Desire Obsolete
43 Chegada
Notas iniciais
A cena à frente é familiar até demais para o bruxo que a observa. Sua longa experiência lhe mostrara que não havia grande diferença entre um campo de batalha e outro – não depois que a batalha terminava, pelo menos. Sempre os mesmos corpos mutilados, frios e ensanguentados aos seus pés. Nada de novo para ele.
— Todos foram destruídos, milord — Diz Bellatrix, passeando seus olhos achocolatados pelo mar de mortos ao seu redor. Um lendo sorriso macabro desponta de sua boca – Vencemos mais uma vez! – Ela solta uma risada estridente e então, se põe a saltitar por entre os cadáveres.
Ele dá de ombros, ignorando sua completa falta de juízo.
Voldemort abaixa os olhos vermelhos e inescrutáveis, os lábios cerrados em uma expressão severa, encarando um amontoado escarlate no chão. Seus dedos se fecham sobre sua varinha, fazendo labaredas de fogo consumirem os que estão no chão. Vivos ou não, se estão no chão é para serem descartados. É nisso que o ofidioglota acredita.
Urros de júbilo são ouvidos, mas Você Sabe Quem se mantém impassível, apenas vendo seus comensais festejarem sob fumaça, sangue e putrefação como se nada estivesse acontecendo. Ele não se importa com mais uma vitória, a guerra está praticamente ganha. Voldemort sabe disso.
Seus pensamentos e desejos estão unicamente em encontrar e se vingar da única bruxa que ficou sob sua pele. A única que deixou uma marca permanente em seu coração frio. E mesmo que ele nunca admitisse isso, Hermione Granger é seu calcanhar de Aquiles, sua ponta solta intrínseca nas veias de seu destino.
Dando uma última olhada na bagunça que ficaria para seus inimigos arrumarem, ele desaparata. Seus servos seguem seu exemplo, voltando para a mansão Malfoy em êxtase.
[...]
O burburinho de conversas acaloradas cercaria o ambiente em uma atmosfera agradável, se não fosse pelo teor dos assuntos abordados. Entretanto, isso em nada incomodava Narcisa.
As celebrações pela queda de mais alguns sangues-ruins não lhe importava, muito menos a forma chorosa com a qual eles imploraram para não morrer ou como seus corpos imundos foram carbonizados pelas chamas. Tudo isso lhe era indiferente. Apenas um assunto ocupava sua mente.
— Milord – A voz de Narcisa chega até os ouvidos do homem como um ruído de fundo, distante e abafado, atraindo a atenção dos comensais presentes – Posso ter alguns minutos do seu tempo em particular? – Pede docilmente, atraindo a atenção do bruxo.
O pedido da bruxa faz o salão cair em um silêncio profundo, regado de surpresa e curiosidade. Entre todos os presentes, o círculo interno do Lord das Trevas, sem sombra de dúvidas a Rosier Black era a única que fazia de tudo para se manter longe do radar de seu senhor. Seu pedido inusitado instiga o interesse até do que menos estava presente mentalmente no local, Severo Snape.
Os olhos carmesins encontram os azuis da senhora Malfoy, fazendo-a abaixar a cabeça em respeito.
— É sobre o que lhe ordenei? — Questiona, instigando ainda mais a curiosidade dos demais.
Narcisa acena com a cabeça, percebendo que todos a sua volta lhe encaravam.
Ele acena em concordância, mantendo sua expressão ofídica imperturbável enquanto se levanta da poltrona e segue para fora da sala.
— Venha até mim em 15min – Diz saindo da sala, deixando a mulher sobre o perscrutamento de seus aliados.
— O Lord te deu uma missão sigilosa, Cissa? – Bellatrix pergunta, não escondendo sua irritação em não ter sido informada disso.
— Deve ser muito importante este assunto para que você precise ficar sozinha com ele para discuti-lo – Comenta o professor de Hogwarts, deixando sua voz baixa e calma, medindo as palavras com cautela.
A Malfoy dá de ombros, mantendo seus olhos fixos por onde seu senhor saiu.
— Não é nada que vocês precisem saber – Diz friamente, enrugando o nariz de leve.
