Desert Rose
27 26 - Mulher Acorrentada
Notas iniciais
Ishadows,Gnoma Synystra,BuriedAlive,Little Bia, minha amiga stella, sweetcherrypie e outros. Se não fossem eles, eu já teria desistido desta fic. MAAAS VAMOS LÁ.
O cap de hj é meio triste e a música que vai embalar ele é Woman in Chains do Tears for Fears: http://www.youtube.com/watch?v=8Fz5KO4j1Dk
Espero que escutem ela pq tem tudo á ver com o tema de hj.. Obrigada mesmo pessoal.. bjs bjs.
26 – Mulher Acorrentada
POV Karuka
Uma mulher correndo pelas ruas movimentadas de Amber chorando muito e que mal conseguia manter-se de pé. Essa era eu saindo do hospital central. Eu corria muito até tropeçar em uma esquina e cair de joelhos.
- Mais que droga! Por que nada pode dar certo pra mim? – eu continuei no chão com os joelhos machucados por conta da queda, mas nenhuma dor era maior do que a que senti no peito – Meu... Jimmy... – eu dizia em forma de sussurros leves. Levei minhas mãos ao rosto e desatei á chorar.
- Mas eu não posso acreditar que alguém tão linda esteja chorando dessa maneira – uma voz me pegou de surpresa. Eu estava de costas para o homem, mas pelo timbre de sua voz eu já desconfiava de quem seria.
— Eu... Eu...
— Por que essa timidez toda? Poxa eu estava com saudades de ti – ele continuou com tamanho cinismo e ironia.
— O que quer? – virei-me para encará-lo melhor.
— Eu preciso conversar com você querida, mas antes pare de chorar – ele mandou. Sequei minhas lágrimas misturadas ao rímel e lápis de olho preto que eu usava.
— Eu não tenho nada para dizer e... – tentei me levantar e ir embora, mas ele segurou meu braço.
— O que houve? O ocidental te fez chorar? Eu não avisei que não se deve confiar em homens vindos do outro lado do globo? – ele riu suavemente.
— Mas... Você... Você tinha desaparecido e...
— Pois é querida, eu também fui enganado – ele riu – Fui tolo em confiar num ocidental. Jonathan conseguiu o que queria e me deixou para trás. Não recebi o que me foi prometido. Criei você, ajudei á separá-la do seu irmão á troco de uma boa quantia em dinheiro. Com ele eu iria fugir deste país, iria ter uma vida de rei! – ele gritava com a voz afetada pela ira – Mas aquele filho da mãe conseguiu me enganar! – eu ainda não conseguia acreditar que era Ábido quem estava parado á minha frente.
— Onde você esteve esse tempo todo? – perguntei.
— Bom, eu precisava me esconder. Jonathan me usou, conseguiu a presidência da empresa e não iria pagar o combinado. Ele mandou pessoas me matarem, afinal eu sei de muita coisa. Mas não sou apenas eu quem está na lista dele...
— Mais alguém? – levantei-me devagar para encará-lo melhor.
— É claro minha linda... Você acha que Jonathan deixaria testemunhas? – ele sorriu e se aproximou de mim – Matt Sanders, Barbara Sullivan, Karuka Ananda... Reconhece esses nomes?
— Ele... Ele... Vai nos matar também? Mas... Ele disse que...
— Que iria poupar vocês? Ah por favor! Deixa de ser burra garota! Todos que estão aqui e sabem da história do crime irão morrer. Joe Sullivan já está liquidado, James Sullivan será o próximo.
— Não! – eu segurei ás mãos de Ábido em súplica – Não, por favor! Não deixem que façam mal aos meus amigos. E ao Jimmy!
— Acha que eu controlo isso? Também estou marcado para morrer – ele riu alto – E mesmo que eu pudesse fazer algo, acha que eu faria? Eu quero mesmo é que todos morram – Ábido segurou meu rosto – Mas eu não vou sair dessa história sem nenhum centavo e você vai me ajudar.
