sua irmã, evidenciando que ela já estava sucumbindo a sua insanidade.

Um suspiro é ouvido pelas duas, fazendo-as encararem a visitante.

— Eu não me importo com sua relação com ela – Dispara, cansada – Realmente não me contem, é melhor assim – Fala, dando-se por vencida e não querendo mais participar da conversa estranha em que se encontrava – Mesmo eu tendo enviado a carta de aceitação para a Granger, a pedido seu Cissa, é importante frisar. Não é da minha natureza aceitar sangues-ruins em Salem, por isso, fiquei extremamente feliz por ela não ter ido. Mas então esse boato surgiu... – Ela beberica um pouco do seu chá – Preciso desmentir isso. E não importa pedir, Narcisa. Não quero ter nada com isso. Odeio está envolvida em mentiras.

Narcisa abre a boca para falar, mas é a voz de Bellatrix que sai primeiro.

— Seu institutozinho é que deveria se sentir privilegiado em ter seu nome atrelado à alguém tão famoso – Dispara, em um tom suave não natural de sua personalidade – Hermione é a bruxa mais brilhante de sua geração, vocês que saem perdendo em não a terem.

— Como? – Franzindo a testa, Annette é tomada por descrença ao ouvir Bellatrix elogiando uma nascida trouxa.

— Bellatrix, já chega! – A voz de Narcisa sai alterada, tomada por medo – Não escute as loucuras de Bella, Annette. Minha irmã não é mais a mesma desde que saiu de Azkaban – Narcisa tenta contornar a situação, mas é ignorada pelas duas bruxas que se encaravam com avidez.

— Por que você está elogiando uma sangue-ruim, Bellatrix? – Annette questiona, curiosa – Azkaban te afetou tanto assim?

Trincando a mandíbula, a bruxa sente algo brotar em seu corpo, um formigamento contido que se espalha por seus ossos até achegar em seu cérebro. Suas próximas palavras são ditadas por esse formigamento, algo que lhe consome o sentido e lhe desliga da realidade por meros segundos.

— Porque Hermione Granger não é uma nascida trouxa – Fala, com sua mente desligada, não sabendo que tais palavras saiam de sua boca – Ela é minha filha.

Completamente tomada por descrença, Annette apenas encara a bruxa que agora pisca freneticamente, saindo do seu transe sem se dar conta do que tinha acabo de falar.

Se existisse um precipício na propriedade Malfoy, Narcisa se jogaria naquele momento sem pensar duas vezes, mortificada com a estupidez da irmã.

— O que você disse, Bellatrix? – Uma voz rouca e profunda, repleta de descrença pergunta da entrada da sala, levando as mulheres ao espanto.

— Milord? – Exclama Narcisa e Bellatrix em uníssono, Annette sente seu coração parar de bater ao se encontrar na presença do grande bruxo das trevas.

Adentrando o cômodo com sua veste farfalhando pelo chão, uma áurea de poder sufoca o ambiente, respondendo ao humor do homem.

— Hermione é sua filha, Bellatrix?

***

Sorrindo para a cena que acabou de orquestrar, Morgana Lefay, que até então estava encoberta por sua magia no ambiente, desaparata para Avalon, deixando o lugar vitoriosa.

Não fora coincidência Bellatrix se sentir subitamente entediada na mansão, e muito menos saber o lugar exatamente onde sua irmã estava. Para isso, Lefay usou pequenos truques de magia, mas sem exagerar para não deixar sua presença ser sentida.

A chegada do Lord também não fora um acaso. Após enfeitiçar o pequeno elfo encarregado de cuida dos jardins da mansão para dizer a Tom que Narcisa o aguardava em sua sala com Annette, Morgana só precisou esperar o momento certo para fazer, através de magia, Bellatrix revelar ser mãe de Hermione e ele escutar.

A bruxa atemporal manipulou toda a situação desde o momento em que soube da vinda de Annette para a mansão, alguns dias atrás e sabendo também que outra oportunidade assim não teria.

[...] Cinco Semanas Depois [...]

Aplico força no rolo de madeira em minhas mãos, amassando a massa de cookie na mesa polvilhada com farinha.

Sorrio, deliciando-me em antecipação.

— O que você está fazendo? – Morgana pergunta, adentrando a cozinha segurando um grande buquê de tulipas, um hábito seu que aprendi a admirar.

Todos os dias ela sai e trás um buquê de alguma flor da ilha, adornando a cozinha, aonde fazemos nosso café da manhã.

— Cookies com gotas de chocolate – Falo, deixando o rolo de lado e pegando o cortador circular de metal para dá os formatos redondos – Eu amo o fato da sua cozinha ser abastecida com todas os ingredientes mais improváveis do mundo.