Rabicho escolhe este momento para entrar na sala, mas é prontamente ignorado por todos.
— Desde que você não faça merda para irritar o Lord, eu não me importo – Declara Annon Nott, um dos poucos que fugira da batalha no Ministério.
Narcisa se levanta, endireitando a coluna.
— Mais merda do que sua covardia no Ministério da Magia impossível, Nott – Dispara, trincando a mandíbula e estreitando seus olhos para o homem.
Ele fecha as mãos em punhos, suas orelhas ganhando um tom vermelho pimenta. Bellatrix faz um barulho de discordância com a boca, mas não se intromete.
— Não me provoque – Grunhe Nott, feroz.
— Ou o quê?
— Nem todos precisam ser tão patéticos quanto o seu marido – Provoca.
Com a mão em sua varinha, os olhos semicerrados e uma postura defensiva, Narcisa não se deixa abalar com a agressividade do outro bruxo. Na verdade, anseia por um confronto. Anseia por extravasar todas as suas frustrações acumuladas.
— Acredito que seus 15min já se passaram, Narcisa – Intervém Snape, tediosamente complacente.
Ela balança a cabeça, mas não desgruda sua atenção de Annon até que alguns segundos se passem.
Deixando a sala, Narcisa guarda dentro de si sua disposição para brigar, sabendo que o que enfrentaria a seguir merecia toda a sua concentração.
***
— E então?
De costa para ela, Voldemort contempla os jardins bem cuidados da mansão da sacada de seu quarto.
— Minha carta só foi respondida hoje mais cedo – Explica, entrelaçando os dedos na frente do corpo timidamente.
Vir ali já não era mais permitido para ninguém, por isso, quando o procurara no escritório e um elfo lhe informara que Voldemort lhe esperava em seu quarto, Narcisa se assustara. Mas, apenas apreensão restava agora.
— Elas me garantiram não terem conhecimento nenhum sobre a carta que afirma a estadia de Hermione em Salem – Continua, optando pela sinceridade parcial – E que irão desmentir isso assim que possível.
Ele revira os olhos.
— Então, você quer me convencer que elas não tem nada haver com isso? – Pergunta, se virando para olhar a bruxa.
Narcisa encolhe os ombros.
— Elas me garantiram...
— Não importa. — Corta-a, friamente – Não importa... Alguém precisa pagar – Declara, seus olhos ganhando um brilho furioso, destituído de qualquer misericórdia – E como aquela maldita não estar aqui... ainda, alguém precisa pagar por todas essas mentiras de merda.
A bruxa precisa fazer um grande esforço para não franzi a testa, intrigada do porque de todo esse odeio pela sua sobrinha.
"Todas essas mentiras", o plural dessa frase não lhe escapa a mente, fazendo-a se questionar sobre quais mentiras ele fala.
Mesmo todos acreditando em seu sangue sujo e sendo amiga do Potter, Você Sabe Quem parece manter uma certa obsessão pela garota, Narcisa nota. Uma perigosa demais para terminar bem para qualquer um.
— Milord...
Um miado irritado é ouvido por ambos, tirando suas atenções do tópico da conversa. O homem encara o gato com a mandíbula travada, vendo o felino sair de debaixo de sua cama, subir na mesma e usar as pequenas patinhas para afofar o colchão, deitando-se logo em seguida.
Abismada, Narcisa não sabe o que pensar sobre a cena. Em sua mante prática, o animal já tinha virado refeição de Nagini. Nunca em seus devaneios mais loucos ela poderia imaginar Voldemort permitindo um gato em sua cama, ainda mais um de uma suposta sangue-ruim.
— Eu quero que você... – A voz dele morre de repente, fazendo a bruxa lhe encarar com expectativa.
O que Narcisa encontra no rosto do homem a faz cambalear para trás.
Com a boca ligeiramente aberta, os olhos vidrados em um ponto qualquer do quarto e o corpo rígido, completamente imóvel, Voldemort não lhe parece consciente.
