Desinteratium
2 Capitulo 2
Quando acordei passei horas observando o teto, até que resolvi levantar, o dia parecia que passava mais lento era como se tudo que eu vivi fosse falso, mas a realidade é essa desde que eu nasci, eu vivi uma vida em falso, eu sou só um rostinho bonito, um objeto usado pelo pai ou se é que eu posso chama-lo assim. Enquanto eu observava o céu e suas nuvens negras, escutei os tambores serem tocados, não, não era possível eles só tocavam quando alguém era apanhado para ser chicoteado ou algo assim. Me vesti o mais rápido possível, uma calça jeans preta, coloquei um coturno preto, uma blusa marrom escuro fininha e um casaco de couro preto junto com as minhas luvas de couro, acompanhados com o colar de pena prata que eu ganhei da minha mãe e os cabelos soltos. Desci as escadas correndo a procura de madame Magda. Quando virei o corredor dei de cara com ela.
–Ai senhor! cuidado garota.
–Desculpa madame Magda, mas a senhora sabe me explicar o que tá havendo lá fora?
–Ah sim, não precisa ter essa pressa toda é só uma mulher que vai ser abatida.
–Que mulher Magda?
–Uma tal de Cassie.
No instante meu corpo congelou, estavam abatendo a minha mãe? porque, não, não podia ser ela. Eu olhei bem pra Magda e corri. Na rua enquanto corria as pessoas me olhavam como se eu fosse louca mas eu não sou! Minha respiração já estava ofegante, mas enquanto eu não chegasse a praça eu não pararia de correr. Eram milhares de pessoas inclusive Tron e Finnk, eles estavam sentados em seus “tronos”, enquanto minha mãe era amarrada no tronco.
–Esta senhora será abatida pela causa de roubo de alimentos e ajuda contra o governo e a capital, vinte chibatadas. Dizia o guarda
Não conseguia prestar a atenção em mais nada a não ser na minha própria mãe, ela tremia e sua cabeça pendia no tronco enquanto sua respiração era ofegante, ela estava com medo.
E quando o guarda ergueu o chicote a minha respiração falhou, ouvir seus gritos era algo que estava me consumindo por dentro, as lagrimas acumulavam nos cantos dos meus olhos , NÃO, eu não iria deixar isso acontecer, dei um passo a frente tomei coragem e disse:
–Parem. Todas as cabeças se voltaram para mim quando eu disse.
–Desculpe senhorita mas isso é a lei e a senhorita não pode impedir.
–Não posso impedir, mas eu quero acompanha-la eu também sou contra o governo e a ajudei.
Ele olhou confuso para o chefe que assentiu com a cabeça.
–Amarrem-na. Disse o chefe
Os tambores foram soados novamente, a cara de Finnk estava pálida era como se ele não acreditasse na cena que iria ver. Eu me ajoelhei e olhei diretamente para minha mãe
–Oque pensa que esta fazendo? Ela me olhava com a cara pálida de medo.
–Sentindo a dor que todos tem que sofrer por anos, eu agora sou contra o governo.
A dor então chegou , vinte chibatadas pra cada uma de nós, a dor queimava as minhas costas, eu gemia , minha mãe tremia, mas eu não me deixaria por levar, eu não iria chorar, olhei diretamente para Finnk enquanto era abatida, e segurando a mão da minha mãe eu mostrei a ele que agora eu estava do lado dela e nada iria me parar.
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