Desire Obsolete

38 Controlar (POV - TOM)


Trinco a mandíbula, estalando o pescoço para aliviar a tensão do meu corpo. Já passa do horário do toque de recolher, os corredores estão desertos e escuros, do jeito que eu gosto. Por isso, não me preocupo em deixar minhas emoções transparecerem em meu rosto.

Como ela conseguiu manter isso em segredo por tanto tempo? Questiono-me, deixando meus pés fazerem meu percurso no automático. Uma sangue-puro... E uma Black. Hermione é uma verdadeira caixinha de surpresa.

Reviro meu olhos, assumindo meu melhor semblante comedido quando chego à entrada do salão comunal da Sonserina.

Entro após sussurrar a senha.

Ela desapareceu o dia todo, claramente evitando à todos, penso, parando próximo as quatro figuras sentadas perto da lareira. E não comeu nada... Que idiotice, Hermione!

Abraxas e Pollux me saúdam com um balançar de cabeça, enquanto Nebolus e Evan encaram-me em expectativa.

Olho ao redor, constatando que estamos sozinhos. Deixo minha máscara de indiferença cair, pegando-os de surpresa com a intensidade da raiva refletida em meu rosto.

— Como porra vocês não descobriram que ela é uma sangue-puro? – Rosto, fazendo-os saltarem para trás – E ainda por cima da sua família, Pollux!

Ele começa a balançar a cabeça freneticamente.

— Eu não... N-não sei, milord. Ela não aparece em nenhumas das nossas árvores genealógicas. Eu re-almente não se-ii... – Dispara gaguejando, encolhendo o corpo como um animal ferido. Estreito meus olhos, fazendo-o se encolher ainda mais – Mas.eu.irei.pedir.ao.meu.pai.para.pesquisar.sobre.ela – Fala em um fôlego só.

Patético.

Sento-me em minha poltrona favorita, de frente para a lareira, ignorando-os.

Essa maldita tortura meus pensamentos há tempo demais. Preciso dá um basta nisso tudo. Mas nem contar com esses idiotas eu posso.

— Vocês falharam em descobrir quem ela realmente é – Começo, diminuindo meu tom de voz – E eu odeio falhas, então...

— Meu senhor, perdão – Abraxas me interrompe, cauteloso.

Nebolus arfa ao seu lado, tendo conhecimento de causa de como eu odeio ser interrompido. Provavelmente ainda tendo pesadelos com o que eu o fiz passar por essa mesma falta de educação no ano passado.

Encaro Abraxas, ponderando sobre qual feitiço usar para lhe causar dor.

— Perdão pelo fracasso e pela interrupção, Milord. Mas... – Ele para, respirando fundo, esperando que eu lhe dê meu aval para continuar.

— Mas o que, Malfoy? – Tento controlar minha raiva, sabendo que não é a hora nem o lugar.

— Estamos praticamente procurando alguém que não existe – Diz, exasperado – Meu pai não achou nenhuma informação sobre ela no Ministério da Magia, e todos os nossos esforços para descobrir algo sobre ela aqui sempre falham, porque ninguém sabe nada além do que ela conta. Estamos a mercê do que Hermione fala. E se vocês não tivessem escutado sua conversa com Lefay, nunca saberíamos que ela é uma Black.

— Onde você quer chegar, Abraxas? – Evan pergunta, franzindo a testa.

— A chegada dela aqui... Nada daquilo foi normal – Ele balança a cabeça, clareando a mente – O professor Dumbledore age como se ela fosse sua protegida, e não uma aluna de intercâmbio normal. É como se eles se conhecessem, ou pelo menos, como se eles partilhassem algum segredo.

Cruzo os braços, já ficando entediado com as voltas que Abraxas dá na conversa. Nada do que ele fala eu já não havia pensado, de mil formas diferentes até.

— Continuo sem entender – Nebolus dispara, suspirando.

E por que será que isso não me surpreende?

Antes que Malfoy prossiga com suas divagações irritantes, ergo minha mão para cala-lo.

— O que Abraxas quer dizer é que miss Black tem em Dumbledore um forte aliado, e que por isso, não iremos descobrir nada sem ser diretamente da fonte — Levanto-me, indo até a lareira – Por isso, a parti de agora, eu assumo o desenrolar dessa história.

Eles assentem prontamente em concordância, aliviados por serem destituídos dessa missão.

— Mas, isso não quer dizer que vocês ficaram sem fazer nada, é claro – Prossigo, caminhando preguiçosamente em volta deles – Trenem os feitiços que ordenei com muito afinco, pois o mínimo de falhas a partir de agora não será tolerado. Estou sendo muito condescendente com vocês. Mas isso termina agora.