Mas não é isso que lhe assusta e faz seu sangue gelar. A aura negra que circula em volta dele, escurecendo a luz solar que entrava pela sacada e esfriando o quarto a ponto de cada respiração dela produzir uma fumaça espessa no ar, é o que lhe rouba a coragem.
Quando a bruxa dá um passo hesitante em sua direção, é quando a áurea negra ganha força e uma explosão de magia acontece, levando-a a ser jogada subitamente contra a porta com tanta força que sua única opção é fechar os olhos e acolher a dor.
Narcisa não emite som algum quando seu corpo se choca contra a porta de madeira. Mas as pontadas de dores que lhe atingem fazem sua mandíbula travar.
Piscando freneticamente, ela apenas permanece no chão respirando com dificuldade.
Rosnados furiosos vindos do gato fazem sua atenção ser atraída para ele, que já não estava mais na cama, e sim em cima de uma poltrona ao lado de onde a bruxa estava. Seu corpo tremia de fúria, seus pelos estavam erriçados e os dentes a mostra, soltando vários barulhos irritantes de sua garganta enquanto encarava um ponto a frente de onde eles estavam.
Narcisa olha para onde Bichento encarava fixamente, deparando-se com o topo de uma cabeça bem avantajada de cabelos negros lustrosos e desalinhados. O bruxo em questão estava no chão, caído de barriga para baixo, tremendo furiosamente.
Engolindo um suspiro, ela vê a cabeça do homem ergue-se, revelando um rosto pálido e suado e incríveis olhos azuis desnorteados.
— Ela voltou... Ela voltou... – Diz ele, completamente desorientado ao seu vê.
— Milord...? – Narcisa não consegue esconder o espanto em seu rosto, e nem mesmo quer escondê-lo.
O que aconteceu aqui? Pergunta-se, ouvindo os protestos do pequeno felino ao lado de si, mas sem tirar os olhos do homem a sua frente.
Sem emitir mais nenhuma palavra, Voldemort desmaia, sendo sugado para um turbilhão de lembranças e dores agonizantes. Recebendo todos os últimos acontecimentos com a castanha e sua chegada ao futuro com uma força esmagadora, que ninguém fora daquele quarto poderia sentir a não ser que tivesse partilhado momentos com ela no passado.
Seu corpo convulsiona mesmo na inconsciência, sendo atingido por poderosas descargas de magia. Os dentes dele batendo e rangendo produzem uma estridente melodia.
Narcisa presencia toda a fragilidade de seu senhor por alguns minutos com um espanto genuíno, tomada de descrença e confusão. E então, movida por dever e compaixão, levanta-se e vai em seu socorro.
Quando acordar, Tom Riddle irá perceber que seu passado fora alterado irrevogavelmente com a chegada de Hermione Granger ao futuro, destruindo qualquer vestígio de seu antigo eu que ainda pudesse lhe restar.
[...]
Acordo em um sobressalto, com meu coração disparado e minha boca ressecada como se há tempos eu não bebesse água.
Abro meus olhos lentamente, a claridade me cega, machucando e desfocando minha visão. Fecho-os, só voltando a abri-los um tempo depois.
Deparo-me com um teto branco impecável sob minha cabeça. Tento engolir em seco, mas minha saliva desce arranhando minha garganta. Estremeço, voltando a consciência sentindo muita sede.
Um pouco desorientada, demoro a perceber meu estado. Estou deitada, coberta por uma manta cinza que reconheço de imediato. Paredes azuis gelo me rodeiam, assim como todas as coisas que cresci vendo e escolhendo para decorar meu quarto.
Estou em casa, no futuro. A compreensão desses dois fatos me abate com força, perco ligeiramente o ar. Mesmo sob protestos do meu corpo, cubro meu rosto com as mãos, sentindo minhas lágrimas escorrerem livremente.
Felicidade, dor, remorso e tristeza são os sentimentos que borbulham dentro de mim.
Eu não... não posso... Meu coração se comprimi no peito, arrancando ar dos meus pulmões. Tom... Meus pais! Não consigo fórmula pensamentos coerentes, transtornada.