— O que? Eu não vou ajudar em nada, me solte! – ele me arrastou esquina abaixo até um carro preto onde me jogou no banco de trás – Me solte seu maluco!
— Escuta aqui! – ele puxou meus cabelos com tamanha força que consegui sentir uma queimação no couro cabeludo – Não me envolvi com essa gente para sair sem nada. Jonathan embarcou de volta ao seu país, mas deixou muitos capangas aqui. Eles estão procurando á mim, á você e a todos os seus amigos. Se vamos morrer, por que não tentamos pelo menos sair com algum dinheiro?
— Eu não vou fazer nada que... – ele tapou minha boca e logo me vi com os pulsos amarrados.
— Ah você vai sim! Vai-me dizer onde estão cada um de seus amigos. E nós os entregaremos á Jonathan. Em troca, irei pedir o que ele me prometeu. É muita grana garota, o suficiente para vivermos juntos – ele acariciou meu rosto e eu tentei me desvencilhar de seus toques. Nunca pensei que Ábido pudesse querer algo comigo. Ele tinha uns 47 anos e nunca havia demonstrado nada por mim ou por minhas irmãs. Ábido beijou meu rosto e sentou-se no banco de motorista. Arrancou com seu carro por alguns minutos. Dirigiu rapidamente até chegarmos á uma casa afastada, mais parecida com um barracão. Ele saiu do carro e me arrastou até a casa. Fomos entrando até que ele me jogou no porão desta. Amarrou meus pulsos com cordas grossas e os prendeu á canos que passavam pelas paredes. Após isso, Ábido ficou á me olhar de cima á baixo, talvez estivesse imaginando coisas que eu ficaria aterrorizada se soubesse.
— Muito bem, vamos fazer um trato querida. Você me diz onde seus amigos se meteram e eu telefono para Jonathan. Aquele filho da mãe vai ter que me dar alguma coisa em troca das informações. Assim eu solto você – ele se aproximou de mim e tirou a fita que tapava minha boca – O que me diz?
— Vai pro inferno seu filho da puta! – eu o xinguei, levando um tapa no rosto imediatamente.
— Cala a boca sua vadia! Estou te dando uma chance, não seja burra!
— Eu jamais entregaria quem eu amo. Pode fazer o que quiser comigo, mas jamais vou ajudar você! – ele sorriu levemente e foi tocando minhas pernas.
— O que eu quiser? Tem certeza? – ele continuou a subir suas mãos pelas minhas pernas, levantando meu vestido – Acha que vale a pena ser estuprada por causa de um ocidental?
— Ser... Ser... O que? Não, você não teria coragem! – eu disse já em pânico só de pensar na ideia. Comecei a chorar descontroladamente.
— Calma pequena, não vai doer nada. Serei bem rápido, eu prometo – ele começou a tirar o meu vestido e distribuía beijos por todo meu corpo. Eu me debatia contra as cordas que amarravam meus pulsos, mas era inútil.
— Para! Para por favor! – eu implorava á ele, mas Ábido estava decidido. – Por que está fazendo isso?
— Foi você quem escolheu isso querida. Aproveite...
— Não, me solta! Para! – ele segurou minha cintura e tirou meu vestido totalmente. Continuou a beijar minhas coxas, subiu pela minha barriga até chegar aos meus seios, distribuindo vários chupões por ali. Desabotoou sua calça e eu fechei meus olhos. Eu não conseguia pensar em nada, só chorava e pedia á Alá que me protegesse daquele monstro. Foi quando Jimmy veio á minha mente. Foi pensando no meu amor que eu consegui suportar toda a dor que Ábido estava me causando.
Como eu era virgem, senti maiores dores á cada investida de Ábido em mim. Ele estava se esbaldando em prazer enquanto eu chorava. Mas mesmo assim eu ainda permanecia forte porque Jimmy estava comigo.
- Qual é o seu problema? Não vai reagir? – ele me sacudia tentando me provocar, mas eu estava em transe. Só pensava nos beijos e carinhos de Jimmy e como ele me protegia de tudo quando estava comigo. Ábido continuou á me estuprar com mais raiva por eu parecer não sentir nada.