— Perdão? – A voz de Pollux sai baixa e hesitante.

Viro-me para eles, sorrindo friamente.

Vejo seus corpos tensionarem de medo, suas posturas ficando mais eretas e seus olhos esquadrilhando o cômodo, provavelmente ponderando se deveriam fugir ou não.

— Como vocês já se provaram ineficazes em descobrir os segredos de Hermione Black, a partir de agora, eu irei fazer isso – Paro ao lado de Abraxas – Então, torçam para não falharem mais comigo. Minha paciência tem limites – Solto um suspiro cansado, dou as costas para eles e vou me servi de água.

Pego um copo em cima do aparador e encho-o usando a jarra d'água que sempre ficava ali também.

— Abraxas, eu quero que você descubra se o velho contatou alguém do Ministério desde que Hermione chegou aqui – Digo após beber um gole generoso de água, sem encará-los – Pollux e Evan, assim que eu descobrir os nomes dos pais dela, vocês iram me trazer um dossier sobre eles dentre 24 horas — Vejo-os assentirem – E Nebolus, a lista de alvos para o Halloween eu deixarei para você montar. Entregue-a para mim até o fim da próxima semana, sem falta – Término de beber minha água, deixo o copo no aparador e sigo até o corredor que leva ao meu dormitório.

Paro antes de sumir de suas vistas. Viro-me para eles e sorrio de lado, pegando-os de surpresa.

— Dentre alguns dias vocês receberam a notícia de que estou namorando... Espero receber felicitações – Concluo, deliciando-me com suas expressões atônitas.

Sigo meu trajeto sem olhar para trás, deixando meu sorriso morrer.

No amor e na guerra vale tudo, não é mesmo?

[...]

Tiro a toalha dos meus quadris e jogo-a em cima da cadeira, andando até minha a cama sem me preocupar em estar sem roupa.

Pego minha varinha em cima do criado mudo e apago as luzes. Deito-me e fecho os olhos, deixando meus músculos relaxarem enquanto giro minha varinha entre os dedos.

Conto mentalmente quantos metros se passariam de onde estou até chegar ao meu alvo, e qual percurso minha mente deve tomar para chegar lá.

Corredor. Salão Comunal. Escadaria. Corredor. Penúltima porta à direita.

Hermione... Paro, indeciso. Granger ou Black? Porra.

Grunho, aborrecido.

Bosta de dupla identidade, penso, antes de voltar à minha contagem.

Quanto sinto minha mente começar a se entorpecer de sono, conjuro meu feitiço.

— Usque ad Vos – Murmuro, sendo empurrado instantaneamente para dentro da mente dela.

Sorrio, encontrando uma tela em branco no lugar de onde deveriam estar seus pensamentos.

Ergo minha varinha e me concentro em manter minha magia indetectável, fazendo-a fluir suavemente através de mim, entrando pelas frechas de sua mente.

Alguém aqui está profundamente adormecido, constato sorrindo, vendo o branco se dissolver à minha frente.

Começo a criar em seus espaços em branco, tecendo fragmentos de uma cena que nunca aconteceu.

Graças aos feitiços que estou usando, Usque ad Vos aliado a Legilimência, mesmo essa última sendo apenas um canalizador para a primeira, consigo invadir a mente das pessoas sem precisar ter contato visual com elas, desde que estejam em uma distância relativamente curta e que estejam adormecidas. É uma habilidade que requer muito esforço e prática, e um domínio excepcional em magia.

Além de tecer cenas que nunca aconteceram, Usque ad Vos também me permite permanecer indetectável na mente do meu alvo, pelo menos até uma hora após a invasão e se eu mantiver controle sobre minha magia, deixando apenas fluir o necessário para tecer as cenas que quero. É uma maneira tranquila, mas que não oferece tantos benefícios como a Legilimência. Por exemplo, não posso vasculhar a mente do meu alvo, apenas inserir conteúdo; sonhos ou pesadelos.

É apenas eficaz para aplicação de punições mentais, nada mais que isso. Por isso, raramente uso desse feitiço.

Ofegante e de pau duro, termino de colocar a última cena do sonho que repercutira em sua mente assim que eu sair dali.

Suspiro, vendo a porta a minha frente se abrir, revelando uma Hermione adormecida em sua cama.

Não me surpreendo quando uma cópia de mim se materializa aos pés de sua cama, revelando seu corpo ao puxar suas cobertas.

— Tom? – Questiona, esfregando os olhos.

Suprimo um gemido.

Porra, imagino ela gostosa até acordando!

Sorrio quando ela levanta os braços e cobre os seios, que mal estavam escondidos debaixo da blusa branca.