As imagens dos meus últimos momentos com Tom se infiltram em minha mente, levando-me a soluçar compulsivamente. Todos os seus toques, nossos beijos e discussões, nosso termino e afastamento, tudo me abate como uma tonelada de concreto em meus ossos. Esmagando meu corpo, retirando meu ar, destruindo meu coração.
Choro pelo que me parece horas, entregando-me a tristeza sem resistência nenhuma. Sem forças para me levantar, sem querer enfrentar minha antiga realidade. Apenas externando todos os meus demônios com prontidão, sabendo que o perdi para sempre e que o futuro nunca me parece tão nublado quanto agora.
***
Mexo-me com cuidado, testando meu corpo. Tudo dói, minha cabeça, olhos, braços, pernas, coração e alma. Sendo os dois últimos movidos por dores lancinantes, fisgadas internas que me roubam a sanidade. Tudo o que a tristeza conseguiu tocar foi afetado.
Pelo menos, a dor física é suportável, penso sentindo meus membros protestarem, mas me obedecerem. Diferente do meu coração, que não se aquieta no peito, batendo enlouquecidamente desde o momento em que acordei.
Sento-me na cama com lentidão, meus músculos dolorosamente rígidos e doloridos. O sol se infiltra pela janela de cortinas brancas, assim como os cheiros que vem da rua.
Quanto tempo dormi? Quem me cobriu? Morgana? Meus pais?
Limpo o rosto com as costas das mãos, engolindo minha saliva com dificuldade. Minha sede há tempos esquecida volta com mais intensidade.
Vou até o banheiro, ignorando meu reflexo no espelho. Mas não sem antes perceber o quão destruída eu pareço e que ainda uso o uniforme da Sonserina.
Pisco um pouco, sendo levada para 50 anos atrás por uma torrente de imagens sequenciais. Me vejo entre meus companheiros de casa, sorrindo com as meninas em diferentes momentos da minha estadia lá, depois rindo com Abraxas e conversando sobre diversos assuntos com ele, então, brigando com Pollux na biblioteca do castelo e apenas estando próxima de Nebolus e Evan, observando-os. Tudo se embaralha em minha mente, se mistura, indo e vindo.
Respiro fundo.
Jogo água em meu rosto quando novas lágrimas surgem e depois, usando as mãos em concha, bebo o líquido para matar minha sede.
Subitamente levo minhas mãos ao meu pescoço, lembrando que antes ali estava o vira-tempo que me levou e trouxe de 1944. Nada. Ele sumirá.
Fecho os olhos, frustrada.
— Eu o destruí – A voz conhecida da bruxa de Avalon chega até mim, pegando-me de surpresa.
Um grito agudo meu fica preso em minha garganta até que a vejo sentada em minha cama, perfeitamente a vontade com seu vestido azul marinho elegante muito bem passado.
— Morgana.
Ela sorri e dá tapinhas ao seu lado no colchão, indicando que é pra mim sentar ali. Movo-me mecanicamente, obedecendo ao seu comando não verbal.
— Fico feliz por te encontrar acordada – Fala quando me sento ao seu lado, girando minha varinha entre os dedos – Faz quase 12 horas desde o momento em que te trouxe de volta, já estava pensando que as poções que te dei não surtiram efeito – Ela aponta com a cabeça para minha cômoda, aonde três frascos pequenos estavam e coloca minha varinha ali.
12 horas? Engulo em seco.
— Meus pais... – Paro, deixando minha pergunta no ar.
Ela balança a cabeça em negativa.
— Seus pais não estão em casa, saíram ontem à noite e até agora não voltaram – Ela coloca uma mexa de cabelo atrás da orelha – Você terá tempo para se preparar para reencontrá-los.
— Quando você me trouxe para cá eles estavam em casa? – Pergunto, não querendo deixar o silêncio recair sobre nós.
— Não – Fala, encarando-me com perspicácia – Sua mãe só vem ao seu quarto de noite. Ela dorme aqui todas as noites desde sua partida, alimentando uma culpa que não a deixa em paz. Mas quanto te trouxe, eles não estavam em casa. Alguma coisa haver com sua tia-avó.
Engulo o nó que se forma em minha garganta.
