Desert Rose
3 2 - Mundo Oriental
Notas iniciais
Vamos lá:
Karuka: Poly Rocha
Radija: BuriiedAlive
Nayah: Gnoma Synystra
Priya:Reverenda do Jimmy
Tara:Sweet Cherry Pie
Espero que gostem pessoal *--*
2 – Mundo Oriental
*Amber, Índia – Casa de Karuka*
POV Karuka
O dia estava lindo para uma caminhada, se eu não fosse controlada por meu tio. Bom, ele não era meu tio de verdade, mas se ofereceu para cuidar de mim e minhas irmãs quando nossos pais morreram.
Aqui na Índia nós temos que obedecer á todas as regras e respeitar muito os idosos.
Ser mulher na Índia não é fácil, somos submissas á qualquer vontade dos homens e não temos direito algum de expressão, apesar de isso estar mudando com o tempo.
Eu não suportava ser diferente, lá no ocidente pessoas da minha idade estão em universidades se formando para serem importantes e eu?
Fui criada e educada sem sair de casa, meu tio Ábido, era rigoroso em relação á religião e principalmente, casamento.
Eu não queria me casar, mas era ele quem cuidava disso e havia me prometido para algum comerciante que tivesse um bom dote pra lhe pagar. Eu vivia numa casa com quatro irmãs, onde o peso de ser mulher não nos deixava viver e aproveitar a vida. Mesmo com 19 anos e depois de ter fugido de vários casamentos, eu me via encrencada, num beco sem saída.
- É incrível, como podem viver assim? Esse mundo do Ocidente é uma vergonha! Irão todos arder no fogo do inferno! – Tio Ábido estava lendo o jornal enquanto tomava o café da manhã. Não podíamos comer até que ele terminasse e deixasse algo pra nós. – As mulheres dessa casa serão o orgulho da família, jamais viverão no pecado como esses ocidentais! – Ele deu uma última golada na sua bebida, comeu algumas frutas e saiu da mesa. – Karuka, chame suas irmãs e vão comer alguma coisa. Eu vou para a loja! – Tio Ábido comandava a loja de tecidos que era de meus pais, e com isso ele tomara conta de todo dinheiro que nos pertencia.
Abri a porta pra ele e o vi desaparecer do meu campo de visão.
- Ábido já foi? – Radija, minha irmã de 17 anos perguntou. Ela tinha profundo ódio pelo tio Ábido, ela achava que ele só queria se aproveitar de nós.
- Já sim Radija, vamos comer – Minhas outras irmãs, Nayah, Tara e Priya, se juntaram á nós. Elas eram muito diferentes de Radija e tinham medo de tudo, não saiam de casa e temiam as pessoas que vinham do Ocidente, principalmente homens. Tio Ábido colocava medo em todas nós sobre as pessoas que viviam do outro lado do mundo. Elas tinham 17 anos e só eu 19, o que eu não achava estranho.
Outro fato estranho era a cor dos meus olhos, eram verdes, enquanto o delas era castanho, a única que tinha olhos azuis era Nayah. Ela era mestiça e herdara os olhos de meu avô. Mas fora isso era incomum encontrar pessoas de olhos mais claros em Amber.
- Nossa, vocês não vão acreditar no que eu achei nas coisas do Ábido! – Radija correu até a sala e pegou uma revista – Ele tem um exemplar de revistas que circulam no Ocidente! Ah meninas, vejam esses homens! Como podem ser tão lindos? – ela segurava uma revista chamada “People”, parecia ser sobre fofoca talvez, coisa que não suportávamos aqui na Índia.
- Nossa, Radija, se tio Ábido te ouve falar isso, vai te condenar ao inferno! – Nayah, minha irmã mais esperta tinha medo de tudo e sempre brigava contra a loucura de Radija.
- Quem disse que eu me importo? Um dia eu vou sair dessa casa, desse país! Vou para os Estados Unidos e conhecerei um cara bem gato lá – ela riu
- Mas é maluca mesmo! Só poderemos sair daqui se casarmos! E você sabe que só podemos casar com homens da nossa religião e tio Ábido que cuida disso! – Tara disse
- Eu estou querendo fugir daqui... – ela sorriu
- Radija, por favor! Se tio Ábido te pegar ele vai te condenar ás chibatadas! – Priya estremeceu ao ver a revista, mas logo esboçou um sorriso – Nossa, mas vejam essas luzes! Essa cidade deve ser linda! – Pude ver o nome: Nova York. Parecia ser o lugar mais incrível do mundo.
- E eu só queria poder estudar – resmunguei
- Não sei vocês, mas eu só estou esperando meu aniversário de 18 anos e assim eu vou fugir daqui! – Radija disse enquanto admirava os modelos masculinos da revista
- Ah claro e você acha que é fácil? Estamos prometidas para casamentos Radija! Já escapamos várias vezes, mas esse ano será difícil – Tara abaixou a cabeça
- Cansei de ser submissa á esses homens! – Radija saiu da mesa e correu para seu quarto.
Minhas outras irmãs ficaram na sala treinando a dança que fariam no dia de seus casamentos, enquanto eu ficava sentada na varanda admirando a paisagem e deixando minha mente voar... Casaríamos em um mês.
Eu não sabia nada sobre a minha história, como meus pais morreram ou se eu realmente pertencia àquele lugar. Eu me sentia diferente de minhas irmãs, como se eu não fosse indiana, como se minha essência fosse de outra dimensão, de outro país talvez.
- Paranóia... – resmunguei, saí da varanda e me ajoelhei em frente á estátua do Deus Shiva e me pus a orar.
- Por que você insiste nisso? – Radija estava parada no canto da sala
- Por que é minha religião Radija, eu devo respeito aos deuses e...
- Ah para com isso Karuka! Danem-se esses deuses! Eu já estou planejando minha fuga e acho que Priya vai concordar comigo! Vamos nós 5 para o Ocidente, vamos viver aventuras!
- E viver de que? Como sobreviver num lugar que nem conhecemos? Sem contar que nosso inglês não é muito bom – eu disse me levantando
- Pois eu vou, e ninguém vai me impedir e... – ouvimos um barulho vindo da porta e nos assustamos quando vimos a figura de Tio Ábido.
- Não vai te impedir? Veremos Radija – seu semblante era sério – Eu mando nessa casa, devia me agradecer por ter me oferecido para cuidar da honra de vocês!
- Honra, sei... Você quer é o dinheiro que nossos pais tinham. Você não me engana seu velho asqueroso! – Foi o suficiente para ver tio Ábido dar um tapa muito forte no rosto de Radija, esta caiu no chão. Os homens podiam tratar como bem entendessem as mulheres que habitavam suas casas. Agressões eram comuns.
- Você vai aprender a me respeitar! Se eu não der jeito em você, seu marido dará! – ele saiu da sala e foi venerar a Deusa Lakshmi.
- Está vendo? É nessa casa que você quer ficar? – Radija se levantou ainda com as mãos no rosto e correu para seu quarto.
- Talvez Radija tenha razão Karuka, temos que nos libertar dessa vida... – Tara colocou as mãos no meu ombro e sorriu.
- Que Alá nos proteja... – sussurrei enquanto refletia sobre tudo que aconteceu naquele momento.
Severidade, submissão, religiosidade, coisas do mundo Oriental.
Fale com o autor