— Não – A voz do meu outro eu manda, saindo áspera – Não se cubra.

Fecho meus olhos, deixando meu corpo ser puxado para fora de sua mente.

Encaro a escuridão do meu quarto, soltando minha varinha e deixando-a rolar pela cama. Levanto-me preguiçosamente e começo a me alongar, sentindo meus músculos tensos.

Acendo a luz do abajur em cima do criado mudo quando sinto meu corpo relaxar mais.

— Outro banho gelado cairia bem agora – Falo para o nada, olhando meu membro pulsar.

Maldita Hermione, pegando a toalha de cima da cadeira e sigo para meu banheiro. Mas não serei o único a passar vontade hoje.

[...]

No dia seguinte, me mantenho em alerta para sua presença, esperando-a sair do quarto para comer.

Quando a mesma passa pelo salão comunal e sai, sigo-a de longe, esperando para abordá-la em um lugar menos movimento.

Sorrio quando ela desvia de um grupo de primeiranistas e segue para a cozinha do castelo, entrando em um corredor deserto.

Obrigada por facilitar minha vida.

— Granger.

Ela para, instantaneamente.

Entro em seu campo de visão, deleitando-me com suas bochechas rosadas.

Ah, então você lembra do nosso encontro ontem a noite.

— Riddle?

— Precisamos conversar – Digo, fitando-a diretamente nos olhos.

Vejo-a troca o peso dos pés, nervosa.

Quase não presto atenção em suas próximas palavras, distraindo-me com sua boca rosada.

—... Eu ainda nem comi. Estou morrendo de fome.

Estudo seu rosto, procurando traços de mentira. Quando ela abre a boca para falar, seu estômago faz barulho.

Sorri sem graça.

— Está vendo? Estou morrendo de fome.

Reviro os olhos.

— Vamos para a cozinha, teremos mais privacidade lá – Falo, segurando seu pulso e guiando-a – Você pulou duas refeições ontem. Não quero que faça mais isso.

Ela se arrepia, suprimo um suspiro.

Concentre-se, Riddle.

— Eu só... Não estava com fome.

Balanço a cabeça em desaprovação.

— Não faça mais isso.

É idiotice, garota.

— E por que você se importa com isso?

Paro, mantendo-me de costas para ela.

Eu me importar? Não, não me importo... Me importo? Não! Foda-se.

— Eu não me importo – Respondo, friamente.

— Eu não acredito em você, Tom.

Deixo meu aperto fraquejar, sentindo meu sangue correr mais rápido em minhas veias.

Meu nome saindo da sua boca é... diferente.

— Cale-se e ande – Ordeno, puxando-a, andando com mais rapidez.

Ela reclama, mas deixo claro que não vou permitir que fuja de mim

Bufa, indignada.

— Eu não fugi — Defende-se, contrariada – Apenas estava aborrecida, confusa e nervosa demais para conversar. Precisava de espaço.

Paro de subido, solto-a e me viro para ela.

Em questão de segundos estou parado a centímetros dela, com nossos narizes quase se tocando.

— E agora, está pronta para conversar comigo?

Não é preciso de feitiço algum para que eu perceba onde seus pensamentos vão, seus olhos repletos de luxúria revelam tudo.

Ela acena com a cabeça.

— Sim – Diz, passando a língua pelos lábios. Sigo seus movimentos com os olhos, faminto – Estou pronta para você agora, Tom.

Puxo-a para um beijo, invadindo sua boca sem cerimônia. Nossas línguas se enroscam, travando uma calorosa dança.

Mexer com seu libido está se provando uma faca de dois gumes, aonde um lado instiga ela e o outro me instiga.

Ela envolve seus braços em meu pescoço, agarro sua cintura. Hermione geme em minha boca enquanto chupo seu lábio inferior. Meu pau endurece, trazendo-a para a realidade.

Ela interrompe o beijo, mas fica em meus braços.

— Eu... Nós... Isso...

Seguro sua nuca com uma das mãos e com a outra forço-a a encara meus olhos.

— Vou alimentar você, e então, conversaremos sobre todas as nossas pendências – Informo, consumido por desejo – E quando terminarmos, eu vou te beijar até esquecer meu próprio nome. Por isso, se você tem alguma objeção, fale agora.

Porque quando eu começar, não vou te larga até está saciado.

Ela pisca, aturdida.

Sua falta de objeção me faz sorri lentamente. Beijo sua testa e me afasto.

— Ótimo, venha comigo – Estendo minha mão para ela que pega-a prontamente – Eu vou te alimentar agora.

Ela treme em expectativa.

E eu também.

[...]