Ele queria aproveitar meu corpo e deixar marcas e dores que eu sentisse mais tarde. Sim, seria mais tarde apenas, porque naquele momento eu estava sentada ao lado de Jimmy e meus amigos. Estávamos abraçados e cantando juntos.
“Chame seu homem. Disse que ela está bem. Ela sempre lutará. É um mundo que enlouqueceu mantendo a mulher acorrentada...”
Essa frase vinha de uma música que Jimmy e os meninos cantaram ao som do violão quando ficamos juntos na noite do Diwali.
- Sua vadia! – Ábido continuou á gritar comigo esperando qualquer reação minha, mas eu não fazia nada. Ainda estava de olhos fechados apreciando a musica que Jimmy e Brian cantavam na minha mente.
“Eu não aceitarei grandeza do homem. Então a liberte, homem de pedra
é melhor você gostar de amar, é melhor você se comportar, então a liberte.”
- Isso não é possível – ele cansou daquilo e jogou meu corpo ao vento apenas amarrado pelas cordas – Você sempre foi assim! Submissa desde pequena! Nunca lutou por nada, nem mesmo pela sua honra – ele se afastou de mim e colocou sua calça novamente – Vai ficar aí até que eu consiga meu objetivo – Só abri meus olhos depois que Ábido foi embora e então olhei para mim e me assustei com o meu estado. Corpo nu, totalmente marcado e até um pouco de sangue na minha parte íntima. Ainda sentia dores, claro, mas eu sorria. Sorria como uma boba apaixonada como se estivesse na companhia do meu Jimmy.
Talvez seja loucura, mas James Sullivan havia me salvado de sentir a pior dor do mundo para uma mulher. Eu havia sim sido estuprada, mas na minha mente éramos apenas eu e Jimmy juntos. Cantando, sorrindo e abraçados dizendo como nos amávamos.
- Obrigada... Obrigada meu amor – eu sussurrei até perder a consciência.
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POV Brian
Eu já sentia minha perna bem melhor e a dor da bala não me atingia mais. Conseguia caminhar devagar. Nayah me ajudava como podia.
Naquele dia estávamos sentados no sofá da sala, abraçados.
- Está se sentindo melhor amor?
— Com você eu me sinto melhor sempre Nayah – eu a beijei delicadamente até que todos entraram em casa falando alto.
— Mas o que é isso? Seus inúteis! — falei alto para Matt.
— Bom dia cinderela. Viemos trazer Jimmy para descansar.
— Como vocês estão? E o tio Joe? – perguntei. Todos vieram á sala e sentaram-se conosco para conversar. Deixei Jimmy sentar ao nosso lado no sofá apertado. Ele estava pálido, parecia pior do que quando foi ver seu pai.
— Bom. Joe ainda está em coma. Ninguém sabe como será e os médicos disseram que agora é só rezar.
— Ah entendi – eu disse desanimado – E ele? – apontei para Jimmy – O que houve com o pato?
— Ninguém sabe também. Jimmy ficou assim depois que brigou com a Karuka. Ela saiu correndo e agora ninguém sabe onde a moça se enfiou.
— Todos estão preocupados demais Brian! – Radija disse.
— Pois é e Jimmy não fala nada. Ele parece estar paralisado, sei lá! Tá pálido como se estivesse passando mal. Ficamos até com medo de tirar ele do hospital, mas os médicos disseram que era melhor ele ficar longe daquele ambiente – Zacky respondeu.
— Rev? – eu cutuquei meu amigo, mas ele não falava, não olhava para ninguém, apenas ficava parado sem piscar como se fosse uma estátua – Amigo, o que está acontecendo? – Ele apenas abaixou a cabeça e começou a chorar, ninguém entendia nada, mas todos o abraçaram. Seja o que for estaríamos juntos dele, mas eu também sentia algo ruim quando pensava em Karuka mesmo sem saber o porquê.
— Não se preocupe Rev... Vamos achá-la – eu o abracei e deixei que o grandão chorasse no meu ombro.
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