Minha tia-avó Agatha já passa dos 102 anos, sua saúde é delicada por conta da idade. Para meus pais saírem de noite e não voltarem algo tem que ter acontecido. Minha mente começa a fervilhar de hipóteses.
— O que a aflige, criança?
Passo a língua pelos lábios.
— Eu senti saudade deles – Confesso roucamente, minha voz demonstrando toda a minha tristeza, saindo baixa, cheia de angústia — E estou preocupada com Agatha, minha tia-avó.
— Eu sei, criança – Ela me abraça, apoio minha cabeça em seu ombro – Você poderá matar um pouco da saudade quando eles chegarem – Seus lábios encontram minha testa em um gesto atípico – Mas, infelizmente não poderá ficar por muito tempo para visitar Agatha – Completa, ainda com os lábios colados em minha pele.
Fecho os olhos quando percebo mais lágrimas se formando neles.
— Eu sei. – Meu sussurro é baixo, temeroso – Tom não me deixará sofrer em paz – Meu peito se comprimi com a dor de externar meus medos em voz alta – Ele fará o possível e o impossível para me destruir. Seja através dos meus pais, seja por qualquer outra pessoa que eu ame, ele não parará até que eu implore pela morte – Minha voz falha no final, quase desaparecendo.
Seu abraço se intensifica, se tornando mais apertado e acolhedor.
— Você está certa – Concorda, não tentando me iludir – Perdoar não é uma de suas virtudes.
Rio sem humor.
— Duvido muito que Tom tenha alguma virtude – Falo, abrindo os olhos.
Ela ri brevemente, acariciando meus cabelos.
— Ele prefere ser chamado de Voldemort agora – Alerta polida, afastando-se para olhar fundo em meus olhos – E, provavelmente, já deve ter sentido a sua chegada.
Limito-me a balançar a cabeça em concordância.
— Hermione, você não estará segura se ficar aqui – Seu semblante é sério, compenetrado – Voldemort não é mais o jovem galanteador que você deixou para trás. Ele é um homem destrutível, impiedoso e cruel que passou mais de 50 anos alimentando um ódio desmedido por você.
Ignoro a pontada de medo que surge em mim, assim como também a decepção que suas palavras causam.
— Não sou burra, Morgana – Minha voz é contida, fria até — Não espero chocolates e flores. Eu sei o que me aguarda se ele me encontrar. Ele me odeia, é um fato.
Ela permanece em silêncio, encarando meu rosto com atenção pelo que me parece uma eternidade.
Do nada, a mesma se levanta, pegando-me de surpresa. Ela se afasta de mim, vai até minha janela e olha para a rua com os lábios curvados em um mini sorriso.
— Seus pais chegaram – Informa, se voltando para mim com os olhos brilhando em diversão – Você pode passar um tempo comigo em Avalon, se assim desejar – Fala, cruzando os braços — É o mínimo que posso fazer, afinal, quem te colocou nessa situação foi eu.
— Avalon? — Junto minhas sobrancelhas em confusão.
Minha atenção é tirada da nossa conversa quando vozes são ouvidas por nós assim que meus pais entram na casa, conversando calorosamente sobre algo que não consigo distinguir.
— Virei amanhã à noite te buscar – Diz ela, afastando-se da janela e vindo até mim.
— Amanhã? O quê? — Sou tomada pelo assombro, enquanto minha mente tentar processar as vozes que chegam até nós com mais nitidez.
— Você não achou que poderia passar muito tempo com eles, não é? — Pergunta retoricamente, arqueado uma das sobrancelhas de modo arrogante — Ficar aqui é perigoso e ir para Hogwarts ou para a T’oca está fora de questão. Afinal, para todos os efeitos você ainda está no Instituto de Salem. Sua melhor opção é ficar comigo até as aulas em Hogwarts encerrarem. Depois disso, você poderá escolher onde ir e com quem ficar.
Dito isso, ela desaparece bem no momento em que a porta do quarto é aberta e uma Jane Granger alarmada entra, paralisando assim que me vê.
— Hermione...
"Tudo na vida depende de um ponto de vista, de partida, de chegada, de observação e do ponto final."
— Luiza Gosuen
Fale com o autor