Lyra Black

Raphael Rosier

Repito esses nomes em minha cabeça quando deixo Hermione ao fim do dia, passando pelos corredores do castelo sem realmente ver ninguém, perdido em pensamentos.

Eu não devia ter pedido ela em namoro agora, é cedo demais. E claramente ela não confia em mim completamente, reflito. Desde quando você se tornou tão afoito, Riddle?

Fecho as mãos em punho, lançando adagas com os olhos para quem quer que atravessa-se meu caminho.

Bom, pelo menos posso explorar até onde meu interesse por ela se perpétua.

Entro no salão comunal da Sonserina sem encarar ninguém, indo para meu dormitório apressadamente.

Jogo meu blazer em cima da cadeira e tiro os sapatos, suspirando.

Abro a primeira gaveta do criado mudo e retiro de lá meu diário.

Folheio suas páginas, liberando o encantamento que as mantinham em branco.

Olá Tom,

Em que posso ajudá-lo hoje?

Pego minha pena, sorrindo para minha própria formalidade em falar comigo mesmo.

Minha primeira e única Horcrux até o momento, feita a partir da morte de Myrtle Elizabeth Warren, ou simplesmente Murta Que Geme, continha parte da minha alma, mas para se manter atualizado era preciso que eu constantemente lhe enchesse com minhas memórias.

Olá Diário,

Não preciso de nada hoje, apenas quero lhe inteirar dos mais recentes acontecimentos.

Estou namorando.

E sim, antes que você pergunte, é com ela. Hermione Granger. Ou Hermione Rosier Black agora.

Espero ansiosamente sua resposta, sabendo que se minha alma fosse externada para fora das páginas agora, ela riria em descrença.

A última vez que me falaste sobre ela era apenas desejo o que sentia. O que mudou, Tom? Estamos apaixonados por ela?

E como assim ela é uma Rosier Black agora? Estou confuso.

Suprimo um gemido.

Apaixonado? Ele só pode estar brincando comigo.

Olho para a hora, percebendo que estou 15min atrasado para me encontrar com Abraxas e os demais.

Rabisco minha resposta, irritado.

Eu não preciso estar apaixonado para namorar alguém, Diário. Mas definitivamente algo mudou. Anexarei minhas memórias em você, e depois precisarei sair, quando voltar continuaremos nossa conversa.

Até logo!

Sua resposta vem de imediato.

Não irei a lugar nenhum, Tom.

Até logo!

Conversar comigo mesmo pode vir a ser estranho as vezes. Mas no fim, é sempre gratificante. Afinal, ninguém me entende melhor do que eu mesmo.

Levo minha varinha até minha têmpora e retiro os últimos acontecimentos que presenciei, depositando-os logo em seguida no diário. Vejo as páginas absolverem minhas memórias, brilhando em dourado, até que não resta mais nada, e tudo se torna branco novamente.

Guardo-o de volta no criado mudo, reativando os feitiços de ocultação, e pego uma folha em branco, rabiscando rapidamente os nomes dos pais bruxos de Hermione para que Pollux e Evan providenciassem os dossiês.

Fecho a gaveta, mas antes dou uma boa olhada em meu diário, vendo meu nome cravado na sua extremidade inferior.

Sorrio, lembrando dá dor excruciante que senti ao partir minha alma, mas também dá satisfação de saber que agora sou imortal.

Para se alcançar qualquer objetivo, existe uma dor que precisa ser sentida.

Este seria meu lema de vida se eu tivesse paciência para ter um. Mas foda-se, eu não tenho. Nem paciência, nem lema.

Sigo para meu banheiro, retirando minhas roupas, sem me importa em estar atrasado.

[...]

— É essa sua explicação? – Pergunta, repleta de descrença – Ciúmes, sério? Eu não sou sua propriedade, Tom – Diz, ficando ereta.

Como aquele maldito traído do sangue ousou tocar nela? Porra! ELA.É.MINHA.

Reviro os olhos, realmente não me importando em como meu ciúmes me faz parecer tolo.

— Eu nunca disse que você era, eu só não gosto de vê outro cara te tocando – Você é minha sim! Uma vozinha dentro da minha cabeça grita. Estendo minha mão para ela – Mas, eu talvez possa concordar com você que minha reação fora em demasiado violenta – Falo, sabendo que é isso que ela quer ouvir, apesar de não me arrepender em nada de ter quase estuporado o idiota.

Em outras circunstâncias, um crucio serviria bem para deixar ele longe do que é meu.

Ela segura minha mão a contra gosto.

Você é tão minha que mesmo com raiva não consegue ficar longe do meu toque. Por que não percebe isso, Hermione?