Ela sorri, tirando uma jarra de porcelana do armário e colocando as tulipas dentro, enquanto me empenho em corta o máximo da massa que consigo, salivando pelos biscoitos.

— Enfeiticei ela para isso – Revela, depositando um pouco da água da torneira no jarro e indo colocá-lo em cima da mesa – Por que cookies? – Sua curiosidade me faz querer ri.

— Acordei com vontade – Digo, lembrando-me de acorda com o gosto desse doce na boca mais cedo – É raro, principalmente para meu estado atual, mas as vezes tenho essas desejos culinários estranhos – Concluo, terminando de corta a massa como quero.

— Posso te ajudar com algo?

Faço que sim.

— Você poderia assá-los para mim enquanto tomo banho? – Peço, largando o cortador de lado e indo lavar minhas mãos – Acordei cedo e vim direto para cá. Quero tomar banho antes de comer.

— Claro.

Ela vem até o meu lado e lava suas mãos também. Batendo seu ombro no meu de forma delicada, sorrimos uma para a outra com cumplicidade.

— Você acordou com um ótimo humor – Comenta, secando suas mãos e depois me entregando a toalha.

— Sim, realmente – Deixo a toalha na parte seca da pia e ajeito meu rabo de cavalo com as mãos, reforçando sua estrutura – Acordei me sentindo mais leve hoje.

Ela acena, aprovando meu estado.

— Fico feliz por te ver bem – Diz, apertando minha bochecha com carinho – Espero que você acorde mais dias assim.

— Obrigada, Morgana.

Ela pisca pra mim, me enxotando da cozinha de forma brincalhona.

***

Volto para a cozinha com uma toalha amarrada na cabeça e de banho tomado, cheirando a limpeza e morango.

Assim que adentro o ambiente o cheiro de cookies assados me bate diretamente no estômago, revirando minha barriga ao avesso.

— Você gostaria de comer agora ou mais tarde? – Pergunta amavelmente.

Morgana tira uma fornada do fogão, colocando-a em cima da mesa, junto com os demais cookies prontos. O cheiro adocicado fica mais forte conforme eu respiro. É como se os cookies tomassem conta dos meus sentidos, entrando em todos os meus sistemas. Sinto minha garganta se fechar. Meu estômago revira com o cheiro doce e quente.

Antes que eu possa falar qualquer coisa, meus pés se movem por vontade própria e eu sou levada à pia da cozinha em grande velocidade. Agarro suas bordas e começo a vomitar compulsivamente, jogando tudo o que comi no dia anterior para fora.

— Hermione...

Ela se aproxima de mim, posso perceber por seus passos no piso ficando mais próximos, mas não consigo lhe encarar, enterrada em vômito.

Suas mãos acariciam minhas costas curvadas, mas não melhora. O cheiro doce no ar só me faz vomitar mais ainda.

— Eu não entendo... – Sua voz é baixa e confusa.

Ela tenta de novo, acariciando minhas costas e provavelmente usando sua magia para tentar me ajudar, mas nada acontece.

Vomito alguns líquidos ácidos antes de conseguir falar.

— O cheiro... O cheiro dos cookies... – Volto a vomitar.

— Ah!

Ela entende minhas palavras entrecortadas e em poucos segundos o cheiro some, sendo substituído por um calmante cheiro de ervas e flores do campo.

Fraca e trêmula, nada mais sai do meu estômago.

Sinto um pano úmido e frio ser colocado em minha testa, fecho os olhos, apreciando o gesto gentil Morgana.

— Obrigada – Consigo sussurrar.

— De nada, querida.

Agarrando meus ombros, ela me ajuda a sentar em uma cadeira. Percebo que os cookies sumiram da mesa.

— Não sei por que isso acontece – Falo, extremamente cansada – Será que é uma virose?

Ela balança a cabeça em negativa, seu rosto é uma máscara impenetrável.

— Só existe um motivo para uma mulher vomitar dessa forma por causa de um simples cheiro.

Franzo a testa.

— O que é?

Ela continua me encarando de modo indecifrável, como se seus pensamentos fossem um segredo que precisa-se ser guardado a sete chaves.

— Acredito que você está grávida, Hermione.

Suas sete palavras selam meu destino, trazendo apenas uma emoção, pânico.

“Em nossas vidas, a mudança é inevitável. A perda é inevitável. A felicidade reside na nossa adaptabilidade em sobreviver a tudo de ruim.”

— Buda

Notas finais
Espero que vocês gostem do capítulo. Eu fiz com muito amor pra vocês ❤️ Leitores fantasma, pronunciem-se!! Prometo que só vou enchê-los de amor ❤️ Então... O que acharam das descobertas? Sendo que essa da gravidez muitos já estavam desconfiando kkkkkkk. Vocês são melhores que o FBI e a CIA juntos ❤️❤️❤️ Beijinhos sabor descobertas!!