— Se você fizer isso de novo, eu vou terminar tudo, entendeu? – Me ameaça.

Me mantenho calado, sabendo que se abrir minha boca vou deixar bem claro o que penso sobre ameaças. O que não seria nada agradável.

Evan e Lena saindo da sala em que estavam trancados se pegando me distrai um pouco.

— Tudo bem por aqui? – Ravenwood pergunta.

— Sim, está tudo bem – Hermione responde, encarando-me com hostilidade.

Finjo não notar, não querendo prolongar nossa discussão.

[...]

Largo os papéis em cima da cama, terminando de relê-los pela oitava vez desde que os recebi, uma semana atrás. Começo a caminhar pelo quarto, inquieto.

Nada, absolutamente nada fora do normal.

Suspiro, frustrado.

Os dossiês que Pollux e Evan me entregaram sobre os pais de Hermione em cima da cama não me forneciam nenhuma informação adicional à aquilo que a própria me contara. Simplesmente frustrante.

Após Lyra sair de casa com seus dezoito anos, tudo a seu respeito fora ignorado pela família Black, e como a mesma se reclusara em um bairro trouxa, a influência dos Black não a alcançara. E com Raphael Rosier, nenhum Rosier manteve contato com ele após a morte de seu pai Nathaniel e de sua tia Olívia Smith ter o levado para a França.

Passo as mãos pelos cabelos.

Tudo isso está se provando um beco sem saída, penso. Mas não estou errado... Eu sei que existe algo mais nessa história.

Paro de andar como um tonto pelo quarto.

Mas e se existir? E se eu não gostar do que encontrar? Vale a pena continuar?

Grunho, odiando todos os “e se” que minha mente está criando.

Sim, vale sim. Não vou ter esses esforços todos para desistir sem chegar ao fim disso.

Deixo meu corpo cair sobre o colchão, mas antes pego meu diário no criado mudo e uma pena.

Olá Tom,

Em que posso ajudá-lo hoje?

Suas palavras se formam automaticamente assim que abro o mesmo e desativou os feitiços de ocultação.

Algo me incomoda, e quero compartilhar. É sobre Hermione.

Espero suas próximas palavras, formulando internamente o que dizer, e sem me importa de não o cumprimentar educadamente.

Pode falar, Tom.

Escrevo furiosamente, deixando meus pensamentos fluírem.

Nosso relacionamento é excelente. Hermione é inteligente, engraçada e uma ótima companhia. E tirando sua propensão a ser tolerante e condescendente com sangues-ruins, ela é quase perfeita. Consigo me imaginar com ela ao meu lado, dominando o mundo como minha Lady, o que é mais do que posso falar sobre qualquer outra pessoa.

Fecho os olhos por alguns instantes, após abri-los, volto a escrever.

Ficar com ela é fácil, simples. Suas emoções funcionam como todas as outras que passei tanto tempo estudando para manipular. Mas também, algo na personalidade indomável dela me fascina, me instiga. Às vezes, estar com ela me faz esquecer meus objetivos. O que me irrita. Muito.

Paro.

Ela é boa para nós. Percebo verdade nos sentimentos que transmite. Mas também apreensão. Hermione quer ser nossa, entretanto, tem medo.

As palavras aparecem quase de imediato embaixo das minhas.

Medo?

Do que ela teria medo? Ela não sabe as coisas que faço, ou já fiz.

Eu estudo todas as lembranças que você deposita em mim, Tom. Nossas lembranças. Particularmente, as com ela são as minhas preferidas. Passo muito tempo estudando-as, e vejo sempre as mesmas emoções nos olhos dela: amor, carinho, bondade, empatia, apreensão, dúvida e medo. Sim, o medo é presente.

Giro a pena nos dedos, refletindo sobre suas palavras.

Você acha que ela sabe de algo? Devo invadir a mente dela?

Pergunto, ignorando o frio que se insta em minha barriga ao pensar em invadir a mente dela.

Não.

Solto o ar pela boca, aliviado.

Mas acredito que você deve aprofundar a natureza do nosso relacionamento com ela. Hermione é incrível, a melhor que já encontramos. É hora de você começar a prepará-la para nos receber por inteiro. Partes boas e ruins.

Sorrio, sabendo muito bem como fazer isso.

Acredito que logo você terá lembranças bem prazerosas para desfrutar, Diário.

Sua resposta vem de imediato.

Venho desejando vê-la nua desde a primeira vez que você depositou uma lembrança dela aqui. Mal posso esperar para ver nossa primeira vez com ela.

Alargo meu sorriso, sentindo meu sangue pulsar mais rápido só em imaginar ter Hermione em meu braços, embaixo de mim, gemendo meu nome.

Para o bem ou para o mal, você é minha agora.

[...]

Puta que pariu! De todos os alunos do sexto e sétimo ano, aquela urna maldita tinha que escolher justamente o Weasley como parceiro dela? Isso só pode ser piada.

Ranjo os dentes, sentindo meu sangue fluir mais rápido, possesso de ciúmes.

Justamente hoje que ela concordou em ir dormi comigo isso tenha que acontecer para estragar meu humor. Ótimo.

Me volto para ela. Uma batalha silenciosa é travada entre nós. Sua irritação por minha dupla ser Amanda era palpável, mas não tão grande quanto a minha por ter que dividi-la com Septimus.

— Você é minha – Profiro, inclinando-me em sua direção.

— E você é meu – Diz, tentando acalmar sua respiração descompensada – Só meu.

Algo em mim se contorce em excitação, recebendo suas palavras como um supro de ar fresco em um dia escaldante.

Para o bem, para o mal. Somente minha.

[...]

Teimosa demais, por Merlin! Parece até uma maldita grifinoriana, penso contrariado, ignorando o falatório a minha volta, apenas me dignando a menear a cabeça quando uma pergunta é dirigida a mim, não me importando com suas presenças.

E por mais interessados em me incluir na conversa, de forma bajuladora percebo, eles sabem que não devem me irritar com assuntos triviais. Mulheres. Quadribol. Galeões. Suas cabeças giram apenas sobre esses três assuntos, o que muitas vezes me faz questionar se suas capacidades mentais são realmente tão limitadas quanto parecem.

Passo minha mão esquerda pelos cabelos.

Preciso pegar aquela maldita carta. Se existe alguém tentando sabotar o meu relacionamento com ela, preciso acabar logo com isso. Não vou perde a Hermione para ninguém. E ninguém irá ameaçar minha futura Lady.

Deixo meu corpo relaxar na poltrona, controlando minha respiração.

Sempre fui consciente da beleza que herdei. Gosto dela. Uso ela para obter tudo o que quero do sexo feminino. Nunca me senti mal por ser bonito, e nunca me sentirei. Mas, isso não é uma benção por completo, não se estiver incomodando a única pessoa que quero ao meu lado.

Prendo a respiração quando vejo Hermione entrar em meu campo de visão.

Ah, como é bom ser eu, penso, vendo seu vestido azul de seda agarra-se em seu corpo como uma segunda pele. Deliciosamente minha.

Deixo os idiotas para trás, consciente de que seus olharem despiam-na de várias formas diferentes, mas também que nenhum deles nunca chegaria a menos de três passos dela, porque seu medo de mim era maior que qualquer desejo que sentissem.

Nos lançamos pelos corredores das masmorras, indo para nossa segunda reunião do Clube do Slughorn.

***

Mantenho minha máscara de indiferença enquanto Amanda tenta atrair minha atenção para si, usando de duplo sentido e remetendo à época em que ficamos juntos.

Se arrependimento matasse...

— Estou muito feliz por você, Tom – Ouço Slughorn falar, atraindo minha atenção para si. Amanda fica em silêncio, encarando Horácio intrigada – A senhorita Granger é uma moça encantadora, inteligentíssima e de um caráter inquestionável – Elogia, fazendo a bruxa ao meu lado trincar a mandíbula – O futuro de vocês dois será brilhante.

Você não faz ideia.

— Se durar tanto tempo assim – Ela sussurra, desdenhosa.

— E por que não duraria? – Horácio questiona, fazendo-a arquear as costas em surpresa – O jovem Tom e a senhorita Hermione tem uma química intelectual surpreendente. E eu nunca me engano sobre isso. Tenho certeza que vocês irão longe juntos – Fala a última parte diretamente para mim.

Tento esconder meu sorriso ao ver Amanda se afastar completamente desnorteada de raiva, mas falho e sorrio.

— Hermione é um achado, professor – Falo, tentando soar o mais apaixonado que consigo, o que surpreendentemente, não é difícil – Estou muito feliz. E devo confessar que, o futuro nunca me pareceu tão empolgante quanto agora.

Ele ri, e bate palmas teatralmente.

— Dumbledore e eu conversamos sobre vocês está manhã, e justamente falamos sobre isso – Diz, aguçando minha curiosidade.

— É mesmo?

Ele sorri malicioso.

— Seu futuro nunca me pareceu mais colorido do que agora, Tom – Exprimi, elogioso – E eu vou te confidenciar algo que acredito que você entendera melhor agora que encontrou alguém para si – Diz, aproximando-se de mim – Em uma das minhas muitas conversas com Dumbledore, ele me falou algo bem interessante, diga-se de passagem. Ele acreditava que você sempre foi avançado demais para o seu próprio bem, em um ritmo que dificultava sua interação pessoal com as pessoas, pois parecia que todos eram tão lerdos e você tão rápido. Achei uma observação engraçada da parte dele, afinal, inteligência demais nunca é um defeito. Enfim, na hora não concordei, mas depois de te observa com a senhorita Granger eu confesso ter concordado.

— Ah, é? Por que, senhor?

— Ora, meu jovem, você agora você não é o ritmo, você tem um ritmo.

Ãh?

— Desculpe? – Franzo a testa, realmente confuso.

Mantenho minha expressão neutra, esforçando-me para não transmitir minha raiva com suas palavras.

— Não fiquei bravo, meu jovem. É só o que é. Você entenderá melhor quando for mais velho – Ele dá de ombros, encarando a mesa de doces – E por favor, não comente com Dumbledore que lhe contei isso. É nosso segredo, Tom – Ele pisca para mim.

— Não se preocupe, Professor. Seu segredo estar a salvo comigo – Garanto, sorrindo com simpatia.

— Vocês são nosso casal de ouro – Diz, colocando a mão em meu ombro. Controlo meu ímpeto de tirá-la dali – O futuro de vocês será brilhante, e nem mesmo Albus pode refutar isso.

E eu imagino que ele queira muito refutar isso.

— Bom, senhor, espero que não decepcionemos vocês com nossas escolhas – Falo, polidamente.

Ele bate em meu ombro e sorri, retirando a mão.

— Tenho certeza que não irão – Diz, complacente – E eu nunca me engano, Tom.

Você é um tolo sentimental, Slughorn.

— Preciso voltar para minha namorada, senhor. Creio já está com saudades – Digo, querendo me afastar dele para não lhe azarar – Obrigada pelas sábias palavras.

Ele acena para mim, se despedindo com um sorriso caloroso.

Idiota.

Me junto aos outros, empurrando para o fundo da minha mente nossa conversa, sabendo que depois eu terei muita tempo para pensar nela. Mas essa noite irei aproveitar cada segundo que tenho para deixar Hermione o mais satisfeita possível antes da nossa primeira vez.

[...]

Fecho a porta do meu quarto com força, as dobradiças tremem. Mas não me importo.

Puta merda!

Sento na cama e fecho os olhos, cerrando os dentes enquanto despenteio meus cabelos com as mãos.

Como você ousa desaparecer e não me avisar? Porra, Hermione! Você me fez parecer um idiota preocupado.

Grunho furioso, sentindo meu coração martelar na minha caixa torácica.

Batidas soam, um, duas, três vezes.

Me levanto a abro a porta de supetão, surpreendendo Abraxas.

— Milord.

— O que você quer?

Ele pisca, aturdido.

— Eu vim lhe informa o que descobri através do meu pai – Diz, cauteloso, olhando para dentro do meu quarto, provavelmente esperando um convite para entrar.

Dou-lhe passagem, assim que ele entra, fecho a porta.

— Seja rápido, não estou com a mínima paciência agora.

Ele balança a cabeça positivamente.

— Há algumas semanas Dumbledore contato o Departamento de Mistérios no Ministério da Magia – Fala, tirando do bolso um pequeno papel dobrado – Ele pediu especificamente para que o setor que investiga os Artefatos Mágicos pudesse localizar um Vira-Tempo em especial.

— Que tipo de vira-tempo?

— Um que avança ou volta décadas no tempo.

Interessante.

— E em quê deu isso?

— Em nada – Diz, entregando-me o pequeno papel – Aí diz que esse tipo de vira-tempo fora destruído há muito tempo, não existindo nem protótipos mais. Por ser um artefato imprevisível e perigoso, destruíram todos que existiam ou pudessem vim a existir.

Franzo a testa.

— O que me intriga é imaginar o que esse velho quer com um artefato assim – Digo, lendo rapidamente a nota que Phillips Shacklebolt, chefe desse departamento enviou para Dumbledore.

Meu caro amigo,

Sinto muito lhe informar que este vira-tempo está extinto. É um objeto extremamente poderoso e imprevisível, então, fora decido destruir todos os existentes e seus protótipos para evitar futuras catástrofes.

Cordialmente,

P. Shacklebolt, Chefe da Seção de Artefatos Mágicos.

— Mais alguma coisa? – Pergunto, dobrando o papel e colocando no bolso da minha calça.

— Não, apenas isso.

— Muito bem, Abraxas – Elogio, abrindo a porta para que ele saia.

Antes que o mesmo passe pela porta, detenho-o.

— Sim, Tom?

— Seu pai anda lhe incomodando com os berradores ainda?

Ele tomba a cabeça para o lado, meio surpreso meio embasbacado.

— Não, Tom – Diz, relaxando instantaneamente – Não desde que lhe respondi da forma como você me mandou.

Faço que sim com a cabeça, para em seguida indicar a saída para ele, que vai embora sorrindo. Fecho a porta.

Suspiro, tentando me convencer de que não estou amolecendo tanto quando meu cérebro grita para mim que eu estou.

Me jogo na cama, desejando voltar a ter o controle das minhas emoções.

Isso não pode continuar assim, começo analítico, ponderando minha atual situação, é vergonhoso.

Hermione é definitivamente a pessoa que eu quero ao meu lado, não só pela química sexual, mas também por sua mente brilhante. É uma aliada valiosa, conectada a uma herdeira de Morgana Lefay, uma das bruxa mais poderosa e enigmáticas da história.

Paro, travando a mandíbula.

Mas, isso não lhe dá o direito a me fazer de idiota, ainda mais na frente dos meus subordinados. Esse tipo de falta de controle é imperdoável. Não posso permitir que minhas emoções turvem meus princípios. Ela precisa entender que não pode me desrespeitar assim.

Quando as próximas batidas soam, me tirando de meus devaneios, sei quem é pela forma hesitante com as quais elas chegam aos meus ouvidos.

Péssima hora, Hermione, penso, ainda furioso com seu descaso em não me avisar que voltaria de Hogsmeade sem mim.

[...]

— Você é tudo para mim – Falo pausadamente, dando ênfase em cada palavra, tentando controlar meus impulsos de continuar nossa discussão.

— Tom...

Foda-se o Weasley, ele pagará caro por isso.

Beijo-a, tentando apagar do meu cérebro as cenas de tortura que eu faria Septimus Weasley passar por se meter em nossa relação.

Tão minha!

Ela relaxa sob os meus braços, correspondendo aos meus beijos.

Por que você precisa ser tão difícil de controlar, Hermione? Por Merlin!

Deixo minhas mãos vagarem por seu corpo, tirando suas roupas no processo.

Você ainda irá me matar de raiva, mulher.

[...]

“ – Eu mataria para te manter comigo para sempre.”

Nunca soei mais verdadeiro do que quando disse isso para Hermione, as margens do Lago Negro. Não foi uma frase em vão, nunca falo nada que não queira dizer. Foi uma promessa, mas ela não entendeu dessa forma.

Mas agora, encarando Septimus aos meus pés, sinto que irei concretizar o que falei. E irei gostar. Muito.

Ninguém que se meta entre mim e ela sairá vivo para contar a história.

— Normalmente, eu ignoro a existência de traidores do sangue desde que que não entrem em meu caminho – Falo, caminhando em volta dele – Mas você, você se meteu no meu caminho pela última vez, Weasley.

Não importa se a Hermione irá chorar por sua morte, estarei lá para consolá-la. Acidentes acontecem, é o que todos vão dizer depois que eu acabar com você.

Ergo minha varinha para ele, tomado pelo ciúmes e pela cólera.

— Crucio!

— Expelliarmus!

Ah merda!

“Controle o seu destino ou alguém controlará.”

— Jack Welch

Notas finais
Passando aqui plena e quase a mulher mais odiada do Brasil (mentira, sei que vcs me tanto quanto amo vcs), pra dizer que este capítulo é o segundo e último narrado pelo Tom. Quis postar esse antes do próximo para todos entenderem um pouco mais da mente do jovem lord. E também, pq quero tirar algumas dúvidas e fechar algumas pontas. Enfim, desculpem pela demora. Eu pretendia postar esse capítulo até domingo (ontem) e o próximo que já está pronto quarta, mas não consegui terminar esse ontem. Desculpem-me! O próximo capítulo, que marcará o fim do nosso casal no passado, será postado quinta sem falta. Eu já estou com ele prontinho, por isso, não se preocupem com atrasos. Obrigada por terem tanta paciência comigo, eu sei que não estou postando tão regularmente quando antes, e que isso desmotiva um pouco. Sempre faço o meu melhor, mas sei que as vezes não é o suficiente para atender as minhas e suas expectativas. Peço desculpas e quero dizer que vcs são incríveis na minha vida. Gostaria de desejar a todos vocês um ótimo Natal, muita comida, paz, amor e sinceridade em sua noite de celebração, e também neste novo amo que se aproxima. Que 2020 traga mil vezes mais felicidades que 2019 trouxe. Amo vcs ❤️ Beijinhos sabor ceia de natal!!